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Rio 2016: uma chance espetacular e um grande desafio

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A escolha da Cidade Maravilhosa como sede das Olimpíadas em 2016 é demonstração de grande crédito – não somente do Comitê Olímpico Internacional (COI), mas também da comunidade global – depositado no Rio de Janeiro e no Brasil. Estou extremamente satisfeito com a fantástica chance que se apresenta para o País e seu povo.

Antes de discorrer sobre as razões que tanto nos alegraram nos últimos dias, vale destacar que em cada uma das quatro cidades que se qualificaram como candidatas finalistas do COI – Chicago, Madrid, Rio e Tóquio -, observaram-se, todavia, em maior ou menor número, duas ‘torcidas’ respeitáveis: uma a favor e outra contra a escolha, para sediar os Jogos. Em Chicago, moradores criaram até um site, Chicagoans for Rio 2016 (já fora do ar), para manifestar desagrado com a candidatura americana.

Aqui não chegamos tão longe, mas na véspera da cerimônia do COI em Copenhagen, lia-se no blog do conceituado comentarista esportivo Juca Kfouri que o seu voto, caso fosse eleitor do comitê, seria em favor de Madrid. Mais do que desejar a vitória de Madrid, Juca estava torcendo primeiramente contra o Rio de Janeiro, conforme registrado em diversos de seus textos. Em enquete disponibilizada na mesma página, o resultado apontava para uma maioria de leitores simpáticos à escolha de Chicago (35%) e, se somados todos os votos contrários ao Rio, 74% preferiam as rivais.

Outro bom exemplo é o do colega blogger Fábio Mayer: há longa data, Fábio tem escrito artigos, sempre muito bem fundamentados, com severas críticas à realização de megaeventos esportivos no Brasil. Apresentou-se contrário à escolha da cidade carioca como sede olímpica e tem lamentado profundamente as consequências dos Jogos Pan-americanos de 2007. Também tem criticado a realização em 2014 da Copa do Mundo de Futebol, principalmente em função do dinheiro público que será destinado às reformas dos estádios.

Essa também é a opinião de Hilário Franco Júnior, pesquisador da USP sobre a historia social do esporte, que concedeu uma ótima entrevista ao caderno Aliás, do jornal O Estado de S.Paulo (ed. 4/OUT/09). Em sua avaliação, “o Brasil tem uma série de problemas mais importantes a resolver antes de tratar de uma questão esportiva”.

Àqueles que leem o nosso artigo, sugiro um exercício dialético: quando dispuserem de um tempinho extra, não deixem de visitar os links até aqui sugeridos, que contêm pontos de vista diferentes do nosso. Aqui, neste blog, serão sempre contagiados por um extraordinário entusiasmo a favor da realização de grandes eventos. Consideramos, entretanto, muito importante conhecer os obstáculos e desafios que se apresentam.

logo_brasil2014Entendemos que o Rio de Janeiro está diante de uma oportunidade histórica única. E esse é um momento muito raro, no qual estamos plenamente de acordo com o opinião expressada pelo presidente Lula da Silva: sim, nós podemos! Podemos realizar os Jogos Olímpicos, assim como a Copa do Mundo. O argumento de que há áreas mais importantes para o investimento de dinheiro público, como saúde ou educação, não nos convence. Muito pelo contrário, acreditamos que os problemas de saúde, educação, transporte, criminalidade, infraestrutura, meio ambiente etc. serão resolvidos mais facilmente com o megainvestimento exigido pelos eventos esportivos. Somos da opinão de que devemos combater a corrupção e a má administração dos eventos – jamais a chance de sediar as competições.

O orçamento inicial previsto para os Jogos, de R$ 28,8 bilhões, certamente será ultrapassado. Isso não quer dizer que as obras de infraestrutura devam ser superfaturadas. Além disso, centenas de milhares de empregos (a mais) serão criados nos próximos anos, só em função desses grandes acontecimentos esportivos.

Estadio do Morumbi - Copa 2014Por ocasião da Copa do Mundo, as cidades-sede, além de receberem estádios modernos – com assentos, estacionamentos e banheiros adequados -, serão recompensadas com obras de infraestrutura urbana e nacional (ampliação de aeroportos, transporte coletivo, saneamento etc.). Até o projeto do TAV (Trem de Alta Velocidade) parece que sairá mesmo do papel – apesar de o prazo inicial de entrega da obra (2015) ultrapassar a data da Copa. De acordo com os planos do governador de São Paulo, José Serra, e do prefeito paulistano, Gilberto Kassab, o município deverá ter 100% do esgoto tratado até 2014. Somente “esse detalhe” já seria uma vitória extraordinária da metrópole, em termos de saúde pública.

No caso dos Jogos Olímpicos, esses apresentarão reflexo mais acentuado sobre a cidade do Rio de Janeiro e seu entorno. Mesmo assim, contribuirão imensamente com o crescimento econômico brasileiro como um todo. Os investimentos, tanto públicos quanto privados, gerarão centenas de milhares de empregos. O país atrairá turistas e divisas. O comércio e os serviços (sobretudo o setor hoteleiro e de cruzeiros marítimos) serão estimulados. O Rio de Janeiro e o Brasil serão palco das atenções por parte de bilhões de espectadores do mundo todo, durante quase um mês. Será um marketing extraordinário para a Cidade Maravilhosa e os para os brasileiros. 

A despoluição da Baía de Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas (prometida desde o Pan) será uma enorme vitória do meio ambiente. A ampliação da rede de metrô e a construção de corredores exclusivos para ônibus contribuirão com o ordenamento do transporte coletivo e com a diminuição dos engarrafamentos. A revitalização da região portuária da cidade permitirá aos cariocas e aos turistas que aportam no Rio, finalmente, vislumbrar uma bela paisagem urbana (as obras programadas inspiram-se no exemplo de Barcelona). Tudo isso será aproveitado, muito além do período de realização dos Jogos. 

Lagoa Rodrigo de Freitas

Também são esperados avanços na desregulamentação administrativa, buscando viabilizar grandes investimentos estrangeiros diretos, como a construção de novos complexos hoteleiros. Grandes grupos estrangeiros poderão investir no Brasil, a partir da reformulação dos trâmites burocráticos para a concessão de licensas ambientais. Isso refletirá também em outras regiões brasileiras, que têm o turismo como maior fomentador econômico.  

O desenvolvimento esperado para os próximos anos permitirá avançar na política de combate à criminalidade – um dos mais sérios problemas brasileiros (e não somente dos cariocas e fluminenses). Certamente, não podemos esquecer que as Olimpíadas serão um grande incentivo ao desenvolvimento do esporte nacional. O Brasil acaba de conquistar a chance de se tornar também uma grande potência esportiva.

Sem embargo, depois de tantos argumentos favoráveis, não podemos ser cegos e deixar de observar os imensos desafios que se apresentam. O maior de todos é o combate à corrupção. Muito dinheiro público está em jogo; e se os responsáveis por todas as obras e investimentos públicos não forem devidamente fiscalizados, certamente, muitos grandes projetos serão perdidos. E haverá então uma festa exclusiva de políticos e empreiteiros desonestos.

rio_2016_girlSugerimos àqueles que ainda são céticos em relação à Rio 2016 (e também à Copa do Mundo de 2014), que se oponham radicalmente à corrupção. Que ajudem a fiscalizar o destino dos recursos públicos. Se Seul (1988), Sydney (2000), Pequim (2008) realizaram com competência os seus Jogos, por que o Rio de Janeiro não poderia fazê-lo também? Por que estaria a África do Sul preparada para receber os benefícios de uma Copa e o Brasil não? Façamos como Fábio Mayer, que em seu blog denuncia o abandono do complexo esportivo de Deodoro ou do parque aquático Maria Lenk – dois legados dos Jogos Pan-americanos de 2007 -, mas não tenhamos tanto complexo de inferioridade!

Lembremo-nos de que a renda per capita PPP (por poder de compra) brasileira (US$10,466) é quase o dobro da chinesa (US$5,970) e superior à da África do Sul (US$10,136)*.

Sejamos todos favoráveis à realização da Copa e das Olimpíadas no Brasil! E também combativos diante dos maus políticos e dos maus administradores! Afinal, quem pagará a conta somos nós, contribuintes, que desejamos sempre o melhor retorno dos impostos que recolhemos.

* Dados referentes a 2008, Fundo Monetário Internacional

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Breve giro pelo mundo

aroundInauguramos uma nova coluna apresentando comentários e opinões a cerca de assuntos de interesse global. Resgatamos o formato da antiga coluna WEEKLY NEWS, que foi publicada até 2008, e inserimos algumas alterações que julgamos úteis. Os temas são variados e abordam fatos e notícias recentes, do Brasil e do mundo. Os blocos são de leitura rápida e os respectivos títulos são objetivos, permitindo ao visitante uma fácil localização do conteúdo de seu interesse. A novidade mais relevante são informações geopolíticas e estatísticas constantes abaixo dos blocos. Ao lado das bandeiras dos países constam: nome da capital, população, idioma oficial, posição no ranking do IDH, PIB per capita, nomes dos governantes etc. As estatísticas são atualizadas e têm como fontes, principalmente, o World Economic Outlook (FMI), o World Factbook (CIA) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).


 

IRÃ
iran women = menApesar de todos os protestos contra a maior fraude eleitoral dos últimos anos, provavelmente, o mundo não se livrará tão logo de Mahmoud Ahmadinejad. Não há dúvidas de que o Irã possuiria o mesmo direito de fazer uso de tecnologia nuclear para produção de energia, como qualquer outro país civilizado do planeta. Mas isso só seria viável se não fosse controlado por uma ditadura de fanáticos religiosos, os chamados líderes supremos, e por um louco, o presidente Ahmadinejad. Somente uma reforma liberal – que prioritariamente separasse o estado da religião – permitiria ao povo iraniano a inserção do país num mundo civilizado.
IranCapital: Tehran / População: 66,5 milhões / Idioma: farsi ou persa / IDH: 84º / PIB per capita: US$ 12,800 / Chefe de Estado: Ali Khamenei, Líder Supremo (desde jun. 1989) – Chefe de Governo: Mahmoud Ahmadinejad, Presidente (desde ago. 2005).

 

G-8 NA ITÁLIA
A primeira reunião de cúpula do G-8 que teve a participação de Barack Obama, em L’Aquila, na Itália, demonstrou uma radical mudança de atitude por parte do governo americano no que concerne à preocupação com o meio ambiente. Já se pode prever que China, Índia e Brasil deverão assumir o lugar, anteriormente reservado aos Estados Unidos, de maiores opositores em relação aos controles e limites de emissão de agentes poluentes que se pretendem estabelecer nos futuros acordos internacionais.
O G-8 é integrado por Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia.
ita ITÁLIA – Capital: Roma / População: 58,1 milhões / Idioma: italiano / IDH: 19º / PIB per capita: US$ 31,100 / Chefe de Estado: Presidente Giorgio Napolitano – Chefe de Governo: Primeiro Ministro Silvio Berlusconi (desde mai. 2008).

OBAMA NA ÁFRICA
Barack Obama escolheu Gana como destino de sua primeira viagem, na presidência dos Estados Unidos, à África, por uma razão nobre: é um dos poucos países subsaarianos com “certa” tradição democrática. Durante sua fala, em Accra, capital do país, Obama destacou: “para construir um futuro próspero, a África precisa lançar-se contra a corrupção e a tirania, e assim livrar-se da pobreza e das doenças”. Pode parecer óbvio, mas pratica-se justamente o contrário na maioria dos países do continente. Nenhuma ajuda externa será suficiente enquanto os países africanos forem governados por tiranos corruptos.
GhanaGANA – Capital: Accra / População: 23,8 milhões / Idioma oficial: inglês / IDH: 142º / PIB per capita: US$ 1,500 / Presidente: John Evans Atta Mills (desde jan. 2009).

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GOLPE EM HONDURAS
É extremamente difícil opinar a cerca da atual situação desse pequeno país da América Central. Como defensores da democracia, não nos cabe jamais sustentar um golpe de estado. Por outro lado, também não podemos apoiar o presidente deposto, Manuel Zelaia, que pretendia se perpetuar no poder, contrariando a constituição, o parlamento, o judiciário e o exército. Honduras, ao lado de Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador, Nicarágua e Dominica, integra a ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas) – iniciativa do idiota latino-americano Hugo Chávez.
HondurasCapital: Tegucigalpa / População: 7,8 milhões / IDH: 115º / PIB per capita: US$ 4,400 / – Chefe de Governo: Presidente Mahmoud Ahmadinejad (desde ago. 2005).

 

EQUADOR E AS FARC
Se alguém duvidava das estreitas relações entre alguns governos latino-americanos e as FARC, depois da divulgação do vídeo, no qual o comandante da organização, conhecido como Mono Jojoy, aparece confessando ter dado ajuda financeira à campanha eleitoral do presidente do Equador, Rafael Correa, agora não há mais como negar. Mesmo assim, Correa se dirigiu ironicamente à população de seu país como “terrorista internacional financiado pelas FARC”, em pronunciamento transmitido pela televisão, naturalmente negando qualquer vínculo.
Ecuador Capital: Quito / População: 14,6 milhões / Idioma oficial: espanhol / IDH: 72º / PIB per capita: US$ 7,500 / Presidente: Rafael Correa (desde jan. 2007).
  

BRASIL
CPI DA PETROSSAURO

petrossauro-4Como todas as demais Comissões Parlamentares de Inquérito que já ocorreram durante o governo do presidente Lula da Silva, a CPI da Petrossauro certamente acabará em pizza. Aliás, essa aí já começou em pizza desde que foram indicados os seus integrantes. O governo ficou com a presidência e a relatoria. Para a oposição sobraram três vagas. O pavor inicial do governo, portanto, não se justifica. Afinal, numa empresa estatal tão correta e moderna, não haveria mesmo nada que temer …
braCapital: Brasília / População: 191,5 milhões / Idioma oficial: português / IDH: 70º / PIB per capita: US$ 10,100 / Presidente: Luiz Inácio Lula da Silva (desde jan. 2003).

MEIO AMBIENTE
LIXO DO REINO UNIDO

Causa imensa repulsa a exportação de lixo do Reino Unido, seja para o Brasil ou para qualquer outra parte do mundo. Todavia, poderíamos aproveitar a chance para realizar uma proposta de câmbio aos britânicos. Aceitaríamos o lixo doméstico em troca do “excremento brasiliense”, ou seja, contêineres repletos de políticos brasileiros.
gbrCapital: Londres / População: 61,1 milhões / Idioma oficial: inglês / IDH: 21º / PIB per capita: US$ 36,600 / Primeiro Ministro: James Gordon Brown (desde jun. 2007).

Lixo do Reino Unido

ECONOMIA
CRISE MUNDIAL

Não é possível afirmar que a crise global esteja plenamente superada. As economias dos Estados Unidos, da União Europeia e do Japão ainda atravessam dificuldades apesar da recuperação de diversos setores. Mas é possível vislumbrar dias muito melhores em futuro breve. E já há apostas em considerável crescimento econômico mundial em 2010.
EUA + UE + JAPÃO = 62% do PIB nominal mundial (IMF, World Economic Outlook, 2008).

Jenson Button & Jessica MichibataESPORTE
FORMULA 1

Apesar da distancia de mais de 21 pontos que separa o líder do campeonato Jenson Button do 2º colocado, Sebastian Vettel, a atual competição parece ter chances de se equilibrar. Por outro lado, uma vitória de Barrichello – que no início do campeonato parecia bastante provável –, agora será muito mais uma surpresa, caso ainda aconteça. Além de estar em primeiro lugar no capeonato de Fórmula 1, Button parece estar vencendo também a disputa de mais bela namorada, entre os pilotos.
PS. Mariana Becker ou qualquer outra pessoa que tenha contato com Galvão Bueno poderia gentilmente informá-lo de que o líder do campeonato se chama Jenson e não Jayson?!

CIDADES
OBRAS EM SÃO PAULO

Um dos maiores problemas de São Paulo são os congestionamentos no trânsito, principalmente nas Marginais Tietê e Pinheiros. Com o andamento das obras do anel rodoviário – que já deveriam estar prontas há mais de 50 anos – e com a finalização das reformas nas Marginais, os paulistanos talvez encontrem maior alívio para a mais catastrófica perda de tempo na vida de um cidadão: ficar parado, diariamente e durante horas, no trânsito. O término das obras nas Marginais foi prometido para o primeiro semestre de 2010. Considerando o fato de haver eleições no próximo ano, é possível acreditar na promessa. A parceria entre o governador José Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) tem sido bastante satisfatória para o município.
brasão cidade são pauloSão Paulo é a 6ª maior cidade do mundo em habitantes, atrás de Mumbai, Shanghai, Karachi, Nova Delhi e Istanbul. População: 11,2 milhões* / IDH: 0,84 elevado (2000) / PIB per capita: US$ 25,675 (2008) / Prefeito Gilberto Kassab, DEM (desde mar. 2006). * Secretaria Municipal de Planejamento

 

transito_sulamericaPRESTAÇÃO DE SERVIÇO
Por enquanto, a melhor solução para fugir dos engarrafamentos em São Paulo tem sido sintonizar a rádio Sul América Trânsito, imediatamente ao entrar no carro, e escolher o trajeto “menos pior”. A propaganda que estou realizando ao incluir este breve texto no blog é totalmente gratuita - e serve como depoimento de alguém que faz uso diário deste ótimo serviço.  
A frota na cidade de São Paulo atingiu 6,2 milhões de veículos, ou seja, mais de um para cada dois habitantes. A capital paulista registrou 293 km de congestionamento – recorde histórico – no último dia 10 de junho, véspera de feriado religioso.

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Obama: o começo da história

Barack Obama

Antes que se definissem nas eleições primárias os nomes dos candidatos que concorreriam por cada um dos dois grandes partidos americanos – o Democrata e o Republicano – à sucessão de George W. Bush, apoiamos o lançamento do nome de Al Gore.

O ex-vice-presidente no governo de Bill Clinton, Al Gore, foi aquele que venceu as eleições presidenciais nas urnas, em 2000, contra George Bush, mas perdeu a disputa nos tribunais do estado da Flórida, governado na época por Jeff Bush, irmão do candidato republicano.

Gore não entrou na corrida presidencial em 2008. Todavia, apresentaram-se à sucessão em Washington alguns nomes interessantes e de competência reconhecida.

Do lado republicano, Rudolph Giulianni, ex-prefeito de Nova York, e John McCain, senador pelo estado do Arizona. Apesar de pertencerem ao mesmo partido do presidente, esses dois nomes expressavam oposição a diversas políticas do governo Bush.

Entre os democratas, Hillary Clinton e Barack Obama travaram uma disputa acirradíssima durante a campanha pelas eleições primárias, encerrada somente no final do processo de escolha do candidato partidário.

McCain foi o escolhido pelos republicanos. Contra ele, Obama venceu a eleição presidencial de 2008, pelo Partido Democrata.

No texto a seguir, apresentamos algumas conclusões que já se podem tirar, após decorridos os primeiros meses do mandato do 44º presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca.


marcus-mayer.com

mm150x187O começo de uma nova história
por Marcus Mayer
exclusivo para o Blog | Quinta-feira, 16 de abril de 2009

 

Friedrich Hegel, um dos grandes filósofos do século 19, foi o precursor de uma teoria denominada “o fim da história”, que caracterizaria um processo de mudança no qual a humanidade atingiria um equilíbrio, representado pela ascensão do liberalismo e da igualdade jurídica. No final do século XX, Francis Fukuyama resgatou a teoria no contexto de sua obra “O fim da história e o último homem” (1992), na qual retrata, de Platão a Nietzsche, passando por Kant e pelo próprio Hegel, os fundamentos de uma teoria na qual o capitalismo e a democracia liberal constituiriam o ápice final de um processo histórico.

Para Fukuyama, após a destruição do fascismo e do socialismo, a humanidade teria atingido o ponto culminante de sua evolução com o triunfo da democracia liberal ocidental sobre todos os demais sistemas e ideologias concorrentes. Restariam apenas vestígios de nacionalismos e o fundamentalismo islâmico ficaria restrito a países periféricos.

Sob uma outra óptica, Samuel Huntington propôs em sua obra, “O choque de civilizações e a reconstrução da ordem mundial” (1996), em oposição a Fukuyama, uma teoria segundo a qual as identidades culturais e religiosas dos povos se tornariam a principal fonte de conflito no mundo pós-Guerra Fria. Em sua tese, afirmava que os grandes conflitos no futuro teriam como eixo principal critérios culturais. Para Huntington, a história não teria terminado.

A eleição de Barack Hussein Obama para a presidência dos Estados Unidos, talvez, represente o início de um novo processo histórico. Preceitos políticos e econômicos, que influenciam toda a sociedade mundial, poderão encontrar novos fundamentos.

O primeiro sinal que aponta para o começo de uma “nova história” é a forma pela qual Obama enfrenta a crise econômica. Por maiores que sejam as intervenções governamentais e os aportes de dinheiro público no setor privado, distintamente da estratégia para combater a crise dos anos 1930, o protecionismo de mercado é a arma descartada de antemão.

Durante a recente cúpula do G20, em Londres, democratas americanos, trabalhistas ingleses e liberais, alemães e franceses, representados respectivamente pelos chefes de estado, dos Estados Unidos, Barack Obama, do Reino Unido, Gordon Brown, da França, Nicolas Sarkozy, e da Alemanha, Angela Merkel, concordaram em manter estímulos ao livre comércio. A interferência estatal sobre empresas em dificuldades só deverá ser exercida quando o risco de aprofundamento na crise e o consequente desemprego em massa buscar por esta solução.

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Internamente, por maior que seja a oposição conservadora ao governo de Obama, republicanos e democratas já não discordam radicalmente, como ocorreu em outros tempos. Principalmente, no que concerne ao grau de liberdade econômica que deve ser oferecido ao mercado. Do lado republicano, reconhecem-se alguns exageros na falta de controles e regulamentações, sobretudo, na área do mercado de capitais. Entre os democratas, não há entusiasmo pela criação de reservas de mercado ou qualquer tipo de estatização de empresas privadas.

O liberalismo econômico é reconhecido como meio eficaz e justo para o alcance do desenvolvimento social dos povos. O livre comércio, como uma das principais consequências da globalização, permitiu a um número extraordinário de cidadãos, principalmente nos países menos desenvolvidos, ultrapassar a linha da pobreza.

Contudo, a distribuição de riquezas não tem ocorrido de forma equânime. Enquanto pobres conseguiram avançar modesta e lentamente, ricos se tornaram muito mais ricos, num prazo exíguo. Essas são distorções que competem aos governos resolver. Abrir mão de impostos e reduzir barreiras comerciais são as melhores soluções. Acabar com subsídios agrícolas e todo tipo de protecionismo de mercado também permitirá grandes avanços, sobretudo, para que nações pobres tenham acesso aos mercados dos países mais desenvolvidos.

No cenário internacional, sobretudo, no que concerne às relações entre os Estados Unidos e os governos com os quais existem profundas diferenças, como nos casos de Cuba e do Irã, o presidente Obama acena com nítidas mudanças. Naturalmente, a vontade de melhorar o relacionamento entre os países depende da boa vontade das duas partes.

Os primeiros sinais para colocar fim ao embargo econômico imposto à ditadura cubana já foram dados. As viagens para a ilha foram totalmente liberadas, tal qual as remessas de dinheiro enviadas por residentes nos Estados Unidos aos seus parentes em Cuba. Até Fidel Castro já se manifestou favorável ao início de conversações. As chances de cubanos reconquistarem a liberdade e seus direitos democráticos tornam a ser reais. 

O caso do Irã é mais difícil. Enquanto os Estados Unidos já não são mais governados por representantes do ultraconservadorismo cristão, o Irã ainda caminha pelos trilhos do fundamentalismo islâmico. Espera-se que as próximas eleições presidenciais iranianas apontem para o abrandamento do regime.

A estratégia de combate ao terrorismo também mudou de foco. Enquanto o governo anterior desperdiçou recursos de todos os tipos no Iraque, Obama pretende ir atrás de terroristas da Al-Qaeda onde realmente se encontram, ou seja, na divisa entre o Paquistão e o Afeganistão.  

O conflito palestino-israelense será, certamente, o maior desafio para a Secretária de estado, Hillary Clinton. A vitória dos conservadores em Israel, liderados por Benjamin Netanyahu e a coligação com o partido de Avigdor Lieberman, que sustentará o seu gabinete, é péssimo indicador para a busca pela paz na região.  

Nesse curto período sob o governo Obama, foi, todavia, no campo das ciências que ocorreu a mais importante mudança interna, com reflexos para toda a humanidade. A lei que impedia o financiamento público para pesquisas com células-tronco embrionárias foi revogada, já nas primeiras semanas do novo governo.

Espera-se que, sob a nova administração democrata em Washington, as crianças americanas resgatem o pleno direito de aprender ciências nas escolas e que o ensino de crenças, sejam elas quais forem, fique restrito às instituições religiosas e às igrejas.

A mesma esperança é depositada em relação à atitude americana frente ao problema do aquecimento global. O liberalismo saberá encontrar regras que permitirão dar continuidade ao desenvolvimento econômico, porém, diminuindo os danos que o progresso imprime ao meio ambiente.

Depois dos oito desastrosos anos de unilateralismo, imposto pela doutrina Bush na Casa Branca, os Estados Unidos voltam a ser vistos como parceiros confiáveis e por meio de um olhar de admiração, e não de rejeição. O país de Barack Obama resgata o respeito que sempre mereceu.

Os valores democráticos e liberais tornam a servir de exemplo para a humanidade, respeitando-se as culturas e as religiões de outros povos. A preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável retornam à pauta, com mais força que antes. Começa uma nova história.

Clash of Civilizations

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Dalits e preconceito

 

Beautiful Indian Woman

A revista britânica The Economist, por meio de seu breve artigo “Soup, sex and sociology”, que traduzi abaixo, oferece a chance de abordar um assunto sobre o qual há tempos desejava discorrer. Com relativa frequência nos defrontamos com pessoas que se consideram intelectualmente muito superiores às demais (mas certamente não o são). Costumam exteriorizar um injustificável preconceito em relação àquilo que estranhamente associam a uma cultura dirigida aos menos intelectualizados.

Naturalmente, não pretendo aqui fazer apologia à futilidade nem generalizar. Todavia, gostaria de reduzir um pouco a altura do pedestal ao qual se agarram esses tipos arrogantes. O texto da Economist é somente uma isca, pois o “neointelectual” não costuma perder nenhuma de suas edições.

Um nicho muito comum para encontrar exemplares dessa espécie é a Universidade de São Paulo. Pelo fato de serem professores ou estudantes dessa renomada instituição, é comum observar em suas falas ou textos um padrão excepcional de prepotência.

Ouse citar, durante conversa com um desses, uma entrevista que tenha lido na revista Veja, um editorial do Estadão ou um eventual programa transmitido pela TV Globo. Irão vislumbrá-lo como tendo confessado plena submissão aos meios de comunicação dirigidos aos ignorantes. Se quiser se dar bem, elogie o último pronunciamento de Hugo Chávez na TeleSur.

Mas não é preciso ir à USP para encontrar os tipos. Boa parcela de bloggers também se sente assim, adotando esse jeito, digamos, superior. Leia um blog político no portal iG e entenderá do que se trata.

A mesma arrogância poderia ser observada se um aluno de curso pré-vestibular questionasse um professor de literatura sobre uma obra de Paulo Coelho. O coitado seria imediatamente rechaçado pelo “culto mestre”. Também não seria viável recorrer a um texto de autoajuda, sob risco de ser taxado de otário. E gostar de futebol, ou pior, assumir-se flamenguista ou corinthiano? Isso só pode ser mesmo peculiar ao povão ignorante.

Por que tanto preconceito? Esses sentimentos formados a priori, sem maior fundamento, são típicos do “pseudointelectual”. Que leia a “Fenomenologia do Espírito”, de Hegel, antes de dar palpites toscos.

Pobres mortais! 


mm150x187Os intocáveis da Índia
por Marcus Mayer*
exclusivo para o Blog | Sábado, 21 de março de 2009

O preconceito é certamente um dos piores atributos da espécie humana. É uma característica exclusiva encontrada entre aqueles que, no reino animal, são considerados superiores, graças à virtuosa faculdade da razão. Estaria certo Rousseau ao definir o homem no estado de natureza como “bom selvagem” e, consequentemente, mais feliz que vivendo em sociedade?

Por maiores que sejam as críticas que se apresentem diante da baixa qualidade de programas televisivos dirigidos às massas, as novelas da TV Globo têm contribuído para o enfrentamento do preconceito social.

Convívio com portadores do vírus HIV, atenção para com viciados em drogas, relações homossexuais, respeito por mais velhos, casamentos inter-raciais, importância do uso de preservativos, entre tantos outros temas-tabu, quando não vislumbrados com acentuado preconceito, já fizeram parte de muitos enredos dessas telenovelas.

Momento no qual tanto se fala sobre os BRICs (sigla que reúne as chamadas economias emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China), a Globo apresenta ao Brasil um tema de relevância internacional, sobretudo por se tratar de um problema atual que ocorre no segundo país mais populoso do mundo, em sua novela “Caminho das Índias”.

DALIT – Aproximadamente 194 milhões de cidadãos (World Factbook, 2009), número quase equivalente ao da população do Brasil, pertence ao grupo social dos chamados Intocáveis, na Índia. São pessoas maculadas pelo nascimento, em um ultrapassado sistema de castas que os considera impuros e inferiores a um ser humano(!). Eles se autodenominam dalits.

Para entender essa estranha realidade é necessário percorrer um pouco a cultura híndi. O sistema de castas da Índia é uma de suas características mais idiossincráticas. Foi implantado por volta de 1.600 antes da Era Comum, por uma classe de sacerdotes, os Brahmin da Dharma (conceito utilizado para definir a verdade universal no hinduísmo). Atribui-se a Manu, sobrevivente do mítico dilúvio, a fundação da antiga sociedade híndi sob estes moldes mitológicos.   

om-mandalaA tradição classifica as pessoas em quatro “varnas” (categorias), conforme as partes do corpo da divindade védica, Purusha, de quem cada um dos grupos foi criado. De acordo com a antiga história hinduísta, varna e sistema de castas não representam a mesma coisa, embora estejam diretamente relacionados. As partes do corpo de Purusha definem a varna, que determinará a classe social designada para questões como com quem podem se casar e quais profissões podem exercer. Originalmente, o sistema baseava-se nas classes sociais e não na condição determinada pelo nascimento, o que permitia uma certa mobilidade.   

O conceito hindu posterior, baseado nos textos denominados Varnashrama dharma, fundamentou o sistema de castas determinado pelo nascimento. Não é, de acordo com as crenças, considerado um sistema artificial, mas referente a classificações naturais, aplicáveis a todas as sociedades humanas. Os indivíduos teriam tendências inatas diferentes para a execução de trabalhos que exigissem determinadas qualidades pessoais.

Assim também, existiriam fases naturais na vida, “ashrans”, para a execução de certas atividades. O hinduísmo argumenta que os indivíduos melhor explorariam os seus potenciais considerando tais planos naturais. Por essa razão, a sociedade deve ser “estruturada” e “organizada”, fundamentando a tese de que cada varna e o ashram teriam o seu próprio Dharma pré-estabelecido.

PurushaOs conceitos-chave do sistema de castas indiano, portanto, apresentam-se da seguinte forma: Varnashrama-dharma – deveres a serem executados segundo o sistema de quatro varnas (as divisões sociais) e quatro ashrans (as etapas na vida). Quatro varnasbrâmanes (sacerdotes, professores e intelectuais), kshatriyas (polícia, exército e administração), vaishyas (agricultores, comerciantes e pessoas de negócios), shudras (artesãos e empregados domésticos). Quatro ashrans – vida estudantil, vida doméstica (incluindo o casamento), retiro e renúncia.

O atento leitor certamente observou que toda esta descrição em momento algum abordou os dalits. E é exatamente neste particular que se justifica, de acordo com a tradição hinduísta, a sua inferioridade e a sua exclusão social.

No mais provável intuito de manter a superioridade, os brâmanes fundamentaram o sistema de castas mais recente, por meio de analogia com o corpo da divindade Purusha.  Eles representariam a cabeça da sociedade (originam-se da boca e dos olhos), fornecendo a visão espiritual da sociedade e a instrução das pessoas. Os braços, utilizados para defender o corpo originaram os kshatriya, cuja função é proteger a sociedade. O dever principal do vaishya é a nutrição material (foram criados do ventre e das coxas de Purusha), e os shudra (parte inferior das pernas) apóiam todas as outras seções sociais.

E, novamente, aonde se encontram os dalits? Não, eles não estão inseridos em nenhuma sub-casta. Pertencem a um grupo que não integra o sistema de varnas, ou seja, não fazem parte da sociedade humana. A melhor analogia para definir o dalit é incansavelmente repetida pelo personagem conservador, Opash Ananda, interpretado pelo ator Tony Ramos, na novela Caminho das Índias: “os dalits são a poeira sob os pés de Brahma”.

ÍNDIA ATUAL – Desde 1950, a Constituição da Índia proibiu a discriminação contra os dalits. Apesar disso, o preconceito está presente, principalmente nas áreas rurais. Por serem considerados “impuros de nascimento”, esses chamados intocáveis executam os trabalhos mais humildes e são pessimamente remunerados. Nas cidades, os dalits trabalham como varredores de rua, limpadores de latrinas e de animais mortos. No interior do país, são empregados agrícolas assolados pela pobreza extrema, pelo analfabetismo e pela opressão.

A Índia, maior democracia do planeta, conta atualmente com 1,17 bilhão de habitantes (World Factbook, 2009). Os dalits correspondem a 16,6% da população total do país. De acordo com dados oficiais e de organizações não-governamentais, 80% dos dalits vivem nas áreas rurais e 86% não possuem nenhuma propriedade. Do total, 60% executam trabalhos eventuais, ou seja, não têm um emprego fixo. Enquanto a taxa total de analfabetismo na Índia é de 39%, entre os dalits ela atinge 63%. As piores estatísticas, contudo, referem-se à violência: a cada 18 minutos, essa gente é vitimada por um crime. E, diariamente, 3 mulheres dalits são estupradas.

Sameera ReddyBOLLYWOOD – Apesar das produções da indústria cinematográfica de Mumbay já privilegiarem algumas tramas que denunciam o preconceito de castas na Índia, não há em Bollywood nenhum ator ou atriz dalit. O internacionalmente aclamado diretor Nagesh Kukunoor está produzindo um filme intitulado “Ye Hausla”, no qual são representadas as situações e as aflições de uma mulher dalit no Rajastão (a mesma província na qual é conduzido o enredo de “Caminho das Índias”). A atriz Sameera Reddy (foto) será a protagonista do filme.

Na política, os dalits contam com uma representante de destaque. Em 2007, Kumari Mayawati foi empossada pela quarta vez como governadora da província de Uttar Pradesh, localizada no norte da Índia. Nascida em Nova Delhi, Mayawati é exemplo raro de dalit que conseguiu se formar Bacharel em Direito e em Educação.

A democracia oferece o melhor caminho para que a representação dos dalits na política encontre meios de aperfeiçoamento das leis e da conduta de todos os cidadãos indianos. E a educação é a melhor arma para livrar as populações da ignorância e combater dogmas religiosos tão ultrapassados como os que impuseram o sistema de castas.

Esperamos que um dia os dalits possam beber dos mesmos poços, ingressar nos mesmos templos, usar sapatos na presença de uma casta superior e beber das mesmas xícaras nas tradicionais lojas de chai (chá).

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NOTA IMPORTANTE: Alguns representantes da comunidade indiana no Brasil têm manifestado desacordo com o que afirmam ser exageros de Glória Perez, autora de “Caminho das Índias”, no tocante à real situação dos dalits. É verdade que o preconceito tenha diminuído sensivelmente nos centros urbanos mais desenvolvidos. Todavia, as informações constantes deste artigo, colhidas de fontes renomadas e fidedignas, apontam para um abismo de desigualdade entre as regiões indianas. Esse quadro não difere muito do brasileiro. Nos centros mais desenvolvidos, tanto no Brasil quanto na Índia, é possível identificar um padrão de vida quase escandinavo, enquanto que nas regiões mais pobres ainda se convive com tragédias sociais em moldes subsaarianos. A desigualdade, acompanhada de suas nefastas consequências, é a propriedade geográfica que mais aproxima o Brasil da Índia.

FONTES DE PESQUISA:

· NATIONAL GEOGRAPHIC: India’s “Untouchables” Face Violence, Discrimination
logo_ng_141x45· DALIT FREEDOM NETWORK – Who are the Dalits?
· DALIT INTERNATIONAL FOUNDATION – Vital statistics about Dalits
· THE WORLD FACTBOOK – India
· THE HEART OF HINDUISM – Dharma: Varnashrama-dharma 

 


The Economist TELEVISION BRAZIL

Novelas, sexo e sociologia
Da revista The Economist | 12.MAR.2009
Tradução: Marcus Mayer

Mulheres que assistem às novelas têm menos bebês (porém, mais homens)?

O glamourizado mundo retratado pelas telenovelas brasileiras é tão representativo no país quanto o foi Marie-Antoinette para as suas seguidoras, na França de 1780. Mas tem um alcance muito superior. Aproximadamente 40 milhões de pessoas assistem diariamente às novelas da Globo, principal rede de televisão do Brasil. As tramas, em boa parte das vezes, desenrola-se no Rio de Janeiro, onde a Rede Globo tem sua sede, cidade na qual as famílias são menores, mais brancas e mais ricas do que na média do país. Uma recente pesquisa sugere que a versão de Brasil vendida pela Globo tenha implicado duas tendências sociais importantes: a redução da taxa de natalidade e a aceitação do divórcio.

 

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Novo ciclo de prosperidade

euro_dollarPara conduzir nossas vidas de forma satisfatória é importante estarmos bem informados. Diante do atual momento de crise econômica global, ficamos ansiosos por informações corretas e que possam auxiliar em nossa tomada de decisões.

Temos à disposição CNN, Globo, Folha, Estadão, BBC, Al-Jazeera, Reuters, Le Monde, Times, e até TeleSur, entre tantas outras produtoras de notícias, para formarmos nossas opiniões. Todavia, nem sempre as informações são claras e corretas.

O artigo que apresentamos a seguir tem como objetivo permitir um melhor entendimento da crise econômica que atravessa o mundo. Não temos o monopólio da verdade nem do conhecimento. Mas muito diferentemente daquilo que tem sido divulgado pelos grandes meios de comunicação, a origem dos problemas econômicos atuais não é de responsabilidade do setor privado ou da globalização. É culpa exclusiva de governos irresponsáveis e incompetentes!

A solução para a crise também não será determinada pelo socorro trilionário de governos ao sistema financeiro, às montadoras de veículos ou ao setor imobiliário. O mercado terá de adaptar-se ao novo cenário e encontrar a recuperação. Uma recuperação que virá muito em breve, acompanhada de um novo ciclo de grande prosperidade ao redor do mundo!


mm150x187Da origem à solução da crise
por Marcus Mayer*
exclusivo para o Blog | Terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

 

É possível ser otimista em meio a um cenário de grave crise econômica global? A resposta é sim! Isso se pudermos entender o momento atual e enxergar claramente as perspectivas.

Discorrer sobre questões econômicas pode parecer complicado, levando em consideração a terminologia técnica. Tentaremos, porém, apresentar explicações simples e exemplos acessíveis, traduzindo do economês para o português, como diria Joelmir Beting.

Para compreender como se dará a saída da crise, é necessário conhecer muito bem a sua origem. A metáfora mais utilizada para explicá-la é a da bolha – ouvimos falar de bolha imobiliária, bolha especulativa, bolha de consumo etc. Na química, um gás flutua dentro de um líquido e cria essa formação. O que ocorreu na economia foi algo bastante parecido, ou seja, criou-se uma bolha de dinheiro. Ela estourou e o dinheiro se perdeu, tal qual o ar que se espalha na atmosfera ao ser liberado do líquido.

Antes da formação da bolha econômica, um número expressivo de poupadores estava se abastecendo de dinheiro, proveniente de aplicações financeiras. Quando os juros baixaram, decidiram rever seus investimentos e transferiram suas aplicações para o mercado imobiliário. Tanto as instituições de crédito quanto o público em geral, observando o movimento favorável no setor, fizeram a curva da oferta e da demanda crescer sensivelmente. Isso quer dizer: mais crédito foi oferecido e mais pessoas se valeram da oportunidade.

Em microeconomia, sabe-se que quando o setor da construção civil está aquecido, todas as outras áreas serão beneficiadas. Quanto mais pessoas são empregadas, maior é a geração de renda e, consequentemente, maior também é o consumo. Esse se alastra para todos os campos da economia e ultrapassa fronteiras, pois avançam também as importações.

Diante de um cenário de muito consumo, a prosperidade se propaga por todo o mundo e vive-se o chamado ciclo de aquecimento da economia global. Essa é a hora na qual os mais pobres de todo o mundo vislumbram a chance de progredir. 

housing-bubble-girlO extraordinário crescimento global refletiu imensamente sobre os miseráveis. Um número expressivo de povos subsaarianos, asiáticos e latino-americanos conseguiram se afastar da condição de pobreza extrema e foram incluídos entre a massa de consumidores globais.

AMÉRICA LATINA – Como a prosperidade não tem ideologia nem necessita de fronteiras, até Hugo Chávez, da Venezuela, e seu projeto populista foram beneficiados pelo aumento do consumo de petróleo, que permitiu abarrotar o seu cofre. Lula da Silva, no Brasil, pôde inchar a máquina governamental e oferecer cargos públicos aos amigos e apoiadores no Parlamento. Governantes populistas tiveram a chance de distribuir dinheiro sem exigir contrapartida, garantindo reeleições, apesar de escândalos de corrupção.

Um dos aspectos negativos do crescimento econômico global foi a agressão ao meio ambiente. A fartura de dinheiro e o consequente aumento do consumo implicaram aumento na produção de energia, na maior parte das vezes pouco limpa; emissão de gases poluidores na atmosfera; devastação de florestas. Contudo, aumentou a preocupação com o desenvolvimento sustentável e de novas tecnologias.

Em meio à festa do crescimento global, de repente, os juros começaram a subir e toda a alegria acabou.

O leitor deve estar se perguntando, quem foi o idiota que resolveu aumentar os juros? A resposta é simples: governos e poderes estatais incompetentes.

Quando um estado gasta demais e não consegue equilibrar o seu orçamento, ou seja, a arrecadação de impostos é inferior aos seus gastos, precisa pegar dinheiro emprestado. Qualquer pessoa conhecedora de economia doméstica tem plena noção de que não pode gastar mais do que ganha. Às vezes, para adquirir um novo bem, necessita de um financiamento. Não há nada de errado nisso! Contanto que as prestações caibam no orçamento.

No caso de governos irresponsáveis, essa preocupação não existe. Jamais vêem limites, gastam o dinheiro do orçamento, não pagam as dívidas já contraídas e investem em projetos que, em geral, são muito mais de seu interesse próprio que do país e de seu povo.

O estouro do orçamento causa o chamado déficit público. Para financiar a aventura, governos decidem vender papéis, os chamados títulos do tesouro. Como estados gastadores em geral não são merecedores de crédito, para atrair compradores oferecem juros superiores aos praticados pelo mercado, às instituições financeiras e aos especuladores.

bush_warÉ perfeitamente admissível afirmar que o governo de George W. Bush tenha sido o principal responsável pelo estouro da bolha de prosperidade. Para financiar seus projetos de guerra, ultrapassou todos os limites da capacidade de endividamento do estado. Naturalmente, o interesse maior da chamada ‘doutrina Bush’ foi permitir lucros extraordinários à indústria bélica e produtora de petróleo. Não é preciso explicar que foram elas as principais doadoras de fundos para as campanhas eleitorais.

O problema específico da bolha imobiliária começou ainda durante o governo de Bill Clinton. Apesar de George Bush não ter consertado o que a sua gestão herdou de errado, certamente, também não é ele, sozinho, o único responsável pela crise. Mas podia, perfeitamente, tê-la evitado! Nessa hora, aonde estavam os congressistas e os especialistas da grande imprensa, das universidades e do setor privado, que permitiram a construção da catástrofe? Estavam todos se beneficiando com a ilusão do crédito barato.

Exatamente o mesmo pode ser indagado a brasileiros ou venezuelanos, para ficar somente em dois exemplos latino-americanos e de fácil compreensão. Sabe-se claramente que a população desses dois países é beneficiada pelos programas assistencialistas patrocinados por seus governos. O ciclo de prosperidade gerado pelo comércio internacional permitiu até isso.

As chances de Hugo Chávez, vencedor do recente plebiscito que permitirá reeleições sem fim, diminuirão se o preço do barril de petróleo se mantiver baixo. No Brasil, enquanto forem mantidos os programas assistencialistas de Lula da Silva, esse não precisará se preocupar com eventual queda em seus elevados índices de popularidade. Contudo, o que acabou definitivamente foi a orgia com dinheiro público que a Petrossauro já programava, desde a descoberta das reservas de petróleo na camada do pré-sal. Felizmente!

E aonde está a saída para a crise? Quais são as perspectivas?

Depois do estouro das bolhas, os agentes econômicos estão vivendo novamente a realidade. Deixaram de se iludir com o dinheiro fácil e estão se adequando ao novo cenário imposto pelos tempos de crise. Os índices de crescimento retornarão aos patamares seguros, que avançam desde os tempos do final da 2ª Guerra Mundial.

Observe-se no gráfico abaixo a extraordinária oscilação para cima da linha que indica o crescimento do mercado imobiliário nos EUA, entre 1997 (final do governo Clinton) e 2006 (governo Bush), caracterizando claramente o excesso de atividade e a consequente formação da bolha. Na verdade, não há crise no setor. O que existe é o retorno ao patamar original de crescimento, que foi interrompido em 1997 (linha verde). 

 Clique para ampliar:

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O gráfico acima foi elaborado pelo economista Robert J. Shiller, da Universidade de Yale, e retrata a expansão do mercado imobiliário nos EUA desde 1890. The New York Times, “Irrational Exuberance”, 2006, by Robert J. Shiller.

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RETOMADA DO CRESCIMENTO – Depois desse período, que não durará mais muito tempo, o crescimento voltará a todo vapor. O mundo globalizado vem se preparando para a auto-imunização, desde os tempos da Crise Tequila (México), seguida pela dos Tigres Asiáticos, da Rússia, da Turquia, da Argentina. Quando um dos atores do palco da globalização tem problemas, é certo que contagiará os demais.

Nos Estados Unidos, Barack Obama colherá os frutos da volta do crescimento muito em breve. O início de seu mantado, como previsto, será complicado. Mas será necessária também muita cautela na concessão de créditos públicos. Os trilhões que a Casa Branca recebeu autorização do Congresso para injetar na economia não poderão ser usados para bancar a incompetência de bancos, de especuladores ou de acionistas das montadoras de automóveis.

Uma das melhores alternativas para gerar consumo e fazer girar dinheiro na economia é por meio da redução de impostos. E os orçamentos governamentais terão de se equilibrar por meio da redução dos gastos estatais.

Talvez ex-compradores de automóveis das “três grandes” optem por comprar um Toyota no futuro.  Não há problema em trocar de marca. Com o aumento da demanda, uma nova montadora terá de construir novas fábricas e concessionárias onde antes existia uma outra da GM, da Chrysler ou da Ford. Os empregados mudarão de patrão e os consumidores, com dinheiro no bolso, jamais deixarão de comprar.

É importante lembrar que quando um governo é chamado para socorrer uma instituição privada atingida pela crise, está prestigiando a incompetência de seus gerentes com dinheiro do povo, que paga a conta por meio de impostos. Isso poderia ter sido evitado, mas foram os próprios eleitores que escolheram seus governantes.

Levante a mão quem gosta de pagar imposto!


*Marcus Mayer é especialista em Relações Internacionais e editor do blog

 

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O retorno do multilateralismo

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O mundo será diferente a partir de hoje. Com a posse do primeiro presidente americano de origem africana, Barack Hussein Obama, as esperanças por um mundo melhor encontram mais chances de se transformarem em realidade. 

A Queda do Muro de Berlim, no final do século passado, abriu caminho para o multilateralismo. A derrota de Al Gore em 1999 e os atentados do 11 de Setembro imprimiram à humanidade um período nebuloso, durante os oito anos do governo de George W. Bush. O unilateralismo americano colocou as Nações Unidas em segundo plano e a imagem internacional do país chegou ao fundo do poço.

Não só os Estados Unidos, mas o mundo todo viveu hoje um grande dia. A famosa frase de Martin Luther King, “I have a dream”, deixou de representar uma utopia para descrever a realidade do presente.

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Futuro promissor da administração Obama

obama-hillary.jpgExcelente foi a escolha da senadora Hillary Clinton como Secretária de Estado para o futuro governo de Barack Obama. Durante a campanha eleitoral, sempre acreditei muito mais na soma do que na divisão das qualidades dos dois candidatos do Partido Democrata, como ideal para os Estados Unidos e o mundo. Naturalmente, a regra do jogo não permite votar em dois candidatos, implicando sempre a escolha de um ou de outro.

Diante da decisão, Mr. Obama demonstra mais uma grandeza: sua isenção de rancores. Muito mais para os expectadores que para os próprios protagonistas da disputa, os embates travados durante a campanha eleitoral foram contundentes. Transferem-se, todavia, para um remanso do passado recente, que deverá logo ser esquecido.

Apresenta-se assim, hoje, a chance de vislumbrar ocupando os dois cargos mais importantes do governo americano, os personagens que protagonizaram campanhas que clamaram por mudanças. Elas já estão acontecendo: a primeira, é constatar que um descendente direto de negros quenianos ocupará a Casa Branca; e agora, ao seu lado, sua ex-adversária eleitoral – que poderia ter se tornado a primeira mulher a governar os Estados Unidos –, no segundo cargo mais importante de sua administração.

Cheguei a acreditar na indicação de Hillary Clinton para a vaga de candidata a vice na chapa do Partido Democrata, antes da escolha de Joe Biden. Mas não podia imaginar que a ela estaria reservada uma missão de importância prática muito superior. O cargo de vice-Presidente teria soado como prêmio de consolação, enquanto o cargo de Secretaria de Estado significa uma participação muito mais estreita na administração Barack Obama.

Change, yes we can!

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May Day

A origem do 1º de maio, como “Dia do Trabalho”, remonta o ano de 1886, na industrializada Chicago, Illinois, nos Estados Unidos. Nessa data, iniciou-se um movimento de trabalhadores, organizado pela American Federation of Labour (Federação Americana do Trabalho) que foi às ruas reivindicar a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias.

1may.jpgNo dia 4 de maio, na Haymarket Square, uma bomba foi lançada, pelos manifestantes sobre a guarda que tentava controlar o movimento, matando o policial Mathias J. Degan. Pouco tempo depois, os policiais ingressaram num conflito com os manifestantes, resultando na morte de quatro grevistas e num elevado número de oficiais e de civis feridos.

Em lembrança aos que morreram no movimento de Chicago, a Segunda Internacional Socialista, ocorrida em Paris (1889), criou o “Dia Mundial do Trabalho”, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano.

Nos Estados Unidos, celebra-se o Labor Day na primeira segunda-feira de setembro e o May Day, 1º de maio, foi transformado oficialmente no Loyalty Day (Dia da Lealdade), comemorando-se a associação entre loyalty and freedom (lealdade e liberdade).

No Brasil, a data é comemorada desde 1895; porém, em 1925 o feriado tornou-se oficial, por decreto do presidente Artur Bernardes. Está na hora de o Brasil e o mundo também se unirem pela lealdade e pela liberdade.

1º de maio de 1974, Revolução dos Cravos, Portugal:
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Uma análise sóbria sobre o Iraque atual

prospect.jpgUma das críticas mais constantes que se ouve a respeito da intervenção americana no Iraque refere-se ao tipo regime que se pretende impor a um povo que não tem qualquer vínculo ou tradição com a democracia ocidental, principalmente, a americana. O ódio aos Estados Unidos, alimentado pela doutrina Bush, tem caracterizado a maioria dos textos que se vêem publicados na imprensa latino-americana e européia.

Por essa razão, a leitura do artigo de Mario Vargas Llosa, que é um resumo – como ele próprio afirma – de um ensaio de Bartle Bull, publicado na revista britânica Prospect -, é um alento àqueles que desejam informação isenta de demagogia e propaganda.

Caso haja interesse de aprofundamento no assunto, clique aqui para ler o ensaio original, da revista Prospect, sob o título ‘Mission accomplished’, de Bartle Bloom, em inglês.


vargas-llosa.jpgTerroristas se dão mal no Iraque
por Mario Vargas Llosa
para O Estado de S.Paulo | Domingo, 11 de novembro de 2007

Alguém se atreveria a afirmar, hoje, contra a impressão generalizada, que a intervenção militar no Iraque, em vez de um fracasso catastrófico, vai cumprindo seus objetivos e já alcançou um ponto de não retorno? Bartle Bull, especialista inglês no Oriente Médio, no último número de Prospect, a prestigiosa revista londrina dirigida por David Goodhart, publica um ensaio defendendo essa tese, intitulado “Missão cumprida”. Seus argumentos são polêmicos, mas nada propagandísticos, nem demagógicos.

Bull deixa de lado a questão de se foi errônea ou acertada a decisão de intervir no Iraque – algo que os historiadores decidirão no futuro – e limita-se a cotejar a situação atual do país e a que reinava quase quatro anos e meio atrás, quando Estados Unidos, Grã-Bretanha e um grupo de países aliados decidiram acabar com a ditadura de Saddam Hussein. Ele sustenta que, hoje em dia, as forças da coalizão se encontram no Iraque com a anuência de um governo democraticamente eleito e com um mandato que a ONU vem renovando a cada ano desde maio de 2003, a última vez em agosto passado.

No seu entendimento, as metas estratégicas da intervenção foram alcançadas. O Iraque não se desintegrou e sua unidade territorial e política parece agora mais firme do que outrora, pois o sistema descentralizado em marcha conta até com o apoio dos curdos, cuja vocação separatista diminuiu de maneira radical. Em vez de uma ditadura, o país é uma democracia na qual, em todas as eleições realizadas, a participação popular foi enorme, superior à que caracteriza as sociedades abertas do Ocidente, de modo que seu governo tem uma legitimidade jurídica e política indiscutível. O país já se deu uma Constituição que garante uma independência institucional e liberdades públicas que nem o Iraque nem nenhum de seus vizinhos conheceram em sua história.

Não eclodiu uma guerra civil e o Irã não ocupou o Iraque nem tutela sua vida política. O país deixou de ser um perigo para a paz mundial e, embora muito lentamente, vai se convertendo na primeira sociedade árabe com eleições livres, liberdade de imprensa, partidos políticos diversos e direitos civis reconhecidos.

A violência, é claro, continua causando sofrimentos terríveis. Mas, embora seja obscena a comparação, o número de mortos dessa guerra e do terrorismo resultante – os cálculos variam de 80 mil a 200 mil – está longe de alcançar o 1,5 milhão de mortos resultante das guerras, genocídios e repressões do regime baathista de Saddam Hussein. A imensa maioria dessas mortes foi obra das matanças cegas e indiscriminadas contra a população civil cometidas pelos terroristas estrangeiros da Al-Qaeda ou os de organizações sunitas e xiitas que guerreavam entre si e procuravam neutralizar a população civil pelo pânico.

Embora esse gênero de violência provavelmente se prolongue ainda por muito tempo – o número de fanáticos capazes de voar em pedaços com um caminhão ou carro carregado de explosivos parece nunca acabar -, ele perdeu toda significação política e, hoje, converteu-se em um problema puramente local e policial. Foi diminuindo aos poucos, e o fato decisivo contra ele foi o distanciamento e a ruptura crescentes entre a Al-Qaeda e a população sunita. Essa aliança aliança foi esfriando à medida que os dirigentes sunitas se convenciam de que, ao contrário do que acreditavam no início, as tropas americanas e britânicas só abandonarão o país quando o governo iraquiano estiver em condições de assegurar a ordem e a paz. Convenciam-se, em outras palavras, de que o Iraque não será um segundo Vietnã.

Bartle Bull assinala que a aliança entre a Al-Qaeda e outras seitas terroristas fundamentalistas (todas mais ou menos identificadas com um wahabismo radical) empenhadas em ressuscitar a pureza de costumes e a ortodoxia doutrinária “do tempo do Profeta”, de um lado, e os sunitas do Baath (um partido inspirado no nacional-socialismo de Hitler, não se deve esquecer) ansiosos para restaurar os privilégios de que gozavam no tempo de Saddam Hussein estava condenada à divisão.

O mal-estar cresceu quando os fanáticos wahabistas estrangeiros, em sua fúria puritana, começaram a impor sua rígida moral nas zonas por eles dominadas, proibindo o cigarro, assassinando os vendedores de álcool e os xeques das tribos, além de casar jovens à força com os “emires” do grupo denominado “Estado Islâmico do Iraque”.

A ruptura se consumou quando os sunitas compreenderam que podiam encontrar uma forma de acomodação e convivência no novo Iraque onde a maioria xiita – três vezes mais numerosa que a minoria sunita – terá as rédeas do poder.

Bull assinala que a nova política pragmática dos sunitas tornou possível, por exemplo, a notável transformação da Província de Anbar, durante bom tempo uma cidadela da resistência e do terrorismo, e agora a mais pacífica de todo o país. Nas 18 províncias iraquianas, a violência se reduziu a níveis mínimos ou desapareceu na metade delas.

Esse processo deve se acelerar à medida que a população sunita sentir, nos fatos, que sua sobrevivência não está ameaçada no Iraque dominado pelos xiitas e que sua presença, tanto nas instituições como na vida econômica, política e social, está assegurada.

Um passo nessa direção, diz Bull, foi o acordo de princípio entre xiitas, sunitas e curdos sobre a delicada questão da distribuição do faturamento com o petróleo, que deverá ser confirmado em breve com a aprovação de uma lei avalizada pelos Estados Unidos, pela União Européia e pelas Nações Unidas.

Bull destaca alguns marcos nesse desenvolvimento. Um deles foi a batalha entre sunitas e xiitas desencadeada com a destruição, por aqueles, da mesquita de Samarra. Foi o momento em que parecia inevitável uma guerra civil generalizada. Mas os sunitas, cedendo ao realismo, recuaram quando se viram derrotados. A partir daí, eles começaram, no início discretamente e agora de maneira explícita, a pactuar com os Estados Unidos e o governo de Nuri al-Maliki.

Um dos efeitos desses acordos foi o número crescente de sunitas incorporados ao Exército e às forças policiais iraquianas nos últimos meses. Nas últimas semanas, foram 5 mil.

EMPREGO

Ao mesmo tempo, num gesto de reciprocidade, o governo iraquiano deu emprego no serviço público a outros 7 mil sunitas e reconheceu o direito a vencimentos plenos de todos os ex-oficiais e soldados baathistas reformados, com exceção dos 1.500 vinculados a crimes e torturas – a maioria dos quais, ademais, já está presa, morta ou fugiu para a Síria, a Jordânia e a Arábia Saudita.

Esse é um resumo muito sucinto do ensaio de Bartle Bull. Minha impressão é que, embora possa parecer demasiadamente otimista e ainda não ressalte suficientemente, entre suas considerações, as seqüelas trágicas que certamente terá para a reconstrução do Iraque e a normalização de sua vida social a hemorragia atroz de vidas humanas e bens causada pelo terror, assim como a fuga para o estrangeiro de seus melhores quadros, executivos e profissionais, as perspectivas que o analista britânico assinala para o futuro do Iraque são provavelmente exatas, embora os prazos talvez sejam mais dilatados do que ele acredita.

Somente o ódio tão amplo aos Estados Unidos explica o consenso, entre comentaristas e políticos ocidentais e terceiro-mundistas, de que, assim como no Vietnã, as tropas americanas acabarão partido às pressas, expulsas do Iraque pelos “resistentes” e pela repulsa da opinião pública internacional. Por sangrenta e dolorosa que seja a situação no local, o certo é que agora no Iraque não são os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, mas sim os bandos terroristas que estão levando a pior.

A última contra-ofensiva dirigida pelo general americano David Petraeus obteve maior sucesso que o esperado e, até agora, não houve o menor retrocesso. E está claro que se iludiam os que achavam que, com um triunfo democrata nas próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos, viria a debandada. Hillary Clinton e Rudolph Giuliani, os dois prováveis candidatos, deixaram bem claro que, a esse respeito, sua posição é semelhante: a retirada das tropas será feita na medida em que o governo iraquiano esteja em condições de substituí-las tanto na batalha contra o terror como na manutenção da ordem pública.

Sendo assim, eu também penso que os enormes sacrifícios do povo iraquiano nesses últimos quatro anos e meio não terão sido em vão. 

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A principal razão para o atraso brasileiro

dino_flintstonesBrasil: 101º no ranking da liberdade econômica

Enquanto uma parte do mundo avança, num extraordinário ciclo de prosperidade – conquistado graças à liberalização econômica-, o Brasil patinha, sob um manto de ideologia estatizante e xenófoba.

A receita é simples: quanto maior o grau de liberdade econômica, maior também será a prosperidade. E essa não é uma simples teoria baseada em modelos econômicos. É resultado de experiências bem sucedidas, adotadas por países que muito recentemente ainda se caracterizavam por suas sociedades agrárias, pelo atraso no desenvolvimento de tecnologias e por níveis de renda per capita extremamente baixos.

Em vez de espelhar-se nos exemplos da Coréia do Sul, da Irlanda, da Estônia, do Chile ou da Colômbia, o atual governo brasileiro, embriagado pelas teses da esquerda jurássica, prefere inspirar-se nas experiências da economia planificada dos países que se localizavam na parte oriental da Cortina de Ferro, no século passado.

No 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores, os políticos que integram a legenda apoiaram o projeto de reestatização de uma das maiores e mais lucrativas empresas brasileiras: a Vale do Rio Doce. Certamente, o desejo desses tipos pré-históricos é fazer companhia a Mianmar (ex-Birmânia) ou à Venezuela, do idiota latino-americano Hugo Cháves.

A pesquisa divulgada pelo “Fraser Institute“, do Canadá, demonstra claramente, através do seu “ranking da liberdade econômica”, o contraste entre o desenvolvimento e o atraso. Aquele é conquistado pelo liberalismo, enquanto este – o preferido pela ideologia do presidente Lula da Silva e pelo PT -, pretende fortificar o estado através de recordes de arrecadação de impostos, aparelhamento do estado, protecionismo comercial, intervenção, regulamentação, estatização e xenofobia.

Leia-se, abaixo, o artigo publicado no site da BBC Brasil:


the_fraser_institute.gifRanking da liberdade econômica
da BBC Brasil

Brasil cai e fica em 101º em ranking de liberdade econômica

O Brasil ficou em 101º lugar num ranking que mede o grau de liberdade econômica em 141 países, dividindo a colocação com países como Haiti, Etiópia, Sri Lanka e Paquistão. O relatório anual, compilado pelo Fraser Institute, do Canadá, se baseou em dados de 2005, considerando quatro aspectos para avaliar os países: a liberdade pessoal de escolha, o intercâmbio voluntário, a liberdade para competir e a segurança da propriedade privada.

A partir destes conceitos, 42 componentes são usados para se chegar ao índice final. A nota mais baixa do Brasil foi no indicador de regulamentação do crédito, do trabalho e dos negócios: 4,3, numa escala de zero a dez. A nota final do país foi 6, um pouco acima da obtida em 2004. Mesmo assim, o Brasil caiu da 85ª posição para a 101ª.

MENOS BARREIRAS E IMPOSTOS

Para conseguir um alto índice de liberdade econômica, os países precisam promover um ambiente financeiro estável, em que a propriedade privada é protegida, respeitar contratos, reduzir barreiras ao comércio nacional e internacional e manter os impostos baixos.

graph-liberty No topo do ranking estão Hong Kong, Cingapura, Nova Zelândia, Suíça e Estados Unidos, enquanto o Zimbábue ocupa o último lugar da lista, precedido por Mianmar, República Democrática do Congo e Angola.

Entre economias emergentes, a China ficou em 86º lugar, a Índia em 69º, a Rússia em 112º. Na América Latina, o México ficou na 44ª posição e a Argentina, na 124ª.

Mianmar (140º) e Venezuela (135º) são os únicos países não-africanos entre os dez piores colocados.
Os países que tiveram uma melhoria mais evidente no índice de liberdade econômica, com uma alta de pelo menos três pontos desde 1980, foram Hungria, Peru, Uganda, Gana e Israel.

Conheça mais detalhes do ranking no link “read the rest of this entry” abaixo (em inglês)
International Rankings

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