Que prisma é esse?


Prisma liberalEnquanto na física o prisma é definido como um poliedro de seção triangular, que tem a propriedade de decompor a luz branca em espectro de cores, o nosso prisma é dotado de sentido figurado e representa um ponto de vista, um modo de considerar algo.

O mundo visto por um prisma liberal, nem sempre, é entendido como gostaríamos. E isso é bastante compreensível, sobretudo considerando a conotação errada e negativa que a palavra liberal tem recebido.

Associa-se o liberalismo – de forma incorreta – à defesa dos interesses dos mais ricos, das camadas mais privilegiadas da população, dos empresários. Os liberais costumam ser confundidos com conservadores egoístas, com privatistas sem escrúpulos, com inimigos dos pobres. Observa-se essa óptica na América Latina e na Europa.

Nos Estados Unidos, de contrapartida, os liberais são comumente taxados de socialistas, adversários da iniciativa privada. Seus princípios estariam à serviço de incentivadores do aborto, do livre uso de drogas, do casamento entre gays, dos defensores do modelo de economia planificada, estatal.

Achamos que o momento seja pertinente para esclarecer o significado do “nosso” prisma liberal. A eleição do democrata (ou liberal?) Barack Obama, nos Estados Unidos, e o governo popular (ou antiliberal?) de Lula da Silva, no Brasil, costumam confundir o observador comum. Exceto estudiosos de ciências políticas ou sociais, naturalmente, ninguém é obrigado a conhecer as ideologias em detalhes.rcus-mayer.com


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mm150x187Um convite à liberdade
por Marcus Mayer
exclusivo para o Blog | Domingo, 2 de agosto de 2009

 Segundo o historiador inglês Eric Hobsbawn, autor de A era dos extremos, o século 20 teria começado com a Grande Guerra, em 1914, e terminado com o colapso da União Soviética em 1991, o último dos grandes impérios a desaparecer.  Para outros, o século foi mais curto: teria começado com a Revolução Comunista em 1917, para terminar com a Queda do Muro de Berlim em 1989. Nesse interregno, a democracia liberal enfrentou adversários de peso, representados pelas figuras de três carniceiros: Stalin, Hitler e Mao Tsé-Tung.

Na América Latina, durante o século passado, convivemos com caudilhos e ditadores. De Vargas e Perón a Pinochet e Fidel, para ficar somente em alguns exemplos mais emblemáticos. No Brasil, tivemos ainda duas décadas de repressão comandadas pelos militares, a partir de 1964.

Com a extinção do mundo bipolar da Guerra Fria, o antigo conflito entre capitalismo e comunismo chegou ao fim. Naturalmente, não nos esquecemos do mundo asiático com suas várias modalidades de autoritarismo confuciano; e não queremos descartar o mais grave problema do mundo islâmico, o qual não consegue separar a religião da política.

Queda do Muro de Berlim, 1989Felizmente, a era de extremos – entre direitas e esquerdas – está definitivamente encerrada. Já se respiram ares de mais liberdade em torno do globo, apesar dos reconhecidos problemas ainda enfrentados pela humanidade, nesse começo de terceiro milênio da Era Comum.

Mesmo assim, restam ainda alguns saudosistas. São aqueles que insistem na tentativa de reviver teorias políticas ultrapassadas e investem no radicalismo, no belicismo, no choque entre as civilizações – como diria Samuel Huntigton.

Os atentados do 11 de Setembro, nos Estados Unidos, serviram de justificativa para a ascensão da chamada doutrina Bush. Os radicais islâmicos conseguiram aterrorizar o mundo e jogaram combustível no conservadorismo cristão norte-americano e dividiram opiniões na velha Europa. O idealismo multilateral das Nações Unidas, que se esperava vitorioso no final do século 20, foi substituído pelo unilateralismo e pela arrogância do governo republicano de George W. Bush.

Enquanto isso, na América Latina, depois de experiências neoliberais ensaiadas nos anos 1990 – que não conseguiram exterminar a miséria no continente –, o populismo e o autoritarismo retornaram ao poder em diversos cantos, agora sob novo título de socialismo do século 21.

Depois desse brevíssimo giro histórico, gostaríamos de apresentar um pouco da nossa noção de liberdade e liberalismo para o mundo.

Primeiramente, desejamos deixar claro que o liberalismo não deve jamais ser confundido com socialismo. E também não deve ser entendido como ideologia a serviço de grupos privilegiados. O liberalismo desse século 21 se opõe, sim, ao populismo e à tirania.

Diagrama NolanPara simplificar a compreensão da localização de nosso pensamento no atual espectro ideológico, utilizamos uma vez mais uma adaptação do diagrama de Nolan, na ilustração ao lado. Observe-se que o esquema se divide em cinco campos: no alto o liberal, abaixo o nacional-estatista, à esquerda o social-democrata, à direita o campo conservador, e entre essas quatro tendências, o centro.

O nosso prisma liberal é pacifista e defensor da conservação do meio ambiente. É multilateralista e plenamente laico. É respeitador da total liberdade de expressão e incentivador da integração econômica dos povos. Por outro lado, não tolera ditaduras, xenofobia, populismo, preconceito, estatismo e fanatismo religioso.

No intuito de permitir uma melhor compreensão destas noções teóricas, propomos a análise de alguns temas frequentes e de grande relevo em nosso cotidiano. A abordagem prática possibilitará um entendimento claro dos valores que nos são caros ao defender uma ideologia. Assim, convidamos o leitor a refletir conosco sobre questões interessantes, que interagem em nossas vidas.

Comecemos com assuntos bastante polêmicos:

ABORTO – Acreditamos que a decisão não deva ser do estado, mas exclusivamente da mulher. Não estamos de acordo com a proibição, nem desejamos incentivar mulheres que se opõem ao aborto a praticá-lo. No nosso ponto de vista, deveríamos seguir o exemplo dos países mais desenvolvidos e descriminalizar a prática.

Mais a respeito de nossa opinião sobre este tópico, pode ser encontrado no artigo A democracia e o estado laico, publicado no último ”Dia Internacional da Mulher”.

DROGAS – Distintamente da maioria dos libertários, não acreditamos que o livre uso de drogas esteja incluso no rol dos nobres direitos individuais. No entanto, não consideramos o dependente criminoso. Achamos que o vício deva ser tratado como doença. Na teoria, poderíamos até concordar com o argumento de que cada um é livre para fazer o que desejar com o seu próprio corpo, até mesmo destruí-lo. Receamos, todavia, que as populações mais carentes, principalmente aquelas que se viciam rapidamente no crack pelas ruas das grandes cidades, possam se tornar vítimas do excesso de liberalização. O mesmo se aplica aos jovens endinheirados que, em algumas baladas e raves, se envenenam com drogas sintéticas.

beijoCASAMENTO GAY – Essa é uma questão de âmbito estritamente pessoal e o estado em nada deve se intrometer na orientação sexual do cidadão. Trata-se aqui, da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Achamos que homossexuais devem gozar dos mesmos direitos de qualquer outra pessoa. Naturalmente, o liberal não espera incentivar homens a trajar vestidos de noiva nem mulheres a usar terno e gravata. Isso nada tem a ver com o assunto. Também no que concerne à adoção, achamos que todos têm os mesmos direitos e obrigações. Vale ressaltar uma vez mais que nenhum tipo de preconceito combina com o liberalismo.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO – A defesa desse valor é dos mais caros ao liberal. Tanto os cidadãos quanto a imprensa devem ter total liberdade para expressarem opiniões. A censura é antidemocrática e serve somente ao autoritarismo. Todavia, estabeleçamos aqui um único limite: a liberdade de expressão não deve jamais ser utilizada para fazer apologia ao crime, ao racismo ou ao preconceito, até mesmo no “território livre” da Internet.

DEMOCRACIA – É impossível ao liberal identificar-se com qualquer tipo de ditadura ou tirania, seja de direita, de esquerda ou religiosa. Tal qual a liberdade de expressão, a democracia está entre os valores indissociáveis ao liberalismo. Condenamos o uso de instrumentos democráticos, como o plebiscito e o referendum, para justificar a centralização de poderes que, indubitavelmente, remetem a uma ditadura.

MITOLOGIA – O liberal garante a liberdade religiosa, mas a separa plenamente do estado. As religiões podem ser ensinadas nas igrejas, mas não como doutrinação em escolas. Além disso, preferimos que símbolos religiosos fiquem distantes das salas de aulas, respeitando-se a diversidade cultural. O mesmo se refere à frequente imposição de religião aos povos silvícolas.

ARMAS DE FOGO – Nesta questão, nós nos diferenciamos da maioria dos liberais, ou seja, somos uma minoria, que considera o uso de armas de fogo exclusividade do estado. Sob nosso prisma, a segurança dos cidadãos deve ser responsabilidade plena do estado. Não encontramos justificativa para o uso particular, exceto no caso de especialistas, treinados para tal no exercício de suas profissões, e também na prática de esportes. Se quem nos lê não concorda com essa opinião, ao menos aqui, é mais liberal que nós.

SAÚDE E EDUCAÇÃO – Ideal seria se todos tivessem a possibilidade de escolher o hospital e a escola mais adequados as suas necessidades e pudessem remunerar os serviços recebidos. Entendemos, contudo, que essa ainda não é a realidade da maioria das pessoas. Assim, reservamos mais uma atribuição ao estado: garantir saúde e educação para as populações que ainda dependam do auxílio estatal.

GARANTIAS TRABALHISTAS – Na nossa óptica essas garantias deveriam ser estabelecidas exclusivamente em contrato, firmado entre empregado e empresa. A regulamentação pode servir, contudo, àquela faixa de trabalhadores desprotegidos e incapazes de estabelecer garantias que não os tornem reféns dos empregadores. Aqueles que o desejassem, porém, deveriam ter a liberdade de negociar salários, férias, licenças, horas-extras, turnos, bônus, assistência médica etc., como melhor lhes coubesse, sem a interferência estatal.

RENDA MÍNIMA – Para expor de forma simples o nosso ponto de vista, tomamos o exemplo do programa Bolsa Família, do governo brasileiro. Seria desumano criticar um esforço estatal que oferece, em média, 90 reais mensais a famílias miseráveis. Consideramos, entretanto, imprescindível associar ao programa estatal meios para retirar as populações definitivamente da pobreza. Ninguém deveria se tornar refém de “esmolas” de políticos populistas.

Um ótimo exemplo de iniciativa governamental que deu certo foram os esforços da Coréia do Sul: no intervalo de três décadas, o país transformou radicalmente a sua economia. Por meio de maciços investimentos em educação, ciência e tecnologia, retirou a população da pobreza, transformando a pequena península asiática na 15ª economia mundial, com renda per capita acima de 25 mil dólares.

Seul 1961 - atual

FILANTROPIA – Alguns liberais ortodoxos consideram a filantropia um convite à preguiça. Não comungamos desse pensamento e vislumbramos a generosidade como alternativa à excessiva presença do estado em algumas áreas. Leve-se em conta o exemplo das melhores universidades americanas, que recebem generosas doações de seus ex-alunos. Esse tipo de caridade permite ao estado economizar recursos públicos e destiná-los, por exemplo para a educação de base.

IMPOSTOS – Mesmo os liberais mais acirrados à doutrina sabem que o estado não sobrevive sem arrecadar impostos. Todavia, quanto menor a quantidade de impostos que se pagam ao governo, mais dinâmica se torna a economia. Sobra mais dinheiro em circulação para os cidadãos e para as empresas e seus empregados. Mas para isso, o estado precisa ser enxuto. No nosso ponto de vista, a folha de pagamentos estatal deve servir somente para remunerar atividades nas quais a iniciativa privada não esteja presente.

FUNCIONALISMO PÚBLICO – Pode ser eficiente e bem remunerado, se em número adequado (extraordinariamente reduzido) e atuando somente nos serviços essenciais. Funcionários públicos devem ter os mesmos direitos e obrigações que empregados do setor privado. Não podem ser cidadãos privilegiados nem de segunda classe.

leninBUROCRACIA – A burocracia é inimiga do liberalismo e do desenvolvimento. Quanto menor a burocracia mais livre é a sociedade e mais eficientemente funciona a economia.

LIVRE CONCORRÊNCIA – O protecionismo e a reserva de mercado – não importando se executados por países ricos ou menos desenvolvidos -, é sempre prejudicial para a economia. Liberais não protegem nem privilegiam determinados setores produtivos. Consideram a concorrência extremamente saudável para a elevação da qualidade e para a redução dos preços.

PRIVATIZAÇÕES – Naturalmente, para contrastar os argumentos pró e contra as privatizações, preferiríamos elaborar um texto mais detalhado. Afinal, trata-se de uma questão que sofre campanhas difamatórias por parte de estatistas mais radicais. Contudo, para resumir nossa óptica liberal, defendemos a privatização em todas as áreas nas quais a iniciativa privada pode ser mais eficiente que o estado. Isso, naturalmente, não se limita aos setores de telefonia ou de mineração, que já comprovaram enorme sucesso ao redor do mundo, e sobretudo no Brasil, mas pode ser adequada aos portos, aeroportos, presídios, estradas, ferrovias, bancos, estádios esportivos etc.

AGÊNCIAS REGULADORAS – O nome pode assustar os liberais, mas reconhecemos a importância de determinados controles. Além da defesa dos consumidores, é necessário garantir a livre concorrência e evitar a criação de monopólios e cartéis. Porém, essas instituições precisam ser totalmente independentes da influência governamental para que cumpram corretamente o papel que lhes é reservado.

RELAÇÕES INTERNACIONAIS – Desejamos a plena integração econômica e comercial, como meio de alcançar a paz e a prosperidade entre os povos. Acreditamos nas instituições multilaterais como as Nações Unidas e a Organização Mundial do Comércio. Não identificamos no embargo imposto a países governados por tiranos (p.ex.: Cuba, Coréia do Norte, Irã) meio eficaz de combate à ditadura. Países que mantém relações comerciais tendem a ser mais contidos, até nos mais tumultuados conflitos diplomáticos, exatamente porque mantém relações comerciais (p.ex.: Venezuela e Estados Unidos). O comércio é um meio eficaz para evitar a guerra.

personality mosaicCertamente, existem muitos outros pontos que poderiam ser considerados, mas acreditamos ter exposto temas de interesse geral que esclarecem bem razoavelmente o nosso prisma liberal.

Nossas prioridades na atuação política são sempre dirigidas aos povos mais necessitados – seja do Brasil, seja do mundo. Não importa se é o estado ou a iniciativa privada que atuarão. Cada um tem a sua atribuição. E um não anula a presença ou a responsabilidade do outro. Combatemos, contudo, os excessos. O radicalismo não é saudável, nem se for sob a óptica dos princípios liberais.

Infelizmente, o liberalismo é uma filosofia, algumas vezes, mal entendida e desvirtuada por seus opositores. Esperamos que, no futuro, quando alguém classificar o liberal como reacionário, elitista, preconceituoso ou, unicamente, defensor dos interesses das classes ricas, você, leitor, tenha argumentos para rebater.

Lembremo-nos também que existem pessoas boas, bem intencionadas, integrando todas as ideologias democráticas. O nosso prisma é constituído de princípios puramente liberais, mas também de pontos que julgamos positivos em outras linhas de pensamento: a social-democracia, a terceira via, o conservadorismo, o ambientalismo etc. O mesmo não se aplica aos aliados e sectários de ditaduras ou tiranias corruptas e racistas.

Àqueles que ainda se debatem radicalmente na defesa de ideologias, seja à direita ou à esquerda, avisamos, simplesmente, que o século 21 já chegou.

Na ilustração: Martin Luther King, Mohandas Gandhi, Roberto Campos, Sérgio Vieira de Mello, Mario Vargas Llosa, Alvaro Vargas Llosa, Al Gore, Konrad Adenauer, Ronald Reagan, Margareth Thatcher, Adam Smith, Alexis de Tocqueville, Jean-Jacques Rousseau, Friedrich Hayek e Ludwig von Mises.

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  1. #1 by Fábio Mayer - August 4th, 2009 at 11:46

    Existe muita confusão sobre o conceito de liberalismo, confusão esta que mesmo pessoas como nós cometemos, ainda que por auto-definição, nos declaremos liberais.

    Essa confusão existe porque o termo “liberal” nos EUA, é aplicado para identificar tendências políticas mais à esquerda, enquanto no resto do mundo identifica políticas mais à direita.

    Você citou Eric Hobsbawn, um comunista convicto que acabou por reconhecer até mesmo sua posição extrema, ao citar um “breve século XX” marcado pelo embate de duas visões completamente diferentes de mundo, que no fim se revelaram individualmente ineficazes.

    A questão é justamente esta, estamos vivendo uma época em que os extremos, socialismo e capitalismo, se revelaram ineficazes e em que constatamos que um pode complementar o outro dentro de um contexto de preservação do livre arbítrio, das liberdades individuais e do conceito de interesse público como predominante em relação ao privado.

    Penso que tentativas radicais de volta ao passado, como essa onda bolivariana na América Latina, são apenas espasmos do corpo morto de uma ideologia que, sozinha, foi incapaz de gerar riqueza para sustentar o mundo, do mesmo jeito que o outro lado, governos excessivamente conservadores como o de George W.Bush, também, na medida em que seu sistema criou muitas riquezas mas de regra falhou em distribuí-las.

    Isso é parte do movimento pendular da história, mas penso que prevalecerá a idéia mediana, ou seja, aproveitar o melhor de ambos os sistemas em prol do interesse de todos.

  2. #2 by Ron Groo - August 4th, 2009 at 13:06

    Estou com o professor Eric J Hobsbawn, a era dos extremos vai de 1914 até o esfacelamento da URRS, afinal ela se deu após a queda do muro.
    Diariamos poéticamente que a queda deixou que os ventos da liberdade soprassem pra dentro da cortina de ferro.

    O amigo Marcus costuma dizer que eu sou muito mais liberal do que penso.
    Pode ser.
    Afinal acredito em tudo que prega o liberalismo mesmo antes de tomar conhecimento da doutrina.

    Creio que quando menos haja interferencia do estado na vida do individuo melhor.
    Desde que as regras (leis) sejam claras e lógico… Seguidas.
    Da forma como foi posto no tópico “Aborto”. Perfeito assim como foi posto no “Casamento Gay”.
    Penso que opção sexual é exatamente como opção por time de futebol.
    Ninguém nasce corinthiano ou santista e sendo assim ninguém nasce homosexual, lesbica ou o que quer que seja. Mas… Se no decorrer do caminho conhecido por vida o sujeito resolve que assim será porque iremos julgar ou condenar?
    A constituição não nos garante este tipo de liberdade? Não diz que perante a lei somos todos iguais porque somos antes de tudo humanos?

    Liberdade de expressão eu penso ser relativo.
    Também é direito, mas não há governo de esquerda, direita ou centro que a permita em sua totalidade.
    Sempre há de cercear o seu uso nem que seja por meios legais. Com o uso da lei.
    O limite que citou só vai ser conseguido com uma coisa. Educação. Aliás o resto todo…

    No mais só tenho a concordar, mas fiquei pensando… Não caberia ali uma foto do Al Gore?

  3. #3 by Marcus Mayer - August 4th, 2009 at 20:31

    Fábio Mayer :

    Existe muita confusão sobre o conceito de liberalismo, confusão esta que mesmo pessoas como nós cometemos, ainda que por auto-definição, nos declaremos liberais.

    Essa confusão existe porque o termo “liberal” nos EUA, é aplicado para identificar tendências políticas mais à esquerda, enquanto no resto do mundo identifica políticas mais à direita.

    Você citou Eric Hobsbawn, um comunista convicto que acabou por reconhecer até mesmo sua posição extrema, ao citar um “breve século XX” marcado pelo embate de duas visões completamente diferentes de mundo, que no fim se revelaram individualmente ineficazes.

    A questão é justamente esta, estamos vivendo uma época em que os extremos, socialismo e capitalismo, se revelaram ineficazes e em que constatamos que um pode complementar o outro dentro de um contexto de preservação do livre arbítrio, das liberdades individuais e do conceito de interesse público como predominante em relação ao privado.

    Penso que tentativas radicais de volta ao passado, como essa onda bolivariana na América Latina, são apenas espasmos do corpo morto de uma ideologia que, sozinha, foi incapaz de gerar riqueza para sustentar o mundo, do mesmo jeito que o outro lado, governos excessivamente conservadores como o de George W.Bush, também, na medida em que seu sistema criou muitas riquezas mas de regra falhou em distribuí-las.

    Isso é parte do movimento pendular da história, mas penso que prevalecerá a idéia mediana, ou seja, aproveitar o melhor de ambos os sistemas em prol do interesse de todos.

    Olá, Fábio!

    Obrigado por sua visita e pela costumeira atenção que oferece aos nossos textos. Sinto-me muito honrado por tê-lo como interlocutor. Meu meio de retribuir a sua gentileza é oferecendo comentários aos seus textos, seja aqui, como tréplica, ou em seu excelente blog, na forma de observações.

    Eric Hobsbawn, esse baixinho comunista, defensor daqueles antiquados e poluidores Trabant, da antiga Alemanha Oriental é uma figura, diria, divertida. Citá-lo, logo na introdução do artigo, foi mesmo uma forma de demonstrar desprendimento ideológico e ausência de preconceitos.

    Mas Fábio, você não acha que o capitalismo foi vencedor do embate travado durante o século passado? Até a China se tornou capitalista, para retirar milhões da miséria e da fome. Antigamente, eu costumava comparar as duas Alemanhas, a Ocidental capitalista e a Oriental socialista; hoje, o melhor exemplo é o das Coréias.

    Falando em Coréia, você viu a “bela” foto de Clinton com o ditador Kim Jong-Il?

    Ao citar o socialismo e o capitalismo, julgando os dois sistemas como “ineficazes”, acho que você colocou os resultados dos dois sistemas no mesmo patamar. Concordaria, se afirmasse que o capitalismo não conseguiu resolver o problema da desigualdade, no mundo. O abismo entre ricos e pobres ainda é imenso, vergonhoso. Seria essa a questão? – Então concordo plenamente com a observação.

    A mesma concordância eu expresso nesse contexto de “complementar” as ideologias à direita e à esquerda com aspectos positivos que se encontrariam nos dois lados. Excluo, entretanto, os extremos. O fascismo e o socialismo são autoritários, tirânicos. Na minha opinião, não há nada que se aproveite desses tipos de ideologia.

    Desculpe, a minha falta de cortesia ao citar essas duas ideologias do passado, quando você logo em seguida, menciona a tal “onda bolivariana”, que o seu líder chama de socialismo do século 21. O mesmo se refere ao radicalismo conservador-religioso de Bush.

    Interessante considerei a advertência sobre o “conceito de interesse público predominante em relação ao privado”. Rousseau, em seu famoso “Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens”, aponta o surgimento da propriedade privada como responsável pelas diferenças sociais. Mas reconhece na liberdade e na democracia os meios mais adequados para que se alcance a justiça. Naturalmente, essa abordagem do fundamento filosófico rousseauísta é extremamente superficial. Todavia, contenta a argumentação.

    No que concerne ao último parágrafo de seu comentário, acredito ter atendido à proposta que você defende, ao retirar das diversas ideologias democráticas suas qualidades. Acho que sou um liberal libertino…

    Forte abraço.

  4. #4 by Marcus Mayer - August 4th, 2009 at 21:29

    Ron Groo :

    Estou com o professor Eric J Hobsbawn, a era dos extremos vai de 1914 até o esfacelamento da URRS, afinal ela se deu após a queda do muro.
    Diariamos poéticamente que a queda deixou que os ventos da liberdade soprassem pra dentro da cortina de ferro.

    O amigo Marcus costuma dizer que eu sou muito mais liberal do que penso.
    Pode ser.
    Afinal acredito em tudo que prega o liberalismo mesmo antes de tomar conhecimento da doutrina.

    Creio que quando menos haja interferencia do estado na vida do individuo melhor.
    Desde que as regras (leis) sejam claras e lógico… Seguidas.
    Da forma como foi posto no tópico “Aborto”. Perfeito assim como foi posto no “Casamento Gay”.
    Penso que opção sexual é exatamente como opção por time de futebol.
    Ninguém nasce corinthiano ou santista e sendo assim ninguém nasce homosexual, lesbica ou o que quer que seja. Mas… Se no decorrer do caminho conhecido por vida o sujeito resolve que assim será porque iremos julgar ou condenar?
    A constituição não nos garante este tipo de liberdade? Não diz que perante a lei somos todos iguais porque somos antes de tudo humanos?

    Liberdade de expressão eu penso ser relativo.
    Também é direito, mas não há governo de esquerda, direita ou centro que a permita em sua totalidade.
    Sempre há de cercear o seu uso nem que seja por meios legais. Com o uso da lei.
    O limite que citou só vai ser conseguido com uma coisa. Educação. Aliás o resto todo…

    No mais só tenho a concordar, mas fiquei pensando… Não caberia ali uma foto do Al Gore?

    Olá, Ron!

    A sua lembrança foi ótima. Como poderia deixar de fora uma figura que tanto interferiu na nossa forma de pensar a política e o planeta?! O mosaico de personalidades já está mais completo. Muito obrigado, mesmo!

    Depois desse depoimento, Ron, aquilo que era uma breve impressão tornou-se convicção: você é um liberal, dos bons! E estou certo de que há muito mais gente no nosso meio que pensa da mesma forma, que defende os mesmos ideais, mas deixa se conduzir pelo preconceito.

    E há outros que se dizem liberais, principalmente empresários, mas querem sempre levar vantagem por meio de protecionismo da indústria, da falta de concorrência, dos privilégios que têm com os governos.

    A sua observação sobre a Constituição é corretíssima. Uma vez mais, foi muito bem lembrado! Por que, então, a legislação ordinária é tão conservadora? Você está certo! Todos “deveriam” ser iguais perante a lei. Infelizmente, ainda estamos muito atrasados nesse conceito.

    Mas Ron, não entendi direito o que quis dizer com “liberdade de expressão relativa”. Tentarei entender: você acha que as pessoas só poderão fazer uso pleno dessa liberdade a partir do momento no qual o povo for mais educado? Ok, mas não podemos cercear as pessoas.

    Na Venezuela, nosso “muy amigo” Chávez não descansa enquanto não conseguir calar, agora, também a Globo Visión.

    Por isso, precisamos estar sempre atentos para não perder a voz nunca. Imagine se o 1B fosse presidente e resolvesse se incomodar com o blog do Ron Groo e resolvesse fechá-lo. Eu lideraria um movimento contra isso.

    Caso retorne, e se quiser debater um pouco mais, qual é a sua opinião sobre o direito às armas de fogo? Como votou naquele plebiscito? Pergunto, pois os liberais puros ainda não me convenceram totalmente sobre essa questão.

    Ron, envio um forte abraço, extensivo aos colegas da Radio On Board.

  5. #5 by Ron Groo - August 5th, 2009 at 09:27

    O que eu quis dizer meu caro Marcus é que há uma relação de conveniência que rege a liberdade de expressão.
    Veja o próprio exemplo do Chavez, nosso idiota latino americano preferido.
    Antes de assumir o poder no país campeão mundial em produção de miss universo ele era copletamente a favor da liberdade de expressão e imprensa.
    Agora que está em vias de finalmente consolidar sua ditadura ele manda fazer atentados contra setores a imprensa que lhe são contra.
    Entendeu?
    Quanto ao 1B, bem… A principio ele só poderia:
    A) – Ficar em segundo lugar no pleito.
    B) – Ser vice presidente.
    E me perdoe a falta de modéstia, mas eu escrevo melhor que ele… Na mesma proporção em que ele dirige melhor que eu.

    Eu votei pela não a proibição do comércio de armas de fogo.
    Isto só alimentaria o mercado negro.
    E convenhamos, bandidos não usam porte de arma e nem arma registrada.

    Abraço.

  6. #6 by Marcus Mayer - August 5th, 2009 at 17:13

    Ron Groo :

    O que eu quis dizer meu caro Marcus é que há uma relação de conveniência que rege a liberdade de expressão.
    Veja o próprio exemplo do Chavez, nosso idiota latino americano preferido.
    Antes de assumir o poder no país campeão mundial em produção de miss universo ele era copletamente a favor da liberdade de expressão e imprensa.
    Agora que está em vias de finalmente consolidar sua ditadura ele manda fazer atentados contra setores a imprensa que lhe são contra.
    Entendeu?
    Quanto ao 1B, bem… A principio ele só poderia:
    A) – Ficar em segundo lugar no pleito.
    B) – Ser vice presidente.
    E me perdoe a falta de modéstia, mas eu escrevo melhor que ele… Na mesma proporção em que ele dirige melhor que eu.

    Eu votei pela não a proibição do comércio de armas de fogo.
    Isto só alimentaria o mercado negro.
    E convenhamos, bandidos não usam porte de arma e nem arma registrada.

    Abraço.

    Ah, sim caríssimo Ron! Eu entendi de forma errada o que você quis dizer com o fato de a liberdade de expressão “ser relativa”. Nos primeiros parágrafos de seu comentário anterior, você estava expressando opiniões sobre os tópicos. Quando se referiu à liberdade de expressão, apresentou uma análise do que tem acontecido na prática, independentemente de sua opinião. Foi nesse particular que entendi errado, pensando que continuasse a apontar um ponto de vista, a favor ou contra.

    Naturalmente, só me cabe, como democrata e defensor da liberdade de expressão, respeitar todas as opiniões. Sobretudo, a sua!

    Falando em Miss Venezuela, como sei que você é um sujeito de extremo bom gosto, sugiro que insira o nome Dayana Mendoza, no Google. Falando nisso, fiquei motivado por conhecer melhor Gabriella Hámori, que você nos apresentou durante o GP da Hungria. Que linda!

    Sobre o 1B (quem nos lê e não sabe do que se trata, sugiro visitar o Blog de Ron Groo!), precisei dar risadas em alto som. Como já li muitas vezes em seu blog, vou repetir: você tem cada idéia, Ron Groo! Você é, sem dúvidas, uma das pessoas mais criativas com quem já convivi. E isso é um superelogio! (não estranhe a grafia – é a nova ortografia)

    E ainda no que se refere à proibição das armas de fogo, respeito muitíssimo essa óptica diferente da minha. Os argumentos que vocês, liberais, utilizam são excelentes! Heheheh. Acho que sou muito idealista nessa questão.

    Muito obrigado pelo retorno!

  7. #7 by Fábio Mayer - August 5th, 2009 at 19:30

    Penso que o capitalismo venceu sim, mas em termos, razão pela qual eu prefiro a tese de que experimentamos uma era em que um “mix” das duas ideologias, será o caminho natural da humanidade.

  8. #8 by Marcus Mayer - August 5th, 2009 at 21:15

    Fábio Mayer :Penso que o capitalismo venceu sim, mas em termos, razão pela qual eu prefiro a tese de que experimentamos uma era em que um “mix” das duas ideologias, será o caminho natural da humanidade.

    Perfeitamente, Fábio! Acho que falamos exatamente a mesma linguagem, apesar de usarmos algumas palavras distintas.

    Praticamente todo o texto visou atingir essa meta, de demonstrar que o liberalismo não é uma ideologia a serviço do mais cruel dos capitalismos.

    Você sabe disso, pois é uma pessoa extremamente bem informada. Infelizmente, representa uma minoria bem esclarecida, no meio de um universo que teve menos chances intelectuais. Além disso, você está sempre acima da média, publicando textos muito lúcidos em seu blog.

    Fábio, sou aluno do curso de Filosofia da USP, com matérias de especialização na área de Relações Internacionais e Ciências Políticas. Você não vai acreditar, se lhe contasse em detalhes, a quantidade de acadêmicos – professores e especialistas – com visão de século 19. Se nesse meio já falta muito esclarecimento, imagine o que acontece entre os estudantes e cidadãos menos escolados.

    O liberalismo sofreu uma grande campanha de difamação, depois daquela fase neoliberal experimentada na década dos 1990, na América Latina. Fujimori, Menem, Collor se tornaram símbolo de reformas que não resolveram o problema da pobreza. Nesse rol poderíamos até incluir FHC, que deu continuidade ao programa de privatizações.

    Na Europa, uma década antes, Margareth Thatcher assustou muita gente acomodada no welfare state, ao qual estavam acostumados.

    Eu também acredito nesse “mix” que você sugere. Acho que tenha ficado claro nos tópicos que citamos no post. Mas esse “mix” é constituído, exclusivamente, de doutrinas democráticas (social-democracia, conservadorismo, ambientalismo etc.). Não gostaria de incluir nada que viesse das filosofias autoritárias como o nazismo, o socialismo ou o extremismo religioso.

    Muito obrigado pelo retorno.

  9. #9 by Ron Groo - August 6th, 2009 at 09:56

    Marcus, tem mecanismo de busca sim, e dois…

    o alto da pagina tem um “Pesquisar blog”

    E embaixo, na mesma linha do botão de comentários tem um “marcadores” e sempre a um link para algo… No caso do texto em que você comentou está “ficção, show de calouros”
    Clicando em “Show…” aparecem só as postagens referentes a esta série.

    Obrigado pelos elogios e por ter voltado e procurado o texto.
    Só não entendi a parte do “é muito pior…” hehehehe

  10. #10 by Fábio Mayer - August 6th, 2009 at 15:28

    Bem Marcus,

    Considerando que a visão de mundo do século XIX impregna o atual governo brasileiro, inclusive entre suas mentes mais brilhantes (que são poucas), não me admira a situação na USP…

  11. #11 by Marcus Mayer - August 6th, 2009 at 16:25

    Ron Groo :

    Marcus, tem mecanismo de busca sim, e dois…

    o alto da pagina tem um “Pesquisar blog”

    E embaixo, na mesma linha do botão de comentários tem um “marcadores” e sempre a um link para algo… No caso do texto em que você comentou está “ficção, show de calouros”
    Clicando em “Show…” aparecem só as postagens referentes a esta série.

    Obrigado pelos elogios e por ter voltado e procurado o texto.
    Só não entendi a parte do “é muito pior…” hehehehe

    Meu amigo RGG (de Ron “Genius” Groo)!!!

    Peço compreensão, pois seu colega blogger deve estar ficando senil. Em meu monitor, aquele campo de busca aparece muito à esquerda da coluna central do blog e, sinceramente, não lembrava como funcionava, apesar de já ter sido usuário do Blogspot. Mas desconhecer os “Marcadores” (que funcionaram melhor – faça o teste) deve ser mesmo um sinal do Alzheimer.

    E você tem razão em perguntar o que eu queria dizer com “é muito pior”. Esse é um pior que quer dizer melhor, quando entendido no contexto em que se encontra. Não sei como se chama na gramática, mas é algo parecido com “licença poética”. O Millor e o Mainardi se utilizam muito dessa figura de linguagem.

    Mas vamos à explicação prática: o Show de Calouros de Silvio Santos era um escracho. Minha esposa jamais entendeu como era possível que alguém que gostasse de ler Nietzsche ou Machado pudesse se divertir com tal esculhambação. Mas eu era esse. Você conseguiu ser ainda mais ultrajante com o Show de Calouros da F1! Assim, não há como dizer você foi “melhor”. O elogio verdadeiro é dizer “você foi muuuuuito pior”! Você realizou a proeza de esculhambar o escracho!

    Parabéns, novamente, Ron Groo! Agora, com licença, por favor. Vou ler “War, Senado e Caetano”.

  12. #12 by Marcus Mayer - August 6th, 2009 at 16:38

    Fábio Mayer :

    Bem Marcus,

    Considerando que a visão de mundo do século XIX impregna o atual governo brasileiro, inclusive entre suas mentes mais brilhantes (que são poucas), não me admira a situação na USP…

    Fábio, tive aulas com a Marilena Chauí. Entre muitos integrantes do corpo docente da USP, talvez seja a figura mais emblemática que poderia citar nessa resposta. Como professora de Filosofia, é espetacular! Lamento que esteja se aposentando.

    Todavia, sua visão de mundo, de política, é estranha. Parece contraditório que uma mulher com tanto conhecimento conseguisse justificar o “mensalão”. Foi nessa época que a conheci. O argumento mais comum era o maquiavélico “os fins justificam os meios”. Uma barbaridade, no meu ponto de vista. Você deve ter tido a chances de acompanhar pela imprensa os seus artigos, na época. Eu tive a honra de debater com ela em sala de aula. Naturalmente, tinha o monopólio da palavra e jamais cedia na argumentação. Mesmo assim, foi uma oportunidade ímpar.

    Forte abraço e, uma vez mais, muito obrigado pela gentileza de retornar.

  13. #13 by Gonçalves - August 8th, 2009 at 12:18

    Olá, Marcus – Acompanhando as matérias e os comentários dá para entender que o mais difícil para um cidadão, não importa de que nacionalidade, credo ou etnia, é entender o real significado de SER UM LIBERAL. E o blog, no atual formato, é uma sala de aula, com assuntos inteligentemente selecionados, de modo favorecer a permuta com o distinto público, no sentido de se obter dele e de cada um de nós um entendimento, menos ambíguo das diferentes correntes de pensadores, seja de liberais autênticos ou dos inclinados a aceitá-los.

  14. #14 by Marcus Mayer - August 8th, 2009 at 18:25

    Gonçalves :

    Olá, Marcus – Acompanhando as matérias e os comentários dá para entender que o mais difícil para um cidadão, não importa de que nacionalidade, credo ou etnia, é entender o real significado de SER UM LIBERAL. E o blog, no atual formato, é uma sala de aula, com assuntos inteligentemente selecionados, de modo favorecer a permuta com o distinto público, no sentido de se obter dele e de cada um de nós um entendimento, menos ambíguo das diferentes correntes de pensadores, seja de liberais autênticos ou dos inclinados a aceitá-los.

    Olá, Gonçalves!

    A sua percepção é excelente. É exatamente esse o sentido do artigo: permitir observar as nuances que existem no liberalismo e, sobretudo, que não somos elitistas.

    Felizmente, a democracia permite a pluralidade. E o liberalismo tem essa característica. É uma filosofia política que tem na liberdade o principal elemento. Por isso, em determinados temas, podemos ser mais libertários e, em outros, um pouco menos.

    Além disso, precisamos acompanhar a história e identificar quando devemos nos adequar a um novo momento, adotando novas idéias.

    Agradeço por sua visita e por seu comentário.

    Abraços.

  15. #15 by Larissa Sarrea Mendes - August 9th, 2009 at 18:31

    Prezado Marcos,

    Sempre acompanho seu blog, Infelizmente a falta de tempo não permite que tenha a participação tão ativa, quanto gostaria de ter.
    Seu post sobre liberalismo foi uma verdadeitra aula, muito esclarecedora!
    Pois acredito que muitos leigos em RI leiam nossos blogs e possam ficar confusos a respeito de nossas terminologias.

    Parabéns pelo post! E pelo blog.

    Um grande abraço

    Larissa Sarrea Mendes
    Blog Caos RI
    http://caos-ri.blogspot.com/

  16. #16 by Marcus Mayer - August 10th, 2009 at 00:05

    Larissa Sarrea Mendes :

    Prezado Marcos,

    Sempre acompanho seu blog, Infelizmente a falta de tempo não permite que tenha a participação tão ativa, quanto gostaria de ter.
    Seu post sobre liberalismo foi uma verdadeitra aula, muito esclarecedora!
    Pois acredito que muitos leigos em RI leiam nossos blogs e possam ficar confusos a respeito de nossas terminologias.

    Parabéns pelo post! E pelo blog.

    Um grande abraço

    Larissa Sarrea Mendes
    Blog Caos RI
    http://caos-ri.blogspot.com/

    Oi, Larissa!

    Fiquei muito feliz pela visita e pelo comentário. Esse é o melhor feedback que nós bloggers sempre aguardamos, a cada nova publicação. E o máximo é quando um leitor ou visitante eventual nos informa que o texto serviu, tal qual o projetamos.

    Naturalmente, como você pôde perceber, esse é o “nosso prisma liberal” – lato senso. Na academia, as formas de interpretação são mais restritas.

    Muito obrigado por todas as suas gentis palavras. Mas pode deixar o “prezado” de lado. Você é muito bem-vinda e não precisa fazer uso de formalidades por aqui.

    Abraços e ótima semana!

  17. #17 by Neto - August 14th, 2009 at 11:08

    Olá Marcos!
    Penso que seria até um atentado contra os direitos humanos a ingerência e interferencia do Estado num tema tão polêmico como o aborto, você não acha?

    Aliás, sua visão bastante critica aqui do liberalismo, ou neo-liberalismo como falam alguns, tem fundamentos realmente sólidos. E em alguns temas, concordo plenamente.

    Porém, acredito que uma mescla de ideologias seria bem mais útil a sociedade, pois noto que hoje impera realmente, mesmo que de uma certa forma oculta, o capitalismo exarcebado.

  18. #18 by Marcus Mayer - August 17th, 2009 at 17:39

    Neto :

    Olá Marcos!
    Penso que seria até um atentado contra os direitos humanos a ingerência e interferencia do Estado num tema tão polêmico como o aborto, você não acha?

    Aliás, sua visão bastante critica aqui do liberalismo, ou neo-liberalismo como falam alguns, tem fundamentos realmente sólidos. E em alguns temas, concordo plenamente.

    Porém, acredito que uma mescla de ideologias seria bem mais útil a sociedade, pois noto que hoje impera realmente, mesmo que de uma certa forma oculta, o capitalismo exarcebado.

    Certamente, caro Neto! Reforçaria mudando o tempo verbal que você utilizou, do condicional para o presente: acho que essa ingerência “é” um atentado contra os direitos humanos, sobretudo os direitos da mulher.

    Naturalmente, como liberal, me permito sempre a autocrítica. Mas fique sempre à vontade para discordar também!

    A observação sobre a tal “mescla de ideologias” também foi citada pelo colega Fábio, que o antecedeu aqui nos comentários. Acredito que essa proximidade ideológica seja positiva para o liberalismo, adicionando qualidades de outras correntes democráticas, da social-democracia, do ambientalismo. Porém, dos radicalismos socialistas e fascistas acredito não precisarmos de absolutamente nada em nosso “mix ideológico”.

    Obrigado pela visita. Abraços.

  19. #19 by Torres - September 26th, 2009 at 01:46

    Concordo com o texto. Agora, a foto de Reagan e Thatcher… sei não… até pq, Reagan ajudou a financiar tantas ditaduras… não parece contraditório?? se fosse Jimmy Carter, blz!! mas Reagan??!!!…

  20. #20 by Marcus Mayer - September 29th, 2009 at 18:15

    Torres :

    Concordo com o texto. Agora, a foto de Reagan e Thatcher… sei não… até pq, Reagan ajudou a financiar tantas ditaduras… não parece contraditório?? se fosse Jimmy Carter, blz!! mas Reagan??!!!…

    Caro Torres, a sua observação é muito pertinente. Para perfeito esclarecimento, exigiria, no entanto, uma vasta explanação histórica. Em poucas palavras, tentarei apresentar algumas justificativas: (1.) o mosaico de fotos destaca personalidades que – em nossa muito particular visão -, contribuíram para fazer avançar algumas teses liberais; e (2.) não são jamais “todas” as ações políticas dessas personalidades que servem ao nosso escopo.

    No concernente a Ronald Reagan, você tem toda a razão por considerar contraditório incluí-lo no rol, sobretudo, porque nos apresentamos como “pacifistas” e defensores dos ideais democráticos. Reagan, contudo, teve grande responsabilidade nas negociações para o fim da Guerra Fria (acordo de não-proliferação nuclear, colapso do império soviético), tendo como interlocutor Mikhail Gorbachev. No plano econômico, destacou-se como defensor intransigente do livre mercado (“Reaganomics”), por meio, principalmente, da redução de impostos e da desregulamentação. O resultado foi a criação de 20 milhões de empregos e redução substantiva da inflação.

    Também Margareth Thatcher teve papel muito relevante nas negociações com Gorbachev, tendo sido uma das grandes protagonistas do fim da Guerra Fria. Todavia, nosso apreço pela Dama de Ferro britânica justifica-se ainda mais pelas reformas liberalizantes que adotou no Reino Unido, como privatizações, redução de impostos e combate ao sindicalismo corporativista.

    Muito obrigado por sua visita e pelas observações, Torres!

    Abraços.

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