Quando é merecido, elogiamos também


Folha OnlineNunca antes neste país se investiu tão pouco em infra-estrutura – menos de 0,5% do PIB. E nunca houve tanto assistencialismo – quase um quarto da população brasileira é dependente do programa Bolsa-família. Somos críticos contumazes do governo esquerdizante do presidente Lula da Silva. Todavia, subscrevemos integralmente o artigo de Gilberto Dimenstein, para a Folha de S.Paulo, e a criação do novo programa “Bolsa Escola”, que será lançado pelo governo federal, no próximo dia 5 de setembro, observadas as ressalvas feitas pelo jornalista. Leia-se o artigo na íntegra:


gilberto_dimenstein.jpgA melhor bolsa de Lula
por Gilberto Dimenstein*
para a Folha de S.Paulo | 28 de agosto de 2007

A principal marca social do governo Lula é uma obra de Fernando Henrique Cardoso: o Bolsa Família. Nenhum problema nisso. O presidente tratou de aglutinar os vários programas já existentes e ampliá-los. Ficou melhor do que era. Mas até mesmo a idéia de criar um cadastro único com foco na família estava delineada. Existe, agora, a chance de criar a melhor das bolsas.

Está previsto para ser lançada no próximo dia 5 de setembro uma bolsa de R$ 30,00 mensais para os jovens entre 15 e 17 anos, com a condição de que continuem estudando. Calcula-se que a medida beneficie 1,7 milhão de adolescentes, a maioria dos quais, segundo as estatísticas, deixam a escola.

A vantagem desse estímulo é óbvia. Muitos dos programas de distribuição de renda chegam a adultos danificados pela pobreza e com poucas possibilidades de inserção no mercado de trabalho. Quando se mantém o jovem na escola, além de tirá-lo da rua e reduzir o risco de envolvimento com a violência, pode-se apostar (pelo menos apostar) que ele tenha menos dificuldade de obter um emprego. Isso se o dinheiro for combinado com uma série de ações complementares, como reforço escolar e atividades extracurriculares que levem à profissionalização. Do contrário, serão apenas mais dois anos de educação pública ruim.

Se o ideal dos projetos de renda mínima é gerar indivíduos autônomos (o que é uma deficiência no Bolsa Família), a ajuda ao adolescente é o caminho mais sustentável para que se vire sozinho, sem precisar da assistência pública. É, portanto, a melhor das bolsas.

*Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Escreve para a Folha Online às terças-feiras.


NOTA: Em nossa última coluna WEEKLY NEWS noticiamos que senadores do DEM estariam sendo cooptados por altos dirigentes do governo, visando transferência para a partidos da base aliada do governo. O senador Jayme Campos (MT) negou de forma veemente, em discurso no Senado, ontem, que sederia às ofertas sedutoras do governo. Aguardamos satisfação dos demais senadores nominados: Romeu Tuma (SP), Edison Lobão (MA) e César Borges (BA).

 

Charge

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Crédito: Sponholz

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