Archive for June 29th, 2007

Vocação ou burrice?

No campo político, a tragédia brasileira tende a permanecer. O Parlamento está desmoralizado desde a legislatura anterior. Mensaleiros, ladrões e assassinos integram o Congresso Nacional. O ‘chamado’ Conselho de Ética do Senado Federal virou motivo de piada. E o presidente da República, com sua popularidade inabalada, continua prestigiando os corruptos.

Antonio Fernando de BarrosO constrangimento imposto ao Procurador Geral da República, Antonio Fernando Barros (aquele que denunciou os 40 ladrões e seu chefe ao STF), durante sua posse para um novo mandato foi absurdo: teve de proferir seu discurso cercado de ‘novos 40 ladrões’ que, provavelmente, lá estavam para mostrar o prestígio que lhes confere o ‘chefe’. O próprio presidente Lula da Silva deixou claro, através de sua fala, que continuará protegendo o corrupto presidente do Senado.
O mais absurdo no cenário governamental, todavia, é a atuação do Itamaraty – instituição que já foi respeitada pela intelectualidade que a integrou até pouco tempo atrás -, agora tomado de ideologia marxista, caminha totalmente na contramão da história. Depois da ridícula tentativa de afundar a Rodada Doha da OMC, perdeu todo o crédito até entre o grupo de países emergentes que tentava representar.
O resultado de tudo isso será a ampliação da distância entre ricos e pobres. Refiro-me aqui à população brasileira, pois o comércio internacional tem permitido exatamente o contrário, no que tange às nações. Seria essa a vocação do Brasil, caminhar para trás sempre?
Os jornais do mundo todo prestigiaram hoje, o lançamento do iPhone da Apple. Diante da ‘idiota’ política interna e externa do Brasil, o seu resultado está bem relatado nos detalhes da reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, que segue abaixo.
A opção brasileira de manter os impostos nas alturas e o protecionismo imposto a produtos industrializados – justificado pelo ridículo argumento de que os Estados Unidos e a União Européia não derrubariam suas barreiras às ‘commodities’ (produtos de baixo valor agregado) -, condena a economia brasileira ao atraso e a população à absurda pobreza. ‘Nunca antes na história desse país’ se vislumbrou tanta burrice!’

País fica sem novidades internacionais
por Júlio Wiziack*
para a Folha de S.Paulo

Se depender da vontade da Apple, o Brasil não verá o iPhone antes de 2009. A Sony ainda não tem previsão para lançar o PlayStation 3 e não sabe se importará o Blu-ray. A única certeza que os consumidores têm é: vai demorar. Mas por quê?

A explicação das empresas é: falta mercado. De fato, a renda per capita dos brasileiros não é das melhores, mas compradores existem. Basta observar a quantidade de turistas brasileiros que passam pelas barreiras alfandegárias carregados de produtos importados -uma prática que aumenta em tempos de dólar baixo. É o que explica Mauro de Brito, chefe da área de repressão ao contrabando da Receita Federal. “As pessoas costumam trazer mercadorias que custam mais no Brasil”, diz.

Computadores, notebooks, consoles estão entre os produtos mais visados porque a diferença de preço no Brasil e no exterior é maior. O XBox 360 nos EUA é vendido pelo equivalente a R$ 762. Aqui custa R$ 2.999 devido à cobrança em cascata de impostos.

O problema fica mais complicado para as fabricantes porque a pirataria e o contrabando transformam o mercado num campo de guerra desleal. Segundo levantamento da Abes (Associação Brasileira da Empresas de Software), de cada dez consoles (nome técnico dos videogames mais modernos) adquiridos no Brasil, apenas um foi adquirido de forma correta. “O restante entrou no Brasil de forma irregular”, afirma Emílio Munaro, coordenador do grupo Anti-Pirataria da Abes.

Outro aspecto que as empresas levam em conta é a rede de distribuição. Muitas lojas se recusam a vender produtos que os consumidores poderão encontrar em camelôs. A Hi Rappy, maior rede de lojas de brinquedos do país, é uma das varejistas que decidiu não colocar nas prateleiras produtos para o PlayStation ou XBox 360 que podem ser encontrados em lojas da rua Santa Ifigênia, um conhecido endereço no centro da capital paulista para produtos eletroeletrônicos mais baratos, por R$ 1.300, menos da metade do preço oficial. Para as empresas que decidem entrar nessa disputa, o jeito é encolher a margem de lucro e preparar o fôlego.

* Julio Wiziack é jornalista

Leia as reportagens relacionadas na Folha de S.Paulo (para assinantes do jornal e do UOL)

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