O mapa da desigualdade
Parte 3 – COEFICIENTE GINI
Você saberia relacionar as bandeiras abaixo com os seus respectivos países?
A não ser que tenha uma extraordinária memória, seja um expert em geopolítica ou trabalhe na Organização das Nações Unidas, é pouco provável que acerte todas, pois, em sua maioria, essas bandeiras pertencem a países com pouca expressão no âmbito internacional, exceto o último.
Diante da dificuldade, daremos uma dica: todos os países têm algo bastante em comum com o Brasil. Teria ficado mais fácil agora?
As bandeiras pertencem, na ordem, aos seguintes países: Namíbia, Lesotho, Botswana, Sierra Leoa, República Central Africana, Swazilândia, Bolívia, Haiti, Colômbia e Brasil. Você deve estar se perguntando o que têm em comum.
Coeficiente GINI
Em um ranking composto por 180 países, o Brasil é o décimo em “desigualdade de renda”, atrás somente desses que foram citados. Uma boa e outra má notícia: a má é que já fomos os campeões nesse quesito; e a boa é que conseguimos ser vencidos. Certamente, esse é o pior espelho do Brasil. Entre a população, são muitíssimos que têm pouco e pouquíssimos que têm muito. O uso do superlativo é necessário para refletir bem a situação.
A diferença de rendimentos entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres, no Brasil, é de 27,8 vezes, conforme cálculos das Nações Unidas. Se analisados os 10% mais ricos e os 10% mais pobres, essa diferença alcança as 57,8 vezes. Para que se possa compreender melhor essa triste realidade, na Europa Ocidental, a diferença se situa nas 5,04 vezes, em média; e nos EUA, nas 8,4.
Em 1912 o demógrafo italiano Corrado Gini criou um índice para medir a desigualdade social. Esse índice passou a se chamar »coeficiente Gini«. Conforme a tabela acima, coeficiente “0″ representa perfeita igualidade econômica e “100″ perfeita desigualdade. O Brasil apresenta coeficiente 58,0, de acordo com os dados da ONU. Dinamarca (24,7), Japão (24,9) e Suécia (25,0) apresentam os melhores coeficientes. Para visualizar a tabela completa, clique aqui.
Abaixo, reproduzimos um mapa mundial que destaca as diferenças de rendimentos, conforme cálculos do coeficiente Gini, realizados pelas Nações Unidas:
Clique sobre o mapa para visualizá-lo em tamanho ampliado:

Na legenda abaixo o coeficiente Gini varia entre “0″ e “1″, sendo “0″ a igualdade plena e “1″ a desigualdade plena.
Para explicações mais detalhadas, a enciclopédia pública online, Wikipedia, apresenta informações precisas e completas a respeito do coeficiente e dos cálculos necessários para a determinação dos índices. O trabalho está publicado em inglês e é bastante confiável. Clique aqui para acessar.
…
Leia também:
O Brasil no Mundo – Parte 1 (PIB)
O Brasil no Mundo – Parte 2 (PPP e Big Mac Index)






#1 by Felipe Midea - May 30th, 2007 at 19:26
Fiquei assustado. Como pode, um país como o nosso, liderar por algum tempo, uma lista revoltante como essa. Enquanto lia seu post, Marcus, me passou pela cabeça, o nome de vários países medíocres (como Albânia, Venezuela, Nigéria e etc), e pensava aqui comigo: -Como pode, um país com tanto potencial, ter uma desigualdade e um contraste tão grande entre as pessoas e ainda mais acentuada entre todos os países no mundo…
Revoltante…
#2 by Marcus Mayer - May 31st, 2007 at 05:16
É revoltante, mesmo! Mas é fácil identificar as principais razões para esse problema: impostos demais, corrupção, burocracia e ineficiência estatal.
Tudo isso tem solução. Em futuros post tratarei das saídas para essa vergonha.
#3 by Felipe Maciel - May 31st, 2007 at 15:26
Espero pelos posts seguintes, então. Deve ser bastante interessante, porque cada vez ficava mais claro para mim que o país nunca iria para frente. Se há solução, gostaria de saber qual, por mais difícil e mirabolante que seja.
Marcus, reparei na imagem ao lado, sobre a liberdade de expressão na Venezuela. Bem pensado, foi uma excelente idéia criá-la e inseri-la no blog. Gostei.
Abraços
#4 by Ron Groo - June 1st, 2007 at 00:56
Campeões em desigualdade…pois é
Queremos ser lideres do bloco sulamericano e temos este titulo aí.
Marcus, comenta lá meu texto sobre o diabo na sé, é um texto de ficção, quase poético…obrigado
Ron Groo