
Antes que se definissem nas eleições primárias os nomes dos candidatos que concorreriam por cada um dos dois grandes partidos americanos – o Democrata e o Republicano – à sucessão de George W. Bush, apoiamos o lançamento do nome de Al Gore.
O ex-vice-presidente no governo de Bill Clinton, Al Gore, foi aquele que venceu as eleições presidenciais nas urnas, em 2000, contra George Bush, mas perdeu a disputa nos tribunais do estado da Flórida, governado na época por Jeff Bush, irmão do candidato republicano.
Gore não entrou na corrida presidencial em 2008. Todavia, apresentaram-se à sucessão em Washington alguns nomes interessantes e de competência reconhecida.
Do lado republicano, Rudolph Giulianni, ex-prefeito de Nova York, e John McCain, senador pelo estado do Arizona. Apesar de pertencerem ao mesmo partido do presidente, esses dois nomes expressavam oposição a diversas políticas do governo Bush.
Entre os democratas, Hillary Clinton e Barack Obama travaram uma disputa acirradíssima durante a campanha pelas eleições primárias, encerrada somente no final do processo de escolha do candidato partidário.
McCain foi o escolhido pelos republicanos. Contra ele, Obama venceu a eleição presidencial de 2008, pelo Partido Democrata.
No texto a seguir, apresentamos algumas conclusões que já se podem tirar, após decorridos os primeiros meses do mandato do 44º presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca.
marcus-mayer.com
O começo de uma nova história
por Marcus Mayer
exclusivo para o Blog | Quinta-feira, 16 de abril de 2009
Friedrich Hegel, um dos grandes filósofos do século 19, foi o precursor de uma teoria denominada “o fim da história”, que caracterizaria um processo de mudança no qual a humanidade atingiria um equilíbrio, representado pela ascensão do liberalismo e da igualdade jurídica. No final do século XX, Francis Fukuyama resgatou a teoria no contexto de sua obra “O fim da história e o último homem” (1992), na qual retrata, de Platão a Nietzsche, passando por Kant e pelo próprio Hegel, os fundamentos de uma teoria na qual o capitalismo e a democracia liberal constituiriam o ápice final de um processo histórico.
Para Fukuyama, após a destruição do fascismo e do socialismo, a humanidade teria atingido o ponto culminante de sua evolução com o triunfo da democracia liberal ocidental sobre todos os demais sistemas e ideologias concorrentes. Restariam apenas vestígios de nacionalismos e o fundamentalismo islâmico ficaria restrito a países periféricos.
Sob uma outra óptica, Samuel Huntington propôs em sua obra, “O choque de civilizações e a reconstrução da ordem mundial” (1996), em oposição a Fukuyama, uma teoria segundo a qual as identidades culturais e religiosas dos povos se tornariam a principal fonte de conflito no mundo pós-Guerra Fria. Em sua tese, afirmava que os grandes conflitos no futuro teriam como eixo principal critérios culturais. Para Huntington, a história não teria terminado.
A eleição de Barack Hussein Obama para a presidência dos Estados Unidos, talvez, represente o início de um novo processo histórico. Preceitos políticos e econômicos, que influenciam toda a sociedade mundial, poderão encontrar novos fundamentos.
O primeiro sinal que aponta para o começo de uma “nova história” é a forma pela qual Obama enfrenta a crise econômica. Por maiores que sejam as intervenções governamentais e os aportes de dinheiro público no setor privado, distintamente da estratégia para combater a crise dos anos 1930, o protecionismo de mercado é a arma descartada de antemão.
Durante a recente cúpula do G20, em Londres, democratas americanos, trabalhistas ingleses e liberais, alemães e franceses, representados respectivamente pelos chefes de estado, dos Estados Unidos, Barack Obama, do Reino Unido, Gordon Brown, da França, Nicolas Sarkozy, e da Alemanha, Angela Merkel, concordaram em manter estímulos ao livre comércio. A interferência estatal sobre empresas em dificuldades só deverá ser exercida quando o risco de aprofundamento na crise e o consequente desemprego em massa buscar por esta solução.

Internamente, por maior que seja a oposição conservadora ao governo de Obama, republicanos e democratas já não discordam radicalmente, como ocorreu em outros tempos. Principalmente, no que concerne ao grau de liberdade econômica que deve ser oferecido ao mercado. Do lado republicano, reconhecem-se alguns exageros na falta de controles e regulamentações, sobretudo, na área do mercado de capitais. Entre os democratas, não há entusiasmo pela criação de reservas de mercado ou qualquer tipo de estatização de empresas privadas.
O liberalismo econômico é reconhecido como meio eficaz e justo para o alcance do desenvolvimento social dos povos. O livre comércio, como uma das principais consequências da globalização, permitiu a um número extraordinário de cidadãos, principalmente nos países menos desenvolvidos, ultrapassar a linha da pobreza.
Contudo, a distribuição de riquezas não tem ocorrido de forma equânime. Enquanto pobres conseguiram avançar modesta e lentamente, ricos se tornaram muito mais ricos, num prazo exíguo. Essas são distorções que competem aos governos resolver. Abrir mão de impostos e reduzir barreiras comerciais são as melhores soluções. Acabar com subsídios agrícolas e todo tipo de protecionismo de mercado também permitirá grandes avanços, sobretudo, para que nações pobres tenham acesso aos mercados dos países mais desenvolvidos.
No cenário internacional, sobretudo, no que concerne às relações entre os Estados Unidos e os governos com os quais existem profundas diferenças, como nos casos de Cuba e do Irã, o presidente Obama acena com nítidas mudanças. Naturalmente, a vontade de melhorar o relacionamento entre os países depende da boa vontade das duas partes.
Os primeiros sinais para colocar fim ao embargo econômico imposto à ditadura cubana já foram dados. As viagens para a ilha foram totalmente liberadas, tal qual as remessas de dinheiro enviadas por residentes nos Estados Unidos aos seus parentes em Cuba. Até Fidel Castro já se manifestou favorável ao início de conversações. As chances de cubanos reconquistarem a liberdade e seus direitos democráticos tornam a ser reais.
O caso do Irã é mais difícil. Enquanto os Estados Unidos já não são mais governados por representantes do ultraconservadorismo cristão, o Irã ainda caminha pelos trilhos do fundamentalismo islâmico. Espera-se que as próximas eleições presidenciais iranianas apontem para o abrandamento do regime.
A estratégia de combate ao terrorismo também mudou de foco. Enquanto o governo anterior desperdiçou recursos de todos os tipos no Iraque, Obama pretende ir atrás de terroristas da Al-Qaeda onde realmente se encontram, ou seja, na divisa entre o Paquistão e o Afeganistão.
O conflito palestino-israelense será, certamente, o maior desafio para a Secretária de estado, Hillary Clinton. A vitória dos conservadores em Israel, liderados por Benjamin Netanyahu e a coligação com o partido de Avigdor Lieberman, que sustentará o seu gabinete, é péssimo indicador para a busca pela paz na região.
Nesse curto período sob o governo Obama, foi, todavia, no campo das ciências que ocorreu a mais importante mudança interna, com reflexos para toda a humanidade. A lei que impedia o financiamento público para pesquisas com células-tronco embrionárias foi revogada, já nas primeiras semanas do novo governo.
Espera-se que, sob a nova administração democrata em Washington, as crianças americanas resgatem o pleno direito de aprender ciências nas escolas e que o ensino de crenças, sejam elas quais forem, fique restrito às instituições religiosas e às igrejas.
A mesma esperança é depositada em relação à atitude americana frente ao problema do aquecimento global. O liberalismo saberá encontrar regras que permitirão dar continuidade ao desenvolvimento econômico, porém, diminuindo os danos que o progresso imprime ao meio ambiente.
Depois dos oito desastrosos anos de unilateralismo, imposto pela doutrina Bush na Casa Branca, os Estados Unidos voltam a ser vistos como parceiros confiáveis e por meio de um olhar de admiração, e não de rejeição. O país de Barack Obama resgata o respeito que sempre mereceu.
Os valores democráticos e liberais tornam a servir de exemplo para a humanidade, respeitando-se as culturas e as religiões de outros povos. A preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável retornam à pauta, com mais força que antes. Começa uma nova história.






#1 by Fábio Mayer - April 16th, 2009 at 09:45
Os norte-americanos viveram um período de trevas, marcado por um pensamento excessivamente conservador e uma prática econômica excessivamente liberal nos últimos 8 anos.
Pode parecer contra-senso um governo ser conservador e liberal ao mesmo tempo, mas não é, porque não utilizo o conceito americano dado ao termo “liberal”, que lá tem muito mais relação com o arcabouço de direitos civis do que com a economia.
Mas os anos Bush foram terríveis para os EUA porque lhe roubaram justamente o que é mais forte, a criatividade e o senso de inovação que marcaram aquele país nos ultimos 100 anos.
Obama é uma espécie de resposta, uma guinada de um extremo para o outro do espectro ideológico americano, e suas ações iniciais buscam impactar o país para que, passada a tormenta, encontre-se novamente um meio termo capaz de alicerçar a sociedade e a economia por mais 70 anos, tal qual o que aconteceu com o “New Deal” que representou uma guinada praticamente no mesmo sentido, naqueles longínquos anos 30.
É a tal coisa, as vezes é preciso uma crise para que uma sociedade se reorganize. E é preciso uma liderança inovadora, como foi a de Roosevelt, para encontrar a luz no fim do túnel. Quem sabe, Obama seja essa liderança, embora ainda seja cedo para afirmar.
A pior coisa que poderia acontecer aos EUA no médio prazo, seria um governo republicano com o mesmo viés ideológico de George W.Bush. E penso que isso não deve ocorrer, porque os republicanos devem ter percebido que o radicalismo dos anos Bush custou caro ao país.
De qualquer modo, Obama assumiu o ônus de enfrentar a crise. Ele não culpa seu antecessor, não radicaliza contra as práticas capitalistas e não procura inimigos externos para compensar problemas internos.
Tem sido um líder adequado aos tempos vividos pelos EUA, embora não um líder mundial, até porque o tempo disto acabou.
#2 by Marcus Mayer - April 16th, 2009 at 21:03
Caro Fábio:
Agradeço extraordinariamente, pelo elevado nível do seu comentário. É certo que todas as vezes nas quais registra suas opiniões diante de nossos textos, você apresenta pontos de vista que confirmam o seu excelente grau de informação e de intelectualidade.
As observações, sobretudo no que concerne aos anos Bush, complementam perfeitamente o post e tocam num tema que gostaria de debater um pouco mais.
Você demonstra conhecer perfeitamente as distinções da terminologia “liberal”, tanto na acepção latina e européia quanto na norte-americana. Nos Estados Unidos, liberal pode ser confundido até com socialista. O termo que mais se aproxima do “liberal europeu” ou do “nosso liberal”, latino-americano, é libertário. Contudo, não corresponde perfeitamente, pois mistura conservadorismo com anarquia. Isso é estranho e parece mesmo contraditório, também na minha opinião.
Analisemos, todavia, as práticas econômicas sob a nossa óptica liberal, nos Estados Unidos. Comecemos pelo “New Deal” de Roosevelt (ou de Lord Keynes). Sugiro a leitura do breve artigo de Delfim Netto, publicado no Valor Econômico:
http://arquivoetc.blogspot.com/2009/01/o-new-deal-e-keynes-antonio-delfim.html
Realmente, conforme descrito no texto de Delfim, foi somente na década dos 1980, durante os dois mandatos de Ronald Reagan (Partido Republicano), que houve uma guinada mais radical, em direção do liberalismo, caracterizado pela abertura comercial e pelas privatizações.
Depois da Queda do Muro, em 1989, e já no auge do novo ciclo de globalização, os democratas voltaram a governar os EUA entre 1993 e 2001, durante os anos de Bill Clinton. O que caracterizou o seu governo, em consonância com o “novo trabalhismo” de Tony Blair, no Reino Unido, e a social-democracia de Gerhard Schröder, na Alemanha, foi a adoção da chamada Terceira Via, idealizada por Anthony Giddens.
http://en.wikipedia.org/wiki/Third_Way_(centrism)
Aonde desejo chegar com essa argumentação? Na grande contradição do governo de George Bush. Apesar da independência do FED e da manutenção das regras herdadas de Reagan a Bill Clinton, Bush caminhou na contramão do liberalismo econômico: 1.) não avançou na integração comercial – a ALCA foi massacrada; 2.) foram mantidos subsídios (sobretudo no agribusiness); e 3.) não houve nenhuma preocupação com a expansão do déficit público. Bush conseguiu evitar uma recessão graças ao extraordinário crescimento da indústria bélica. Todavia, a conta do gasto público que acompanhou a expansão está sendo paga agora. Não entendo o porquê de tantos analistas econômicos se esquecerem deste tão importante detalhe ao tentar explicar as razões da atual crise.
No que concerne à farra do mercado de capitais e às bolhas (já falamos sobre isso em nossos blogs), o próprio Allan Greespan já fez o seu “mea culpa”. Neste particular, estou de acordo com o que você chama de “prática econômica excessivamente liberal”. Eu substituiria liberal por irresponsável. O liberalismo de Hayek ou de Mises não pressupõe irresponsabilidade administrativa, como a que ocorreu durante o governo Bush, sobretudo, no que tange às contas públicas.
Fábio, espero que o artigo sobre o “New Deal” (no link) tenha contribuído, tal qual ocorreu comigo, para esclarecer alguns de seus aspectos mais importantes. E também na comparação entre aquela e esta crise.
Um forte abraço.
#3 by Fábio Mayer - April 17th, 2009 at 13:27
Eu penso que Clinton pouco teve influência sobre o modelo econômico da época, porque com um tropeção ou outro, ele funcionava e enriquecia a sociedade americana, que não tencionava mudar coisa alguma. Aliás, se Clinton fizesse um discurso reformista, não se elegeria, apesar de que o seu primeiro pleito deu-se numa época de ajuste econômico, uma pequena recessão.
Aliás, sempre achei que Al Gore perdeu a eleição por conta dos escândalos em que Clinton se envolveu, que migraram votos importantes para os republicanos, se dependesse da situação econômica em si, teria sido presidente.
Essa é a diferença de Clinton para Obama. Este assume o poder numa época em que precisa alterar o pensamento econômico e intervir na economia. Os Democratas voltaram a ter diferenças sensíveis com os Republicanos, coisa que não acontecia nos anos Clintom, onde os dois partidos quase não tinham divergências em termos econômicos.
Eu também classificaria o excesso de liberalismo como irresponsabilidade. Não acho que o Estado deva ser alijado do controle econômico, ele deve ser, sim, FISCALIZADOR e não era isso que vinha acontecendo e talvez daí venha o mea culpa de Greenspan.
#4 by Ron Groo - April 21st, 2009 at 09:55
Sim, claro que Obama está tentando obviamente melhorar as relações americanas com países com o qual andaram se estranhando nos ultimos anos.
E que claro, depende da boa vontade dos dois lados.
Curiosamente ele faz isto em uma época em que os EUA andam relativamente em baixa.
Também, que país, por melhor que fosse não ficaria arrasado após oito anos de um governo como o de Bush?
Quando no auge de sua economia não houve esta aproximação.
Vejo com muito otimismo o governo Obama, mas não posso deixar de pensar num certo maquiavelismo em seus propositos.
Será que se a crise- que teve seu berço lá mesmo – não tivesse derrubado tanto o moral e a autoestima estadunidense estas aproximações ocorreriam?
Quanto ao Irã a situação lá não é dificil, é impossivel. Mahmoud Armadnejad é um idiota completo. E idiotas completos não reconhecem esforço alheio de especie alguma.
Castro and brother sabem que não terão mais muito tempo a frente do governo. Quer pela vontade, que pela idade avançada do Castro mais velho, que no fundo é o sustentáculo da “revolução”. Quando ele se for, o governo ruirá.
E sabem que se não forem eles a costurar um acordo com os EUA, seus sucessores o farão. É uma questão de sobrevivencia.
Quanto a Hegel, nunca concordei com ele. A história não acaba nunca e estamos vendo ser escrita diante de nossos olhos mais páginas importantes. E serão belíssimas.
#5 by Lúcio Lopes - April 22nd, 2009 at 00:21
Caríssimo Marcus:
Parabéns pelo artigo. Ele me deixa feliz duplamente: Primeiro por se tratar de uma análise correta, madura, ponderada, no ponto certo. E segundo porque tenho a convicção de que você deu uma pequena guinada política-ideológica. Já o achava brilhante, mas faltava um pouco disto em você. Aliás, já havia notado da vez anterior que aqui estive.
Sua análise acerca do Obama é magistral e difere de todas que li ou ouvi, até então: “É cedo pra falar” ou “É inexperiente”…
Lula, por exemplo, em um de seus arroubos, disse que havia orientado Barack Obama dando a receita para acabar com a crise americana, porque achava o presidente americano inexperiente.
Sarkozy “porra-louca” também disse o mesmo de Obama.
O médico quando se forma é inexperiente, o engenheiro idem, o professor também. Todos, porém, adquirem embasamento para exercer suas atividades e, se competentes, com desenvoltura, aprendendo rapidamente suas funções na prática.
Obama, óbvio, é inexperiente, mas tem embasamento! Tem formação e é inteligente para o bem. Formou-se primeiro em Relações Exteriores na Univers. de Colúmbia, depois, Direito em Harvard. Sempre se destacou. Quando – estudante – discursava em Harvard, todos paravam para ouvi-lo. Além disto tudo, Obama é íntegro, probo.
Concordo também que será dificílimo uma abertura na ditadura iraniana. Acho mesmo quase impossível. E olha que Hilary será apenas a portadora, o nome de peso, especialmente neste caso, é o de Obama. Mas aquela ditadura ultra-direitista comandada por religiosos só acabaria com uma revolução de verdade. E nós não estaremos aqui para presenciar isto. O Ahmadinejad é apenas o amarra-cachorro – como diria meu saudoso pai. A primeira e última palavra são sempre dos aiatolás.
Sobre Israel, em suas ações externas, acredito que não importa se a Direita ou a Esquerda vença a eleição, a última palavra será sempre dos EUA. Acho que Israel não faz nada sem a ordem dos americanos, pois é o 51º Estado americano. Não sei se você concorda.
Marcus, dei uma navegada no site. As mudanças ficaram excelentes. Parabéns.
#6 by Marcus Mayer - April 25th, 2009 at 23:29
Fico muito contente com o seu retorno ao debate, Fábio.
Em resposta, gostaria de chamar atenção para o fato de Clinton ter sucedido a George Bush, logo depois da primeira guerra do Golfo – e numa época na qual o mundo comemorava a Queda do Muro. As esquerdas, tanto na política quanto na economia, estavam totalmente rendidas. E o que surgiu foi a Terceira Via.
De forma muito simplificada, seria possível afirmar que a Terceira Via favoreceria uma espécie de liberalismo econômico com preocupação social. Clinton, ao lado de Blair, Schröder e Cardoso, foi expoente dessa ideologia, hoje adotada pela maioria dos membros do Democrata.
A “segunda via”, que caracterizaria o total controle da economia pelo estado, fracassou e foi praticamente extinta.
Observe-se que nem a turma dos idiotas latino-americanos (Chávez e companhia) optaram por implantar o antigo modelo socialista, com pleno controle estatal sobre a economia.
Fábio, uma vez mais estamos bastante de acordo: os excessos são prejudiciais – mesmo em se tratando de liberalismo. Atribuir ao estado a função coercitiva e fiscalizadora é correto. Isso não desrespeita nenhuma liberdade.
Abraços.
#7 by Marcus Mayer - April 25th, 2009 at 23:29
Caro Ron: que bom registrar a sua visita e o seu comentário!
Permita-me tranquilizá-lo. A sua desconfiança é justificável, mas você poderá encontrar entre todos os povos do mundo, em todas as épocas, políticos maus e bons.
Por mais que os Estados Unidos se encontrem em crise, permanecem como maior potência mundial. Ao darem a vitória a Obama, os eleitores optaram por suas propostas em termos de política internacional. Muitas questões que são colocadas em prática hoje, foram tema dos debates eleitorais.
O unilateralismo imposto pela doutrina Bush, gradativamente voltará a dar lugar a relações multilaterais, como as observadas nos primeiros tempos pós-Queda do Muro. É o que espero.
Para nós, brasileiros, é muito importante que as relações com os EUA sejam boas. Bush conseguiu destruir a chance de integração comercial em todo o continente americano (ALCA). E todos os idiotas latino-americanos, de Chávez aos radicais do PT e do Itamaraty, ficaram felizes com isso.
Se a proposta da ALCA tivesse sido acertada entre Obama e Lula da Silva, é possível que até fosse exitosa. Por maiores que sejam as minhas reservas diante do presidente brasileiro, considero positiva a boa relação entre os dois governantes.
As suas observações sobre o Irã e Cuba coincidem plenamente com as minhas opiniões. Na Coréia do Norte tem mais um desses débeis mentais, o Kim Jong Il. E Chávez adora todos eles…
Mas, Ron, acho que até o Chávez já está se rendendo. O preço do barril do petróleo não é suficiente para que mantenha a posição. Então, a melhor desculpa será usar a estratégia de Lula da Silva – afirmar que o problema da Venezuela nunca foram os Estados Unidos, mas Bush.
Observe-se que nos últimos dias, depois de ter publicado o texto, tantas coisas têm ocorrido nessa direção de aprimoramento das relações multilaterais.
Abraços.
#8 by Marcus Mayer - April 25th, 2009 at 23:30
Grande Lúcio Lopes!
Muito obrigado, pelo comentário. E, sinceramente, também fiquei duplamente satisfeito. Não precisaria justificar a primeira razão, pois as suas visitas sempre muito me honram. Mas a segunda, destaque-se, é encontrar apoio para esta aposta plena no êxito de Barack Obama.
Lúcio, é possível que tenhamos de rever certas considerações, futuramente. Contudo, acredito no início dessa nova história nas relações internacionais. Felizmente, Obama tem oferecido conteúdo suficiente para acreditarmos nisso.
Os argumentos que você apresentou são suficientes para destruir a tosca tese da inexperiência.
No que concerne a sua observação sobre eventual guinada político-ideológica, talvez o termo “guinada” seja um pouco exagerado. Estou, permanentemente, acreditando no aperfeiçoamento das teses liberais, procurando jamais radicalizar.
Contudo, em relação a Nicolas Sarkozy, acho que continuarei decepcionando, pois meu ponto de vista é diferente. Deposito quase tanto crédito em Sarkozy quanto em Obama. E até agora não me desiludi, apesar de esperar mais de sua gestão. Para não ficarmos totalmente de lados opostos neste caso, toda vez que pensar em Sarkozy, lembre-se de Carla Bruni, ok?!
O caso de Israel é extremamente complicado. A sua observação “não sei se você concorda” serve de estímulo para um texto mais específico e criterioso, todavia, adianto algumas observações.
Na política internacional, conforme o seu peso no cenário global, os países precisam atuar e tomar partido. Independentemente das questões históricas, Israel interessa como aliado do Ocidente. Não resta alternativa, aos EUA e à UE, que apoiar interesses de Israel.
Internamente, contudo, não acredito que a direita israelense venha a fazer concessões em benefício da paz. Por lá, é quase sempre preferível torcer por qualquer coisa à esquerda do Likud.
Lúcio, na minha opinião, o radicalismo religioso é pior veneno da humanidade. E isso não se refere somente a judeus e muçulmanos.
Abraços.
#9 by Larissa Sarrea Mendes - July 30th, 2009 at 12:36
Olá, muito legal o seu blog,
Deixo o convite para que visite nosso blog sobre relações internacionais:
http://caos-ri.blogspot.com/
um abraço
#10 by Marcus Mayer - July 30th, 2009 at 20:53
Cara Larissa:
Obrigado pelo elogio e pela visita. Terei prazer por conhecer o seu blog de Relações Internacionais.
Abraços.