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Conversa com bloggers

heidi-montag-birthdayEsta página acaba de completar dois anos na Internet. No primeiro comentário conferido, um amigo da USP, médico psiquiatra, registrava votos de “vida longa” ao blog. Permanecemos viventes. Para comemorar o aniversário, iniciei a redação de um post que abordaria temas sobre a conjuntura brasileira e mundial. No último instante, mudei de idéia. Ainda aguardo pelo resultado da reunião do G20 em Londres. Assim, decidi por uma breve conversa com bloggers, além de destacar um tema que está em discussão no STF, a liberdade de imprensa.

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Naturalmente, você já observou que a sidebar dos blogs contém uma lista de páginas afins. Então, nesta nossa conversa, dou partida com uma pergunta: você procura conhecer esses links?

Ontem, navegava pela página de Alvaro Vargas Llosa, do Independent Institut (link que mantenho desde o início), para conhecer o seu ponto de vista em relação às últimas medidas de Barack Obama. Explorando as conexões da página original, acabei por ancorar num texto a respeito da blogger cubana, Yoani Sánchez, na página de Andrés Durán, da República Dominicana.

Você talvez já tenha ouvido falar dela: Yoani foi vencedora, no ano passado, do prêmio Ortega y Gasset, que lhe rendeu 15 mil euros. Os posts de seu blog chegam a registrar em média entre 100 e 150 mil leitores. Ela escreve de Havana, a capital de Cuba, enfrentando a censura da ditadura dos irmãos Castro.

Não pretendo me alongar nos detalhes sobre sua trajetória, para não estragar a surpresa contida no interessante texto de Durán, que consta traduzido, abaixo.

 samsung-monitorUma segunda questão que gostaria de incluir em nossa conversa refere-se à tecnologia. Antes de adquirir meu monitor atual, tinha um modelo de 17”. Foi substituído por um de LCD 22” widescreen (1680×1050 pixels), que qualifico como espetacular. Todavia, quando o instalei e visitei meu blog, percebi que a página estava ultrapassada. As fontes, o banner superior, tudo estava muito reduzido. Outros blogs, que antes não cabiam na tela, passaram a ser muito melhor visualizados. Foi quando resolvi trocar o layout. Aproveito o gancho para perguntar: qual é o tipo do seu monitor e que navegador de Internet você usa em seu computador? Você também estranha a diversidade na qualidade do layout dos blogs – alguns com colunas principais muito estreitas e outros extremamente largos? 

 Nos últimos dias, instalei o recém lançado Internet Explorer 8. Tive uma boa surpresa: o navegador amplia automaticamente a dimensão de algumas páginas. Curiosamente, por meio dessa ferramenta do IE8, fiquei sabendo que a tecnologia deste blog já está novamente ultrapassada.

Não sei se você notou, mas na parte superior da página, à direita, há um recurso que permite ampliar o tamanho das fontes, conferindo maior conforto à leitura. Você utiliza a ferramenta? Eu me habituei a usá-la, não somente na minha, mas em outras páginas que também oferecem o recurso. Interrompa um pouco a leitura e faça o teste.

A comodidade sempre foi uma de minhas prioridades. Prefiro carros confortáveis aos esportivos, mesmo que estes últimos tenham melhor desempenho. Isso também vale para as viagens aéreas. Upgrades na classe executiva sempre fizeram a minha festa. Assim, para navegar calmamente e ler os textos em seus detalhes, a ferramenta que adapta o tamanho das fontes acaba sendo bastante útil para ampliar o prazer da leitura.

Retornando àquela questão inicial, sobre as sugestões de blogs, decidi pela substituição de seus títulos por mini-banners. O que você achou da iniciativa? Se você é o editor de algum deles e não gostou do design, sinta-se à vontade para reclamar.

Permita-me uma breve apresentação de alguns links:

neoliberal-nao-liberalVou começar pelos blogs do jornalismo profissional, que não exigem nenhuma descrição mais detalhada, pois são conhecidos e reconhecidos em seus trabalhos: Sônia Racy, Lúcia Hippolito, Josias de Souza, Ricardo Noblat são excelentes fontes jornalísticas. Nesse grupo, destacaria o blog de Carlos Alberto Sardenberg, no G1. Estou lendo o seu livro, “Neoliberal, não. Liberal”. Clique na imagem ao lado para ler a resenha e o primeiro capitulo da obra. Certamente, você não se arrependerá!

Como fã da Fórmula 1, tenho duas recomendações interessantes: os blogs de Alessandra Alves, comentarista da Band AM/FM, e de Felipe Maciel, um jovem muito talentoso. Alessandra inclui a graça feminina em seus posts; Felipe escreve diariamente, inclusive durante o recesso das temporadas de F1, sobre tudo o que realmente interessa aos apreciadores do esporte, com notícias de bastidores e opiniões sempre muito coerentes.

E como bom liberal, envolvido nos assuntos de interesse global que tratam da conservação do meio ambiente, tenho acompanhado a ótima coluna de Andréa Vialli, jornalista do Estadão.

No campo das questões nacionais, gostaria de oferecer destaque a mais alguns editores independentes, ou seja, sem vínculo jornalístico profissional:

Neste grupo está um jovem advogado de Curitiba, Fábio Mayer (apesar da coincidência no nome, não somos parentes). No blog que leva seu nome – e admiro isso -, Fábio sabe expor os fatos que interessam ao nosso cotidiano político, com muita consistência argumentativa. Nas entrelinhas de seus textos, não esconde um certo apreço pelo presidente da República, Lula da Silva. Mas é, sobretudo, um fervoroso crítico da corrupção.

Ricardo Rayol é editor do blog “Jus Indignatus”. Seus textos são breves e expostos no formato de pequenos blocos, de leitura agradável e dinâmica. É um “Diogo Mainardi sem censura”. Já disse a ele que mereceria uma cadeira no programa Manhattan Connection, da GNT. Rayol conta em seu blog com a assessoria de alguns personagens imperdíveis: o repórter e analista político Glênio Gangorra, o mago esotérico mais oportunista da atualidade, Heitor Caolho, o especialista em moda Hugo Toso, entre outros, sensacionais! 

Outro blog político que costumo visitar é o “Saí-Verde, Saí-Tucano, Tem-Tem” (título curioso!), de Gonçalves. Nesta página você encontrará um verdadeiro opositor ao governo atual, e sem papas no teclado. Falando em oposição, incluí na lista um banner do blog Democratas. Não é somente propaganda partidária que se encontra por lá, mas um meio de acompanhar a atividade política e parlamentar daqueles em quem votamos. Todavia, muito melhor que com palavras, as charges e cartoons de Sponholz expressam com talento e humor, a realidade política brasileira. Não posso deixar de fora desse grupo o jovem e intelectualizado “libertário”, Rodrigo Constantino, membro dos institutos Liberal e Millenium. Seus artigos são primorosos.

Por que incluí todas essas descrições na conversa? Não sei se esta também é a sua impressão, mas a quantidade de blogs brasileiros realmente bons é muito escassa (refiro-me aos não-profissionais), sobretudo no métier político, econômico e internacional. Você concorda com essa opinião? Se puder, sugira algum blog que considere realmente interessante e inteligente.

groo-on-the-bookMas um ainda está faltando. É o blog do amigo Ron Groo. O tema principal de sua página é a Fórmula 1. Todavia, a característica marcante deste blogger de primeira é o humor e a irreverência, na melhor acepção da palavra. É preciso conhecê-lo para entender o seu estilo simples, porém, extremamente perspicaz ao analisar o cotidiano, e, muito divertido nos contos de sua autoria, publicados no blog.

Para terminar o bate-papo, gostaria de pedir mais um auxílio. Refere-se novamente ao do layout desta página. Você acha que eu deveria incluir ou retirar alguma ferramenta ou informação da coluna direita do blog? E seria adequado alterar o tamanho da fonte (Helvetica) dos textos? Sinta-se a vontade para criticar ou sugerir mudanças que sirvam para aprimorar.

Agora, não desista e continue a leitura pelo artigo de Andrés Durán, que segue. Garanto que valerá a pena.

Tenha um ótimo dia ou uma ótima noite!

NOTA IMPORTANTE: Nem todos os editores de blogs que constam de minha lista de links ou dos mini-banners foram citados neste texto. Estou certo de encontrar oportunidades futuras para destacar seus esforços. 


 REPÚBLICA DOMINICANA

Blog de Yoani Sánchez sobrevive sem Internet
Por Andrés Durán | Blog Bono Cimarrón
Pensamiento Crítico | Santo Domingo 
Traduzido e adaptado por Marcus Mayer

Yoani SánchezEm março de 2008, ofereci destaque ao blog de Yoani Sánchez, Generación Y, por causa da admiração e do respeito que inspira. Esta é, provavelmente, a mídia alternativa mais importante de Cuba. O blog é “made in Cuba” e apresenta até 5 ou 6 mil comentários em alguns de seus posts – o que reflete algo entre 100 e 150 mil leitores.

Precisamente em 7 de maio de 2008, Yoani recebeu o Prêmio Ortega y Gasset de jornalismo digital, com uma gratificação de 15 mil euros. Isso é muito dinheiro, sobretudo, em se tratando de uma cubana, residente em Havana.

O evento causou tal repercussão em Cuba, que até Fidel Castro referiu-se à Yoani no prefácio de uma nova edição do livro “Fidel, Bolívia e algo mais …”. Todavia, a invejável audiência, o dinheiro e as referências diretas de Fidel não são o mais importante a sustentar Yoani, esse fenômeno da comunicação.

O mais extraordinário é que consiga se sobrepôr com um sucesso sem precedentes contra a propaganda governamental, a burocracia do autoritarismo e a intolerância. O domínio desdecuba.com, onde é hospedado o seu blog, está bloqueado na maioria dos servidores ISP do seu país. Ainda assim, ela consegue atualizá-lo e divulgá-lo de forma eficaz.

Seus posts são enviados via eMail para outra pessoa, com privilégios de administrador do site, para atualizar o seu blog. Por sua vez, essa pessoa lhe envia as centenas de comentários deixados pelos leitores.

cd-generacion-yA distribuição do conteúdo do blog – suponho que seja feita de forma clandestina –, ocorre por meio da gravação em CD (veja foto) que vai de mão em mão, ou seja, por uma rede de cidadãos que andam pelas ruas de La Habana e outras províncias, e não pela rede que constitui a Internet.

À margem de admirar qualquer aspecto positivo do processo revolucionário cubano, os princípios da democracia e da liberdade de expressão são inegociáveis.

Sou muito sensível em relação à situação de Yoani, pois observo em seu caso uma estreita relação com a situação dos meios de comunicação na República Dominicana. Aqui a coerção é um tanto mais sutil. Falando claramente, acontece por meio da autocensura imposta pela publicidade governamental, pelo aliciamento político na linha editorial, pela troca de favores, todas razões espúrias, que fazem o jogo da propaganda governamental. Além de rentável, este é um caminho fácil para a apropriação de dinheiro do erário.

Apesar disso, nós que moramos aqui na República Dominicana, vivemos uma situação menos dramática que em Cuba, graças a uma parcela de profissionais de emissoras de radio que mantém a ética jornalistica acima de tudo, e, principalmente, por poder dispor da Internet.

Em último caso, se os escritórios oficiais goebbelianos (ou stalinistas: nota do tradutor) interferirem em tudo, até no ar que respiramos, ainda existirá a irredutível alternativa de criar uma rede de cidadãos, como o fez Yoani em Havana.

guillermo-farinasO bloqueio ao domínio desdecuba.com implicou a greve de fome empreendida em 2006 pelo jornalista Guillermo Fariñas (El Coco), diretor da agência de notícias independente Cubanacan Press. Este ativista político, contrário ao regime cubano, exigiu do governo o mesmo direito que é concedido aos privilegiados pelo regime, de poder ter acesso à Internet em sua casa. “Se meu destino é ser um mártir da liberdade de expressão e conexão à Internet, morrerei tranqüilo”, afirmava Fariñas na época.

Espero que a administração de Raúl Castro seja o início da restauração da liberdade e do respeito aos direitos humanos, sem os quais não adiantam avanços educacionais, culturais, esportivos ou de saúde pública para o povo cubano. Que permita o estabelecimento de um sistema democrático, totalmente independente de interesses externos e da antiga oligarquia que convivia com o regime de Fulgêncio Batista.

Clique aqui para visitar o blog Generación Y, de Yoani Sánchez

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Esperança na América Latina

contos-do-vigario-andres-oppenheimer.jpgIniciamos nossas atividades em 2008, após um breve perído de ausência, com um excelente artigo e uma interessante recomendação de leitura, dirigida àqueles que nutrem interesse por aprofundar-se nos temas relacionados ao panorama político-econômico da América Latina atual. O livro é: Contos-do-Vigário – O engano de Washington, a mentira populista e a esperança da América Latina, de Andrés Oppenheimer.

No intuito de oferecer uma visão aproximada do conteúdo da obra, apresentamos abaixo um artigo do autor, originalmente publicado pelo jornal “Washington Post”, sob o título Latin America Is Lagging. Someone Tell Its Leaders, no último domingo, 13 de janeiro, e republicado hoje também pelo “O Estado de S.Paulo”. Conforme Oppenheimer, o Brasil e os demais países da América Latina poderiam estar em situação muito melhor, entre outras razões, não fosse o populismo de sua classe política.

Andrés Oppenheimer é argentino, naturalizado americano, foi vencedor do prêmio Pulitzer de jornalismo em 1987 e é colunista do “Miami Herald” (Latin American editor and foreign affairs columnist). O artigo pode ser lido em inglês, no site do “Washington Post”, clicando-se sobre o link inserido no título destacado no parágrafo anterior.

Na oportunidade, aproveito para agradecer pelos diversos e-mails enviados durante nossa ausência (respondidos) e pelos tão simpáticos comentários deixados no último post.

O melhor preço para o livro “Contos-do-Vigário” foi encontrado na livraria FNAC (R$29,40), em 27.01.2008.


andresoppenheimer.jpgAmérica Latina está ficando para trás
por Andrés Oppenheimer*
para o jornal Washington Post | Domingo, 13 de janeiro de 2008

Como comentarista de longa data da América Latina, estou acostumado com que discordem de mim, mas quando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, me rotulou de “inimigo da revolução” em rede nacional, fiquei surpreso. Nunca imaginei que Chávez mencionaria meu nome seis vezes num discurso irado, acusando a mim e a outros “grandes intelectuais” de minar seus programas esquerdistas.

Também não imaginei que seria demonizado por autoridades aparentemente menos radicais da América Latina e seus amigos no mundo empresarial. Mas a publicação da edição em espanhol de meu novo livro sobre os males da América Latina, Saving the Americas, transformou-me num saco de pancadas de gente de todo o espectro político. Meu pecado foi argumentar que a América Latina está ficando para trás num momento em que a região, rica em commodities, está passando por seu maior surto de crescimento em décadas.

Obviamente, recebi comentários muito mais agradáveis do presidente da Costa Rica, Óscar Arias, vencedor do Prêmio Nobel, e do ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso. O elogio deles, porém, foi ofuscado por aqueles que me acusam de ser estraga-prazeres.

O que provocou a agitação, que acabou ajudando a vender mais de 200 mil exemplares da edição em espanhol? Basicamente, a minha constatação de que a região não consegue ver que está ficando para trás do restante do mundo em desenvolvimento.

Certamente, os governos latino-americanos e as instituições financeiras internacionais têm boas razões para celebrar o momento atual. Segundo a ONU, a economia da região apresenta seu melhor desempenho em 40 anos. Alguns países, como a Venezuela e a Argentina, crescem num ritmo de 9% ao ano.

Uma quantia recorde de US$ 65 bilhões anuais está fluindo para casa em remessas dos migrantes latino-americanos que estão nos EUA e na Europa, proporcionando uma nova fonte de renda para milhões de pobres da região. E os preços estratosféricos do petróleo, da soja, do cobre e de outras commodities impulsionaram o valor total das exportações locais.

Não é de surpreender que os líderes latino-americanos estejam exultantes. Segundo Hugo Chávez, seu país não está crescendo apenas economicamente, mas “social, moral e até espiritualmente”. O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner costumava dizer que o mundo inteiro estava maravilhado com a impressionante recuperação econômica argentina. Quando foi presidente do México, Vicente Fox assegurou que o país crescia “como uma locomotiva”.

O único problema é que a América Latina está crescendo economicamente quase exclusivamente graças a fatores externos, como a expansão da economia mundial e os altos preços de commodities, não porque tenha colocado a casa em ordem. E esses surtos externos de crescimento não vão durar para sempre.

Qual foi a minha heresia? Enquanto os líderes latino-americanos exibiam seu crescimento, argumentei que essa teoria de que a região está entrando numa nova era de prosperidade não passa de um conto de fadas. Por isso, o título de meu livro em espanhol é Cuentos Chinos e em português, Contos-do-Vigário.

A economia da América Latina tem se expandido num ritmo de 5% nos últimos 5 anos, mas a China cresce 10% há quase 30 anos. Os índices de crescimento da Índia são de 8% há uma década e os da Europa Oriental, de 6%. Na realidade, em comparação com outras partes do mundo em desenvolvimento, a economia da América Latina está ficando para trás.

Se você considerar a redução da pobreza, o contraste é ainda mais gritante. Enquanto na Ásia a parcela da população vivendo na pobreza caiu de 50% em 1970 para 19% hoje, na América Latina, no mesmo período, a redução foi de 43% para 36%, segundo a ONU.

FALTA DE PRAGMATISMO

Portanto, eu pergunto: o que é que os asiáticos estão fazendo que os latino-americanos não estão? Para começar, os países asiáticos são guiados pelo pragmatismo e pensam no futuro, enquanto os latino-americanos se norteiam pela ideologia e são obcecados pelo passado.

Pouco depois de chegar a Pequim, numa viagem recente, recebi a informação de que altos funcionários do governo tinham dado boas-vindas a toda a diretoria do McDonald’s. Poucas semanas antes, enquanto viajava pela América Latina, soube que o governo Chávez tinha orgulhosamente anunciado uma suspensão de três dias nas atividades dos restaurantes McDonald’s na Venezuela para dar uma lição nas multinacionais. Ironicamente, enquanto a China comunista está fazendo de tudo para atrair investidores estrangeiros, vários países latino-americanos nominalmente capitalistas parecem estar tentando afugentar os investidores.

Mas a tendência mais perturbadora para a América Latina é sua estagnação nas áreas de educação, ciência e tecnologia. Enquanto asiáticos e europeus orientais estão formando uma mão-de-obra cada vez mais qualificada, a maioria dos países latino-americanos não mudou seus ultrapassados sistemas educacionais.

Para minha surpresa, descobri que na China as crianças das escolas públicas começam a ter aulas de inglês na terceira série – quatro horas por semana. Poucas semanas mais tarde, perguntei ao ministro da Educação do México em que série os alunos de escolas públicas mexicanas começam a estudar inglês. A resposta: na sétima série, duas horas por semana.

Esse fato chocante é apenas um indicador do desafio educacional da América Latina. Entre outros que cito no livro, estão os seguintes:

1) Muitos latino-americanos acreditam que suas grandes universidades estatais são excelentes, mas na realidade elas são medíocres. Na classificação do jornal londrino The Times das 200 melhores universidades do mundo constam apenas três latino-americanas – e bem no fim da lista: a Universidade de São Paulo (178º lugar), a Universidade de Campinas (179º lugar) e a Universidade Nacional Autônoma do México (195º lugar). Cerca de uma dezena de universidades da China, Cingapura e Coréia do Sul ocupam lugares bem melhores no ranking.

2) À medida que o número de alunos asiáticos nas faculdades dos EUA aumenta, o número de latino-americanos cai. A Índia tem 84 mil estudantes em faculdades americanas; a China, 68 mil; a Coréia do Sul, 62 mil. E a porcentagem de alunos asiáticos subiu 5% em 2006. Já o México tem apenas 14 mil alunos nas faculdades americanas. O Brasil tem 7 mil e a Venezuela, 4.500. Além disso, o número de estudantes latino-americanos caiu 0,3% no ano passado.

3) Enquanto os países asiáticos e do Leste Europeu estão produzindo engenheiros e cientistas em massa, a América Latina produz um grande número de psicólogos, sociólogos e cientistas políticos.

4) No mais recente Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, um teste padronizado que mede a proficiência em leitura, matemática e ciências de adolescentes de 15 anos, as notas dos países latino-americanos ficaram entre as mais baixo do mundo.

5) Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento, somente 1% de todo o investimento mundial em pesquisa e desenvolvimento é feito na América Latina.

Juntos, os 32 países da região gastam US$ 11 bilhões ao ano em pesquisa e desenvolvimento – menos que os US$ 12 bilhões gastos só pela Coréia do Sul. Por que tudo isso é importante? Porque numa economia baseada no conhecimento, como a de hoje, não são as matérias-primas que fazem você rico, mas os serviços, o marketing e os cérebros. Meu exemplo favorito: de cada xícara de café plantado na América Latina que os consumidores compram nos EUA, menos de 3% do preço vão para os agricultores da região. Os 97% restantes vão para aqueles que trabalham com engenharia genética, processamento, desenvolvimento da marca e outras atividades baseadas no conhecimento que ajudam a produzir uma xícara de café.

SINAIS POSITIVOS

A despeito dessas estatísticas deprimentes, ainda estou otimista em relação à América Latina. Também podem ser percebidas na região várias tendências positivas, como o avanço da democracia e a maior estabilidade política e econômica.

Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, entre outros, estão rompendo com a antiga praga latino-americana das políticas radicais, que resultam em instabilidade, fuga de capitais e pobreza.

Esses e outros países têm apostado na continuidade econômica, que está começando a impulsionar os investimentos internos e estrangeiros. Em vários casos, tal decisão tem sido tomada por uma nova linhagem de governos esquerdistas economicamente responsáveis.

É verdade que autoridades dos EUA, assim como a maioria de nós na mídia, se concentram em Chávez e em seus aliados na Bolívia, no Equador e na Nicarágua, que ganham as manchetes com suas declarações em favor da revolução socialista. Mas a Venezuela e seus amigos respondem por apenas 8% do Produto Interno Bruto da América Latina. A verdadeira história da região está sendo escrita em outras partes – e ainda poderá ter um final feliz.

*Andrés Oppenheimer é colunista do Miami Herald e autor do livro “Saving the Americas: The Dangerous Decline of Latin America and What the U.S. Must Do?” (No Brasil, Contos-do-Vigário, Editora Record).

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¿Por qué no te callas, Lula da Silva?

ditadura_venezuelaO segundo maior idiota latino-americano, como de costume, resolveu defender o primeiro. Lula da Silva não merece mais nenhum respeito, nem pelo cargo que exerce. Não respeita mais o Brasil nem os latino-americanos. Assim, nos dá o pleno direito de não respeitá-lo também.

Lula da Silva está ultrapassando todos os limites do bom senso: “Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem alguma coisa para criticar o Chávez. Agora, por falta de democracia na Venezuela, não. Esse homem já passou por três referendos, já teve três eleições não sei para quê, quatro plebiscitos. Ou seja, o que não falta é discussão” – disse o idiota brasileiro, que acrescentou que continua denfendendo a entrada da Venezuela no Mercosul.

  Enquanto pesquisávamos os dados que nos permitiriam calar também Lula da Silva, encontramos o excelente texto de Míriam Leitão em seu blog. Aqui estão todos os argumentos que provam sermos governados por um palhaço que não tem a mínima noção do que fala. Por que não se cala, Lula da Silva?


 

miriam-leitao.jpg Defesa que Lula faz de Chavez não tem pé nem cabeça
por Míriam Leitão
 para O Globo.com | Quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Ninguém precisa inventar nada para criticar Hugo Chavez. Bastam seus próprios atos. Eles são eloqüentes o suficiente para que ele seja criticado exatamente por romper, ameaçar e desrespeitar a democracia. Vamos aos fatos que aparentemente o presidente Lula esqueceu ao dizer o que disse hoje sobre Chávez.

1. Ele entrou na vida pública tentando um golpe de estado;

2. Ao ser eleito anos depois aproveitou o momento em que estava ainda forte, destituiu o Congresso, fez eleições para uma Constituinte, mudou a Constituinte em seu favor, dando-se mais um mandato;

3. Aproveitando o momento de popularidade se elegeu de novo e considerou que esse era o primeiro mandato da nova Constituição;

4. Mudou a composição do Supremo, aposentando os adversários e nomeando os amigos;

5. Mudou a composição do Conselho Nacional Eleitoral para ter apenas ministros que lá o apóiam;

6. Formou, incentivou e armou grupos de militantes que intimidam qualquer oposição ao seu governo, que atacam jornais e emissoras de televisão;

7. Fechou uma TV por não estar alinhada ao seu governo;

8. Ameaça jornais e jornalistas, instigando seus grupos armados contra eles;

9. Mesmo depois de reeleito para um novo mandato, que fará com que fique 13 anos ao todo no poder, ele quer o direito à reeleição perpétua e propôs isso a um Congresso subserviente e para uma população manipulada pelo controle da imprensa e pela distribuição do dinheiro do petróleo.

Essa declaração do presidente Lula é tão despropositada quando a que ele comparou Chávez com Margaret Thatcher e Helmut Kohl, ignorando, pelo visto, a diferença entre regime presidencialista e parlamentarista.


don_juan_carlos-y-chavez1.jpg

O site Folha Online criou uma enquete com a pergunta: “O rei Juan Carlos deve pedir desculpas a Chávez?”. Até o momento, 88% das respostas eram NÃO. O curioso é que o idiota latino-americano, Chávez, tenha 12% de apoio entre os visitantes da Folha Online.

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El regreso del ‘idiota latinoamericano’

WEEKLY NEWS

vargas-llosa.jpgA volta do idiota
por Mario Vargas Llosa
para LA NACION | Tradução: O Estado de S.Paulo

Há dez anos surgiu o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano“, no qual Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa arremetiam com tanto humor quanto ferocidade contra os lugares-comuns, o dogmatismo ideológico e a cegueira política por trás do atraso da América Latina. O livro, que golpeava sem misericórdia, mas com sólidos argumentos e provas efetivas, a incapacidade quase genética da direita obstinada e da esquerda boba de aceitar uma evidência histórica – a de que o verdadeiro progresso é indissociável de uma aliança indestrutível entre duas liberdades, a política e a econômica, ou, em outras palavras, entre democracia e mercado -, teve um sucesso inesperado. Além de atingir um vasto público, provocou saudáveis polêmicas e as diatribes inevitáveis num continente ‘idiotizado’ pela pregação ideológica terceiro-mundista, em todas as suas aberrantes variações, do nacionalismo, do estatismo e do populismo até – como não – o ódio aos Estados Unidos e ao ‘neoliberalismo’.

Uma década depois, os três autores voltam a sacar das espadas e investir contra os exércitos de ‘idiotas’ que ultimamente, de um extremo a outro do continente latino-americano, em vez de diminuir, parecem reproduzir-se com a rapidez dos coelhos e baratas, animais de fecundidade proverbial. O humor está sempre presente, assim como a pugnacidade e a defesa em alto e bom som, sem o menor complexo de inferioridade, dessas idéias liberais que, nas atuais circunstâncias, parecem particularmente impopulares no referido continente.

Mas é realmente assim? As melhores páginas de El Regreso del Idiota dedicam-se a demarcar as fronteiras entre o que os autores do livro chamam de ‘esquerda vegetariana’, com a qual quase simpatizam, e ‘esquerda carnívora’, que detestam. A primeira é representada pelos socialistas chilenos – Ricardo Lagos e Michelle Bachelet -, pelo brasileiro Lula da Silva, pelo uruguaio Tabaré Vásquez, pelo peruano Alan García e aparentemente – quem diria! – pelo nicaragüense Ortega, que agora abraça e comunga freqüentemente com seu velho arquiinimigo, o cardeal Obando y Bravo. Esta esquerda já deixou de ser socialista na prática e é hoje a mais firme defensora do capitalismo – mercados livres e empresa privada -, embora seus líderes, em seus discursos, ainda rendam homenagem à velha retórica e, da boca para fora, reverenciem Fidel Castro e o comandante Chávez. Esta esquerda parece ter entendido que as velhas receitas do socialismo jurássico – ditadura política e economia estatizada – só continuariam afundando seus países no atraso e na miséria. E felizmente resignou-se à democracia e ao mercado.

a-volta-do-idiota-latino-americano.jpgJá a ‘esquerda carnívora’, que há alguns anos parecia uma antiqualha em vias de extinção que não sobreviveria ao mais longevo ditador da história da América Latina – Fidel Castro -, renasceu das cinzas com o ‘idiota’ que é a estrela do livro, o comandante Hugo Chávez. Num capítulo muito proveitoso, os autores radiografam Chávez em seu entorno privado e público, com suas desmesuras e palhaçadas, seu delírio messiânico e seu anacronismo, assim como a astuta estratégia totalitária que governa sua política. Discípulo e instrumento de Chávez, o boliviano Evo Morales representa, dentro da ‘esquerda carnívora’, a subespécie ‘indigenista’, que, pretendendo subverter cinco séculos de racismo ‘branco’, prega um racismo quíchua e aimará – idiotice que, embora careça totalmente de solvência conceitual em países como Bolívia, Peru, Equador, Guatemala e México, pois em todas essas sociedades o grosso da população já é mestiça e tanto os índios quanto os brancos ‘puros’ são minorias, causa grande furor entre os ‘idiotas’ europeus e americanos, sempre sensíveis a qualquer estereótipo relacionado à América Latina. Embora na ‘esquerda carnívora’ por enquanto figurem, de modo inequívoco, três trogloditas – Fidel, Chávez e Morales -, El Regreso del Idiota analisa com sutileza o caso do estreante presidente Correa, do Equador, tecnocrata grandiloqüente que poderá engordar suas fileiras.

Os personagens inclassificáveis da lista são o presidente argentino Kirchner e sua bela esposa (e talvez sucessora), a senadora Cristina Fernández, mestres do camaleonismo político, pois podem passar de ‘vegetarianos’ a ‘carnívoros’ e vice-versa em questão de dias ou mesmo horas, embaralhando todos os esquemas racionais possíveis (como fez o peronismo ao longo de sua história).

Uma novidade em El Regreso del Idiota em relação ao livro anterior é que agora o fenômeno da idiotice é examinado pelos autores não só na América Latina, mas também nos Estados Unidos e na Europa, onde, como demonstram estas páginas com exemplos que às vezes produzem gargalhadas, às vezes lágrimas, a idiotice ideológica também é representada por encarnações robustas e epônimas. Os exemplos foram bem escolhidos: a lista é encabeçada pelo inefável Ignacio Ramonet, diretor de Le Monde Diplomatique, tribuna insuperável de toda a espécie no velho continente, e autor do mais dócil e servil livro sobre Fidel Castro – façanha difícil, diga-se de passagem! Ramonet tem a companhia de Noam Chomsky, caso flagrante de esquizofrenia intelectual, que é inspirado e até genial quando limita-se à lingüística transformacional e um ‘idiota’ irredimível quando desata a falar de política. A Mãe Pátria espanhola é representada pelo dramaturgo Alfonso Sastre e suas toscas distinções entre o terrorismo bom e o terrorismo ruim; e os prêmios Nobel, por Harold Pinter, autor de densos dramas experimentais raramente inteligíveis, ao alcance apenas de públicos arquiburgueses e exóticos, e demagogo inapresentável quando vocifera contra a cultura democrática.

No último capítulo, El Regreso del Idiota propõe uma pequena biblioteca para que as pessoas se desidiotizem e alcancem a lucidez política. A seleção é bastante heterogênea, pois inclui desde clássicos do pensamento liberal, como O Caminho da Servidão, de Hayek, A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, de Popper, e A Ação Humana, de Von Mises, até romances como O Zero e o Infinito, de Koestler, e os grandes volumes narrativos de Ayn Rand A Nascente e Quem é John Galt? (a meu ver, teria sido preferível incluir qualquer um dos ensaios ou panfletos de Ayn Rand, cujo individualismo incandescente superava o liberalismo e beirava o anarquismo, em vez de seus romances, que, como toda literatura edificante e de propaganda, são ilegíveis). Por outro lado, não há nada a declarar contra a presença de Gary Becker, Jean François Revel, Milton Friedman e Carlos Rangel, o único autor de língua hispânica da seleção, cujo fantasma deve sofrer o indizível com o que acontece em sua terra, uma Venezuela que ele já não reconheceria.

Apesar do bom humor, da insolência revigorante e da atitude positiva dos autores diante dos ventos ruins que correm pela América Latina, é impossível não perceber, nas páginas deste livro, um ar de desmoralização. Não é por menos. Pois o certo é que, apesar dos casos de modernização bem-sucedida assinalados – o já conhecido do Chile e o promissor de El Salvador, sobre o qual o livro oferece dados muito interessantes, assim como os triunfos eleitorais de Álvaro Uribe na Colômbia, Alan García no Peru e Felipe Calderón no México, que foram claras derrotas para o ‘idiota’ em questão -, o certo é que, em boa parte da América Latina, há um claro retrocesso da democracia liberal e um retorno do populismo, inclusive em sua variante mais cavernal: a do estatismo e do coletivismo comunistas.

Esta é a angustiante conclusão implícita neste livro febril e combativo: na América Latina, pelo menos, existe uma certa forma de idiotice ideológica que parece irredutível. Pode-se derrotá-la em batalhas, mas não na guerra, porque, como a hidra mitológica, ela reproduz seus tentáculos de novo e de novo, imunizada contra os ensinamentos e desmentidos da História, cega, surda e impermeável a tudo que não seja sua própria escuridão.

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Novo mapa na América do Sul

A América do Sul apresenta um novo mapa, baseado em claras diferenças ideológicas e resultados muitos distintos no desempenho econômico e no desenvolvimento da área social dos diferentes países. Na costa do Pacífico, Chile, Peru e Colômbia dão exemplos de boa gestão de seus governos, através da adoção de práticas liberais.

colombia_am_sul.jpgPor outro lado, tanto na geografia quanto na ideologia, os governos populistas do Brasil, Argentina, Bolívia e Venezuela permanecem caminhando em via oposta, aparelhando os seus respectivos estados e perdendo oportunidades para maior integração comercial, que resultaria em avanços sociais.

Nossas críticas ao governo do presidente Lula da Silva são constantes e contundentes, pois bastaria que seguisse exemplos de outras boas administrações na América Latina para fazer um bom governo. Sua opção, contudo, é manter-se fiel à receita da esquerda mais retrógrada, fundamentada num estado forte e aparelhado.

O contraste entre a política liberal adotada na Colômbia, do presidente Alvaro Uribe, e a socialista-estatizante do Brasil, da Venezuela e da Argentina fica bastante claro no artigo abaixo, que descreve uma “nova” Colômbia. O excelente texto de Diogo Schelp foi extraído da revista Veja, edição 2019. Leia-se na íntegra:


 

logo_veja_red.gif Colômbia
por Diogo Schelp | de Bogotá
para a revista Veja | Ed. 2019, agosto de 2007

 

 

Depois de domar o crime, o país renasce para a modernidade

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CAPITAL DO CRESCIMENTO:
Encravada na Cordilheira dos Andes, a 2 600 metros de altitude, Bogotá é organizada, limpa, bem policiada e está com a criminalidade em queda

Vista do exterior, a Colômbia é um país sem lei. Uma imagem dessas, fruto inevitável de quem acumula o duvidoso título de o maior exportador mundial de cocaína, não se muda da noite para o dia. É por isso que Ricardo Hepp, gerente-geral da rede de lojas de departamentos Falabella, desenvolveu uma técnica para convencer executivos estrangeiros a ir trabalhar com ele na Colômbia. Hepp leva o convidado e sua família a um restaurante nos arredores de Bogotá chamado Andrés Carne de Res.

A comida do lugar não é lá essas coisas, mas a alegria do ambiente é contagiante. Ali, a freguesia dança entre as mesas, canta e diverte-se com os garçons, que, fantasiados, também dançam e cantam enquanto trabalham. Tem-se a impressão de que em nenhum outro lugar há tantos motivos para ser feliz como em Bogotá. “As oportunidades de negócios na Colômbia são o segredo mais bem guardado da América Latina”, diz Hepp, cuja empresa, chilena, pretende abrir mais oito lojas no país até 2010.

Seu otimismo é alimentado por dados concretos. O produto interno bruto colombiano cresceu 6,8% no ano passado, 2 pontos acima da média latino-americana. Os 8,1% apurados no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2006 sinalizam um desempenho bom também neste ano. Tirando a Venezuela, cuja economia é totalmente dependente do preço do barril de petróleo, a Colômbia foi o país que mais cresceu na América do Sul nesse período.

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TURISMO REVIGORADO: Em Cartagena, cidade colonial no litoral caribenho, 65% dos hóspedes dos hotéis são estrangeiros, principalmente americanos

O “segredo” de que fala Hepp é o responsável pelo furor de “vamos comprar enquanto ainda está barato”. Nos últimos cinco anos, os investimentos diretos e o fluxo de capitais dobraram na Colômbia. O desembarque de capital estrangeiro, que em 2002 representava 2,6% do PIB colombiano, ampliou sua participação para 4,7% em 2006.

O maior negócio ocorreu em 2005, quando a sul-africana SabMiller, o segundo maior grupo cervejeiro do mundo, desembolsou 4,8 bilhões de dólares pela colombiana Bavaria. Numa prova de confiança, o Citibank montou em Bogotá seu call center latino-americano.

As empresas brasileiras não ficam atrás. A Votorantim acaba de adquirir a segunda maior siderúrgica da Colômbia. A Gerdau pretende dobrar sua produção de aço no país até 2010. O Grupo Synergy, do brasileiro German Efromovich, que já investia na exploração de petróleo colombiano, comprou em 2004 a falida Avianca, a maior companhia aérea do país, pela pechincha de 64 milhões de dólares. Hoje, depois de a empresa ter sido saneada, seu valor é estimado em 800 milhões de dólares. “A Colômbia é o melhor país para investir na América Latina, graças a uma mescla de boas oportunidades, tranqüilidade jurídica e segurança física”, diz Efromovich.

colombia_recuperada.jpgSegurança física? Espantosamente, essa é uma das sete razões para a Colômbia ter caído nas graças dos investidores internacionais. São elas:

1. Segurança – Sete anos atrás, um relatório da ONU colocou a Colômbia como o segundo país em mortes violentas, atrás apenas da Suazilândia, na África. De lá para cá, a ação firme do governo e o policiamento ostensivo reduziram em 40% o número de homicídios, em 80% o de seqüestros e permitiram que os colombianos voltassem a viajar pelas estradas, sem o antigo medo de seqüestro. A guerrilha e os narcotraficantes foram expulsos das principais cidades.

2. Segurança jurídica – Não é preciso perspicácia para perceber que a Colômbia é o único país daquele canto da América Latina a salvo do furor populista que afasta investidores da Venezuela, da Bolívia e do Equador. O governo colombiano até oferece um contrato de estabilidade jurídica, para garantir que não haverá prejuízo se as regras do jogo forem alteradas no futuro.

3. Democracia e economia estáveis – Sem um golpe de estado há meio século, a Colômbia tradicionalmente entrega a gestão pública aos quadros técnicos, o que garante certa continuidade administrativa. Nas últimas cinco décadas, houve retração econômica em apenas dois anos. O país nunca passou por hiperinflação nem deu calote na dívida externa.

4. Poder de compra crescente – A Colômbia tem a terceira maior população da América Latina. A renda per capita cresceu 12,3% nos últimos três anos, mais do que no Chile e no Brasil.

5. Localização – A meio caminho entre o Cone Sul e os Estados Unidos (o vôo entre Bogotá e Miami demora menos de 4 horas), a Colômbia é um bom endereço para as empresas com ambições nos dois mercados. Para facilitar, o país tem portos no Oceano Pacífico e também no Atlântico.

6. Mão-de-obra capacitada – Nas carreiras técnicas, muitos colombianos fazem especialização nos Estados Unidos ou na Espanha. O custo da mão-de-obra é baixo. Os salários médios dos engenheiros colombianos são menores que os dos indianos.

7. Grandes oportunidades – Ausente por anos do radar dos investidores internacionais, o país é um território virgem em muitas áreas de investimento. Neste ano, por exemplo, o governo está colocando à venda 20% das ações de sua estatal petroleira.

Essas sete razões asseguram um clima de confiança essencial para os investimentos. O risco-país da Colômbia caiu de 451 para 135 nos últimos quatro anos. Pesquisas de opinião recentes revelam que a maioria dos empresários colombianos acredita que o país está no rumo certo.

alvaro-uribe.jpgO otimismo está intimamente ligado à figura do presidente Álvaro Uribe (foto), 55 anos, um político cuja modernidade faz contraste com o esquerdismo tacanho de governos vizinhos, sobretudo o de Hugo Chávez, que não esconde seu ódio ao colombiano. Uribe foi governador de Medellín e teve o pai seqüestrado e assassinado em 1983.

Ao assumir, em 2002, adotou a linha de mão pesada contra los violentos, como são apelidados os guerrilheiros, os paramilitares de direita e outros bandidos. Reeleito no ano passado para um segundo mandato, Uribe enfrenta a pior crise política de seu governo. Há acusações de que deputados de sua base de apoio receberam dinheiro de grupos de extermínio e de que o próprio presidente tem ligações com paramilitares, que assassinaram milhares de pessoas, incluindo parlamentares. Na esteira da confusão, a aprovação a seu governo permanece elevadíssima, próxima dos 70%.

Uribe oferece aos colombianos e aos investidores estrangeiros um produto escasso na América Latina: confiança. Esse é, aliás, o lema de seu governo. Em boa medida, significa que a Colômbia é um país sério, que merece credibilidade e não deve ser confundido com as nações falidas da América do Sul. Não surpreende que sete de cada dez empresários estrangeiros interessados em investir na cidade de Medellín sejam venezuelanos.

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OPORTUNIDADE PARA OS JOVENS: O crescimento recente da Colômbia é protagonizado por jovens em funções de destaque, como Manuela Jaramillo, de 28 anos. Ela é gerente de investimento de um fundo de capital privado que está comprando empresas de porte médio na Colômbia. “Bogotá voltou a ter segurança e boas opções de emprego”, diz Manuela

Uma boa demonstração do otimismo é o movimento de retorno dos jovens profissionais que viviam no exterior. O sonho das mães colombianas era enviar o filho para estudar nos Estados Unidos ou na Espanha e que ele encontrasse um bom emprego por lá. “Agora, os jovens colombianos preferem voltar e seguir carreira por aqui mesmo”, alegra-se o economista Carlos Ronderos, ex-ministro do Comércio Exterior da Colômbia. Até os turistas estrangeiros estão de volta. O número de visitantes dobrou nos últimos quatro anos.

As principais atrações estão no litoral caribenho e nas agradáveis cidades colombianas, lideradas pela surpreendente Bogotá – de longe, a capital mais limpa e organizada da América do Sul. Em certos aspectos, assemelha-se a Buenos Aires no quesito elegância: Bogotá tem bons cafés, restaurantes e livrarias. Como a temperatura nunca ultrapassa os 22 graus, os moradores têm o hábito de se vestir com roupas formais e apropriadas a um clima ameno. Medellín, outrora a capital do narcoterrorista Pablo Escobar, é um exemplo que poderia inspirar o Rio de Janeiro. Nos anos 80, a presença do estado era nula nas favelas da cidade.

teleferico_favela_colombia.jpgHoje, depois do desmantelamento dos cartéis do narcotráfico e dos grupos paramilitares, a presença da prefeitura é ostensiva. A obra mais espetacular é um teleférico que conecta o metrô a uma favela de Medellín, no alto de um morro. Ao longo da linha, foram construídas uma avenida e pequenas praças. Próximo à última estação, há uma grande biblioteca. O projeto está sendo repetido em outras favelas da cidade.

Os colombianos discutem, agora, o que é preciso para sustentar o atual bom momento por um longo período. É preciso, sobretudo, se preparar para quando o dinheiro externo começar a minguar. Ninguém desconhece que o país é favorecido pela bonança na economia global. Há dinheiro de sobra no planeta, e alguns investidores estão colocando suas moedas em lugares inesperados. A preferência são os emergentes de grande porte – Brasil, Rússia, Índia e China –, mas uma parte significativa acaba por aterrissar em países menores como a Colômbia e a Polônia. São estados promissores, mas ninguém tem certeza de que vão ter sucesso.

criminalidade.jpgEm um continente com uma história de falsas arrancadas e vôos de galinha, a Colômbia destaca-se pelas bases mais sólidas para o desenvolvimento econômico. O país dispõe de indústria e agricultura consistentes e pauta de exportação variada. Entre os dez produtos mais exportados há petróleo, carvão, café, confecções e flores. O fato de as exportações não terem caído nos últimos meses, apesar da valorização do peso em relação ao dólar, mostra que esses setores se tornaram competitivos em escala global.

Surpreende que, nesse contexto, Uribe tenha sido esnobado exatamente pelos americanos. Em sua empreitada para conquistar novos mercados e atrair investimentos, o presidente apostava em um tratado de livre-comércio com os Estados Unidos. A Colômbia é um aliado vital de Washington numa região convulsionada. Os americanos enviaram 5 bilhões de dólares em ajuda para a Colômbia desde 2000. Só o Iraque, o Egito, Israel e o Afeganistão receberam mais. Surpreendentemente, a liderança democrata no Congresso rejeitou o acordo sob argumentos vagos de abusos de direitos humanos na Colômbia. Tecnicamente, o tratado não está morto, apenas adiado. Os colombianos sentem-se traídos e sabem que precisam se virar sem o acordo de livre-comércio.

Não parece haver divergência sobre o caminho a seguir. Este foi definido a VEJA pelo vice-presidente colombiano, Francisco Santos: “Almejamos para nosso país o modelo chileno de desenvolvimento, com abertura para o mundo”.

Crédito para fotos e ilustrações: Paulo Vitale| Veja | AFP

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Liberalismo, segundo Mario Vargas Llosa

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mariovargasllosa.JPGEm entrevista a Edney Silvestre, no Jornal da Globo, o escritor Mario Vargas Llosa (foto), uma das grandes vozes críticas na América Latina, falou sobre o liberalismo. “Alguns o chamam de conservador; outros, simplesmente, de reacionário”, instigou o repórter.

”Eu sou um liberal. A extrema esquerda converteu essa palavra em um palavrão, xingamento, mas ela se origina da palavra ‘liberdade’ – a palavra mais bonita do idioma, que trouxe as grandes conquistas: a tolerância, os direitos humanos, a divisão de poderes, o pluralismo político. Todas as grandes conquistas da civilização têm sua origem no progresso da liberdade. O importante do pensamento liberal é que não se trata de um pensamento dogmático, não é fanático e aceita a possibilidade de equivocar-se, de estar errado – e portanto está permanentemente se corrigindo e auto-criticando”, respondeu Vargas Llosa, com muita propriedade.

Por essas razões, destacamos a frase » o mundo visto por um prisma liberal «, no alto deste blog. Estamos plenamente de acordo com a definição apresentada por Vargas Llosa e acreditamos que um “mundo livre e democrático” permitirá que nos livremos mais rapidamente da pobreza, das desigualdades sociais e das guerras entre os povos.

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Retrato da América Latina

O texto a seguir é um ensaio de Alvaro Vargas Llosa, B.S.C. em História Internacional pela London School of Economics, Diretor do Centro para Prosperidade Global do “Indepent Institute”, publicado na revista “Veja” de 9/5/2007. O autor é filho do renomado escritor peruano Mario Vargas Llosa.

Com efeito, a razão para a publicação do artigo é o fechamento da rede privada de televisão RCTV da Venezuela – medida autoritária do presidente Hugo Cháves, um “perfeito idiota latino-americano”. Apesar da extensão do texto, o ensaio é de altíssima qualidade e permitirá ao leitor compreender o retrocesso que vive parte da América Latina, com seus governantes autoritários, representantes da esquerda populista. Boa leitura!


alvaro_vargas_llosa.jpgO retorno do idiota
por Alvaro Vargas Llosa*

Durante o século XX, os líderes populistas da América Latina levantaram bandeiras marxistas, praguejaram contra o imperialismo e prometeram tirar seus povos da pobreza. Sem exceção, todas essas políticas e ideologias fracassaram, o que levou ao recuo dos homens fortes. Agora, uma nova geração de revolucionários tenta ressuscitar os métodos ineficazes de seus antecessores.

Na reunião de Los Panchos: Chávez, Morales e o cubano Carlos Lage são expoentes da esquerda ainda presa à mentalidade da Guerra Fria. Outra esquerda, que governa no Chile e no Brasil, tenta evitar os erros do passado.

manual_do_perfeito_idiota.jpgDez anos atrás, o colombiano Plinio Apuleyo Mendoza, o cubano Carlos Alberto Montaner e eu escrevemos o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”, livro que criticava os líderes políticos e formadores de opinião que, apesar de todas as provas em contrário, se apegam a mitos políticos mal concebidos. A espécie “Idiota”, dizíamos então, era responsável pelo subdesenvolvimento da América Latina. Tais crenças – revolução, nacionalismo econômico, ódio aos Estados Unidos, fé no governo como agente da justiça social, paixão pelo regime do homem forte em lugar do regime da lei – tinham origem, em nossa opinião, no complexo de inferioridade. No fim dos anos 1990, parecia que os idiotas estavam finalmente em retirada. Mas o recuo durou pouco.

Hoje, a espécie retornou na forma de chefes de estado populistas empenhados em aplicar as mesmas políticas fracassadas no passado. Em todo o mundo, há formadores de opinião prontos a lhes dar credibilidade e simpatizantes ansiosos por conceder vida nova a idéias que pareciam extintas.

Por causa da inexorável passagem do tempo, os jovens idiotas latino-americanos preferem as baladas pop de Shakira aos mambos do cubano Pérez Prado e não cantam mais hinos da esquerda, como A Internacional e Hasta Siempre, Comandante. Mas eles ainda são os mesmos descendentes de migrantes rurais, de classe média e profundamente ressentidos com a vida fútil dos ricos que vêem nas revistas de fofocas, folheadas discretamente nas bancas. Universidades públicas fornecem a eles uma visão classista da sociedade, baseada na idéia de que a riqueza precisa ser tomada das mãos daqueles que a roubaram.

Para esses jovens idiotas, a situação atual da América Latina é resultado do colonialismo espanhol e português, seguido do imperialismo dos Estados Unidos. Essas crenças básicas fornecem uma válvula de segurança para suas queixas contra uma sociedade que oferece pouca mobilidade social. Freud poderia dizer que eles têm o ego fraco, incapaz de fazer a mediação entre seus instintos e a sua idéia de moralidade. Em lugar disso, suprimem o conceito de que a ação predatória e a vingança são erradas e racionalizam a própria agressividade com noções elementares do marxismo.

Os idiotas latino-americanos tradicionalmente se identificam com os caudilhos, figuras autoritárias quase sobrenaturais que têm dominado a política da região, vociferando contra a influência estrangeira e as instituições republicanas. Dois líderes, particularmente, inspiram o Idiota de hoje: os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia.

Chávez é visto como o perfeito sucessor do cubano Fidel Castro (a quem o Idiota também admira): ele chegou ao poder pelas urnas, o que o libera da necessidade de justificar a luta armada, e tem petróleo em abundância, o que significa que pode bancar suas promessas sociais. O Idiota também credita a Chávez a mais progressista de todas as políticas – ter colocado as Forças Armadas, paradigma do regime oligárquico, para trabalhar em programas sociais.

De sua parte, o boliviano Evo Morales tem um apelo indigenista. Para o Idiota, o antigo plantador de coca é a reencarnação de Tupac Katari, um rebelde aimará do século XVIII que, antes de ser executado pelas autoridades coloniais espanholas, profetizou: “Eu voltarei e serei milhões”. O Idiota acredita em Morales quando ele alega falar pelas massas indígenas, do sul do México aos Andes, que buscam reparação pela exploração sofrida em 300 anos de domínio colonial e outros 200 anos de oligarquia republicana.

Para ler a continuação deste excelente artigo, clique no link abaixo:

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El regreso del Idiota

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vargas-llosa.jpgEl regreso del idiota
por Mario Vargas Llosa
para LA NACION | Sábado 24 de febrero de 2007

Hace diez años apareció el Manual del Perfecto Idiota Latinoamericano, en el que Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner y Alvaro Vargas Llosa arremetían con tanto humor como ferocidad contra los lugares comunes, el dogmatismo ideológico y la ceguera política que están detrás del atraso de América latina.

El libro, que golpeaba sin misericordia, pero con sólidos argumentos y pruebas al canto, la incapacidad casi genética de la derecha cerril y la izquierda boba para aceptar una evidencia histórica -que el verdadero progreso es inseparable de una alianza irrompible de dos libertades, la política y la económica, en otras palabras, de democracia y mercado-, tuvo un éxito inesperado. Además de llegar a un vasto público, provocó saludables polémicas y las inevitables diatribas en un continente “idiotizado” por la prédica ideológica tercermundista, en todas sus aberrantes variaciones, desde el nacionalismo, el estatismo y el populismo hasta, cómo no, el odio a Estados Unidos y al “neoliberalismo”.

Una década después, los tres autores vuelven ahora a sacar las espadas y a cargar contra los ejércitos de “idiotas” que, quién lo duda, en estos últimos tiempos, de un confín al otro del continente latinoamericano, en vez de disminuir parecen reproducirse a la velocidad de los conejos y cucarachas, animales de fecundidad proverbial. El humor está siempre allí, así como la pugnacidad y la defensa a voz en cuello, sin el menor complejo de inferioridad, de esas ideas liberales que, en las circunstancias actuales, parecen particularmente impopulares en el continente de marras.

Pero ¿es realmente así? Las mejores páginas de El Regreso del Idiota están dedicadas a deslindar las fronteras entre lo que los autores del libro llaman la “izquierda vegetariana”, con la que casi simpatizan, y la “izquierda carnívora”, a la que detestan. Representan a la primera los socialistas chilenos -Ricardo Lagos y Michelle Bachelet-, el brasileño Lula da Silva, el uruguayo Tabaré Vázquez, el peruano Alan García y hasta parecería -¡quién lo hubiera dicho!- el nicaragüense Ortega, que ahora se abraza con, y comulga con frecuencia de manos de su viejo archienemigo, el cardenal Obando.

Esta izquierda ya dejó de ser socialista en la práctica y es, en estos momentos, la más firme defensora del capitalismo -mercados libres y empresa privada- aunque sus líderes, en sus discursos, rindan todavía pleitesía a la vieja retórica y de la boca para afuera homenajeen a Fidel Castro y al comandante Chávez.

Esta izquierda parece haber entendido que las viejas recetas del socialismo jurásico -dictadura política y economía estatizada- sólo podían seguir hundiendo a sus países en el atraso y la miseria. Y, felizmente, se han resignado a la democracia y al mercado.

La “izquierda carnívora”, en cambio, que, hace algunos años, parecía una antigualla en vías de extinción que no sobreviviría al más longevo dictador de la historia de América latina -Fidel Castro-, ha renacido de sus cenizas con el “idiota” estrella de este libro, el comandante Hugo Chávez, a quien, en un capítulo que no tiene desperdicio, los autores radiografían en su entorno privado y público con su desmesura y sus payasadas, su delirio mesiánico y su anacronismo, así como la astuta estrategia totalitaria que gobierna su política.

Discípulo e instrumento suyo, el boliviano Evo Morales, representa, dentro de la “izquierda carnívora”, la subespecie “indigenista”, que, pretendiendo subvertir cinco siglos de racismo “blanco”, predica un racismo quechua y aymara, idiotez que, aunque en países como Bolivia, Perú, Ecuador, Guatemala y México carezca por completo de solvencia conceptual, pues en todas esas sociedades el grueso de la población es ya mestiza y tanto los indios como los blancos “puros” son minorías, entre los “idiotas” europeos y norteamericanos, siempre sensibles a cualquier estereotipo relacionado con América latina, ha causado excitado furor.

Aunque en la “izquierda carnívora”, por ahora, sólo figuran, de manera inequívoca, tres trogloditas – Castro, Chávez y Morales – en El regreso del idiota se analiza con sutileza el caso del flamante presidente Correa, de Ecuador, grandilocuente tecnócrata, quien podría venir a engordar sus huestes.

Los personajes inclasificables de esta nomenclatura son el presidente argentino, Kirchner, y su guapa esposa, la senadora Cristina Fernández (y acaso sucesora), maestros del camaleonismo político, pues pueden pasar de “vegetarianos” a “carnívoros” y viceversa en cuestión de días y a veces de horas, embrollando todos los esquemas racionales posibles (como ha hecho el peronismo a lo largo de su historia).

Una novedad en El regreso del idiota sobre el libro anterior es que ahora el fenómeno de la idiotez no lo auscultan los autores sólo en América latina; también en Estados Unidos y en Europa, donde, como demuestran estas páginas con ejemplos que producen a veces carcajadas y a veces llanto, la idiotez ideológica tiene también robustas y epónimas encarnaciones. Los ejemplos están bien escogidos: encabeza el palmarés el inefable Ignacio Ramonet, director de Le Monde Diplomatique , tribuna insuperable de toda la especie en el Viejo Continente y autor del más obsecuente y servil libro sobre Fidel Castro -¡y vaya que era difícil lograrlo!-, y lo escolta Noam Chomsky, caso flagrante de esquizofrenia intelectual, que es inspirado y hasta genial cuando se confina en la lingüística transformacional y un “idiota” irredimible cuando desbarra sobre política.

La Madre Patria está representada por el dramaturgo Alfonso Sastre y sus churriguerescas distinciones entre el terrorismo bueno y el terrorismo malo, y los premios Nobel por Harold Pinter, autor de espesos dramas experimentales raramente comprensibles y sólo al alcance de públicos archiburgueses y exquisitos, y demagogo impresentable cuando vocifera contra la cultura democrática.

En el capítulo final, El regreso del idiota propone una pequeña biblioteca para desidiotizarse y alcanzar la lucidez política. La selección es bastante heterogénea pues figuran en ella desde clásicos del pensamiento liberal, como Camino de servidumbre , de Hayek, La sociedad abierta y sus enemigos, de Popper, y La acción humana, de von Mises, hasta novelas como El cero y el infinito, de Koestler, y los mamotretos narrativos de Ayn Rand - El manantial y La rebelión de Atlas . (A mi juicio, hubiera sido preferible incluir cualquiera de los ensayos o panfletos de Ayn Rand, cuyo incandescente individualismo desbordaba el liberalismo y tocaba el anarquismo, en vez de sus novelas que, como toda literatura edificante y propagandística, son ilegibles.)

Nada que objetar, en cambio, a la presencia en esta lista de Gary Becker, Jean François Revel, Milton Friedman y (el único hispano hablante de la selección) Carlos Rangel, cuyo fantasma debe sufrir lo indecible con lo que está ocurriendo en su tierra, una Venezuela que ya no reconocería.

Pese a su buen humor, a su refrescante insolencia y a la buena cara que sus autores se empeñan en poner ante los malos vientos que corren por América latina, es imposible no advertir en las páginas de este libro un hálito de desmoralización. No es para menos. Porque lo cierto es que, a pesar de los casos exitosos de modernización que señala -el ya conocido de Chile y el promisorio de El Salvador, sobre el que aporta datos muy interesantes, así como los triunfos electorales de Uribe en Colombia, de Alan García en Perú y de Calderón en México, que fueron claras derrotas para el “idiota” en cuestión- lo cierto es que en buena parte de América latina hay un claro retroceso de la democracia liberal y un retorno del populismo, incluso en su variante más cavernaria: la del estatismo y colectivismo comunistas.

Esa es la angustiosa conclusión que subyace a este libro afiebrado y batallador: en América latina, al menos, hay una cierta forma de idiotez ideológica que parece irreductible. Se le puede ganar batallas pero no la guerra, porque, como la hidra mitológica, sus tentáculos se reproducen una y otra vez, inmunizada contra las enseñanzas y desmentidos de la historia, ciega, sorda e impenetrable a todo lo que no sea su propia tiniebla.

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O regresso do idiota

‘El regreso del idiota’
Recomendação de Leitura

manual_perfeito_idiota.jpgNo próximo dia 15 de abril será lançado para toda América Latina “El Regreso del Idiota”, o terceiro livro conjunto de Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa.

Já se passaram dez anos desde que o “Manual do Perfeito Idiota Latino-americano” foi publicado e muito se sucedeu na região desde então. As tímidas reformas econômicas implementadas na década de 1990 não produziram os resultados esperados e a esquerda populista e estatizante, que os autores davam como extinta no primeiro livro, ressurgiu com grande valentia.

Mario Vargas Llosa nos oferece uma boa idéia do que será o “Regresso do Idiota” em artigo publicado no jornal “La Nación”, da Argentina.
Clique aqui para ler o artigo de Vargas Llosa

Esta é uma leitura obrigatória para todos os tipos de personagens com que lidamos no dia-a-dia – descritos no livro – seja no campus universitário, em uma conversa de bar ou qualquer outro momento de debate político e econômico.

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