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Novo ciclo de prosperidade
Posted by Marcus Mayer in Economia, Mundo on February 24th, 2009
Para conduzir nossas vidas de forma satisfatória é importante estarmos bem informados. Diante do atual momento de crise econômica global, ficamos ansiosos por informações corretas e que possam auxiliar em nossa tomada de decisões.
Temos à disposição CNN, Globo, Folha, Estadão, BBC, Al-Jazeera, Reuters, Le Monde, Times, e até TeleSur, entre tantas outras produtoras de notícias, para formarmos nossas opiniões. Todavia, nem sempre as informações são claras e corretas.
O artigo que apresentamos a seguir tem como objetivo permitir um melhor entendimento da crise econômica que atravessa o mundo. Não temos o monopólio da verdade nem do conhecimento. Mas muito diferentemente daquilo que tem sido divulgado pelos grandes meios de comunicação, a origem dos problemas econômicos atuais não é de responsabilidade do setor privado ou da globalização. É culpa exclusiva de governos irresponsáveis e incompetentes!
A solução para a crise também não será determinada pelo socorro trilionário de governos ao sistema financeiro, às montadoras de veículos ou ao setor imobiliário. O mercado terá de adaptar-se ao novo cenário e encontrar a recuperação. Uma recuperação que virá muito em breve, acompanhada de um novo ciclo de grande prosperidade ao redor do mundo!
Da origem à solução da crise
por Marcus Mayer*
exclusivo para o Blog | Terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
É possível ser otimista em meio a um cenário de grave crise econômica global? A resposta é sim! Isso se pudermos entender o momento atual e enxergar claramente as perspectivas.
Discorrer sobre questões econômicas pode parecer complicado, levando em consideração a terminologia técnica. Tentaremos, porém, apresentar explicações simples e exemplos acessíveis, traduzindo do economês para o português, como diria Joelmir Beting.
Para compreender como se dará a saída da crise, é necessário conhecer muito bem a sua origem. A metáfora mais utilizada para explicá-la é a da bolha – ouvimos falar de bolha imobiliária, bolha especulativa, bolha de consumo etc. Na química, um gás flutua dentro de um líquido e cria essa formação. O que ocorreu na economia foi algo bastante parecido, ou seja, criou-se uma bolha de dinheiro. Ela estourou e o dinheiro se perdeu, tal qual o ar que se espalha na atmosfera ao ser liberado do líquido.
Antes da formação da bolha econômica, um número expressivo de poupadores estava se abastecendo de dinheiro, proveniente de aplicações financeiras. Quando os juros baixaram, decidiram rever seus investimentos e transferiram suas aplicações para o mercado imobiliário. Tanto as instituições de crédito quanto o público em geral, observando o movimento favorável no setor, fizeram a curva da oferta e da demanda crescer sensivelmente. Isso quer dizer: mais crédito foi oferecido e mais pessoas se valeram da oportunidade.
Em microeconomia, sabe-se que quando o setor da construção civil está aquecido, todas as outras áreas serão beneficiadas. Quanto mais pessoas são empregadas, maior é a geração de renda e, consequentemente, maior também é o consumo. Esse se alastra para todos os campos da economia e ultrapassa fronteiras, pois avançam também as importações.
Diante de um cenário de muito consumo, a prosperidade se propaga por todo o mundo e vive-se o chamado ciclo de aquecimento da economia global. Essa é a hora na qual os mais pobres de todo o mundo vislumbram a chance de progredir.
O extraordinário crescimento global refletiu imensamente sobre os miseráveis. Um número expressivo de povos subsaarianos, asiáticos e latino-americanos conseguiram se afastar da condição de pobreza extrema e foram incluídos entre a massa de consumidores globais.
AMÉRICA LATINA – Como a prosperidade não tem ideologia nem necessita de fronteiras, até Hugo Chávez, da Venezuela, e seu projeto populista foram beneficiados pelo aumento do consumo de petróleo, que permitiu abarrotar o seu cofre. Lula da Silva, no Brasil, pôde inchar a máquina governamental e oferecer cargos públicos aos amigos e apoiadores no Parlamento. Governantes populistas tiveram a chance de distribuir dinheiro sem exigir contrapartida, garantindo reeleições, apesar de escândalos de corrupção.
Um dos aspectos negativos do crescimento econômico global foi a agressão ao meio ambiente. A fartura de dinheiro e o consequente aumento do consumo implicaram aumento na produção de energia, na maior parte das vezes pouco limpa; emissão de gases poluidores na atmosfera; devastação de florestas. Contudo, aumentou a preocupação com o desenvolvimento sustentável e de novas tecnologias.
Em meio à festa do crescimento global, de repente, os juros começaram a subir e toda a alegria acabou.
O leitor deve estar se perguntando, quem foi o idiota que resolveu aumentar os juros? A resposta é simples: governos e poderes estatais incompetentes.
Quando um estado gasta demais e não consegue equilibrar o seu orçamento, ou seja, a arrecadação de impostos é inferior aos seus gastos, precisa pegar dinheiro emprestado. Qualquer pessoa conhecedora de economia doméstica tem plena noção de que não pode gastar mais do que ganha. Às vezes, para adquirir um novo bem, necessita de um financiamento. Não há nada de errado nisso! Contanto que as prestações caibam no orçamento.
No caso de governos irresponsáveis, essa preocupação não existe. Jamais vêem limites, gastam o dinheiro do orçamento, não pagam as dívidas já contraídas e investem em projetos que, em geral, são muito mais de seu interesse próprio que do país e de seu povo.
O estouro do orçamento causa o chamado déficit público. Para financiar a aventura, governos decidem vender papéis, os chamados títulos do tesouro. Como estados gastadores em geral não são merecedores de crédito, para atrair compradores oferecem juros superiores aos praticados pelo mercado, às instituições financeiras e aos especuladores.
É perfeitamente admissível afirmar que o governo de George W. Bush tenha sido o principal responsável pelo estouro da bolha de prosperidade. Para financiar seus projetos de guerra, ultrapassou todos os limites da capacidade de endividamento do estado. Naturalmente, o interesse maior da chamada ‘doutrina Bush’ foi permitir lucros extraordinários à indústria bélica e produtora de petróleo. Não é preciso explicar que foram elas as principais doadoras de fundos para as campanhas eleitorais.
O problema específico da bolha imobiliária começou ainda durante o governo de Bill Clinton. Apesar de George Bush não ter consertado o que a sua gestão herdou de errado, certamente, também não é ele, sozinho, o único responsável pela crise. Mas podia, perfeitamente, tê-la evitado! Nessa hora, aonde estavam os congressistas e os especialistas da grande imprensa, das universidades e do setor privado, que permitiram a construção da catástrofe? Estavam todos se beneficiando com a ilusão do crédito barato.
Exatamente o mesmo pode ser indagado a brasileiros ou venezuelanos, para ficar somente em dois exemplos latino-americanos e de fácil compreensão. Sabe-se claramente que a população desses dois países é beneficiada pelos programas assistencialistas patrocinados por seus governos. O ciclo de prosperidade gerado pelo comércio internacional permitiu até isso.
As chances de Hugo Chávez, vencedor do recente plebiscito que permitirá reeleições sem fim, diminuirão se o preço do barril de petróleo se mantiver baixo. No Brasil, enquanto forem mantidos os programas assistencialistas de Lula da Silva, esse não precisará se preocupar com eventual queda em seus elevados índices de popularidade. Contudo, o que acabou definitivamente foi a orgia com dinheiro público que a Petrossauro já programava, desde a descoberta das reservas de petróleo na camada do pré-sal. Felizmente!
E aonde está a saída para a crise? Quais são as perspectivas?
Depois do estouro das bolhas, os agentes econômicos estão vivendo novamente a realidade. Deixaram de se iludir com o dinheiro fácil e estão se adequando ao novo cenário imposto pelos tempos de crise. Os índices de crescimento retornarão aos patamares seguros, que avançam desde os tempos do final da 2ª Guerra Mundial.
Observe-se no gráfico abaixo a extraordinária oscilação para cima da linha que indica o crescimento do mercado imobiliário nos EUA, entre 1997 (final do governo Clinton) e 2006 (governo Bush), caracterizando claramente o excesso de atividade e a consequente formação da bolha. Na verdade, não há crise no setor. O que existe é o retorno ao patamar original de crescimento, que foi interrompido em 1997 (linha verde).
Clique para ampliar:
O gráfico acima foi elaborado pelo economista Robert J. Shiller, da Universidade de Yale, e retrata a expansão do mercado imobiliário nos EUA desde 1890. The New York Times, “Irrational Exuberance”, 2006, by Robert J. Shiller.
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RETOMADA DO CRESCIMENTO – Depois desse período, que não durará mais muito tempo, o crescimento voltará a todo vapor. O mundo globalizado vem se preparando para a auto-imunização, desde os tempos da Crise Tequila (México), seguida pela dos Tigres Asiáticos, da Rússia, da Turquia, da Argentina. Quando um dos atores do palco da globalização tem problemas, é certo que contagiará os demais.
Nos Estados Unidos, Barack Obama colherá os frutos da volta do crescimento muito em breve. O início de seu mantado, como previsto, será complicado. Mas será necessária também muita cautela na concessão de créditos públicos. Os trilhões que a Casa Branca recebeu autorização do Congresso para injetar na economia não poderão ser usados para bancar a incompetência de bancos, de especuladores ou de acionistas das montadoras de automóveis.
Uma das melhores alternativas para gerar consumo e fazer girar dinheiro na economia é por meio da redução de impostos. E os orçamentos governamentais terão de se equilibrar por meio da redução dos gastos estatais.
Talvez ex-compradores de automóveis das “três grandes” optem por comprar um Toyota no futuro. Não há problema em trocar de marca. Com o aumento da demanda, uma nova montadora terá de construir novas fábricas e concessionárias onde antes existia uma outra da GM, da Chrysler ou da Ford. Os empregados mudarão de patrão e os consumidores, com dinheiro no bolso, jamais deixarão de comprar.
É importante lembrar que quando um governo é chamado para socorrer uma instituição privada atingida pela crise, está prestigiando a incompetência de seus gerentes com dinheiro do povo, que paga a conta por meio de impostos. Isso poderia ter sido evitado, mas foram os próprios eleitores que escolheram seus governantes.
Levante a mão quem gosta de pagar imposto!
*Marcus Mayer é especialista em Relações Internacionais e editor do blog






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