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Que prisma é esse?

Prisma liberalEnquanto na física o prisma é definido como um poliedro de seção triangular, que tem a propriedade de decompor a luz branca em espectro de cores, o nosso prisma é dotado de sentido figurado e representa um ponto de vista, um modo de considerar algo.

O mundo visto por um prisma liberal, nem sempre, é entendido como gostaríamos. E isso é bastante compreensível, sobretudo considerando a conotação errada e negativa que a palavra liberal tem recebido.

Associa-se o liberalismo – de forma incorreta – à defesa dos interesses dos mais ricos, das camadas mais privilegiadas da população, dos empresários. Os liberais costumam ser confundidos com conservadores egoístas, com privatistas sem escrúpulos, com inimigos dos pobres. Observa-se essa óptica na América Latina e na Europa.

Nos Estados Unidos, de contrapartida, os liberais são comumente taxados de socialistas, adversários da iniciativa privada. Seus princípios estariam à serviço de incentivadores do aborto, do livre uso de drogas, do casamento entre gays, dos defensores do modelo de economia planificada, estatal.

Achamos que o momento seja pertinente para esclarecer o significado do “nosso” prisma liberal. A eleição do democrata (ou liberal?) Barack Obama, nos Estados Unidos, e o governo popular (ou antiliberal?) de Lula da Silva, no Brasil, costumam confundir o observador comum. Exceto estudiosos de ciências políticas ou sociais, naturalmente, ninguém é obrigado a conhecer as ideologias em detalhes.rcus-mayer.com


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mm150x187Um convite à liberdade
por Marcus Mayer
exclusivo para o Blog | Domingo, 2 de agosto de 2009

 Segundo o historiador inglês Eric Hobsbawn, autor de A era dos extremos, o século 20 teria começado com a Grande Guerra, em 1914, e terminado com o colapso da União Soviética em 1991, o último dos grandes impérios a desaparecer.  Para outros, o século foi mais curto: teria começado com a Revolução Comunista em 1917, para terminar com a Queda do Muro de Berlim em 1989. Nesse interregno, a democracia liberal enfrentou adversários de peso, representados pelas figuras de três carniceiros: Stalin, Hitler e Mao Tsé-Tung.

Na América Latina, durante o século passado, convivemos com caudilhos e ditadores. De Vargas e Perón a Pinochet e Fidel, para ficar somente em alguns exemplos mais emblemáticos. No Brasil, tivemos ainda duas décadas de repressão comandadas pelos militares, a partir de 1964.

Com a extinção do mundo bipolar da Guerra Fria, o antigo conflito entre capitalismo e comunismo chegou ao fim. Naturalmente, não nos esquecemos do mundo asiático com suas várias modalidades de autoritarismo confuciano; e não queremos descartar o mais grave problema do mundo islâmico, o qual não consegue separar a religião da política.

Queda do Muro de Berlim, 1989Felizmente, a era de extremos – entre direitas e esquerdas – está definitivamente encerrada. Já se respiram ares de mais liberdade em torno do globo, apesar dos reconhecidos problemas ainda enfrentados pela humanidade, nesse começo de terceiro milênio da Era Comum.

Mesmo assim, restam ainda alguns saudosistas. São aqueles que insistem na tentativa de reviver teorias políticas ultrapassadas e investem no radicalismo, no belicismo, no choque entre as civilizações – como diria Samuel Huntigton.

Os atentados do 11 de Setembro, nos Estados Unidos, serviram de justificativa para a ascensão da chamada doutrina Bush. Os radicais islâmicos conseguiram aterrorizar o mundo e jogaram combustível no conservadorismo cristão norte-americano e dividiram opiniões na velha Europa. O idealismo multilateral das Nações Unidas, que se esperava vitorioso no final do século 20, foi substituído pelo unilateralismo e pela arrogância do governo republicano de George W. Bush.

Enquanto isso, na América Latina, depois de experiências neoliberais ensaiadas nos anos 1990 – que não conseguiram exterminar a miséria no continente –, o populismo e o autoritarismo retornaram ao poder em diversos cantos, agora sob novo título de socialismo do século 21.

Depois desse brevíssimo giro histórico, gostaríamos de apresentar um pouco da nossa noção de liberdade e liberalismo para o mundo.

Primeiramente, desejamos deixar claro que o liberalismo não deve jamais ser confundido com socialismo. E também não deve ser entendido como ideologia a serviço de grupos privilegiados. O liberalismo desse século 21 se opõe, sim, ao populismo e à tirania.

Diagrama NolanPara simplificar a compreensão da localização de nosso pensamento no atual espectro ideológico, utilizamos uma vez mais uma adaptação do diagrama de Nolan, na ilustração ao lado. Observe-se que o esquema se divide em cinco campos: no alto o liberal, abaixo o nacional-estatista, à esquerda o social-democrata, à direita o campo conservador, e entre essas quatro tendências, o centro.

O nosso prisma liberal é pacifista e defensor da conservação do meio ambiente. É multilateralista e plenamente laico. É respeitador da total liberdade de expressão e incentivador da integração econômica dos povos. Por outro lado, não tolera ditaduras, xenofobia, populismo, preconceito, estatismo e fanatismo religioso.

No intuito de permitir uma melhor compreensão destas noções teóricas, propomos a análise de alguns temas frequentes e de grande relevo em nosso cotidiano. A abordagem prática possibilitará um entendimento claro dos valores que nos são caros ao defender uma ideologia. Assim, convidamos o leitor a refletir conosco sobre questões interessantes, que interagem em nossas vidas.

Comecemos com assuntos bastante polêmicos:

ABORTO – Acreditamos que a decisão não deva ser do estado, mas exclusivamente da mulher. Não estamos de acordo com a proibição, nem desejamos incentivar mulheres que se opõem ao aborto a praticá-lo. No nosso ponto de vista, deveríamos seguir o exemplo dos países mais desenvolvidos e descriminalizar a prática.

Mais a respeito de nossa opinião sobre este tópico, pode ser encontrado no artigo A democracia e o estado laico, publicado no último ”Dia Internacional da Mulher”.

DROGAS – Distintamente da maioria dos libertários, não acreditamos que o livre uso de drogas esteja incluso no rol dos nobres direitos individuais. No entanto, não consideramos o dependente criminoso. Achamos que o vício deva ser tratado como doença. Na teoria, poderíamos até concordar com o argumento de que cada um é livre para fazer o que desejar com o seu próprio corpo, até mesmo destruí-lo. Receamos, todavia, que as populações mais carentes, principalmente aquelas que se viciam rapidamente no crack pelas ruas das grandes cidades, possam se tornar vítimas do excesso de liberalização. O mesmo se aplica aos jovens endinheirados que, em algumas baladas e raves, se envenenam com drogas sintéticas.

beijoCASAMENTO GAY – Essa é uma questão de âmbito estritamente pessoal e o estado em nada deve se intrometer na orientação sexual do cidadão. Trata-se aqui, da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Achamos que homossexuais devem gozar dos mesmos direitos de qualquer outra pessoa. Naturalmente, o liberal não espera incentivar homens a trajar vestidos de noiva nem mulheres a usar terno e gravata. Isso nada tem a ver com o assunto. Também no que concerne à adoção, achamos que todos têm os mesmos direitos e obrigações. Vale ressaltar uma vez mais que nenhum tipo de preconceito combina com o liberalismo.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO – A defesa desse valor é dos mais caros ao liberal. Tanto os cidadãos quanto a imprensa devem ter total liberdade para expressarem opiniões. A censura é antidemocrática e serve somente ao autoritarismo. Todavia, estabeleçamos aqui um único limite: a liberdade de expressão não deve jamais ser utilizada para fazer apologia ao crime, ao racismo ou ao preconceito, até mesmo no “território livre” da Internet.

DEMOCRACIA – É impossível ao liberal identificar-se com qualquer tipo de ditadura ou tirania, seja de direita, de esquerda ou religiosa. Tal qual a liberdade de expressão, a democracia está entre os valores indissociáveis ao liberalismo. Condenamos o uso de instrumentos democráticos, como o plebiscito e o referendum, para justificar a centralização de poderes que, indubitavelmente, remetem a uma ditadura.

MITOLOGIA – O liberal garante a liberdade religiosa, mas a separa plenamente do estado. As religiões podem ser ensinadas nas igrejas, mas não como doutrinação em escolas. Além disso, preferimos que símbolos religiosos fiquem distantes das salas de aulas, respeitando-se a diversidade cultural. O mesmo se refere à frequente imposição de religião aos povos silvícolas.

ARMAS DE FOGO – Nesta questão, nós nos diferenciamos da maioria dos liberais, ou seja, somos uma minoria, que considera o uso de armas de fogo exclusividade do estado. Sob nosso prisma, a segurança dos cidadãos deve ser responsabilidade plena do estado. Não encontramos justificativa para o uso particular, exceto no caso de especialistas, treinados para tal no exercício de suas profissões, e também na prática de esportes. Se quem nos lê não concorda com essa opinião, ao menos aqui, é mais liberal que nós.

SAÚDE E EDUCAÇÃO – Ideal seria se todos tivessem a possibilidade de escolher o hospital e a escola mais adequados as suas necessidades e pudessem remunerar os serviços recebidos. Entendemos, contudo, que essa ainda não é a realidade da maioria das pessoas. Assim, reservamos mais uma atribuição ao estado: garantir saúde e educação para as populações que ainda dependam do auxílio estatal.

GARANTIAS TRABALHISTAS – Na nossa óptica essas garantias deveriam ser estabelecidas exclusivamente em contrato, firmado entre empregado e empresa. A regulamentação pode servir, contudo, àquela faixa de trabalhadores desprotegidos e incapazes de estabelecer garantias que não os tornem reféns dos empregadores. Aqueles que o desejassem, porém, deveriam ter a liberdade de negociar salários, férias, licenças, horas-extras, turnos, bônus, assistência médica etc., como melhor lhes coubesse, sem a interferência estatal.

RENDA MÍNIMA – Para expor de forma simples o nosso ponto de vista, tomamos o exemplo do programa Bolsa Família, do governo brasileiro. Seria desumano criticar um esforço estatal que oferece, em média, 90 reais mensais a famílias miseráveis. Consideramos, entretanto, imprescindível associar ao programa estatal meios para retirar as populações definitivamente da pobreza. Ninguém deveria se tornar refém de “esmolas” de políticos populistas.

Um ótimo exemplo de iniciativa governamental que deu certo foram os esforços da Coréia do Sul: no intervalo de três décadas, o país transformou radicalmente a sua economia. Por meio de maciços investimentos em educação, ciência e tecnologia, retirou a população da pobreza, transformando a pequena península asiática na 15ª economia mundial, com renda per capita acima de 25 mil dólares.

Seul 1961 - atual

FILANTROPIA – Alguns liberais ortodoxos consideram a filantropia um convite à preguiça. Não comungamos desse pensamento e vislumbramos a generosidade como alternativa à excessiva presença do estado em algumas áreas. Leve-se em conta o exemplo das melhores universidades americanas, que recebem generosas doações de seus ex-alunos. Esse tipo de caridade permite ao estado economizar recursos públicos e destiná-los, por exemplo para a educação de base.

IMPOSTOS – Mesmo os liberais mais acirrados à doutrina sabem que o estado não sobrevive sem arrecadar impostos. Todavia, quanto menor a quantidade de impostos que se pagam ao governo, mais dinâmica se torna a economia. Sobra mais dinheiro em circulação para os cidadãos e para as empresas e seus empregados. Mas para isso, o estado precisa ser enxuto. No nosso ponto de vista, a folha de pagamentos estatal deve servir somente para remunerar atividades nas quais a iniciativa privada não esteja presente.

FUNCIONALISMO PÚBLICO – Pode ser eficiente e bem remunerado, se em número adequado (extraordinariamente reduzido) e atuando somente nos serviços essenciais. Funcionários públicos devem ter os mesmos direitos e obrigações que empregados do setor privado. Não podem ser cidadãos privilegiados nem de segunda classe.

leninBUROCRACIA – A burocracia é inimiga do liberalismo e do desenvolvimento. Quanto menor a burocracia mais livre é a sociedade e mais eficientemente funciona a economia.

LIVRE CONCORRÊNCIA – O protecionismo e a reserva de mercado – não importando se executados por países ricos ou menos desenvolvidos -, é sempre prejudicial para a economia. Liberais não protegem nem privilegiam determinados setores produtivos. Consideram a concorrência extremamente saudável para a elevação da qualidade e para a redução dos preços.

PRIVATIZAÇÕES – Naturalmente, para contrastar os argumentos pró e contra as privatizações, preferiríamos elaborar um texto mais detalhado. Afinal, trata-se de uma questão que sofre campanhas difamatórias por parte de estatistas mais radicais. Contudo, para resumir nossa óptica liberal, defendemos a privatização em todas as áreas nas quais a iniciativa privada pode ser mais eficiente que o estado. Isso, naturalmente, não se limita aos setores de telefonia ou de mineração, que já comprovaram enorme sucesso ao redor do mundo, e sobretudo no Brasil, mas pode ser adequada aos portos, aeroportos, presídios, estradas, ferrovias, bancos, estádios esportivos etc.

AGÊNCIAS REGULADORAS – O nome pode assustar os liberais, mas reconhecemos a importância de determinados controles. Além da defesa dos consumidores, é necessário garantir a livre concorrência e evitar a criação de monopólios e cartéis. Porém, essas instituições precisam ser totalmente independentes da influência governamental para que cumpram corretamente o papel que lhes é reservado.

RELAÇÕES INTERNACIONAIS – Desejamos a plena integração econômica e comercial, como meio de alcançar a paz e a prosperidade entre os povos. Acreditamos nas instituições multilaterais como as Nações Unidas e a Organização Mundial do Comércio. Não identificamos no embargo imposto a países governados por tiranos (p.ex.: Cuba, Coréia do Norte, Irã) meio eficaz de combate à ditadura. Países que mantém relações comerciais tendem a ser mais contidos, até nos mais tumultuados conflitos diplomáticos, exatamente porque mantém relações comerciais (p.ex.: Venezuela e Estados Unidos). O comércio é um meio eficaz para evitar a guerra.

personality mosaicCertamente, existem muitos outros pontos que poderiam ser considerados, mas acreditamos ter exposto temas de interesse geral que esclarecem bem razoavelmente o nosso prisma liberal.

Nossas prioridades na atuação política são sempre dirigidas aos povos mais necessitados – seja do Brasil, seja do mundo. Não importa se é o estado ou a iniciativa privada que atuarão. Cada um tem a sua atribuição. E um não anula a presença ou a responsabilidade do outro. Combatemos, contudo, os excessos. O radicalismo não é saudável, nem se for sob a óptica dos princípios liberais.

Infelizmente, o liberalismo é uma filosofia, algumas vezes, mal entendida e desvirtuada por seus opositores. Esperamos que, no futuro, quando alguém classificar o liberal como reacionário, elitista, preconceituoso ou, unicamente, defensor dos interesses das classes ricas, você, leitor, tenha argumentos para rebater.

Lembremo-nos também que existem pessoas boas, bem intencionadas, integrando todas as ideologias democráticas. O nosso prisma é constituído de princípios puramente liberais, mas também de pontos que julgamos positivos em outras linhas de pensamento: a social-democracia, a terceira via, o conservadorismo, o ambientalismo etc. O mesmo não se aplica aos aliados e sectários de ditaduras ou tiranias corruptas e racistas.

Àqueles que ainda se debatem radicalmente na defesa de ideologias, seja à direita ou à esquerda, avisamos, simplesmente, que o século 21 já chegou.

Na ilustração: Martin Luther King, Mohandas Gandhi, Roberto Campos, Sérgio Vieira de Mello, Mario Vargas Llosa, Alvaro Vargas Llosa, Al Gore, Konrad Adenauer, Ronald Reagan, Margareth Thatcher, Adam Smith, Alexis de Tocqueville, Jean-Jacques Rousseau, Friedrich Hayek e Ludwig von Mises.

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O menor teste político do mundo

surprised-girl.jpgComo você se classifica politicamente?
para descobrir, responda a essa adaptação do famoso

 

World’s Smallest Political Quiz
(O menor teste político do mundo)

Durante anos, a ideologia política foi representada por uma escolha entre a esquerda, a direita e o centro. Cada vez mais especialistas consideram essa visão demasiado estreita, pois exclui milhões de pessoas. O diagrama do teste apresenta uma representação muito mais exata do espectro político. Ele mede tendências que não são absolutas. O resultado, todavia, indica a ideologia com a qual você mais se identifica e o quanto você concorda e discorda de outras filosofias políticas. Poderá ter também uma grande surpresa!

INSTRUÇÕES:
Para cada questão, escolha entre C para Concordo, T para Talvez (ou não sei), e D se você Discorda.
C: 20 pontos / T: 10 pontos / D: zero

 teste-ideologias.jpg 

diagrama-de-nolan.jpg LOCALIZE-SE NO DIAGRAMA AO LADO
Some os pontos separadamente. Para as questões de ordem pessoal marque a sua posição na pista da esquerda. Para as questões de ordem econômica localize-se na pista da direita. Siga os quadradinhos até a intersecção e encontre a sua posição no diagrama. As distintas áreas mostrarão o grupo político no qual você melhor se enquadra.

O QUE SIGNIFICA O SEU RESULTADO NO DIAGRAMA?

Liberais
Apóiam uma grande gama de liberdades; entre elas, a liberdade de escolha nas matérias de ordem pessoal e nas relações econômicas. Acreditam que a única verdadeira obrigação do estado é a proteção contra a coerção e a violência. Valorizam as responsabilidades individuais e toleram a diversidade econômica e social.

Social-Democratas
Abraçam a liberdade de escolha nas questões pessoais, mas apóiam a centralização das decisões econômicas. Desejam que o governo dê ajuda aos necessitados em nome da justiça social. Toleram a diversidade social, mas lutam pelo que chamam de “igualdade econômica”.

Conservadores
São a favor da liberdade de escolha nas questões econômicas, mas defendem padrões oficiais nas matérias de ordem pessoal. Tendem a apoiar o livre mercado, mas freqüentemente desejam que o estado defenda a comunidade naquilo que vêem como ameaça à moralidade ou à estrutura da família tradicional.

Centristas
Favorecem a intervenção seletiva do estado e enfatizam o que comumente descrevem como “solução prática” para dirimir problemas correntes. Tendem a manter um pensamento aberto em questões políticas. Muitos centristas atribuem ao governo a responsabilidade de impor limites às liberdades excessivas
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Nacional-Estatistas
Defendem uma maior responsabilidade estatal no controle da economia, dos indivíduos e da sociedade. Apóiam um planejamento centralizado, e freqüentemente questionam a liberdade de escolha nas questões individuais. Na parte inferior do diagrama, os autoritários de esquerda são usualmente chamados de socialistas, enquanto que os autoritários de direita são chamados de fascistas.

NOTA DO EDITOR
O teste acima faz jus ao seu nome – é realmente muito breve -, mas o consideramos muito objetivo e relativamente preciso. Registre, se possível, no espaço reservado aos comentários, a sua opinião. As terminologias utilizadas são adequadas ao Brasil. A “Terceira Via” localiza-se próxima à intersecção entre o liberalismo, a social-democracia e o centro. Nos Estados Unidos, os liberais são chamados de “libertários” (libertarians), enquanto os social-democratas também são conhecidos como “liberais de esquerda” (left-liberals).

CREDIT: The “World’s Smallest Political Quiz” is adapted from an original idea by David Nolan. Web: http://www.theadvocates.org/quiz.html

 

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Politicômetro

veja_ed2060_1452008Na edição 2060, de 19 de maio de 2008, a revista Veja publicou um teste sob o nome ‘politicômetro’, visando situar o leitor no espectro político-ideológico. Em seu editorial informou ter se inspirado numa iniciativa americana, porém, sem citar a fonte. Os leitores mais assíduos de nosso blog, todavia, sabem que a autoria é de David Nolan e que o formato do teste foi ligeiramente modificado.

No intuito de nos anteciparmos em relação à revista, republicamos a nossa tradução do “World’s Smallest Political Quiz”, no dia 5. Mantivemos o formato original, permitindo um resultado claro àqueles que se submetessem ao teste. (clique aqui para conferir)

Na semana atual, Veja também confirma o que afirmávamos há um ano, aqui mesmo, no que concerne ao Brasil e a sua caracteristica dúbia de manter um pé no mundo desenvolvido e outro no atraso. Os detalhes constam do texto “Mosquito vence avião”, que publicamos abaixo.

Desejamos uma ótima semana aos nossos visitantes!


 

marcusmayer.JPGMosquito vence avião
por Marcus Mayer*
exclusivo para o Blog | Sexta-feira, 23 de maio de 2008

Aproximadamente 12 meses atrás, publicamos neste espaço uma série de receitas que acreditávamos urgentes e apropriadas para inserir o Brasil, definitivamente, no rol dos países desenvolvidos (clique aqui para ver o post) . Este não é nenhum grande mérito próprio – apesar dos positivos comentários recebidos na época –, pois os temas são correntes durante uma corrida de táxi ou à mesa de um bar.

Como matéria de capa, a revista Veja desta semana oferece como solução para os problemas do atraso brasileiro, num ótimo texto, uma receita com os mesmos ingredientes e semelhante modo de preparo ao que tínhamos apresentado. Utiliza-se, todavia, de uma terminologia sensivelmente ultrapassada no jargão das Relações Internacionais: ‘primeiro’ e ‘terceiro’ mundos.

Essas referências foram perfeitamente válidas durante o contexto da Guerra Fria, designando os países capitalistas alinhados aos Estados Unidos (primeiro mundo), os ex-socialistas sob influência da antiga União Soviética (segundo mundo) e os não-alinhados (terceiro mundo). A classificação atual, no sentido de qualificar o seu grau de desenvolvimento, agrupa os países do mundo em ‘ricos’, ‘emergentes’ e ‘pobres’. Brasil, Rússia, Índia e China, os chamados BRICs, estão entre os principais emergentes.

abertura-comercial-brasilCONTRASTE – Com efeito, o Brasil, cujo grau de desenvolvimento permanece como um dos mais desiguais do planeta, apresenta em alguns setores nítidas características de país rico, concomitantemente aos bolsões de extrema pobreza e aos típicos problemas das nações mais miseráveis. Veja destaca muito bem essa idiossincrasia, ao ilustrar sua matéria com um modelo da EMBRAER, exemplo de elevadíssimo grau de tecnologia, e um Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.

Confirmando o que já dizíamos em nosso artigo de junho de 2007, o País necessita urgentemente de maior abertura econômica (observe a tabela comparativa ao lado). Precisa também diminuir drasticamente o tamanho do estado – o aparelhamento da máquina pública é um dos maiores malefícios ao desenvolvimento, aprofundados pelo atual governo petista. Deve retomar as privatizações, investir maciçamente em ciência e tecnologia, preservar o meio ambiente e extirpar a corrupção.

Infelizmente, o que executa o governo de Lula da Silva é justamente o contrário.

* Marcus Mayer é especialista em Relações Internacionais e editor do blog

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Esquerda progressista ou jurássica?

girl-cccpOs últimos posts de nosso blog estimularam um espetacular debate a respeito da definição das diversas ideologias políticas e econômicas, do passado e da atualidade. Nada poderia nos honrar mais do que vislumbrar, no espaço reservado aos comentários desses recentes posts, textos tão extraordinários, escritos por espetaculares articulistas da blogosfera, que aqui nos prestigiam.

A questão que se apresenta refere-se, principalmente, à definição de esquerda. Essa ideologia teria tendências “jurássicas” – como costumamos afirmar – ou modernas? A foto que ilustra este post pretende reforçar essa indagação. Caso fossemos argüidos a escolher entre as três mais comuns vertentes do pensamento político – esquerda, direita ou centro -, talvez tivéssemos dúvidas, dada a variedade de interpretações e subclassificações possíveis.

No final de 2006, o presidente da República, Lula da Silva, afirmou ter atingido a “maturidade do centro” e proferiu uma frase que recebeu críticas de alguns e a concordância de outros: “Se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problema; se você conhecer uma pessoa muito nova de direita, é porque ela também está com problema” (sic).

Afinal, o que significam exatamente esses “rótulos”? Estaria certo, o presidente, atribuindo ao centro o ápice do discernimento político? O pensamento de esquerda é reservado ao idealismo juvenil? Aonde se encaixam os liberais – seriam esquerdistas ou direitistas? Social-democratas são neoliberais? O que é terceira via? Ecologistas têm alguma preferência? Nacionalistas são reacionários? Socialistas e comunistas pensam igual?

Desejamos responder a todas essas questões com destacada neutralidade, limitando-nos à doutrina, embasada na história e na filosofia política. Por isso, estamos elaborando um aprofundado ensaio, com referências e conceitos, que permitarão oferecer respostas claras aos questionamentos que se apresentam.

Aguardamos, assim, por suas visitas e comentários a nossa argumentação, a partir das 20 horas – prazo no qual concluiremos a redação do artigo.

Aproveitamos para agradecer pelos últimos comentários que, pelo tempo exíguo, hoje, não pudemos responder, como de praxe. E desejar um ótimo feriado!

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Golden key

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Nada nos honraria mais neste momento, ao retornamos de nossas breves férias, que uma crônica do reconhecido articulista Ron Groo. No texto, o autor destaca a banalização da catástrofe moral que atinge o Brasil.

Quando convidei Ron para escrever um artigo para o nosso blog não sugeri nenhum tema, procurando deixá-lo à vontade e já sabendo, de antemão, que faria uma ótima escolha. Assim, como fiel leitor de nossos artigos e notícias, resumiu, magistralmente, em uma única crônica o espírito deste espaço. Leia-se abaixo:


ron_groo.jpgA queda dentro de nós
por Ron Groo*

Parece normal quando se apresentam senadores, deputados, vereadores, empreiteiros ou mesmo cidadãos sem cargo, que não conseguem explicar a origem de seus bens.

O que é preciso para que se realizem nossos sonhos de nação? Talvez seja necessário mudar a essência do que se convencionou chamar de “o povo brasileiro”. É preciso mudar, lá nos genes, a nossa visão de Brasil e de seus problemas.

Dizia a antiga piada que, a nossa catástrofe natural é a classe política. Que ela seria tão devastadora quanto os terremotos, os furacões e os maremotos, que atormentam outros países e continentes.

Penso de forma diferente. O mal do país está em nós, naquele gene “mau caráter” que se esconde em nosso DNA e que se desenvolve. Que aparece quando sabemos que estamos errados e, ainda assim, tentamos levar vantagem. Quando, nas pequenas coisas, usamos artifícios para nos darmos bem ou pelo simples fato de sermos malvados gratuitamente. Como aquele motorista de ônibus que, mesmo com o farol fechado, acelera o coletivo e força os pedestres a apressarem o passo para atravessarem a rua.

É esta a nossa singularidade enquanto povo, tal como o “ão” é uma singularidade de nossa língua; e que me faz duvidar daquela história de “o brasileiro ser um povo ordeiro”. É lobo. Infelizmente. É o seu próprio lobo. Se não, pensemos: O político corrupto é, senão espelho de nós mesmos, aquele pequeno gene “mau caráter” de nosso DNA, elevado à enésima potência e embriagado pelo poder. E como nos ensinou Lord Acton, é ele que corrompe.

Melhor pensar direito. Existe uma grande inversão de valores que nos faz ficar admirados quando alguém é tido como ‘honesto’. Como se a honestidade não fosse a nossa primeira obrigação! Agora, já nos parece normal quando se apresentam senadores, deputados, vereadores, empreiteiros e, mesmo cidadãos sem cargo, que não conseguem explicar a origem de seus bens. Não conseguem nem afastar suspeitas que pairem sobre si. Achamos normal, não mais nos chocamos, não mais nos escandalizamos.

Como também não nos chocam os professores que não sabem ensinar, os policiais que se valem do ofício em beneficio próprio, e toda a gente que usa o Estado em benefício próprio…

É necessário que mudemos, dentro de nós, esta visão. Que cobremos, de nós mesmos, mais compromisso com a verdade e com a honestidade. Fazer com que esta particularidade tão nossa, de “querer se dar bem sempre” (sic), seja revertida em “querer o bem coletivo”.

Somos nós que votamos. Somos nós que elegemos. E somos nós que não sabemos escolher. Falta-nos discernimento para analisar nomes, propostas, biografias e perfis. Façamos a nossa parte. Prestemos atenção àquilo que nos rodeia. Existem tragédias que se anunciam: o mar recuando antes do Tsunami, a calmaria antes da tempestade e, também, como é feita a campanha antes de uma eleição.

Mudemos nós. Aproveitemos a liberdade que temos para poder discutir, analisar e escolher. Mas, principalmente, aproveitemos o momento para rever nossos próprios valores. Façamos nós o nosso melhor, para que isso reflita em todos, tornando-se esse um valor comum. Como nosso “ão”.

Mas se nós temos planos e eles são / o fim da fome e da difamação /
porque não pô-los logo em ação? / tal seja agora a inauguração
da nova nossa civilização / tão singular quanto o nosso ao
e sejam belos, livres, luminosos / os nossos sonhos de nação.

Lenine, in ‘Ecos do ão’

 

* Ron Groo é articulista e escreve regularmente em seu Blog

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A construção de um mito

O texto abaixo foi extraído de livro do filósofo francês Michel Onfray, Traité d’Athéologie: Physique de la métaphysique (Tratado de Ateologia: Física da metafísica) e por mim traduzido.

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Os mitos: Zaratustra, Ulisses e Jesus

aspas22.gifJesus existiu, sem dúvida, assim como Zaratustra e Ulisses, de quem pouco importa saber se viveram fisicamente, em carne e osso, num tempo distante e em lugar específico. A existência de Jesus nunca pôde ser verificada historicamente: nenhum documento da época, nenhuma prova arqueológica, nem nenhuma certeza permitiram chegar à conclusão de sua presença real entre dois mundos e que tenha invalidado um em nome do outro.

Não existe tumba, nem sudário, nem arquivos; apenas um sepulcro que, no ano 325, inventado por Santa Helena, a mãe de Constantino – muito inspirada, pois lhe devemos igualmente o descobrimento do calvário e do titulus, o pedaço de madeira que levava inscrito o motivo da condenação de Jesus. Também existe uma certa peça de tela cuja data, por meio do carbono 14, demonstra ser do século 13 de nossa era – de modo que só um milagre poderia ter permitido envolver o corpo de Cristo, o suposto cadáver, mais de mil anos antes. Por final, encontramos três ou quatro vagas referências muito imprecisas nos textos de Flávio Josefo, Suetônio e Tácito, historiadores da Antiguidade –, é certo, mas em cópias feitas alguns séculos depois da pretensa crucificação de Jesus e, sobretudo, muito depois da existência e do desejo de agradar daqueles aduladores.

De contrapartida, como negar a existência conceitual de Jesus? Com a mesma validez que o Fogo de Heráclito, a Amizade de Empédocles, as Idéias platônicas ou o Prazer de Epícuro, Jesus funciona maravilhosamente como idéia, que articula uma visão de mundo, uma concepção do real, e uma teoria do passado pecaminoso e do futuro na salvação. Deixemos que os amantes dos debates impossíveis elucidem a questão da existência de Jesus e dediquemo-nos aos temas que importam: o que contém a construção chamada Jesus? Para fazer o quê? Com que intenções? Como o fim de servir a quais interesses? Quem criou essa ficção? Como o mito adquiriu consistência? Como evoluiu a fábula através dos séculos?

As respostas a essas perguntas exigem um rodeio por um “décimo terceiro apóstolo”, Paulo de Tarso; por um “acólito das relações exteriores”, como se fazia chamar Constantino, também autor de um golpe de estado exitoso; e por seus seguidores, Justiniano, Teodosio, Valentiniano, que incentivaram os cristãos a saquear, torturar, assassinar e queimar bibliotecas. A história coincide com a genealogia de nossa civilização, desde o ectoplasma invisível até os plenos poderes do fantasma que se estendeu sobre um Império e logo sobre o mundo. A história começa em torno de brumas da Palestina, prossegue em Roma, e depois em Bizâncio, entre as riquezas, o boato e o imperialismo do poder cristão; reina ainda hoje em milhões de espíritos formados por essa incrível história construída no ar, com improbabilidades, imprecisões e contradições, que a Igreja impõe desde sempre por meio da violência política.

Sabemos que os documentos existentes são, em sua maioria, falsificações levadas a cabo com habilidade. As bibliotecas queimadas, os contínuos saques de vândalos, os incêndios acidentais, as perseguições e os autos de fé cristãos, os terremotos, a revolução dos meios de impressão – que substituiu o papiro pelo pergaminho e permitiu aos copistas, sectários e fanáticos de Cristo, escolher entre os documentos resgatáveis e os imprescindíveis -, as liberdades que se tomaram dos monges ao estabelecer as edições de autores antigos, nas quais acrescentaram o que fazia falta, visando à consideração retrospectiva dos vencedores, constituem mais de um motivo de transtorno filosófico.

Nada do que perdura é confiável. O arquivo cristão é o resultado de uma elaboração ideológica, e inclusive Flavio Josefo, Suetônio ou Tácito, em cujas obras um punhado de palavras indica a existência de Cristo e de seus seguidores no século 1º de nossa era, respondem à lei da falsificação intelectual. Quando um monge anônimo volta a copiar as Antiguidades judaicas do historiador judeu, preso e logo convertido em colaborador do poder romano, no instante em que tem ante de si um original dos anais de Tácito ou da Vida dos doze Césares de Suetônio e se assombra com a ausência no texto de alguma menção da história na qual crê, de boa fé agrega uma passagem de seu punho e letra, sem vergonha ou complexos e sem imaginar que atua mal ou que inventa uma falsidade, posto que nessas épocas não abordavam os livros com os olhos de nossos contemporâneos, obstinados pela verdade, em respeito à integridade do texto e dos direitos autorais… Hoje, inclusive, lemos os escritores da Antiguidade, em manuscritos, vários séculos depois, confeccionados por copistas cristãos que modificaram seus conteúdos com o objetivo de elaborar o curso da história… “

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