Na edição 2060, de 19 de maio de 2008, a revista Veja publicou um teste sob o nome ‘politicômetro’, visando situar o leitor no espectro político-ideológico. Em seu editorial informou ter se inspirado numa iniciativa americana, porém, sem citar a fonte. Os leitores mais assíduos de nosso blog, todavia, sabem que a autoria é de David Nolan e que o formato do teste foi ligeiramente modificado.
No intuito de nos anteciparmos em relação à revista, republicamos a nossa tradução do “World’s Smallest Political Quiz”, no dia 5. Mantivemos o formato original, permitindo um resultado claro àqueles que se submetessem ao teste. (clique aqui para conferir)
Na semana atual, Veja também confirma o que afirmávamos há um ano, aqui mesmo, no que concerne ao Brasil e a sua caracteristica dúbia de manter um pé no mundo desenvolvido e outro no atraso. Os detalhes constam do texto “Mosquito vence avião”, que publicamos abaixo.
Desejamos uma ótima semana aos nossos visitantes!
Mosquito vence avião
por Marcus Mayer*
exclusivo para o Blog | Sexta-feira, 23 de maio de 2008
Aproximadamente 12 meses atrás, publicamos neste espaço uma série de receitas que acreditávamos urgentes e apropriadas para inserir o Brasil, definitivamente, no rol dos países desenvolvidos (clique aqui para ver o post) . Este não é nenhum grande mérito próprio – apesar dos positivos comentários recebidos na época –, pois os temas são correntes durante uma corrida de táxi ou à mesa de um bar.
Como matéria de capa, a revista Veja desta semana oferece como solução para os problemas do atraso brasileiro, num ótimo texto, uma receita com os mesmos ingredientes e semelhante modo de preparo ao que tínhamos apresentado. Utiliza-se, todavia, de uma terminologia sensivelmente ultrapassada no jargão das Relações Internacionais: ‘primeiro’ e ‘terceiro’ mundos.
Essas referências foram perfeitamente válidas durante o contexto da Guerra Fria, designando os países capitalistas alinhados aos Estados Unidos (primeiro mundo), os ex-socialistas sob influência da antiga União Soviética (segundo mundo) e os não-alinhados (terceiro mundo). A classificação atual, no sentido de qualificar o seu grau de desenvolvimento, agrupa os países do mundo em ‘ricos’, ‘emergentes’ e ‘pobres’. Brasil, Rússia, Índia e China, os chamados BRICs, estão entre os principais emergentes.
CONTRASTE – Com efeito, o Brasil, cujo grau de desenvolvimento permanece como um dos mais desiguais do planeta, apresenta em alguns setores nítidas características de país rico, concomitantemente aos bolsões de extrema pobreza e aos típicos problemas das nações mais miseráveis. Veja destaca muito bem essa idiossincrasia, ao ilustrar sua matéria com um modelo da EMBRAER, exemplo de elevadíssimo grau de tecnologia, e um Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.
Confirmando o que já dizíamos em nosso artigo de junho de 2007, o País necessita urgentemente de maior abertura econômica (observe a tabela comparativa ao lado). Precisa também diminuir drasticamente o tamanho do estado – o aparelhamento da máquina pública é um dos maiores malefícios ao desenvolvimento, aprofundados pelo atual governo petista. Deve retomar as privatizações, investir maciçamente em ciência e tecnologia, preservar o meio ambiente e extirpar a corrupção.
Infelizmente, o que executa o governo de Lula da Silva é justamente o contrário.
* Marcus Mayer é especialista em Relações Internacionais e editor do blog





#1 by Fábio Mayer - February 24th, 2009 at 22:38
O problema, Marcus, é que para abrir a economia o país precisa ser competitivo, e o Brasil não é.
- Carga tributária, nem preciso comentar;
- Faltam portos, aeroportos, rodovias, ferrovias;
- Faltam técnicos nas áreas de mecânica, eletrônica, química, física, sobram “adevogados”, contadores e administradores, culpa de um sistema educacional voltado para o faturamento, não para o ensino e a pesquisa;
- Falta marco regulatório na maioria das atividades de infra-estrutura e, portanto, no que atrai investimentos;
- Faltam projetos de desenvolvimento, porque nossa classe política não dá continuidade à programas de governos anteriores;
- Falta crédito barato, o brasileiro, é disparado o mais caro do mundo, sem justificativa.
É óbvio que o governo brasileiro é culpado. O atual governo fala muito em inserir o Brasil no mundo, mas faz pouco. Nossa diplomacia é equivocada, prefere beneficiar países paupérrimos, atrasados e sem nada para dar em troca, como a Bolívia e o Zimbabwe, a estreitar relações com países desenvolvidos. E quando há atiidade diploomática, é desastrosa, como aconteceu no caso daquela brasileira na Suiça.
Sem contar a falta de combate à corrupção…
#2 by Marcus Mayer - February 27th, 2009 at 14:51
Caro Fábio: Estou 99% de acordo com o que lembrou aqui. Você conseguiu, com o seu excelente discernimento e ótima informação completar o post. São exatamente essas as dificuldades para o Brasil ingressar no rol dos países desenvolvidos, de renda elevada. Juntemos a necessidade de abrir a economia e realizar essas reformas, tão bem elencadas por você. A mágica está feita! O 1% que faltou para estar totalmente de acordo com o seu comentário é que acredito na inversão da ordem das prioridades. Se esperarmos por todas as reformas para somente então abrir a economia, esperaremos décadas. Contudo, se for feita a abertura, todos se mobilizarão para aprovar as reformas necessárias, para reduzir os impostos, construir a infra-estrutura necessária, estabelecer os marcos regulatórios, reduzir os juros etc. Gostaria de fazer uma “dobradinha” com você, como já o foram em nossa história Otávio Gouvea de Bulhões e Roberto Campos, no Planejamento e na Fazenda. hehehe
Muito obrigado pelo comentário, mesmo em se tratando de um post antigo! Todavia, observa-se que os problemas continuam exatamente os mesmos de alguns meses atrás. Não evoluímos um único centímetro.
Abraços.
#3 by Fábio Mayer - February 28th, 2009 at 10:44
Otávio Gouveia de Bulhões e Roberto Campos foi boa!
Daqui há pouco começam a nos chamar de irmãos Bob Fields…ahahahahah!
Mas fique sempre à vontade para levantar questões lá no meu blog. Na medida do possivel, podemos até fazer post em conjunto.