Archive for April, 2007

Pelos corredores de trânsito

Depois de alguns dias distante do trânsito infernal da cidade durante os feriados da Semana Santa, tornei a percorrer em meu velho e confortável companheiro Peugeot o trajeto que separa a Universidade de São Paulo, no Butantã, e minha residência, no bairro do Tremembé, ao pé da Serra da Cantareira, na zona norte de São Paulo.

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No intuito de fugir dos congestionamentos das Marginais, prefiro cruzar a cidade, quase em linha reta, passando pela av. Santos Dumont, totalmente reformada durante as últimas administrações de Jânio Quadros e Paulo Maluf, e seguir pela avenida Nove de Julho que, depois das obras da ex-prefeita Marta Suplicy, teve o fluxo de automóveis particulares e de coletivos melhorado de forma extraordinária. O túnel Max Feffer, sob a avenida Faria Lima, também agilizou o acesso à Ponte Cidade Jardim, que conduz ao Jockey Club e ao Estádio do Morumbi.

Recordo perfeitamente a época em que as obras de Dona Marta foram realizadas, pouco antes das últimas eleições municipais, quando percorrer os principais corredores norte-sul da cidade tinha se tornado um verdadeiro caos.

Apesar dos benefícios que as reformas nessas vias propiciaram ao cidadão e ao motorista, com a construção de túneis e a reurbanização de avenidas e corredores de ônibus, o retorno eleitoral não foi suficiente para reeleger a prefeita. Os transtornos causados pelas obras, que precisavam ser entregues antes da eleição, foram tantos que não houve tempo suficiente para que a administração obtivesse o reconhecimento pelas benfeitorias urbanas.

logo-cidade-limpaHoje tive uma grata surpresa. Além de observar uma cidade mais limpa da poluição visual, trafegar pelas ruas já está se tornando um pouco mais fácil. Em meu trajeto para casa, considerado o horário, optei pelas Marginais. O asfalto novo e a sinalização horizontal, para não dizer que estão perfeitos, encontram-se em muito melhores condições que há poucos meses. Consegui fazer todo o trajeto que separa as pontes Cidade Jardim (na Marginal Pinheiros) e a ponte das Bandeiras (na Marginal Tietê) sem cair em nenhum buraco!

Em vez de retornar diretamente para casa, resolvi aproveitar a tranqüilidade das noites de segunda-feira – sobretudo depois de um feriado prolongado – para deliciar-me, com uma excelente pizza e algumas taças de vinho Malbec, na Pizzaria Margherita, na rua Haddock Lobo, no bairro de Cerqueira Cézar.

Por razões que não preciso comentar neste espaço, meu trajeto seguinte, de volta para casa, atravessou o túnel do Anhangabaú, no qual máquinas trabalhavam para melhorar o asfalto. Ao chegar à avenida Dr. Zuquim, que há algumas semanas também se encontrava em obras de recapeamento, atravessei a onda verde dos sinais inteligentes – funcionando (!) – sem precisar parar nos cruzamentos (apesar da atenção necessária) e rodei por um asfalto novo em folha.

A razão de relatar tudo isso é a seguinte: não estamos em ano de eleição e podemos vislumbrar a prefeitura trabalhando. Naturalmente, essa constatação deveria ser permanente, mas o que estamos acostumados a vislumbrar são “obras de perfumaria” sendo executadas com o único e exclusivo propósito de angariar dividendos eleitorais. Dessa vez, parece que há mais responsabilidade e seriedade no que concerne à manutenção das vias públicas, que há tanto tempo mereciam atenção.

Também foi ótimo escutar, em entrevista à rádio CBN, o secretário municipal de Transportes, Frederico Bussinger, afirmar que a verba destinada a sua Secretaria foi triplicada neste ano e que o equipamento eletrônico que faz com que os sinais de trânsito se tornem “inteligentes” – adotando ondas verdes e alterando o tempo em que permanecem abertos ou fechados, conforme o fluxo de veículos nos distintos horários -, sofrerá manutenção.

Este blog já ofereceu o espaço de um artigo para elogiar a “Lei Cidade Limpa” do prefeito Gilberto Kassab, do Democratas. Hoje, em vez de tratar de algum aspecto negativo da administração ou apontar um problema que enfrenta o cidadão, preferi destacar algo que pode existir de positivo, também, na administração pública. Continue assim prefeito!

 

 

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Latin Finance: Falling Behind

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April 2007

Brazil is the only sub-investment grade BRIC country. It risks falling even further behind if the government neglects urgent fiscal reforms required to power economic growth.

Brazil has basked in the glory of its association with Russia, India and China, the fast growing emerging economies that join it in the BRIC bloc. But by many measures it is falling far behind. When Goldman Sachs coined the phrase BRIC in 2003, the idea was that they could outstrip the G6 economies by 2050, both financially and politically. But as other BRICs take off, Brazil is looking increasingly like a low-tech laggard that cannot grow itself out of a debt overhang.

Latin Finance - Falling Behind ”Brazil has been riding the wave of global growth and a great world environment,” says Edgardo Sternberg, emerging markets debt strategist at Loomis Sayles, which manages $88 billion in equity and debt assets worldwide. “Beyond that, little has been done. When that environment disappears, I want to see how well Brazil does.”

The country is coasting on the commodity rally and its private sector is thriving despite one of the most hostile environments in the world. But Brazil risks squandering a unique opportunity to become a world player if the Lula administration fails to match impressive first term fiscal prudence with equally ambitious fiscal reform and investment in infrastructure and education.

“Macroeconomic and financial instability have been reduced in a very significant and structural way, but the conditions for growth to accelerate to a new plateau have not been created,” says Alberto Ramos, senior Latin America economist at Goldman Sachs.

Ramos flags increased public spending through social transfer projects as a drag on Brazil’s projected 3.5% growth for 2007. China, India and Russia should register 9.8%, 8% and 7% economic growth in 2007, according to Goldman. Brazil has averaged just 2.6% growth since 2000, compared to 9.56% for China, 6.65% for India and 6.77% for Russia, Goldman data shows. And even though Brazil has the third largest economy by GDP, it has the second highest ratio of debt to GDP of the BRIC countries, the bulk of which is short-dated, keeping it at the junk rating.

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Weekly News

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WEEKLY NEWS
BOA NOTÍCIA
O novo ministro da Saúde, Saraiva Felipe, já está realizando estudos para apresentação de uma proposta, a ser submetida a plebiscito, que permita a interrupção da gravidez indesejada. Naturalmente, ninguém de bom senso defenderia o aborto como prática de planejamento familiar, mas a sua legalização evitaria mortes e sofrimento, sobretudo, de mulheres pobres, que passariam a ser atendidas pelo sistema público de saúde.

MINISTÉRIO OCULTO
pinguins_aquecimento.jpgO assunto de capa da revista Veja desta semana torna a ser o aquecimento global. O tema já é de conhecimento geral, preocupa a ‘quase’ todos, mas o ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de tão irrelevante neste governo, não consegue nem ser citada em reportagens que abordam a Amazônia. Parece que a ela adotou a moda da floresta: menor a cada dia.
Aquecimento global: os pólos são o termômetro da Terra / Veja Online

COMEMORAÇÃO
Na última quinta-feira, dia 5, comemorou-se o primeiro aniversário da CPMI dos Correios com grande festa entre os corruptos, pela falta de punição dos envolvidos. A turma dos quarenta ladrões, prestigiada com a eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara, ensaia presentear o chefe da organização criminosa, aliás, José Dirceu, com um espetacular projeto de anistia.

OBITUÁRIO
Morreram “definitivamente”, durante a posse do novo ministro do Trabalho Carlos Lupi (PDT), as propostas de reforma sindical e trabalhista, que já agonizavam durante a gestão do sindicalista Luiz Marinho.

ENQUANTO ISSO…
A velha CLT, Consolidação das Leis do Trabalho, criada no início da década de 1940, pela ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, continua vivíssima. Enquanto existir, essa ultrapassada legislação permanecerá incentivando o gigantismo da informalidade no mercado de trabalho brasileiro.

Charge - Caruso - Crise AéreaATÉ QUANDO?
Além da ameaça de prisão dos controladores de vôo que tornassem a entrar em greve – dessa vez autorizada pelo próprio presidente -, alguém sabe informar quais foram as providências tomadas para resolver definitivamente o problema do apagão aéreo? O prazo dado ao ministro da Defesa venceu na terça-feira.

POUCA REPERCUSSÃO
Na semana passada, sete pessoas foram atingidas por balas perdidas, das quais duas morreram, em São Paulo. Entre elas uma menina de três anos. Por que a morte dessa menina pobre, como tantas outros que ocorrem diariamente nas cidades brasileiras, não causa mais nenhuma comoção?

MUITA REPERCUSSÃO
Quando aquele brasileiro, Jean Charles, que morava no Reino Unido foi confundido com terrorista e morto pela polícia britânica, o caso ganhou o mundo e movimentou até a diplomacia brasileira.

MARCAS – 1
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (Democratas), prometeu fazer de 2007 o ano da segurança no transporte coletivo. Aguarde-se para conferir.

MARCAS – 2
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), aposta no tripé favela, saneamento e transportes para fixar sua marca de governo, ainda neste ano. Na segurança, Cabral enfrentará sua prova de fogo durante a realização dos jogos Pan-Americanos, em julho.

INTERNACIONAL
NOVAS APURAÇÕES
Sondagens voltaram a apresentar aumento da vantagem de Nicolas Sarkozy, candidato liberal, em comparação à sua adversária socialista, Ségolène Royal. Na pesquisa do jornal Le Parisien, Sarkozy aparece com 26% das intenções de votos, Ségolène com 23,5% e o centrista François Bayrou com 21%.

f1-malaysia.jpgESPORTE
KUALA LUMPUR
Felipe Massa, da Ferrari, arriscou e errou. Saiu da pista, ao tentar recuperar as posições perdidas na largada, quando foi ultrapassado pelos pilotos da McLaren-Mercedes, Fernando Alonso e Lewis Hamilton. Acabou perdendo mais duas posições e chegou em quinto lugar, depois de ter conquistado a pole-position, durante os treinos classificatórios, do dia anterior, para o Grand Prix da Malásia, segunda corrida da categoria no ano.

REVELAÇÃO
Após somente duas etapas do campeonato mundial de Fórmula 1, o novato Lewis Hamilton, já é o grande destaque da temporada, tendo conquistado dois pódios: um terceiro lugar, na Austrália, sua corrida de estréia, e um segundo, na Malásia.

 

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Breve passeio por Kuala Lumpur

Formula One - LogoPoucas previsões podem ser realizadas além daquelas de caráter especulativo diante da formação do grid de largada para um GP de F1, quando as chances de vitória de distintos pilotos se apresentam. A emoção por acompanhar um campeonato ou assistir a uma corrida parte exatamente de possíveis surpresas diante das expectativas criadas. Quem imaginava que Felipe Massa largaria da última colocação, no Grand Prix da Austrália?

A hegemonia de um piloto ou de uma equipe imprime monotonia, como aconteceu quando somente Prost e Senna se revezavam no primeiro lugar do pódio, na época em que eram pilotos da mesma escuderia, a McLaren, ou – pior ainda – durante alguns campeonatos da era Schumacher. O que torna uma corrida interessante, além das ultrapassagens – que, infelizmente, se tornaram menos freqüentes – são as paradas nos boxes, as eventuais derrapagens e, naturalmente, a ousadia de alguns pilotos.

A pole-position conquistada por Felipe Massa, da Ferrari, no treino classificatório para a segunda prova da temporada 2007, no circuito de Sepang, em Kuala Lumpur, na Malásia, reforça o seu favoritismo. A primeira grande emoção já ocorrerá quando as luzes vermelhas se apagarem, pois Fernando Alonso (McLaren-Mercedes) e Kimi Raikkönen (Ferrari) largam, respectivamente, da segunda e da terceira posição.

Espero que o desempenho dos pilotos da BMW, Nick Heidfeld e Robert Kubica – pronuncia-se ‘kúbitssa’, em polonês – e da Williams, Nico Rosberg e Alexander Wurz, seja satisfatório, para imprimir ainda mais emoção à corrida e ao campeonato.

tire.jpgUma novidade curiosa é a faixa branca nos pneus macios da Bridgestone, utilizados por todas as equipes, que visa a diferenciá-los dos compostos duros. (veja ao lado)

Na oportunidade em que abordo esse tema esportivo e de entretenimento, aproveito para indicar o blog Curva 1, de autoria de um estimado colega da USP, Gabriel Souza. Com muito bom humor e elevada capacidade técnica de análise, Gabriel apresenta comentários imparciais e atualizados do mundo da F1. Com efeito, a elaboração de nossos respectivos blogs partiu de um desafio pessoal que impusemos a nós próprios, com o objetivo de realizar um agradável exercício de “redação”.

Grid Girls, Kuala Lumpur, 2007

 

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A construção de um mito

O texto abaixo foi extraído de livro do filósofo francês Michel Onfray, Traité d’Athéologie: Physique de la métaphysique (Tratado de Ateologia: Física da metafísica) e por mim traduzido.

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Os mitos: Zaratustra, Ulisses e Jesus

aspas22.gifJesus existiu, sem dúvida, assim como Zaratustra e Ulisses, de quem pouco importa saber se viveram fisicamente, em carne e osso, num tempo distante e em lugar específico. A existência de Jesus nunca pôde ser verificada historicamente: nenhum documento da época, nenhuma prova arqueológica, nem nenhuma certeza permitiram chegar à conclusão de sua presença real entre dois mundos e que tenha invalidado um em nome do outro.

Não existe tumba, nem sudário, nem arquivos; apenas um sepulcro que, no ano 325, inventado por Santa Helena, a mãe de Constantino – muito inspirada, pois lhe devemos igualmente o descobrimento do calvário e do titulus, o pedaço de madeira que levava inscrito o motivo da condenação de Jesus. Também existe uma certa peça de tela cuja data, por meio do carbono 14, demonstra ser do século 13 de nossa era – de modo que só um milagre poderia ter permitido envolver o corpo de Cristo, o suposto cadáver, mais de mil anos antes. Por final, encontramos três ou quatro vagas referências muito imprecisas nos textos de Flávio Josefo, Suetônio e Tácito, historiadores da Antiguidade –, é certo, mas em cópias feitas alguns séculos depois da pretensa crucificação de Jesus e, sobretudo, muito depois da existência e do desejo de agradar daqueles aduladores.

De contrapartida, como negar a existência conceitual de Jesus? Com a mesma validez que o Fogo de Heráclito, a Amizade de Empédocles, as Idéias platônicas ou o Prazer de Epícuro, Jesus funciona maravilhosamente como idéia, que articula uma visão de mundo, uma concepção do real, e uma teoria do passado pecaminoso e do futuro na salvação. Deixemos que os amantes dos debates impossíveis elucidem a questão da existência de Jesus e dediquemo-nos aos temas que importam: o que contém a construção chamada Jesus? Para fazer o quê? Com que intenções? Como o fim de servir a quais interesses? Quem criou essa ficção? Como o mito adquiriu consistência? Como evoluiu a fábula através dos séculos?

As respostas a essas perguntas exigem um rodeio por um “décimo terceiro apóstolo”, Paulo de Tarso; por um “acólito das relações exteriores”, como se fazia chamar Constantino, também autor de um golpe de estado exitoso; e por seus seguidores, Justiniano, Teodosio, Valentiniano, que incentivaram os cristãos a saquear, torturar, assassinar e queimar bibliotecas. A história coincide com a genealogia de nossa civilização, desde o ectoplasma invisível até os plenos poderes do fantasma que se estendeu sobre um Império e logo sobre o mundo. A história começa em torno de brumas da Palestina, prossegue em Roma, e depois em Bizâncio, entre as riquezas, o boato e o imperialismo do poder cristão; reina ainda hoje em milhões de espíritos formados por essa incrível história construída no ar, com improbabilidades, imprecisões e contradições, que a Igreja impõe desde sempre por meio da violência política.

Sabemos que os documentos existentes são, em sua maioria, falsificações levadas a cabo com habilidade. As bibliotecas queimadas, os contínuos saques de vândalos, os incêndios acidentais, as perseguições e os autos de fé cristãos, os terremotos, a revolução dos meios de impressão – que substituiu o papiro pelo pergaminho e permitiu aos copistas, sectários e fanáticos de Cristo, escolher entre os documentos resgatáveis e os imprescindíveis -, as liberdades que se tomaram dos monges ao estabelecer as edições de autores antigos, nas quais acrescentaram o que fazia falta, visando à consideração retrospectiva dos vencedores, constituem mais de um motivo de transtorno filosófico.

Nada do que perdura é confiável. O arquivo cristão é o resultado de uma elaboração ideológica, e inclusive Flavio Josefo, Suetônio ou Tácito, em cujas obras um punhado de palavras indica a existência de Cristo e de seus seguidores no século 1º de nossa era, respondem à lei da falsificação intelectual. Quando um monge anônimo volta a copiar as Antiguidades judaicas do historiador judeu, preso e logo convertido em colaborador do poder romano, no instante em que tem ante de si um original dos anais de Tácito ou da Vida dos doze Césares de Suetônio e se assombra com a ausência no texto de alguma menção da história na qual crê, de boa fé agrega uma passagem de seu punho e letra, sem vergonha ou complexos e sem imaginar que atua mal ou que inventa uma falsidade, posto que nessas épocas não abordavam os livros com os olhos de nossos contemporâneos, obstinados pela verdade, em respeito à integridade do texto e dos direitos autorais… Hoje, inclusive, lemos os escritores da Antiguidade, em manuscritos, vários séculos depois, confeccionados por copistas cristãos que modificaram seus conteúdos com o objetivo de elaborar o curso da história… “

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Amazônia 2080

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Painel da ONU admite fim de grande parte da Amazônia até 2080
Daniel Gallas
DE SÃO PAULO

A segunda parte do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), que será lançada nesta sexta-feira em Bruxelas, fará referência a novos modelos de previsão de clima que indicam, no pior dos cenários, o desaparecimento de grande parte da Floresta Amazônica até 2080 devido ao aquecimento global.

Foto de Satélite: AmazônasO IPCC é uma entidade que reúne os principais especialistas do mundo para discutir as mudanças climáticas no planeta. Eles produzem relatórios especiais que tentam formar um consenso sobre as questões mais importantes e polêmicas no tema do aquecimento global.

O capítulo sobre América Latina, que será divulgado na sexta-feira, incorpora a produção científica mais relevante produzida na área desde 2001, data do último relatório do IPCC.

‘Sem desmatamento’

Desde 2001, houve avanços nos modelos de previsão de clima, que ajudam a entender o impacto das mudanças climáticas na Amazônia.
“Um deles, o do Hadley Centre, é catastrófico, pois mostra a Floresta Amazônica desaparecendo até o ano 2080. Esse é um dos modelos que é discutido no IPCC”, disse à BBC Brasil o professor Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Especialista em Floresta Amazônica, ele foi um dos editores que revisou as informações do relatório do IPCC sobre a região. Segundo ele, estudos recentes têm mostrado que o aquecimento da água do Oceano Pacífico e fenômenos meteorológicos como o El Niño são cada vez mais freqüentes desde a década de 1970. “No segundo relatório (do IPCC, divulgado em 1995), fica bem claro que o El Niño aumentou em freqüência, desde 1976.

Mas o IPCC não havia opinado sobre por que isso aumentou, embora vários trabalhos publicados indicassem que seja devido ao efeito estufa”, diz Fearnside. “Agora esse último relatório é um avanço, indicando que a continuação do aquecimento global leva a esse aquecimento na água.”

Segundo o professor, os fenômenos do tipo do El Niño “enlouquecem o clima”, provocando secas em diversas partes do mundo. A Floresta Amazônica estaria entre os locais mais afetados, com recorrentes secas no alto do rio Negro. “A mudança climática pode alterar o regime de chuvas, afetando as florestas. Com o tempo, a floresta seria eliminada sem ser desmatada, simplesmente por causa do clima. No seu lugar, haveria um tipo de savana, como o cerrado brasileiro.”

O professor adverte que se o modelo do Hadley Centre estiver correto sobre o impacto das mudanças climáticas na Floresta Amazônica, o Brasil seria um dos países mais prejudicados com o aquecimento global.

O painel do IPCC não traz recomendações para os governos. Ele apenas fornece informações para a adoção de políticas mundiais. O relatório que será divulgado em Bruxelas nesta sexta-feira é o quarto produzido pelos especialistas desde 1990. O documento – que está sendo lançado em quatro partes ao longo deste ano – traz informações detalhadas sobre diversas implicações das mudanças climáticas em todas as regiões do planeta.

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Rápidas

WEEKLY NEWS
Ferrari 203TRISTE CRISE NO REINO UNIDO
Uma pesquisa realizada na Grã-Bretanha mostra que dois em cada três homens trocariam suas namoradas pelo carro de seus sonhos. A enquete, realizada pela MTV britânica antecipando a estréia da versão local do programa Pimp My Ride, também exibido no Brasil, mostrou ainda que 55% dos entrevistados consideram seus carros como prioridade em suas vidas. Apenas 16% deles colocaram suas namoradas no primeiro lugar da lista. A sondagem entrevistou mil donos de carros da Grã-Bretanha, com idades entre 16 e 24 anos.

Clique aqui para ler a reportagem completa no site da BBC Brasil

Charge de Nani para o JB

Charge de Nani, para o Jornal do Brasil

 

FRASE

“Os controladores de vôo pediram desculpas.
E o Lula, não vai pedir?

Arnaldo Jabor, para o Jornal da Globo

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El regreso del Idiota

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vargas-llosa.jpgEl regreso del idiota
por Mario Vargas Llosa
para LA NACION | Sábado 24 de febrero de 2007

Hace diez años apareció el Manual del Perfecto Idiota Latinoamericano, en el que Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner y Alvaro Vargas Llosa arremetían con tanto humor como ferocidad contra los lugares comunes, el dogmatismo ideológico y la ceguera política que están detrás del atraso de América latina.

El libro, que golpeaba sin misericordia, pero con sólidos argumentos y pruebas al canto, la incapacidad casi genética de la derecha cerril y la izquierda boba para aceptar una evidencia histórica -que el verdadero progreso es inseparable de una alianza irrompible de dos libertades, la política y la económica, en otras palabras, de democracia y mercado-, tuvo un éxito inesperado. Además de llegar a un vasto público, provocó saludables polémicas y las inevitables diatribas en un continente “idiotizado” por la prédica ideológica tercermundista, en todas sus aberrantes variaciones, desde el nacionalismo, el estatismo y el populismo hasta, cómo no, el odio a Estados Unidos y al “neoliberalismo”.

Una década después, los tres autores vuelven ahora a sacar las espadas y a cargar contra los ejércitos de “idiotas” que, quién lo duda, en estos últimos tiempos, de un confín al otro del continente latinoamericano, en vez de disminuir parecen reproducirse a la velocidad de los conejos y cucarachas, animales de fecundidad proverbial. El humor está siempre allí, así como la pugnacidad y la defensa a voz en cuello, sin el menor complejo de inferioridad, de esas ideas liberales que, en las circunstancias actuales, parecen particularmente impopulares en el continente de marras.

Pero ¿es realmente así? Las mejores páginas de El Regreso del Idiota están dedicadas a deslindar las fronteras entre lo que los autores del libro llaman la “izquierda vegetariana”, con la que casi simpatizan, y la “izquierda carnívora”, a la que detestan. Representan a la primera los socialistas chilenos -Ricardo Lagos y Michelle Bachelet-, el brasileño Lula da Silva, el uruguayo Tabaré Vázquez, el peruano Alan García y hasta parecería -¡quién lo hubiera dicho!- el nicaragüense Ortega, que ahora se abraza con, y comulga con frecuencia de manos de su viejo archienemigo, el cardenal Obando.

Esta izquierda ya dejó de ser socialista en la práctica y es, en estos momentos, la más firme defensora del capitalismo -mercados libres y empresa privada- aunque sus líderes, en sus discursos, rindan todavía pleitesía a la vieja retórica y de la boca para afuera homenajeen a Fidel Castro y al comandante Chávez.

Esta izquierda parece haber entendido que las viejas recetas del socialismo jurásico -dictadura política y economía estatizada- sólo podían seguir hundiendo a sus países en el atraso y la miseria. Y, felizmente, se han resignado a la democracia y al mercado.

La “izquierda carnívora”, en cambio, que, hace algunos años, parecía una antigualla en vías de extinción que no sobreviviría al más longevo dictador de la historia de América latina -Fidel Castro-, ha renacido de sus cenizas con el “idiota” estrella de este libro, el comandante Hugo Chávez, a quien, en un capítulo que no tiene desperdicio, los autores radiografían en su entorno privado y público con su desmesura y sus payasadas, su delirio mesiánico y su anacronismo, así como la astuta estrategia totalitaria que gobierna su política.

Discípulo e instrumento suyo, el boliviano Evo Morales, representa, dentro de la “izquierda carnívora”, la subespecie “indigenista”, que, pretendiendo subvertir cinco siglos de racismo “blanco”, predica un racismo quechua y aymara, idiotez que, aunque en países como Bolivia, Perú, Ecuador, Guatemala y México carezca por completo de solvencia conceptual, pues en todas esas sociedades el grueso de la población es ya mestiza y tanto los indios como los blancos “puros” son minorías, entre los “idiotas” europeos y norteamericanos, siempre sensibles a cualquier estereotipo relacionado con América latina, ha causado excitado furor.

Aunque en la “izquierda carnívora”, por ahora, sólo figuran, de manera inequívoca, tres trogloditas – Castro, Chávez y Morales – en El regreso del idiota se analiza con sutileza el caso del flamante presidente Correa, de Ecuador, grandilocuente tecnócrata, quien podría venir a engordar sus huestes.

Los personajes inclasificables de esta nomenclatura son el presidente argentino, Kirchner, y su guapa esposa, la senadora Cristina Fernández (y acaso sucesora), maestros del camaleonismo político, pues pueden pasar de “vegetarianos” a “carnívoros” y viceversa en cuestión de días y a veces de horas, embrollando todos los esquemas racionales posibles (como ha hecho el peronismo a lo largo de su historia).

Una novedad en El regreso del idiota sobre el libro anterior es que ahora el fenómeno de la idiotez no lo auscultan los autores sólo en América latina; también en Estados Unidos y en Europa, donde, como demuestran estas páginas con ejemplos que producen a veces carcajadas y a veces llanto, la idiotez ideológica tiene también robustas y epónimas encarnaciones. Los ejemplos están bien escogidos: encabeza el palmarés el inefable Ignacio Ramonet, director de Le Monde Diplomatique , tribuna insuperable de toda la especie en el Viejo Continente y autor del más obsecuente y servil libro sobre Fidel Castro -¡y vaya que era difícil lograrlo!-, y lo escolta Noam Chomsky, caso flagrante de esquizofrenia intelectual, que es inspirado y hasta genial cuando se confina en la lingüística transformacional y un “idiota” irredimible cuando desbarra sobre política.

La Madre Patria está representada por el dramaturgo Alfonso Sastre y sus churriguerescas distinciones entre el terrorismo bueno y el terrorismo malo, y los premios Nobel por Harold Pinter, autor de espesos dramas experimentales raramente comprensibles y sólo al alcance de públicos archiburgueses y exquisitos, y demagogo impresentable cuando vocifera contra la cultura democrática.

En el capítulo final, El regreso del idiota propone una pequeña biblioteca para desidiotizarse y alcanzar la lucidez política. La selección es bastante heterogénea pues figuran en ella desde clásicos del pensamiento liberal, como Camino de servidumbre , de Hayek, La sociedad abierta y sus enemigos, de Popper, y La acción humana, de von Mises, hasta novelas como El cero y el infinito, de Koestler, y los mamotretos narrativos de Ayn Rand - El manantial y La rebelión de Atlas . (A mi juicio, hubiera sido preferible incluir cualquiera de los ensayos o panfletos de Ayn Rand, cuyo incandescente individualismo desbordaba el liberalismo y tocaba el anarquismo, en vez de sus novelas que, como toda literatura edificante y propagandística, son ilegibles.)

Nada que objetar, en cambio, a la presencia en esta lista de Gary Becker, Jean François Revel, Milton Friedman y (el único hispano hablante de la selección) Carlos Rangel, cuyo fantasma debe sufrir lo indecible con lo que está ocurriendo en su tierra, una Venezuela que ya no reconocería.

Pese a su buen humor, a su refrescante insolencia y a la buena cara que sus autores se empeñan en poner ante los malos vientos que corren por América latina, es imposible no advertir en las páginas de este libro un hálito de desmoralización. No es para menos. Porque lo cierto es que, a pesar de los casos exitosos de modernización que señala -el ya conocido de Chile y el promisorio de El Salvador, sobre el que aporta datos muy interesantes, así como los triunfos electorales de Uribe en Colombia, de Alan García en Perú y de Calderón en México, que fueron claras derrotas para el “idiota” en cuestión- lo cierto es que en buena parte de América latina hay un claro retroceso de la democracia liberal y un retorno del populismo, incluso en su variante más cavernaria: la del estatismo y colectivismo comunistas.

Esa es la angustiosa conclusión que subyace a este libro afiebrado y batallador: en América latina, al menos, hay una cierta forma de idiotez ideológica que parece irreductible. Se le puede ganar batallas pero no la guerra, porque, como la hidra mitológica, sus tentáculos se reproducen una y otra vez, inmunizada contra las enseñanzas y desmentidos de la historia, ciega, sorda e impenetrable a todo lo que no sea su propia tiniebla.

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Moralização no Parlamento

Congresso NacionalOs partidos PSDB, DEM, PPS e PDT vão tentar reaver o mandato de 24 deputados que trocaram de partido depois de se elegerem em outubro passado. Essa decisão ocorre em função da decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que entendeu que o mandato pertence ao partido ou à coligação e não ao candidato eleito. A medida estabelece a chamada fidelidade partidária para os cargos obtidos nas eleições proporcionais (deputados estaduais, federais e vereadores) e tem por objetivo impedir a troca de partidos políticos.

O aspecto mais positivo dessa notícia é que a maioria dos partidos já avisou que não aceitará os deputados de volta, caso queiram retornar às suas legendas de origem para evitar a perda do mandato. Se não forem aceitos, perderão as vagas para os suplentes.

O presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), disse que o partido quer de volta apenas os mandatos – e não os parlamentares que deixaram a legenda. “Não quero de volta nem com troco”, afirmou. Segundo ele, a decisão do TSE “moraliza o Congresso Nacional” e acrescentou que essa interpretação seria um belo golpe na estratégia do Palácio do Planalto de cooptar parlamentares para a base aliada. “Nos últimos meses, ficou explícita a oferta de cargos para mudanças de partido. Isso envergonha a classe política. É preciso dar um basta nisso”, afirmou.

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Por uma cidade mais bonita

Gilberto KassabDesde domingo, 1º de abril, entrou definitivamente em vigor a “Lei Cidade Limpa”, do prefeito Gilberto Kassab (foto), do Democratas, na cidade de São Paulo. Para os outdoors a lei já valia desde o fim do ano passado, mas várias empresas ainda mantêm placas por força de liminares.

Os chamados anúncios indicativos, que são os letreiros dos estabelecimentos de comércio e de serviços terão de atender a um padrão limitado pela lei. Imóveis com medida de frente de 10 a 100 metros poderão ter letreiros de no máximo 4m², enquanto os totens não poderão ter mais de 5m de altura.

Este blog apoia a iniciativa do prefeito e a “Lei Cidade Limpa”, pois deseja uma São Paulo mais bonita. Nosso viés liberal não se coaduna com a desordem e a poluição visual de que a cidade era vítima. Parabéns, prefeito!

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