O dinossauro perde a sua chance
por Marcus Mayer
Revista World News Press | ed. JUN.2007
“Não é função do governo fazer um pouco melhor, ou um pouco pior, o que os outros podem fazer, e sim o que ninguém pode fazer”.
Lord Keynes
Entre os anos de 1975 e 1984, quando o mundo desenvolvido centrou investimentos maciços na área da informática, compartilhando tecnologias, o Brasil – que ainda vivia sob a ditadura militar nacionalista – submetia-se à insensata política de informática, praticada pela SEI (Secretaria Especial de Informática). A absurda Lei de Informática, de outubro de 1984, foi sacramentada pela “Constituição besteirol” de 1988.

Para jovens que ‘nasceram’ dominando as modernas tecnologias e se alfabetizaram lado a lado do computador, a perplexidade é ainda maior quando descobrem que o Brasil, durante mais de uma década, fechou o seu mercado proibindo investimentos estrangeiros e importações na área de tecnologia de informática. A isso se chamou de reserva de mercado.
Naquela época, as tecnologias existentes já começavam a ser renovadas a cada ano. E nenhum componente fabricado no exterior podia ingressar no País. Hoje a reserva continua existindo através da altíssima taxação. Basta tentar passar pela alfândega com um Notebook, sem declará-lo à receita, para ver no que dará. Antes de chegar a uma loja brasileira, um PC carrega quase 100% em taxas de tributação direta – 18% de Imposto de Importação, 50% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), 9,25% de PIS/Cofins e 18% de ICMS.
IDEOLOGIA – A esquerda, que aplaudia a iniciativa da ditadura – em oposição aos liberais, liderados por nomes como Roberto Campos e José Guilherme Merchior – fazia a festa. Essa irresponsabilidade da legislação autoritária rendeu mais de duas décadas de atraso ao Brasil na área da informática.
E por mais impressionante que possa parecer, em pleno século 21, mesmo depois da Queda do Muro, o nacional-corporativismo esquerdista – um mix de nacionalismo fascista e coletivismo socialista – ainda não saiu de cena no Brasil e em boa parte da América Latina.
O que acontece no Brasil atual é uma repetição da década perdida dos anos 1980. Naquele período o problema maior era a hiperinflação e a carestia. Hoje, o caos provém do aparelhamento do estado e da conseqüente corrupção.
O MUNDO – a economia mundial está, há quase uma década, ininteruptamente em festa. Os asiáticos – China, Filipinas, Malásia, Índia etc. – crescem sem parar. Na União Européia – tanto na zona do euro quanto fora dela – o desemprego recua graças ao índice de confiança (119 pontos), o melhor desde 2001. Os Estados Unidos, com seu PIB de US$ 13,8 trilhões, têm uma economia sólida que reflete nas exportações do resto do planteta e consegue manter o desemprego estável (4,5%). As bolsas ao redor do mundo não param de bater recordes.
E o Brasil? – O País continua batendo recordes também! E o maior deles em arrecadação de impostos. Para o governo esquerdista a altíssima carga tributária – que se caracteriza por uma arrecadação de nível europeu e serviços de padrão sub-saariano – é primordial para bancar o gigantesco cabide de empregos e os 36 ministérios.
É necessária muita arrecadação para pagar os salários dos mais de 26.000 cargos de confiança dos petistas e dos seus amigos. Também é fundamental que os impostos sirvam para que a Previdência possa pagar os benefícios dos servidores públicos (valores estratosféricos, quando comparados aos do setor privado). Além disso, evita-se uma reforma impopular, que se chocaria com os interesses do funcionalismo público e dos sindicatos.
Questão pétrea da esquerda nacionalista é a manutenção da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e tantos outros dinossauros da administração pública, como empresas estatais – aliás, como ‘patrimônio de todos os brasileiros’.
PRÉ-HISTÓRIA – Como seria possível oferecer cargos de diretoria, altamente remunerados, para gente sem qualificação se não existissem as empresas estatais? Lembremos que a maioria dos petistas foram injustiçados pelas elites que governaram o País, e não tiveram as mesmas chances que essas classes privilegiadas. E os amigos do PT? – Teriam de ficar de fora, pois o número de ministérios (36) é muito pequeno para empregá-los.
Não é de estranhar que o Brasil seja um exportador pouco dinâmico. Descontados todos os problemas do custo-país, os superávits são conquistados às custas da exportação de commodities, produtos primários de baixo valor agregado. Enquanto o mundo caminha para o futuro, o dinossauro brasileiro permanece na pré-história do desenvolvimento. Vivemos mais uma década perdida.
A estatal Cobra, fundada em 1974, em plena ditadura militar, ainda existe e não serve para nada além de camuflar apaniguados em sua folha de pagamentos. Gastou dinheiro do contribuinte quando estava sob a proteção da SEI, a Secretaria Especial de Informática, e ainda hoje o pagador contribuinte banca a sua ineficiência através do Banco do Brasil, que incorporou o monstro. A tecnologia desenvolvida pela Cobra é tão “admirável” quanto o é o seu site na Internet.
Confira clicando aqui
E para que se tenha uma idéia do que anda fazendo, inventou um PC básico que custará R$ 1.440,00. Qualquer idiota sabe que com esse valor, descontados os impostos, o governo compraria dois ou mais computadores nos Estados Unidos. Compare-se somente com os avançadíssimos Notebooks populares, com tecnologia wirefire, capacidade de conexão à Internet, que custarão em torno de US$ 200.





#1 by Lúcio Lopes - June 5th, 2007 at 16:22
Caro Mayer:
A coluna está ótima!
Tanto isto é verdade que ontem e hoje fiz chamada para ela no Minuto Político, “roubando-lhe” trechos da coluna. Obrigado.
Abraços, Lúcio.
#2 by Ron Groo - June 6th, 2007 at 00:17
Indiquei a alguns amigos de coloração rosada (não inteiramente vermelhos ainda) para que pudessem ter ideía do mal que as esquerdas estatizantes fazem a economia de um país.
Agora fora do tópico, já tentei color o banner da Venezuela no meu blog um monte de vezes, embaixo do boneco em cima do Elvis de Capacete, na area vermelha…ele aparece no meu pc, mas com todo mundo que converso ouço o “tem um xizinho lá, e só!” como faço pra pô-lo lá?
Ron Groo
Ps Cê sabe jogar truco? Veja lá no bliggro a historia deste jogo secular…
#3 by Marcus Mayer - June 6th, 2007 at 03:37
Lúcio Lopes,
é uma grande satisfação saber que alguma coisa do que escrevemos possa contribuir para que a informação conduza a um país melhor. Só tenho a agradecer pelo prestígio que nos oferece, estreando no “Minuto Político”. Estou preparando um post especial, não só no sentido de retribuição de gentilezas, mas indicando o “Minuto” como referência de ótima fonte de informação diária. Muito obrigado e retorne sempre.
#4 by Marcus Mayer - June 6th, 2007 at 04:01
Caro Ron,
muito obrigado por toda a sua atenção e as suas recomendações. Certamente, todos são muitíssimo bem-vindos ao nosso blog, mesmo pensando de forma um pouco diferente.
A oportunidade de debater pontos de vista distintos sempre nos conduzem ao aprimoramento e nos auxiliam a evitar o radicalismo.
Nosso blog tem um perfil liberal que, em muitas ocasiões, é mal entendido, no Brasil. Na própria USP costumo debater com colegas que defendem as iniciativas de Hugo Chavez ou dos governos de esquerda; e no final chegamos à conclusão de que o objetivo comum é a justiça social. Os meios, naturalmente, são muito diferentes.
Nesse sentido, costumo questionar o seguinte: qual o sistema que atingiu melhor os objetivos de diminuir as diferenças de classes – o da antiga Alemanha Ocidental ou o da Alemanha Oriental? – o da Coréia do Norte ou o da Coréia do Sul? – o do Chile ou o de Cuba? – Aí, eles desconversam pois não há mais argumento.
É muito contraditório que esses “vermelhos”, que combateram de forma heróica a ditadura no Brasil, defendam a ditadura que se instala na Venezuela. Como é possível ir de “cara-pintada” às ruas contra um Collor e ao mesmo tempo defender um governo do mensalão, dos sangue-sugas, da navalha? Quando os amigos estão no poder pode?
Ron, defendo imensamente a liberdade, em todos os sentidos. E esses “rosados”, como você diz, certamente, também. Troquemos informações sempre, pois assim conseguiremos chegar lá!
Sobre o banner enviarei um e-mail com detalhes.
Um forte abraço.
#5 by Felipe Midea - June 6th, 2007 at 15:30
Vou trazer meu post da errata pra cá…
]
Não sei como ele foi parar lá…
hahahahahha
“heheheheheh
a única coisa que posso dizer, é que foi mais um post que aprendi coisas novas. Nem imaginava que já havia acontecido essa situação… “
#6 by Marcus Mayer - June 9th, 2007 at 05:22
Felipe Midea,
agora consegui entender melhor esse comentário. Pensei, inicialmente, que se tratasse da Maria Sharapova. Mas sobre a reserva de mercado na área da informática, foi isso mesmo, e a conta do atraso, altíssima. O intuito do post foi mesmo de refrescar um pouco a nossa memória e atentar para o fato de essa empresa “Cobra” ainda estar sendo bancada pelos nossos impostos.
Obrigado, pelas visitas.
#7 by Dalton C. Rocha - October 25th, 2008 at 00:01
Foi o Fernando Collor quem eliminou esta maldição chamada reserva de mercado da informática.Não fosse por ele, ainda estaríamos completamente atrasados, na informática.Duvidam?Vejam hoje, esta tragicômica restrição aos transgênicos!Graças à dupla FHCorrupção e Luladroagem, apenas o Zimbabwe tem lei sobre transgênicos pior que a do Brasil.