Archive for September 23rd, 2007
Weekly News
Posted by Marcus Mayer in Atualidades, Weekly News on September 23rd, 2007
WEEKLY NEWS
3/5 DE PICARETAS
Por tratar-se de matéria tributária de natureza constitucional as prorrogações da CPMF têm de ser feitas por meio de emendas que exigem o apoio de pelo menos três quintos dos parlamentares do Congresso. O presidente Lula da Silva tinha razão ao afirmar que o Parlamento brasileiro era constituído de 300 picaretas. E é exatamente com o apoio desses que está governando. Afinal, precisavam de um chefe.
TUCANALHA
Petistas viram petralhas e tucanos viram tucanalhas. São ladrões. São trombadinhas de impostos. São assaltantes dos cofres públicos. Os tucanos ainda têm uma chance de marcar a diferença. Em vez de fazer como o PT, que miou fininho diante da roubalheira, o PSDB deve expulsar (o senador) Eduardo Azeredo de suas fileiras já. Aliás, deveria ter feito isso há muito tempo. Do contrário, tucanos e petistas ficarão cada vez mais iguais. E vamos ficar reduzidos àquela comparação infame: – Roubei, sim, mas vossa excelência roubou mais. (André Petry, editor da revista Veja)
VALE PRIVADA
No período em que foi estatal, de 1943 a 1997, a Cia. Vale do Rio Doce produziu em média 35 milhões de toneladas de metais por ano, passando a 165 milhões depois da privatização. As exportações se multiplicaram quase 5 vezes, em valores monetários comparáveis. Os dividendos pagos à União triplicaram e os impostos aumentaram 22 vezes. No dia da privatização, a Vale empregava 15 mil funcionários; hoje são mais de 55 mil empregos diretos. Além disso, a mineradora deixou de ser a sétima do mundo para se tornar a segunda.
VALE vs. PETROSSAURO
Desde a sua privatização a receita da Vale cresceu 7,5 vezes e a da Petrossauro, 4,5 vezes; o emprego multiplicou-se por 3,5 vezes na Vale e por 1,5 na Petrossauro, isso tudo apesar de o preço do petróleo ter crescido mais que o do mineiro de ferro. (Leia mais sobre esse assunto, sobretudo no que concerne ao preço pelo qual a Vale foi vendida, no artigo publicado abaixo deste post)
IDEOLOGIA
Na última sexta-feira, publicamos neste blog a terceira e última parte da série de ensaios “Partidos políticos e ideologias”, sob o título “Entre o passado e o futuro”. O texto é enxuto e descreve o cenário político-partidário atual da América Latina. (Leia abaixo, no post do dia 22.SET)
INTERNACIONAL
SAUDADES
Desde dezembro de 2006 os presidentes Lula da Silva, do Brasil, e Hugo Chávez, da Venezuela, não se encontravam no Brasil. Na última quinta-feira, em Manaus, os dois líderes puderam matar as saudades. “O presidente considera que é necessário estreitar a parceria com a Venezuela, acelerar as negociações e estabelecer prazos para as etapas dos projetos”, afirmou o porta-voz da presidência, Marcelo Baumbach.
MERCOSUL
Em julho, o idiota latino-americano Hugo Chávez, disse que seu país desistiria de ingressar no Mercosul caso o Senado do Brasil e o do Paraguai não aprovassem a adesão da Venezuela ao bloco dentro de três meses. No encontro de Manaus, na semana passada, disse: “Estou seguro que é a mão do império, a mão norte-americana que está tentando evitar que a Venezuela ingresse no Mercosul”. Esquece-se, porém, que o Protocolo de Ushuaia, um dos documentos oficiais do bloco, prevê, já em seu artigo I, que: “a plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados-Partes”.
VERGONHA E RENÚNCIA

A renúncia do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, anunciada na quarta-feria, é o exemplo de como costumam reagir certos políticos japoneses atormentados por denúncias ou suspeitas de práticas ilegais na administração da coisa pública. Envergonhados, saem de cena antes de serem julgados, como que se penitenciando pelo crime que, com essa atitude, implicitamente admitem ter cometido. Há quem peça desculpas públicas. E há quem chegue ao suicídio. Em um país antípoda do Japão, gestos como esses seriam muito apreciados pelos eleitores -, estes sim, atormentados pelas denúncias de atos de corrupção de políticos que não têm a vergonha como baliza para seus atos e, por isso, se recusam a deixar os cargos, seja qual for a gravidade das prevaricações de que são acusados. (Notas & Informações, O Estado de S.Paulo, 16.SET)
SOL NASCENTE
O veterano Yasuo Fukuda confirmou o favoritismo e foi eleito neste domingo o novo líder do Partido Liberal Democrata do Japão. Na terça-feira, o Parlamento deve nomear Fukuda primeiro-ministro do país. O político de 71 anos é considerado um moderado que pode trazer a ansiada estabilidade ao Japão, depois de um ano turbulento com Shinzo Abe à frente do governo. (BBC Brasil)
MEIO AMBIENTE
FLORESTA PRIVADA
A melhor notícia sobre desenvolvimento sustentado foi anunciada na última sexta-feira pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Na Floresta do Jamari, em Rondônia, uma área de 90 mil hectares será privatizada. A região tem registrado índices crescentes de desmatamento e a solução encontrada para preservá-la foi licitar a área para empresas particulares explorarem a floresta por até 40 anos. Durante esse período, poderá ser extraída, principalmente, madeira, de forma sustentável.
POLUIÇÃO VERDE
Os biocombustíveis feitos de sementes de canola e milho produzem entre 50% e 70% mais gases causadores do efeito estufa que os combustíveis fósseis, segundo estudo publicado pela revista Atmospheric Chemistry and Physics. A canola e o milho são largamente utilizados nos Estados Unidos e na Europa e seu emprego como fonte de energia deveria contribuir para combater as mudanças climáticas. (EFE)
SUSTENTABILIDADE & MEIO AMBIENTE
Esse é o nome de um novo e sensacional espaço na Internet, especializado em um dos mais importantes assuntos da atualidade: a conservação do meio ambiente. Distintamente da maioria dos sites e blogs que tratam do assunto, seu editor, Bruno Serafim está distante de ser um ‘ecoxiita’. Muito pelo contrário, os seus textos são sóbrios e realistas. As informações técnicas que apresenta confirmam nossa tese de que é perfeitamente possível conciliar o liberalismo econômico com o desenvolvimento sustentável.
Clique aqui para visitar o blog “Sustentabilidade & Meio Ambiente”
SOCIEDADE
MISS BRASIL MUNDO
A miss Santa Catarina Regiane Andrade, 23 anos, 1,72 m de altura, conquistou a coroa de Miss Brasil Mundo 2007 na noite do último sábado, no Teatro Municipal de Barueri (SP). Modelo profissional, ela agora vai representar o país no Miss Mundo, na China, em novembro. Eram 28 candidatas, 26 dos estados brasileiros, uma do Distrito Federal e uma de Fernando de Noronha.
FRASE
“Prost era um cachorro, mas Alonso é pior.”
Niki Lauda, tricampeão da Fórmula 1
FOCUS Online: Prost sei „ein Sauhund“ gewesen, was Politik außerhalb der Strecke betroffen habe. „Aber Alonso ist schlimmer“, urteilte Lauda über den Spanier.
A Vale foi vendida a preço de banana?
Posted by Marcus Mayer in Brasil, Economia, Mundo Corporativo, Privatização on September 23rd, 2007
Diante da grande demanda pelo assunto “privatização da Cia. Vale do Rio Doce”, publicamos abaixo o artigo de Paulo Renato de Souza, para “O Estado de S.Paulo”, de onde retiramos as informações constantes da coluna WEEKLY NEWS, acima. O artigo responde claramente à indagação a respeito do preço pelo qual a companhia foi vendida.
Vale privada, Petrobrás estatal
por Paulo Renato de Souza*
para o jornal “O Estado de S.Paulo | 23 de setembro de 2007
O Partido dos Trabalhadores e alguns dos chamados “movimentos sociais” lançaram uma campanha pela reestatização da Companhia Vale do Rio Doce disfarçada sob a forma de um plebiscito. O presidente Lula, como de costume, tirou o corpo fora, informando ao País que a iniciativa não era para valer, ou seja, trata-se de mera “brincadeirinha política”.
Entretanto, esta é uma boa oportunidade para responder com seriedade a três questões cruciais em relação ao processo de privatização da Vale:
Como empresa estatal, a Vale teria tido nestes últimos dez anos o espetacular desempenho que teve como privada?
Como empresa estatal, a Vale teria proporcionado ao Estado brasileiro os mesmos benefícios que proporcionou como privada?
Finalmente, à época da privatização, seu preço foi justo?
Para responder a estas questões devemos analisar a evolução da própria empresa antes e depois da privatização e também compará-la com a da Petrobrás, empresa de porte semelhante que permaneceu em mãos do Estado.
No período em que foi estatal, de 1943 a 1997, a Vale produziu em média 35 milhões de toneladas por ano, passando a 165 milhões depois da privatização. As exportações se multiplicaram quase 5 vezes, em valores monetários comparáveis. Os dividendos pagos à União triplicaram e os impostos pagos aumentaram 22 vezes. No dia da privatização, a Vale empregava 15 mil funcionários; hoje são mais de 55 mil empregos diretos.
Nos dez anos que vão desde a privatização da empresa, a receita da Vale cresceu 7,5 vezes e a da Petrobrás, 4,5 vezes; o emprego multiplicou-se por 3,5 vezes na Vale e por 1,5 na Petrobrás, isso tudo apesar de o preço do petróleo ter crescido mais que o do minério de ferro. Entretanto, nenhum desses números se justificaria se o governo tivesse dilapidado o patrimônio público, vendendo a Vale por um preço menor do que seu valor real.
O valor de mercado de uma empresa reflete a percepção dos investidores sobre sua rentabilidade futura, ou seja, o retorno financeiro do investimento. Isso significa que o valor de suas ações sintetiza as percepções em relação às possibilidades futuras de ampliação das receitas, de realização de novos investimentos lucrativos, de produção eficiente e de controle de custos. No dia de sua privatização, em 6 de maio de 1997, a Vale foi valorizada em US$ 10,4 bilhões. Quatro anos depois, no dia do chamado “descruzamento das ações”, em 15 de março de 2001, realizado para resolver problemas societários que afetavam a governança da empresa, seu valor era menor: US$ 9,2 bilhões. Nesse período, o preço de seu principal produto, o minério de ferro, se manteve rigorosamente estável. Ou seja, o valor da Vale em 1997 se manteve por quatro anos numa ordem de grandeza que correspondia efetivamente às percepções do mercado de então. O Estado brasileiro, portanto, obteve então um preço justo pela empresa.
Hoje, a Vale tem um valor de mercado de US$ 137 bilhões. Diriam que o preço do minério de ferro explica essa evolução. De fato, o preço do seu principal produto teve um expressivo crescimento desde 2001, multiplicando-se por 2,8 vezes. Não explica, porém, a multiplicação do capital da Vale em quase 15 vezes no mesmo período. Além disso, a Vale deixou de ser a sétima mineradora do mundo para se tornar a segunda. Essa valorização se deve à estratégia de crescimento da companhia adotada desde 2001 e à gestão eficiente, coisas que são induzidas por seu caráter privado.
No dia da privatização da Vale, a Petrobrás tinha um valor de mercado de US$ 22 bilhões. Hoje, seu valor é de US$ 146 bilhões. O preço do petróleo, porém, aumentou mais que o do minério de ferro nesse período: 4,3 vezes. Fazendo uma simples correlação com a evolução dos preços de seus principais produtos, e supondo que a Petrobrás nesse período tivesse tido políticas semelhantes às da Vale em gestão e investimentos, seu capital poderia ter sido multiplicado por 20 vezes, e não apenas por 7. Ou seja, a Petrobrás poderia chegar a valer hoje mais de US$ 400 bilhões com uma estratégia de gestão privada! Obviamente, esse é apenas um exercício simplificado para ilustrar o que poderia acontecer com práticas de gestão que enfatizassem o controle de custos, uma política de vendas mais agressiva e investimentos feitos com critérios econômicos, e não políticos.
Como empresas estatais, a contribuição da Vale e da Petrobrás, criadas por Getúlio Vargas, tiveram um papel central no desenvolvimento do País. Seus investimentos mais arrojados possivelmente não teriam sido feitos, não fora seu caráter estatal de então. Entretanto, cumprido seu papel estatal, a hora da privatização da Vale chegou e o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso teve a coragem de fazê-la há dez anos. É possível que a mesma receita não se aplique à Petrobrás e que ela deva permanecer em mãos do Estado, inclusive por razões estratégicas.
Os dados que apresentei demonstram duas coisas: o desempenho superior da Vale privada em relação ao período estatal em todos os indicadores econômicos e sociais e seu melhor desempenho econômico em relação à Petrobrás desde a privatização. Em outras palavras, o governo, o PT e os “movimentos sociais” prestariam melhor serviço ao País se passassem a cobrar melhores políticas e resultados da gestão da Petrobrás, em vez de lançarem a idéia esdrúxula da reestatização da Vale. Afinal, a Petrobrás pertence a todos os brasileiros e a gestão estatal está dilapidando nosso patrimônio ao não alcançar uma valorização compatível com a bonança de seu mercado nos últimos anos.
* Paulo Renato de Souza, deputado federal por São Paulo, foi ministro da Educação no governo FHC, reitor da Unicamp e secretário de Educação no governo Montoro.
E-mail: dep.paulorenatosouza@camara.gov.br








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