Pela conservação da floresta


O “Programa do Jô”, exibido pela TV Globo, na madrugada dessa sexta-feira para sábado, foi dedicado à Amazônia. Os três blocos de entrevistas foram oferecidos aos atores Christiane Torloni, Juca de Oliveira e Victor Fasano, para discorrerem a respeito de uma campanha pela preservação da floresta e da divulgação de abaixo-assinado que pretendem encaminhar à Presidência da República.

Nosso blog aderiu ao manifesto e deseja incentivar os seus leitores a fazerem o mesmo. Sugerimos que copiem o banner da iniciativa e o colem em seus respectivos blogs! Incentivamos também a leitura do espetacular texto de Juca de Oliveira, publicado abaixo.

Quando o ator Juca de Oliveira foi para o Acre no final de 2004 para gravar a minissérie “Mad Maria”, descobriu o Brasil da floresta e tomou consciência da gravidade da situação na região amazônica como um todo, muito além de Rio Branco: “eram imensas nuvens de fumaça que escondiam a devastação, transformando esse imenso patrimônio ambiental em pastagens e plantios de soja”, declara o ator.

Durante a realização de outra minissérie, “Amazônia: de Galvez a Chico Mendes”, estreada em janeiro de 2007, quando a revolta dos atores Christiane Torloni e Victor Fassano, ao se defrontarem com a realidade do aniquilamento da selva amazônica, fez-se um clamor para iniciar um movimento de defesa da floresta.


Juca de Oliveira, em Mad Maria
Carta aberta de artistas brasileiros sobre a devastação da Amazônia
por Juca de Oliveira* (2007)

Acabamos de comemorar o menor desmatamento da Floresta Amazônica dos últimos três anos: 17 mil quilômetros quadrados. É quase a metade da Holanda. Da área total já desmatamos 16%, o equivalente a duas vezes a Alemanha e três Estados de São Paulo. Não há motivo para comemorações. A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas presta serviços ambientais importantíssimos ao Brasil e ao Planeta. Essa vastidão verde que se estende por mais de cinco milhões de quilômetros quadrados é um lençol térmico engendrado pela natureza para que os raios solares não atinjam o solo, propiciando a vida da mais exuberante floresta da terra e auxiliando na regulação da temperatura do Planeta.

Vista aérea de queimada na Amazôniavista_aerea_de_queimada_na_amazonia.jpg

Depois de tombada na sua pujança, estuprada por madeireiros sem escrúpulos, ateiam fogo às suas vestes de esmeralda abrindo passagem aos forasteiros que a humilham ao semear capim e soja nas cinzas de castanheiras centenárias. Apesar do extraordinário esforço de implantarmos unidades de conservação como alternativas de desenvolvimento sustentável, a devastação continua. Mesmo depois do sangue de Chico Mendes ter selado o pacto de harmonia homem/natureza, entre seringueiros e indígenas, mesmo depois da aliança dos povos da floresta “pelo direito de manter nossas florestas em pé, porque delas dependemos para viver”, mesmo depois de inúmeras sagas cheias de heroísmo, morte e paixão pela Amazônia, a devastação continua.
marcus-mayer.com
Como no passado, enxergamos a Floresta como um obstáculo ao progresso, como área a ser vencida e conquistada. Um imenso estoque de terras a se tornarem pastos pouco produtivos, campos de soja e espécies vegetais para combustíveis alternativos ou então uma fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, minerais e energia elétrica. Continuamos um povo irresponsável. O desmatamento e o incêndio são o símbolo da nossa incapacidade de compreender a delicadeza e a instabilidade do ecossistema amazônico e como tratá-lo.
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Transformação da Floresta Tropical em Cerrado

transformacao-da-floresta-tropical-em-cerrado.jpg

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Um país que tem 165.000 km² de área desflorestada, abandonada ou semi-abandonada, pode dobrar a sua produção de grãos sem a necessidade de derrubar uma única árvore. É urgente que nos tornemos responsáveis pelo gerenciamento do que resta dos nossos valiosos recursos naturais.
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Portanto, a nosso ver, como único procedimento cabível para desacelerar os efeitos quase irreversíveis da devastação, segundo o que determina o § 4º, do Artigo 225 da Constituição Federal, onde se lê: “A Floresta Amazônica é patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais”.
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Assim, deve-se implementar em níveis Federal, Estadual e Municipal a interrupção imediata do desmatamento da Floresta Amazônica. Já! É hora de enxergarmos nossas árvores como monumentos de nossa cultura e história. SOMOS UM POVO DA FLORESTA!

* Juca de Oliveira é ator

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  1. #1 by Ron Groo - June 30th, 2007 at 12:35

    Eu vi esta entrevista. Se tratam de pessoas serias, que já conquistaram seu lugar na midia. acredito que serja uma iniciativa muito louvavel e digna, mas…Sempre tem um…Os resultados só virão se o Governo Federal se mexer. E como ele não se mexe nem para afastar de junto de si coisas decididamente ruins, imagina se vai se mexer por algo tão bom e justo. A Amazonia é nossa, pena não sabermos preservar.
    Groo

  2. #2 by Marcus Mayer - June 30th, 2007 at 19:43

    Caro Ron:

    obrigado pelo seu comentário. Lamentavelmente, as esperanças de medidas governamentais adequadas são quase nulas.

    Todavia, precisamos fazer algo. Acredito que, por enquanto, assinar o manifesto já seja uma pequena colaboração.

    Divulguemos!

  3. #3 by Felipão - July 2nd, 2007 at 01:30

    Ainda bem que podemos contar com pessoas importantes da sociedade, procurando, de uma forma ou outra, defender o futuro de nossos decendentes…

    Tomara que as pessoas assinem o esse manifesto, tendo consciência que a situação, hoje, já está incontrolável…

    Tenho medo do futuro à curto prazo já…

  4. #4 by Bruno Serafim - September 6th, 2007 at 22:07

    É impossível identificar e diagnosticar todas as agressões à floresta amazônica. Seriam necessarios esforços monumentais em geoprocessamento da área, que é gigantesca.

    Além disso, o desmatamento da Amazônia tem conseqüências graves. O solo argiloso (pobre e impermeável) exposto diretamente à chuva (cada vez mais) ácida seria o responsável pela desertificação da região.

    Mas o problema é que perderíamos muito em plantas e variedades importantíssimas para a pesquisa da indústria farmacológica, além da necessidade de se preservar o potencial hídrico da região. Embora não seja propícia para instalação de usinas hidrelétricas (o que seria totalmente desnecessário), a bacia hidrográfica do Amazonas é uma rara e importantíssima fonte de água potável e meio de transporte fluvial.

    Ao contrário do que muitos desavisados pensam, não há verdade na frase “a amazônia é o pulmão do mundo”, já que todo oxigênio produzido por ela é consumido por ela mesma.

  5. #5 by Fernando Fernandes - March 20th, 2010 at 02:41

    Agora os proprietários de áreas com florestas podem lucrar com a proteção de suas florestas tendo rendimentos com PROJETOS DE CRÉDITO DE CARBONO – REDD – DESMATAMENTO EVITADO

    O sistema de Emissões Reduzidas do Desmatamento e da Degradação (Redd, na sigla em inglês). O desmatamento responde por cerca de 20% das emissões humanas de gases do efeito estufa, especialmente o dióxido de carbono e o metano, derivados da derrubada e queima de florestas.

    As florestas tropicais são essenciais também como mananciais hídricos, e funcionam como “pulmões” do planeta ao promover a troca de dióxido de carbono por oxigênio no ar. Além disso, esses espaços contêm riquíssimos ecossistemas, dos quais muitas comunidades indígenas dependem. Pagar pela preservação ajudaria a combater o aquecimento global e a proteger a biodiversidade do planeta.

    Objetivos: O objetivo do Redd é pagar para manter as florestas de pé. O pagamento, por meio da venda de créditos de carbono, refletiria o valor do carbono armazenado nas florestas, ou os custos ambientais advindos da extração de madeira e da ocupação agropecuária.

    Como funciona? Essencialmente trata-se em usar os créditos como “moeda” com a qual os países em desenvolvimento teriam estímulo para conter o desmatamento, enquanto os países ricos, ao investir nesses mecanismos, ajudariam a cumprir suas quotas obrigatórias de redução de emissões.

    Seqüestro de carbono: Os créditos emitidos pela área são a diferença entre o estoque de carbono menos o desmatamento evitado. Para os casos em que existam áreas a serem recuperadas e reflorestadas é feito o projeto a partir do conceito de REDD Plus (conservação, manejo sustentável e enriquecimento de estoques).

    Nós odemos ajudar os proprietários a conquistarem esta vitória na conservação do planeta!

    Para saber mais: http://WWW.GREENCO2.NET
    11 – 4082-3282

(will not be published)

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