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Imperdível: chimpanzés patinadores!

logo_veja2.jpgA coluna de Diogo Mainardi, na revista VEJA desta semana, está espetacular. Vale a pena ler o artigo na íntegra!


mainardi1.jpgChimpanzés patinadores
por Diogo Mainardi
para VEJA – ed.2018 | 25 de julho de 2007

O que um secretário de Turismo, uma procuradora do estado e um deputado do interior da Bahia podem saber sobre segurança aérea? Eu me sentiria mais seguro se seus cargos na Anac fossem ocupados por chimpanzés patinadores.

Onde está Lula? Lula está de cama. Duzentas pessoas morreram no acidente da TAM. No dia seguinte, Lula preferiu ficar em repouso, de olhos fechados, de barriga para cima, depois de sofrer uma cirurgia cosmética. Sobre os 200 mortos do acidente da TAM, ele se calou. Ele se escondeu. Assim como se calou e se escondeu quando foi vaiado nos Jogos Pan-Americanos. Pode-se argumentar que Lula, o Churchill de Garanhuns, é melhor calado do que falando. Mas é temerário ter um presidente que sempre amarela na hora do aperto.

Ao ser reeleito, em outubro do ano passado, Lula declarou que continuaria a governar para os mais pobres. No setor aéreo, isso se traduziu num descaso criminoso que culminou com os 200 mortos do acidente da TAM, independentemente das falhas do aparelho. O eleitorado de Lula é formado por gente que nunca voou. Quem morre em acidente aéreo é aquela parcela minoritária dos eleitores que sente ojeriza por ele. Na China, Mao Tsé-tung puniu a burguesia obrigando-a a trabalhar em fábricas e em campos de arroz. No Brasil, a luta de classes lulista puniu a burguesia transformando os jatos da Airbus em paus-de-arara.

Os pilotos apelidaram a pista principal do Aeroporto de Congonhas de “Holiday on Ice”. Isso significa que os passageiros assumiram o papel de chimpanzés patinadores. A Anac autorizou a reabertura da pista antes que sua reforma fosse concluída. A Anac é o retrato perfeito da pilhagem lulista. Milton Zuanazzi, seu presidente, fez carreira como secretário de Turismo do Rio Grande do Sul. A melhor credencial que ele tem para ocupar o cargo é a carteirinha do PT. Uma das diretoras da Anac, Denise de Abreu, era assessora jurídica de José Dirceu na Casa Civil. Outro diretor da Anac, Leur Lomanto, é ligado a Geddel Vieira Lima e, alguns anos atrás, foi acusado de negociar vantagens para se filiar ao PMDB. O que um secretário de Turismo, uma procuradora do estado e um deputado do interior da Bahia podem saber sobre segurança aérea? Pergunte ao Lula, quando ele decidir sair da cama. Eu me sentiria mais seguro se seus cargos na Anac fossem ocupados por chimpanzés patinadores.

Em abril, sete meses depois do acidente da Gol, enquanto os deputados do PT tentavam abafar a CPI Aérea, Lula se reuniu sorrateiramente com Carlos Wilson num hotel do Recife. Carlos Wilson presidiu a Infraero no primeiro mandato de Lula e é lembrado por ter reformado os aeroportos com os azulejos da Oficina Brennand, de propriedade de sua mulher. É o modelo de moralidade lulista: sobra dinheiro para os azulejos, mas falta para os radares e o grooving. Outro modelo de moralidade lulista é Luis Fernando Verissimo. Ele disse que prefere ficar calado diante das “mutretas” do lulismo porque teme ser confundido com os reacionários. É o mesmo argumento usado pelos stalinistas para acobertar os crimes do comunismo. Pode roubar, desde que seja para combater o inimigo. Pode matar? Pode, sim. Só uns 200 reacionários de cada vez.

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Dick Vigarista e o cínico Muttley

mutley.jpgOs leitores mais jovens desse blog talvez não se recordem do desenho animado “Máquinas Voadoras”, (Dastardly & Muttley and Their Flying Machines/1969/Cor/EUA), dos estúdios de Hanna & Barbera.

O desenho mostrava as aventuras da ‘Esquadrilha Abutre’, chefiada por Dick Vigarista, ‘o líder mais incapaz de toda a história da aviação’. A esquadrilha tinha como objetivo capturar um pombo-correio, Doodle, que cruzava os céus levando malotes com missões secretas (sabe-se lá de onde). O braço direito de Dick era Muttley, um cãozinho louco por medalhas e com aquela risada cínica que marcou época. A cada nova tentativa de sucesso, Muttley rangia os dentes e pedia: “Medalha, medalha, medalha”.

O momento político atual não está para piadas, mas o “show de humilhação” realizado pelo Comando da Aeronáutica e patrocinado pelo governo, para conferir medalhas aos vigaristas da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), ontem, em Brasília, foi um verdadeiro escárnio. No blog Notícias do Planalto, o articulista Costa Jr. publicou um artigo sob o título “Um governo de escarnecedores”, e dá detalhes do evento. Tem toda a razão!

A ‘Esquadrilha Abutre’, dessa vez composta pela corja do governo Lula da Silva, conseguiu ser muito mais maldosa que a do Dick Vigarista. Naturalmente, não desejo denegrir a imagem do simpático Muttley. Que prazer macabro tem essa gente do governo ao desrespeitar as famílias que acabam de perder seus entes queridos no terrível acidente aéreo? Que cinismo, escárnio e afronta desse bando de petistas! Aonde chegamos?

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Senador singular… e decente!

Leia-se e releia-se:

pedro-simon.jpg“Foi uma das cenas mais dantescas, mais cruéis que eu já vi. A nação inteira, inteira chorando… o PAN parando para chorar… e o Palácio festejando! O cara levantando as mãos: ‘A culpa não é do governo!’ Em primeiro lugar, a culpa é do governo. Claro que é do governo! O que tem acontecido no aeroporto, não terminar as obras… O que a Infraero está fazendo? Esta série de absurdos… que está acontecendo? A culpa é do governo. Agora, mesmo que não fosse do governo, comemorar é uma bofetada no povo brasileiro!”

Senador Pedro Simon (PMDB-RS), em seu comentário sobre o “vídeo da obscenidade”, para o Jornal da Globo


Já não está bastante claro que é o presidente da República o verdadeiro responsável pela tragédia de Congonhas? Então por que não exigir o seu imediato afastamento do cargo? A lamentável catástrofe se enquadra em um crime de responsabilidade! Além disso, está mais do que provado que Lula da Silva jamais esteve capacitado para o exercício da função. Acorda, Brasil! Impeachment, já!

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Obscenidade é a marca

Não bastou a obscenidade da catástrofe aérea. O governo tem mesmo muita munição! Rodrigo Maia fala por nós:

rodrigo-maia.jpg“É estarrecedor e inaceitável que Marco Aurélio Garcia, o assessor mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, falte com o respeito ao povo brasileiro e apareça, de público, fazendo gestos obscenos no interior de uma sala da Presidência da República. Todos fomos atingidos pelos gestos desqualificados. Não é mais possível tolerar tanta indignidade. Não é possível que o assessor do presidente Lula se julgue no direito de atingir as famílias e a memória das quase 200 vítimas do vôo 3054 comemorando a hipótese de o Airbus 320 da TAM ter voado com um defeito no reversor da turbina direita. Não há o que comemorar, Marco Aurélio. Tudo que estamos vivendo é lamentável, deplorável e indesculpável. Em vez de ter preocupação com a dor das pessoas, ou manifestar interesse na busca de saídas para o caos aéreo, o governo, lastimavelmente, só se importa com a popularidade do presidente da República. E a Nação, além da dor, convive com o desamparo. Mas não somos obrigados e nem vamos conviver com a obscenidade. Peça desculpas, Marco Aurélio. E reze para que as pessoas tenham, em relação a você, a tolerância e o respeito que você não teve em relação a elas.”

Dep. Rodrigo Maia, Presidente do Democratas (foto)

 

Assista aqui ao vídeo do Jornal da Globo com a matéria sobre o gesto obsceno do petista e o excelente comentário do senador Pedro Simon (PMDB-RS)

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Adeus a Antonio Carlos Magalhães

Antônio Carlos Magalhães O JB Online e o blog do Democratas já tinham dado a notícia da morte do senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA), durante a madrugada. Até mesmo o nosso blog, por volta das 4h30, já tinha lamentado o seu falecimento.

Internado há mais de 40 dias no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), em São Paulo, o parlamentar tinha sofrido mais uma parada cardíaca e fora reanimado pelos médicos. O quadro era considerado irreversível. Parentes que lotavam o hospital já discutíam as providências posteriores. De acordo com a assessoria do deputado ACM Neto, o senador teria passado por uma cirurgia na noite de quinta-feira e ingressado em estado crítico.

Por mais polêmica que tenha sido a sua biografia, a batalha pela reforma no Judiciário e as denúncias contra a corrupção no governo Lula da Silva serão lembradas como marcas positivas de sua trajetória mais recente. O Senado carece de alguém com a sua determinação, para afastar o atual presidente da Casa, como o fez Antônio Carlos na época de Jader Barbalho.

Que descanse em paz.

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An accident waiting to happen

acidente_aereo_aeroporto_congonhas_2.jpgA imprensa brasileira está com medo do quê? Os editoriais dos maiores jornais brasileiros, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e O Globo de ontem, trataram, como já se esperava, da tragédia no aeroporto Congonhas. Todos deixaram claro que o governo não está isento de sua co-responsabilidade, qualquer que tenha sido a falha que motivou o acidente, mas nenhum teve coragem de dar nome aos bois, ou melhor, citar claramente os verdadeiros criminosos?

O Ministério Público pede o fechamento do aeroporto e se esquece de pedir o impeachment do responsável pela catástrofe? Que país é esse? Lula da Silva terá o direito de falar em cadeia de rádio e televisão para expressar mais mentiras, na sexta-feira?

Sob o título “An accident waiting to happen?”, a revista britânica The Economist trata do tema e confirma o que escrevemos ontem em nosso blog. Inlusive, repete o título com outras palavras. Leia-se a matéria, que traduzi abaixo, conhecendo a imagem que o governo brasileiro remete ao exterior.

Os editoriais de O Estado e Folha podem ser lidos, na íntegra, no blog Notícias do Planalto, do ótimo articulista Costa Junior. Sugestão: ao acessar a página, acione-se a maravilhosa música de Albinoni, disponibilizada em seu post do dia 18, e leiam-se os textos com esse fundo musical.

O Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro – apesar de sua menor repercussão nacional -, contrariando o que dizíamos a respeito da falta de coragem da imprensa brasileira, está dando nome aos bois(!). Confira-se o seu editorial do dia 18, na íntegra, no ótimo blog Pata Irada, da bem-humorada articulista gaúcha, Silvana.


logo_press_the_economist1.gif Aviation in Brazil
Um acidente esperando para acontecer?
Jul 19th 2007 | RIO DE JANEIRO
From Economist.com | Traduzido por Marcus Mayer

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O ano passado foi terrível para a aviação do Brasil. Na noite de terça-feira, 17 de julho, um jato Airbus 320 operado pela TAM, principal companhia aérea do país, ultrapassou a pista do aeroporto Congonhas, de São Paulo, atravessou uma movimentada avenida e chocou-se com um prédio próximo, explodindo durante o impacto. As 186 pessoas a bordo do vôo de Porto Alegre morreram numa bola de fogo, bem como outros em terra, fazendo deste o pior desastre na história da aviação civil no Brasil.

As cenas de aeroportos abarrotados de parentes desesperados foram terrivelmente familiares. Em setembro passado, 154 passageiros morreram quando um Boeing 737 da companhia aérea GOL mergulhou na floresta tropical do Amazonas depois de um choque no ar com um jato executivo. Desde então, o setor aéreo do país passa de uma crise à outra, com vôos cronicamente atrasados, controladores de vôo rebelados e um dilúvio de acidentes menores causados por uma série de falhas.

Poucas horas após o choque, começaram as especulações e as acusações. Aconteceu durante chuva e vento. Diz-se que o piloto possa ter aterrissado muito tarde e demasiado rápido, deixando pouco espaço para a frenagem e nenhuma margem para erro. Uma filmagem divulgada no dia 19 de julho mostrou o avião viajando rapidamente ao longo da pista, sugerindo que o piloto tentasse decolar novamente (arremeter).

Alguns peritos argumentam, contudo, que este foi um acidente que já se esperava que acontecesse. As pistas curtas de Congonhas são cunhadas no coração de uma das maiores cidades do mundo. Em fevereiro, um juiz federal baniu o uso de Fokker 100 e Boeing 737 no aeroporto por razões de segurança. Em seguida, a proibição foi derrubada, com o argumento de que seria “demasiado drástica”. O problema é que Congonhas seja o aeroporto mais movimentado do Brasil, e imprescindível aos viajantes. O Aeroporto Internacional de São Paulo está a uma hora de distância da cidade.

Pilotos e engenheiros reagem afirmando que são as condições do aeroporto, e não o tamanho e a localização, que contam. Sobre isso recaem dúvidas. No dia 29 de junho, a Infraero, a agência estatal que controla os aeroportos, reabriu a pista principal em Congonhas – que tinha sido fechada para reforma depois de vários aviões escorregarem enquanto pousavam na chuva – sem que nela fossem feitas ranhuras para ajudar na drenagem, evitando derrapagens de aeronaves.

Em uma conversação gravada, um piloto avisa o outro: “procure não aterrissar demasiado tarde, porque é muito escorregadio”. A Infraero nega que o choque fosse causado pela água na pista. Mas a confiança pública foi quebrada. Toda a administração da aviação brasileira, dividida entre civis e militares, precisa de investigação e reforma.

O texto pode ser lido em inglês, no site da revista The Economist, clicando-se aqui

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A tragédia anunciada

luto2.jpgEnquanto o governo preferir contratar apaniguados a investir na infra-estrutura aeroportuária, certamente, outras terríveis catástrofes ocorrerão. Após assistir às tristes imagens pela tevê e ler as notícias publicadas na imprensa nacional e internacional, uma certeza é clara: não será preciso aguardar pelos dados da caixa preta do vôo, nem ouvir a opinião dos técnicos franceses da Airbus, para identificar a responsabilidade pela desgraça.

Lamentavelmente, a imprensa brasileira não tem coragem de divulgar a verdade como o estão fazendo algumas publicações estrangeiras. A pista pode ter defeitos, o piloto pode ter errado, a companhia pode ter co-responsabilidade. Mas, a origem dos problemas está na falta de iniciativa governamental e a culpa da tragédia é do ministério da Defesa!

Visão da cidade de São Paulo durante o acidente aéreo / Crédito: Le Figaroacidente_aeroporto_congonhas1.jpg

No blog de Ancelmo Góis, de O Globo lia-se o seguinte texto, sob o título Acorda, Lula: “O que ainda faz no cargo o ministro da Defesa Waldir Pires? Por que o presidente da Anac, o aparelhado Milton Zuanazzi, amiguinho sabe-se lá de quem (diz-se que da Dilma), profundo desconhecedor dos assuntos de aviação, ainda não caiu? Quem ainda acredita na Infraero depois de tudo? Ninguém será demitido após a criminosa liberação da pista de Congonhas? Acorda, Lula.”

Eu vou além: acorda Brasil! O que ainda faz no cargo o presidente da República Lula da Silva? Por que esse irresponsável ainda não caiu? Quem ainda acredita no governo depois de tudo? Ninguém sofrerá impeachment após a criminosa desfaçatez do presidente para com a crise aérea? Acorda, Brasil!

Quando em setembro de 2006 ocorreu a tragédia do choque entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, dando início à gravíssima crise do setor, registrava-se o maior acidente aéreo da história brasileira. O governo do presidente Lula da Silva se esforçou ao máximo para que esta marca fosse logo superada. Catástrofe pior ocorreu no aeroporto de Congonhas, o mais importante da América Latina. O acidente com o Airbus da TAM já está entre os 30 piores da história mundial da aviação.

veja_radar_ed2017.jpgA prova do crime de responsabilidade: Lula da Silva sabe de sua culpa. A revista Veja dessa semana publicou nota (ao lado), em sua coluna Radar, anunciando aquilo que já tínhamos publicado em 31 de março, neste blog: (…) proponho que se realize imediatamente uma licitação para terceirizar os serviços dos aeroportos, entregando toda a administração a empresas privadas. As regras às quais essas empresas se subordinariam seriam definidas por uma Agência Nacional de Transportes e pelo Comando da Aeronáutica. Além disso, sugiro a privatização da administração dos aeroportos. Tudo seria resolvido do dia para a noite e, certamente, alcançaríamos a um padrão de qualidade de serviços de primeiro mundo. Controladores de vôo poderiam ser contratados e demitidos de acordo com as regras do mercado e em função da competência profissional.

E concluía, afirmando: Certamente, essa proposta é absurda, pois impediria a corrupção, extinguiria cargos de apaniguados do governo e as contas pagas pelos contribuintes passariam a ser muito menores. (…)


A ‘contida’ BBC teve coragem e publicou a matéria abaixo em seu site:

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Acidente pode ser desastre político para Lula
por Asdrúbal Figueiró
para a BBC Brasil
marcus-mayer.com
O acidente com o Airbus da TAM em São Paulo tem potencial de provocar estragos políticos e de imagem inéditos no governo Lula.

marcus-mayer.com
Desde o choque do Boeing da Gol com o Legacy que deixou 154 mortos na Amazônia em setembro do ano passado, a crise aérea não saiu das manchetes. Nesses nove meses, houve um quase-acidente aqui, uma greve ali, declarações desastradas de autoridades acolá e muitas filas e atrasos.

Até agora, porém, apesar de ter emplacado uma CPI, a oposição parecia não ter conseguido capitalizar e potencializar o desgaste do governo.

Desgaste

Uma das acusações mais fortes que a oposição conseguiu produzir foi que Lula empurrava um problema sério com a barriga. Não é um argumento de tanto peso quando o resultado mais visível da suposta inoperância é fila em aeroporto. Quando o resultado são cerca de 200 mortos e o maior acidente da história da aviação no Brasil, a coisa pode mudar.

É claro que a investigação sobre as causas do acidente ainda está nos estágios inciais. Mas, mesmo que se prove que as condições da pista de Congonhas tenham pouco a ver com o desastre, o governo vai, no mínimo, ter de ir para a defensiva. Vai ter de se explicar e torcer para que sua versão cole.

Se, ao contrário, ficar provado que a pista recém entregue pela estatal federal Infraero não tinha condições ideais e que isso foi crucial, o desgaste pode ser muito mais grave.

Vai ser mais fácil para a oposição usar o argumento da crise anunciada e tentar jogar o custo do desastre no colo do governo, e mais difícil para Lula alegar ignorância, como no início da própria crise aérea ou do escândalo do mensalão.

Serra

Coincidência ou não, Lula colocou para investigar as obras de recuperação da pista a Polícia Federal que, apesar de se envolver em polêmicas, tem conseguido vender a imagem de um dos órgãos mais eficientes do governo. A medida dá aos aliados de Lula um argumento contra a acusação de inação do governo e, no limite, permite que o presidente associe sua imagem aos investigadores, caso se comprovem problemas com a obra da Infraero.

Mas, para além disso, o desastre em Congonhas também coloca no palco outro personagem importante: o governador tucano José Serra, potencial candidato à eleição presidencial de 2010. Nas primeiras horas do acidente, enquanto o presidente se fechava no Palácio com ministros e deixava a tarefa de enfrentar as câmeras para o porta-voz da Presidência, Serra estava na cena do desastre, ao vivo, nas TVs, dizendo que “infelizmente, as chances de sobreviventes” eram quase zero.

Por ora, o governador tem evitado declarações políticas mais fortes – até porque talvez o momento não seja o mais conveniente. Mas ele já deu declarações dizendo que o aeroporto deveria ficar fechado durante as investigações, que cobrou “rigorosas”, e anunciou inquérito da Polícia Civil.

Serra também já se reuniu com familiares das vítimas e não deu nenhum sinal de que deva deixar a cena. É um assunto de repercussão nacional em que, como governador do Estado, Serra pode – até com a justificativa de que deve – tratar. O desgate é todo federal.

Marta Suplicy

O potencial político para Serra só não é maior porque os eventuais dividendos do tucano tendem a se concentrar em uma área geográfica (São Paulo/Sul) e social (classe média) onde o PSDB tem menos problemas. E o efeito no eleitorado de Lula – classes mais baixas no Norte e Nordeste – não é tão fácil medir. Mas é mais improvável que o presidente possa se sair da história melhor do que entrou.

Também é difícil avaliar o impacto do acidente na imagem da ministra Marta Suplicy, arqui-rival de Serra na política paulista e paulistana e possível candidata à Presidência em 2010. Mas a combinação da catástrofe no seu reduto eleitoral com o “relaxa e goza” não deve ajudar a petista.

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Golden key

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Nada nos honraria mais neste momento, ao retornamos de nossas breves férias, que uma crônica do reconhecido articulista Ron Groo. No texto, o autor destaca a banalização da catástrofe moral que atinge o Brasil.

Quando convidei Ron para escrever um artigo para o nosso blog não sugeri nenhum tema, procurando deixá-lo à vontade e já sabendo, de antemão, que faria uma ótima escolha. Assim, como fiel leitor de nossos artigos e notícias, resumiu, magistralmente, em uma única crônica o espírito deste espaço. Leia-se abaixo:


ron_groo.jpgA queda dentro de nós
por Ron Groo*

Parece normal quando se apresentam senadores, deputados, vereadores, empreiteiros ou mesmo cidadãos sem cargo, que não conseguem explicar a origem de seus bens.

O que é preciso para que se realizem nossos sonhos de nação? Talvez seja necessário mudar a essência do que se convencionou chamar de “o povo brasileiro”. É preciso mudar, lá nos genes, a nossa visão de Brasil e de seus problemas.

Dizia a antiga piada que, a nossa catástrofe natural é a classe política. Que ela seria tão devastadora quanto os terremotos, os furacões e os maremotos, que atormentam outros países e continentes.

Penso de forma diferente. O mal do país está em nós, naquele gene “mau caráter” que se esconde em nosso DNA e que se desenvolve. Que aparece quando sabemos que estamos errados e, ainda assim, tentamos levar vantagem. Quando, nas pequenas coisas, usamos artifícios para nos darmos bem ou pelo simples fato de sermos malvados gratuitamente. Como aquele motorista de ônibus que, mesmo com o farol fechado, acelera o coletivo e força os pedestres a apressarem o passo para atravessarem a rua.

É esta a nossa singularidade enquanto povo, tal como o “ão” é uma singularidade de nossa língua; e que me faz duvidar daquela história de “o brasileiro ser um povo ordeiro”. É lobo. Infelizmente. É o seu próprio lobo. Se não, pensemos: O político corrupto é, senão espelho de nós mesmos, aquele pequeno gene “mau caráter” de nosso DNA, elevado à enésima potência e embriagado pelo poder. E como nos ensinou Lord Acton, é ele que corrompe.

Melhor pensar direito. Existe uma grande inversão de valores que nos faz ficar admirados quando alguém é tido como ‘honesto’. Como se a honestidade não fosse a nossa primeira obrigação! Agora, já nos parece normal quando se apresentam senadores, deputados, vereadores, empreiteiros e, mesmo cidadãos sem cargo, que não conseguem explicar a origem de seus bens. Não conseguem nem afastar suspeitas que pairem sobre si. Achamos normal, não mais nos chocamos, não mais nos escandalizamos.

Como também não nos chocam os professores que não sabem ensinar, os policiais que se valem do ofício em beneficio próprio, e toda a gente que usa o Estado em benefício próprio…

É necessário que mudemos, dentro de nós, esta visão. Que cobremos, de nós mesmos, mais compromisso com a verdade e com a honestidade. Fazer com que esta particularidade tão nossa, de “querer se dar bem sempre” (sic), seja revertida em “querer o bem coletivo”.

Somos nós que votamos. Somos nós que elegemos. E somos nós que não sabemos escolher. Falta-nos discernimento para analisar nomes, propostas, biografias e perfis. Façamos a nossa parte. Prestemos atenção àquilo que nos rodeia. Existem tragédias que se anunciam: o mar recuando antes do Tsunami, a calmaria antes da tempestade e, também, como é feita a campanha antes de uma eleição.

Mudemos nós. Aproveitemos a liberdade que temos para poder discutir, analisar e escolher. Mas, principalmente, aproveitemos o momento para rever nossos próprios valores. Façamos nós o nosso melhor, para que isso reflita em todos, tornando-se esse um valor comum. Como nosso “ão”.

Mas se nós temos planos e eles são / o fim da fome e da difamação /
porque não pô-los logo em ação? / tal seja agora a inauguração
da nova nossa civilização / tão singular quanto o nosso ao
e sejam belos, livres, luminosos / os nossos sonhos de nação.

Lenine, in ‘Ecos do ão’

 

* Ron Groo é articulista e escreve regularmente em seu Blog

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Procura-se um ‘sarkozy’ brasileiro

On cherche un ‘sarkozy’ brésilien
por Marcus Mayer
para a revista World News Press | ed. JUL.2007

A busca por um messias, com projetos mirabolantes, que se apresente como ’salvador da pátria’, não é a solução. Precisamos ter a audácia de enfrentar a letargia que caracteriza o Brasil e conduzi-lo à modernidade.

A alternativa para os problemas brasileiros não é messiânica, mas seria satisfatório, no contexto do regime presidencialista, que se encontrasse alguém com competência para liderar um movimento reformista no Brasil, como o está fazendo Nicolas Sarkozy, na França. Precisa haver coragem para mostrar aos brasileiros que promessas populistas e eleitoreiras só conduzem ao atraso.

Nicolas Sarkozy - FotomontagemO estado assistencialista há muito deixou de ser capaz de introduzir mudanças que pudessem acabar com a pobreza e melhorar de forma substantiva a vida do cidadão. Muito pelo contrário, onde a presença do estado se faz presente observa-se ineficiência, corrupção e fisiologismo. Muitas atividades submetidas à administração estatal poderiam ser substituídas pela iniciativa privada que, certamente, as executaria com maior competência.

A seguir, tentamos relacionar uma série de medidas que resolveriam, no curto prazo, graves problemas enfrentados pelo Brasil:

REFORMA DO EXECUTIVO

O número de ministérios para atender às necessidades do Executivo poderia ser reduzido para algo em torno de dez. Atualmente, são 36! Os ocupantes das pastas, os ministros, deveriam ser personalidades altamente especializadas em suas respectivas áreas. A indicação de políticos para os ministérios gera um dos maiores males ao governo: o fisiologismo.

• Uma reforma administrativa seria necessária para acabar com o aparelhamento do estado e para elevar o nível técnico dos ocupantes das funções. São mais de 26.000 cargos de confiança distribuídos aos apaniguados, no governo atual. Assim como nas empresas privadas procura-se contratar os mais competentes, somente funcionários concursados e de elevado grau de instrução deveriam ser admitidos em funções executivas. Para evitar qualquer tipo de fraude, os concursos deveriam ser fiscalizados por empresas particulares de auditoria.

• A propaganda do governo deveria ser totalmente extinta, transferindo-se os seus recursos para campanhas de caráter exclusivamente educativo.

Esplanada dos Ministérios, BrasíliaA redução da quantidade de ministérios permitiria uma considerável elevação dos salários dos ministros e dos demais funcionários, equiparando-nos com a remuneração oferecida no setor privado. Técnicos de alta competência deixam atualmente de participar da administração pública por causa dessa defasagem salarial. Além disso, elevando-se o perfil do funcionalismo, a endêmica corrupção tenderia a ser consideravelmente reduzida.

PRIVATIZAÇÃO

• Uma das maiores travas para o verdadeiro desenvolvimento do Brasil é a existência dos dinossauros estatais. Não há justificativa para manter sob a égide estatal empresas que executariam melhor as suas funções em benefício do país se estivessem sob controle privado. Os fundos de pensão desses gigantes da ineficiência são antros de corrupção e não oferecem nenhum benefício aos brasileiros que deles não participam. A retomada de um programa de desestatização é uma das mais importantes medidas que um novo presidente poderia adotar.

BACEN E AGÊNCIAS REGULADORAS

• O Banco Central e as agências reguladoras necessitariam de total autonomia. Os mandatos de seus gerentes deveriam ser fixos. A ingerência política nas decisões do Banco Central ou nas agências reguladoras reduz de forma dramática a credibilidade do país e sua capacidade para atrair investimentos. Para conquistar o investment grade o caminho é longo, mas para perdê-lo basta uma simples crise de confiança.

IMPOSTOS E ENCARGOS

• A carga tributária, que gira atualmente em torno de 38%, teria de ser drasticamente reduzida e os impostos cobrados em cascata totalmente eliminados – de preferência – introduzindo-se um tipo de “imposto único”.

Nesse ‘métier’ tributário, alguns argumentariam que isso implicaria redução de receitas, inviabilizando os compromissos de pagamento do governo. Isso não faz sentido, pois a arrecadação, pelo contrário, tenderia para um crescimento constante, como conseqüência da redução de alíquotas. Com uma economia crescente, as empresas venderiam mais, e muitas outras informais optariam pelo ajuste de suas situações. A máxima “se não sonegar não sobrevive” deixaria de ser verdadeira.

• Os encargos trabalhistas que incidem sobre a folha de pagamentos das empresas também teriam de ser significativamente reduzidos para diminuir a taxa de desemprego. Sem ferir direitos adquiridos, o trabalhador deveria ter a opção de ser admitido através de um contrato de trabalho sem submissão à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Essa ultrapassada legislação, criada na década dos 1940, contribui espetacularmente para o trabalho informal. A flexibilização das leis trabalhistas e a negociação direta entre empregados e empregadores viabilizaria a criação de inumeráveis postos de trabalho.

fila_inss.jpgPREVIDÊNCIA

• A previdência social teria de ser unificada, integrando os trabalhadores dos setores público e privado, visando a reduzir o seu déficit. As pensões e aposentadorias necessitariam ser limitadas a algo em torno de 20 salários mínimos, equivalentes hoje a R$ 7.600,00, para todos os trabalhadores. O próprio presidente da República, os ministros e os demais políticos deveriam se submeter a essa regra de abrangência universal. Além do teto, o complemento das aposentadorias ficaria sob responsabilidade exclusiva de cada contribuinte, que optaria, num sistema privado de previdência, pelo plano que melhor lhe conviesse.

COMÉRCIO INTERNACIONAL

• Com o objetivo de incrementar o comércio com outros países e blocos, a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul necessitaria sofrer uma redução para no máximo 6%. Atualmente, ainda há aliquotas de 30% que incidem sobre as importações, caracterizando uma estúpida reserva de mercado. A redução da TEC inseriria definitivamente o Brasil no comércio mundial. As empresas brasileiras teriam condições de introduzir avanços tecnológicos na produção e reduzir seus preços para, conseqüentemente, exportar e empregar mais. Essa medida liberalizante, que permitiria inclusive um maior equilíbrio na balança comercial, influenciaria na melhora da posição brasileira nas rodadas de negociação da OMC (Organização Mundial do Comércio).

CUSTO BRASIL E BUROCRACIA

• Os transportes – ferrovias, rodovias, portos e aeroportos – deveriam ser entregues à iniciativa privada, submetendo-se todas as modalidades a uma única agência reguladora. As estradas esburacadas e perigosas, os elevados custos do transporte rodoviário, a ineficiência dos portos, as crises do setor aéreo e a falta de investimentos no transporte ferroviário são conseqüência da péssima administração estatal.

• Cartórios deveriam ser extintos, sobretudo, para acabar definitivamente com a burocracia e o absurdo instituto da firma reconhecida.

Na ‘república brasileira de bananas’ uma assinatura não vale nada, a não ser que se pague por ela a um dono de cartório!

• Filas em repartições públicas, como em postos da previdência ou hospitais, deveriam ser proibidas por lei. É inadmissível que idosos precisem esperar em filas intermináveis por causa da incompetência de servidores e do descaso da administração. Para solucionar o problema bastaria investir na informatização e na qualificação do pessoal de atendimento. Enquanto o setor se aperfeiçoa, o sistema de hora marcada poderia acabar de forma instantânea com esse martírio.

Em São Paulo, uma lei estabelece multas para os bancos que obriguem seus clientes a esperar mais de 15 minutos na fila. Na véspera ou no dia seguinte a feriados prolongados, esse limite sobe para 25 minutos e em dias de pagamento de funcionários públicos, o tempo máximo na fila é de 30 minutos.

escolapublica.jpgSAÚDE E EDUCAÇÃO

• Para resolver os crônicos problemas nas áreas de saúde e educação, bastaria a adoção de uma estratégia simples: políticos e seus familiares até segundo grau só poderiam fazer uso dos sistemas estatais. Isso quer dizer: filhos de políticos só estudariam em escolas públicas e suas mães só seriam atendidas em hospitais do governo.

Essa não seria uma medida liberalizante, mas necessária para a dramática diminuição das diferenças sociais. Os problemas nesses dois setores básicos – e em situação tão lastimável no Brasil – seriam resolvidos num prazo jamais visto. Dinheiro para isso certamente existe!

SEGURANÇA

• O problema penitenciário seria solucionado com a transferência dos complexos de cadeias para a administração privada. Empresas especializadas ofereceriam trabalho nas prisões, pelo qual os presos receberiam uma justa remuneração. Além disso, os criminosos pagariam através do seu trabalho pelos custos da cadeia. Teriam assim a chance de desenvolverem profissões que os habilitassem à reinserção no mercado de trabalho, depois de cumprida a pena.

Naturalmente, essa não é a plataforma política de nenhum candidato, mas seria salutar que o fosse. Os problemas brasileiros são complexos e muito mais seria necessário para reduzi-los. O que se deseja provar através desse texto e das propostas que se apresentam é que o Brasil tem jeito. Basta coragem e um pouco de audácia para adotar algumas dessas medidas.

O País poderia se transformar rapidamente em potência, aproveitando o ciclo de crescimento da economia mundial. Lamentavelmente, não existem ’sarkozys’ disponíveis no mercado para serem importados. Sendo assim, que se invente um … made in Brazil.

Durante o mês de maio, quando estávamos engajados na campanha de Nicolas Sarkozy para a presidência da França, nosso amigo e leitor Francisco Guimarães (42) deixou um curto – mas excelente – comentário num post: “Sarkozy para presidente do Brasil”, dizia. Algumas semanas depois, outro leitor, Felipe Maciel (18), se manifestou curioso diante das soluções que poderiam advir para resolver problemas crônicos do Brasil. Após vislumbrar a posição do Brasil no ranking mundial da desigualdade social calculado pela ONU, a sua frustração era nítida. Aproveito a oportunidade para agradecer aos leitores que inspiraram esse artigo.

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Estatais: sinônimo de atraso

O dinossauro perde a sua chance
por Marcus Mayer
Revista World News Press | ed. JUN.2007

“Não é função do governo fazer um pouco melhor, ou um pouco pior, o que os outros podem fazer, e sim o que ninguém pode fazer”.

Lord Keynes

Entre os anos de 1975 e 1984, quando o mundo desenvolvido centrou investimentos maciços na área da informática, compartilhando tecnologias, o Brasil – que ainda vivia sob a ditadura militar nacionalista – submetia-se à insensata política de informática, praticada pela SEI (Secretaria Especial de Informática). A absurda Lei de Informática, de outubro de 1984, foi sacramentada pela “Constituição besteirol” de 1988.

FOTO: National Museum of Natural History, New York

dinosaur_museum_natural_history.jpg

 

Para jovens que ‘nasceram’ dominando as modernas tecnologias e se alfabetizaram lado a lado do computador, a perplexidade é ainda maior quando descobrem que o Brasil, durante mais de uma década, fechou o seu mercado proibindo investimentos estrangeiros e importações na área de tecnologia de informática. A isso se chamou de reserva de mercado.

Naquela época, as tecnologias existentes já começavam a ser renovadas a cada ano. E nenhum componente fabricado no exterior podia ingressar no País. Hoje a reserva continua existindo através da altíssima taxação. Basta tentar passar pela alfândega com um Notebook, sem declará-lo à receita, para ver no que dará. Antes de chegar a uma loja brasileira, um PC carrega quase 100% em taxas de tributação direta – 18% de Imposto de Importação, 50% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), 9,25% de PIS/Cofins e 18% de ICMS.

Roberto CamposIDEOLOGIA – A esquerda, que aplaudia a iniciativa da ditadura – em oposição aos liberais, liderados por nomes como Roberto Campos e José Guilherme Merchior – fazia a festa. Essa irresponsabilidade da legislação autoritária rendeu mais de duas décadas de atraso ao Brasil na área da informática.

E por mais impressionante que possa parecer, em pleno século 21, mesmo depois da Queda do Muro, o nacional-corporativismo esquerdista – um mix de nacionalismo fascista e coletivismo socialista – ainda não saiu de cena no Brasil e em boa parte da América Latina.

O que acontece no Brasil atual é uma repetição da década perdida dos anos 1980. Naquele período o problema maior era a hiperinflação e a carestia. Hoje, o caos provém do aparelhamento do estado e da conseqüente corrupção.

O MUNDO – a economia mundial está, há quase uma década, ininteruptamente em festa. Os asiáticos – China, Filipinas, Malásia, Índia etc. – crescem sem parar. Na União Européia – tanto na zona do euro quanto fora dela – o desemprego recua graças ao índice de confiança (119 pontos), o melhor desde 2001. Os Estados Unidos, com seu PIB de US$ 13,8 trilhões, têm uma economia sólida que reflete nas exportações do resto do planteta e consegue manter o desemprego estável (4,5%). As bolsas ao redor do mundo não param de bater recordes.

moedaimposto.jpgE o Brasil? – O País continua batendo recordes também! E o maior deles em arrecadação de impostos. Para o governo esquerdista a altíssima carga tributária – que se caracteriza por uma arrecadação de nível europeu e serviços de padrão sub-saariano – é primordial para bancar o gigantesco cabide de empregos e os 36 ministérios.

É necessária muita arrecadação para pagar os salários dos mais de 26.000 cargos de confiança dos petistas e dos seus amigos. Também é fundamental que os impostos sirvam para que a Previdência possa pagar os benefícios dos servidores públicos (valores estratosféricos, quando comparados aos do setor privado). Além disso, evita-se uma reforma impopular, que se chocaria com os interesses do funcionalismo público e dos sindicatos.

logo_dinossauros.jpgQuestão pétrea da esquerda nacionalista é a manutenção da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e tantos outros dinossauros da administração pública, como empresas estatais – aliás, como ‘patrimônio de todos os brasileiros’.

PRÉ-HISTÓRIA – Como seria possível oferecer cargos de diretoria, altamente remunerados, para gente sem qualificação se não existissem as empresas estatais? Lembremos que a maioria dos petistas foram injustiçados pelas elites que governaram o País, e não tiveram as mesmas chances que essas classes privilegiadas. E os amigos do PT? – Teriam de ficar de fora, pois o número de ministérios (36) é muito pequeno para empregá-los.

Não é de estranhar que o Brasil seja um exportador pouco dinâmico. Descontados todos os problemas do custo-país, os superávits são conquistados às custas da exportação de commodities, produtos primários de baixo valor agregado. Enquanto o mundo caminha para o futuro, o dinossauro brasileiro permanece na pré-história do desenvolvimento. Vivemos mais uma década perdida.

logo_cobra.gifA estatal Cobra, fundada em 1974, em plena ditadura militar, ainda existe e não serve para nada além de camuflar apaniguados em sua folha de pagamentos. Gastou dinheiro do contribuinte quando estava sob a proteção da SEI, a Secretaria Especial de Informática, e ainda hoje o pagador contribuinte banca a sua ineficiência através do Banco do Brasil, que incorporou o monstro. A tecnologia desenvolvida pela Cobra é tão “admirável” quanto o é o seu site na Internet.
Confira clicando aqui

Computador Cobra 210E para que se tenha uma idéia do que anda fazendo, inventou um PC básico que custará R$ 1.440,00. Qualquer idiota sabe que com esse valor, descontados os impostos, o governo compraria dois ou mais computadores nos Estados Unidos. Compare-se somente com os avançadíssimos Notebooks populares, com tecnologia wirefire, capacidade de conexão à Internet, que custarão em torno de US$ 200.

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