O menor teste político do mundo

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surprised-girl.jpgComo você se classifica politicamente?
para descobrir, responda a essa adaptação do famoso

World’s Smallest Political Quiz
(O menor teste político do mundo)

Durante anos, a ideologia política foi representada por uma escolha entre a esquerda, a direita e o centro. Cada vez mais especialistas consideram essa visão demasiado estreita, pois exclui milhões de pessoas. O diagrama do teste apresenta uma representação muito mais exata do espectro político. Ele mede tendências que não são absolutas. O resultado, todavia, indica a ideologia com a qual você mais se identifica e o quanto você concorda e discorda de outras filosofias políticas. Poderá ter também uma grande surpresa!

INSTRUÇÕES:
Para cada questão, escolha entre C para Concordo, T para Talvez (ou não sei), e D se você Discorda.
C: 20 pontos / T: 10 pontos / C: zero

teste-ideologias.jpg

diagrama-de-nolan.jpg LOCALIZE-SE NO DIAGRAMA AO LADO
Some os pontos separadamente. Para as questões de ordem pessoal marque a sua posição na pista da esquerda. Para as questões de ordem econômica localize-se na pista da direita. Siga os quadradinhos até a intersecção e encontre a sua posição no diagrama. As distintas áreas mostrarão o grupo político no qual você melhor se enquadra.

O QUE SIGNIFICA O SEU RESULTADO NO DIAGRAMA?

Liberais
Apóiam uma grande gama de liberdades; entre elas, a liberdade de escolha nas matérias de ordem pessoal e nas relações econômicas. Acreditam que a única verdadeira obrigação do estado é a proteção contra a coerção e a violência. Valorizam as responsabilidades individuais e toleram a diversidade econômica e social.

Social-Democratas
Abraçam a liberdade de escolha nas questões pessoais, mas apóiam a centralização das decisões econômicas. Desejam que o governo dê ajuda aos necessitados em nome da justiça social. Toleram a diversidade social, mas lutam pelo que chamam de “igualdade econômica”.

Conservadores
São a favor da liberdade de escolha nas questões econômicas, mas defendem padrões oficiais nas matérias de ordem pessoal. Tendem a apoiar o livre mercado, mas freqüentemente desejam que o estado defenda a comunidade naquilo que vêem como ameaça à moralidade ou à estrutura da família tradicional.

Centristas
Favorecem a intervenção seletiva do estado e enfatizam o que comumente descrevem como “solução prática” para dirimir problemas correntes. Tendem a manter um pensamento aberto em questões políticas. Muitos centristas atribuem ao governo a responsabilidade de impor limites às liberdades excessivas
.

Nacional-Estatistas
Defendem uma maior responsabilidade estatal no controle da economia, dos indivíduos e da sociedade. Apóiam um planejamento centralizado, e freqüentemente questionam a liberdade de escolha nas questões individuais. Na parte inferior do diagrama, os autoritários de esquerda são usualmente chamados de socialistas, enquanto que os autoritários de direita são chamados de fascistas.

NOTA DO EDITOR
O teste acima faz jus ao seu nome - é realmente muito breve -, mas o consideramos muito objetivo e relativamente preciso. Registre, se possível, no espaço reservado aos comentários, a sua opinião. As terminologias utilizadas são adequadas ao Brasil. A “Terceira Via” localiza-se próxima à intersecção entre o liberalismo, a social-democracia e o centro. Nos Estados Unidos, os liberais são chamados de “libertários” (libertarians), enquanto os social-democratas também são conhecidos como “liberais de esquerda” (left-liberals).

CREDIT: The “World’s Smallest Political Quiz” is adapted from an original idea by David Nolan. Web: http://www.theadvocates.org/quiz.html

Esquerda jurássica ou progressista?

Filosofia, Sociedade 5 Comments »

cccp_girl.jpgOs últimos posts de nosso blog estimularam um espetacular debate a respeito da definição das diversas ideologias políticas e econômicas, do passado e da atualidade. Nada poderia nos honrar mais do que vislumbrar, no espaço reservado aos comentários desses recentes posts, textos tão extraordinários, escritos por espetaculares articulistas da blogosfera, que aqui nos prestigiam.

A questão que se apresenta refere-se, principalmente, à definição de esquerda. Essa ideologia teria tendências “jurássicas” - como costumamos afirmar - ou modernas? A foto que ilustra este post pretende reforçar essa indagação. Caso fossemos argüidos a escolher entre as três mais comuns vertentes do pensamento político – esquerda, direita ou centro -, talvez tivéssemos dúvidas, dada a variedade de interpretações e subclassificações possíveis.

No final de 2006, o presidente da República, Lula da Silva, afirmou ter atingido a “maturidade do centro” e proferiu uma frase que recebeu críticas de alguns e a concordância de outros: “Se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problema; se você conhecer uma pessoa muito nova de direita, é porque ela também está com problema” (sic).

Afinal, o que significam exatamente esses “rótulos”? Estaria certo, o presidente, atribuindo ao centro o ápice do discernimento político? O pensamento de esquerda é reservado ao idealismo juvenil? Aonde se encaixam os liberais - seriam esquerdistas ou direitistas? Social-democratas são neoliberais? O que é terceira via? Ecologistas têm alguma preferência? Nacionalistas são reacionários? Socialistas e comunistas pensam igual?

Desejamos responder a todas essas questões com destacada neutralidade, limitando-nos à doutrina, embasada na história e na filosofia política. Por isso, estamos elaborando um aprofundado ensaio, com referências e conceitos, que permitarão oferecer respostas claras aos questionamentos que se apresentam.

Aguardamos, assim, por suas visitas e comentários a nossa argumentação, a partir das 20 horas - prazo no qual concluiremos a redação do artigo.

Aproveitamos para agradecer pelos últimos comentários que, pelo tempo exíguo, hoje, não pudemos responder, como de praxe. E desejar um ótimo feriado!

Golden key

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Nada nos honraria mais neste momento, ao retornamos de nossas breves férias, que uma crônica do reconhecido articulista Ron Groo. No texto, o autor destaca a banalização da catástrofe moral que atinge o Brasil.

Quando convidei Ron para escrever um artigo para o nosso blog não sugeri nenhum tema, procurando deixá-lo à vontade e já sabendo, de antemão, que faria uma ótima escolha. Assim, como fiel leitor de nossos artigos e notícias, resumiu, magistralmente, em uma única crônica o espírito deste espaço. Leia-se abaixo:
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ron_groo.jpgA queda dentro de nós
por Ron Groo*

Parece normal quando se apresentam senadores, deputados, vereadores, empreiteiros ou mesmo cidadãos sem cargo, que não conseguem explicar a origem de seus bens.

O que é preciso para que se realizem nossos sonhos de nação? Talvez seja necessário mudar a essência do que se convencionou chamar de “o povo brasileiro”. É preciso mudar, lá nos genes, a nossa visão de Brasil e de seus problemas.

Dizia a antiga piada que, a nossa catástrofe natural é a classe política. Que ela seria tão devastadora quanto os terremotos, os furacões e os maremotos, que atormentam outros países e continentes.

Penso de forma diferente. O mal do país está em nós, naquele gene “mau caráter” que se esconde em nosso DNA e que se desenvolve. Que aparece quando sabemos que estamos errados e, ainda assim, tentamos levar vantagem. Quando, nas pequenas coisas, usamos artifícios para nos darmos bem ou pelo simples fato de sermos malvados gratuitamente. Como aquele motorista de ônibus que, mesmo com o farol fechado, acelera o coletivo e força os pedestres a apressarem o passo para atravessarem a rua.

É esta a nossa singularidade enquanto povo, tal como o “ão” é uma singularidade de nossa língua; e que me faz duvidar daquela história de “o brasileiro ser um povo ordeiro”. É lobo. Infelizmente. É o seu próprio lobo. Se não, pensemos: O político corrupto é, senão espelho de nós mesmos, aquele pequeno gene “mau caráter” de nosso DNA, elevado à enésima potência e embriagado pelo poder. E como nos ensinou Lord Acton, é ele que corrompe.

Melhor pensar direito. Existe uma grande inversão de valores que nos faz ficar admirados quando alguém é tido como ‘honesto’. Como se a honestidade não fosse a nossa primeira obrigação! Agora, já nos parece normal quando se apresentam senadores, deputados, vereadores, empreiteiros e, mesmo cidadãos sem cargo, que não conseguem explicar a origem de seus bens. Não conseguem nem afastar suspeitas que pairem sobre si. Achamos normal, não mais nos chocamos, não mais nos escandalizamos.

Como também não nos chocam os professores que não sabem ensinar, os policiais que se valem do ofício em beneficio próprio, e toda a gente que usa o Estado em benefício próprio…

É necessário que mudemos, dentro de nós, esta visão. Que cobremos, de nós mesmos, mais compromisso com a verdade e com a honestidade. Fazer com que esta particularidade tão nossa, de “querer se dar bem sempre” (sic), seja revertida em “querer o bem coletivo”.

Somos nós que votamos. Somos nós que elegemos. E somos nós que não sabemos escolher. Falta-nos discernimento para analisar nomes, propostas, biografias e perfis. Façamos a nossa parte. Prestemos atenção àquilo que nos rodeia. Existem tragédias que se anunciam: o mar recuando antes do Tsunami, a calmaria antes da tempestade e, também, como é feita a campanha antes de uma eleição.

Mudemos nós. Aproveitemos a liberdade que temos para poder discutir, analisar e escolher. Mas, principalmente, aproveitemos o momento para rever nossos próprios valores. Façamos nós o nosso melhor, para que isso reflita em todos, tornando-se esse um valor comum. Como nosso “ão”.

Mas se nós temos planos e eles são / o fim da fome e da difamação /
porque não pô-los logo em ação? / tal seja agora a inauguração
da nova nossa civilização / tão singular quanto o nosso ao
e sejam belos, livres, luminosos / os nossos sonhos de nação.

Lenine, in ‘Ecos do ão’

* Ron Groo é articulista e escreve regularmente em seu blog Bliggroo

A construção de um mito

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O texto abaixo foi extraído de livro do filósofo francês Michel Onfray, Traité d’Athéologie: Physique de la métaphysique (Tratado de Ateologia: Física da metafísica) e por mim traduzido.

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Os mitos: Zaratustra, Ulisses e Jesus

aspas22.gifJesus existiu, sem dúvida, assim como Zaratustra e Ulisses, de quem pouco importa saber se viveram fisicamente, em carne e osso, num tempo distante e em lugar específico. A existência de Jesus nunca pôde ser verificada historicamente: nenhum documento da época, nenhuma prova arqueológica, nem nenhuma certeza permitiram chegar à conclusão de sua presença real entre dois mundos e que tenha invalidado um em nome do outro.

Não existe tumba, nem sudário, nem arquivos; apenas um sepulcro que, no ano 325, inventado por Santa Helena, a mãe de Constantino - muito inspirada, pois lhe devemos igualmente o descobrimento do calvário e do titulus, o pedaço de madeira que levava inscrito o motivo da condenação de Jesus. Também existe uma certa peça de tela cuja data, por meio do carbono 14, demonstra ser do século 13 de nossa era - de modo que só um milagre poderia ter permitido envolver o corpo de Cristo, o suposto cadáver, mais de mil anos antes. Por final, encontramos três ou quatro vagas referências muito imprecisas nos textos de Flávio Josefo, Suetônio e Tácito, historiadores da Antiguidade –, é certo, mas em cópias feitas alguns séculos depois da pretensa crucificação de Jesus e, sobretudo, muito depois da existência e do desejo de agradar daqueles aduladores.

De contrapartida, como negar a existência conceitual de Jesus? Com a mesma validez que o Fogo de Heráclito, a Amizade de Empédocles, as Idéias platônicas ou o Prazer de Epícuro, Jesus funciona maravilhosamente como idéia, que articula uma visão de mundo, uma concepção do real, e uma teoria do passado pecaminoso e do futuro na salvação. Deixemos que os amantes dos debates impossíveis elucidem a questão da existência de Jesus e dediquemo-nos aos temas que importam: o que contém a construção chamada Jesus? Para fazer o quê? Com que intenções? Como o fim de servir a quais interesses? Quem criou essa ficção? Como o mito adquiriu consistência? Como evoluiu a fábula através dos séculos?

As respostas a essas perguntas exigem um rodeio por um “décimo terceiro apóstolo”, Paulo de Tarso; por um “acólito das relações exteriores”, como se fazia chamar Constantino, também autor de um golpe de estado exitoso; e por seus seguidores, Justiniano, Teodosio, Valentiniano, que incentivaram os cristãos a saquear, torturar, assassinar e queimar bibliotecas. A história coincide com a genealogia de nossa civilização, desde o ectoplasma invisível até os plenos poderes do fantasma que se estendeu sobre um Império e logo sobre o mundo. A história começa em torno de brumas da Palestina, prossegue em Roma, e depois em Bizâncio, entre as riquezas, o boato e o imperialismo do poder cristão; reina ainda hoje em milhões de espíritos formados por essa incrível história construída no ar, com improbabilidades, imprecisões e contradições, que a Igreja impõe desde sempre por meio da violência política.

Sabemos que os documentos existentes são, em sua maioria, falsificações levadas a cabo com habilidade. As bibliotecas queimadas, os contínuos saques de vândalos, os incêndios acidentais, as perseguições e os autos de fé cristãos, os terremotos, a revolução dos meios de impressão – que substituiu o papiro pelo pergaminho e permitiu aos copistas, sectários e fanáticos de Cristo, escolher entre os documentos resgatáveis e os imprescindíveis -, as liberdades que se tomaram dos monges ao estabelecer as edições de autores antigos, nas quais acrescentaram o que fazia falta, visando à consideração retrospectiva dos vencedores, constituem mais de um motivo de transtorno filosófico.

Nada do que perdura é confiável. O arquivo cristão é o resultado de uma elaboração ideológica, e inclusive Flavio Josefo, Suetônio ou Tácito, em cujas obras um punhado de palavras indica a existência de Cristo e de seus seguidores no século 1º de nossa era, respondem à lei da falsificação intelectual. Quando um monge anônimo volta a copiar as Antiguidades judaicas do historiador judeu, preso e logo convertido em colaborador do poder romano, no instante em que tem ante de si um original dos anais de Tácito ou da Vida dos doze Césares de Suetônio e se assombra com a ausência no texto de alguma menção da história na qual crê, de boa fé agrega uma passagem de seu punho e letra, sem vergonha ou complexos e sem imaginar que atua mal ou que inventa uma falsidade, posto que nessas épocas não abordavam os livros com os olhos de nossos contemporâneos, obstinados pela verdade, em respeito à integridade do texto e dos direitos autorais… Hoje, inclusive, lemos os escritores da Antiguidade, em manuscritos, vários séculos depois, confeccionados por copistas cristãos que modificaram seus conteúdos com o objetivo de elaborar o curso da história… «