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Por que não escrever “portugues”?
Posted by Marcus Mayer in Educação, Reforma Ortográfica, Sociedade on January 2nd, 2009

O ano que se inicia vem acompanhado de uma importante mudança para os paises lusofonos: a reforma ortografica. A nova grafia da Lingua Portuguesa entrou em vigor no dia 1º. Num pais como o Brasil, no qual a leitura ainda é habito de poucos, essa alteração na forma de escrever, no primeiro momento, so sera preocupação mesmo entre editores de livros, revistas, jornais e – tambem entre nós – redatores de blogs. A partir dos proximos exames vestibulares, os candidatos as universidades tambem terão mais com que se divertir.
No campo economico, os custos serão elevados para aqueles que precisam renovar as bibliotecas, como governos os quais terão de investir na atualização do material didatico. As editoras, por outro lado, ganharão com a venda desse material e de novos manuais e dicionarios. É facil concluir que a conta sera paga, como sempre, pelos contribuintes.
A razão principal que motivou a atual reforma foi a unificação da forma escrita da lingua. Tal qual o espanhol, que usa uma unica regra (apesar das nitidas diferenças na fala), o portugues, a partir de agora, sera grafado “quase” da mesma forma em Portugal, no Brasil e na Africa.
No que se refere ao merito da reforma em si, firmamos uma opinião: essa é mais uma reforma capenga que, certamente, tera de ser retomada, ja nas proximas decadas. Primeiramente, porque a unificação não foi plena; e, segundo, porque é pouco ambiciosa.
Fundamentemos. Giselle, a linda, esta tranquila, pois continuara a colocar o trema em seu sobrenome, tal qual o seu primo alemão, o Hans Müller. O voo do condor sera suavizado, pois não carregara mais o peso do chapeu no primeiro “o”. A infraestrutura sera mais leve depois de perder o hifen. As minissaias mudaram de tamanho com o “s” a mais; e no estado do Acre agora vivem os acrianos.
Tudo isso faz sentido. Mas por que não ir mais adiante e eliminar logo todos os demais acentos superfluos? O leitor mais atento deve ter observado que nós o fizemos ate aqui, procurando justificar essa argumentação. Alguma dificuldade para entender o texto? – Talvez no que se refira ao tempo verbal futuro, pois “ocorrera” e “ocorrerá” nos remete a momentos diferentes da ação. Quem, contudo, ainda utiliza a primeira forma, ou seja, aquele tal de pretérito mais-que-perfeito do indicativo?
Deste ponto em diante, tentaremos escrever de acordo com a regra atual, preservando todos os acentos ainda impostos pelo acordo ortográfico, e sobretudo para não confundir ainda mais o leitor.
O assunto, todavia, nos remete para mais algumas reflexões. Por que mudar a grafia de nomes próprios e de pontos geográficos? Considero esse um dos maiores absurdos, não só da Língua Portuguesa, mas de outros idiomas também.
Jamais entendi o porquê de Martin Luther, o da Reforma, virar Martinho Lutero. Para manter a (in)coerência não seria adequado tratar o outro Martin, o americano, da defesa dos direitos humanos e da igualdade racial, de Martinho Lutero Quingue (ou Rei)?
Recentemente, estudei a obra de Hugo Grotius. Ao pesquisar referências na Internet, precisei procurar também por Hugo Grócio, Huig de Groot e Huigh Groot. Afinal, qual dos quatro é o autor de Direito da Guerra e da Paz?
Outro disparate pode ser notado quando se trata de cidades e países. Será que vale menos a pena viajar para Seychelles que para Seicheles? E entre Hawaii e Havaí, qual seria o melhor destino? Para sermos menos exóticos, observemos a incoerência, em se tratando de New York. Chega-se à irracionalidade de uma tradução pela metade: por que Nova York e não Nova Iorque, já que alguém optou por esse ridículo? Outro exemplo risível do métier geográfico (ou seria melhor metiê?) é que brasileiros viajam para Stuttgart, no sul da Alemanha, enquanto portugueses preferem Estugarda(!).
Por outro lado, é aceitável que a República dos Camarões seja assim tratada, em português, respeitando-se a origem histórica do nome. Entre 1884 e 1914 a região foi um protetorado alemão, denominado Kamerun. Atualmente, nas duas línguas oficiais, inglês e francês, o país se chama Cameroon ou Cameroun. O nome do país origina-se de 1472, quando o navegador português, Fernando Pó, batizou o principal rio da região de Rio dos Camarões, provavelmente, por causa de uma grande incidência desse crustáceo em suas águas.
Uma curiosidade se refere ao dígrafo ch. Assim como no espanhol, agora instituiu-se a pronúncia tchê também no português, apesar de escrevermos chê. Acontece com República Checa, Chad, Chechênia, e com aquele ídolo do “idiota latino-americano”, o Che Guevara.
Retornando à questão da reforma, não é somente no português que não encontramos consenso. Enquanto na Suíça é possível localizar qualquer rua pelo nome de Strasse, na Alemanha ainda roda-se pela Straße, com esse estranho ß, com som de dois ésses. A última reforma ortográfica da língua alemã, de 1996, poderia ter abolido esse desvario em todas as palavras com o tal ß.
Em melhor situação está o espanhol, que mencionamos no início do texto, falado como primeira língua em 20 países e por aproximadamente 500.000 pessoas, segundo o Instituto Cervantes. A Associação de Academias da Língua Espanhola conseguiu unificar a escrita desde 1999, por meio de um dicionário pan-hispânico.
Enquanto isso, nóis aqui, vamos nos acostumando aos novos tempos da complexa Língua Portuguesa. Se algum dia já compramos Coca-Cola na pharmacia, hoje deixaremos de procurar pelo em ovo. E talvez, num futuro próximo, passemos a escrever portugues – assim, sem acento.
…
Happy New Year!
Posted by Marcus Mayer in Do editor on December 27th, 2008
Desejamos aos nossos leitores e visitantes um excelente 2009!
Aproveitamos para agradecer àqueles que sempre nos acompanharam mesmo durante os últimos meses, nos quais não pudemos manter uma boa regularidade de publicações. Muito obrigado, pelos sempre atenciosos comentários!

Como é tradicional em nossa cultura, ao encerrar um ano, traçamos novos planos para o futuro. Nem sempre conseguimos cumpri-los. Uma das técnicas mais eficazes para que uma meta seja atingida é registrá-la por escrito.
Assim, aqui o fazemos em público: esperamos imprimir em 2009 um novo ritmo ao blog. Temos em vista torná-lo um espaço de publicações semanais – ou, ao menos, mensais. Isso elevará a qualidade dos posts, além de permitir aos visitantes um melhor agendamento para as visitas.
Pretendemos adotar essa mesma regularidade em nossa navegação pelos blogs dos colegas. A retribuição de comentários também precisa ser planejada. Afinal, essa é a maior recompensa para todos nós que gostamos de escrever voluntariamente. O feedback é o nosso combustível.
Que 2009 seja melhor para todos!
O menor teste político do mundo
Posted by Marcus Mayer in Filosofia, Política on November 12th, 2008
Como você se classifica politicamente?
para descobrir, responda a essa adaptação do famoso
World’s Smallest Political Quiz
(O menor teste político do mundo)
Durante anos, a ideologia política foi representada por uma escolha entre a esquerda, a direita e o centro. Cada vez mais especialistas consideram essa visão demasiado estreita, pois exclui milhões de pessoas. O diagrama do teste apresenta uma representação muito mais exata do espectro político. Ele mede tendências que não são absolutas. O resultado, todavia, indica a ideologia com a qual você mais se identifica e o quanto você concorda e discorda de outras filosofias políticas. Poderá ter também uma grande surpresa!
INSTRUÇÕES:
Para cada questão, escolha entre C para Concordo, T para Talvez (ou não sei), e D se você Discorda.
C: 20 pontos / T: 10 pontos / D: zero
LOCALIZE-SE NO DIAGRAMA AO LADO
Some os pontos separadamente. Para as questões de ordem pessoal marque a sua posição na pista da esquerda. Para as questões de ordem econômica localize-se na pista da direita. Siga os quadradinhos até a intersecção e encontre a sua posição no diagrama. As distintas áreas mostrarão o grupo político no qual você melhor se enquadra.
O QUE SIGNIFICA O SEU RESULTADO NO DIAGRAMA?
Liberais
Apóiam uma grande gama de liberdades; entre elas, a liberdade de escolha nas matérias de ordem pessoal e nas relações econômicas. Acreditam que a única verdadeira obrigação do estado é a proteção contra a coerção e a violência. Valorizam as responsabilidades individuais e toleram a diversidade econômica e social.
Social-Democratas
Abraçam a liberdade de escolha nas questões pessoais, mas apóiam a centralização das decisões econômicas. Desejam que o governo dê ajuda aos necessitados em nome da justiça social. Toleram a diversidade social, mas lutam pelo que chamam de “igualdade econômica”.
Conservadores
São a favor da liberdade de escolha nas questões econômicas, mas defendem padrões oficiais nas matérias de ordem pessoal. Tendem a apoiar o livre mercado, mas freqüentemente desejam que o estado defenda a comunidade naquilo que vêem como ameaça à moralidade ou à estrutura da família tradicional.
Centristas
Favorecem a intervenção seletiva do estado e enfatizam o que comumente descrevem como “solução prática” para dirimir problemas correntes. Tendem a manter um pensamento aberto em questões políticas. Muitos centristas atribuem ao governo a responsabilidade de impor limites às liberdades excessivas.
Nacional-Estatistas
Defendem uma maior responsabilidade estatal no controle da economia, dos indivíduos e da sociedade. Apóiam um planejamento centralizado, e freqüentemente questionam a liberdade de escolha nas questões individuais. Na parte inferior do diagrama, os autoritários de esquerda são usualmente chamados de socialistas, enquanto que os autoritários de direita são chamados de fascistas.
NOTA DO EDITOR
O teste acima faz jus ao seu nome – é realmente muito breve -, mas o consideramos muito objetivo e relativamente preciso. Registre, se possível, no espaço reservado aos comentários, a sua opinião. As terminologias utilizadas são adequadas ao Brasil. A “Terceira Via” localiza-se próxima à intersecção entre o liberalismo, a social-democracia e o centro. Nos Estados Unidos, os liberais são chamados de “libertários” (libertarians), enquanto os social-democratas também são conhecidos como “liberais de esquerda” (left-liberals).
CREDIT: The “World’s Smallest Political Quiz” is adapted from an original idea by David Nolan. Web: http://www.theadvocates.org/quiz.html
Kassab em São Paulo e Gabeira no Rio
Posted by Marcus Mayer in Cidades on October 16th, 2008
Meu título de eleitor ainda está registrado na 17ª zona eleitoral do Leblon, no Rio de Janeiro, onde vivi por quase duas décadas. Os últimos tempos, porém, tenho passado em São Paulo, minha cidade natal. Aqui, acompanhei as gestões de mais de uma dezena de prefeitos paulistanos – desde a época em que ainda eram nomeados pelo governador. No Rio de Janeiro, presenciei a falência da cidade, durante a gestão de Saturnino Braga (quando da primeira eleição direta), e a vi renascer com César Maia, em 1993.
Hoje, externo minhas preferências diante do quadro eleitoral que se apresenta nas duas cidades. Comecemos pelo Rio. Estou com Gabeira! Apesar de seu passado político torpe – atuou como guerrilheiro da extrema-esquerda e apoiou Lula da Silva em diversos momentos da história recente – tornou-se um ícone em defesa da moralidade na política e da liberdade nas relações econômicas. Além disso, é um tradicional defensor da conservação do meio ambiente.
Em São Paulo apoio o prefeito Gilberto Kassab por duas razões: 1.) realiza uma ótima gestão em parceria com o PSDB, partido esse extremamente bem representado pela atuação de Andrea Matarazzo, secretário de coordenação das subprefeituras; 2.) participa de um projeto político, ao lado do governador José Serra, que visa a defenestrar a turma do perfeito idiota Lula da Silva do Palácio do Planalto.
Do editor
Posted by Marcus Mayer in Do editor on June 2nd, 2008
Africa Day
Posted by Marcus Mayer in Africa, Atualidades, História on May 25th, 2008
Hoje, 25 de maio, é o dia da África, mas pouquíssimos brasileiros – incluindo aqueles que descendem do Continente africano – sabem disso. É lamentável que haja tanta hipocrisia, no segundo país do mundo em população negra (atrás somente da Nigéria).
Discutimos cotas raciais nas universidades, falamos da diminuição dos preconceitos, o governo tem até um Ministério da Igualdade Racial, mas nada de concreto é realizado para estimular uma verdadeira integração cultural com os povos que tiveram seus antepassados escravizados no Brasil.
Acredito estar oferecendo minha pequena contribuição em benefício desse registro, por meio da divulgação da data. Em futuro próximo, publicaremos um artigo em homenagem às comemorações da “Semana da África”.
Uma curiosidade sobre este editor: estou aprendendo swahili*, como é conhecido o idioma da Costa Oriental (falado por aproximadamente 30 milhões de pessoas) e que pretende tornar-se uma língua pan-africana – em detrimento do inglês e do francês, as línguas dos colonizadores, e que já são oficiais na maior parte dos países africanos.
* uma outra forma para se referir ao idioma é kiswahili
Weekly News
Posted by Marcus Mayer in Atualidades, Economia, Weekly News on May 25th, 2008
WEEKLY NEWS
CHEIRINHO DE MUZZARELLA
A CPI dos cartões corporativos foi transformada em CPI do dossiê. Registre-se que somos plenamente favoráveis à transparência dos gastos sempre: tanto do governo anterior como do atual. Todavia, a ‘minúscula’ oposição está totalmente desnorteada diante da blindagem que a tropa de choque do governo ofereceu aos gastos do atual presidente da República e de seus familiares. O governo mais corrupto da história brasileira poderá comemorar mais uma vitória, ao sabor de uma pizza, paga preferencialmente sob o sigilo do cartão de crédito.
CPMF, O RETORNO
O governo e sua base aliada preparam mais um episódio de terror para os brasileiros: o retorno do pior imposto em cascata. O DEM e o PSDB estão unidos na luta contra a iniciativa. “Se esse absurdo prosseguir na Casa, temos que fazer uma avaliação de sanidade no Congresso. O único caminho seria recorrer ao STF”, afirma o líder do DEM na Câmara, Antônio Carlos Magalhães Neto (BA). “Isso é um desrespeito ao Senado. O Congresso disse não à CPMF no ano passado; qualquer subterfúgio é um desrespeito a nós. Acho que temos que mobilizar a sociedade contra isso”, afirma o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
INTERNACIONAL
ADEUS SOLITÁRIO
Com a morte do líder e fundador das FARC, Manuel Marulanda, o Tirofijo, aumentam as chances de Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, exterminar o terrorismo praticado por essa organização de extrema-esquerda. Porém, alguns integrantes e aliados do governo brasileiro, como Marco Aurélio Garcia (assessor especial da Presidência), José Dirceu, Frei Beto (ideólogo da Teologia da Libertação) e Samuel Pinheiro Guimarães (secretário-geral do Itamaraty), devem estar profundamente entristecidos pela falta de consideração do comando das FARC, que não os convidou para chorarem sobre o caixão do “estimado companheiro”.
FORO DOS IDIOTAS
Álvaro Uribe não caiu no “conto-do-vigário” que os colegas ‘muy amigos’ pretendiam lhe aplicar, por meio da criação de um conselho de segurança conjunto, sob os auspícios da UNASUL – mais uma daquelas organizações internacionais do subcontinente que servem de palco para os perfeitos idiotas latino-americanos discursarem. A proposta de entregar a segurança da América do Sul a um grupo integrado por Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa e Lula da Silva – os simpatizantes das FARC – seria o mesmo que confiar o controle da penitenciária a Fernandinho Beiramar e a Marcola, os ex-chefes do narcotráfico!
SOCIEDADE
AME E DÊ VEXAME
O escritor e terapeuta Roberto Freire, morto na última sexta-feira, aos 81 anos, deixou um valioso legado, registrado em suas obras, visando o respeito à liberdade nas inter-relações pessoais e amorosas. Atribuo a ausência de machismo e menor autoritarismo nas minhas próprias relações a alguns ensinamentos recebidos desse escritor. Obrigado, Roberto!
ESPORTE
AZZURRA FELICE
Extraído do UOL Esporte: “A seleção italiana de futebol iniciou com animação os treinamentos para a Eurocopa em Coverciano, região central da Itália. Durante as atividades deste domingo, duas mulheres trajando biquínis invadiram o gramado e correram em diração aos jogadores. Muito embora os italianos estivessem se divertindo com a inusitada ‘invasão’, alguns seguranças do local tiveram que retirá-las à força. O treino da Itália seguiu normalmente depois do incidente.”
(Foto: Reuters)
FRASE
“Eu te amo porque não preciso de ti, tu me amas porque não precisas de mim; somos um para o outro, deliciosamente, desnecessários.“
Roberto Freire, escritor e terapeuta
Politicômetro
Posted by Marcus Mayer in Filosofia, Política on May 23rd, 2008
Na edição 2060, de 19 de maio de 2008, a revista Veja publicou um teste sob o nome ‘politicômetro’, visando situar o leitor no espectro político-ideológico. Em seu editorial informou ter se inspirado numa iniciativa americana, porém, sem citar a fonte. Os leitores mais assíduos de nosso blog, todavia, sabem que a autoria é de David Nolan e que o formato do teste foi ligeiramente modificado.
No intuito de nos anteciparmos em relação à revista, republicamos a nossa tradução do “World’s Smallest Political Quiz”, no dia 5. Mantivemos o formato original, permitindo um resultado claro àqueles que se submetessem ao teste. (clique aqui para conferir)
Na semana atual, Veja também confirma o que afirmávamos há um ano, aqui mesmo, no que concerne ao Brasil e a sua caracteristica dúbia de manter um pé no mundo desenvolvido e outro no atraso. Os detalhes constam do texto “Mosquito vence avião”, que publicamos abaixo.
Desejamos uma ótima semana aos nossos visitantes!
Mosquito vence avião
por Marcus Mayer*
exclusivo para o Blog | Sexta-feira, 23 de maio de 2008
Aproximadamente 12 meses atrás, publicamos neste espaço uma série de receitas que acreditávamos urgentes e apropriadas para inserir o Brasil, definitivamente, no rol dos países desenvolvidos (clique aqui para ver o post) . Este não é nenhum grande mérito próprio – apesar dos positivos comentários recebidos na época –, pois os temas são correntes durante uma corrida de táxi ou à mesa de um bar.
Como matéria de capa, a revista Veja desta semana oferece como solução para os problemas do atraso brasileiro, num ótimo texto, uma receita com os mesmos ingredientes e semelhante modo de preparo ao que tínhamos apresentado. Utiliza-se, todavia, de uma terminologia sensivelmente ultrapassada no jargão das Relações Internacionais: ‘primeiro’ e ‘terceiro’ mundos.
Essas referências foram perfeitamente válidas durante o contexto da Guerra Fria, designando os países capitalistas alinhados aos Estados Unidos (primeiro mundo), os ex-socialistas sob influência da antiga União Soviética (segundo mundo) e os não-alinhados (terceiro mundo). A classificação atual, no sentido de qualificar o seu grau de desenvolvimento, agrupa os países do mundo em ‘ricos’, ‘emergentes’ e ‘pobres’. Brasil, Rússia, Índia e China, os chamados BRICs, estão entre os principais emergentes.
CONTRASTE – Com efeito, o Brasil, cujo grau de desenvolvimento permanece como um dos mais desiguais do planeta, apresenta em alguns setores nítidas características de país rico, concomitantemente aos bolsões de extrema pobreza e aos típicos problemas das nações mais miseráveis. Veja destaca muito bem essa idiossincrasia, ao ilustrar sua matéria com um modelo da EMBRAER, exemplo de elevadíssimo grau de tecnologia, e um Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.
Confirmando o que já dizíamos em nosso artigo de junho de 2007, o País necessita urgentemente de maior abertura econômica (observe a tabela comparativa ao lado). Precisa também diminuir drasticamente o tamanho do estado – o aparelhamento da máquina pública é um dos maiores malefícios ao desenvolvimento, aprofundados pelo atual governo petista. Deve retomar as privatizações, investir maciçamente em ciência e tecnologia, preservar o meio ambiente e extirpar a corrupção.
Infelizmente, o que executa o governo de Lula da Silva é justamente o contrário.
* Marcus Mayer é especialista em Relações Internacionais e editor do blog












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