May Day

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A origem do 1º de maio, como “Dia do Trabalho”, remonta o ano de 1886, na industrializada Chicago, Illinois, nos Estados Unidos. Nessa data, iniciou-se um movimento de trabalhadores, organizado pela American Federation of Labour (Federação Americana do Trabalho) que foi às ruas reivindicar a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias.

1may.jpgNo dia 4 de maio, na Haymarket Square, uma bomba foi lançada, pelos manifestantes sobre a guarda que tentava controlar o movimento, matando o policial Mathias J. Degan. Pouco tempo depois, os policiais ingressaram num conflito com os manifestantes, resultando na morte de quatro grevistas e num elevado número de oficiais e de civis feridos.

Em lembrança aos que morreram no movimento de Chicago, a Segunda Internacional Socialista, ocorrida em Paris (1889), criou o “Dia Mundial do Trabalho”, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano.

Nos Estados Unidos, celebra-se o Labor Day na primeira segunda-feira de setembro e o May Day, 1º de maio, foi transformado oficialmente no Loyalty Day (Dia da Lealdade), comemorando-se a associação entre loyalty and freedom (lealdade e liberdade).

No Brasil, a data é comemorada desde 1895; porém, em 1925 o feriado tornou-se oficial, por decreto do presidente Artur Bernardes. Está na hora de o Brasil e o mundo também se unirem pela lealdade e pela liberdade.

1º de maio de 1974, Revolução dos Cravos, Portugal:
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Uma análise sóbria sobre o Iraque atual

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prospect.jpgUma das críticas mais constantes que se ouve a respeito da intervenção americana no Iraque refere-se ao tipo regime que se pretende impor a um povo que não tem qualquer vínculo ou tradição com a democracia ocidental, principalmente, a americana. O ódio aos Estados Unidos, alimentado pela doutrina Bush, tem caracterizado a maioria dos textos que se vêem publicados na imprensa latino-americana e européia.

Por essa razão, a leitura do artigo de Mario Vargas Llosa, que é um resumo - como ele próprio afirma - de um ensaio de Bartle Bull, publicado na revista britânica Prospect -, é um alento àqueles que desejam informação isenta de demagogia e propaganda.

Caso haja interesse de aprofundamento no assunto, clique aqui para ler o ensaio original, da revista Prospect, sob o título ‘Mission accomplished’, de Bartle Bloom, em inglês.

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vargas-llosa.jpgTerroristas se dão mal no Iraque
por Mario Vargas Llosa
para O Estado de S.Paulo | Domingo, 11 de novembro de 2007

Alguém se atreveria a afirmar, hoje, contra a impressão generalizada, que a intervenção militar no Iraque, em vez de um fracasso catastrófico, vai cumprindo seus objetivos e já alcançou um ponto de não retorno? Bartle Bull, especialista inglês no Oriente Médio, no último número de Prospect, a prestigiosa revista londrina dirigida por David Goodhart, publica um ensaio defendendo essa tese, intitulado “Missão cumprida”. Seus argumentos são polêmicos, mas nada propagandísticos, nem demagógicos.

Bull deixa de lado a questão de se foi errônea ou acertada a decisão de intervir no Iraque - algo que os historiadores decidirão no futuro - e limita-se a cotejar a situação atual do país e a que reinava quase quatro anos e meio atrás, quando Estados Unidos, Grã-Bretanha e um grupo de países aliados decidiram acabar com a ditadura de Saddam Hussein. Ele sustenta que, hoje em dia, as forças da coalizão se encontram no Iraque com a anuência de um governo democraticamente eleito e com um mandato que a ONU vem renovando a cada ano desde maio de 2003, a última vez em agosto passado.

No seu entendimento, as metas estratégicas da intervenção foram alcançadas. O Iraque não se desintegrou e sua unidade territorial e política parece agora mais firme do que outrora, pois o sistema descentralizado em marcha conta até com o apoio dos curdos, cuja vocação separatista diminuiu de maneira radical. Em vez de uma ditadura, o país é uma democracia na qual, em todas as eleições realizadas, a participação popular foi enorme, superior à que caracteriza as sociedades abertas do Ocidente, de modo que seu governo tem uma legitimidade jurídica e política indiscutível. O país já se deu uma Constituição que garante uma independência institucional e liberdades públicas que nem o Iraque nem nenhum de seus vizinhos conheceram em sua história.

Não eclodiu uma guerra civil e o Irã não ocupou o Iraque nem tutela sua vida política. O país deixou de ser um perigo para a paz mundial e, embora muito lentamente, vai se convertendo na primeira sociedade árabe com eleições livres, liberdade de imprensa, partidos políticos diversos e direitos civis reconhecidos.

A violência, é claro, continua causando sofrimentos terríveis. Mas, embora seja obscena a comparação, o número de mortos dessa guerra e do terrorismo resultante - os cálculos variam de 80 mil a 200 mil - está longe de alcançar o 1,5 milhão de mortos resultante das guerras, genocídios e repressões do regime baathista de Saddam Hussein. A imensa maioria dessas mortes foi obra das matanças cegas e indiscriminadas contra a população civil cometidas pelos terroristas estrangeiros da Al-Qaeda ou os de organizações sunitas e xiitas que guerreavam entre si e procuravam neutralizar a população civil pelo pânico.

Embora esse gênero de violência provavelmente se prolongue ainda por muito tempo - o número de fanáticos capazes de voar em pedaços com um caminhão ou carro carregado de explosivos parece nunca acabar -, ele perdeu toda significação política e, hoje, converteu-se em um problema puramente local e policial. Foi diminuindo aos poucos, e o fato decisivo contra ele foi o distanciamento e a ruptura crescentes entre a Al-Qaeda e a população sunita. Essa aliança aliança foi esfriando à medida que os dirigentes sunitas se convenciam de que, ao contrário do que acreditavam no início, as tropas americanas e britânicas só abandonarão o país quando o governo iraquiano estiver em condições de assegurar a ordem e a paz. Convenciam-se, em outras palavras, de que o Iraque não será um segundo Vietnã.

Bartle Bull assinala que a aliança entre a Al-Qaeda e outras seitas terroristas fundamentalistas (todas mais ou menos identificadas com um wahabismo radical) empenhadas em ressuscitar a pureza de costumes e a ortodoxia doutrinária “do tempo do Profeta”, de um lado, e os sunitas do Baath (um partido inspirado no nacional-socialismo de Hitler, não se deve esquecer) ansiosos para restaurar os privilégios de que gozavam no tempo de Saddam Hussein estava condenada à divisão.

O mal-estar cresceu quando os fanáticos wahabistas estrangeiros, em sua fúria puritana, começaram a impor sua rígida moral nas zonas por eles dominadas, proibindo o cigarro, assassinando os vendedores de álcool e os xeques das tribos, além de casar jovens à força com os “emires” do grupo denominado “Estado Islâmico do Iraque”.

A ruptura se consumou quando os sunitas compreenderam que podiam encontrar uma forma de acomodação e convivência no novo Iraque onde a maioria xiita - três vezes mais numerosa que a minoria sunita - terá as rédeas do poder.

Bull assinala que a nova política pragmática dos sunitas tornou possível, por exemplo, a notável transformação da Província de Anbar, durante bom tempo uma cidadela da resistência e do terrorismo, e agora a mais pacífica de todo o país. Nas 18 províncias iraquianas, a violência se reduziu a níveis mínimos ou desapareceu na metade delas.

Esse processo deve se acelerar à medida que a população sunita sentir, nos fatos, que sua sobrevivência não está ameaçada no Iraque dominado pelos xiitas e que sua presença, tanto nas instituições como na vida econômica, política e social, está assegurada.

Um passo nessa direção, diz Bull, foi o acordo de princípio entre xiitas, sunitas e curdos sobre a delicada questão da distribuição do faturamento com o petróleo, que deverá ser confirmado em breve com a aprovação de uma lei avalizada pelos Estados Unidos, pela União Européia e pelas Nações Unidas.

Bull destaca alguns marcos nesse desenvolvimento. Um deles foi a batalha entre sunitas e xiitas desencadeada com a destruição, por aqueles, da mesquita de Samarra. Foi o momento em que parecia inevitável uma guerra civil generalizada. Mas os sunitas, cedendo ao realismo, recuaram quando se viram derrotados. A partir daí, eles começaram, no início discretamente e agora de maneira explícita, a pactuar com os Estados Unidos e o governo de Nuri al-Maliki.

Um dos efeitos desses acordos foi o número crescente de sunitas incorporados ao Exército e às forças policiais iraquianas nos últimos meses. Nas últimas semanas, foram 5 mil.

EMPREGO

Ao mesmo tempo, num gesto de reciprocidade, o governo iraquiano deu emprego no serviço público a outros 7 mil sunitas e reconheceu o direito a vencimentos plenos de todos os ex-oficiais e soldados baathistas reformados, com exceção dos 1.500 vinculados a crimes e torturas - a maioria dos quais, ademais, já está presa, morta ou fugiu para a Síria, a Jordânia e a Arábia Saudita.

Esse é um resumo muito sucinto do ensaio de Bartle Bull. Minha impressão é que, embora possa parecer demasiadamente otimista e ainda não ressalte suficientemente, entre suas considerações, as seqüelas trágicas que certamente terá para a reconstrução do Iraque e a normalização de sua vida social a hemorragia atroz de vidas humanas e bens causada pelo terror, assim como a fuga para o estrangeiro de seus melhores quadros, executivos e profissionais, as perspectivas que o analista britânico assinala para o futuro do Iraque são provavelmente exatas, embora os prazos talvez sejam mais dilatados do que ele acredita.

Somente o ódio tão amplo aos Estados Unidos explica o consenso, entre comentaristas e políticos ocidentais e terceiro-mundistas, de que, assim como no Vietnã, as tropas americanas acabarão partido às pressas, expulsas do Iraque pelos “resistentes” e pela repulsa da opinião pública internacional. Por sangrenta e dolorosa que seja a situação no local, o certo é que agora no Iraque não são os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, mas sim os bandos terroristas que estão levando a pior.

A última contra-ofensiva dirigida pelo general americano David Petraeus obteve maior sucesso que o esperado e, até agora, não houve o menor retrocesso. E está claro que se iludiam os que achavam que, com um triunfo democrata nas próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos, viria a debandada. Hillary Clinton e Rudolph Giuliani, os dois prováveis candidatos, deixaram bem claro que, a esse respeito, sua posição é semelhante: a retirada das tropas será feita na medida em que o governo iraquiano esteja em condições de substituí-las tanto na batalha contra o terror como na manutenção da ordem pública.

Sendo assim, eu também penso que os enormes sacrifícios do povo iraquiano nesses últimos quatro anos e meio não terão sido em vão.

O papel dos Estados Unidos

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George Bush, Dick Cheney and Donald Rumsfeld1.jpgOs Estados Unidos, através de seu poder hegemônico, desempenham um papel nem sempre muito apreciado pelo resto do mundo. Durante os últimos anos do governo Bush, a imagem negativa da grande potência econômica e bélica atingiu o pior patamar. Contudo, outras linhas de pensamento, principalmente aquelas que divergem da doutrina Bush, encontram espaço e estão próximas de assumir o poder novamente.

Para começar a tratar desse assunto, traduzi um artigo de Josef Nye*, um dos expoentes do “multilateralismo” nas relações internacionais. A publicação pertence ao Belfer Center for Science and International Affairs da John F. Kennedy School of Government da Harvard University, e foi escrita para o diário tailandês, “Bangkok Post”, de 25 de março de 2006, mas que permanece totalmente atual.linie_445×10.jpg

joseph-nye.jpg Realismo Progressivo
por Joseph Nye*| Tradução: Marcus Mayer
para o  Bangkok Post | Sábado, 25 de março de 2006

As ambições desenfreadas dos neoconservadores e nacionalistas, assertivos na primeira administração de Presidente George W. Bush, produziram uma política externa semelhante a um carro com acelerador, mas sem freio. Foi conduzido para fora da estrada. Mas como a América deve usar o seu poder sem precedentes, e que papel devem desempenhar os valores? Os realistas previnem contra o uso de valores para a determinação da política, mas democracia e direitos humanos foram parte inerente da política externa americana durante dois séculos. O Partido Democrata pode resolver este problema, seguindo sugestão de Robert Wright e de outros que seguem o realismo progressivo. O que está contido numa política externa de realismo progressivo?

Começaria com a compreensão da força e dos limites do poderio americano. Os Estados Unidos são a única superpotência, mas preponderância não significa império ou hegemonia. A América pode influenciar, mas não controlar outras partes do mundo.

O poder sempre depende do contexto, e o contexto da política mundial, hoje, assemelha-se a um jogo de xadrez tridimensional. No plano mais elevado está o poderio militar, que é unipolar; no nível intermediário, de relações econômicas, o mundo é multipolar; e no plano inferior, das relações transnacionais, que compreendem questões como alterações climáticas, drogas ilegais, gripe aviária e terrorismo, o poder é distribuído de maneira caótica.

us_force_in_irak1.jpegO poderio militar é uma pequena parte da solução para responder a essas novas ameaças do plano inferior das relações internacionais. Há necessidade de cooperação entre governos e de instituições internacionais. Mesmo no plano mais elevado (onde os Estados Unidos representam quase a metade dos gastos mundiais em defesa), o militarismo exerce supremacia no espaço aéreo, marítimo e espacial, mas é limitado em sua capacidade de controlar habitantes nacionalistas em áreas ocupadas.

Uma política realista progressiva também realçaria a importância do desenvolvimento de uma grande estratégia integrada que combinasse o pesado poderio militar com um poder atrativo a suave, do tipo que venceu a Guerra Fria. A América tem de usar o poder mais duro contra terroristas, mas não pode esperar vencer essa batalha, a menos que conquiste os corações e as mentes dos moderados. O abuso no uso do poder duro (como em Abu Ghraib ou Haditha) só produz novos terroristas recrutas.

Atualmente, os Estados Unidos não têm nenhuma estratégia integrada que combine hard power (poder duro) com o soft power (poder suave). Muitos instrumentos oficiais de “poder suave” — diplomacia pública, transmissões televisivas e produções cinematográficas, programas de intercâmbio, de assistência ao desenvolvimento, ajuda em situações de catástrofes, contatos militares — se espalham no governo, mas não há nenhuma política estratégica, muito menos um orçamento comum, que tente integrar e combiná-los com o poder duro, em uma estratégia de segurança nacional coerente.

palestina_demo_against_bush1.jpgOs Estados Unidos gastam, grosso modo, em torno de 500 vezes mais em militarismo do que em transmissão televisivas, produções cinematográficas e intercâmbios. Esta é a proporção correta? E como o governo deve relacionar-se com os geradores não-oficiais de “poder suave” — tudo, de Hollywood e Harvard à Fundação Bill & Melinda Gates — que emanam da sociedade civil?

Uma política realista progressiva deve promover a defesa da vida, a liberdade e a busca da felicidade, resguardada na tradição americana. Uma estratégia tão grande teria quatro pilares de sustentação: (1) segurança que provém dos Estados Unidos e de seus aliados; (2) manutenção de uma economia doméstica e internacional forte; (3) prevenção de desastres ambientais (como pandemias e desastres globais); e (4) encorajamento da democracia liberal e de direitos humanos, dentro e, onde for factível, fora de casa.

Isto não significa valores americanos impostos pela força. A promoção da democracia é mais bem realizada através da atração do que pela coerção, e demanda tempo e paciência. Os Estados Unidos seriam sábios ao estimular o desenvolvimento gradual da democracia, mas de uma maneira que aceite a realidade da diversidade cultural.

Uma estratégia tão grande se concentraria em quatro ameaças principais. Provavelmente, o maior perigo seria a associação do terrorismo com as armas nucleares. A prevenção disto necessita políticas de combate ao terrorismo e a promoção da não-proliferação – a melhor proteção contra armas nucleares -, estabilidade no Oriente Médio, bem como maior atenção a estados desamparados.

O segundo principal desafio seria a escalada de uma Ásia hegemônica e hostil enquanto, gradualmente, recupera sua parte nos 3/5 da economia mundial e que, gradativamente, vem se coadunando com os seus 3/5 da população do mundo. Isto necessita de uma política que integre a China, como depositária responsável do dinheiro das apostas globais, evitando qualquer possibilidade de hostilidade, ao manter relações estreitas com o Japão, a Índia e outros países na região.

A terceira maior ameaça seria uma depressão econômica provocada por uma crise financeira ou por algum problema que interrompesse o acesso global aos fluxos de petróleo do Golfo Pérsico, onde estão localizadas 2/3 das reservas mundiais. Para isto são necessárias políticas que, gradualmente, reduzam a dependência do petróleo, ao mesmo tempo em que a economia americana não pode se isolar dos mercados energéticos globais.

charge-rumsfeld.jpegA quarta grande ameaça é o esgotamento ecológico, como pandemias e alterações climáticas. Isto necessitaria de políticas de consumo de energia racionais bem como maior cooperação com instituições internacionais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Uma política de realismo progressivo deve zelar pelo aperfeiçoamento, no longo prazo, da ordem mundial e assumir suas responsabilidades no cenário internacional, com o objetivo de criar uma sociedade de valores globais.

No século 19, a Grã-Bretanha expandiu os seus interesses nacionais para promover a livre navegação, a economia internacional aberta e a estabilidade no equilíbrio de poder europeu. Tais bens comuns ajudaram a Grã-Bretanha e beneficiaram outros países também.

Os Estados Unidos, que agora ocupam o lugar da Grã-Bretanha, devem desempenhar um papel semelhante, promovendo as nações e uma economia internacional aberta (através dos mares, do espaço e da Internet), mediando disputas internacionais antes que se intensifiquem, e estimular o desenvolvimento de regras e instituições internacionais. Como a globalização estenderá capacidades técnicas, e a tecnologia de informação permitirá a mais larga participação em comunicações globais, a hegemonia americana diminuirá, o mais tardar, neste século.

O realismo progressivo requer que a América se prepare para o futuro, estabelecendo seus interesses nacionais através de um caminho que beneficie a todos.

* Joseph Nye is university distinguished service professor at Harvard and Sultan of Oman professor of international relations at the Kennedy School


O artigo acima foi publicado originalmente em 4 de maio de 2007, em nosso blog, e, a pedido de leitores, é republicado hoje

Michael Bloomberg: um ótimo exemplo

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michael_bloomberg.jpgO prefeito da cidade de Nova York, Michael Bloomberg (foto), trabalha a 1 dólar por ano, vive na sua própria casa e doou 144 milhões de dólares no ano passado a mais de 800 organizações da cidade. O antigo analista de Wall Street criou um serviço de notícias digno de bilhões de dólares. Isto o ajudou a apoiar esforços nas áreas de saúde pública, artes, instituições educativas e serviços sociais na cidade.

Fonte / Crédito para foto: Business Weeklinie_445×10.jpg

lucas_mendes.jpg Presidente Bloomberg?
por Lucas Mendes *
para a BBC Brasil

Como é bom ser governado por um líder que faz, não rouba nem deixa roubar, vai de metrô para o trabalho, não diz besteira nem o politicamente correto, não decide com base em pesquisa, não puxa o saco nem deixa puxar o dele, não é político e nem mesmo tem base partidária.

Michael Blooomberg agora nem tem partido. Esta semana deu uma banana para os republicanos. Ele é meu sexto prefeito em Nova York e continuaria votando nele o resto da vida. Infelizmente a lei não permite mais um mandato.

Com exceção de Koch, os prefeitos anteriores quase enterraram esta cidade. Giulliani leva a fama de salvar Nova York do crime na década de noventa e do desespero depois do 11 de setembro. Ele merece crédito pela liderança nos quatros meses finais do mandato, depois dos ataques às torres, mas quando deixou o cargo Nova York estava de novo à beira de outra crise financeira, endividada, desempregada e racialmente tensa.

Bloomberg se elegeu graças a seus bilhões, mas herdou um pepino sem um dia de experiência em administração pública e suas primeiras decisões, naquela época, foram controvertidas e impopulares. Proibiu cigarros em bares e restaurantes e aumentou o imposto predial em 18%. Seu índice de aprovação caiu de quase 70% para 20%, e o fim de sua jovem carreira política estava à vista.

Ele não só deu a volta por cima como já devolveu boa parte dos impostos, a cidade está com dinheiro de sobra nos cofres e com crédito AA na praça. Bem munido para brigar com a indústria de alimentos e contra a obesidade, Bloomberg baniu gordura trans dos restaurantes.

Tornou-se o inimigo público número 1 da indústria de armas por causa de seus processos contra vendedores que não cumprem as leis e pela criação de uma associação de mais de duzentos prefeitos para aprovar leis anti-armas impassáveis em Washington.

Seu projeto da Nova York verde é um dos mais radicais do mundo e, contrariando fórmulas financeiras conservadoras, criou o maior plano habitacional do país para a população de baixa renda. Seus 165 mil apartamentos dariam para abrigar a população inteira de Atlanta.

Agora em setembro vai começar sua versão do bolsa-família inspirado no modelo mexicano Oportunidades. Com dinheiro da iniciativa privada, inclusive do próprio bolso, 2.500 famílias vão receber US$ 5 mil por ano se cumprirem metas como filhos estudiosos, pais mais envolvidos nas decisões nas escolas, check-up médico, emprego em tempo integral. O progresso destas 2.500 famílias vai ser comparado com o de outras 2.500, em iguais condições de pobreza. Se o sucesso dos bolsistas for comprovadamente superior, o projeto se tornará público.

Presidente Bloomberg? Infelizmente jamais. Como ele mesmo diz, quem votaria num judeu baixinho, bilionário, com um divórcio nas costas e reputação de liberal? - Muita gente. Não para se eleger presidente, mas o suficiente para destruir as chances de Hillary Clinton ou de qualquer democrata em 2008, como Ralph Nader destruiu as de Al Gore em 2000 e Ross Perot as do Bush pai em 1992.

Meu querido prefeito, pelo amor de Deus….

* Lucas Mendes é jornalista e apresentador de televisão. Em 1993 criou o programa Manhattan Connection, para o GNT, da Globosat, onde continua até hoje como apresentador e editor executivo. Escreve colunas periódicas para a BBC.

Cute Israeli Defense Forces

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Clique na imagem para ampliar / Crédito: Maxim
Fotos de ex-soldadas de bikini provacam polêmica em Israel
Reportagem da BBC Brasil

Mesmo que não sejam convocadas, alistamento feminino é obrigatório

O que era para ser uma campanha para promover o turismo em Israel acabou se tornando uma grande polêmica no país nesta semana, após a publicação de fotos de ex-soldadas em poses de biquíni na revista masculina americana Maxim. Deputadas no Knesset (o Parlamento israelense) acusaram o governo de promover “uma campanha pornográfica” e incentivar o turismo sexual no país.

Liberalismo, segundo Mario Vargas Llosa

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mariovargasllosa.JPGEm entrevista a Edney Silvestre, no Jornal da Globo, o escritor Mario Vargas Llosa (foto), uma das grandes vozes críticas na América Latina, falou sobre o liberalismo. “Alguns o chamam de conservador; outros, simplesmente, de reacionário”, instigou o repórter.

”Eu sou um liberal. A extrema esquerda converteu essa palavra em um palavrão, xingamento, mas ela se origina da palavra ‘liberdade’ – a palavra mais bonita do idioma, que trouxe as grandes conquistas: a tolerância, os direitos humanos, a divisão de poderes, o pluralismo político. Todas as grandes conquistas da civilização têm sua origem no progresso da liberdade. O importante do pensamento liberal é que não se trata de um pensamento dogmático, não é fanático e aceita a possibilidade de equivocar-se, de estar errado – e portanto está permanentemente se corrigindo e auto-criticando”, respondeu Vargas Llosa, com muita propriedade.

Por essas razões, destacamos a frase » o mundo visto por um prisma liberal «, no alto deste blog. Estamos plenamente de acordo com a definição apresentada por Vargas Llosa e acreditamos que um “mundo livre e democrático” permitirá que nos livremos mais rapidamente da pobreza, das desigualdades sociais e das guerras entre os povos.

El regreso del Idiota

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O texto a seguir é um ensaio de Alvaro Vargas Llosa, B.S.C. em História Internacional pela London School of Economics, Diretor do Centro para Prosperidade Global do “Indepent Institute”, publicado na revista “Veja” de 9/5/2007. O autor é filho do renomado escritor peruano Mario Vargas Llosa.

Com efeito, a razão para a publicação do artigo é o fechamento da rede privada de televisão RCTV da Venezuela - medida autoritária do presidente Hugo Cháves, um “perfeito idiota latino-americano”. Apesar da extensão do texto, o ensaio é de altíssima qualidade e permitirá ao leitor compreender o retrocesso que vive parte da América Latina, com seus governantes autoritários, representantes da esquerda populista. Boa leitura!
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alvaro_vargas_llosa.jpgO retorno do idiota
por Alvaro Vargas Llosa*

Durante o século XX, os líderes populistas da América Latina levantaram bandeiras marxistas, praguejaram contra o imperialismo e prometeram tirar seus povos da pobreza. Sem exceção, todas essas políticas e ideologias fracassaram, o que levou ao recuo dos homens fortes. Agora, uma nova geração de revolucionários tenta ressuscitar os métodos ineficazes de seus antecessores.

Na reunião de Los Panchos: Chávez, Morales e o cubano Carlos Lage são expoentes da esquerda ainda presa à mentalidade da Guerra Fria. Outra esquerda, que governa no Chile e no Brasil, tenta evitar os erros do passado.

manual_do_perfeito_idiota.jpgDez anos atrás, o colombiano Plinio Apuleyo Mendoza, o cubano Carlos Alberto Montaner e eu escrevemos o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”, livro que criticava os líderes políticos e formadores de opinião que, apesar de todas as provas em contrário, se apegam a mitos políticos mal concebidos. A espécie “Idiota”, dizíamos então, era responsável pelo subdesenvolvimento da América Latina. Tais crenças – revolução, nacionalismo econômico, ódio aos Estados Unidos, fé no governo como agente da justiça social, paixão pelo regime do homem forte em lugar do regime da lei – tinham origem, em nossa opinião, no complexo de inferioridade. No fim dos anos 1990, parecia que os idiotas estavam finalmente em retirada. Mas o recuo durou pouco.

Hoje, a espécie retornou na forma de chefes de estado populistas empenhados em aplicar as mesmas políticas fracassadas no passado. Em todo o mundo, há formadores de opinião prontos a lhes dar credibilidade e simpatizantes ansiosos por conceder vida nova a idéias que pareciam extintas.

Por causa da inexorável passagem do tempo, os jovens idiotas latino-americanos preferem as baladas pop de Shakira aos mambos do cubano Pérez Prado e não cantam mais hinos da esquerda, como A Internacional e Hasta Siempre, Comandante. Mas eles ainda são os mesmos descendentes de migrantes rurais, de classe média e profundamente ressentidos com a vida fútil dos ricos que vêem nas revistas de fofocas, folheadas discretamente nas bancas. Universidades públicas fornecem a eles uma visão classista da sociedade, baseada na idéia de que a riqueza precisa ser tomada das mãos daqueles que a roubaram.

Para esses jovens idiotas, a situação atual da América Latina é resultado do colonialismo espanhol e português, seguido do imperialismo dos Estados Unidos. Essas crenças básicas fornecem uma válvula de segurança para suas queixas contra uma sociedade que oferece pouca mobilidade social. Freud poderia dizer que eles têm o ego fraco, incapaz de fazer a mediação entre seus instintos e a sua idéia de moralidade. Em lugar disso, suprimem o conceito de que a ação predatória e a vingança são erradas e racionalizam a própria agressividade com noções elementares do marxismo.

Os idiotas latino-americanos tradicionalmente se identificam com os caudilhos, figuras autoritárias quase sobrenaturais que têm dominado a política da região, vociferando contra a influência estrangeira e as instituições republicanas. Dois líderes, particularmente, inspiram o Idiota de hoje: os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia.

Chávez é visto como o perfeito sucessor do cubano Fidel Castro (a quem o Idiota também admira): ele chegou ao poder pelas urnas, o que o libera da necessidade de justificar a luta armada, e tem petróleo em abundância, o que significa que pode bancar suas promessas sociais. O Idiota também credita a Chávez a mais progressista de todas as políticas – ter colocado as Forças Armadas, paradigma do regime oligárquico, para trabalhar em programas sociais.

De sua parte, o boliviano Evo Morales tem um apelo indigenista. Para o Idiota, o antigo plantador de coca é a reencarnação de Tupac Katari, um rebelde aimará do século XVIII que, antes de ser executado pelas autoridades coloniais espanholas, profetizou: “Eu voltarei e serei milhões”. O Idiota acredita em Morales quando ele alega falar pelas massas indígenas, do sul do México aos Andes, que buscam reparação pela exploração sofrida em 300 anos de domínio colonial e outros 200 anos de oligarquia republicana.

Para ler a continuação deste excelente artigo, clique no link abaixo:

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Contrastes

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Brasil: … e o Silas ‘rondou’ a baiana

silasrondeau.jpgE não poderia ser diferente. O escritor Mario Prata definiu a expressão como ‘enfezar-se’ ou ‘dar um escândalo público’. Assim aconteceu com o ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau.

Que falta de vergonha: queria continuar no cargo depois de ser apontado como beneficiário do esquema de fraude em licitações. Conforme noticiado no site Folha Online, o escândalo começou a respingar em Rondeau quando a PF prendeu, durante a Operação Navalha, Ivo Almeida Costa, que era assessor especial de seu gabinete.

Suíça: Uma história exemplar

L'HebdoO parágrafo que acabo de escrever acima, acicatou minha memória para um fato ocorrido na época em que ainda morava em Genebra. Comprei um exemplar da revista quinzenal de política e economia, L’Hebdo, uma espécie de Veja da Suíça francesa. Logo ao folhá-la estranhei a quantidade de páginas (aprox. 30 - quase metade da edição) dedicadas a um único deputado nacional. Ao começar a ler a matéria descobri tratar-se de uma espécie de “direito de resposta”.

Não mais me lembro do nome do parlamentar, mas recordo perfeitamente alguns detalhes do conteúdo da publicação, que muito chamaram a minha atenção. A revista esclarecia ter cometido um grave engano ao divulgar o envolvimento do deputado em um eventual caso de corrupção – até na Suíça acontecem dessas coisas(!). Logo que seu nome fora envolvido no caso, o parlamentar afastou-se da função, como é praxe.

O caso foi levado à Justiça e o deputado reassumiu o cargo após sua absolvição. Alguns poderiam desconfiar que a justiça de lá falhara, mas não foi esse o acontecido. A própria revista reconheceu o erro, desculpou-se publicamente, e o parlamentar teve o direito de expor a defesa, narrando sua história no dobro de páginas que continham as anteriores acusações.

boriscasoy_foto.JPGO que concluo dessa história, em comparação ao que acontece no Brasil, é que o afastamento do cargo é algo natural e óbvio, quando do envolvimento de um servidor público em escândalo de corrupção. Aqui é muito comum apelar para a famosa “suposição de inocência até que se prove o contrário”. Isso é uma vergonha(!), como diria o jornalista Boris Casoy (foto). Na política, essa prerrogativa só estimula o festival de caras-de-pau.

"Al Gore - Brazil"

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Al Gore será candidato à presidência dos Estados Unidos em 2008? Por todos os lugares em que passa, essa é a pergunta mais repetida. A sua habitual resposta é de que não tem intenção de concorrer. Mas também não tem intenção de não concorrer. Um grande número de pessoas está convencido de que Gore pode ser persuadido a candidatar-se. Por isso, ingressamos, oficialmente, em uma campanha popular com o objetivo de estimulá-lo a lançar sua candidatura. O movimento chama-se: Al Gore - The 2008 Grassroots Draft Campaign.

Entre 1993 e 2001, Al Gore foi vice-presidente dos Estados Unidos, durante a administração de Bill Clinton, do Partido Democrata. Em 2000 concorreu à presidência e, apesar de ter tido mais votos populares, perdeu a eleição para George Bush, no Colégio Eleitoral.

Em 2006, Gore lançou An Inconvenient Truth, um filme sobre o aquecimento global, que ganhou o Oscar de melhor documentário em 2007. Conjuntamente com o presidente da Virgin, Richard Branson, lançou um concurso que pagará US$ 25 milhões para o cientista que apresentar o melhor projeto para diminuir as emissões de dióxido de carbono na atmosfera. Como ativista ecológico, Gore escreveu dois livros: “A Terra em Balanço: Ecologia e o Espírito Humano”, editado pela Augustus, em 2003 e “Uma Verdade Inconveniente”, pela editora Manole, em 2006.

Visite o site da campanha popular clicando aqui e ingresse na comunidade “Al Gore – Brazil”, que criamos para marcar presença do Brasil nos assuntos de interesse global.

24 horas e a sucessão americana

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24-jack-bauer.jpgO agente Jack Bauer, o presidente Palmer, dos Estados Unidos, e o pessoal da CTU são personagens que se tornaram famosos mundo afora. Se você não tem idéia do que estou falando, pergunte a um colega, pois, facilmente, ficará a par. O seriado “24 horas”, da FOX, é um dos melhores entretenimentos televisivos dos últimos anos, encontra-se em sua 6ª temporada e promete mais duas.

Giuliani defende a tortura em debate - No segundo debate entre os dez pré-candidatos republicanos, transmitido pela Fox News, a pergunta que está sendo chamada de “Questão 24″, em referência à serie de TV, criou uma grande polêmica.

Indagado se autorizaria o uso de tortura de um suspeito caso soubesse que isso pararia um ataque nuclear, o senador John McCain (Arizona), segundo lugar na pesquisa entre os pré-candidatos republicanos, disse um sonoro “não”. Instado a responder a mesma pergunta, o ex-prefeito de NY Rudolph Giuliani, o primeiro colocado, não titubeou: Ele daria autorização para que fosse usado “qualquer método que eu pudesse pensar” para extrair a informação. Não apóia a tortura, disse, mas reafirmou que autorizaria “qualquer método”.

E você, o que pensa a respeito?

A minha opinião é a seguinte: Defender a tortura seria intolerável. Mas responder à questão, como o fez Giuliani, de forma honesta, é muito admirável! Além disso, a situação extrema apresentada pelo interpelante foi no sentido de “impedir um hipotético ataque nuclear”. A dimensão da tragédia de um ataque, mormente, seria muito maior do que o apelo para uma prática abominável como a tortura - com a qual Giuliani também deixou claro não concordar.

debate_candidatos_republicanos.jpgDa esq. para a dir., o sen. John McCain e o ex-prefeito de NY Rudy Giuliani
FOX News

Hoje, ao ler comentários e respostas deixadas no blog de Sérgio Dávila, que também divulgou a notícia, observei um extremado repúdio por parte dos leitores, não em relação à tortura ou a um ataque nuclear perpetrado por terroristas, mas aos Estados Unidos. Certamente, esse será o maior legado que deixará o presidente George W. Bush: um anti-americanismo de gigantesca proporção.

Lembremo-nos porém, que o segundo mandato de George Bush chegará ao fim no dia 20 de janeiro de 2009. Espero que o ex-vice presidente Al Gore, defensor do multilateralismo e da preservação do meio ambiente, dispute a indicação do Partido Democrata e vença a eleição. Talvez, a imagem americana melhore e sirva de bom exemplo para o resto do mundo, dada a sua inquestionável posição como potência.

Os Estados Unidos seriam mais simpáticos ao mundo se tivessem um presidente David Palmer, como em 24 horas.