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Novo mapa na América do Sul

A América do Sul apresenta um novo mapa, baseado em claras diferenças ideológicas e resultados muitos distintos no desempenho econômico e no desenvolvimento da área social dos diferentes países. Na costa do Pacífico, Chile, Peru e Colômbia dão exemplos de boa gestão de seus governos, através da adoção de práticas liberais.

colombia_am_sul.jpgPor outro lado, tanto na geografia quanto na ideologia, os governos populistas do Brasil, Argentina, Bolívia e Venezuela permanecem caminhando em via oposta, aparelhando os seus respectivos estados e perdendo oportunidades para maior integração comercial, que resultaria em avanços sociais.

Nossas críticas ao governo do presidente Lula da Silva são constantes e contundentes, pois bastaria que seguisse exemplos de outras boas administrações na América Latina para fazer um bom governo. Sua opção, contudo, é manter-se fiel à receita da esquerda mais retrógrada, fundamentada num estado forte e aparelhado.

O contraste entre a política liberal adotada na Colômbia, do presidente Alvaro Uribe, e a socialista-estatizante do Brasil, da Venezuela e da Argentina fica bastante claro no artigo abaixo, que descreve uma “nova” Colômbia. O excelente texto de Diogo Schelp foi extraído da revista Veja, edição 2019. Leia-se na íntegra:


 

logo_veja_red.gif Colômbia
por Diogo Schelp | de Bogotá
para a revista Veja | Ed. 2019, agosto de 2007

 

 

Depois de domar o crime, o país renasce para a modernidade

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CAPITAL DO CRESCIMENTO:
Encravada na Cordilheira dos Andes, a 2 600 metros de altitude, Bogotá é organizada, limpa, bem policiada e está com a criminalidade em queda

Vista do exterior, a Colômbia é um país sem lei. Uma imagem dessas, fruto inevitável de quem acumula o duvidoso título de o maior exportador mundial de cocaína, não se muda da noite para o dia. É por isso que Ricardo Hepp, gerente-geral da rede de lojas de departamentos Falabella, desenvolveu uma técnica para convencer executivos estrangeiros a ir trabalhar com ele na Colômbia. Hepp leva o convidado e sua família a um restaurante nos arredores de Bogotá chamado Andrés Carne de Res.

A comida do lugar não é lá essas coisas, mas a alegria do ambiente é contagiante. Ali, a freguesia dança entre as mesas, canta e diverte-se com os garçons, que, fantasiados, também dançam e cantam enquanto trabalham. Tem-se a impressão de que em nenhum outro lugar há tantos motivos para ser feliz como em Bogotá. “As oportunidades de negócios na Colômbia são o segredo mais bem guardado da América Latina”, diz Hepp, cuja empresa, chilena, pretende abrir mais oito lojas no país até 2010.

Seu otimismo é alimentado por dados concretos. O produto interno bruto colombiano cresceu 6,8% no ano passado, 2 pontos acima da média latino-americana. Os 8,1% apurados no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2006 sinalizam um desempenho bom também neste ano. Tirando a Venezuela, cuja economia é totalmente dependente do preço do barril de petróleo, a Colômbia foi o país que mais cresceu na América do Sul nesse período.

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TURISMO REVIGORADO: Em Cartagena, cidade colonial no litoral caribenho, 65% dos hóspedes dos hotéis são estrangeiros, principalmente americanos

O “segredo” de que fala Hepp é o responsável pelo furor de “vamos comprar enquanto ainda está barato”. Nos últimos cinco anos, os investimentos diretos e o fluxo de capitais dobraram na Colômbia. O desembarque de capital estrangeiro, que em 2002 representava 2,6% do PIB colombiano, ampliou sua participação para 4,7% em 2006.

O maior negócio ocorreu em 2005, quando a sul-africana SabMiller, o segundo maior grupo cervejeiro do mundo, desembolsou 4,8 bilhões de dólares pela colombiana Bavaria. Numa prova de confiança, o Citibank montou em Bogotá seu call center latino-americano.

As empresas brasileiras não ficam atrás. A Votorantim acaba de adquirir a segunda maior siderúrgica da Colômbia. A Gerdau pretende dobrar sua produção de aço no país até 2010. O Grupo Synergy, do brasileiro German Efromovich, que já investia na exploração de petróleo colombiano, comprou em 2004 a falida Avianca, a maior companhia aérea do país, pela pechincha de 64 milhões de dólares. Hoje, depois de a empresa ter sido saneada, seu valor é estimado em 800 milhões de dólares. “A Colômbia é o melhor país para investir na América Latina, graças a uma mescla de boas oportunidades, tranqüilidade jurídica e segurança física”, diz Efromovich.

colombia_recuperada.jpgSegurança física? Espantosamente, essa é uma das sete razões para a Colômbia ter caído nas graças dos investidores internacionais. São elas:

1. Segurança – Sete anos atrás, um relatório da ONU colocou a Colômbia como o segundo país em mortes violentas, atrás apenas da Suazilândia, na África. De lá para cá, a ação firme do governo e o policiamento ostensivo reduziram em 40% o número de homicídios, em 80% o de seqüestros e permitiram que os colombianos voltassem a viajar pelas estradas, sem o antigo medo de seqüestro. A guerrilha e os narcotraficantes foram expulsos das principais cidades.

2. Segurança jurídica – Não é preciso perspicácia para perceber que a Colômbia é o único país daquele canto da América Latina a salvo do furor populista que afasta investidores da Venezuela, da Bolívia e do Equador. O governo colombiano até oferece um contrato de estabilidade jurídica, para garantir que não haverá prejuízo se as regras do jogo forem alteradas no futuro.

3. Democracia e economia estáveis – Sem um golpe de estado há meio século, a Colômbia tradicionalmente entrega a gestão pública aos quadros técnicos, o que garante certa continuidade administrativa. Nas últimas cinco décadas, houve retração econômica em apenas dois anos. O país nunca passou por hiperinflação nem deu calote na dívida externa.

4. Poder de compra crescente – A Colômbia tem a terceira maior população da América Latina. A renda per capita cresceu 12,3% nos últimos três anos, mais do que no Chile e no Brasil.

5. Localização – A meio caminho entre o Cone Sul e os Estados Unidos (o vôo entre Bogotá e Miami demora menos de 4 horas), a Colômbia é um bom endereço para as empresas com ambições nos dois mercados. Para facilitar, o país tem portos no Oceano Pacífico e também no Atlântico.

6. Mão-de-obra capacitada – Nas carreiras técnicas, muitos colombianos fazem especialização nos Estados Unidos ou na Espanha. O custo da mão-de-obra é baixo. Os salários médios dos engenheiros colombianos são menores que os dos indianos.

7. Grandes oportunidades – Ausente por anos do radar dos investidores internacionais, o país é um território virgem em muitas áreas de investimento. Neste ano, por exemplo, o governo está colocando à venda 20% das ações de sua estatal petroleira.

Essas sete razões asseguram um clima de confiança essencial para os investimentos. O risco-país da Colômbia caiu de 451 para 135 nos últimos quatro anos. Pesquisas de opinião recentes revelam que a maioria dos empresários colombianos acredita que o país está no rumo certo.

alvaro-uribe.jpgO otimismo está intimamente ligado à figura do presidente Álvaro Uribe (foto), 55 anos, um político cuja modernidade faz contraste com o esquerdismo tacanho de governos vizinhos, sobretudo o de Hugo Chávez, que não esconde seu ódio ao colombiano. Uribe foi governador de Medellín e teve o pai seqüestrado e assassinado em 1983.

Ao assumir, em 2002, adotou a linha de mão pesada contra los violentos, como são apelidados os guerrilheiros, os paramilitares de direita e outros bandidos. Reeleito no ano passado para um segundo mandato, Uribe enfrenta a pior crise política de seu governo. Há acusações de que deputados de sua base de apoio receberam dinheiro de grupos de extermínio e de que o próprio presidente tem ligações com paramilitares, que assassinaram milhares de pessoas, incluindo parlamentares. Na esteira da confusão, a aprovação a seu governo permanece elevadíssima, próxima dos 70%.

Uribe oferece aos colombianos e aos investidores estrangeiros um produto escasso na América Latina: confiança. Esse é, aliás, o lema de seu governo. Em boa medida, significa que a Colômbia é um país sério, que merece credibilidade e não deve ser confundido com as nações falidas da América do Sul. Não surpreende que sete de cada dez empresários estrangeiros interessados em investir na cidade de Medellín sejam venezuelanos.

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OPORTUNIDADE PARA OS JOVENS: O crescimento recente da Colômbia é protagonizado por jovens em funções de destaque, como Manuela Jaramillo, de 28 anos. Ela é gerente de investimento de um fundo de capital privado que está comprando empresas de porte médio na Colômbia. “Bogotá voltou a ter segurança e boas opções de emprego”, diz Manuela

Uma boa demonstração do otimismo é o movimento de retorno dos jovens profissionais que viviam no exterior. O sonho das mães colombianas era enviar o filho para estudar nos Estados Unidos ou na Espanha e que ele encontrasse um bom emprego por lá. “Agora, os jovens colombianos preferem voltar e seguir carreira por aqui mesmo”, alegra-se o economista Carlos Ronderos, ex-ministro do Comércio Exterior da Colômbia. Até os turistas estrangeiros estão de volta. O número de visitantes dobrou nos últimos quatro anos.

As principais atrações estão no litoral caribenho e nas agradáveis cidades colombianas, lideradas pela surpreendente Bogotá – de longe, a capital mais limpa e organizada da América do Sul. Em certos aspectos, assemelha-se a Buenos Aires no quesito elegância: Bogotá tem bons cafés, restaurantes e livrarias. Como a temperatura nunca ultrapassa os 22 graus, os moradores têm o hábito de se vestir com roupas formais e apropriadas a um clima ameno. Medellín, outrora a capital do narcoterrorista Pablo Escobar, é um exemplo que poderia inspirar o Rio de Janeiro. Nos anos 80, a presença do estado era nula nas favelas da cidade.

teleferico_favela_colombia.jpgHoje, depois do desmantelamento dos cartéis do narcotráfico e dos grupos paramilitares, a presença da prefeitura é ostensiva. A obra mais espetacular é um teleférico que conecta o metrô a uma favela de Medellín, no alto de um morro. Ao longo da linha, foram construídas uma avenida e pequenas praças. Próximo à última estação, há uma grande biblioteca. O projeto está sendo repetido em outras favelas da cidade.

Os colombianos discutem, agora, o que é preciso para sustentar o atual bom momento por um longo período. É preciso, sobretudo, se preparar para quando o dinheiro externo começar a minguar. Ninguém desconhece que o país é favorecido pela bonança na economia global. Há dinheiro de sobra no planeta, e alguns investidores estão colocando suas moedas em lugares inesperados. A preferência são os emergentes de grande porte – Brasil, Rússia, Índia e China –, mas uma parte significativa acaba por aterrissar em países menores como a Colômbia e a Polônia. São estados promissores, mas ninguém tem certeza de que vão ter sucesso.

criminalidade.jpgEm um continente com uma história de falsas arrancadas e vôos de galinha, a Colômbia destaca-se pelas bases mais sólidas para o desenvolvimento econômico. O país dispõe de indústria e agricultura consistentes e pauta de exportação variada. Entre os dez produtos mais exportados há petróleo, carvão, café, confecções e flores. O fato de as exportações não terem caído nos últimos meses, apesar da valorização do peso em relação ao dólar, mostra que esses setores se tornaram competitivos em escala global.

Surpreende que, nesse contexto, Uribe tenha sido esnobado exatamente pelos americanos. Em sua empreitada para conquistar novos mercados e atrair investimentos, o presidente apostava em um tratado de livre-comércio com os Estados Unidos. A Colômbia é um aliado vital de Washington numa região convulsionada. Os americanos enviaram 5 bilhões de dólares em ajuda para a Colômbia desde 2000. Só o Iraque, o Egito, Israel e o Afeganistão receberam mais. Surpreendentemente, a liderança democrata no Congresso rejeitou o acordo sob argumentos vagos de abusos de direitos humanos na Colômbia. Tecnicamente, o tratado não está morto, apenas adiado. Os colombianos sentem-se traídos e sabem que precisam se virar sem o acordo de livre-comércio.

Não parece haver divergência sobre o caminho a seguir. Este foi definido a VEJA pelo vice-presidente colombiano, Francisco Santos: “Almejamos para nosso país o modelo chileno de desenvolvimento, com abertura para o mundo”.

Crédito para fotos e ilustrações: Paulo Vitale| Veja | AFP

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O papel dos Estados Unidos

George Bush, Dick Cheney and Donald Rumsfeld1.jpgOs Estados Unidos, através de seu poder hegemônico, desempenham um papel nem sempre muito apreciado pelo resto do mundo. Durante os últimos anos do governo Bush, a imagem negativa da grande potência econômica e bélica atingiu o pior patamar. Contudo, outras linhas de pensamento, principalmente aquelas que divergem da doutrina Bush, encontram espaço e estão próximas de assumir o poder novamente.

Para começar a tratar desse assunto, traduzi um artigo de Josef Nye*, um dos expoentes do “multilateralismo” nas relações internacionais. A publicação pertence ao Belfer Center for Science and International Affairs da John F. Kennedy School of Government da Harvard University, e foi escrita para o diário tailandês, “Bangkok Post”, de 25 de março de 2006, mas que permanece totalmente atual.


joseph-nye.jpg Realismo Progressivo
por Joseph Nye*| Tradução: Marcus Mayer
para o  Bangkok Post | Sábado, 25 de março de 2006

 

As ambições desenfreadas dos neoconservadores e nacionalistas, assertivos na primeira administração de Presidente George W. Bush, produziram uma política externa semelhante a um carro com acelerador, mas sem freio. Foi conduzido para fora da estrada. Mas como a América deve usar o seu poder sem precedentes, e que papel devem desempenhar os valores? Os realistas previnem contra o uso de valores para a determinação da política, mas democracia e direitos humanos foram parte inerente da política externa americana durante dois séculos. O Partido Democrata pode resolver este problema, seguindo sugestão de Robert Wright e de outros que seguem o realismo progressivo. O que está contido numa política externa de realismo progressivo?

Começaria com a compreensão da força e dos limites do poderio americano. Os Estados Unidos são a única superpotência, mas preponderância não significa império ou hegemonia. A América pode influenciar, mas não controlar outras partes do mundo.

O poder sempre depende do contexto, e o contexto da política mundial, hoje, assemelha-se a um jogo de xadrez tridimensional. No plano mais elevado está o poderio militar, que é unipolar; no nível intermediário, de relações econômicas, o mundo é multipolar; e no plano inferior, das relações transnacionais, que compreendem questões como alterações climáticas, drogas ilegais, gripe aviária e terrorismo, o poder é distribuído de maneira caótica.

us_force_in_irak1.jpegO poderio militar é uma pequena parte da solução para responder a essas novas ameaças do plano inferior das relações internacionais. Há necessidade de cooperação entre governos e de instituições internacionais. Mesmo no plano mais elevado (onde os Estados Unidos representam quase a metade dos gastos mundiais em defesa), o militarismo exerce supremacia no espaço aéreo, marítimo e espacial, mas é limitado em sua capacidade de controlar habitantes nacionalistas em áreas ocupadas.

Uma política realista progressiva também realçaria a importância do desenvolvimento de uma grande estratégia integrada que combinasse o pesado poderio militar com um poder atrativo a suave, do tipo que venceu a Guerra Fria. A América tem de usar o poder mais duro contra terroristas, mas não pode esperar vencer essa batalha, a menos que conquiste os corações e as mentes dos moderados. O abuso no uso do poder duro (como em Abu Ghraib ou Haditha) só produz novos terroristas recrutas.

Atualmente, os Estados Unidos não têm nenhuma estratégia integrada que combine hard power (poder duro) com o soft power (poder suave). Muitos instrumentos oficiais de “poder suave” — diplomacia pública, transmissões televisivas e produções cinematográficas, programas de intercâmbio, de assistência ao desenvolvimento, ajuda em situações de catástrofes, contatos militares — se espalham no governo, mas não há nenhuma política estratégica, muito menos um orçamento comum, que tente integrar e combiná-los com o poder duro, em uma estratégia de segurança nacional coerente.

palestina_demo_against_bush1.jpgOs Estados Unidos gastam, grosso modo, em torno de 500 vezes mais em militarismo do que em transmissão televisivas, produções cinematográficas e intercâmbios. Esta é a proporção correta? E como o governo deve relacionar-se com os geradores não-oficiais de “poder suave” — tudo, de Hollywood e Harvard à Fundação Bill & Melinda Gates — que emanam da sociedade civil?

Uma política realista progressiva deve promover a defesa da vida, a liberdade e a busca da felicidade, resguardada na tradição americana. Uma estratégia tão grande teria quatro pilares de sustentação: (1) segurança que provém dos Estados Unidos e de seus aliados; (2) manutenção de uma economia doméstica e internacional forte; (3) prevenção de desastres ambientais (como pandemias e desastres globais); e (4) encorajamento da democracia liberal e de direitos humanos, dentro e, onde for factível, fora de casa.

Isto não significa valores americanos impostos pela força. A promoção da democracia é mais bem realizada através da atração do que pela coerção, e demanda tempo e paciência. Os Estados Unidos seriam sábios ao estimular o desenvolvimento gradual da democracia, mas de uma maneira que aceite a realidade da diversidade cultural.

Uma estratégia tão grande se concentraria em quatro ameaças principais. Provavelmente, o maior perigo seria a associação do terrorismo com as armas nucleares. A prevenção disto necessita políticas de combate ao terrorismo e a promoção da não-proliferação – a melhor proteção contra armas nucleares -, estabilidade no Oriente Médio, bem como maior atenção a estados desamparados.

O segundo principal desafio seria a escalada de uma Ásia hegemônica e hostil enquanto, gradualmente, recupera sua parte nos 3/5 da economia mundial e que, gradativamente, vem se coadunando com os seus 3/5 da população do mundo. Isto necessita de uma política que integre a China, como depositária responsável do dinheiro das apostas globais, evitando qualquer possibilidade de hostilidade, ao manter relações estreitas com o Japão, a Índia e outros países na região.

A terceira maior ameaça seria uma depressão econômica provocada por uma crise financeira ou por algum problema que interrompesse o acesso global aos fluxos de petróleo do Golfo Pérsico, onde estão localizadas 2/3 das reservas mundiais. Para isto são necessárias políticas que, gradualmente, reduzam a dependência do petróleo, ao mesmo tempo em que a economia americana não pode se isolar dos mercados energéticos globais.

charge-rumsfeld.jpegA quarta grande ameaça é o esgotamento ecológico, como pandemias e alterações climáticas. Isto necessitaria de políticas de consumo de energia racionais bem como maior cooperação com instituições internacionais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Uma política de realismo progressivo deve zelar pelo aperfeiçoamento, no longo prazo, da ordem mundial e assumir suas responsabilidades no cenário internacional, com o objetivo de criar uma sociedade de valores globais.

No século 19, a Grã-Bretanha expandiu os seus interesses nacionais para promover a livre navegação, a economia internacional aberta e a estabilidade no equilíbrio de poder europeu. Tais bens comuns ajudaram a Grã-Bretanha e beneficiaram outros países também.

Os Estados Unidos, que agora ocupam o lugar da Grã-Bretanha, devem desempenhar um papel semelhante, promovendo as nações e uma economia internacional aberta (através dos mares, do espaço e da Internet), mediando disputas internacionais antes que se intensifiquem, e estimular o desenvolvimento de regras e instituições internacionais. Como a globalização estenderá capacidades técnicas, e a tecnologia de informação permitirá a mais larga participação em comunicações globais, a hegemonia americana diminuirá, o mais tardar, neste século.

O realismo progressivo requer que a América se prepare para o futuro, estabelecendo seus interesses nacionais através de um caminho que beneficie a todos.

* Joseph Nye is university distinguished service professor at Harvard and Sultan of Oman professor of international relations at the Kennedy School


O artigo acima foi publicado originalmente no dia 4 de maio de 2007. Atendendo pedido de leitores, o texto foi republicado.

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Michael Bloomberg: um ótimo exemplo

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O prefeito da cidade de Nova York, Michael Bloomberg (foto), trabalha a 1 dólar por ano, vive na sua própria casa e doou 144 milhões de dólares no ano passado a mais de 800 organizações da cidade. O antigo analista de Wall Street criou um serviço de notícias digno de bilhões de dólares. Isto o ajudou a apoiar esforços nas áreas de saúde pública, artes, instituições educativas e serviços sociais na cidade.

Fonte e crédito para a foto: Business Weekmichael_bloomberg


lucas_mendes.jpg Presidente Bloomberg?
por Lucas Mendes *
para a BBC Brasil

Como é bom ser governado por um líder que faz, não rouba nem deixa roubar, vai de metrô para o trabalho, não diz besteira nem o politicamente correto, não decide com base em pesquisa, não puxa o saco nem deixa puxar o dele, não é político e nem mesmo tem base partidária.

Michael Blooomberg agora nem tem partido. Esta semana deu uma banana para os republicanos. Ele é meu sexto prefeito em Nova York e continuaria votando nele o resto da vida. Infelizmente a lei não permite mais um mandato.

Com exceção de Koch, os prefeitos anteriores quase enterraram esta cidade. Giulliani leva a fama de salvar Nova York do crime na década de noventa e do desespero depois do 11 de setembro. Ele merece crédito pela liderança nos quatros meses finais do mandato, depois dos ataques às torres, mas quando deixou o cargo Nova York estava de novo à beira de outra crise financeira, endividada, desempregada e racialmente tensa.

Bloomberg se elegeu graças a seus bilhões, mas herdou um pepino sem um dia de experiência em administração pública e suas primeiras decisões, naquela época, foram controvertidas e impopulares. Proibiu cigarros em bares e restaurantes e aumentou o imposto predial em 18%. Seu índice de aprovação caiu de quase 70% para 20%, e o fim de sua jovem carreira política estava à vista.

Ele não só deu a volta por cima como já devolveu boa parte dos impostos, a cidade está com dinheiro de sobra nos cofres e com crédito AA na praça. Bem munido para brigar com a indústria de alimentos e contra a obesidade, Bloomberg baniu gordura trans dos restaurantes.

Tornou-se o inimigo público número 1 da indústria de armas por causa de seus processos contra vendedores que não cumprem as leis e pela criação de uma associação de mais de duzentos prefeitos para aprovar leis anti-armas impassáveis em Washington.

Seu projeto da Nova York verde é um dos mais radicais do mundo e, contrariando fórmulas financeiras conservadoras, criou o maior plano habitacional do país para a população de baixa renda. Seus 165 mil apartamentos dariam para abrigar a população inteira de Atlanta.

Agora em setembro vai começar sua versão do bolsa-família inspirado no modelo mexicano Oportunidades. Com dinheiro da iniciativa privada, inclusive do próprio bolso, 2.500 famílias vão receber US$ 5 mil por ano se cumprirem metas como filhos estudiosos, pais mais envolvidos nas decisões nas escolas, check-up médico, emprego em tempo integral. O progresso destas 2.500 famílias vai ser comparado com o de outras 2.500, em iguais condições de pobreza. Se o sucesso dos bolsistas for comprovadamente superior, o projeto se tornará público.

Presidente Bloomberg? Infelizmente jamais. Como ele mesmo diz, quem votaria num judeu baixinho, bilionário, com um divórcio nas costas e reputação de liberal? – Muita gente. Não para se eleger presidente, mas o suficiente para destruir as chances de Hillary Clinton ou de qualquer democrata em 2008, como Ralph Nader destruiu as de Al Gore em 2000 e Ross Perot as do Bush pai em 1992.

Meu querido prefeito, pelo amor de Deus….

* Lucas Mendes é jornalista e apresentador de televisão. Em 1993 criou o programa Manhattan Connection, para o GNT, da Globosat, onde continua até hoje como apresentador e editor executivo. Escreve colunas periódicas para a BBC.

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Cute Israeli Defense Forces

Clique na imagem para ampliar / Crédito: Maxim
Fotos de ex-soldadas de bikini provacam polêmica em Israel
Reportagem da BBC Brasil

Mesmo que não sejam convocadas, alistamento feminino é obrigatório

O que era para ser uma campanha para promover o turismo em Israel acabou se tornando uma grande polêmica no país nesta semana, após a publicação de fotos de ex-soldadas em poses de biquíni na revista masculina americana Maxim. Deputadas no Knesset (o Parlamento israelense) acusaram o governo de promover “uma campanha pornográfica” e incentivar o turismo sexual no país.

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Liberalismo, segundo Mario Vargas Llosa

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mariovargasllosa.JPGEm entrevista a Edney Silvestre, no Jornal da Globo, o escritor Mario Vargas Llosa (foto), uma das grandes vozes críticas na América Latina, falou sobre o liberalismo. “Alguns o chamam de conservador; outros, simplesmente, de reacionário”, instigou o repórter.

”Eu sou um liberal. A extrema esquerda converteu essa palavra em um palavrão, xingamento, mas ela se origina da palavra ‘liberdade’ – a palavra mais bonita do idioma, que trouxe as grandes conquistas: a tolerância, os direitos humanos, a divisão de poderes, o pluralismo político. Todas as grandes conquistas da civilização têm sua origem no progresso da liberdade. O importante do pensamento liberal é que não se trata de um pensamento dogmático, não é fanático e aceita a possibilidade de equivocar-se, de estar errado – e portanto está permanentemente se corrigindo e auto-criticando”, respondeu Vargas Llosa, com muita propriedade.

Por essas razões, destacamos a frase » o mundo visto por um prisma liberal «, no alto deste blog. Estamos plenamente de acordo com a definição apresentada por Vargas Llosa e acreditamos que um “mundo livre e democrático” permitirá que nos livremos mais rapidamente da pobreza, das desigualdades sociais e das guerras entre os povos.

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Retrato da América Latina

O texto a seguir é um ensaio de Alvaro Vargas Llosa, B.S.C. em História Internacional pela London School of Economics, Diretor do Centro para Prosperidade Global do “Indepent Institute”, publicado na revista “Veja” de 9/5/2007. O autor é filho do renomado escritor peruano Mario Vargas Llosa.

Com efeito, a razão para a publicação do artigo é o fechamento da rede privada de televisão RCTV da Venezuela – medida autoritária do presidente Hugo Cháves, um “perfeito idiota latino-americano”. Apesar da extensão do texto, o ensaio é de altíssima qualidade e permitirá ao leitor compreender o retrocesso que vive parte da América Latina, com seus governantes autoritários, representantes da esquerda populista. Boa leitura!


alvaro_vargas_llosa.jpgO retorno do idiota
por Alvaro Vargas Llosa*

Durante o século XX, os líderes populistas da América Latina levantaram bandeiras marxistas, praguejaram contra o imperialismo e prometeram tirar seus povos da pobreza. Sem exceção, todas essas políticas e ideologias fracassaram, o que levou ao recuo dos homens fortes. Agora, uma nova geração de revolucionários tenta ressuscitar os métodos ineficazes de seus antecessores.

Na reunião de Los Panchos: Chávez, Morales e o cubano Carlos Lage são expoentes da esquerda ainda presa à mentalidade da Guerra Fria. Outra esquerda, que governa no Chile e no Brasil, tenta evitar os erros do passado.

manual_do_perfeito_idiota.jpgDez anos atrás, o colombiano Plinio Apuleyo Mendoza, o cubano Carlos Alberto Montaner e eu escrevemos o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”, livro que criticava os líderes políticos e formadores de opinião que, apesar de todas as provas em contrário, se apegam a mitos políticos mal concebidos. A espécie “Idiota”, dizíamos então, era responsável pelo subdesenvolvimento da América Latina. Tais crenças – revolução, nacionalismo econômico, ódio aos Estados Unidos, fé no governo como agente da justiça social, paixão pelo regime do homem forte em lugar do regime da lei – tinham origem, em nossa opinião, no complexo de inferioridade. No fim dos anos 1990, parecia que os idiotas estavam finalmente em retirada. Mas o recuo durou pouco.

Hoje, a espécie retornou na forma de chefes de estado populistas empenhados em aplicar as mesmas políticas fracassadas no passado. Em todo o mundo, há formadores de opinião prontos a lhes dar credibilidade e simpatizantes ansiosos por conceder vida nova a idéias que pareciam extintas.

Por causa da inexorável passagem do tempo, os jovens idiotas latino-americanos preferem as baladas pop de Shakira aos mambos do cubano Pérez Prado e não cantam mais hinos da esquerda, como A Internacional e Hasta Siempre, Comandante. Mas eles ainda são os mesmos descendentes de migrantes rurais, de classe média e profundamente ressentidos com a vida fútil dos ricos que vêem nas revistas de fofocas, folheadas discretamente nas bancas. Universidades públicas fornecem a eles uma visão classista da sociedade, baseada na idéia de que a riqueza precisa ser tomada das mãos daqueles que a roubaram.

Para esses jovens idiotas, a situação atual da América Latina é resultado do colonialismo espanhol e português, seguido do imperialismo dos Estados Unidos. Essas crenças básicas fornecem uma válvula de segurança para suas queixas contra uma sociedade que oferece pouca mobilidade social. Freud poderia dizer que eles têm o ego fraco, incapaz de fazer a mediação entre seus instintos e a sua idéia de moralidade. Em lugar disso, suprimem o conceito de que a ação predatória e a vingança são erradas e racionalizam a própria agressividade com noções elementares do marxismo.

Os idiotas latino-americanos tradicionalmente se identificam com os caudilhos, figuras autoritárias quase sobrenaturais que têm dominado a política da região, vociferando contra a influência estrangeira e as instituições republicanas. Dois líderes, particularmente, inspiram o Idiota de hoje: os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia.

Chávez é visto como o perfeito sucessor do cubano Fidel Castro (a quem o Idiota também admira): ele chegou ao poder pelas urnas, o que o libera da necessidade de justificar a luta armada, e tem petróleo em abundância, o que significa que pode bancar suas promessas sociais. O Idiota também credita a Chávez a mais progressista de todas as políticas – ter colocado as Forças Armadas, paradigma do regime oligárquico, para trabalhar em programas sociais.

De sua parte, o boliviano Evo Morales tem um apelo indigenista. Para o Idiota, o antigo plantador de coca é a reencarnação de Tupac Katari, um rebelde aimará do século XVIII que, antes de ser executado pelas autoridades coloniais espanholas, profetizou: “Eu voltarei e serei milhões”. O Idiota acredita em Morales quando ele alega falar pelas massas indígenas, do sul do México aos Andes, que buscam reparação pela exploração sofrida em 300 anos de domínio colonial e outros 200 anos de oligarquia republicana.

Para ler a continuação deste excelente artigo, clique no link abaixo:

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Contrastes

Brasil: … e o Silas ‘rondou’ a baiana

silasrondeau.jpgE não poderia ser diferente. O escritor Mario Prata definiu a expressão como ‘enfezar-se’ ou ‘dar um escândalo público’. Assim aconteceu com o ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau.

Que falta de vergonha: queria continuar no cargo depois de ser apontado como beneficiário do esquema de fraude em licitações. Conforme noticiado no site Folha Online, o escândalo começou a respingar em Rondeau quando a PF prendeu, durante a Operação Navalha, Ivo Almeida Costa, que era assessor especial de seu gabinete.

Suíça: Uma história exemplar

L'HebdoO parágrafo que acabo de escrever acima, acicatou minha memória para um fato ocorrido na época em que ainda morava em Genebra. Comprei um exemplar da revista quinzenal de política e economia, L’Hebdo, uma espécie de Veja da Suíça francesa. Logo ao folhá-la estranhei a quantidade de páginas (aprox. 30 – quase metade da edição) dedicadas a um único deputado nacional. Ao começar a ler a matéria descobri tratar-se de uma espécie de “direito de resposta”.

Não mais me lembro do nome do parlamentar, mas recordo perfeitamente alguns detalhes do conteúdo da publicação, que muito chamaram a minha atenção. A revista esclarecia ter cometido um grave engano ao divulgar o envolvimento do deputado em um eventual caso de corrupção – até na Suíça acontecem dessas coisas(!). Logo que seu nome fora envolvido no caso, o parlamentar afastou-se da função, como é praxe.

O caso foi levado à Justiça e o deputado reassumiu o cargo após sua absolvição. Alguns poderiam desconfiar que a justiça de lá falhara, mas não foi esse o acontecido. A própria revista reconheceu o erro, desculpou-se publicamente, e o parlamentar teve o direito de expor a defesa, narrando sua história no dobro de páginas que continham as anteriores acusações.

boriscasoy_foto.JPGO que concluo dessa história, em comparação ao que acontece no Brasil, é que o afastamento do cargo é algo natural e óbvio, quando do envolvimento de um servidor público em escândalo de corrupção. Aqui é muito comum apelar para a famosa “suposição de inocência até que se prove o contrário”. Isso é uma vergonha(!), como diria o jornalista Boris Casoy (foto). Na política, essa prerrogativa só estimula o festival de caras-de-pau.

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Al Gore – Brazil

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Al Gore será candidato à presidência dos Estados Unidos em 2008? Por todos os lugares em que passa, essa é a pergunta mais repetida. A sua habitual resposta é de que não tem intenção de concorrer. Mas também não tem intenção de não concorrer. Um grande número de pessoas está convencido de que Gore pode ser persuadido a candidatar-se. Por isso, ingressamos, oficialmente, em uma campanha popular com o objetivo de estimulá-lo a lançar sua candidatura. O movimento chama-se: Al Gore – The 2008 Grassroots Draft Campaign.

Entre 1993 e 2001, Al Gore foi vice-presidente dos Estados Unidos, durante a administração de Bill Clinton, do Partido Democrata. Em 2000 concorreu à presidência e, apesar de ter tido mais votos populares, perdeu a eleição para George Bush, no Colégio Eleitoral.

Em 2006, Gore lançou An Inconvenient Truth, um filme sobre o aquecimento global, que ganhou o Oscar de melhor documentário em 2007. Conjuntamente com o presidente da Virgin, Richard Branson, lançou um concurso que pagará US$ 25 milhões para o cientista que apresentar o melhor projeto para diminuir as emissões de dióxido de carbono na atmosfera. Como ativista ecológico, Gore escreveu dois livros: “A Terra em Balanço: Ecologia e o Espírito Humano”, editado pela Augustus, em 2003 e “Uma Verdade Inconveniente”, pela editora Manole, em 2006.

Visite o site da campanha popular clicando aqui e ingresse na comunidade “Al Gore – Brazil”, que criamos para marcar a presença do Brasil nos assuntos de interesse global

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24 horas e a sucessão americana

24-jack-bauer.jpgO agente Jack Bauer, o presidente Palmer, dos Estados Unidos, e o pessoal da CTU são personagens que se tornaram famosos mundo afora. Se você não tem idéia do que estou falando, pergunte a um colega, pois, facilmente, ficará a par. O seriado “24 horas”, da FOX, é um dos melhores entretenimentos televisivos dos últimos anos, encontra-se em sua 6ª temporada e promete mais duas.

Giuliani defende a tortura em debate – No segundo debate entre os dez pré-candidatos republicanos, transmitido pela Fox News, a pergunta que está sendo chamada de “Questão 24″, em referência à serie de TV, criou uma grande polêmica.

Indagado se autorizaria o uso de tortura de um suspeito caso soubesse que isso pararia um ataque nuclear, o senador John McCain (Arizona), segundo lugar na pesquisa entre os pré-candidatos republicanos, disse um sonoro “não”. Instado a responder a mesma pergunta, o ex-prefeito de NY Rudolph Giuliani, o primeiro colocado, não titubeou: Ele daria autorização para que fosse usado “qualquer método que eu pudesse pensar” para extrair a informação. Não apóia a tortura, disse, mas reafirmou que autorizaria “qualquer método”.

E você, o que pensa a respeito?

A minha opinião é a seguinte: Defender a tortura seria intolerável. Mas responder à questão, como o fez Giuliani, de forma honesta, é muito admirável! Além disso, a situação extrema apresentada pelo interpelante foi no sentido de “impedir um hipotético ataque nuclear”. A dimensão da tragédia de um ataque, mormente, seria muito maior do que o apelo para uma prática abominável como a tortura – com a qual Giuliani também deixou claro não concordar.

Candidatos do Partido RepublicanoHoje, ao ler comentários e respostas deixadas no blog de Sérgio Dávila, que também divulgou a notícia, observei um extremado repúdio por parte dos leitores, não em relação à tortura ou a um ataque nuclear perpetrado por terroristas, mas aos Estados Unidos. Certamente, esse será o maior legado que deixará o presidente George W. Bush: um anti-americanismo de gigantesca proporção.

Lembremo-nos porém, que o segundo mandato de George Bush chegará ao fim no dia 20 de janeiro de 2009. Espero que o ex-vice presidente Al Gore, defensor do multilateralismo e da preservação do meio ambiente, dispute a indicação do Partido Democrata e vença a eleição. Talvez, a imagem americana melhore e sirva de bom exemplo para o resto do mundo, dada a sua inquestionável posição como potência.

Os Estados Unidos seriam mais simpáticos ao mundo se tivessem um presidente David Palmer, como em 24 horas.

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Sarkozy é 23º presidente da França

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Le Figaro: clique aqui para acessar

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