Editorial / Weekly News
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Hoje, 25 de maio, é o dia da África, mas pouquíssimos brasileiros - incluindo aqueles que descendem do Continente africano - sabem disso. É lamentável que haja tanta hipocrisia, no segundo país do mundo em população negra (atrás somente da Nigéria).
Discutimos cotas raciais nas universidades, falamos da diminuição dos preconceitos, o governo tem até um Ministério da Igualdade Racial, mas nada de concreto é realizado para estimular uma verdadeira integração cultural com os povos que tiveram seus antepassados escravizados no Brasil.
Acredito estar oferecendo minha pequena contribuição em benefício desse registro. Além de divulgar a data, estou aprendendo swahili*, como é conhecido o idioma da costa oriental (falado por aproximadamente 30 milhões de pessoas) e que pretende tornar-se uma língua pan-africana - em detrimento do inglês e do francês, as línguas dos colonizadores, e que já são oficiais na maior parte dos países africanos. Nos próximos dias publicaremos um artigo em homenagem às comemorações da “Semana da África”.
*a forma correta para se referir ao idioma é kiswahili
Duas edições atrás, a revista Veja (que foi às bancas no dia 10) publicou um teste sob o nome ‘politicômetro’, visando situar o leitor no espectro político-ideológico. Em seu editorial informou ter se inspirado numa iniciativa americana, mas sem citar a fonte. Os leitores mais assíduos de nosso blog, porém, sabem que a autoria é de David Nolan e que o formato do teste foi ligeiramente modificado.
No intuito de nos anteciparmos em relação à revista, republicamos a nossa tradução do “World’s Smallest Political Quiz”, no dia 5. Mantivemos o formato original, permitindo um resultado claro àqueles que se submetessem ao teste. (clique aqui para conferir)
Na semana atual, Veja também confirma o que afirmávamos há um ano, aqui mesmo, no que concerne ao Brasil e a sua caracteristica dúbia de manter um pé no mundo desenvolvido e outro no atraso. Os detalhes constam do texto abaixo. Desejamos uma ótima semana aos nossos visitantes!

Mosquito vence avião
por Marcus Mayer
exclusivo para o blog
Aproximadamente 12 meses atrás, publicamos neste espaço uma série de receitas que acreditávamos urgentes e apropriadas para inserir o Brasil, definitivamente, no rol dos países desenvolvidos (clique aqui para ver o post) . Este não é nenhum grande mérito próprio – apesar dos positivos comentários recebidos na época –, pois os temas são correntes durante uma corrida de táxi ou à mesa de um bar.
Como matéria de capa, a revista Veja desta semana oferece como solução para os problemas do atraso brasileiro, num ótimo texto, uma receita com os mesmos ingredientes e semelhante modo de preparo ao que tínhamos apresentado. Utiliza-se, todavia, de uma terminologia sensivelmente ultrapassada no jargão das Relações Internacionais: ‘primeiro’ e ‘terceiro’ mundos.
Essas referências foram perfeitamente válidas durante o contexto da Guerra Fria, designando os países capitalistas alinhados aos Estados Unidos (primeiro mundo), os ex-socialistas sob influência da antiga União Soviética (segundo mundo) e os não-alinhados (terceiro mundo). A classificação atual, no sentido de qualificar o seu grau de desenvolvimento, agrupa os países do mundo em ‘ricos’, ‘emergentes’ e ‘pobres’. Brasil, Rússia, Índia e China, os chamados BRICs, estão entre os principais emergentes.
CONTRASTE – Com efeito, o Brasil, cujo grau de desenvolvimento permanece como um dos mais desiguais do planeta, apresenta em alguns setores nítidas características de país rico, concomitantemente aos bolsões de extrema pobreza e aos típicos problemas das nações mais miseráveis. Veja destaca muito bem essa idiossincrasia, ao ilustrar sua matéria com um modelo da EMBRAER, exemplo de elevadíssimo grau de tecnologia, e um Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.
Confirmando o que já dizíamos em nosso artigo de junho de 2007, o País necessita urgentemente de maior abertura econômica (observe a tabela comparativa ao lado). Precisa também diminuir drasticamente o tamanho do estado – o aparelhamento da máquina pública é um dos maiores malefícios ao desenvolvimento, aprofundados pelo atual governo petista. Deve retomar as privatizações, investir maciçamente em ciência e tecnologia, preservar o meio ambiente e extirpar a corrupção.
Infelizmente, o que executa o governo de Lula da Silva é justamente o contrário.

WEEKLY NEWS
CHEIRINHO DE MUZZARELLA
A CPI dos cartões corporativos foi transformada em CPI do dossiê. Registre-se que somos plenamente favoráveis à transparência dos gastos sempre: tanto do governo anterior como do atual. Todavia, a ‘minúscula’ oposição está totalmente desnorteada diante da blindagem que a tropa de choque do governo ofereceu aos gastos do atual presidente da República e de seus familiares. O governo mais corrupto da história brasileira poderá comemorar mais uma vitória, ao sabor de uma pizza, paga preferencialmente sob o sigilo do cartão de crédito.
CPMF, O RETORNO
O governo e sua base aliada preparam mais um episódio de terror para os brasileiros: o retorno do pior imposto em cascata. O DEM e o PSDB estão unidos na luta contra a iniciativa. “Se esse absurdo prosseguir na Casa, temos que fazer uma avaliação de sanidade no Congresso. O único caminho seria recorrer ao STF”, afirma o líder do DEM na Câmara, Antônio Carlos Magalhães Neto (BA). “Isso é um desrespeito ao Senado. O Congresso disse não à CPMF no ano passado; qualquer subterfúgio é um desrespeito a nós. Acho que temos que mobilizar a sociedade contra isso”, afirma o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
INTERNACIONAL
ADEUS SOLITÁRIO
Com a morte do líder e fundador das FARC, Manuel Marulanda, o Tirofijo, aumentam as chances de Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, exterminar o terrorismo praticado por essa organização de extrema-esquerda. Porém, alguns integrantes e aliados do governo brasileiro, como Marco Aurélio Garcia (assessor especial da Presidência), José Dirceu, Frei Beto (ideólogo da Teologia da Libertação) e Samuel Pinheiro Guimarães (secretário-geral do Itamaraty), devem estar profundamente entristecidos pela falta de consideração do comando das FARC, que não os convidou para chorarem sobre o caixão do “estimado companheiro”.
FORO DOS IDIOTAS
Álvaro Uribe não caiu no “conto-do-vigário” que os colegas ‘muy amigos’ pretendiam lhe aplicar, por meio da criação de um conselho de segurança conjunto, sob os auspícios da UNASUL – mais uma daquelas organizações internacionais do subcontinente que servem de palco para os perfeitos idiotas latino-americanos discursarem. A proposta de entregar a segurança da América do Sul a um grupo integrado por Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa e Lula da Silva – os simpatizantes das FARC – seria o mesmo que confiar o controle da penitenciária a Fernandinho Beiramar e a Marcola, os ex-chefes do narcotráfico!
SOCIEDADE
AME E DÊ VEXAME
O escritor e terapeuta Roberto Freire, morto na última sexta-feira, aos 81 anos, deixou um valioso legado, registrado em suas obras, visando o respeito à liberdade nas inter-relações pessoais e amorosas. Atribuo a ausência de machismo e menor autoritarismo nas minhas próprias relações a alguns ensinamentos recebidos desse escritor. Obrigado, Roberto!
ESPORTE
AZZURRA FELICE
Extraído do UOL Esporte: “A seleção italiana de futebol iniciou com animação os treinamentos para a Eurocopa em Coverciano, região central da Itália. Durante as atividades deste domingo, duas mulheres trajando biquínis invadiram o gramado e correram em diração aos jogadores. Muito embora os italianos estivessem se divertindo com a inusitada ‘invasão’, alguns seguranças do local tiveram que retirá-las à força. O treino da Itália seguiu normalmente depois do incidente.” (Foto: Reuters)
FRASE
“Eu te amo porque não preciso de ti, tu me amas porque não precisas de mim; somos um para o outro, deliciosamente, desnecessários.“
Roberto Freire, escritor e terapeuta
I believe in angels
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Escolhi como título deste post um verso do refrão de um antigo sucesso, “I Have a Dream” (1978), do conjunto sueco ABBA. A música permanece como uma de minhas preferidas. A linda melodia e as vozes de Agnetha Fältskog e Anni-Frid Lyngstad, as vocalistas do conjunto, são um prêmio aos ouvidos. Mas não é essa a razão deste texto.
Por mais incrível que possa parecer, testemunhei hoje um fato metafísico, ou talvez, um milagre! É possível também que tenha ocorrido uma manifestação de meu anjo da guarda, cuja real existência começo a admitir, a partir de hoje.
Desde que desenvolvi uma pequena capacidade de discernir entre crença e razão, nenhuma religião jamais me comoveu. Quanto mais leio a esse respeito – e não é pouco! – mais me convenço de que a mitologia politeísta da Grécia antiga foi simplesmente substituída, no mundo ocidental, pelas grandes religiões monoteístas – o islamismo, o cristianismo e o judaísmo. Com o devido respeito àqueles que neles acreditam, como um só deus era pouco, os católicos resolveram inventar os santos.
No semestre atual da faculdade de Filosofia, estou lendo tudo o que posso sobre Agostinho de Hipona que, depois de sua canonização pela igreja Católica, passou a ser conhecido como “Santo” Agostinho. Não acredito nestes entes, que em vida e até depois de mortos, fariam milagres. Mas estou começando a admitir que possam existir anjos ou, talvez, um deus milagroso.
O FENÔMENO – Ontem recebi a minha conta da tevê por assinatura da Telefónica TV Digital (a nova proprietária da TVA). Tomei um susto com o valor! Ao conferir a descrição dos serviços observei um grave erro: a conta do mês anterior, que já estava paga, tinha sido incluída novamente.
Hoje, na primeira oportunidade, liguei para o serviço 0800, de atendimento ao cliente, para reclamar e tentar corrigir o erro. Após somente dois toques, uma voz humana me surpreendeu: “Telefónica TV Digital, bom dia! Tatiane Não Sei De Que, em que posso ajudar?”
Custei a acreditar que não fosse uma gravação. Além disso, não precisei teclar o DDD e o número do meu telefone!? – Okay, fui direto ao assunto. “Qual é o número do telefone e o nome do assinante?”, foram as únicas perguntas efetuadas. Após nem meio minuto de espera, a atendente forneceu um número de 33 dígitos seguidos de 14 zeros, que devem ser apresentados ao caixa do banco quando do pagamento, referentes ao novo código de barras. “Obrigado e um bom dia!”, isso foi tudo! – e em menos de dois minutos de ligação.
O que significa? – Ainda não liguei a tevê para assistir ao noticiário. Estou redigindo este texto antes mesmo de visitar a Internet. Estou muito curioso para saber se o Brasil, de ontem para hoje, por graça de um milagre, ingressou no mundo dos países desenvolvidos.
Isso também não é nenhum merchandising. Talvez esteja sendo cínico, mas o fenômeno é semelhante a uma incrível mágica. O atendimento telefônico, diante de um problema que, ouvimos sempre dizer, é muito corriqueiro e, em geral, difícil de ser resolvido, foi executado como se espera.
Estamos acostumados a reclamar e nunca reconhecer – e muito menos divulgar – quando um serviço é bem executado. Pois o estou fazendo agora: a Telefónica TV Digital e o seu serviço 0800 foram muito eficientes!
Assim tem de ser sempre! E que esse exemplo de atendimento seja estendido ao Speedy e ao próprio serviço de telefonia, cujas solicitações e reclamações são efetuadas em outro número. Esse, é famoso por ser atendido por uma gravação, exigir teclar o número do telefone e do DDD, nos fazer escutar infindáveis gravações e obrigar a teclar seguidamente uma porção de opções. Lá, depois de exposta a reclamação, em geral, a ligação é transferida para outro lugar de onde nos pedem para repetirmos tudo o que já tinha sido falado antes.
Espero somente que a minha eficaz atendente, meu provável anjo da guarda que responde pelo nome de Tatiane, tenha ditado corretamente todos aqueles 33 dígitos e não se enganado quanto aos 14 zeros!
Painel: Weekly News
Weekly News, Atualidades 13 Comments »WEEKLY NEWS
Esperamos que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), torne-se o próximo presidente da República! Acreditamos que o desenvolvimento do Brasil esteja assegurado por meio de uma aliança governamental sustentada pelo PSDB e pelo Democratas, deixando o pesadelo petista definitivamente para trás. Mas isso ainda está relativamente distante. Às vésperas do início da campanha eleitoral de 2008, anunciamos nosso apoio à reeleição de Gilberto Kassab (DEM), em São Paulo, e à candidatura de Fernando Gabeira (PV), no Rio de Janeiro.
CACHAÇA DE SEGURANÇA NACIONAL
Na CPI dos cartões corporativos a atenção está voltada para o mais peessedebista dos petistas (ou “super tucano” como o chamou Eliane Cantanhêde, na Folha de S.Paulo), José Aparecido Nunes Pires, o funcionário da Casa Civil responsabilizado pelo envio do dossiê sobre gastos do governo FHC a um assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Com isso, a oposição parece ter esquecido de investigar as despesas secretas do presidente Lula da Silva e de sua família. Os gastos com cartão corporativo da Presidência da República continuam sigilosos, sob a proteção que o status de “segurança nacional” lhes confere.
ME ENGANA QUE EU GOSTO
Fernando Collor de Mello mentiu ao referir-se a sua relação com PC Farias. Bill Clinton mentiu ao dizer que não havia praticado sexo com Monica Lewinsky. Por isso, o primeiro foi derrubado da presidência da República; e o segundo quase sofreu um processo de impeachment no parlamento americano. No atual governo, depois de elevar a mentira a um instituto da presidência, ninguém mais se incomoda com ela. O presidente Lula da Silva é, sem sombra de dúvida, o mais importante mentiroso de todos os tempos. Mesmo assim, os brasileiros parecem estar gostando cada vez mais de serem enganados, conforme atestam as pesquisas de opinião. Com o apoio das Organizações Globo, em breve o Vaticano terá mais um santo brasileiro para canonizar: São Lula, o protetor dos mentirosos.
NO PICADEIRO DO PLANALTO
É o governo da palhaçada fazendo circo: num primeiro momento, o presidente Lula da Silva anuncia a redução de impostos incidentes sobre a produção, adotando a melhor das práticas liberais para incrementar o crescimento econômico; noutro, planeja a mais estúpida medida esquerdizante, visando à ressuscitar o pior de todos os impostos em cascata, a CPMF. Não dá para ficar feliz um único dia com esse governo.
POBRES DOS POBRES
De acordo com o outrora respeitado organismo governamental, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) - agora infestado com a ideologia petista -, os pobres no Brasil pagam 44% mais imposto, proporcionalmente à sua renda, que os ricos. Apesar de os 10% mais pobres não pagarem o Imposto de Renda, esses consomem bens com alta carga tributária indireta, incidente sobre a cesta básica. Se até o novo “IPEA da esquerda” consegue enxergar isso, por que a miopía do governo não reduz a dramática tributação que incide sobre o consumo dos pobres?
MEIO AMBIENTE
NÃO ROUBA NEM FAZ
Marina Silva, a ex-ministra do Meio Ambiente, serviu ao País muito mais como figura simbólica, que competente administradora pública. Pouco fez de efetivo pela conservação do verde e pela melhoria das condições ambientais nas grandes cidades. Todavia, é de destacar que mantenha sólidos compromissos com a causa ambiental e, sobretudo, não tenha sido envolvida em nenhum escândalo de corrupção - coisa das mais correntes entre os políticos do PT. No Senado, seu simbolismo talvez possa ser melhor aproveitado.
AMEAÇA AO REI
O novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc (PT-RJ), confessou conhecer pouco o Brasil, mas colocou corretamente o dedo na ferida da devastação ao citar o estrago que o avanço da fronteira agrícola realiza nos estados de Mato Grosso e Rondônia. A “coitadinha” Marina Silva não tinha energia para enfrentar o peso-pesado Blairo Maggi (PR), governador de Mato Grosso e “rei da soja”.
COM RESSALVAS
É curioso e de certa forma inexplicável que uma parcela considerável da imprensa brasileira apóie cegamente a produção de etanol extraído da cana-de-açúcar. Está chegando ao cúmulo de deturpar informações. A chanceler alemã, Angela Merkel, destacou em todas as oportunidades em que se pronunciou sobre o assunto enquanto esteve no Brasil, que a utilização do biocombustível originário da cana-de-açúcar somente seria aceitável se não implicasse devastação de florestas e utilização de mão-de-obra miseravelmente remunerada (o que ocorre com os atuais bóias-frias). Todavia, o destaque oferecido em diversos veículos (tevês e jornais) causou a falsa impressão de que a Alemanha apoiaria o projeto, sem nenhuma ressalva.
INTERNACIONAL
BONS MODOS
O protocolo ao qual se submetem representantes governamentais não é mesmo fácil. Angela Merkel, a Chanceler alemã, teve de aceitar as desculpas e o aperto de mão do perfeito idiota Hugo Chávez, durante a Cúpula ALC – UE, em Lima. Chávez, em mais uma de suas falas insanas, insultou Merkel insunuando que a chanceler pertenceria à mesma direita alemã que apoiou Adolf Hitler.
SÓCIOS DO TERROR
Depois que a Interpol (polícia internacional) comprovou a autenticidade dos documentos do computador de Raúl Reyes, aquele líder das FARC abatido quando da intervenção colombiana em território do Equador, nada mais resta a Hugo Chávez e a seu colega Rafael Correa que baixarem a cabeça. Aguarda-se que as Nações Unidas e a OEA (Organização dos Estados Americanos) condenem veementemente a atitude dos governos da Venezuela e do Equador de financiar e colaborar com o terrorismo das FARC.
OBAMA-CLINTON
Partidários do candidato à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, terão uma difícil missão pela frente: esquecer os ataques sofridos durante a disputa com Hillary Clinton e aceitar o seu apoio; e, de preferência, oferecendo a ela a indicação à vaga de vice-presidente na chapa democrata. Esse seria o meio mais adequado para enfrentar e vencer o adversário conservador John McCain nas eleições presidenciais, evitando a migração de boa parte do eleitorado de Mrs. Clinton para o lado republicano.
WHO?
Pesquisa realizada pela revista Times aponta os quatro nomes mais simpáticos ao eleitorado para preencher a vaga de candidato à vice-presidente dos Estados Unidos: Hillary Clinton teria 32,5% das preferências; o general Wesley Clark, que comandou as forças da OTAN em Kosovo, 15,9%; Bill Richardson, governador de New Mexico, 14,7%; e Kathleen Sebelius, governadora do Alabama, 13,6%.
CIDADES
CAFÉ COM LEITE
A serviço do governador Aécio Neves (PSDB), de Minas Gerais, Geraldo Alckmin continua insistindo com a sua candidatura à prefeitura de São Paulo, com uma única e exclusiva intenção: tirar o governador José Serra de seu caminho. Alckmin não precisa nem vencer a eleição, mas quer derrotar Gilberto Kassab (DEM), aliado de primeira hora de Serra. Perder a eleição para Marta Suplicy (PT) também não seria de todo ruim. O importante para Alckmin é viabilizar o nome de Aécio Neves para a presidência em 2010. Assim, as suas chances para se tornar candidato em 2014 ou 2018 seriam muito maiores. Com Serra na frente, a fila demoraria mais 4 ou 8 anos para andar.
BOBAGEM CARIOCA
O prefeito César Maia (DEM), do Rio de Janeiro, permanece teimando com a candidatura da deputada Solange Amaral para a sua sucessão ao Palácio da Cidade. Não que o nome de Solange não fosse bom; contudo, são muito remotas as suas chances de vitória. Melhor faria o prefeito em apoiar e viabilizar a candidatura de Fernando Gabeira, indicando Solange Amaral para a vaga de vice, numa excelente coligação entre o Democratas e o Partido Verde (em São Paulo, esta união já foi consolidada!). Com a divisão entre as oposições, César Maia acaba favorecendo o candidato de Lula da Silva, o bispo Marcelo Crivella (PR), da Igreja Universal, líder nas pesquisas. Além de repetir a insensatez paulistana, não levará nenhuma vantagem. Com o apoio de Gabeira, seria mais fácil para Maia viabilizar a própria eleição ao governo do Estado do Rio, em 2010.
ESPORTE
GAROTA CORAJOSA
Enquanto na política as coisas andam complicadas, Maya Gabeira, de apenas 21 anos, filha do candidato a prefeito do Rio, Fernando Gabeira, já é reconhecida ao redor do mundo como a melhor surfista de ondas grandes da atualidade. Seu desempenho e coragem contribuíram muito para que se tornasse a primeira brasileira a conquistar o prestigioso título de campeã do XXL 2008 e do 2007 Girls Overall Performance, por ondas que surfou em Todos Santos (Baja California), no México e em Waimea, no Havaí.
FRASE
“A parte íntima da vida dele não interessa a ninguém, e ele não nos deve satisfação. A vida é assim: complexa e bonita como os travestis.”
Caetano Veloso, sobre o affair de Ronaldo com travecos no Rio (extraído de Veja)
O menor teste político do mundo
Filosofia, Política 12 Comments »
Como você se classifica politicamente?
para descobrir, responda a essa adaptação do famoso
World’s Smallest Political Quiz
(O menor teste político do mundo)
Durante anos, a ideologia política foi representada por uma escolha entre a esquerda, a direita e o centro. Cada vez mais especialistas consideram essa visão demasiado estreita, pois exclui milhões de pessoas. O diagrama do teste apresenta uma representação muito mais exata do espectro político. Ele mede tendências que não são absolutas. O resultado, todavia, indica a ideologia com a qual você mais se identifica e o quanto você concorda e discorda de outras filosofias políticas. Poderá ter também uma grande surpresa!
INSTRUÇÕES:
Para cada questão, escolha entre C para Concordo, T para Talvez (ou não sei), e D se você Discorda.
C: 20 pontos / T: 10 pontos / C: zero
LOCALIZE-SE NO DIAGRAMA AO LADO
Some os pontos separadamente. Para as questões de ordem pessoal marque a sua posição na pista da esquerda. Para as questões de ordem econômica localize-se na pista da direita. Siga os quadradinhos até a intersecção e encontre a sua posição no diagrama. As distintas áreas mostrarão o grupo político no qual você melhor se enquadra.
O QUE SIGNIFICA O SEU RESULTADO NO DIAGRAMA?
Liberais
Apóiam uma grande gama de liberdades; entre elas, a liberdade de escolha nas matérias de ordem pessoal e nas relações econômicas. Acreditam que a única verdadeira obrigação do estado é a proteção contra a coerção e a violência. Valorizam as responsabilidades individuais e toleram a diversidade econômica e social.
Social-Democratas
Abraçam a liberdade de escolha nas questões pessoais, mas apóiam a centralização das decisões econômicas. Desejam que o governo dê ajuda aos necessitados em nome da justiça social. Toleram a diversidade social, mas lutam pelo que chamam de “igualdade econômica”.
Conservadores
São a favor da liberdade de escolha nas questões econômicas, mas defendem padrões oficiais nas matérias de ordem pessoal. Tendem a apoiar o livre mercado, mas freqüentemente desejam que o estado defenda a comunidade naquilo que vêem como ameaça à moralidade ou à estrutura da família tradicional.
Centristas
Favorecem a intervenção seletiva do estado e enfatizam o que comumente descrevem como “solução prática” para dirimir problemas correntes. Tendem a manter um pensamento aberto em questões políticas. Muitos centristas atribuem ao governo a responsabilidade de impor limites às liberdades excessivas.
Nacional-Estatistas
Defendem uma maior responsabilidade estatal no controle da economia, dos indivíduos e da sociedade. Apóiam um planejamento centralizado, e freqüentemente questionam a liberdade de escolha nas questões individuais. Na parte inferior do diagrama, os autoritários de esquerda são usualmente chamados de socialistas, enquanto que os autoritários de direita são chamados de fascistas.
NOTA DO EDITOR
O teste acima faz jus ao seu nome - é realmente muito breve -, mas o consideramos muito objetivo e relativamente preciso. Registre, se possível, no espaço reservado aos comentários, a sua opinião. As terminologias utilizadas são adequadas ao Brasil. A “Terceira Via” localiza-se próxima à intersecção entre o liberalismo, a social-democracia e o centro. Nos Estados Unidos, os liberais são chamados de “libertários” (libertarians), enquanto os social-democratas também são conhecidos como “liberais de esquerda” (left-liberals).
CREDIT: The “World’s Smallest Political Quiz” is adapted from an original idea by David Nolan. Web: http://www.theadvocates.org/quiz.html
May Day
Mundo, Sociedade 2 Comments »A origem do 1º de maio, como “Dia do Trabalho”, remonta o ano de 1886, na industrializada Chicago, Illinois, nos Estados Unidos. Nessa data, iniciou-se um movimento de trabalhadores, organizado pela American Federation of Labour (Federação Americana do Trabalho) que foi às ruas reivindicar a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias.
No dia 4 de maio, na Haymarket Square, uma bomba foi lançada, pelos manifestantes sobre a guarda que tentava controlar o movimento, matando o policial Mathias J. Degan. Pouco tempo depois, os policiais ingressaram num conflito com os manifestantes, resultando na morte de quatro grevistas e num elevado número de oficiais e de civis feridos.
Em lembrança aos que morreram no movimento de Chicago, a Segunda Internacional Socialista, ocorrida em Paris (1889), criou o “Dia Mundial do Trabalho”, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano.
Nos Estados Unidos, celebra-se o Labor Day na primeira segunda-feira de setembro e o May Day, 1º de maio, foi transformado oficialmente no Loyalty Day (Dia da Lealdade), comemorando-se a associação entre loyalty and freedom (lealdade e liberdade).
No Brasil, a data é comemorada desde 1895; porém, em 1925 o feriado tornou-se oficial, por decreto do presidente Artur Bernardes. Está na hora de o Brasil e o mundo também se unirem pela lealdade e pela liberdade.
Dia da Terra
Meio Ambiente 4 Comments »O Dia da Terra foi criado em 1970, quando o senador democrata Gaylord Nelson (1916-2005), pelo estado de Wisconsin, Estados Unidos, convocou o primeiro protesto americano contra a poluição do Meio Ambiente. A data é festejada todo 22 de abril e, desde 1990, passou a ser celebrada também por outros países. É lamentável que seja tão pouco lembrada no Brasil.
Em 29 de junho de 2007, o “Programa do Jô”, da TV Globo, foi dedicado integralmente à Amazônia. Os três blocos de entrevistas foram oferecidos aos atores Christiane Torloni, Juca de Oliveira e Victor Fasano, para discorrerem a respeito de uma campanha pela preservação da floresta e da divulgação de um abaixo-assinado que pretendem encaminhar à Presidência da República. Essa campanha continua em 2008 e necessita de permanente divulgação.
Já naquela época, nosso blog aderiu ao manifesto e continua incentivando os seus leitores a fazerem o mesmo. Sugerimos que copiem o banner da iniciativa e o colem em seus respectivos blogs! Incentivamos também a leitura do espetacular(!!!) texto de Juca de Oliveira, publicado abaixo, que permanece muito atual.
Sintam-se, caros leitores, totalmente à vontade para copiarem este post e o colarem, com as devidas adaptações, em seus respectivos blogs. Não aguardo nenhum crédito, pois não o mereço. Estou satisfeito por poder divulgar esta campanha, que é de todos, principalmente neste momento no qual o desmatamento torna a alcançar proporções catastróficas.
Quando o ator Juca de Oliveira foi para o Acre no final de 2004 para gravar a minissérie “Mad Maria”, descobriu o Brasil da floresta e tomou consciência da gravidade da situação na região amazônica como um todo, muito além de Rio Branco: “eram imensas nuvens de fumaça que escondiam a devastação, transformando esse imenso patrimônio ambiental em pastagens e plantios de soja”, declara o ator.
Durante a realização de outra minissérie, “Amazônia: de Galvez a Chico Mendes”, estreada em janeiro de 2007, quando da revolta dos atores Christiane Torloni e Victor Fassano, ao se defrontarem com a realidade do aniquilamento da selva amazônica, fez-se um clamor para iniciar um movimento de defesa da floresta.

Juca de Oliveira, em Mad Maria
Carta aberta de artistas brasileiros sobre a devastação da Amazônia
Acabamos de comemorar o menor desmatamento da Floresta Amazônica dos últimos três anos: 17 mil quilômetros quadrados. É quase a metade da Holanda. Da área total já desmatamos 16%, o equivalente a duas vezes a Alemanha e três Estados de São Paulo. Não há motivo para comemorações. A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas presta serviços ambientais importantíssimos ao Brasil e ao Planeta. Essa vastidão verde que se estende por mais de cinco milhões de quilômetros quadrados é um lençol térmico engendrado pela natureza para que os raios solares não atinjam o solo, propiciando a vida da mais exuberante floresta da terra e auxiliando na regulação da temperatura do Planeta.
Vista aérea de queimada na Amazônia
Esperança na América Latina
América Latina 5 Comments »
Iniciamos nossas atividades em 2008, após um breve perído de ausência, com um excelente artigo e uma interessante recomendação de leitura, dirigida àqueles que nutrem interesse por aprofundar-se nos temas relacionados ao panorama político-econômico da América Latina atual. O livro é: Contos-do-Vigário - O engano de Washington, a mentira populista e a esperança da América Latina, de Andrés Oppenheimer.
No intuito de oferecer uma visão aproximada do conteúdo da obra, apresentamos abaixo um artigo do autor, originalmente publicado pelo jornal “Washington Post”, sob o título Latin America Is Lagging. Someone Tell Its Leaders, no último domingo, 13 de janeiro, e republicado hoje também pelo “O Estado de S.Paulo”. Conforme Oppenheimer, o Brasil e os demais países da América Latina poderiam estar em situação muito melhor, entre outras razões, não fosse o populismo de sua classe política.
Andrés Oppenheimer é argentino, naturalizado americano, foi vencedor do prêmio Pulitzer de jornalismo em 1987 e é colunista do “Miami Herald” (Latin American editor and foreign affairs columnist). O artigo pode ser lido em inglês, no site do “Washington Post”, clicando-se sobre o link inserido no título destacado no parágrafo anterior.
Na oportunidade, aproveito para agradecer pelos diversos e-mails enviados durante nossa ausência (respondidos) e pelos tão simpáticos comentários deixados no último post.
América Latina está ficando para trás
para o jornal Washington Post | Domingo, 13 de janeiro de 2008
Como comentarista de longa data da América Latina, estou acostumado com que discordem de mim, mas quando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, me rotulou de “inimigo da revolução” em rede nacional, fiquei surpreso. Nunca imaginei que Chávez mencionaria meu nome seis vezes num discurso irado, acusando a mim e a outros “grandes intelectuais” de minar seus programas esquerdistas.
Também não imaginei que seria demonizado por autoridades aparentemente menos radicais da América Latina e seus amigos no mundo empresarial. Mas a publicação da edição em espanhol de meu novo livro sobre os males da América Latina, Saving the Americas, transformou-me num saco de pancadas de gente de todo o espectro político. Meu pecado foi argumentar que a América Latina está ficando para trás num momento em que a região, rica em commodities, está passando por seu maior surto de crescimento em décadas.
Obviamente, recebi comentários muito mais agradáveis do presidente da Costa Rica, Óscar Arias, vencedor do Prêmio Nobel, e do ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso. O elogio deles, porém, foi ofuscado por aqueles que me acusam de ser estraga-prazeres.
O que provocou a agitação, que acabou ajudando a vender mais de 200 mil exemplares da edição em espanhol? Basicamente, a minha constatação de que a região não consegue ver que está ficando para trás do restante do mundo em desenvolvimento.
Certamente, os governos latino-americanos e as instituições financeiras internacionais têm boas razões para celebrar o momento atual. Segundo a ONU, a economia da região apresenta seu melhor desempenho em 40 anos. Alguns países, como a Venezuela e a Argentina, crescem num ritmo de 9% ao ano.
Uma quantia recorde de US$ 65 bilhões anuais está fluindo para casa em remessas dos migrantes latino-americanos que estão nos EUA e na Europa, proporcionando uma nova fonte de renda para milhões de pobres da região. E os preços estratosféricos do petróleo, da soja, do cobre e de outras commodities impulsionaram o valor total das exportações locais.
Não é de surpreender que os líderes latino-americanos estejam exultantes. Segundo Hugo Chávez, seu país não está crescendo apenas economicamente, mas “social, moral e até espiritualmente”. O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner costumava dizer que o mundo inteiro estava maravilhado com a impressionante recuperação econômica argentina. Quando foi presidente do México, Vicente Fox assegurou que o país crescia “como uma locomotiva”.
O único problema é que a América Latina está crescendo economicamente quase exclusivamente graças a fatores externos, como a expansão da economia mundial e os altos preços de commodities, não porque tenha colocado a casa em ordem. E esses surtos externos de crescimento não vão durar para sempre.
Qual foi a minha heresia? Enquanto os líderes latino-americanos exibiam seu crescimento, argumentei que essa teoria de que a região está entrando numa nova era de prosperidade não passa de um conto de fadas. Por isso, o título de meu livro em espanhol é Cuentos Chinos e em português, Contos-do-Vigário.
A economia da América Latina tem se expandido num ritmo de 5% nos últimos 5 anos, mas a China cresce 10% há quase 30 anos. Os índices de crescimento da Índia são de 8% há uma década e os da Europa Oriental, de 6%. Na realidade, em comparação com outras partes do mundo em desenvolvimento, a economia da América Latina está ficando para trás.
Se você considerar a redução da pobreza, o contraste é ainda mais gritante. Enquanto na Ásia a parcela da população vivendo na pobreza caiu de 50% em 1970 para 19% hoje, na América Latina, no mesmo período, a redução foi de 43% para 36%, segundo a ONU.
FALTA DE PRAGMATISMO
Portanto, eu pergunto: o que é que os asiáticos estão fazendo que os latino-americanos não estão? Para começar, os países asiáticos são guiados pelo pragmatismo e pensam no futuro, enquanto os latino-americanos se norteiam pela ideologia e são obcecados pelo passado.
Pouco depois de chegar a Pequim, numa viagem recente, recebi a informação de que altos funcionários do governo tinham dado boas-vindas a toda a diretoria do McDonald?s. Poucas semanas antes, enquanto viajava pela América Latina, soube que o governo Chávez tinha orgulhosamente anunciado uma suspensão de três dias nas atividades dos restaurantes McDonald?s na Venezuela para dar uma lição nas multinacionais. Ironicamente, enquanto a China comunista está fazendo de tudo para atrair investidores estrangeiros, vários países latino-americanos nominalmente capitalistas parecem estar tentando afugentar os investidores.
Mas a tendência mais perturbadora para a América Latina é sua estagnação nas áreas de educação, ciência e tecnologia. Enquanto asiáticos e europeus orientais estão formando uma mão-de-obra cada vez mais qualificada, a maioria dos países latino-americanos não mudou seus ultrapassados sistemas educacionais.
Para minha surpresa, descobri que na China as crianças das escolas públicas começam a ter aulas de inglês na terceira série - quatro horas por semana. Poucas semanas mais tarde, perguntei ao ministro da Educação do México em que série os alunos de escolas públicas mexicanas começam a estudar inglês. A resposta: na sétima série, duas horas por semana.
Esse fato chocante é apenas um indicador do desafio educacional da América Latina. Entre outros que cito no livro, estão os seguintes:
1) Muitos latino-americanos acreditam que suas grandes universidades estatais são excelentes, mas na realidade elas são medíocres. Na classificação do jornal londrino The Times das 200 melhores universidades do mundo constam apenas três latino-americanas - e bem no fim da lista: a Universidade de São Paulo (178º lugar), a Universidade de Campinas (179º lugar) e a Universidade Nacional Autônoma do México (195º lugar). Cerca de uma dezena de universidades da China, Cingapura e Coréia do Sul ocupam lugares bem melhores no ranking.
2) À medida que o número de alunos asiáticos nas faculdades dos EUA aumenta, o número de latino-americanos cai. A Índia tem 84 mil estudantes em faculdades americanas; a China, 68 mil; a Coréia do Sul, 62 mil. E a porcentagem de alunos asiáticos subiu 5% em 2006. Já o México tem apenas 14 mil alunos nas faculdades americanas. O Brasil tem 7 mil e a Venezuela, 4.500. Além disso, o número de estudantes latino-americanos caiu 0,3% no ano passado.
3) Enquanto os países asiáticos e do Leste Europeu estão produzindo engenheiros e cientistas em massa, a América Latina produz um grande número de psicólogos, sociólogos e cientistas políticos.
4) No mais recente Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, um teste padronizado que mede a proficiência em leitura, matemática e ciências de adolescentes de 15 anos, as notas dos países latino-americanos ficaram entre as mais baixo do mundo.
5) Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento, somente 1% de todo o investimento mundial em pesquisa e desenvolvimento é feito na América Latina.
Juntos, os 32 países da região gastam US$ 11 bilhões ao ano em pesquisa e desenvolvimento - menos que os US$ 12 bilhões gastos só pela Coréia do Sul. Por que tudo isso é importante? Porque numa economia baseada no conhecimento, como a de hoje, não são as matérias-primas que fazem você rico, mas os serviços, o marketing e os cérebros. Meu exemplo favorito: de cada xícara de café plantado na América Latina que os consumidores compram nos EUA, menos de 3% do preço vão para os agricultores da região. Os 97% restantes vão para aqueles que trabalham com engenharia genética, processamento, desenvolvimento da marca e outras atividades baseadas no conhecimento que ajudam a produzir uma xícara de café.
SINAIS POSITIVOS
A despeito dessas estatísticas deprimentes, ainda estou otimista em relação à América Latina. Também podem ser percebidas na região várias tendências positivas, como o avanço da democracia e a maior estabilidade política e econômica.
Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, entre outros, estão rompendo com a antiga praga latino-americana das políticas radicais, que resultam em instabilidade, fuga de capitais e pobreza.
Esses e outros países têm apostado na continuidade econômica, que está começando a impulsionar os investimentos internos e estrangeiros. Em vários casos, tal decisão tem sido tomada por uma nova linhagem de governos esquerdistas economicamente responsáveis.
É verdade que autoridades dos EUA, assim como a maioria de nós na mídia, se concentram em Chávez e em seus aliados na Bolívia, no Equador e na Nicarágua, que ganham as manchetes com suas declarações em favor da revolução socialista.
Mas a Venezuela e seus amigos respondem por apenas 8% do Produto Interno Bruto da América Latina. A verdadeira história da região está sendo escrita em outras partes - e ainda poderá ter um final feliz.
*Andrés Oppenheimer é colunista do Miami Herald e autor do livro “Saving the Americas: The Dangerous Decline of Latin America and What the U.S. Must Do?” (No Brasil, Contos-do-Vigário, Editora Record).
Editorial / Weekly News
Weekly News, Atualidades, Política 15 Comments »Censura, desrespeito aos direitos humanos, corrupção, xenofobia, aparelhamento do estado. Isso, para não citar outras atrocidades. Este é o retrato da república democrática de Lula da Silva. A cegueira epidêmica que atingiu as pessoas da obra de ficção de José Saramago é a pura realidade brasileira. Enquanto denunciamos e manifestamos nossa perplexidade diante dos fatos, o País aplaude o perfeito idiota-latino americano e o Parlamento discute a possibilidade de aprovar um terceiro mandato para ele.
Abaixo do editoral, publicamos nossa tradicional coluna WEEKLY NEWS. Aproveitamos para agradecer por todos os recentes comentários e pelas visitas. De acordo com o Site Meter (confira-se no final de cada página), ultrapassamos a marca dos 10.000 visitantes, nesse curto período de existência de nosso blog.

O Brasil do ‘democrata’ Lula da Silva
por Marcus Mayer
exclusivo para o blog
“Não acredito em democracia, mas em liberdade individual”.
Milton Friedman
Desde a restauração democrática, o Brasil não atravessa um momento tão tenebroso como o atual. O mais grave é que a grande maioria da população não tem a mínima noção do que realmente ocorre na República.
Em 1991, o Senado Federal cassou o mandato de Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente eleito pelo voto direto depois de encerrado o ciclo militar. No ano seguinte, a Câmara dos Deputados expulsou de suas hostes um bando de deputados corruptos, envolvidos no chamado escândalo dos “anões do orçamento”. Imaginou-se então que o Brasil estivesse mesmo “sendo passado a limpo” – na época, esse era um dos famosos bordões do jornalista Boris Casoy.
A realização de eleições diretas em todos os níveis, a concessão de anistia aos políticos cassados pelo regime militar, o pluripartidarismo e o fim da censura aos órgãos de comunicação foram conquistas importantes para a consolidação da democracia brasileira. Também na economia, durante a história recente, ocorreram avanços extraordinários. A reserva de mercado na área da informática foi enterrada, a abertura permitiu ao País a sua inserção no comércio mundial, alguns dinossauros estatais foram privatizados e a hiperinflação foi debelada.
Com a eleição do ex-líder sindical Luis Inácio Lula da Silva à Presidência, pelo Partido dos Trabalhadores, em 2002, festejou-se a alternância no poder. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso soube conduzir espetacularmente a transição de governo, sem mágoas ou rancores pela derrota do então candidato oficial, José Serra. A torcida de todos, vitoriosos e derrotados, era por um Brasil menos desigual. Os discursos do novo presidente, que tinha como principal meta de seu governo erradicar a fome e a pobreza, entusiasmaram o País.
Os partidos derrotados na eleição de 2002, e que conseqüentemente se tornaram oposição, ofereceram crédito ao novo governante e apoiaram as reformas que começavam a ser apresentadas. O apoio foi grande, pois até na área econômica observava-se a manutenção dos principais preceitos do governo anterior, que tinha conseguido controlar a inflação e o déficit público.
O ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, enfrentou dificuldade maior em seu próprio partido, que entre os de oposição, para aplicar o que parecia ser uma responsável gestão da economia. Alguns radicais, da extrema-esquerda do partido do governo, se viram obrigados a fundar uma nova agremiação, o PSOL. Um grupo menos ortodoxo, apesar da vermelhidão de sua ideologia, entretanto, permaneceu, pois o exercício do poder e a escalada social que este lhes proporcionou estava acima de qualquer filosofia.
De uma hora para a outra o governo mostrou sua verdadeira cara. O crédito oferecido pela oposição ao governo foi vertiginosamente extrapolado. A gigantesca incompetência dos incontáveis ministérios, a vasta dimensão da corrupção – jamais observada no país -, o escandaloso aparelhamento do estado, o total desrespeito às instituições democráticas, o explícito fisiologismo dos partidos da base de apoio ao governo e, sobretudo, a mais absurda política externa praticada na história do Itamaraty, apresentaram-se como verdadeiras catástrofes nacionais. Enquanto o mundo aproveitava um ciclo de enorme crescimento econômico e diminuição das diferenças sociais, o País fazia sua opção pelo “avanço do retrocesso”.
A recondução de Lula da Silva ao cargo, na eleição de 2006, se deu exclusivamente como resultado da política assistencialista. Os miseráveis – tristes desaventurados que não tem acesso à informação nem discernimento suficiente para entender o que significam as iniciativas populistas -, foram escancaradamente enganados. Em troca de favores governamentais, órgãos de imprensa, empresários incompetentes e uma multidão de ‘cegos políticos’ ofereceram apoio à reeleição do maior energúmeno que o País já teve na Presidência.
Com efeito, o Brasil perde mais uma década de sua história. Vislumbra o atraso em todos os setores imagináveis e inimagináveis. A receita de Lula da Silva é a repetição do nacional-populismo, tão repudiado nas democracias modernas - sobretudo, na Europa pós-guerra -, mas altamente eficiente em países de maioria mal-alfabetizada - como o próprio presidente - e irresponsável. Note-se que não somente os menos letrados apóiam este governo.
O perfeito idiota latino-americano está fazendo a sua festa: inspira-se em práticas autoritárias, xenófobas e estatistas. Por meio do populismo assistencialista e do fisiologismo, oferecendo cargos e vantagens aos seus seguidores, Lula da Silva garante apoio popular e parlamentar. O empresariado incompetente – que tem na concorrência estrangeira seu grande inimigo -, os bancos, os sindicatos, as organizações não-governamentais corruptas, todos esses aplaudem o poderoso chefão. E boa parte da grande imprensa, corrompida pela troca de favores, cala-se, no intuito de defender os seus próprios interesses.
Que tal perguntar ao sábio povo brasileiro, por meio de um plebiscito “a la idiota latino-americano”, se não deseja um terceiro mandato para o presidente? O “sim” venceria com larga folga. Assim, talvez um dia poderíamos nos tornar uma Venezuela ou, quem sabe, uma Bolívia. Viva o país das maravílhas do grande democrata Lula da Silva!

WEEKLY NEWS
JÔ INVESTIGADO POR PRECONCEITO
É absurda a investigação do Ministério Público Federal ao programa de Jô Soares. Segundo a procuradoria, houve denúncias sobre uma entrevista que abordava a questão de mulheres submetidas à cirurgia no clitóris na África e que comentários do apresentador podem ter manifestado preconceito em relação a hábitos e costumes culturais daquele continente. Será que o Ministério Público não encontra ocupação mais útil que a defesa de práticas bárbaras? Não seria melhor atentar para a barbaridade que ocorreu no estado do Pará, e afastar a inconseqüente governadora de seu posto?
FORA ANA JÚLIA
Em primeira-mão, nossa colega blogger Letícia Coelho (clique sobre o nome para acessar o blog) noticiou o escândalo do encarceramento da menina de 15 anos, com 20 homens (ou 30?), em uma prisão no Pará. A governadora Ana Júlia Carepa, do PT, deveria ser responsabilizada criminalmente e renunciar imediatamente. Sua cara-de-pau causa perplexidade ao admitir ser comum prender mulheres em celas masculinas, em seu estado. A governadora não se utilizou nem do tradicional “eu não sabia de nada”, tão comum entre os seus correligionários, para justificar o seu descaso diante da barbaridade. A marginalidade no PT já está tão banalizada que esqueceram de pedir a sua renúncia (!!!).
NOSTALGIA
O ex-presidente Cardoso pode não ter deixado saudades – sobretudo, de seu segundo mandato, quando freou as reformas liberalizantes na economia. Entretanto, no que concerne ao desprezo de Lula da Silva em relação à importância da educação formal, as suas declarações recentes foram espetaculares. Disse querer “brasileiros educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria”. Grande, Fernando Henrique!
ELE DE NOVO - 1
Sob o título “DNA do expurgo no IPEA”, Ancelmo Góis, do jornal O Globo, denunciou em seu blog as origens do escândalo no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada: “Se alguém tinha ainda a mais pálida ilusão sobre o que está acontecendo no IPEA, é só ler o comentário do ex-ministro e consultor de empresas José Dirceu, hoje, em seu blog. Dirceu deixou as dez digitais impressas no local do crime.”
ELE DE NOVO – 2
Do blog de José Dirceu: “Os vazamentos de informações, as pesquisas de encomenda, combinadas com a mídia, e a oposição aberta às decisões de política econômica e social do governo são consideradas pela mídia como autonomia de pensamento e a troca dos pesquisadores como arbitrariedade, agora tudo respaldado por importantes entidades representativas dos economistas do Brasil. Lamento que essas entidades nunca tenham criticado o pensamento único que dominou o IPEA e outras instituições, para não falar da PUC do Rio, templo do neoliberalismo e do consenso de Washington e das privatizações, e agora adotam essa postura”. (Reproduzido no blog de Ancelmo Góis e, agora, aqui, para que os nossos leitores conheçam ainda mais os inimigos da República)
CARA DO GOVERNO
“José Múcio, o novo ministro das Relações Institucionais, é o exemplo do político brasileiro oportunista e comprometido apenas com os seus interesses de ocasião. Já presidiu o antigo PFL, de onde pulou para o PSDB e, daí, para o PTB, onde está agora. O novo ministro é a cara deste governo e merecia ter sido descoberto por Lula há mais tempo”. Por Ronaldo Gomes Ferraz, do Rio de Janeiro, para o Painel do Leitor da Folha de S.Paulo.
CONTÁGIO
O apreço que se poderia ter pelo ministro da Educação, Paulo Haddad, foi totalmente esvaído. Sugerimos que ele torne a estudar, principalmente as estatísticas que traçam o perfil das escolas públicas dos países europeus – cujo modelo deveria servir ao Brasil. Ao comentar o resultado do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), afirmou que “as escolas públicas serão sempre piores”. Essa não é a realidade, nem mesmo do Brasil de algumas décadas atrás, quando as escolas públicas eram centros de excelência. Paulo Haddad é mais um a ser contagiado pela incompetência.
PENA DE MORTE
É tentadora a proposta do senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), de obrigar políticos eleitos a matricular seus filhos em escolas públicas. Apesar do respeito que nutrimos pelo digníssimo senador, o projeto não pode ser levado a sério, pois fere radicalmente o princípio das liberdades individuais. Mas bem que seria excitante conviver sob uma lei que obrigasse mães e filhos dos políticos a se tratarem somente em hospitais públicos de suas respectivas regiões.
ANIMAL PERIGOSÍSSIMO
O perfeito idiota latino-americano Hugo Chávez, agradeceu ao seu querido colega Lula da Silva, pela aprovação, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), do ingresso da Venezuela no Mercosul. Especial agradecimento também foi dirigido a uma das mais repugnantes figuras do governo, o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães. O presidente da República, um semi-analfabeto, já fez os seus estragos no País, mas um intelectual do tipo de Guimarães, defensor do pensamento da extrema-esquerda mais radical e ultrapassada, é ainda mais pernicioso para a democracia brasileira.
INTERNACIONAL
DEMISSÃO POR JUSTA CAUSA
Extremamente sóbria foi a decisão do presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, de dispensar definitivamente o idiota Chávez das negociações com as FARC (Forças Revolucionárias da Colômbia). Com isso, o governo Uribe retoma a linha-dura, que se mostrou bastante eficiente, contra a guerrilha. Bogotá, antes uma das cidades mais perigosas do mundo, hoje é um reduto de paz, e serve de exemplo às cidades brasileiras dominadas pelo tráfico de drogas.
¿POR QUE NO TE CALLAS?
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, também tem grandes reservas contra o idiota Hugo Chávez. Desagrada à chilena o fato de o aspirante a ditador haver reclamado do tema da 17ª Cúpula Ibero-Americana – coesão social – e de ter expressado seu apoio ao outro idiota latino-americano Evo Morales, na contenda entre o Chile e a Bolívia, por uma saída do último para o mar, por território chileno.
DO WIDSENJA*, JAROSLAW
A ordem democrática, lentamente, torna a ser estabelecida na Polônia. Desde o fim do comunismo, o país não tinha um governo tão esdrúxulo como o dos irmãos Lech e Jaroslaw Kaczynski, respectivamente, atual presidente e ex-primeiro ministro. Com a queda de Jaroslaw, o liberal Donald Tusk assumiu o cargo de premiê. Pretende retomar as privatizações, cortar impostos e conduzir a Polônia à “adoção rápida” do euro. Além disso, já anunciou que as tropas polonesas deixarão o Iraque em 2008.
* do vidsênia - pronuncía-se assim - significa adeus em polonês
IMPERDÍVEL - 1
O jornal O Estado de S.Paulo publicou um excelente editorial no último domingo, denunciando as atrocidades do governo, sob o título “Entre aloprados e pajés”, revelando detalhes importantes referentes ao aparelhamento do IPEA. Sugerimos a leitura do texto, que publicamos abaixo deste post.
MEIO AMBIENTE
IMPERDÍVEL - 2
Na mesma edição, o Estadão presenteou os seus leitores com uma revista que traz a reportagem especial, Amazônia. O texto está disponível, no portal Estadão.com, sob o link Especiais (clique para acessar). Atente-se para o trecho: “Cana na Amazônia? Sim, e em grande quantidade. A região já produz 20 milhões de toneladas de cana por ano. A indústria sucroalcooleira, que assumiu a tarefa mundial de curar o planeta do ‘vício do petróleo’ avança rumo norte, ameaçando estimular o desmatamento até mesmo no Amazonas.” Recorde-se que o projeto é defendido pelos presidentes Lula da Silva, do Brasil, e George Bush, dos Estados Unidos. Alguém ainda desconfia da perniciosidade da empreitada?
SOCIEDADE
SAUDOSA CENSURA
Todos os dias a figura nefasta do idiota Lula da Silva e de seu bando invade as salas de televisão das famílias brasileiras que acompanham os noticiários. Todavia, a pudica Justiça dos patrulheiros e saudosos da censura parece ter mais medo de mulher bonita. Agora essa Justiça do governo petista quer mudar a classificação da novela “Duas Caras”, da tevê Globo, por causa de um show do personagem de Flávia Alessandra, na trama. Eu não acompanho a novela, mas se soubesse teria até assistido à cena. Quem não gosta, que mude de canal, oras!
FRASE
“O Brasil precisa ser liderado por quem fala bom português.”
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República
Editorial de “O Estado de S.Paulo”, ed. de domingo
Brasil 1 Comment »
Os saudosos da inflação podem preparar-se para festejar. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece estar a um passo de abandonar os últimos e precários compromissos com a seriedade fiscal e com a estabilidade de preços. Os defensores da gastança, da irresponsabilidade financeira e da tolerância à inflação ganham espaço em Brasília e intensificam a pressão contra o Banco Central (BC). As escandalosas mudanças no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com expurgo dos pesquisadores não-alinhados, são parte desse processo. Isto não é ilação. A conexão entre os fatos é reconhecida por fontes do governo e até celebrada na vergonhosa moção de apoio à perseguição divulgada pelo Sindicato dos Economistas e pelo Conselho Regional de Economia do Estado do Rio de Janeiro.
Segundo o manifesto, “os quatro economistas desligados do Ipea jamais se colocaram firmemente contra o conservadorismo alienante do Banco Central”. Deixando de lado o besteirol, tão bem expresso em linguagem de boletim de centro acadêmico dos anos 50, vale a pena assinalar o sentido policialesco da mensagem: a direção do Ipea tem mesmo é de afastar funcionário não-alinhado. E por que não adotar a mesma política no Ministério da Fazenda, ou, por falar nisso, também no Ministério da Educação e nas universidades federais?
Em termos econômicos, a direção da mudança também é clara. A nova política, segundo fontes do governo citadas em reportagem publicada sexta-feira no Estado, abandona a pauta de reformas defendidas pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e seu plano de ajuste fiscal de longo prazo com redução de gastos correntes. A ordem, agora, é definir estratégias de desenvolvimento - mas o que significa esta palavra?
Desenvolvimento e crescimento econômico, já se sabe, envolvem maior intervenção estatal, mais contratações e mais gastos públicos, segundo a concepção do novo presidente do Ipea, Márcio Pochmann. É preciso não só empregar mais gente - de preferência, gente alinhada -, mas também ampliar o controle da economia pelo Estado, com intervenção, por exemplo, na produção de etanol.
Nesse “novo cenário”, o ajuste das contas públicas deve ser “mais gradual”, segundo assessor do Ministério da Fazenda citado na reportagem de sexta-feira. “Mais gradual” quer dizer, na prática, nenhum ajuste, pois a política hoje adotada pelo Ministério da Fazenda já é insuficiente para garantir, num prazo razoável, a arrumação das finanças do governo. Ou, em português mais corrente, é hora de avançar com menos timidez pelo caminho da gastança. É esta a mensagem real escondida sob o disfarce da linguagem.
Gastança pode ser qualquer coisa politicamente rentável para o governo e para sua tropa de aloprados. Não se trata apenas de investir em projetos de infra-estrutura e em outras iniciativas úteis ao desenvolvimento econômico e social. Por mera incompetência, o governo tem sido incapaz de realizar os gastos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as obras do Projeto Piloto de Investimento. A mesma incompetência é evidente no planejamento e na execução das políticas necessárias à segurança energética. Pode faltar gás no próximo verão, já admitiu uma autoridade, se a chuva for insuficiente e for preciso acionar as termoelétricas. Para manter as luzes acesas, o governo deixará desabastecida uma importante parcela dos consumidores de gás.
Nenhum desses problemas é conjuntural. Todos demonstram a incapacidade governamental de cuidar de questões estratégicas e até de executar o orçamento do ano. A solução, naturalmente, é contratar mais companheiros, aumentar a gastança e, se possível, mudar a diretoria do Banco Central e relaxar a política monetária, para ver se “um pouco mais











