Diante da grande demanda pelo assunto “privatização da Cia. Vale do Rio Doce”, publicamos abaixo o artigo de Paulo Renato de Souza, para “O Estado de S.Paulo”, de onde retiramos as informações constantes da coluna WEEKLY NEWS, acima. O artigo responde claramente à indagação a respeito do preço pelo qual a companhia foi vendida.
Vale privada, Petrobrás estatal
por Paulo Renato de Souza*
para o jornal “O Estado de S.Paulo | 23 de setembro de 2007
O Partido dos Trabalhadores e alguns dos chamados “movimentos sociais” lançaram uma campanha pela reestatização da Companhia Vale do Rio Doce disfarçada sob a forma de um plebiscito. O presidente Lula, como de costume, tirou o corpo fora, informando ao País que a iniciativa não era para valer, ou seja, trata-se de mera “brincadeirinha política”.
Entretanto, esta é uma boa oportunidade para responder com seriedade a três questões cruciais em relação ao processo de privatização da Vale:
Como empresa estatal, a Vale teria tido nestes últimos dez anos o espetacular desempenho que teve como privada?
Como empresa estatal, a Vale teria proporcionado ao Estado brasileiro os mesmos benefícios que proporcionou como privada?
Finalmente, à época da privatização, seu preço foi justo?
Para responder a estas questões devemos analisar a evolução da própria empresa antes e depois da privatização e também compará-la com a da Petrobrás, empresa de porte semelhante que permaneceu em mãos do Estado.
No período em que foi estatal, de 1943 a 1997, a Vale produziu em média 35 milhões de toneladas por ano, passando a 165 milhões depois da privatização. As exportações se multiplicaram quase 5 vezes, em valores monetários comparáveis. Os dividendos pagos à União triplicaram e os impostos pagos aumentaram 22 vezes. No dia da privatização, a Vale empregava 15 mil funcionários; hoje são mais de 55 mil empregos diretos.
Nos dez anos que vão desde a privatização da empresa, a receita da Vale cresceu 7,5 vezes e a da Petrobrás, 4,5 vezes; o emprego multiplicou-se por 3,5 vezes na Vale e por 1,5 na Petrobrás, isso tudo apesar de o preço do petróleo ter crescido mais que o do minério de ferro. Entretanto, nenhum desses números se justificaria se o governo tivesse dilapidado o patrimônio público, vendendo a Vale por um preço menor do que seu valor real.
O valor de mercado de uma empresa reflete a percepção dos investidores sobre sua rentabilidade futura, ou seja, o retorno financeiro do investimento. Isso significa que o valor de suas ações sintetiza as percepções em relação às possibilidades futuras de ampliação das receitas, de realização de novos investimentos lucrativos, de produção eficiente e de controle de custos. No dia de sua privatização, em 6 de maio de 1997, a Vale foi valorizada em US$ 10,4 bilhões. Quatro anos depois, no dia do chamado “descruzamento das ações”, em 15 de março de 2001, realizado para resolver problemas societários que afetavam a governança da empresa, seu valor era menor: US$ 9,2 bilhões. Nesse período, o preço de seu principal produto, o minério de ferro, se manteve rigorosamente estável. Ou seja, o valor da Vale em 1997 se manteve por quatro anos numa ordem de grandeza que correspondia efetivamente às percepções do mercado de então. O Estado brasileiro, portanto, obteve então um preço justo pela empresa.
Hoje, a Vale tem um valor de mercado de US$ 137 bilhões. Diriam que o preço do minério de ferro explica essa evolução. De fato, o preço do seu principal produto teve um expressivo crescimento desde 2001, multiplicando-se por 2,8 vezes. Não explica, porém, a multiplicação do capital da Vale em quase 15 vezes no mesmo período. Além disso, a Vale deixou de ser a sétima mineradora do mundo para se tornar a segunda. Essa valorização se deve à estratégia de crescimento da companhia adotada desde 2001 e à gestão eficiente, coisas que são induzidas por seu caráter privado.
No dia da privatização da Vale, a Petrobrás tinha um valor de mercado de US$ 22 bilhões. Hoje, seu valor é de US$ 146 bilhões. O preço do petróleo, porém, aumentou mais que o do minério de ferro nesse período: 4,3 vezes. Fazendo uma simples correlação com a evolução dos preços de seus principais produtos, e supondo que a Petrobrás nesse período tivesse tido políticas semelhantes às da Vale em gestão e investimentos, seu capital poderia ter sido multiplicado por 20 vezes, e não apenas por 7. Ou seja, a Petrobrás poderia chegar a valer hoje mais de US$ 400 bilhões com uma estratégia de gestão privada! Obviamente, esse é apenas um exercício simplificado para ilustrar o que poderia acontecer com práticas de gestão que enfatizassem o controle de custos, uma política de vendas mais agressiva e investimentos feitos com critérios econômicos, e não políticos.
Como empresas estatais, a contribuição da Vale e da Petrobrás, criadas por Getúlio Vargas, tiveram um papel central no desenvolvimento do País. Seus investimentos mais arrojados possivelmente não teriam sido feitos, não fora seu caráter estatal de então. Entretanto, cumprido seu papel estatal, a hora da privatização da Vale chegou e o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso teve a coragem de fazê-la há dez anos. É possível que a mesma receita não se aplique à Petrobrás e que ela deva permanecer em mãos do Estado, inclusive por razões estratégicas.
Os dados que apresentei demonstram duas coisas: o desempenho superior da Vale privada em relação ao período estatal em todos os indicadores econômicos e sociais e seu melhor desempenho econômico em relação à Petrobrás desde a privatização. Em outras palavras, o governo, o PT e os “movimentos sociais” prestariam melhor serviço ao País se passassem a cobrar melhores políticas e resultados da gestão da Petrobrás, em vez de lançarem a idéia esdrúxula da reestatização da Vale. Afinal, a Petrobrás pertence a todos os brasileiros e a gestão estatal está dilapidando nosso patrimônio ao não alcançar uma valorização compatível com a bonança de seu mercado nos últimos anos.
* Paulo Renato de Souza, deputado federal por São Paulo, foi ministro da Educação no governo FHC, reitor da Unicamp e secretário de Educação no governo Montoro.
E-mail: dep.paulorenatosouza@camara.gov.br





#1 by Airton - March 23rd, 2010 at 23:44
Meias verdades.
O que interessa são os seguintes fatos (e não suposições): A Petrobras paga, por ano, 28 bilhões de reais ao governo entre impostos e royaties; a Vale paga menos de 1 bi.
A Petrobras investira NO BRASIL mais de 80 bilhões: a Vale, menos de 3 bi… na China.
A Petrobras gasta com meio ambiente 2,5 bi por ano; a Vale, 250 milhões. Com a história da crise, só de ouvir falar, a Vale botou 3 mil empregados na rua, sem nem analisar se a crise era para valer, enquanto a Petrobrás abriu mais concurso. Sem falar, que na época, a imprensa americana dizia que o valor da Vale já era de 100 bi… de dólares.
Os senhores deveriam era estar na cadeia por roubarem o pais.
Por tanto, sr Paulo Renato, deixa de conversa mole!
#2 by Bruno - May 6th, 2010 at 00:19
Ora, com todo respeito, vá mascará informaçoes no seu lar. Petrobrás cresceu vertiginosamente a partir de 2003. Sai fora, de 1995 a 2002 só fizeram sucatear pra vender. Eu trabalho lá. Palhaço.
#3 by WILLAMY - September 10th, 2010 at 15:18
Esse Paulo Renato de Souza deve ser um desser “jornalista” que se vendem BARATO para os políticos….isso pra não chama-los de MARGINAIS também.
(…)
#4 by WILLAMY - September 10th, 2010 at 15:31
Ah, o Srº Paulo Renato de Souza (…) n mencionou sobre o tal “sucesso” da Vale depois da privatização.
Claro que QUALQUER empresa explodiria absurdamente seu crescimento econômico tendo como “donos” os bancos MULTIMILIONÁRIOS do mundo…Assim fica fácil dizer que a Vale está bem melhor do que antes da privatização
Então (…), se quer passar informação, que as passe com CLAREZA E VERDADE.
Ah, não dá pra usar outro adjetivo, se não esses pra você cara. (…)
#5 by Edson Soares - September 18th, 2010 at 10:51
Esse Paulo Renato é IMBECIL ou IDIOTA ?
Capacho do FHC, pensa que vamos acreditar nesse artigo. Ele sabe, mas, não falou que as jazidas de minerios da VALE foiram subavaliadas pelo BRADESCO e pela MERRYL-LYNCH. Esse maluco sabe… O FHC tem que agradecer muito ao LULA por não investigar essa privatização; se investiga, FHC e seu bando, vão para a cadeia.
#6 by vnibs - October 10th, 2010 at 11:18
Pra onde vai o lucro você se perguntou? Todo este lucro poderia estar ficando no país! (…)
#7 by Neto - October 13th, 2010 at 11:41
Ei Airton, gostaria que vc comparasse a Vale de antes e depois da privatização e não com a Petrobras. Então, compare os investimentos que a Vale fazia no Brasil antes e agora. Porque tudo bem q a Petrobras investe 80bi e a Vale menos de 3bi, mas e antes quantos bi (acho q nem isso) ela investia? Então (…), saiba fazer análise correta, cada um no seu quadrado falow? ô povinho estúpido.
#8 by Marcus Mayer - October 14th, 2010 at 02:25
Willamy: o debate democrático é sempre muito bem-vindo. Peço, todavia, que utilize o melhor de seu vocabulário, permitindo que o seu comentário seja aprovado sempre na íntegra. Sinta-se à vontade para discordar e opinar, mantendo sempre elevada polidez.
Um cordial abraço.
Marcus Mayer
#9 by orlando - March 30th, 2011 at 22:37
Anunciar resultados de uma gestão após outra sempre é complicado dependendo de quem anuncia.
o Fato , o maior cliente da Vale é a CHINA , na decada de 80 e 90 a China não tinha expressão no negócio.
Exportar minério é fácil fazemos isso desde o Brasil colônia , difícil é exportar produto agregado ( chapas de aço por ex) isso os novos donas da Vale não querem afinal traz desenvolvimento ao paiz.
Comparando no mesmo periodo as Ações da Privatizada Vale valorizaram bem mas as da Petrobrás sob o Governo LULA valorizaram 50% a mais .
Lembrando que a Vale foi fundada por estrangeiros e a duras penas inclusive com acordos na segunda guerra que custaram vidas de Brasileiros o minério foi repatriado , porem após a derrubada do muro de Berlim o FMI deu a ordem aos paises devedores de privatizar suas empresas ou ” riquesas” coube a um membro do clube de Roma ” FHC” cumprir a ordem.
Que Deus nos livre da tal ordem mundial.
#10 by Antonio Passos - April 5th, 2011 at 10:43
Politicagem barata esta matéria. A Petrobrás é hoje uma das maiores empresas do MUNDO e isto graças ao governo LULA. Para não me estender, ou citar apenas uma questão: alguém já tentou imaginar QUANTO estaria custando a gasolina se a Petrobrás tivesse sido privatizada ? Tentem fazer uma analogia com o setor de telefonia por exemplo (Rssss)
#11 by Dam Herzog - June 8th, 2011 at 22:32
A Vale tinha pouca rentabilidade, já estava privatizada pelos seus funcionarios, seu lucro anual equivalia a 1%, afinal tudo que é publico não funciona aqui ie em todo o mundo, e por isto é que o Brasil é pobre. Os Bancos oficiais exigem ajudas constantes, a Petrobrás só é boa para os burocratas, o preço do petroleo para o brasileiro nunca mudou com o petroleo a 40 dolares ou a 150 dolares. A resultado da Vale é muito melhor que a petrobrás em todos os sentidos, sem monopolio, em pura competição, recolhe rios de impostos. F.H.C. nosso muito obrigado. O governo do PT só nos deu, corrupção, incapacidade, vergonha a inteligencia não é o seu forte, adoram os ditadores do mundo inteiro. Se uma firma é eficiente não precisa de monopolio, vence qualquer concorrencia. A petrobrás precisa de muletas pois é pouco eficiente e tem administração politizada. Enquanto houver pouca escolaridade o PT, convencerá o nosso pobre povo. Viva a privatizaçao. Viva a liberdade. Na minha opinião a decisão de demitir o presidente da Vale foi um crime de lesa patria. O Brasileiro é um meieiro, paga seis meses em imposto, em um ano e recebe em troca serviços publicos de Biafra. Um dia haverá uma vacina obrigatoria contra a burrice e os petistas terao de tomar.