Archive for July 20th, 2007

Obscenidade é a marca

Não bastou a obscenidade da catástrofe aérea. O governo tem mesmo muita munição! Rodrigo Maia fala por nós:

rodrigo-maia.jpg“É estarrecedor e inaceitável que Marco Aurélio Garcia, o assessor mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, falte com o respeito ao povo brasileiro e apareça, de público, fazendo gestos obscenos no interior de uma sala da Presidência da República. Todos fomos atingidos pelos gestos desqualificados. Não é mais possível tolerar tanta indignidade. Não é possível que o assessor do presidente Lula se julgue no direito de atingir as famílias e a memória das quase 200 vítimas do vôo 3054 comemorando a hipótese de o Airbus 320 da TAM ter voado com um defeito no reversor da turbina direita. Não há o que comemorar, Marco Aurélio. Tudo que estamos vivendo é lamentável, deplorável e indesculpável. Em vez de ter preocupação com a dor das pessoas, ou manifestar interesse na busca de saídas para o caos aéreo, o governo, lastimavelmente, só se importa com a popularidade do presidente da República. E a Nação, além da dor, convive com o desamparo. Mas não somos obrigados e nem vamos conviver com a obscenidade. Peça desculpas, Marco Aurélio. E reze para que as pessoas tenham, em relação a você, a tolerância e o respeito que você não teve em relação a elas.”

Dep. Rodrigo Maia, Presidente do Democratas (foto)

 

Assista aqui ao vídeo do Jornal da Globo com a matéria sobre o gesto obsceno do petista e o excelente comentário do senador Pedro Simon (PMDB-RS)

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Adeus a Antonio Carlos Magalhães

Antônio Carlos Magalhães O JB Online e o blog do Democratas já tinham dado a notícia da morte do senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA), durante a madrugada. Até mesmo o nosso blog, por volta das 4h30, já tinha lamentado o seu falecimento.

Internado há mais de 40 dias no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), em São Paulo, o parlamentar tinha sofrido mais uma parada cardíaca e fora reanimado pelos médicos. O quadro era considerado irreversível. Parentes que lotavam o hospital já discutíam as providências posteriores. De acordo com a assessoria do deputado ACM Neto, o senador teria passado por uma cirurgia na noite de quinta-feira e ingressado em estado crítico.

Por mais polêmica que tenha sido a sua biografia, a batalha pela reforma no Judiciário e as denúncias contra a corrupção no governo Lula da Silva serão lembradas como marcas positivas de sua trajetória mais recente. O Senado carece de alguém com a sua determinação, para afastar o atual presidente da Casa, como o fez Antônio Carlos na época de Jader Barbalho.

Que descanse em paz.

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An accident waiting to happen

acidente_aereo_aeroporto_congonhas_2.jpgA imprensa brasileira está com medo do quê? Os editoriais dos maiores jornais brasileiros, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e O Globo de ontem, trataram, como já se esperava, da tragédia no aeroporto Congonhas. Todos deixaram claro que o governo não está isento de sua co-responsabilidade, qualquer que tenha sido a falha que motivou o acidente, mas nenhum teve coragem de dar nome aos bois, ou melhor, citar claramente os verdadeiros criminosos?

O Ministério Público pede o fechamento do aeroporto e se esquece de pedir o impeachment do responsável pela catástrofe? Que país é esse? Lula da Silva terá o direito de falar em cadeia de rádio e televisão para expressar mais mentiras, na sexta-feira?

Sob o título “An accident waiting to happen?”, a revista britânica The Economist trata do tema e confirma o que escrevemos ontem em nosso blog. Inlusive, repete o título com outras palavras. Leia-se a matéria, que traduzi abaixo, conhecendo a imagem que o governo brasileiro remete ao exterior.

Os editoriais de O Estado e Folha podem ser lidos, na íntegra, no blog Notícias do Planalto, do ótimo articulista Costa Junior. Sugestão: ao acessar a página, acione-se a maravilhosa música de Albinoni, disponibilizada em seu post do dia 18, e leiam-se os textos com esse fundo musical.

O Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro – apesar de sua menor repercussão nacional -, contrariando o que dizíamos a respeito da falta de coragem da imprensa brasileira, está dando nome aos bois(!). Confira-se o seu editorial do dia 18, na íntegra, no ótimo blog Pata Irada, da bem-humorada articulista gaúcha, Silvana.


logo_press_the_economist1.gif Aviation in Brazil
Um acidente esperando para acontecer?
Jul 19th 2007 | RIO DE JANEIRO
From Economist.com | Traduzido por Marcus Mayer

acidente_congonhas_afp1.jpg

O ano passado foi terrível para a aviação do Brasil. Na noite de terça-feira, 17 de julho, um jato Airbus 320 operado pela TAM, principal companhia aérea do país, ultrapassou a pista do aeroporto Congonhas, de São Paulo, atravessou uma movimentada avenida e chocou-se com um prédio próximo, explodindo durante o impacto. As 186 pessoas a bordo do vôo de Porto Alegre morreram numa bola de fogo, bem como outros em terra, fazendo deste o pior desastre na história da aviação civil no Brasil.

As cenas de aeroportos abarrotados de parentes desesperados foram terrivelmente familiares. Em setembro passado, 154 passageiros morreram quando um Boeing 737 da companhia aérea GOL mergulhou na floresta tropical do Amazonas depois de um choque no ar com um jato executivo. Desde então, o setor aéreo do país passa de uma crise à outra, com vôos cronicamente atrasados, controladores de vôo rebelados e um dilúvio de acidentes menores causados por uma série de falhas.

Poucas horas após o choque, começaram as especulações e as acusações. Aconteceu durante chuva e vento. Diz-se que o piloto possa ter aterrissado muito tarde e demasiado rápido, deixando pouco espaço para a frenagem e nenhuma margem para erro. Uma filmagem divulgada no dia 19 de julho mostrou o avião viajando rapidamente ao longo da pista, sugerindo que o piloto tentasse decolar novamente (arremeter).

Alguns peritos argumentam, contudo, que este foi um acidente que já se esperava que acontecesse. As pistas curtas de Congonhas são cunhadas no coração de uma das maiores cidades do mundo. Em fevereiro, um juiz federal baniu o uso de Fokker 100 e Boeing 737 no aeroporto por razões de segurança. Em seguida, a proibição foi derrubada, com o argumento de que seria “demasiado drástica”. O problema é que Congonhas seja o aeroporto mais movimentado do Brasil, e imprescindível aos viajantes. O Aeroporto Internacional de São Paulo está a uma hora de distância da cidade.

Pilotos e engenheiros reagem afirmando que são as condições do aeroporto, e não o tamanho e a localização, que contam. Sobre isso recaem dúvidas. No dia 29 de junho, a Infraero, a agência estatal que controla os aeroportos, reabriu a pista principal em Congonhas – que tinha sido fechada para reforma depois de vários aviões escorregarem enquanto pousavam na chuva – sem que nela fossem feitas ranhuras para ajudar na drenagem, evitando derrapagens de aeronaves.

Em uma conversação gravada, um piloto avisa o outro: “procure não aterrissar demasiado tarde, porque é muito escorregadio”. A Infraero nega que o choque fosse causado pela água na pista. Mas a confiança pública foi quebrada. Toda a administração da aviação brasileira, dividida entre civis e militares, precisa de investigação e reforma.

O texto pode ser lido em inglês, no site da revista The Economist, clicando-se aqui

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