Privatizar é melhor!


A difusão da propriedade
por Marcus Mayer
para a revista World News Press | ed. AGO.2007

“Não é função do governo fazer um pouco melhor, ou um pouco pior, o que os outros podem fazer, e sim o que ninguém pode fazer”.

Lord John Maynard Keynes

Pedro o Grande, czar da Rússia, foi um dos precursores mais pitorescos da privatização. Passando por Kazan, a caminho do Mar Cáspio, visitou duas fábricas de tecido, uma estatal e outra privada. Esta, limpa e operando a plena carga, e a outra com trabalhadores bêbados e teares quebrados. O autocrata simplesmente doou a fábrica estatal ao empresário privado, antecipando-se em quase três séculos ao programa de privatizações de Mrs. Thatcher, no Reino Unido.

Muitas críticas sem fundamentos se propagaram a respeito das privatizações iniciadas por Collor de Mello e concluídas por Fernando H. Cardoso. Diz-se, de forma leviana, que estatais foram vendidas a “preço de banana” ou trocadas por “moedas podres”, para amortizar a dívida pública. Além disso, é comum ouvir-se a pergunta de “onde foi parar o dinheiro oriundo da venda das estatais?”.

Entenda-se que a privatização é essencial à modernização do estado, sobretudo, para que este possa cumprir suas funções básicas na área social. Com efeito, a demanda por montantes de recursos e a rápida evolução tecnológica reclamam velocidade decisória inatingível nas estatais. Tomem-se os exemplos da Embraer, das siderúrgicas e das prestadoras de serviços em telefonia.

Na contestação político-eleitoral das privatizações, no Brasil, os dois argumentos mais freqüentes são precisamente os menos relevantes: o nível de preço mínimo fixado pelo governo e o caráter “estratégico” das empresas. No sistema de leilões pouco importa o preço mínimo arbitrado pela autoridade: se erra para baixo, haverá ágio; e se erra para cima, não haverá compradores.

Na província de British Columbia, no Canadá, num processo de privatização doaram-se cinco ações de uma holding a cada habitante e, a um preço simbólico, foram postas à venda até 5 mil ações por indivíduo. Pode parecer um paradoxo, mas as privatizações são uma forma liberal de realizar o sonho socialista de “difusão” da propriedade.

Sobre a segunda contestação, do “caráter estratégico’ das estatais, é importante esclarecer que não existem “empresas estratégicas” – o que há são “atividades estratégicas”. Esse valor não depende da natureza pública ou privada do acionista. Depende da eficiência da operação. O maior estímulo à eficiência vem da competição. Preservá-la ou estimulá-la é uma das funções das entidades regulatórias como a Anatel, a ANP ou a Aneel.

As agências regulatórias podem cassar concessões ou impor multas, coisas improváveis em relação às estatais. Ademais, os bens de empresas privadas não são imunes à penhora ou à execução quando processadas por perdas e danos. Empresas privadas não dependem de verbas orçamentárias nem de autoridades monetárias para decidir acelerar investimentos.

Por fim, a satisfação do consumidor é mais importante para a empresa privada, que depende do lucro para subsistir, do que para a empresa pública, cujos déficits costumam ser cobertos pelo governo – diga-se, de passagem, com o dinheiro dos contribuintes.

 

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  1. #1 by Ron Groo - July 28th, 2007 at 13:18

    Belo texto Marcus.
    Pensamos sempre em ‘privataria’ quando vem a tona o assunto das privatizações de FH, claro que não vemos que ao menos o serviço de telefonia deu um salto magistral. Hoje é possivel termos telefone em casa por menos de 80 reais mês. E a qualidade do serviço está furos acima do que era. Na telefonia móvel ainda não, mas caminhamos a passos largos para tal.
    É hora de uma campanha sensata na direção das privatizações. O Estado é muito mau patrão como atesta a passagem de Pedro, o Grande (meu parente este cara aí) por Kazan. Fiscaliza péssimamente e esbanja recursos de forma predatória.
    Vou te fazer um pedido, pode? Gostaria de um texto seu esmiuçando o assunto PPP (parcerias publico privadas) para poder formar uma opinião melhor sobre o assunto e comparar…
    Obrigado.
    Groo

    Resposta do blog
    Caro Ron Groo:
    Uma das melhores heranças dos governos Collor e Cardoso, certamente, foram as privatizações de dinossauros estatais. Lamentavelmente, o que se propagou foi justamente o contrário. O corporativismo é muito forte e o processo foi deturpado. Além disso, na última eleição, o candidato Alckmin até teve medo de defender a privatização, como se isso fosse algo negativo. Felizmente, o momento atual é outro e está havendo uma revisão dessa posição. Acredito que você mesmo possa rever essa questão depois de comparar a situação anterior dessas empresas (quando estatais) com o momento atual (depois de privatizadas).<br />
    A respeito de sua sugestão, terei enorme prazer por escrever sobre as PPPs. Agradeço muito, pela sugestão!
    Forte abraço e grato pelo ótimo comentário.

  2. #2 by Groo - July 28th, 2007 at 17:40

    Quando tiver um tempo responde a questão que deixei no bliggroo…e le a cronica do dia de meu aniversário.
    Obrigado ew abraço forte.
    GRoo

    Resposta do blog
    Muito obrigado, pela dica!

  3. #3 by Gabriel - July 30th, 2007 at 15:50

    Caríssimo Don Marcus

    É um prazer estar de volta e ler este belo texto. A idéia é interessante, pena que por aqui as agências reguladoras não “regulam” nada. Aos poucos voltarei a escrever frequentemente em meu blog, pode voltar a visitá-lo.

    Abraço!

    Resposta do blog
    Que bom vê-lo de volta, caro Don Gabriel! Fico contente que volte a escrever em seu blog.
    Você tem toda a razão nesse comentário sobre as agências reguladoras, que foram aparelhadas pelo PT! Como sempre, a sua inteligente observação renderá um novo texto, tratando dessas instituições, que não estão cumprindo a importante função de fiscalizar e orientar, em benefício dos cidadãos.
    Forte abraço e obrigado pela visita.

  4. #4 by Lúcio Lopes - July 30th, 2007 at 23:24

    Caro Marcus, ótimo artigo.
    A privatização só é clamada pelo PT, PCdoB, partidos atrasados e por gente que gosta de fazer políca ocupando estatais e distribuindo cargos, preferencialmente aqueles que rendam bons dividendos para si. Ou seja, corrupção.
    Exemplo prático de administração séria e competente:
    A CSN, no ano anterior à sua privatização, rendeu prejuízo de trezentos milhões de dólares aos cofres públicos.
    Em 2005, ela gerou um lucro de mais de um bilhão de dólares, ou cerca de 400 milhões de dólares em impostos.

    Resposta do blog
    Muito obrigado, pelo ótimo comentário e por sua visita, caro Lúcio!
    Tomara que essas informações que você fornece cheguem de forma lúcida aos eleitores em 2010. Como respondido em outro comentário, é lamentável que o PSDB não tenha defendido e explicado as privatizações do governo FHC. Com uma população mais consciente, talvez o resultado das eleições tivesse sido outro. E como diz Aécio Neves, a tarefa mais difícil do próximo governo será “desaparelhar” o estado.
    Forte abraço.

  5. #5 by Mauro Cesar Costa - August 1st, 2007 at 02:43

    Política não é meu forte, mas é notório que a privatização resolve e ajuda. Como o amigo Groo citou tá aí a telefonia. Sempre fui e sou a favor da privatização para diminuir o inchaço das despezas públicas, contra as terceirizações que favorecem quase sempre empresas ligadas a políticos corruptos, e a favor da valorização do servidor, bens e patrimônio publico.

    Resposta do blog
    Caro Mauro,
    muito grato pela visita e pelo comentário. Não há, mesmo, necessidade de muito aprofundamento em política para entender como as privatizações são benéficas para o povo. As suas linhas dizem tudo! Tomara que essa consciência alcance as pessoas que ainda não dispõem da correta informação a esse respeito. O intuito de nosso blog não é somente de apresentar críticas ao governo, mas procurar apontar soluções.
    Abraços.

  6. #6 by Leanymndwenny - September 5th, 2007 at 13:33

    ORANJESTAD, Aruba – Felix rapidly strengthened into a dangerous Category 5 hurricane and churned through the Caribbean Sea on a path toward Central America, where forecasters said it could make landfall as “potentially catastrophic” storm.
    Felix was packing winds of up to 165 mph as it headed west, according to the U.S. National Hurricane Center. It was projected to skirt Honduras’ coastline on Tuesday before slamming into Belize on Wednesday.
    “As it stands, we’re still thinking that it will be a potentially catastrophic system in the early portions of this week, Tuesday evening, possibly affecting Honduras and then toward the coast of Belize,” said Dave Roberts, a hurricane specialist at the center in Miami.

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