Archive for August 1st, 2007

Losing Forests to Fuel Cars

banner_amazonia.jpgÉ uma situação insólita: concordo com as críticas do ditador cubano Fidel Castro e de seu aprendiz venezuelano, Hugo Chávez, ao projeto dos presidentes dos Estados Unidos, George Bush, e do Brasil, Lula da Silva, para produção, em larga escala, de etanol derivado da cana-de-açúcar; todavia, nossa concordância é parcial e decorre de razões distintas daquelas dos autoritários idiotas latino-americanos. Nossa preocupação maior é com o meio-ambiente – e não com a concorrência que os biocombustíveis podem fazer à produção de petróleo da Venezuela.

Abaixo consta uma matéria muito interessante do jornal americano The Washington Post, de sua edição de ontem, que traduzi para o nosso blog, no intuito de destacar a óptica da imprensa estrangeira sobre questões globais importantes que envolvem diretamente o Brasil:


The Washington PostPerdendo florestas para abastecer carros
por Sabrina Valle| Tradução: Marcus Mayer
para o The Washington Post | Terça-feira, 31 de julho de 2007 – página D01

Cana-de-açúcar de etanol ameaça savana arborizada do Brasil

Onças pintadas, araras azuis e tatus gigantes vagam pela paisagem inconstante do Cerrado brasileiro, um vasto planalto onde as temperaturas variam entre congelantes e extremamente elevadas, onde se alternam pastos com arbustos e florestas, e onde se encontra a mais rica variedade da flora de todas as savanas do mundo.

Tudo isso poderá acabar em breve. Durante as últimas quatro décadas, mais da metade do Cerrado foi transformada pela usurpação de fazendeiros de gado e agricultores de soja. E agora outra demanda está corroendo rapidamente a paisagem: a cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol brasileiro.

brasil-cerrado-e-amazonia-420-x-418.gif  SOURCE: Conservation International of Brazil and World Wildlife Fund | By Renee Rigdon, The Washington Post – July 31, 2007

“O desflorestamento do Cerrado está acontecendo em ritmo mais avançado do que no Amazonas,” diz John Buchanan, diretor sênior da Conservation International. Se as taxas de desflorestamento continuarem, toda a vegetação restante do cerrado poderá ser perdida antes do ano 2030. Seria uma enorme perda de biodiversidade.”

As raízes desta transformação encontram-se na demanda mundial por etanol, recentemente estimulado pelo Senado americano, que prevê o uso de 36 bilhões de galões de etanol antes de 2022 – mais de seis vezes a capacidade das 115 refinarias de etanol dos Estados Unidos. O presidente Bush, que propôs um aumento semelhante, visitou o Brasil em março, e negociou um acordo para promover a produção de etanol na América Latina e no Caribe.

Companhias americanas e – inclusive George Soros e gigantes do agronegócio, Archer Daniels Midland e Cargill – estão apostando no território brasileiro, esperando cada vez maior crescimento na área de biocombustíveis. “Já houve uma corrida pelo etanol brasileiro e os anúncios do presidente Bush deram mais credibilidade ao processo”, disse Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura do Brasil, que criou a Comissão Interamericana do Etanol com o ex-governador da Flórida, Jeb Bush, em dezembro.

O governo brasileiro e as grandes companhias de agribusiness afirmam que a expansão das plantações de soja e de cana-de-açúcar não significa, necessariamente, a devastação do cerrado, que apresenta aproximadamente 160.000 espécies de animais e de plantas – muitas ameaçadas pela extinção. Eles dizem plantar em solo improdutivo e pastagens, onde o gado melhorou a qualidade do solo e da produtividade. Mas os grupos ambientais argumentam que, como a soja e a cana-de-açúcar deslocam gado e colheitas menos lucrativas, os fazendeiros estão se movendo para mais adiante, para áreas não devastadas do Cerrado.

“Há fazendeiros que substituem o gado pela cana-de-açúcar na área de São Paulo, por exemplo, e o deslocam para o estado da Bahia, ambos no Cerrado. Assim qual é o ponto?” pergunta Ricardo Machado, autor de um estudo sobre “o Cerrado para a Conservação Internacional”.

A cana-de-açúcar e a soja desempenham um papel crucial na agricultura do Brasil, um dos setores mais dinâmicos da economia do país. E ambos estão sob pressão para expandir-se, em conseqüência do boom do etanol. Ela é considerada por ambientalistas como uma melhor opção do que o grão para produzir o etanol. Etanol de cana-de-açúcar custa metade do preço para produzir e o processo é cinco vezes mais eficiente no uso de combustíveis fósseis.

Estimuladas pela perspectiva de produção de etanol da cana-de-açúcar, muitas empresas dos Estados Unidos estão tentando conquistar investidores europeus e asiáticos. A companhia na qual Soros está investindo, a Adecoagro, transformou-se num dos maiores investidores no etanol brasileiro, planejando gastar 1 bilhão de dólares para construir três fábricas durante os próximos cinco anos. A Goldman Sachs e o Grupo Carlyle também estão atrás de novos investimentos em etanol no Brasil.

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