Os últimos posts de nosso blog estimularam um espetacular debate a respeito da definição das diversas ideologias políticas e econômicas, do passado e da atualidade. Nada poderia nos honrar mais do que vislumbrar, no espaço reservado aos comentários desses recentes posts, textos tão extraordinários, escritos por espetaculares articulistas da blogosfera, que aqui nos prestigiam.
A questão que se apresenta refere-se, principalmente, à definição de esquerda. Essa ideologia teria tendências “jurássicas” – como costumamos afirmar – ou modernas? A foto que ilustra este post pretende reforçar essa indagação. Caso fossemos argüidos a escolher entre as três mais comuns vertentes do pensamento político – esquerda, direita ou centro -, talvez tivéssemos dúvidas, dada a variedade de interpretações e subclassificações possíveis.
No final de 2006, o presidente da República, Lula da Silva, afirmou ter atingido a “maturidade do centro” e proferiu uma frase que recebeu críticas de alguns e a concordância de outros: “Se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problema; se você conhecer uma pessoa muito nova de direita, é porque ela também está com problema” (sic).
Afinal, o que significam exatamente esses “rótulos”? Estaria certo, o presidente, atribuindo ao centro o ápice do discernimento político? O pensamento de esquerda é reservado ao idealismo juvenil? Aonde se encaixam os liberais – seriam esquerdistas ou direitistas? Social-democratas são neoliberais? O que é terceira via? Ecologistas têm alguma preferência? Nacionalistas são reacionários? Socialistas e comunistas pensam igual?
Desejamos responder a todas essas questões com destacada neutralidade, limitando-nos à doutrina, embasada na história e na filosofia política. Por isso, estamos elaborando um aprofundado ensaio, com referências e conceitos, que permitarão oferecer respostas claras aos questionamentos que se apresentam.
Aguardamos, assim, por suas visitas e comentários a nossa argumentação, a partir das 20 horas – prazo no qual concluiremos a redação do artigo.
Aproveitamos para agradecer pelos últimos comentários que, pelo tempo exíguo, hoje, não pudemos responder, como de praxe. E desejar um ótimo feriado!





#1 by Lúcio Lopes - September 7th, 2007 at 17:42
Caro Marcus:
Este foi um dos mais inteligentes posts que vi. Vai dar uma fantástica discussão. Muitos políticos, e até intelectuais, infinitamente mais sabidos que eu, fazem confusão com o direitismo e o esquerdismo. (claro, isto em minha modesta forma de pensar).
Para uns, a “direita” é uma ofensa, para outros, a “esquerda” que é.
A frase do Lula é a mais inteligente que já o vi cuspir (Perdoe, Lula não fala, cospe palavras). Não que eu concorde com ela, longe disto, mas olhando de uma certa ótica pode fazer sentido para alguns em algum momento dos últimos cem anos da nossa história. Por exemplo, o estudante dos anos 60 raramente não era de “esquerda”. Estudante de “direita”, ao menos onde eu morava, não havia. Os estudantes se distribuíam em radicais da “esquerda” e “esquerda”, além dos omissos, ou apolíticos. Esses radicais formavam-se e iam exercer suas profissões. Tornavam-se empresários e viravam, em sua grande maioria, com o passar dos anos, “direita”. Às vezes nem dava tempo de se tornarem MUITOS IDOSOS, como blasfemou o estúpido presidente.
Cito um exemplo:
Um colega, contemporâneo de UFF, Escola de Engenharia, era o mais vermelho de toda a escola e ocupava a presidência do diretório acadêmico durante todo o tempo em que lá estive. O tio dele, preocupado com a ideologia do garoto comunista em plena ditadura militar, foi ter com seu irmão, pai do menino:
- Nahum, o menino é comuna, Nahum!
- Deixa o menino, Salim, deixa o menino!
- Mas Nahum, ele pode ser preso!
- Se for preso eu vou lá e o libero!
- Mas ele é comunista, mano!
- Deixa ele ser comunista, Salim, é só um estudante!
Passaram-se os anos e o menino se formou engenheiro. O pai, muito rico, chamou o moleque e disse:
- Venha cá, seu comunista, tome aqui o seu presente de formatura. Quero ver se com este presente você ainda vai ser comunista!
O menino voltou a pensar em comunismo? Que nada, rapaz!
O pai o presenteou com 40% de uma das mais sólidas construtoras do Estado. Hoje, hoje proprietária de uma grande rede de shoppings centers.
A manifestação sobre direita-esquerda, faço oportunamente.
#2 by Bruno Serafim - September 7th, 2007 at 21:31
Esses rótulos começaram na Revolução Francesa, marcada pela queda da bastilha em 1789. O Rei reuniu 3 grupos principais de correntes ideológicas: a sua direita os girondinos, a sua esquerda os jacobinos e no centro o partido da montanha. O que cada um representava já podemos deduzir, é só lembrar do rótulo: conservadores, redicais e moderados, respectivamente.
Mais pra frente na história contemporânea surgiu Karl Marx e sua dialética. Dizia ele que a tese seria confrontada pela antítese e resultaria na síntese, ou seja, o capitalismo seria questionado pela classe operária e se instauraria a ditadura do proletariado (socialismo) como fase inicial de um processo que culminaria com a igualdade de ganhos e gastos de toda a sociedade e sem propriedade privada, rudo seria de todos (comunismo).
A verdade é que o comunismo nunca existiu. Países como China e União Soviética nunca passaram da primeira fase (socialismo) e hoje aderiram à economia de mercado, embora na China não haja uma mudança (ainda) nos moldes políticos.
O Brasil é um país que nunca teve um lado esquerdista de expressão. Mesmo na ditadura militar, o que se via não era um esquerdismo, mas sim um modelo keynesiano (intervencionista) capitalista de direita. Sempre fomos de direita. O esquerdismo foi um breve sonho de poucos neste país. Basta olhar para as tentativas mal-sucedidas mundo afora: União Soviética, China, Nicarágua, Cuba… o comunismo se tornou ditadura, que se tornou corrupção e por fim culminou em baixo desenvolvimento social.
A direita também pode ser dividida em dois lados: liberal e não liberal. Na primeira o Estado adota uma postura mais ausente das responsabilidades sociais e possui mercado aberto à livre concorrência sem intervenção considerável. No segundo caso vemos o que foi a ditadura, desde os tempos de Getúlio Vargas, com uma posição mais atuante por parte do governo em projetos sociais e estatização dos meios de produção. Nessa época vemos a criação de empresas como a Vale do Rio Doce, Companhia Siderúrgica Nacional e Petrobrás (ou Brás Petro para os gringos).
Mas na minha opinião, esses nomes são apenas rótulos e servem apenas para generalizar algo não generalizável. As coisas são mais complexas. Querem um exemplo? Dizem que os países mais desenvolvidos são os pais do liberalismo… mas então por quê adotam medidas protecionistas alfandegárias para impedir a entrada de nossos produtos em seus mercados? Por quê subsidiam seus produtores agrícolas para este mesmo fim? Por quê não deixam que o melhor vença? Para proteger seus mercados…
Eu queria também deixar minha opinião sobre os altos impostos que temos em nosso país e se possível levantar essa questão pro futuro. Karl Marx já previa que uma nação que ousasse cobrar mais de 8%, sofreria com sonegação. Países europeus como Itália não cobram mais de 15% e estudam a redução desses impostos. O Brasil cobra quase 40% de impostos!!! Seria a razão disso a dimensão continental dessa nação, que demanda infindáveis investimentos de infra-estrutura ou ainda astronômicos gastos em corrupção???
#3 by Fábio Max - September 8th, 2007 at 03:05
Sob a ótica do Estado, direitistas são os liberais que querem um Estado fiscalizador, mas mínimo. Esquerdistas, os que querem um estado grande e intervencionista. Como nem um, nem o outro tipo de Estado é possível, a evolução levou a uma confusão dos conceitos. Hoje, os trabalhistas ingleses tem pouquissima diferença com os torys ou os whigs, e os republicamos, diferença alguma com os democratas, salvo, é claro, os seus líderes.
No Brasil então, a situação é sui generis: aqui não exista direita, nunca existiu!
Os petistas dizem que os militares eram “de direita”, basicamente porque não toleravam as badernas que eles adoram. Mas o ideário econômico dos militares (estatismo, dirigismo econômico e intervencionismo completo) seria de “esquerda”, como de “esquerda”, as políticas de outro grupo que os petistas dizem, “de direita”, os tucanos, especialmente FHC, que aplicou o duro ideário dito “de esquerda” – aumento brutal de impostos e intervencionismo econômico, regulando as atividades privadas por meio de taxações diversas e ENORME burocracia, idério IDÊNTICO ao adotado pelo PT do atual governo.
O Brasil nunca teve partidos políticos de direita, e nunca terá, porque eles não tem mais lugar na história de nações economicamente estáveis. Mas o socialismo não, este ainda é realidade plausível até por aqui dependendo do tempo que o PT nos governar depois da era Lula (este é um democrata, nunca será um Chaves, mas os demais próceres do partido são candidatos a ditador), mas especialmente em nações miseráveis: onde há socialismo, há ditadura, falta de direitos fundamentais, miséria e fome como regras: Cuba, Venezuela, Bolívia, Coréia do Norte, Albânia, etc…
#4 by Ron Groo - September 10th, 2007 at 07:59
É meu caro Marcus, é a primeira vez que visito seu blog, não como o blogueiro do bliggroo, mas como editor do Mondo Interativo.
Noto que a cada postagem sua os comentários (tirante os meus) vão crescendo em qualidade. Ainda não tive tempo de conhecer o blog de Lucio Lopes e de Fabio Max, mas o de Bruno Serafim sim. Alías tenho travado contato com ele por msn durante varios dias. Me impressiona a segurança com que escreve e o comprometimento a que se atem com o que defende. Digo sem duvidas, este será um dos grandes nomes desta cruzada pela energia nuclear. Até o convidei para escrever um texto para a seção ‘internauta’ do Mondo. E extendo a você o convite. Parabéns pelos trabalhos aqui mostrados.
Ron Groo.
Ps. Desculpe a ausência prolongada. Tenho andado muito ocupado.
#5 by Cash Advance - January 9th, 2008 at 11:23
This post donates divine information covering Esquerda jurássica ou progressista?! I must say this wonderful reports is greatly authentic.