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Rio 2016: uma chance espetacular e um grande desafio
Posted by Marcus Mayer in Cidades, Esporte, Mundo, Sociedade on October 3rd, 2009

A escolha da Cidade Maravilhosa como sede das Olimpíadas em 2016 é demonstração de grande crédito – não somente do Comitê Olímpico Internacional (COI), mas também da comunidade global – depositado no Rio de Janeiro e no Brasil. Estou extremamente satisfeito com a fantástica chance que se apresenta para o País e seu povo.
Antes de discorrer sobre as razões que tanto nos alegraram nos últimos dias, vale destacar que em cada uma das quatro cidades que se qualificaram como candidatas finalistas do COI – Chicago, Madrid, Rio e Tóquio -, observaram-se, todavia, em maior ou menor número, duas ‘torcidas’ respeitáveis: uma a favor e outra contra a escolha, para sediar os Jogos. Em Chicago, moradores criaram até um site, Chicagoans for Rio 2016 (já fora do ar), para manifestar desagrado com a candidatura americana.
Aqui não chegamos tão longe, mas na véspera da cerimônia do COI em Copenhagen, lia-se no blog do conceituado comentarista esportivo Juca Kfouri que o seu voto, caso fosse eleitor do comitê, seria em favor de Madrid. Mais do que desejar a vitória de Madrid, Juca estava torcendo primeiramente contra o Rio de Janeiro, conforme registrado em diversos de seus textos. Em enquete disponibilizada na mesma página, o resultado apontava para uma maioria de leitores simpáticos à escolha de Chicago (35%) e, se somados todos os votos contrários ao Rio, 74% preferiam as rivais.
Outro bom exemplo é o do colega blogger Fábio Mayer: há longa data, Fábio tem escrito artigos, sempre muito bem fundamentados, com severas críticas à realização de megaeventos esportivos no Brasil. Apresentou-se contrário à escolha da cidade carioca como sede olímpica e tem lamentado profundamente as consequências dos Jogos Pan-americanos de 2007. Também tem criticado a realização em 2014 da Copa do Mundo de Futebol, principalmente em função do dinheiro público que será destinado às reformas dos estádios.
Essa também é a opinião de Hilário Franco Júnior, pesquisador da USP sobre a historia social do esporte, que concedeu uma ótima entrevista ao caderno Aliás, do jornal O Estado de S.Paulo (ed. 4/OUT/09). Em sua avaliação, “o Brasil tem uma série de problemas mais importantes a resolver antes de tratar de uma questão esportiva”.
Àqueles que leem o nosso artigo, sugiro um exercício dialético: quando dispuserem de um tempinho extra, não deixem de visitar os links até aqui sugeridos, que contêm pontos de vista diferentes do nosso. Aqui, neste blog, serão sempre contagiados por um extraordinário entusiasmo a favor da realização de grandes eventos. Consideramos, entretanto, muito importante conhecer os obstáculos e desafios que se apresentam.
Entendemos que o Rio de Janeiro está diante de uma oportunidade histórica única. E esse é um momento muito raro, no qual estamos plenamente de acordo com o opinião expressada pelo presidente Lula da Silva: sim, nós podemos! Podemos realizar os Jogos Olímpicos, assim como a Copa do Mundo. O argumento de que há áreas mais importantes para o investimento de dinheiro público, como saúde ou educação, não nos convence. Muito pelo contrário, acreditamos que os problemas de saúde, educação, transporte, criminalidade, infraestrutura, meio ambiente etc. serão resolvidos mais facilmente com o megainvestimento exigido pelos eventos esportivos. Somos da opinão de que devemos combater a corrupção e a má administração dos eventos – jamais a chance de sediar as competições.
O orçamento inicial previsto para os Jogos, de R$ 28,8 bilhões, certamente será ultrapassado. Isso não quer dizer que as obras de infraestrutura devam ser superfaturadas. Além disso, centenas de milhares de empregos (a mais) serão criados nos próximos anos, só em função desses grandes acontecimentos esportivos.
Por ocasião da Copa do Mundo, as cidades-sede, além de receberem estádios modernos – com assentos, estacionamentos e banheiros adequados -, serão recompensadas com obras de infraestrutura urbana e nacional (ampliação de aeroportos, transporte coletivo, saneamento etc.). Até o projeto do TAV (Trem de Alta Velocidade) parece que sairá mesmo do papel – apesar de o prazo inicial de entrega da obra (2015) ultrapassar a data da Copa. De acordo com os planos do governador de São Paulo, José Serra, e do prefeito paulistano, Gilberto Kassab, o município deverá ter 100% do esgoto tratado até 2014. Somente “esse detalhe” já seria uma vitória extraordinária da metrópole, em termos de saúde pública.
No caso dos Jogos Olímpicos, esses apresentarão reflexo mais acentuado sobre a cidade do Rio de Janeiro e seu entorno. Mesmo assim, contribuirão imensamente com o crescimento econômico brasileiro como um todo. Os investimentos, tanto públicos quanto privados, gerarão centenas de milhares de empregos. O país atrairá turistas e divisas. O comércio e os serviços (sobretudo o setor hoteleiro e de cruzeiros marítimos) serão estimulados. O Rio de Janeiro e o Brasil serão palco das atenções por parte de bilhões de espectadores do mundo todo, durante quase um mês. Será um marketing extraordinário para a Cidade Maravilhosa e os para os brasileiros.
A despoluição da Baía de Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas (prometida desde o Pan) será uma enorme vitória do meio ambiente. A ampliação da rede de metrô e a construção de corredores exclusivos para ônibus contribuirão com o ordenamento do transporte coletivo e com a diminuição dos engarrafamentos. A revitalização da região portuária da cidade permitirá aos cariocas e aos turistas que aportam no Rio, finalmente, vislumbrar uma bela paisagem urbana (as obras programadas inspiram-se no exemplo de Barcelona). Tudo isso será aproveitado, muito além do período de realização dos Jogos.

Também são esperados avanços na desregulamentação administrativa, buscando viabilizar grandes investimentos estrangeiros diretos, como a construção de novos complexos hoteleiros. Grandes grupos estrangeiros poderão investir no Brasil, a partir da reformulação dos trâmites burocráticos para a concessão de licensas ambientais. Isso refletirá também em outras regiões brasileiras, que têm o turismo como maior fomentador econômico.
O desenvolvimento esperado para os próximos anos permitirá avançar na política de combate à criminalidade – um dos mais sérios problemas brasileiros (e não somente dos cariocas e fluminenses). Certamente, não podemos esquecer que as Olimpíadas serão um grande incentivo ao desenvolvimento do esporte nacional. O Brasil acaba de conquistar a chance de se tornar também uma grande potência esportiva.
Sem embargo, depois de tantos argumentos favoráveis, não podemos ser cegos e deixar de observar os imensos desafios que se apresentam. O maior de todos é o combate à corrupção. Muito dinheiro público está em jogo; e se os responsáveis por todas as obras e investimentos públicos não forem devidamente fiscalizados, certamente, muitos grandes projetos serão perdidos. E haverá então uma festa exclusiva de políticos e empreiteiros desonestos.
Sugerimos àqueles que ainda são céticos em relação à Rio 2016 (e também à Copa do Mundo de 2014), que se oponham radicalmente à corrupção. Que ajudem a fiscalizar o destino dos recursos públicos. Se Seul (1988), Sydney (2000), Pequim (2008) realizaram com competência os seus Jogos, por que o Rio de Janeiro não poderia fazê-lo também? Por que estaria a África do Sul preparada para receber os benefícios de uma Copa e o Brasil não? Façamos como Fábio Mayer, que em seu blog denuncia o abandono do complexo esportivo de Deodoro ou do parque aquático Maria Lenk – dois legados dos Jogos Pan-americanos de 2007 -, mas não tenhamos tanto complexo de inferioridade!
Lembremo-nos de que a renda per capita PPP (por poder de compra) brasileira (US$10,466) é quase o dobro da chinesa (US$5,970) e superior à da África do Sul (US$10,136)*.
Sejamos todos favoráveis à realização da Copa e das Olimpíadas no Brasil! E também combativos diante dos maus políticos e dos maus administradores! Afinal, quem pagará a conta somos nós, contribuintes, que desejamos sempre o melhor retorno dos impostos que recolhemos.
* Dados referentes a 2008, Fundo Monetário Internacional
Que prisma é esse?
Posted by Marcus Mayer in Do editor, Filosofia, Liberalismo, Política, Sociologia on August 2nd, 2009
Enquanto na física o prisma é definido como um poliedro de seção triangular, que tem a propriedade de decompor a luz branca em espectro de cores, o nosso prisma é dotado de sentido figurado e representa um ponto de vista, um modo de considerar algo.
O mundo visto por um prisma liberal, nem sempre, é entendido como gostaríamos. E isso é bastante compreensível, sobretudo considerando a conotação errada e negativa que a palavra liberal tem recebido.
Associa-se o liberalismo – de forma incorreta – à defesa dos interesses dos mais ricos, das camadas mais privilegiadas da população, dos empresários. Os liberais costumam ser confundidos com conservadores egoístas, com privatistas sem escrúpulos, com inimigos dos pobres. Observa-se essa óptica na América Latina e na Europa.
Nos Estados Unidos, de contrapartida, os liberais são comumente taxados de socialistas, adversários da iniciativa privada. Seus princípios estariam à serviço de incentivadores do aborto, do livre uso de drogas, do casamento entre gays, dos defensores do modelo de economia planificada, estatal.
Achamos que o momento seja pertinente para esclarecer o significado do “nosso” prisma liberal. A eleição do democrata (ou liberal?) Barack Obama, nos Estados Unidos, e o governo popular (ou antiliberal?) de Lula da Silva, no Brasil, costumam confundir o observador comum. Exceto estudiosos de ciências políticas ou sociais, naturalmente, ninguém é obrigado a conhecer as ideologias em detalhes.rcus-mayer.com
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Um convite à liberdade
por Marcus Mayer
exclusivo para o Blog | Domingo, 2 de agosto de 2009
Segundo o historiador inglês Eric Hobsbawn, autor de A era dos extremos, o século 20 teria começado com a Grande Guerra, em 1914, e terminado com o colapso da União Soviética em 1991, o último dos grandes impérios a desaparecer. Para outros, o século foi mais curto: teria começado com a Revolução Comunista em 1917, para terminar com a Queda do Muro de Berlim em 1989. Nesse interregno, a democracia liberal enfrentou adversários de peso, representados pelas figuras de três carniceiros: Stalin, Hitler e Mao Tsé-Tung.
Na América Latina, durante o século passado, convivemos com caudilhos e ditadores. De Vargas e Perón a Pinochet e Fidel, para ficar somente em alguns exemplos mais emblemáticos. No Brasil, tivemos ainda duas décadas de repressão comandadas pelos militares, a partir de 1964.
Com a extinção do mundo bipolar da Guerra Fria, o antigo conflito entre capitalismo e comunismo chegou ao fim. Naturalmente, não nos esquecemos do mundo asiático com suas várias modalidades de autoritarismo confuciano; e não queremos descartar o mais grave problema do mundo islâmico, o qual não consegue separar a religião da política.
Felizmente, a era de extremos – entre direitas e esquerdas – está definitivamente encerrada. Já se respiram ares de mais liberdade em torno do globo, apesar dos reconhecidos problemas ainda enfrentados pela humanidade, nesse começo de terceiro milênio da Era Comum.
Mesmo assim, restam ainda alguns saudosistas. São aqueles que insistem na tentativa de reviver teorias políticas ultrapassadas e investem no radicalismo, no belicismo, no choque entre as civilizações – como diria Samuel Huntigton.
Os atentados do 11 de Setembro, nos Estados Unidos, serviram de justificativa para a ascensão da chamada doutrina Bush. Os radicais islâmicos conseguiram aterrorizar o mundo e jogaram combustível no conservadorismo cristão norte-americano e dividiram opiniões na velha Europa. O idealismo multilateral das Nações Unidas, que se esperava vitorioso no final do século 20, foi substituído pelo unilateralismo e pela arrogância do governo republicano de George W. Bush.
Enquanto isso, na América Latina, depois de experiências neoliberais ensaiadas nos anos 1990 – que não conseguiram exterminar a miséria no continente –, o populismo e o autoritarismo retornaram ao poder em diversos cantos, agora sob novo título de socialismo do século 21.
Depois desse brevíssimo giro histórico, gostaríamos de apresentar um pouco da nossa noção de liberdade e liberalismo para o mundo.
Primeiramente, desejamos deixar claro que o liberalismo não deve jamais ser confundido com socialismo. E também não deve ser entendido como ideologia a serviço de grupos privilegiados. O liberalismo desse século 21 se opõe, sim, ao populismo e à tirania.
Para simplificar a compreensão da localização de nosso pensamento no atual espectro ideológico, utilizamos uma vez mais uma adaptação do diagrama de Nolan, na ilustração ao lado. Observe-se que o esquema se divide em cinco campos: no alto o liberal, abaixo o nacional-estatista, à esquerda o social-democrata, à direita o campo conservador, e entre essas quatro tendências, o centro.
O nosso prisma liberal é pacifista e defensor da conservação do meio ambiente. É multilateralista e plenamente laico. É respeitador da total liberdade de expressão e incentivador da integração econômica dos povos. Por outro lado, não tolera ditaduras, xenofobia, populismo, preconceito, estatismo e fanatismo religioso.
No intuito de permitir uma melhor compreensão destas noções teóricas, propomos a análise de alguns temas frequentes e de grande relevo em nosso cotidiano. A abordagem prática possibilitará um entendimento claro dos valores que nos são caros ao defender uma ideologia. Assim, convidamos o leitor a refletir conosco sobre questões interessantes, que interagem em nossas vidas.
Comecemos com assuntos bastante polêmicos:
ABORTO – Acreditamos que a decisão não deva ser do estado, mas exclusivamente da mulher. Não estamos de acordo com a proibição, nem desejamos incentivar mulheres que se opõem ao aborto a praticá-lo. No nosso ponto de vista, deveríamos seguir o exemplo dos países mais desenvolvidos e descriminalizar a prática.
Mais a respeito de nossa opinião sobre este tópico, pode ser encontrado no artigo A democracia e o estado laico, publicado no último ”Dia Internacional da Mulher”.
DROGAS – Distintamente da maioria dos libertários, não acreditamos que o livre uso de drogas esteja incluso no rol dos nobres direitos individuais. No entanto, não consideramos o dependente criminoso. Achamos que o vício deva ser tratado como doença. Na teoria, poderíamos até concordar com o argumento de que cada um é livre para fazer o que desejar com o seu próprio corpo, até mesmo destruí-lo. Receamos, todavia, que as populações mais carentes, principalmente aquelas que se viciam rapidamente no crack pelas ruas das grandes cidades, possam se tornar vítimas do excesso de liberalização. O mesmo se aplica aos jovens endinheirados que, em algumas baladas e raves, se envenenam com drogas sintéticas.
CASAMENTO GAY – Essa é uma questão de âmbito estritamente pessoal e o estado em nada deve se intrometer na orientação sexual do cidadão. Trata-se aqui, da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Achamos que homossexuais devem gozar dos mesmos direitos de qualquer outra pessoa. Naturalmente, o liberal não espera incentivar homens a trajar vestidos de noiva nem mulheres a usar terno e gravata. Isso nada tem a ver com o assunto. Também no que concerne à adoção, achamos que todos têm os mesmos direitos e obrigações. Vale ressaltar uma vez mais que nenhum tipo de preconceito combina com o liberalismo.
LIBERDADE DE EXPRESSÃO – A defesa desse valor é dos mais caros ao liberal. Tanto os cidadãos quanto a imprensa devem ter total liberdade para expressarem opiniões. A censura é antidemocrática e serve somente ao autoritarismo. Todavia, estabeleçamos aqui um único limite: a liberdade de expressão não deve jamais ser utilizada para fazer apologia ao crime, ao racismo ou ao preconceito, até mesmo no “território livre” da Internet.
DEMOCRACIA – É impossível ao liberal identificar-se com qualquer tipo de ditadura ou tirania, seja de direita, de esquerda ou religiosa. Tal qual a liberdade de expressão, a democracia está entre os valores indissociáveis ao liberalismo. Condenamos o uso de instrumentos democráticos, como o plebiscito e o referendum, para justificar a centralização de poderes que, indubitavelmente, remetem a uma ditadura.
MITOLOGIA – O liberal garante a liberdade religiosa, mas a separa plenamente do estado. As religiões podem ser ensinadas nas igrejas, mas não como doutrinação em escolas. Além disso, preferimos que símbolos religiosos fiquem distantes das salas de aulas, respeitando-se a diversidade cultural. O mesmo se refere à frequente imposição de religião aos povos silvícolas.
ARMAS DE FOGO – Nesta questão, nós nos diferenciamos da maioria dos liberais, ou seja, somos uma minoria, que considera o uso de armas de fogo exclusividade do estado. Sob nosso prisma, a segurança dos cidadãos deve ser responsabilidade plena do estado. Não encontramos justificativa para o uso particular, exceto no caso de especialistas, treinados para tal no exercício de suas profissões, e também na prática de esportes. Se quem nos lê não concorda com essa opinião, ao menos aqui, é mais liberal que nós.
SAÚDE E EDUCAÇÃO – Ideal seria se todos tivessem a possibilidade de escolher o hospital e a escola mais adequados as suas necessidades e pudessem remunerar os serviços recebidos. Entendemos, contudo, que essa ainda não é a realidade da maioria das pessoas. Assim, reservamos mais uma atribuição ao estado: garantir saúde e educação para as populações que ainda dependam do auxílio estatal.
GARANTIAS TRABALHISTAS – Na nossa óptica essas garantias deveriam ser estabelecidas exclusivamente em contrato, firmado entre empregado e empresa. A regulamentação pode servir, contudo, àquela faixa de trabalhadores desprotegidos e incapazes de estabelecer garantias que não os tornem reféns dos empregadores. Aqueles que o desejassem, porém, deveriam ter a liberdade de negociar salários, férias, licenças, horas-extras, turnos, bônus, assistência médica etc., como melhor lhes coubesse, sem a interferência estatal.
RENDA MÍNIMA – Para expor de forma simples o nosso ponto de vista, tomamos o exemplo do programa Bolsa Família, do governo brasileiro. Seria desumano criticar um esforço estatal que oferece, em média, 90 reais mensais a famílias miseráveis. Consideramos, entretanto, imprescindível associar ao programa estatal meios para retirar as populações definitivamente da pobreza. Ninguém deveria se tornar refém de “esmolas” de políticos populistas.
Um ótimo exemplo de iniciativa governamental que deu certo foram os esforços da Coréia do Sul: no intervalo de três décadas, o país transformou radicalmente a sua economia. Por meio de maciços investimentos em educação, ciência e tecnologia, retirou a população da pobreza, transformando a pequena península asiática na 15ª economia mundial, com renda per capita acima de 25 mil dólares.

FILANTROPIA – Alguns liberais ortodoxos consideram a filantropia um convite à preguiça. Não comungamos desse pensamento e vislumbramos a generosidade como alternativa à excessiva presença do estado em algumas áreas. Leve-se em conta o exemplo das melhores universidades americanas, que recebem generosas doações de seus ex-alunos. Esse tipo de caridade permite ao estado economizar recursos públicos e destiná-los, por exemplo para a educação de base.
IMPOSTOS – Mesmo os liberais mais acirrados à doutrina sabem que o estado não sobrevive sem arrecadar impostos. Todavia, quanto menor a quantidade de impostos que se pagam ao governo, mais dinâmica se torna a economia. Sobra mais dinheiro em circulação para os cidadãos e para as empresas e seus empregados. Mas para isso, o estado precisa ser enxuto. No nosso ponto de vista, a folha de pagamentos estatal deve servir somente para remunerar atividades nas quais a iniciativa privada não esteja presente.
FUNCIONALISMO PÚBLICO – Pode ser eficiente e bem remunerado, se em número adequado (extraordinariamente reduzido) e atuando somente nos serviços essenciais. Funcionários públicos devem ter os mesmos direitos e obrigações que empregados do setor privado. Não podem ser cidadãos privilegiados nem de segunda classe.
BUROCRACIA – A burocracia é inimiga do liberalismo e do desenvolvimento. Quanto menor a burocracia mais livre é a sociedade e mais eficientemente funciona a economia.
LIVRE CONCORRÊNCIA – O protecionismo e a reserva de mercado – não importando se executados por países ricos ou menos desenvolvidos -, é sempre prejudicial para a economia. Liberais não protegem nem privilegiam determinados setores produtivos. Consideram a concorrência extremamente saudável para a elevação da qualidade e para a redução dos preços.
PRIVATIZAÇÕES – Naturalmente, para contrastar os argumentos pró e contra as privatizações, preferiríamos elaborar um texto mais detalhado. Afinal, trata-se de uma questão que sofre campanhas difamatórias por parte de estatistas mais radicais. Contudo, para resumir nossa óptica liberal, defendemos a privatização em todas as áreas nas quais a iniciativa privada pode ser mais eficiente que o estado. Isso, naturalmente, não se limita aos setores de telefonia ou de mineração, que já comprovaram enorme sucesso ao redor do mundo, e sobretudo no Brasil, mas pode ser adequada aos portos, aeroportos, presídios, estradas, ferrovias, bancos, estádios esportivos etc.
AGÊNCIAS REGULADORAS – O nome pode assustar os liberais, mas reconhecemos a importância de determinados controles. Além da defesa dos consumidores, é necessário garantir a livre concorrência e evitar a criação de monopólios e cartéis. Porém, essas instituições precisam ser totalmente independentes da influência governamental para que cumpram corretamente o papel que lhes é reservado.
RELAÇÕES INTERNACIONAIS – Desejamos a plena integração econômica e comercial, como meio de alcançar a paz e a prosperidade entre os povos. Acreditamos nas instituições multilaterais como as Nações Unidas e a Organização Mundial do Comércio. Não identificamos no embargo imposto a países governados por tiranos (p.ex.: Cuba, Coréia do Norte, Irã) meio eficaz de combate à ditadura. Países que mantém relações comerciais tendem a ser mais contidos, até nos mais tumultuados conflitos diplomáticos, exatamente porque mantém relações comerciais (p.ex.: Venezuela e Estados Unidos). O comércio é um meio eficaz para evitar a guerra.
Certamente, existem muitos outros pontos que poderiam ser considerados, mas acreditamos ter exposto temas de interesse geral que esclarecem bem razoavelmente o nosso prisma liberal.
Nossas prioridades na atuação política são sempre dirigidas aos povos mais necessitados – seja do Brasil, seja do mundo. Não importa se é o estado ou a iniciativa privada que atuarão. Cada um tem a sua atribuição. E um não anula a presença ou a responsabilidade do outro. Combatemos, contudo, os excessos. O radicalismo não é saudável, nem se for sob a óptica dos princípios liberais.
Infelizmente, o liberalismo é uma filosofia, algumas vezes, mal entendida e desvirtuada por seus opositores. Esperamos que, no futuro, quando alguém classificar o liberal como reacionário, elitista, preconceituoso ou, unicamente, defensor dos interesses das classes ricas, você, leitor, tenha argumentos para rebater.
Lembremo-nos também que existem pessoas boas, bem intencionadas, integrando todas as ideologias democráticas. O nosso prisma é constituído de princípios puramente liberais, mas também de pontos que julgamos positivos em outras linhas de pensamento: a social-democracia, a terceira via, o conservadorismo, o ambientalismo etc. O mesmo não se aplica aos aliados e sectários de ditaduras ou tiranias corruptas e racistas.
Àqueles que ainda se debatem radicalmente na defesa de ideologias, seja à direita ou à esquerda, avisamos, simplesmente, que o século 21 já chegou.
Na ilustração: Martin Luther King, Mohandas Gandhi, Roberto Campos, Sérgio Vieira de Mello, Mario Vargas Llosa, Alvaro Vargas Llosa, Al Gore, Konrad Adenauer, Ronald Reagan, Margareth Thatcher, Adam Smith, Alexis de Tocqueville, Jean-Jacques Rousseau, Friedrich Hayek e Ludwig von Mises.
Conversa com bloggers
Posted by Marcus Mayer in América Latina, Do editor, Liberalismo, Sociedade on April 2nd, 2009
Esta página acaba de completar dois anos na Internet. No primeiro comentário conferido, um amigo da USP, médico psiquiatra, registrava votos de “vida longa” ao blog. Permanecemos viventes. Para comemorar o aniversário, iniciei a redação de um post que abordaria temas sobre a conjuntura brasileira e mundial. No último instante, mudei de idéia. Ainda aguardo pelo resultado da reunião do G20 em Londres. Assim, decidi por uma breve conversa com bloggers, além de destacar um tema que está em discussão no STF, a liberdade de imprensa.
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Naturalmente, você já observou que a sidebar dos blogs contém uma lista de páginas afins. Então, nesta nossa conversa, dou partida com uma pergunta: você procura conhecer esses links?
Ontem, navegava pela página de Alvaro Vargas Llosa, do Independent Institut (link que mantenho desde o início), para conhecer o seu ponto de vista em relação às últimas medidas de Barack Obama. Explorando as conexões da página original, acabei por ancorar num texto a respeito da blogger cubana, Yoani Sánchez, na página de Andrés Durán, da República Dominicana.
Você talvez já tenha ouvido falar dela: Yoani foi vencedora, no ano passado, do prêmio Ortega y Gasset, que lhe rendeu 15 mil euros. Os posts de seu blog chegam a registrar em média entre 100 e 150 mil leitores. Ela escreve de Havana, a capital de Cuba, enfrentando a censura da ditadura dos irmãos Castro.
Não pretendo me alongar nos detalhes sobre sua trajetória, para não estragar a surpresa contida no interessante texto de Durán, que consta traduzido, abaixo.
Uma segunda questão que gostaria de incluir em nossa conversa refere-se à tecnologia. Antes de adquirir meu monitor atual, tinha um modelo de 17”. Foi substituído por um de LCD 22” widescreen (1680×1050 pixels), que qualifico como espetacular. Todavia, quando o instalei e visitei meu blog, percebi que a página estava ultrapassada. As fontes, o banner superior, tudo estava muito reduzido. Outros blogs, que antes não cabiam na tela, passaram a ser muito melhor visualizados. Foi quando resolvi trocar o layout. Aproveito o gancho para perguntar: qual é o tipo do seu monitor e que navegador de Internet você usa em seu computador? Você também estranha a diversidade na qualidade do layout dos blogs – alguns com colunas principais muito estreitas e outros extremamente largos?
Nos últimos dias, instalei o recém lançado Internet Explorer 8. Tive uma boa surpresa: o navegador amplia automaticamente a dimensão de algumas páginas. Curiosamente, por meio dessa ferramenta do IE8, fiquei sabendo que a tecnologia deste blog já está novamente ultrapassada.
Não sei se você notou, mas na parte superior da página, à direita, há um recurso que permite ampliar o tamanho das fontes, conferindo maior conforto à leitura. Você utiliza a ferramenta? Eu me habituei a usá-la, não somente na minha, mas em outras páginas que também oferecem o recurso. Interrompa um pouco a leitura e faça o teste.
A comodidade sempre foi uma de minhas prioridades. Prefiro carros confortáveis aos esportivos, mesmo que estes últimos tenham melhor desempenho. Isso também vale para as viagens aéreas. Upgrades na classe executiva sempre fizeram a minha festa. Assim, para navegar calmamente e ler os textos em seus detalhes, a ferramenta que adapta o tamanho das fontes acaba sendo bastante útil para ampliar o prazer da leitura.
Retornando àquela questão inicial, sobre as sugestões de blogs, decidi pela substituição de seus títulos por mini-banners. O que você achou da iniciativa? Se você é o editor de algum deles e não gostou do design, sinta-se à vontade para reclamar.
Permita-me uma breve apresentação de alguns links:
Vou começar pelos blogs do jornalismo profissional, que não exigem nenhuma descrição mais detalhada, pois são conhecidos e reconhecidos em seus trabalhos: Sônia Racy, Lúcia Hippolito, Josias de Souza, Ricardo Noblat são excelentes fontes jornalísticas. Nesse grupo, destacaria o blog de Carlos Alberto Sardenberg, no G1. Estou lendo o seu livro, “Neoliberal, não. Liberal”. Clique na imagem ao lado para ler a resenha e o primeiro capitulo da obra. Certamente, você não se arrependerá!
Como fã da Fórmula 1, tenho duas recomendações interessantes: os blogs de Alessandra Alves, comentarista da Band AM/FM, e de Felipe Maciel, um jovem muito talentoso. Alessandra inclui a graça feminina em seus posts; Felipe escreve diariamente, inclusive durante o recesso das temporadas de F1, sobre tudo o que realmente interessa aos apreciadores do esporte, com notícias de bastidores e opiniões sempre muito coerentes.
E como bom liberal, envolvido nos assuntos de interesse global que tratam da conservação do meio ambiente, tenho acompanhado a ótima coluna de Andréa Vialli, jornalista do Estadão.
No campo das questões nacionais, gostaria de oferecer destaque a mais alguns editores independentes, ou seja, sem vínculo jornalístico profissional:
Neste grupo está um jovem advogado de Curitiba, Fábio Mayer (apesar da coincidência no nome, não somos parentes). No blog que leva seu nome – e admiro isso -, Fábio sabe expor os fatos que interessam ao nosso cotidiano político, com muita consistência argumentativa. Nas entrelinhas de seus textos, não esconde um certo apreço pelo presidente da República, Lula da Silva. Mas é, sobretudo, um fervoroso crítico da corrupção.
Ricardo Rayol é editor do blog “Jus Indignatus”. Seus textos são breves e expostos no formato de pequenos blocos, de leitura agradável e dinâmica. É um “Diogo Mainardi sem censura”. Já disse a ele que mereceria uma cadeira no programa Manhattan Connection, da GNT. Rayol conta em seu blog com a assessoria de alguns personagens imperdíveis: o repórter e analista político Glênio Gangorra, o mago esotérico mais oportunista da atualidade, Heitor Caolho, o especialista em moda Hugo Toso, entre outros, sensacionais!
Outro blog político que costumo visitar é o “Saí-Verde, Saí-Tucano, Tem-Tem” (título curioso!), de Gonçalves. Nesta página você encontrará um verdadeiro opositor ao governo atual, e sem papas no teclado. Falando em oposição, incluí na lista um banner do blog Democratas. Não é somente propaganda partidária que se encontra por lá, mas um meio de acompanhar a atividade política e parlamentar daqueles em quem votamos. Todavia, muito melhor que com palavras, as charges e cartoons de Sponholz expressam com talento e humor, a realidade política brasileira. Não posso deixar de fora desse grupo o jovem e intelectualizado “libertário”, Rodrigo Constantino, membro dos institutos Liberal e Millenium. Seus artigos são primorosos.
Por que incluí todas essas descrições na conversa? Não sei se esta também é a sua impressão, mas a quantidade de blogs brasileiros realmente bons é muito escassa (refiro-me aos não-profissionais), sobretudo no métier político, econômico e internacional. Você concorda com essa opinião? Se puder, sugira algum blog que considere realmente interessante e inteligente.
Mas um ainda está faltando. É o blog do amigo Ron Groo. O tema principal de sua página é a Fórmula 1. Todavia, a característica marcante deste blogger de primeira é o humor e a irreverência, na melhor acepção da palavra. É preciso conhecê-lo para entender o seu estilo simples, porém, extremamente perspicaz ao analisar o cotidiano, e, muito divertido nos contos de sua autoria, publicados no blog.
Para terminar o bate-papo, gostaria de pedir mais um auxílio. Refere-se novamente ao do layout desta página. Você acha que eu deveria incluir ou retirar alguma ferramenta ou informação da coluna direita do blog? E seria adequado alterar o tamanho da fonte (Helvetica) dos textos? Sinta-se a vontade para criticar ou sugerir mudanças que sirvam para aprimorar.
Agora, não desista e continue a leitura pelo artigo de Andrés Durán, que segue. Garanto que valerá a pena.
Tenha um ótimo dia ou uma ótima noite!
NOTA IMPORTANTE: Nem todos os editores de blogs que constam de minha lista de links ou dos mini-banners foram citados neste texto. Estou certo de encontrar oportunidades futuras para destacar seus esforços.
REPÚBLICA DOMINICANA
Blog de Yoani Sánchez sobrevive sem Internet
Por Andrés Durán | Blog Bono Cimarrón
Pensamiento Crítico | Santo Domingo
Traduzido e adaptado por Marcus Mayer
Em março de 2008, ofereci destaque ao blog de Yoani Sánchez, Generación Y, por causa da admiração e do respeito que inspira. Esta é, provavelmente, a mídia alternativa mais importante de Cuba. O blog é “made in Cuba” e apresenta até 5 ou 6 mil comentários em alguns de seus posts – o que reflete algo entre 100 e 150 mil leitores.
Precisamente em 7 de maio de 2008, Yoani recebeu o Prêmio Ortega y Gasset de jornalismo digital, com uma gratificação de 15 mil euros. Isso é muito dinheiro, sobretudo, em se tratando de uma cubana, residente em Havana.
O evento causou tal repercussão em Cuba, que até Fidel Castro referiu-se à Yoani no prefácio de uma nova edição do livro “Fidel, Bolívia e algo mais …”. Todavia, a invejável audiência, o dinheiro e as referências diretas de Fidel não são o mais importante a sustentar Yoani, esse fenômeno da comunicação.
O mais extraordinário é que consiga se sobrepôr com um sucesso sem precedentes contra a propaganda governamental, a burocracia do autoritarismo e a intolerância. O domínio desdecuba.com, onde é hospedado o seu blog, está bloqueado na maioria dos servidores ISP do seu país. Ainda assim, ela consegue atualizá-lo e divulgá-lo de forma eficaz.
Seus posts são enviados via eMail para outra pessoa, com privilégios de administrador do site, para atualizar o seu blog. Por sua vez, essa pessoa lhe envia as centenas de comentários deixados pelos leitores.
A distribuição do conteúdo do blog – suponho que seja feita de forma clandestina –, ocorre por meio da gravação em CD (veja foto) que vai de mão em mão, ou seja, por uma rede de cidadãos que andam pelas ruas de La Habana e outras províncias, e não pela rede que constitui a Internet.
À margem de admirar qualquer aspecto positivo do processo revolucionário cubano, os princípios da democracia e da liberdade de expressão são inegociáveis.
Sou muito sensível em relação à situação de Yoani, pois observo em seu caso uma estreita relação com a situação dos meios de comunicação na República Dominicana. Aqui a coerção é um tanto mais sutil. Falando claramente, acontece por meio da autocensura imposta pela publicidade governamental, pelo aliciamento político na linha editorial, pela troca de favores, todas razões espúrias, que fazem o jogo da propaganda governamental. Além de rentável, este é um caminho fácil para a apropriação de dinheiro do erário.
Apesar disso, nós que moramos aqui na República Dominicana, vivemos uma situação menos dramática que em Cuba, graças a uma parcela de profissionais de emissoras de radio que mantém a ética jornalistica acima de tudo, e, principalmente, por poder dispor da Internet.
Em último caso, se os escritórios oficiais goebbelianos (ou stalinistas: nota do tradutor) interferirem em tudo, até no ar que respiramos, ainda existirá a irredutível alternativa de criar uma rede de cidadãos, como o fez Yoani em Havana.
O bloqueio ao domínio desdecuba.com implicou a greve de fome empreendida em 2006 pelo jornalista Guillermo Fariñas (El Coco), diretor da agência de notícias independente Cubanacan Press. Este ativista político, contrário ao regime cubano, exigiu do governo o mesmo direito que é concedido aos privilegiados pelo regime, de poder ter acesso à Internet em sua casa. “Se meu destino é ser um mártir da liberdade de expressão e conexão à Internet, morrerei tranqüilo”, afirmava Fariñas na época.
Espero que a administração de Raúl Castro seja o início da restauração da liberdade e do respeito aos direitos humanos, sem os quais não adiantam avanços educacionais, culturais, esportivos ou de saúde pública para o povo cubano. Que permita o estabelecimento de um sistema democrático, totalmente independente de interesses externos e da antiga oligarquia que convivia com o regime de Fulgêncio Batista.
Clique aqui para visitar o blog Generación Y, de Yoani Sánchez
Dalits e preconceito
Posted by Marcus Mayer in BRICs, Mundo, Sociologia, Índia on March 15th, 2009

A revista britânica The Economist, por meio de seu breve artigo “Soup, sex and sociology”, que traduzi abaixo, oferece a chance de abordar um assunto sobre o qual há tempos desejava discorrer. Com relativa frequência nos defrontamos com pessoas que se consideram intelectualmente muito superiores às demais (mas certamente não o são). Costumam exteriorizar um injustificável preconceito em relação àquilo que estranhamente associam a uma cultura dirigida aos menos intelectualizados.
Naturalmente, não pretendo aqui fazer apologia à futilidade nem generalizar. Todavia, gostaria de reduzir um pouco a altura do pedestal ao qual se agarram esses tipos arrogantes. O texto da Economist é somente uma isca, pois o “neointelectual” não costuma perder nenhuma de suas edições.
Um nicho muito comum para encontrar exemplares dessa espécie é a Universidade de São Paulo. Pelo fato de serem professores ou estudantes dessa renomada instituição, é comum observar em suas falas ou textos um padrão excepcional de prepotência.
Ouse citar, durante conversa com um desses, uma entrevista que tenha lido na revista Veja, um editorial do Estadão ou um eventual programa transmitido pela TV Globo. Irão vislumbrá-lo como tendo confessado plena submissão aos meios de comunicação dirigidos aos ignorantes. Se quiser se dar bem, elogie o último pronunciamento de Hugo Chávez na TeleSur.
Mas não é preciso ir à USP para encontrar os tipos. Boa parcela de bloggers também se sente assim, adotando esse jeito, digamos, superior. Leia um blog político no portal iG e entenderá do que se trata.
A mesma arrogância poderia ser observada se um aluno de curso pré-vestibular questionasse um professor de literatura sobre uma obra de Paulo Coelho. O coitado seria imediatamente rechaçado pelo “culto mestre”. Também não seria viável recorrer a um texto de autoajuda, sob risco de ser taxado de otário. E gostar de futebol, ou pior, assumir-se flamenguista ou corinthiano? Isso só pode ser mesmo peculiar ao povão ignorante.
Por que tanto preconceito? Esses sentimentos formados a priori, sem maior fundamento, são típicos do “pseudointelectual”. Que leia a “Fenomenologia do Espírito”, de Hegel, antes de dar palpites toscos.
Pobres mortais!
Os intocáveis da Índiapor Marcus Mayer*
exclusivo para o Blog | Sábado, 21 de março de 2009
O preconceito é certamente um dos piores atributos da espécie humana. É uma característica exclusiva encontrada entre aqueles que, no reino animal, são considerados superiores, graças à virtuosa faculdade da razão. Estaria certo Rousseau ao definir o homem no estado de natureza como “bom selvagem” e, consequentemente, mais feliz que vivendo em sociedade?
Por maiores que sejam as críticas que se apresentem diante da baixa qualidade de programas televisivos dirigidos às massas, as novelas da TV Globo têm contribuído para o enfrentamento do preconceito social.
Convívio com portadores do vírus HIV, atenção para com viciados em drogas, relações homossexuais, respeito por mais velhos, casamentos inter-raciais, importância do uso de preservativos, entre tantos outros temas-tabu, quando não vislumbrados com acentuado preconceito, já fizeram parte de muitos enredos dessas telenovelas.
Momento no qual tanto se fala sobre os BRICs (sigla que reúne as chamadas economias emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China), a Globo apresenta ao Brasil um tema de relevância internacional, sobretudo por se tratar de um problema atual que ocorre no segundo país mais populoso do mundo, em sua novela “Caminho das Índias”.
DALIT – Aproximadamente 194 milhões de cidadãos (World Factbook, 2009), número quase equivalente ao da população do Brasil, pertence ao grupo social dos chamados Intocáveis, na Índia. São pessoas maculadas pelo nascimento, em um ultrapassado sistema de castas que os considera impuros e inferiores a um ser humano(!). Eles se autodenominam dalits.
Para entender essa estranha realidade é necessário percorrer um pouco a cultura híndi. O sistema de castas da Índia é uma de suas características mais idiossincráticas. Foi implantado por volta de 1.600 antes da Era Comum, por uma classe de sacerdotes, os Brahmin da Dharma (conceito utilizado para definir a verdade universal no hinduísmo). Atribui-se a Manu, sobrevivente do mítico dilúvio, a fundação da antiga sociedade híndi sob estes moldes mitológicos.
A tradição classifica as pessoas em quatro “varnas” (categorias), conforme as partes do corpo da divindade védica, Purusha, de quem cada um dos grupos foi criado. De acordo com a antiga história hinduísta, varna e sistema de castas não representam a mesma coisa, embora estejam diretamente relacionados. As partes do corpo de Purusha definem a varna, que determinará a classe social designada para questões como com quem podem se casar e quais profissões podem exercer. Originalmente, o sistema baseava-se nas classes sociais e não na condição determinada pelo nascimento, o que permitia uma certa mobilidade.
O conceito hindu posterior, baseado nos textos denominados Varnashrama dharma, fundamentou o sistema de castas determinado pelo nascimento. Não é, de acordo com as crenças, considerado um sistema artificial, mas referente a classificações naturais, aplicáveis a todas as sociedades humanas. Os indivíduos teriam tendências inatas diferentes para a execução de trabalhos que exigissem determinadas qualidades pessoais.
Assim também, existiriam fases naturais na vida, “ashrans”, para a execução de certas atividades. O hinduísmo argumenta que os indivíduos melhor explorariam os seus potenciais considerando tais planos naturais. Por essa razão, a sociedade deve ser “estruturada” e “organizada”, fundamentando a tese de que cada varna e o ashram teriam o seu próprio Dharma pré-estabelecido.
Os conceitos-chave do sistema de castas indiano, portanto, apresentam-se da seguinte forma: Varnashrama-dharma – deveres a serem executados segundo o sistema de quatro varnas (as divisões sociais) e quatro ashrans (as etapas na vida). Quatro varnas – brâmanes (sacerdotes, professores e intelectuais), kshatriyas (polícia, exército e administração), vaishyas (agricultores, comerciantes e pessoas de negócios), shudras (artesãos e empregados domésticos). Quatro ashrans – vida estudantil, vida doméstica (incluindo o casamento), retiro e renúncia.
O atento leitor certamente observou que toda esta descrição em momento algum abordou os dalits. E é exatamente neste particular que se justifica, de acordo com a tradição hinduísta, a sua inferioridade e a sua exclusão social.
No mais provável intuito de manter a superioridade, os brâmanes fundamentaram o sistema de castas mais recente, por meio de analogia com o corpo da divindade Purusha. Eles representariam a cabeça da sociedade (originam-se da boca e dos olhos), fornecendo a visão espiritual da sociedade e a instrução das pessoas. Os braços, utilizados para defender o corpo originaram os kshatriya, cuja função é proteger a sociedade. O dever principal do vaishya é a nutrição material (foram criados do ventre e das coxas de Purusha), e os shudra (parte inferior das pernas) apóiam todas as outras seções sociais.
E, novamente, aonde se encontram os dalits? Não, eles não estão inseridos em nenhuma sub-casta. Pertencem a um grupo que não integra o sistema de varnas, ou seja, não fazem parte da sociedade humana. A melhor analogia para definir o dalit é incansavelmente repetida pelo personagem conservador, Opash Ananda, interpretado pelo ator Tony Ramos, na novela Caminho das Índias: “os dalits são a poeira sob os pés de Brahma”.
ÍNDIA ATUAL – Desde 1950, a Constituição da Índia proibiu a discriminação contra os dalits. Apesar disso, o preconceito está presente, principalmente nas áreas rurais. Por serem considerados “impuros de nascimento”, esses chamados intocáveis executam os trabalhos mais humildes e são pessimamente remunerados. Nas cidades, os dalits trabalham como varredores de rua, limpadores de latrinas e de animais mortos. No interior do país, são empregados agrícolas assolados pela pobreza extrema, pelo analfabetismo e pela opressão.
A Índia, maior democracia do planeta, conta atualmente com 1,17 bilhão de habitantes (World Factbook, 2009). Os dalits correspondem a 16,6% da população total do país. De acordo com dados oficiais e de organizações não-governamentais, 80% dos dalits vivem nas áreas rurais e 86% não possuem nenhuma propriedade. Do total, 60% executam trabalhos eventuais, ou seja, não têm um emprego fixo. Enquanto a taxa total de analfabetismo na Índia é de 39%, entre os dalits ela atinge 63%. As piores estatísticas, contudo, referem-se à violência: a cada 18 minutos, essa gente é vitimada por um crime. E, diariamente, 3 mulheres dalits são estupradas.
BOLLYWOOD – Apesar das produções da indústria cinematográfica de Mumbay já privilegiarem algumas tramas que denunciam o preconceito de castas na Índia, não há em Bollywood nenhum ator ou atriz dalit. O internacionalmente aclamado diretor Nagesh Kukunoor está produzindo um filme intitulado “Ye Hausla”, no qual são representadas as situações e as aflições de uma mulher dalit no Rajastão (a mesma província na qual é conduzido o enredo de “Caminho das Índias”). A atriz Sameera Reddy (foto) será a protagonista do filme.
Na política, os dalits contam com uma representante de destaque. Em 2007, Kumari Mayawati foi empossada pela quarta vez como governadora da província de Uttar Pradesh, localizada no norte da Índia. Nascida em Nova Delhi, Mayawati é exemplo raro de dalit que conseguiu se formar Bacharel em Direito e em Educação.
A democracia oferece o melhor caminho para que a representação dos dalits na política encontre meios de aperfeiçoamento das leis e da conduta de todos os cidadãos indianos. E a educação é a melhor arma para livrar as populações da ignorância e combater dogmas religiosos tão ultrapassados como os que impuseram o sistema de castas.
Esperamos que um dia os dalits possam beber dos mesmos poços, ingressar nos mesmos templos, usar sapatos na presença de uma casta superior e beber das mesmas xícaras nas tradicionais lojas de chai (chá).
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NOTA IMPORTANTE: Alguns representantes da comunidade indiana no Brasil têm manifestado desacordo com o que afirmam ser exageros de Glória Perez, autora de “Caminho das Índias”, no tocante à real situação dos dalits. É verdade que o preconceito tenha diminuído sensivelmente nos centros urbanos mais desenvolvidos. Todavia, as informações constantes deste artigo, colhidas de fontes renomadas e fidedignas, apontam para um abismo de desigualdade entre as regiões indianas. Esse quadro não difere muito do brasileiro. Nos centros mais desenvolvidos, tanto no Brasil quanto na Índia, é possível identificar um padrão de vida quase escandinavo, enquanto que nas regiões mais pobres ainda se convive com tragédias sociais em moldes subsaarianos. A desigualdade, acompanhada de suas nefastas consequências, é a propriedade geográfica que mais aproxima o Brasil da Índia.
FONTES DE PESQUISA:
· NATIONAL GEOGRAPHIC: India’s “Untouchables” Face Violence, Discrimination
· DALIT FREEDOM NETWORK – Who are the Dalits?
· DALIT INTERNATIONAL FOUNDATION – Vital statistics about Dalits
· THE WORLD FACTBOOK – India
· THE HEART OF HINDUISM – Dharma: Varnashrama-dharma
Novelas, sexo e sociologia
Da revista The Economist | 12.MAR.2009
Tradução: Marcus Mayer
Mulheres que assistem às novelas têm menos bebês (porém, mais homens)?
Para as mulheres, com carinho
Posted by Marcus Mayer in Legislação, Liberalismo, Sociedade on March 8th, 2009
E para os homens que têm a obrigação de conhecer adequadamente o tema.
O debate acerca da descriminalização do aborto e dos limites que dogmas religiosos devem respeitar no âmbito do estado laico, foi reacendido com o evento da menina brasileira de 9 anos, que se submeteu à interrupção de uma gravidez, e da ingerência de um arcebispo da Igreja Católica no assunto.
Coincidentemente, o fato que se originou em Pernambuco, no nordeste brasileiro, alastrou-se pela mídia mundial, durante a semana que antecedeu o Dia Internacional da Mulher.
O artigo a seguir é uma homenagem às mulheres latino-americanas e àquelas dos países pobres ao redor do mundo, contra as quais ainda é imposta uma lei que as submete a sérios danos à saúde e ao risco de perder a vida.
No Brasil, essa legislação implica a segunda maior ‘causa mortis’ entre mulheres jovens (na faixa dos 14 aos 22 anos de idade) e a terceira entre o total de mulheres, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A democracia e o estado laico
por Marcus Mayer*
exclusivo para o Blog | Domingo, 8 de março de 2009
O aborto aborto não é um assunto agradável e sua ação não entusiasma ninguém. Muito pelo contrário, a circunstância determina uma decisão difícil e quase sempre traumatizante às mulheres que se vêem diante da possibilidade de necessitar do recurso.
Não é absolutamente proveitoso discutir se o embrião de poucas semanas deve ser considerado um ser humano – dotado de alma, segundo os que acreditam – ou um inchaço abdominal que sugere um projeto de vida. Esse debate não encontra respaldo científico definitivo e as crenças religiosas atuam exclusivamente no campo da mitologia.
O que realmente importa é eliminar de antemão a falácia dos argumentos antiaborto que são apresentados como se a sua prática não existisse e só passasse a ocorrer a partir do momento no qual uma lei o aprovasse. Não se pode confundir sob nenhuma hipótese a descriminalização do aborto com o seu estímulo ou a sua promoção.
A realidade demonstra que o aborto existe desde os tempos mais remotos – e continuará ocorrendo independentemente de lei que o tolere ou não. A legislação dos países mais desenvolvidos e laicos permite à mulher interromper a gravidez em condições de segurança, atendendo plenamente aos cuidados e aos requisitos da medicina.
Isso não acontece onde a prática é considerada ilegal, mas atinge exclusivamente as mulheres pobres. Para as demais, àquelas que dispõem de recursos, não existem obstáculos eficientes e a lei também não as impede de viajarem para países nos quais o aborto é permitido. A própria legislação acaba elevando os custos nos melhores consultórios, dados os riscos legais e médicos, de uma intervenção relativamente simples, que poderia ser pouco dispendiosa.
Por outro lado, aos seguidores mais fiéis de dogmas religiosos, uma legislação liberal como a existente na União Européia não obrigaria uma mãe a abortar jamais. Essa determinação ocorre na China e aconteceu durante o governo de Indira Gandhi, na Índia, como estratégia governamental para reduzir o crescimento populacional (os dois países ultrapassam a cifra de 1 bilhão de habitantes cada um).
É muito respeitável a convicção daqueles que sustentam, guiados pela crença, que o nasciturus (termo jurídico que designa o ser, desde a concepção até o nascimento) já seja um ser humano imbuído de direitos, e cuja existência deve ser respeitada, independentemente dos dogmas católicos.
Todavia, o problema que se espera solucionar por meio da legislação que deixe de considerar criminoso o ato de interromper uma gravidez indesejada está diretamente relacionado aos direitos da mulher. A questão está entre aceitar se o direito de decidir se um filho é desejado cabe à mulher ou à autoridade política.
Também não se discute aqui se a consciência preventiva deveria existir antes da concepção, mas a realidade prática de sua consequência. Em nenhuma hipótese uma legislação descriminalizante implicaria a não importância da adoção de métodos anticoncepcionais, naturais ou artificiais, bem como a educação sexual e as campanhas de controle de natalidade.
As leis de países que permitem o aborto estabelecem prazos máximos para praticá-lo (que variam entre a décima segunda e a vigésima quarta semana) e obrigam a um período de reflexão entre a decisão e o próprio ato.
O fato que repercutiu na imprensa mundial, originado na menina de 9 anos, autorizada pelo estado a praticar o aborto dentro dos limites impostos pela lei vigente, que já permite a interrupção da gravidez em casos de estupro e risco de morte da mulher, foi a manifestação de um arcebispo da Igreja Católica, o qual, sustentado pelo Vaticano, sobressaiu a excomunhão da equipe médica e de sua mãe. Seguindo o que está prescrito no Direito Canônico, o representante da Igreja foi coerente e não cabe aqui questionar a sua fé.
De grande relevância, porém, destacamos a relação entre a Igreja e a democracia. A Igreja Católica não é uma instituição democrática e nem poderia sê-lo. Exceto o budismo, que mais se enquadra como uma filosofia, nenhuma religião é democrática. As verdades que defende são absolutas, provêm de um Deus, e, a transcendência e seus valores morais não são objeto de transações nem de concessões em matéria de valores e verdades opostas.
Os tempos da Inquisição e as imposições do Talibã talvez sejam os exemplos de maior visibilidade e os mais radicais da intolerância religiosa. Essa, felizmente, não é mais a preocupação em torno da questão, sobretudo, no mundo desenvolvido dos dias atuais.
A separação entre Igreja e estado foi uma das grandes conquistas da democracia e da república. A ampliação da secularização, cedo ou tarde, permitirá avançar e terminará por se impor na América Latina, incluindo o Brasil, e também em outros recantos menos desenvolvidos do planeta. Uma vez mais, os direitos da mulher dependem das conquistas do desenvolvimento econômico e social das nações.
Reproduzimos abaixo trechos do artigo “Ponto de Vista“, originalmente publicado no dia 25 de abril de 2007, neste blog. Atualizamos as estatísticas, o mapa e as informações do texto original:
Na América Latina, região na qual o aborto continua proibido na grande maioria dos países¹, estima-se que morram, por ano, cerca de 10.000 mulheres em função de complicações causadas pós-aborto, entre as 4 milhões que se submetem ao procedimento, de acordo com estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde). Por tratar-se de prática não autorizada por lei, mulheres recorrem a clínicas clandestinas, em condições precárias e inadequadas, e muitas, entre aquelas que escapam da morte, acabam sofrendo lesões irreversíveis.
Especialistas estimam que somente no Brasil ocorram, anualmente, 1 milhão de casos de interrupção de gravidez. De acordo como o Ministério da Saúde, as complicações pós-aborto são a 4ª causa de morte de mulheres no país e a curetagem (coleta de restos de tecidos do útero) é o segundo procedimento obstétrico mais praticado nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), superado apenas pelos partos. Em 2004, cerca de 244 mil mulheres foram atendidas para fazer curetagem ou tratar infecções pós-aborto no SUS.
Em editorial, o jornal Folha de S.Paulo, em 2005, já destacava: “enquanto mulheres de classes mais favorecidas recorrem a clínicas particulares e podem até mesmo procurar um país onde o aborto seja legalizado, as que pertencem aos setores de baixa renda são submetidas a situações que colocam em risco a sua saúde”.
Na União Européia e nos Estados Unidos, o direito ao aborto legal e seguro foi conquistado na década dos 1970. Já está mais do que na hora de fazermos avançar nossa ultrapassada legislação, da década dos 1940.
¹ Na América Latina, o aborto só é permitido em Cuba, em Porto Rico, na Guiana e na Guiana Francesa (esta última, submetida à legislação da França).
LEGISLAÇÃO SOBRE O ABORTO NO MUNDO

| ?? | Legal |
| ?? | Legal, em caso de estupro, riscos à saúde da mãe (físicos ou psíquicos), indicação social ou deficiência irreversível do feto. |
| ?? | Ilegal com exceções em caso de estupro, risco de morte da mãe ou deficiência irreversível do feto. |
| ?? | Ilegal com exceções em caso de estupro e risco de morte da mãe. |
| ?? | Ilegal com exceção em caso de risco de morte da mãe. |
| ?? | Ilegal sem exceções. |
| ?? | De acordo com distinções religiosas. |
| ?? | Sem informações. |
Os primos de Guiné-Bissau
Posted by Marcus Mayer in Africa, Relações Internacionais on March 3rd, 2009
O fenômeno da globalização transformou os cursos de Relações Internacionais (R.I.) numa opção significativamente atrativa para os estudos de graduação e pós-graduação nas melhores universidades brasileiras e ao redor do mundo. A grande procura transformou a carreira numa das mais disputadas da FUVEST, o exame para ingresso na Universidade de São Paulo (USP).
O profissional de R.I., além de aprofundar seus estudos em geografia e história mundial, recebe boa dose de conhecimentos em sociologia, economia, política, direito internacional, filosofia e línguas estrangeiras.
O leque que se apresenta no mercado de trabalho também é bastante amplo. Abrange funções em organizações governamentais e não-governamentais, em organismos internacionais como ONU, OMC, blocos regionais (UE, Mercosul, Nafta), na iniciativa privada etc. Permite também uma excelente base de conhecimentos para eventual ingresso na carreira diplomática (esta depende de aprovação no exame do Instituto Rio Branco, vinculado ao Itamaraty).
Os profissionais podem, ao sabor do próprio gosto e do trabalho que executam, escolher as especializações. Contudo, assim como o é para os diplomatas, a tarefa de dominar a grande gama informações sobre os quase 200 países do mundo, é árdua.
“Quase” 200 países? Por que não apresentar o número exato? – Dependendo da fonte de informação esse número é distinto. O Departamento de Estado americano (U.S. Department of State) reconhece 194 países independentes. As Nações Unidas contabilizam 192 membros e mais dois estados independentes (Vaticano e Kosovo). A minha conta monta a 196, pois nela incluo Taiwan e Palestina.
Toda essa introdução visa somente a demonstrar como é extensa a quantidade de informações com as quais lidam os profissionais de R.I., em geral generalistas. Existem, todavia, aqueles especializados em países específicos ou em determinado grupo (OCDE, América Latina, África, Oriente Médio, Extremo Oriente etc.).
Hillary Clinton, atual Secretária de Estado (cargo que corresponde aqui ao de Ministro de Relações Exteriores) do governo de Barack Obama, admirada pelo seu conhecimento a respeito da geografia mundial, também terá de enfrentar o problema. Todavia, tem à disposição, como fonte de dados, todo o Departamento de Estado.
AFRICA
No início do ano, divulgamos notícia a respeito da entrada em vigor do acordo ortográfico assinado pelos 8 estados que compõem a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (Portugal, Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, e, Timor Leste). O grupo é integrado por um país europeu, um americano, um asiático e cinco africanos. Exceção feita para Portugal, que integra a União Européia, e para o Brasil, os demais apresentam as piores posições no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e encontram-se entre as nações mais pobres do planeta.
Ontem fomos surpreendidos com a notícia do assassinato do presidente de Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira. Excetuando-se a barbarie do ato, a notícia não encontra nenhuma grande relevância na comunidade internacional. Isso pode ser constatado facilmente, pois, em seguida ao ocorrido, pouquíssimos sites ou canais de notícias tornaram a abordar as consequencias do fato.
Quem lê o post talvez se sinta desestimulado em prosseguir, dada a irrelevância da notícia. Pedimos, contudo, que continue a leitura, pois logo atingiremos o objetivo do texto.
Guiné-Bissau precisa da solidariedade dos brasileiros! Primeiramente, porque seu povo é extremamente sofrido, considerando-se sua história – da colonização portuguesa aos dias recentes, nos quais atravessou guerra civil e sofreu golpes de estado. O seu povo enfrenta todos os mais graves problemas originados na pobreza: elevada taxa de mortalidade infantil (102/1000), analfabetismo (57,6%) e infectados pelo vírus HIV (10%). Guiné-Bissau, de acordo com o CIA World Factbook, está entre os cinco países mais pobres do mundo; sua renda é de somente US$600 (PPP – Purchasing Power Parity). A politica e a economia do país estão infectadas pelo tráfico internacional de drogas.
O segundo fator pelo qual Guiné-Bissau requer solidariedade é a provável existência de primos – por mais remotos que sejam – de boa parcela de brasileiros, que encontra suas raízes entre os escravos negros que para cá foram trazidos à força durante a colonização.
Historiadores e geógrafos classificam a origem dos escravos africanos entre bantos e sudaneses. O primeiro grupo corresponde aos originários, principalmente, do Congo, de Angola e de Moçambique. Os chamados sudaneses, grupo ao qual os povos de Guiné-Bissau podem pertencer sob esta classificação, foram trazidos, principalmente, de territórios que correspondem atualmente à Nigéria, à Costa do Marfim e a Benin, região também conhecida como ”Costa do Escravo”.
Enquanto os bantos foram vendidos (que barbaridade!) em maior número para os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco, os sudaneses ingressaram no Brasil, majoritariamente, pela Bahia. Hoje, seus descendentes habitam e se misturam por todo o território brasileiro.
Ao realizar pesquisa na Internet, fiquei impressionado com o fato de encontrar tão poucas informações sobre Guiné-Bissau. O site oficial do governo parece nem existir. A maior parte das informações que possuo estão nos sites de estatísticas, atlas e livros de geografia. Todavia, tenho uma fonte fidedigna para prestar o testemunho do dia-a-dia do país e de seu povo. É meu colega de curso, Justino Có, na faculdade de Filosofia.
Na USP, tenho a oportunidade de conversar com Justino sobre qualquer assunto e, primacialmente, a respeito de Guiné-Bissau. Sua trajetória pessoal é das mais admiráveis e estou certo que, depois de anos de estudos universitários no Brasil, quando retornar, contribuirá para o desenvolvimento e para a redução da pobreza em seu país. Detalhe interessante dessa história, e que precisa ser lembrado, é que conversamos em português!
Nós brasileiros, temos condições de fazer muito mais que quaisquer outras nacionalidades, para contribuir com Guiné-Bissau e com os demais países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa na África e, até mesmo, no Timor Leste.
Do governo do Brasil, que gosta de afirmar que tem uma diplomacia a qual privilegia as relações com países do continente africano, não podemos esperar nada. O Itamaraty, em toda a sua história, jamais foi conduzido por um time tão incompetente em relações exteriores, como durante o governo atual. Porém, das organizações não-governamentais, das empresas, das escolas, e principalmente dos cidadãos brasileiros, que têm 42,8%* de sua população constituída por descendentes de africanos, conforme dados do IBGE, devemos aguardar muito!
* o percentual corresponde à soma daqueles que se incluem entre “pretos” e “pardos” (terminologia oficial) nas pesquisas do órgão; todavia, o número de descendentes de negros (”esbranquiçados” pela miscigenação, mas que apresentam mais de 10% de contribuição subsaariana no DNA) é consideravelmente maior, e corresponde a 86% da população brasileira, de acordo com estudos de especialistas.
RECOMENDAÇÃO DE LEITURA
Àqueles que se interessam pela África, recomendo a leitura de um ótimo livro, sob o título Muito longe de casa – Memórias de um menino-soldado, de Ishmael Beah, nascido em Serra Leoa. O relato é autobiográfico. Descreve a matança de sua etnia por rebeldes e seu aliciamento como ”menino-soldado” durante a guerra civil, aos 12 anos de idade. O mais importante da obra é poder constatar a importância de ações humanitárias que acabaram oferecendo um final surpreendente à trajetória.
Aproveito para deixar registrado aqui no blog um especial agradecimento, a minha querida amiga Débora Bomventi, da Universidade de São Paulo, que me presenteou com este livro.
Novo ciclo de prosperidade
Posted by Marcus Mayer in Economia, Mundo on February 24th, 2009
Para conduzir nossas vidas de forma satisfatória é importante estarmos bem informados. Diante do atual momento de crise econômica global, ficamos ansiosos por informações corretas e que possam auxiliar em nossa tomada de decisões.
Temos à disposição CNN, Globo, Folha, Estadão, BBC, Al-Jazeera, Reuters, Le Monde, Times, e até TeleSur, entre tantas outras produtoras de notícias, para formarmos nossas opiniões. Todavia, nem sempre as informações são claras e corretas.
O artigo que apresentamos a seguir tem como objetivo permitir um melhor entendimento da crise econômica que atravessa o mundo. Não temos o monopólio da verdade nem do conhecimento. Mas muito diferentemente daquilo que tem sido divulgado pelos grandes meios de comunicação, a origem dos problemas econômicos atuais não é de responsabilidade do setor privado ou da globalização. É culpa exclusiva de governos irresponsáveis e incompetentes!
A solução para a crise também não será determinada pelo socorro trilionário de governos ao sistema financeiro, às montadoras de veículos ou ao setor imobiliário. O mercado terá de adaptar-se ao novo cenário e encontrar a recuperação. Uma recuperação que virá muito em breve, acompanhada de um novo ciclo de grande prosperidade ao redor do mundo!
Da origem à solução da crise
por Marcus Mayer*
exclusivo para o Blog | Terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
É possível ser otimista em meio a um cenário de grave crise econômica global? A resposta é sim! Isso se pudermos entender o momento atual e enxergar claramente as perspectivas.
Discorrer sobre questões econômicas pode parecer complicado, levando em consideração a terminologia técnica. Tentaremos, porém, apresentar explicações simples e exemplos acessíveis, traduzindo do economês para o português, como diria Joelmir Beting.
Para compreender como se dará a saída da crise, é necessário conhecer muito bem a sua origem. A metáfora mais utilizada para explicá-la é a da bolha – ouvimos falar de bolha imobiliária, bolha especulativa, bolha de consumo etc. Na química, um gás flutua dentro de um líquido e cria essa formação. O que ocorreu na economia foi algo bastante parecido, ou seja, criou-se uma bolha de dinheiro. Ela estourou e o dinheiro se perdeu, tal qual o ar que se espalha na atmosfera ao ser liberado do líquido.
Antes da formação da bolha econômica, um número expressivo de poupadores estava se abastecendo de dinheiro, proveniente de aplicações financeiras. Quando os juros baixaram, decidiram rever seus investimentos e transferiram suas aplicações para o mercado imobiliário. Tanto as instituições de crédito quanto o público em geral, observando o movimento favorável no setor, fizeram a curva da oferta e da demanda crescer sensivelmente. Isso quer dizer: mais crédito foi oferecido e mais pessoas se valeram da oportunidade.
Em microeconomia, sabe-se que quando o setor da construção civil está aquecido, todas as outras áreas serão beneficiadas. Quanto mais pessoas são empregadas, maior é a geração de renda e, consequentemente, maior também é o consumo. Esse se alastra para todos os campos da economia e ultrapassa fronteiras, pois avançam também as importações.
Diante de um cenário de muito consumo, a prosperidade se propaga por todo o mundo e vive-se o chamado ciclo de aquecimento da economia global. Essa é a hora na qual os mais pobres de todo o mundo vislumbram a chance de progredir.
O extraordinário crescimento global refletiu imensamente sobre os miseráveis. Um número expressivo de povos subsaarianos, asiáticos e latino-americanos conseguiram se afastar da condição de pobreza extrema e foram incluídos entre a massa de consumidores globais.
AMÉRICA LATINA – Como a prosperidade não tem ideologia nem necessita de fronteiras, até Hugo Chávez, da Venezuela, e seu projeto populista foram beneficiados pelo aumento do consumo de petróleo, que permitiu abarrotar o seu cofre. Lula da Silva, no Brasil, pôde inchar a máquina governamental e oferecer cargos públicos aos amigos e apoiadores no Parlamento. Governantes populistas tiveram a chance de distribuir dinheiro sem exigir contrapartida, garantindo reeleições, apesar de escândalos de corrupção.
Um dos aspectos negativos do crescimento econômico global foi a agressão ao meio ambiente. A fartura de dinheiro e o consequente aumento do consumo implicaram aumento na produção de energia, na maior parte das vezes pouco limpa; emissão de gases poluidores na atmosfera; devastação de florestas. Contudo, aumentou a preocupação com o desenvolvimento sustentável e de novas tecnologias.
Em meio à festa do crescimento global, de repente, os juros começaram a subir e toda a alegria acabou.
O leitor deve estar se perguntando, quem foi o idiota que resolveu aumentar os juros? A resposta é simples: governos e poderes estatais incompetentes.
Quando um estado gasta demais e não consegue equilibrar o seu orçamento, ou seja, a arrecadação de impostos é inferior aos seus gastos, precisa pegar dinheiro emprestado. Qualquer pessoa conhecedora de economia doméstica tem plena noção de que não pode gastar mais do que ganha. Às vezes, para adquirir um novo bem, necessita de um financiamento. Não há nada de errado nisso! Contanto que as prestações caibam no orçamento.
No caso de governos irresponsáveis, essa preocupação não existe. Jamais vêem limites, gastam o dinheiro do orçamento, não pagam as dívidas já contraídas e investem em projetos que, em geral, são muito mais de seu interesse próprio que do país e de seu povo.
O estouro do orçamento causa o chamado déficit público. Para financiar a aventura, governos decidem vender papéis, os chamados títulos do tesouro. Como estados gastadores em geral não são merecedores de crédito, para atrair compradores oferecem juros superiores aos praticados pelo mercado, às instituições financeiras e aos especuladores.
É perfeitamente admissível afirmar que o governo de George W. Bush tenha sido o principal responsável pelo estouro da bolha de prosperidade. Para financiar seus projetos de guerra, ultrapassou todos os limites da capacidade de endividamento do estado. Naturalmente, o interesse maior da chamada ‘doutrina Bush’ foi permitir lucros extraordinários à indústria bélica e produtora de petróleo. Não é preciso explicar que foram elas as principais doadoras de fundos para as campanhas eleitorais.
O problema específico da bolha imobiliária começou ainda durante o governo de Bill Clinton. Apesar de George Bush não ter consertado o que a sua gestão herdou de errado, certamente, também não é ele, sozinho, o único responsável pela crise. Mas podia, perfeitamente, tê-la evitado! Nessa hora, aonde estavam os congressistas e os especialistas da grande imprensa, das universidades e do setor privado, que permitiram a construção da catástrofe? Estavam todos se beneficiando com a ilusão do crédito barato.
Exatamente o mesmo pode ser indagado a brasileiros ou venezuelanos, para ficar somente em dois exemplos latino-americanos e de fácil compreensão. Sabe-se claramente que a população desses dois países é beneficiada pelos programas assistencialistas patrocinados por seus governos. O ciclo de prosperidade gerado pelo comércio internacional permitiu até isso.
As chances de Hugo Chávez, vencedor do recente plebiscito que permitirá reeleições sem fim, diminuirão se o preço do barril de petróleo se mantiver baixo. No Brasil, enquanto forem mantidos os programas assistencialistas de Lula da Silva, esse não precisará se preocupar com eventual queda em seus elevados índices de popularidade. Contudo, o que acabou definitivamente foi a orgia com dinheiro público que a Petrossauro já programava, desde a descoberta das reservas de petróleo na camada do pré-sal. Felizmente!
E aonde está a saída para a crise? Quais são as perspectivas?
Depois do estouro das bolhas, os agentes econômicos estão vivendo novamente a realidade. Deixaram de se iludir com o dinheiro fácil e estão se adequando ao novo cenário imposto pelos tempos de crise. Os índices de crescimento retornarão aos patamares seguros, que avançam desde os tempos do final da 2ª Guerra Mundial.
Observe-se no gráfico abaixo a extraordinária oscilação para cima da linha que indica o crescimento do mercado imobiliário nos EUA, entre 1997 (final do governo Clinton) e 2006 (governo Bush), caracterizando claramente o excesso de atividade e a consequente formação da bolha. Na verdade, não há crise no setor. O que existe é o retorno ao patamar original de crescimento, que foi interrompido em 1997 (linha verde).
Clique para ampliar:
O gráfico acima foi elaborado pelo economista Robert J. Shiller, da Universidade de Yale, e retrata a expansão do mercado imobiliário nos EUA desde 1890. The New York Times, “Irrational Exuberance”, 2006, by Robert J. Shiller.
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RETOMADA DO CRESCIMENTO – Depois desse período, que não durará mais muito tempo, o crescimento voltará a todo vapor. O mundo globalizado vem se preparando para a auto-imunização, desde os tempos da Crise Tequila (México), seguida pela dos Tigres Asiáticos, da Rússia, da Turquia, da Argentina. Quando um dos atores do palco da globalização tem problemas, é certo que contagiará os demais.
Nos Estados Unidos, Barack Obama colherá os frutos da volta do crescimento muito em breve. O início de seu mantado, como previsto, será complicado. Mas será necessária também muita cautela na concessão de créditos públicos. Os trilhões que a Casa Branca recebeu autorização do Congresso para injetar na economia não poderão ser usados para bancar a incompetência de bancos, de especuladores ou de acionistas das montadoras de automóveis.
Uma das melhores alternativas para gerar consumo e fazer girar dinheiro na economia é por meio da redução de impostos. E os orçamentos governamentais terão de se equilibrar por meio da redução dos gastos estatais.
Talvez ex-compradores de automóveis das “três grandes” optem por comprar um Toyota no futuro. Não há problema em trocar de marca. Com o aumento da demanda, uma nova montadora terá de construir novas fábricas e concessionárias onde antes existia uma outra da GM, da Chrysler ou da Ford. Os empregados mudarão de patrão e os consumidores, com dinheiro no bolso, jamais deixarão de comprar.
É importante lembrar que quando um governo é chamado para socorrer uma instituição privada atingida pela crise, está prestigiando a incompetência de seus gerentes com dinheiro do povo, que paga a conta por meio de impostos. Isso poderia ter sido evitado, mas foram os próprios eleitores que escolheram seus governantes.
Levante a mão quem gosta de pagar imposto!
*Marcus Mayer é especialista em Relações Internacionais e editor do blog

Inauguramos uma nova coluna apresentando comentários e opinões a cerca de assuntos de interesse global. Resgatamos o formato da antiga coluna WEEKLY NEWS, que foi publicada até 2008, e inserimos algumas alterações que julgamos úteis. Os temas são variados e abordam fatos e notícias recentes, do Brasil e do mundo. Os blocos são de leitura rápida e os respectivos títulos são objetivos, permitindo ao visitante uma fácil localização do conteúdo de seu interesse. A novidade mais relevante são informações geopolíticas e estatísticas constantes abaixo dos blocos. Ao lado das bandeiras dos países constam: nome da capital, população, idioma oficial, posição no ranking do IDH, PIB per capita, nomes dos governantes etc. As estatísticas são atualizadas e têm como fontes, principalmente, o World Economic Outlook (FMI), o World Factbook (CIA) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Apesar de todos os protestos contra a maior fraude eleitoral dos últimos anos, provavelmente, o mundo não se livrará tão logo de Mahmoud Ahmadinejad. Não há dúvidas de que o Irã possuiria o mesmo direito de fazer uso de tecnologia nuclear para produção de energia, como qualquer outro país civilizado do planeta. Mas isso só seria viável se não fosse controlado por uma ditadura de fanáticos religiosos, os chamados líderes supremos, e por um louco, o presidente Ahmadinejad. Somente uma reforma liberal – que prioritariamente separasse o estado da religião – permitiria ao povo iraniano a inserção do país num mundo civilizado.
Como todas as demais Comissões Parlamentares de Inquérito que já ocorreram durante o governo do presidente Lula da Silva, a CPI da Petrossauro certamente acabará em pizza. Aliás, essa aí já começou em pizza desde que foram indicados os seus integrantes. O governo ficou com a presidência e a relatoria. Para a oposição sobraram três vagas. O pavor inicial do governo, portanto, não se justifica. Afinal, numa empresa estatal tão correta e moderna, não haveria mesmo nada que temer …

PRESTAÇÃO DE SERVIÇO









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