Archive for July, 2007

A tragédia anunciada

luto2.jpgEnquanto o governo preferir contratar apaniguados a investir na infra-estrutura aeroportuária, certamente, outras terríveis catástrofes ocorrerão. Após assistir às tristes imagens pela tevê e ler as notícias publicadas na imprensa nacional e internacional, uma certeza é clara: não será preciso aguardar pelos dados da caixa preta do vôo, nem ouvir a opinião dos técnicos franceses da Airbus, para identificar a responsabilidade pela desgraça.

Lamentavelmente, a imprensa brasileira não tem coragem de divulgar a verdade como o estão fazendo algumas publicações estrangeiras. A pista pode ter defeitos, o piloto pode ter errado, a companhia pode ter co-responsabilidade. Mas, a origem dos problemas está na falta de iniciativa governamental e a culpa da tragédia é do ministério da Defesa!

Visão da cidade de São Paulo durante o acidente aéreo / Crédito: Le Figaroacidente_aeroporto_congonhas1.jpg

No blog de Ancelmo Góis, de O Globo lia-se o seguinte texto, sob o título Acorda, Lula: “O que ainda faz no cargo o ministro da Defesa Waldir Pires? Por que o presidente da Anac, o aparelhado Milton Zuanazzi, amiguinho sabe-se lá de quem (diz-se que da Dilma), profundo desconhecedor dos assuntos de aviação, ainda não caiu? Quem ainda acredita na Infraero depois de tudo? Ninguém será demitido após a criminosa liberação da pista de Congonhas? Acorda, Lula.”

Eu vou além: acorda Brasil! O que ainda faz no cargo o presidente da República Lula da Silva? Por que esse irresponsável ainda não caiu? Quem ainda acredita no governo depois de tudo? Ninguém sofrerá impeachment após a criminosa desfaçatez do presidente para com a crise aérea? Acorda, Brasil!

Quando em setembro de 2006 ocorreu a tragédia do choque entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, dando início à gravíssima crise do setor, registrava-se o maior acidente aéreo da história brasileira. O governo do presidente Lula da Silva se esforçou ao máximo para que esta marca fosse logo superada. Catástrofe pior ocorreu no aeroporto de Congonhas, o mais importante da América Latina. O acidente com o Airbus da TAM já está entre os 30 piores da história mundial da aviação.

veja_radar_ed2017.jpgA prova do crime de responsabilidade: Lula da Silva sabe de sua culpa. A revista Veja dessa semana publicou nota (ao lado), em sua coluna Radar, anunciando aquilo que já tínhamos publicado em 31 de março, neste blog: (…) proponho que se realize imediatamente uma licitação para terceirizar os serviços dos aeroportos, entregando toda a administração a empresas privadas. As regras às quais essas empresas se subordinariam seriam definidas por uma Agência Nacional de Transportes e pelo Comando da Aeronáutica. Além disso, sugiro a privatização da administração dos aeroportos. Tudo seria resolvido do dia para a noite e, certamente, alcançaríamos a um padrão de qualidade de serviços de primeiro mundo. Controladores de vôo poderiam ser contratados e demitidos de acordo com as regras do mercado e em função da competência profissional.

E concluía, afirmando: Certamente, essa proposta é absurda, pois impediria a corrupção, extinguiria cargos de apaniguados do governo e as contas pagas pelos contribuintes passariam a ser muito menores. (…)


A ‘contida’ BBC teve coragem e publicou a matéria abaixo em seu site:

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Acidente pode ser desastre político para Lula
por Asdrúbal Figueiró
para a BBC Brasil
marcus-mayer.com
O acidente com o Airbus da TAM em São Paulo tem potencial de provocar estragos políticos e de imagem inéditos no governo Lula.

marcus-mayer.com
Desde o choque do Boeing da Gol com o Legacy que deixou 154 mortos na Amazônia em setembro do ano passado, a crise aérea não saiu das manchetes. Nesses nove meses, houve um quase-acidente aqui, uma greve ali, declarações desastradas de autoridades acolá e muitas filas e atrasos.

Até agora, porém, apesar de ter emplacado uma CPI, a oposição parecia não ter conseguido capitalizar e potencializar o desgaste do governo.

Desgaste

Uma das acusações mais fortes que a oposição conseguiu produzir foi que Lula empurrava um problema sério com a barriga. Não é um argumento de tanto peso quando o resultado mais visível da suposta inoperância é fila em aeroporto. Quando o resultado são cerca de 200 mortos e o maior acidente da história da aviação no Brasil, a coisa pode mudar.

É claro que a investigação sobre as causas do acidente ainda está nos estágios inciais. Mas, mesmo que se prove que as condições da pista de Congonhas tenham pouco a ver com o desastre, o governo vai, no mínimo, ter de ir para a defensiva. Vai ter de se explicar e torcer para que sua versão cole.

Se, ao contrário, ficar provado que a pista recém entregue pela estatal federal Infraero não tinha condições ideais e que isso foi crucial, o desgaste pode ser muito mais grave.

Vai ser mais fácil para a oposição usar o argumento da crise anunciada e tentar jogar o custo do desastre no colo do governo, e mais difícil para Lula alegar ignorância, como no início da própria crise aérea ou do escândalo do mensalão.

Serra

Coincidência ou não, Lula colocou para investigar as obras de recuperação da pista a Polícia Federal que, apesar de se envolver em polêmicas, tem conseguido vender a imagem de um dos órgãos mais eficientes do governo. A medida dá aos aliados de Lula um argumento contra a acusação de inação do governo e, no limite, permite que o presidente associe sua imagem aos investigadores, caso se comprovem problemas com a obra da Infraero.

Mas, para além disso, o desastre em Congonhas também coloca no palco outro personagem importante: o governador tucano José Serra, potencial candidato à eleição presidencial de 2010. Nas primeiras horas do acidente, enquanto o presidente se fechava no Palácio com ministros e deixava a tarefa de enfrentar as câmeras para o porta-voz da Presidência, Serra estava na cena do desastre, ao vivo, nas TVs, dizendo que “infelizmente, as chances de sobreviventes” eram quase zero.

Por ora, o governador tem evitado declarações políticas mais fortes – até porque talvez o momento não seja o mais conveniente. Mas ele já deu declarações dizendo que o aeroporto deveria ficar fechado durante as investigações, que cobrou “rigorosas”, e anunciou inquérito da Polícia Civil.

Serra também já se reuniu com familiares das vítimas e não deu nenhum sinal de que deva deixar a cena. É um assunto de repercussão nacional em que, como governador do Estado, Serra pode – até com a justificativa de que deve – tratar. O desgate é todo federal.

Marta Suplicy

O potencial político para Serra só não é maior porque os eventuais dividendos do tucano tendem a se concentrar em uma área geográfica (São Paulo/Sul) e social (classe média) onde o PSDB tem menos problemas. E o efeito no eleitorado de Lula – classes mais baixas no Norte e Nordeste – não é tão fácil medir. Mas é mais improvável que o presidente possa se sair da história melhor do que entrou.

Também é difícil avaliar o impacto do acidente na imagem da ministra Marta Suplicy, arqui-rival de Serra na política paulista e paulistana e possível candidata à Presidência em 2010. Mas a combinação da catástrofe no seu reduto eleitoral com o “relaxa e goza” não deve ajudar a petista.

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Golden key

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Nada nos honraria mais neste momento, ao retornamos de nossas breves férias, que uma crônica do reconhecido articulista Ron Groo. No texto, o autor destaca a banalização da catástrofe moral que atinge o Brasil.

Quando convidei Ron para escrever um artigo para o nosso blog não sugeri nenhum tema, procurando deixá-lo à vontade e já sabendo, de antemão, que faria uma ótima escolha. Assim, como fiel leitor de nossos artigos e notícias, resumiu, magistralmente, em uma única crônica o espírito deste espaço. Leia-se abaixo:


ron_groo.jpgA queda dentro de nós
por Ron Groo*

Parece normal quando se apresentam senadores, deputados, vereadores, empreiteiros ou mesmo cidadãos sem cargo, que não conseguem explicar a origem de seus bens.

O que é preciso para que se realizem nossos sonhos de nação? Talvez seja necessário mudar a essência do que se convencionou chamar de “o povo brasileiro”. É preciso mudar, lá nos genes, a nossa visão de Brasil e de seus problemas.

Dizia a antiga piada que, a nossa catástrofe natural é a classe política. Que ela seria tão devastadora quanto os terremotos, os furacões e os maremotos, que atormentam outros países e continentes.

Penso de forma diferente. O mal do país está em nós, naquele gene “mau caráter” que se esconde em nosso DNA e que se desenvolve. Que aparece quando sabemos que estamos errados e, ainda assim, tentamos levar vantagem. Quando, nas pequenas coisas, usamos artifícios para nos darmos bem ou pelo simples fato de sermos malvados gratuitamente. Como aquele motorista de ônibus que, mesmo com o farol fechado, acelera o coletivo e força os pedestres a apressarem o passo para atravessarem a rua.

É esta a nossa singularidade enquanto povo, tal como o “ão” é uma singularidade de nossa língua; e que me faz duvidar daquela história de “o brasileiro ser um povo ordeiro”. É lobo. Infelizmente. É o seu próprio lobo. Se não, pensemos: O político corrupto é, senão espelho de nós mesmos, aquele pequeno gene “mau caráter” de nosso DNA, elevado à enésima potência e embriagado pelo poder. E como nos ensinou Lord Acton, é ele que corrompe.

Melhor pensar direito. Existe uma grande inversão de valores que nos faz ficar admirados quando alguém é tido como ‘honesto’. Como se a honestidade não fosse a nossa primeira obrigação! Agora, já nos parece normal quando se apresentam senadores, deputados, vereadores, empreiteiros e, mesmo cidadãos sem cargo, que não conseguem explicar a origem de seus bens. Não conseguem nem afastar suspeitas que pairem sobre si. Achamos normal, não mais nos chocamos, não mais nos escandalizamos.

Como também não nos chocam os professores que não sabem ensinar, os policiais que se valem do ofício em beneficio próprio, e toda a gente que usa o Estado em benefício próprio…

É necessário que mudemos, dentro de nós, esta visão. Que cobremos, de nós mesmos, mais compromisso com a verdade e com a honestidade. Fazer com que esta particularidade tão nossa, de “querer se dar bem sempre” (sic), seja revertida em “querer o bem coletivo”.

Somos nós que votamos. Somos nós que elegemos. E somos nós que não sabemos escolher. Falta-nos discernimento para analisar nomes, propostas, biografias e perfis. Façamos a nossa parte. Prestemos atenção àquilo que nos rodeia. Existem tragédias que se anunciam: o mar recuando antes do Tsunami, a calmaria antes da tempestade e, também, como é feita a campanha antes de uma eleição.

Mudemos nós. Aproveitemos a liberdade que temos para poder discutir, analisar e escolher. Mas, principalmente, aproveitemos o momento para rever nossos próprios valores. Façamos nós o nosso melhor, para que isso reflita em todos, tornando-se esse um valor comum. Como nosso “ão”.

Mas se nós temos planos e eles são / o fim da fome e da difamação /
porque não pô-los logo em ação? / tal seja agora a inauguração
da nova nossa civilização / tão singular quanto o nosso ao
e sejam belos, livres, luminosos / os nossos sonhos de nação.

Lenine, in ‘Ecos do ão’

 

* Ron Groo é articulista e escreve regularmente em seu Blog

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Anunciando o regresso

logo_panrio2007.gifHoje inauguramos uma nova fase em nosso blog. Após duas semanas de ausência, retornamos com um novo endereço e um webdesign mais moderno e clean. Esperamos com isso, oferecer um espaço mais ágil e atraente aos visitantes.

Ainda há bastante trabalho pela frente. Não desejamos aprimorar somente na aparência, mas também no conteúdo. Não adiantaremos tudo nesse post, pois desejamos que os próprios leitores notem as diferenças, conforme forem ocorrendo.

Depois de muita reflexão, decidimos por manter a linha editorial. Algumas vezes nos perguntamos se estaríamos sendo muito contundentes nas críticas, em artigos e notícias, diante do governo que se apresenta? Concluímos que não, pois muito contundentes têm sido os seguidos escândalos na política e na economia.

Vivemos um período de grande prosperidade econômica mundial, no qual o Brasil pega carona. Todavia, poderíamos estar em situação muito melhor, não fosse a atual administração federal.

Durante as duas semanas em que estivemos ausentes, os escândalos políticos só aumentaram. Além da crise no Senado, aguarda-se agora a contratação, pelo executivo, de mais 30.000 funcionários públicos federais para os próximos meses.

Mas não desejamos reestrear somente com más notícias. Como sabem, temos especial apreço por anunciar coisas boas. O presidente Lula da Silva está se convencendo de que não há melhor saída para a crise aérea que iniciar privatizações nos aeroportos. Será que leu o nosso último artigo sobre o tema e está pensando em adotar as nossas sugestões? Tomara que sim!

Boas mesmo, porém, são as notícias do esporte: o Brasil conquistou a Copa América e venceu a Liga Mundial de Vôlei. Além disso, nos Jogos Pan-americanos, o Brasil é o segundo país em número de medalhas (12, sendo uma de ouro) e as meninas do vôlei já estão classificadas para as semifinais.

Por hora, desejamos um bom regresso e uma boa semana aos nossos leitores.

Crédito: Globo Esportepan_volei_feminino_11.jpg

 

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Retornaremos em breve

Em obras

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4.607.556.603.169,42%

mayer
13 anos de Real
por Joelmir Beting*

O Real completa neste domingo, 1º de julho, 13 anos de vida, paixão e sorte, muita sorte. Sobreviveu a grandes choques externos a traumas internos para fazer a inflação de 4% ao dia virar inflação de 4% ao ano.

O Real veio ao mundo não para fazer o Brasil crescer, mas para não deixar o Brasil morrer. Vai aqui uma comparação espantosa, feita pelo professor Salomão Quadros, da Fundação Getúlio Vargas, a pedido do site: nestes 13 anos de Real, a inflação medida pelo IGP-DI acumula, aqui na ponta, 259%.

É muito! É, mas qual tinha sido a inflação acumulada nos últimos 13 anos antes do Real?

Aí está o tamanho do dragão enjaulado pelo Real: uma inflação de 12 dígitos, ou de 4.607.556.603.169,42%. (Nota do blog: leia-se 4,6 trilhões por cento)

* Joelmir Beting é jornalista e apresentador de telejornal

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