O menor teste político do mundo

Filosofia, Política 14 Comments »

surprised-girl.jpgComo você se classifica politicamente?
para descobrir, responda a essa adaptação do famoso

World’s Smallest Political Quiz
(O menor teste político do mundo)

Durante anos, a ideologia política foi representada por uma escolha entre a esquerda, a direita e o centro. Cada vez mais especialistas consideram essa visão demasiado estreita, pois exclui milhões de pessoas. O diagrama do teste apresenta uma representação muito mais exata do espectro político. Ele mede tendências que não são absolutas. O resultado, todavia, indica a ideologia com a qual você mais se identifica e o quanto você concorda e discorda de outras filosofias políticas. Poderá ter também uma grande surpresa!

INSTRUÇÕES:
Para cada questão, escolha entre C para Concordo, T para Talvez (ou não sei), e D se você Discorda.
C: 20 pontos / T: 10 pontos / C: zero

teste-ideologias.jpg

diagrama-de-nolan.jpg LOCALIZE-SE NO DIAGRAMA AO LADO
Some os pontos separadamente. Para as questões de ordem pessoal marque a sua posição na pista da esquerda. Para as questões de ordem econômica localize-se na pista da direita. Siga os quadradinhos até a intersecção e encontre a sua posição no diagrama. As distintas áreas mostrarão o grupo político no qual você melhor se enquadra.

O QUE SIGNIFICA O SEU RESULTADO NO DIAGRAMA?

Liberais
Apóiam uma grande gama de liberdades; entre elas, a liberdade de escolha nas matérias de ordem pessoal e nas relações econômicas. Acreditam que a única verdadeira obrigação do estado é a proteção contra a coerção e a violência. Valorizam as responsabilidades individuais e toleram a diversidade econômica e social.

Social-Democratas
Abraçam a liberdade de escolha nas questões pessoais, mas apóiam a centralização das decisões econômicas. Desejam que o governo dê ajuda aos necessitados em nome da justiça social. Toleram a diversidade social, mas lutam pelo que chamam de “igualdade econômica”.

Conservadores
São a favor da liberdade de escolha nas questões econômicas, mas defendem padrões oficiais nas matérias de ordem pessoal. Tendem a apoiar o livre mercado, mas freqüentemente desejam que o estado defenda a comunidade naquilo que vêem como ameaça à moralidade ou à estrutura da família tradicional.

Centristas
Favorecem a intervenção seletiva do estado e enfatizam o que comumente descrevem como “solução prática” para dirimir problemas correntes. Tendem a manter um pensamento aberto em questões políticas. Muitos centristas atribuem ao governo a responsabilidade de impor limites às liberdades excessivas
.

Nacional-Estatistas
Defendem uma maior responsabilidade estatal no controle da economia, dos indivíduos e da sociedade. Apóiam um planejamento centralizado, e freqüentemente questionam a liberdade de escolha nas questões individuais. Na parte inferior do diagrama, os autoritários de esquerda são usualmente chamados de socialistas, enquanto que os autoritários de direita são chamados de fascistas.

NOTA DO EDITOR
O teste acima faz jus ao seu nome - é realmente muito breve -, mas o consideramos muito objetivo e relativamente preciso. Registre, se possível, no espaço reservado aos comentários, a sua opinião. As terminologias utilizadas são adequadas ao Brasil. A “Terceira Via” localiza-se próxima à intersecção entre o liberalismo, a social-democracia e o centro. Nos Estados Unidos, os liberais são chamados de “libertários” (libertarians), enquanto os social-democratas também são conhecidos como “liberais de esquerda” (left-liberals).

CREDIT: The “World’s Smallest Political Quiz” is adapted from an original idea by David Nolan. Web: http://www.theadvocates.org/quiz.html

Editorial / Weekly News

Atualidades, Política, Weekly News 15 Comments »

Censura, desrespeito aos direitos humanos, corrupção, xenofobia, aparelhamento do estado. Isso, para não citar outras atrocidades. Este é o retrato da república democrática de Lula da Silva. A cegueira epidêmica que atingiu as pessoas da obra de ficção de José Saramago é a pura realidade brasileira. Enquanto denunciamos e manifestamos nossa perplexidade diante dos fatos, o País aplaude o perfeito idiota-latino americano e o Parlamento discute a possibilidade de aprovar um terceiro mandato para ele.

Abaixo do editoral, publicamos nossa tradicional coluna WEEKLY NEWS. Aproveitamos para agradecer por todos os recentes comentários e pelas visitas. De acordo com o Site Meter (confira-se no final de cada página), ultrapassamos a marca dos 10.000 visitantes, nesse curto período de existência de nosso blog.
linie.jpg

O Brasil do ‘democrata’ Lula da Silva
por Marcus Mayer
exclusivo para o blog

“Não acredito em democracia, mas em liberdade individual”.

Milton Friedman

Desde a restauração democrática, o Brasil não atravessa um momento tão tenebroso como o atual. O mais grave é que a grande maioria da população não tem a mínima noção do que realmente ocorre na República.

Em 1991, o Senado Federal cassou o mandato de Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente eleito pelo voto direto depois de encerrado o ciclo militar. No ano seguinte, a Câmara dos Deputados expulsou de suas hostes um bando de deputados corruptos, envolvidos no chamado escândalo dos “anões do orçamento”. Imaginou-se então que o Brasil estivesse mesmo “sendo passado a limpo” – na época, esse era um dos famosos bordões do jornalista Boris Casoy.

A realização de eleições diretas em todos os níveis, a concessão de anistia aos políticos cassados pelo regime militar, o pluripartidarismo e o fim da censura aos órgãos de comunicação foram conquistas importantes para a consolidação da democracia brasileira. Também na economia, durante a história recente, ocorreram avanços extraordinários. A reserva de mercado na área da informática foi enterrada, a abertura permitiu ao País a sua inserção no comércio mundial, alguns dinossauros estatais foram privatizados e a hiperinflação foi debelada.

Com a eleição do ex-líder sindical Luis Inácio Lula da Silva à Presidência, pelo Partido dos Trabalhadores, em 2002, festejou-se a alternância no poder. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso soube conduzir espetacularmente a transição de governo, sem mágoas ou rancores pela derrota do então candidato oficial, José Serra. A torcida de todos, vitoriosos e derrotados, era por um Brasil menos desigual. Os discursos do novo presidente, que tinha como principal meta de seu governo erradicar a fome e a pobreza, entusiasmaram o País.

Os partidos derrotados na eleição de 2002, e que conseqüentemente se tornaram oposição, ofereceram crédito ao novo governante e apoiaram as reformas que começavam a ser apresentadas. O apoio foi grande, pois até na área econômica observava-se a manutenção dos principais preceitos do governo anterior, que tinha conseguido controlar a inflação e o déficit público.

O ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, enfrentou dificuldade maior em seu próprio partido, que entre os de oposição, para aplicar o que parecia ser uma responsável gestão da economia. Alguns radicais, da extrema-esquerda do partido do governo, se viram obrigados a fundar uma nova agremiação, o PSOL. Um grupo menos ortodoxo, apesar da vermelhidão de sua ideologia, entretanto, permaneceu, pois o exercício do poder e a escalada social que este lhes proporcionou estava acima de qualquer filosofia.

De uma hora para a outra o governo mostrou sua verdadeira cara. O crédito oferecido pela oposição ao governo foi vertiginosamente extrapolado. A gigantesca incompetência dos incontáveis ministérios, a vasta dimensão da corrupção – jamais observada no país -, o escandaloso aparelhamento do estado, o total desrespeito às instituições democráticas, o explícito fisiologismo dos partidos da base de apoio ao governo e, sobretudo, a mais absurda política externa praticada na história do Itamaraty, apresentaram-se como verdadeiras catástrofes nacionais. Enquanto o mundo aproveitava um ciclo de enorme crescimento econômico e diminuição das diferenças sociais, o País fazia sua opção pelo “avanço do retrocesso”.

A recondução de Lula da Silva ao cargo, na eleição de 2006, se deu exclusivamente como resultado da política assistencialista. Os miseráveis tristes desaventurados que não tem acesso à informação nem discernimento suficiente para entender o que significam as iniciativas populistas -, foram escancaradamente enganados. Em troca de favores governamentais, órgãos de imprensa, empresários incompetentes e uma multidão de ‘cegos políticos’ ofereceram apoio à reeleição do maior energúmeno que o País já teve na Presidência.

Com efeito, o Brasil perde mais uma década de sua história. Vislumbra o atraso em todos os setores imagináveis e inimagináveis. A receita de Lula da Silva é a repetição do nacional-populismo, tão repudiado nas democracias modernas - sobretudo, na Europa pós-guerra -, mas altamente eficiente em países de maioria mal-alfabetizada - como o próprio presidente - e irresponsável. Note-se que não somente os menos letrados apóiam este governo.

O perfeito idiota latino-americano está fazendo a sua festa: inspira-se em práticas autoritárias, xenófobas e estatistas. Por meio do populismo assistencialista e do fisiologismo, oferecendo cargos e vantagens aos seus seguidores, Lula da Silva garante apoio popular e parlamentar. O empresariado incompetente – que tem na concorrência estrangeira seu grande inimigo -, os bancos, os sindicatos, as organizações não-governamentais corruptas, todos esses aplaudem o poderoso chefão. E boa parte da grande imprensa, corrompida pela troca de favores, cala-se, no intuito de defender os seus próprios interesses.

Que tal perguntar ao sábio povo brasileiro, por meio de um plebiscito “a la idiota latino-americano”, se não deseja um terceiro mandato para o presidente? O “sim” venceria com larga folga. Assim, talvez um dia poderíamos nos tornar uma Venezuela ou, quem sabe, uma Bolívia. Viva o país das maravílhas do grande democrata Lula da Silva!
linie.jpg

weekly_news_neu.jpg

WEEKLY NEWS
JÔ INVESTIGADO POR PRECONCEITO
jo-soares-credito-eduardo-knapp-folha-imagem.jpg É absurda a investigação do Ministério Público Federal ao programa de Jô Soares. Segundo a procuradoria, houve denúncias sobre uma entrevista que abordava a questão de mulheres submetidas à cirurgia no clitóris na África e que comentários do apresentador podem ter manifestado preconceito em relação a hábitos e costumes culturais daquele continente. Será que o Ministério Público não encontra ocupação mais útil que a defesa de práticas bárbaras? Não seria melhor atentar para a barbaridade que ocorreu no estado do Pará, e afastar a inconseqüente governadora de seu posto?

FORA ANA JÚLIA
Em primeira-mão, nossa colega blogger Letícia Coelho (clique sobre o nome para acessar o blog) noticiou o escândalo do encarceramento da menina de 15 anos, com 20 homens (ou 30?), em uma prisão no Pará. A governadora Ana Júlia Carepa, do PT, deveria ser responsabilizada criminalmente e renunciar imediatamente. Sua cara-de-pau causa perplexidade ao admitir ser comum prender mulheres em celas masculinas, em seu estado. A governadora não se utilizou nem do tradicional “eu não sabia de nada”, tão comum entre os seus correligionários, para justificar o seu descaso diante da barbaridade. A marginalidade no PT já está tão banalizada que esqueceram de pedir a sua renúncia (!!!).

fhcportugues.jpgNOSTALGIA
O ex-presidente Cardoso pode não ter deixado saudades – sobretudo, de seu segundo mandato, quando freou as reformas liberalizantes na economia. Entretanto, no que concerne ao desprezo de Lula da Silva em relação à importância da educação formal, as suas declarações recentes foram espetaculares. Disse querer “brasileiros educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria”. Grande, Fernando Henrique!

ELE DE NOVO - 1
Sob o título “DNA do expurgo no IPEA”, Ancelmo Góis, do jornal O Globo, denunciou em seu blog as origens do escândalo no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada: “Se alguém tinha ainda a mais pálida ilusão sobre o que está acontecendo no IPEA, é só ler o comentário do ex-ministro e consultor de empresas José Dirceu, hoje, em seu blog. Dirceu deixou as dez digitais impressas no local do crime.”

ELE DE NOVO – 2
dirceu.jpegDo blog de José Dirceu: “Os vazamentos de informações, as pesquisas de encomenda, combinadas com a mídia, e a oposição aberta às decisões de política econômica e social do governo são consideradas pela mídia como autonomia de pensamento e a troca dos pesquisadores como arbitrariedade, agora tudo respaldado por importantes entidades representativas dos economistas do Brasil. Lamento que essas entidades nunca tenham criticado o pensamento único que dominou o IPEA e outras instituições, para não falar da PUC do Rio, templo do neoliberalismo e do consenso de Washington e das privatizações, e agora adotam essa postura”. (Reproduzido no blog de Ancelmo Góis e, agora, aqui, para que os nossos leitores conheçam ainda mais os inimigos da República)

CARA DO GOVERNO
“José Múcio, o novo ministro das Relações Institucionais, é o exemplo do político brasileiro oportunista e comprometido apenas com os seus interesses de ocasião. Já presidiu o antigo PFL, de onde pulou para o PSDB e, daí, para o PTB, onde está agora. O novo ministro é a cara deste governo e merecia ter sido descoberto por Lula há mais tempo”. Por Ronaldo Gomes Ferraz, do Rio de Janeiro, para o Painel do Leitor da Folha de S.Paulo.

CONTÁGIO
O apreço que se poderia ter pelo ministro da Educação, Paulo Haddad, foi totalmente esvaído. Sugerimos que ele torne a estudar, principalmente as estatísticas que traçam o perfil das escolas públicas dos países europeus – cujo modelo deveria servir ao Brasil. Ao comentar o resultado do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), afirmou que “as escolas públicas serão sempre piores”. Essa não é a realidade, nem mesmo do Brasil de algumas décadas atrás, quando as escolas públicas eram centros de excelência. Paulo Haddad é mais um a ser contagiado pela incompetência.

PENA DE MORTE
fila-hospital.jpgÉ tentadora a proposta do senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), de obrigar políticos eleitos a matricular seus filhos em escolas públicas. Apesar do respeito que nutrimos pelo digníssimo senador, o projeto não pode ser levado a sério, pois fere radicalmente o princípio das liberdades individuais. Mas bem que seria excitante conviver sob uma lei que obrigasse mães e filhos dos políticos a se tratarem somente em hospitais públicos de suas respectivas regiões.

ANIMAL PERIGOSÍSSIMO
O perfeito idiota latino-americano Hugo Chávez, agradeceu ao seu querido colega Lula da Silva, pela aprovação, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), do ingresso da Venezuela no Mercosul. Especial agradecimento também foi dirigido a uma das mais repugnantes figuras do governo, o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães. O presidente da República, um semi-analfabeto, já fez os seus estragos no País, mas um intelectual do tipo de Guimarães, defensor do pensamento da extrema-esquerda mais radical e ultrapassada, é ainda mais pernicioso para a democracia brasileira
.

alvaro-uribe.jpgINTERNACIONAL
DEMISSÃO POR JUSTA CAUSA
Extremamente sóbria foi a decisão do presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, de dispensar definitivamente o idiota Chávez das negociações com as FARC (Forças Revolucionárias da Colômbia). Com isso, o governo Uribe retoma a linha-dura, que se mostrou bastante eficiente, contra a guerrilha. Bogotá, antes uma das cidades mais perigosas do mundo, hoje é um reduto de paz, e serve de exemplo às cidades brasileiras dominadas pelo tráfico de drogas.

¿POR QUE NO TE CALLAS?
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, também tem grandes reservas contra o idiota Hugo Chávez. Desagrada à chilena o fato de o aspirante a ditador haver reclamado do tema da 17ª Cúpula Ibero-Americana – coesão social – e de ter expressado seu apoio ao outro idiota latino-americano Evo Morales, na contenda entre o Chile e a Bolívia, por uma saída do último para o mar, por território chileno.

charge-sponholz.jpg

DO WIDSENJA*, JAROSLAW
A ordem democrática, lentamente, torna a ser estabelecida na Polônia. Desde o fim do comunismo, o país não tinha um governo tão esdrúxulo como o dos irmãos Lech e Jaroslaw Kaczynski, respectivamente, atual presidente e ex-primeiro ministro. Com a queda de Jaroslaw, o liberal Donald Tusk assumiu o cargo de premiê. Pretende retomar as privatizações, cortar impostos e conduzir a Polônia à “adoção rápida” do euro. Além disso, já anunciou que as tropas polonesas deixarão o Iraque em 2008.
* do vidsênia - pronuncía-se assim - significa adeus em polonês

IMPERDÍVEL - 1
O jornal O Estado de S.Paulo publicou um excelente editorial no último domingo, denunciando as atrocidades do governo, sob o título “Entre aloprados e pajés”, revelando detalhes importantes referentes ao aparelhamento do IPEA. Sugerimos a leitura do texto, que publicamos abaixo deste post.

especial-amazonia.jpgMEIO AMBIENTE
IMPERDÍVEL - 2
Na mesma edição, o Estadão presenteou os seus leitores com uma revista que traz a reportagem especial, Amazônia. O texto está disponível, no portal Estadão.com, sob o link Especiais (clique para acessar). Atente-se para o trecho: “Cana na Amazônia? Sim, e em grande quantidade. A região já produz 20 milhões de toneladas de cana por ano. A indústria sucroalcooleira, que assumiu a tarefa mundial de curar o planeta do ‘vício do petróleo’ avança rumo norte, ameaçando estimular o desmatamento até mesmo no Amazonas.” Recorde-se que o projeto é defendido pelos presidentes Lula da Silva, do Brasil, e George Bush, dos Estados Unidos. Alguém ainda desconfia da perniciosidade da empreitada?

SOCIEDADE
flavia_alessandra.jpgSAUDOSA CENSURA
Todos os dias a figura nefasta do idiota Lula da Silva e de seu bando invade as salas de televisão das famílias brasileiras que acompanham os noticiários. Todavia, a pudica Justiça dos patrulheiros e saudosos da censura parece ter mais medo de mulher bonita. Agora essa Justiça do governo petista quer mudar a classificação da novela “Duas Caras”, da tevê Globo, por causa de um show do personagem de Flávia Alessandra, na trama. Eu não acompanho a novela, mas se soubesse teria até assistido à cena. Quem não gosta, que mude de canal, oras!

FRASE

O Brasil precisa ser liderado por quem fala bom português.”

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República

O IPEA foi aloprado

Brasil, Política 7 Comments »

Anunciamos a nova tragédia protagonizada pelo governo do idiota latino-americano Lula da Silva: o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), uma das mais respeitadas instituições estatais, foi violentado!

Abaixo, reproduzimos artigo da cientista-política Lúcia Hipólito, que apresenta um excelente resumo do histórico da instituição e a denúncia de aparelhamento do órgão. Cita a intervenção por parte de assessores do PRB, partido do senador Bispo Crivella, da Igreja Universal, e de Mangabeira Unger, o ministro extraordinário das “Alopra” (Ações de Longo Prazo).

Se alguém ainda tinha dúvidas a respeito da intenção do presidente da República de afrontar a democracia, essa medida autoritária e retrógrada é mais uma prova concreta. O total aparelhamento do estado é um ‘avanço do retrocesso’.

A próxima medida que se aguarda desse governo nacional-populista é a mudança de nome do país - a exemplo do que fez o idiota-mor, Hugo Chávez, na Venezuela -, de República Federativa- para República Socialista do Brasil.

linie_445×10.jpg

lucia_hipolito.jpgExpurgo e aparelhamento no Ipea
por Lúcia Hipólito *
para CBN e Blog | Sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) foi criado em 1964, já durante a ditadura. Seu idealizador foi o então ministro do Planejamento, Roberto Campos, e seu fundador e primeiro presidente foi o ex-ministro Reis Velloso.

A proposta era criar um instituto que pensasse o Brasil a médio e longo prazo, com estudos aplicados à realidade brasileira – saber teórico era com a universidade. Ao longo de seus 43 anos, o Ipea transformou-se na consciência crítica dos governos brasileiros – de todos os governos.

Sua produção acadêmica vai desde estudos sobre industrialização, estudos pioneiros sobre agricultura no cerrado brasileiro – a expansão da fronteira agrícola brasileira é resultado desses estudos –, estudos sobre distribuição de renda, pobreza, gastos públicos, previdência.

Em seus primeiros anos, o Ipea contou com o trabalho de um dos mais importantes economistas vivos, o prof. Albert Fishlow, que se dedicou aos estudos do II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento).

Mais recentemente, o governo Lula deve a um pesquisador do Ipea, Ricardo Paes de Barros, o maior especialista brasileiro em pobreza e distribuição de renda, a proposta de unificação dos programas sociais do governo, que resultaram no Bolsa-Família – maior sucesso da administração petista.

Fábio Giambiagi, outro importante pesquisador, é responsável pelos estudos mais recentes sobre a Previdência no Brasil e sobre as contas públicas brasileiras.

Além de realizar estudos para o governo, o Ipea formou quadros dos mais importantes para a administração pública brasileira. Por lá passaram Pedro Malan (pesquisador desde 1965), Dorotéia Werneck, Pedro Parente, Régis Bonelli, entre outros.

Durante esses 43 anos, a independência intelectual e institucional do Ipea incomodou muitos governos – praticamente todos. Mas nesses 43 anos jamais houve um único caso de censura ou qualquer tipo de interferência do governo no Ipea. Nem mesmo a ditadura interveio nos trabalhos do Instituto.

Entretanto, desde o início do primeiro mandato do presidente Lula, era voz corrente no governo a tentativa de “enquadrar” o Ipea, manifestada principalmente pelo então todo-poderoso chefe da Casa Civil, ex-ministro José Dirceu (réu no STF por formação de quadrilha e corrupção ativa). Mas o Instituto resistiu.

A nomeação de Mangabeira Unger (intelectual respeitado em Harvard) como ministro das Ações de Longo Prazo (Sealopra) atendeu à intenção do governo de “domesticar” o Ipea.

Imediatamente após a nomeação, os técnicos do Instituto receberam a visita de dois emissários do PRB, partido de Mangabeira e dos bispos da Igreja Universal, interessados em saber quantos cargos em comissão havia e qual era o montante de recursos destinados pelo governo ao Ipea.

Não é preciso dizer que os técnicos ficaram de cabelo em pé – jamais tinham passado por semelhante situação. Agora, os piores temores estão se confirmando.

Desde que a nova direção assumiu, trabalhos foram recusados, substituições foram feitas nas diretorias, e acabam de ser afastados quatro dos mais importantes pesquisadores, todos críticos do excesso de gastos do governo federal: Fábio Giambiagi, Otávio Tourinho, Gervásio Rezende e Regis Bonnelli (este, um dos pioneiros do Instituto, junto com Pedro Malan).

A Diretoria de Estudos Macroecônomicos, a mais importante do Ipea, cujo atual titular é assessor econômico do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), bispo da Igreja Universal, solicitou que os pesquisadores desocupem suas salas.

Censura e aparelhamento ideológico

Será desastroso se o governo Lula destruir um dos mais importantes e independentes centros de estudos econômicos do país.

Um governo que se diz de esquerda terá feito um papel que nem a ditadura de direita ousou fazer.

* Lúcia Hipólito é co-organizadora, com Maria Celina D’Araujo e Ignez Cordeiro de Farias, do livro “Ipea – 40 anos apontando caminhos”, publicado pela Editora FGV.

Editorial / Weekly News

Atualidades, Política, Weekly News 4 Comments »

Caros amigos leitores e visitantes:

Diante da grande euforia em torno do governo Lula da Silva e da inescrupulosa iniciativa de cogitar um terceiro mandato, sentimo-nos na obrigação de repudiar essa intenção e apresentar um texto que alerte os republicanos e democratas do Brasil da verdadeira situação em que vive o País.

Abaixo do editoral, publicamos nossa tradicional coluna WEEKLY NEWS. Aproveitamos para desejar uma ótima semana a todos!
linie.jpg

mmayer.JPGMais uma década perdida
por Marcus Mayer
exclusivo para o Blog

Lula da Silva certamente seria eleito para um terceiro mandato de presidente da República, se a eleição fosse hoje. Para que isso ocorra em futuro próximo, basta a aprovação de uma Emenda constitucional. O governo poderia até se dar ao luxo de referendá-la por meio de um plebiscito, dando “legitimidade popular” à iniciativa. Se o desejasse, Lula da Silva poderia até seguir o exemplo do grande amigo Hugo Chávez, o mais célebre idiota latino-americano da atualidade, e aprovar releeições sem limites. Mas isso já seria um pouco exagerado, no momento atual.

O que mais se ouve pelos quatro cantos do Brasil – até por parte de muitos que detém um razoável nível de instrução – é a defesa do governo de Lula da Silva. Está longe de ser tão pernicioso, como apontam seus opositores mais ferrenhos (como nós). A justificativa: a economia cresce de forma consistente, o País está próximo de obter o investment grade e até a desigualdade social diminui. Quem não está satisfeito (como nós) pertence a uma minoria, representante da classe média, que não se conforma em “repartir o bolo” com os mais necessitados.

Entretanto, a verdade é muito distinta. Fazendo jus à letra do Hino Nacional, sob o governo de Lula da Silva, o Brasil torna a “deitar-se em berço esplêndido”. Sobretudo agora, quando se sabe que descança sobre uma vasta reserva de petróleo. O idiota latino-americano Hugo Chávez está morrendo de inveja. E os defensores da condição estatal da Petrossauro, então, estão em festa.

Desde a segunda Grande Guerra, a economia global vive uma temporada sem precedentes, iniciada em 1995. Os ex-presidentes Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso criaram as condições necessárias para permitir ao Brasil tirar o melhor proveito possível desse ciclo de prosperidade mundial: o primeiro inseriu o País na onda da globalização, por meio da abertura da economia; o segundo estancou a hiperinflação, via Plano Real.

Durante a década dos 1990, os governos Collor e Cardoso conseguiram diminuir o tamanho do estado, privatizaram monstros estatais e preparam o Brasil para o grande salto de desenvolvimento que adviria a partir dos primeiros anos desse Terceiro Milênio.

O Brasil atual, entretanto, repete a “década perdida” dos 1980 - período marcado pela estagflação e pela mais imbecil política de reserva de mercado na Informática, inventada pelo governo militar. A realidade do momento é muito parecida a dessa fase: nos últimos anos, a economia brasileira poderia ter tido mais que o dobro do crescimento, o investment grade deveria ter sido obtido no início da década e – o mais importante – a desigualdade social já poderia ter diminuído muito mais.

A eleição de Lula da Silva implicou uma brusca freada no desenvolvimento econômico do Brasil e nas reformas liberais que impulsionariam a economia. Não somente se pisou no freio do desenvolvimento, mas, em diversas áreas, engatou-se a marcha a ré: houve enorme retrocesso no programa de privatizações, no enxugamento da máquina pública e no respeito à lei de responsabilidade fiscal. Nada foi feito para reduzir a elevadíssima carga tributária, que poderia alavancar tremendamente a produção - nossa arrecadação tem padrão europeu e a prestação de serviços públicos é de nível sub-saariano.

Por mais que se atribua ao presidente da República um baixo nível de intelectualidade, decorrente da falta de educação formal, ele não é nenhum burro. Muito pelo contrário, apesar da consolidação da democracia e da liberdade de imprensa, Lula da Silva soube, de forma competente, instalar um governo nacional-populista, nos mesmos moldes que já o fizeram os mais macabros caudilhos do Continente. O presidente sabe como ninguém abusar da ignorância do povo que o apóia, em troca dos programas assistencialistas de seu governo.

O mesma competência pode ser observada no âmbito do apoio parlamentar. Lula da Silva, há muito, sabia que o Congresso brasileiro era constituído por uma larga maioria de “picaretas” e, assim, soube tirar o melhor proveito possível dessa condição para construir a sua base de apoio. Durante o seu primeiro mandato, o bando criminoso que o assessorou inventou o famoso ‘mensalão’. Atualmente, o governo alicia deputados e senadores por meio da troca de cargos e da liberação de verbas para projetos paroquiais desses parlamentares.

Outro setor no qual Lula da Silva se utilizou de toda a sua competência foi no acúmulo de fortuna familiar. Para tal, incumbiu seu filho Fábio “Lulinha” da Silva. Este criou uma empresa que recebeu milhões de reais da empresa de telefonia Telemar e associou-se à rede Bandeirantes de televisão. Assim, durante as gerações futuras, a família Lula da Silva estará garantida.

Como em todos os regimes autoritários e populistas, os donos do poder conquistam a ascensão social. Enquanto isso, a grande massa conforma-se com a festa alheia. E para não perder o costume, embriaga-se com o discurso populista e, sem se dar conta, entrega, pacificamente, mais uma década inteira de presente aos farristas.
linie.jpg

weekly_news_neu.jpg

WEEKLY NEWS
CONTROLE DA INFORMAÇÃO
A tevê pública idealizada pelo governo de Lula da Silva por si só é um absurdo. Pior é o detalhe para o qual pouco se deu atenção: o governo espera que o Conselho Curador da rede de televisão seja integrado por 20 pessoas, todas nomeadas pelo presidente da República. Goebbels, o chefe da propaganda nazista de Adolf Hitler, perfeitamente subscreveria a tese. Isso é típico da inclinação autoritária e populista da administração federal. O Congresso Nacional tem agora a responsabilidade de rejeitar a medida e enquadrar a indicação dos diretores nos mesmos moldes das agências reguladoras
.

TRIPÓLIO
A OceanAir terá a grande chance de romper o duopólio TAM-Gol ao assumir as operações de fretamento da BRA. Além do excelente trânsito junto ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, o presidente da OceanAir, German Eframovich, investirá US$ 2 bilhões na empresa, com a compra de 30 aviões da Airbus, A320, com entrega já prevista entre 2008 e 2012. Enquanto isso ...

oceanair_f100_curitiba.jpg

ABERTURA É SOLUÇÃO
A melhor alternativa para solucionar o problema da elevada demanda por passagens aéreas no mercado nacional é a abertura do setor para empresas mundiais. O fim da reserva de mercado permitiria a redução do preço das tarifas e uma melhora extraordinária na prestação dos serviços das companhias aéreas nacionais, atualmente, atuando sob um privilegiadíssimo regime de duopólio.

EXEMPLO COLOMBIANO
Há muito o Rio de Janeiro não tinha um secretário de Segurança tão ativo quanto o gaúcho José Mariano Beltrame. O governador Sérgio Cabral (PMDB) - depois de conhecer os métodos utilizados pelo presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, que conseguiu transformar Bogotá numa cidade segura -, aguarda agora apoio do ministro da Defesa para utilizar, de forma permanente, as Forças Armadas na manutenção da segurança da Cidade Maravilhosa. Lula da Silva e o PT são contra, pois têm receio de que a iniciativa possa dar certo e resolver o problema da segurança pública no Rio. Daria muito prestígio para o governador e para o ministro, os dois do PMDB.

INTERNACIONAL
democratdonkey.jpgLIBERALISMO TAMBÉM NA ECONOMIA
O Partido Democrata dos Estados Unidos caminha cada vez mais para a Terceira Via e o liberalismo, reconhecendo a abertura econômica como pilar do desenvolvimento, em detrimento da tradicional defesa da reserva de mercado e dos subsídios ao mercado interno. O Parlamento americano, constituído por maioria Democrata, aprovou o Tratado de Livre Comércio (TLC) com o Peru.

peru_map.gifESTRELA LATINO-AMERICANA
Para o Banco Mundial, o Peru será a estrela econômica da América Latina nos próximos 20 anos. Além de seguir o exemplo de outros países latino-americanos que assinaram Tratados de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos, as demais razões para o otimismo são as seguintes: 1.) há seis anos a economia cresce 6% ao ano; 2.) o índice de pobreza caiu de 54% em 2001 para 44% em 2007; 3.) a inflação está em 2,8%, uma das mais baixas da região; 4.) as exportações crescem, em média, 24% ao ano desde 2001, com destaque para os setores não tradicionais, como produtos agrícolas e têxteis; 5.) os investimentos estrangeiros diretos saltaram de US$ 810 milhões em 2000 para US$ 3,5 bilhões em 2006.

INSTABILIDADE NO PAQUISTÃO
O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, impediu protesto contra o estado de emergência decretado dia 3 e pôs a ex-primeira ministra Benazir Bhutto em prisão domiciliar. Os Estados Unidos pressionaram e ela foi libertada. Musharraf disse, no domingo, esperar que as eleições parlamentares se realizem antes de 9 de janeiro.

¿POR QUÉ NO TE CALLAS?
don_juan_carlos-y-chavez.jpgO idiota latino-americano Hugo Chávez, conseguiu tirar o Rei Don Juan Carlos do sério. Enquanto José Luis Rodríguez Zapatero, presidente do governo da Espanha fazia sua intervenção na Seção Plenária da XVII Cúpula Ibero-americana, o presidente venezuelano tratava de interrompê-lo, insistindo em desqualificar o ex-presidente José María Aznar, a quem voltou a chamar de “fascista”. Ao ver que Chávez não se calava, o Rei, visivelmente enojado, apontando-lhe a mão, instou Chávez com a frase espetacular: “¿Por qué no te callas?”. Em seguida, levantou-se e abandou a reunião.

SOBRIEDADE DE LLOSA
Nos próximos dias reproduziremos em nosso blog o artigo “Terroristas se dão mal no Iraque”, de Mario Vargas Llosa, publicado na edição de domingo de O Estado de S.Paulo. O texto é extremamente sóbrio e foge da tradição tendenciosa de apoio explícito ou crítica ao governo Bush. Não percam!

FRASE DO ANO

¿Por qué no te callas?

Don Juan Carlos, rei da Espanha

Partidos políticos e ideologias - última parte

História, Política, Sociologia 12 Comments »

mapa_america-latina.PNGEncerrando a série de ensaios que resume a história dos partidos políticos e suas respectivas ideologias - nas diversas partes do mundo e em distintas épocas -, apresentamos o texto Entre o passado e o futuro. A narrativa apresenta o contexto político da América Latina nos dias atuais, destacando a atuação de alguns líderes regionais e o espectro partidário do subcontinente.

Para melhor compreensão do assunto, recomendamos primeiramente a leitura das partes anteriores da seqüência: 1.) Nuances da política e 2.) Os herdeiros da Convenção - publicados respectivamente nos dias e 10 e 14 de setembro. “Entre o passado e o futuro” oferece duas opções: de um lado, o nacional-estatismo e, de outro, o liberalismo, sob diversas nuances. Incita-se o leitor a classificar, a seu critério, as opções que se apresentam entre o passado e o futuro do pensamento político.

cccp-girl.jpgEsperamos, através dos ensaios, ter colaborado para responder às questões anteriormente apresentadas a respeito do quê significam (ou significaram) as expressões “direita” e “esquerda”, no espectro político-partidário. Ao leitor, munido de dados históricos e do relato de resultados originados na aplicação prática das diferentes teorias ideológicas, oferece-se a possibilidade de responder à pergunta primacial que originou este estudo: seria a esquerda jurássica ou progressista? E a moça da foto acima - estaria ela dentro ou fora da moda?
linie.jpg

mmayer.JPGEntre o passado e o futuro
por Marcus Mayer
Exclusivo para o blog

Desde que ficaram independentes de suas metrópoles ibéricas – Espanha e Portugal –, os países da América Latina ensaiam alcançar a prosperidade econômica e, conseqüentemente, a riqueza de seus povos. Entretanto, o baixo alfabetismo, as elevadas taxas de natalidade, a industrialização tardia e, sobretudo, a política que privilegiou a ascensão de caudilhos e de ditaduras - populistas e militares - barraram o desenvolvimento regional.

PROSPERIDADE

Esse panorama lastimável registra, contudo, duas exceções históricas, na Argentina e no Uruguai. No início do século 20 a Argentina¹ era um dos países mais ricos do mundo. Nessa mesma época, o Uruguai² era apelidado de Suíça da América, graças aos elevados índices de desenvolvimento de sua pequena, mas próspera economia.

nestor-kirchner.jpgAtualmente, a Argentina é governada por Néstor Kirchner, um peronista, que tornou a estatizar empresas e a congelar preços para controlar a inflação, após experiências liberalizantes praticadas durante governos anteriores. Como Perón, que depois de sua morte foi sucedido por sua segunda esposa María Estella (a Isabelita), Kirchner deseja tornar sua mulher, Cristina Fernández de Kirchner, por meio do Partido Justicialista (PJ), a sua sucessora.

Despontam como os mais fortes líderes da oposição ao peronismo, e com perfil liberal, o atual prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, do partido Compromíso por el Cambio (CPC) e o ex-ministro da Economia Ricardo López Murphy, do partido Recrear para el Crecimiento. Os chefes das duas legendas liberais, firmaram uma aliança política e criaram a Propuesta Republicana (PRO Recrear).

A cena política do Uruguai, entre 1830 e 2004, foi dividida entre o Partido Colorado (composto por social-democratas a liberais) e o Partido Nacional (ou Blanco, de ideologia conservadora e nacionalista). Pela primeira vez, desde 2005, o país é governado por um socialista. Tabaré Vazquez, o atual presidente uruguaio, foi eleito por uma coalizão de esquerda, a Frente Amplio. As mais impactantes medidas de sua administração foram, até o momento, a valorização do estado e uma reforma tributária que introduziu um progressivo aumento de impostos, implantando o IRPF (Impuesto a la Renta de las Personas Físicas), no sentido de permitir uma maior atuação estatal.

EMERGENTES

idiotas-latino-americanos.jpgO contexto político latino-americano atual aponta para algumas turbulências, mas a globalização da economia mundial favorece a região. Brasil e México são atores que ganharam importância nesse cenário e classificam-se como “economias emergentes”. O produto bruto dos dois países gira em torno de um trilhão de dólares e a relevância internacional dessas duas economias latino-americanas aumenta proporcionalmente as suas participações no comércio mundial.

No Brasil, a expectativa diante da primeira eleição de Luis Inácio Lula da Silva, à presidência da República, em 2002, por uma coligação de partidos políticos que em suas trajetórias defenderam idéias socialistas e marxistas, gerou uma grave crise de confiança nos mercados. A manutenção da política econômica do governo anterior, contudo, acalmou os investidores e a comunidade internacional, incluindo governos e organismos de crédito.

felipe_calderon.jpgA última eleição presidencial no México colocou frente a frente duas correntes políticas bastante antagônicas: de um lado, o candidato governista, Felipe Calderón, do PAN (Partido Acción Nacional), de perfil conservador em questões sociais e liberal na área econômica; e de outro, Manuel López Obrador, do PRD (Partido de la Revolución Democrática), com ideologia política de esquerda. Durante a campanha, Obrador recebeu efusivo apoio do populista venezuelano, Hugo Chávez.

Do atual governo mexicano não se aguardam grandes mudanças em relação ao do antecessor, Vicente Fox. Católico, Felipe Calderón se opõe ao aborto, à eutanasia, aos métodos anticoncepcionais e à união civil entre homossexuais.

Todavia, Calderón afirma que “o desafio do país não se situa entre a batalha ideológica travada entre esquerda e a direita política, mas entre uma escolha entre o passado e o futuro”. Na sua interpretação, o passado significa a nacionalização, a expropriação, o controle estatal da economia, e o autoritarismo, enquanto futuro representaria o contrário: privatização, liberalização, controle de mercado da economia, e liberdade política.

SOCIALISMO DO SÉCULO 21

O tenente-coronel Hugo Chávez chegou à presidência da República Bolivariana da Venezuela - nome com o qual rebatizou o país -, em 1999, com 56% de votos. De lá para cá tem se empenhado em levar o seu país e outros do continente, com a ajuda dos petrodólares, ao mesmo caminho de Cuba. O lema de Chávez é “quien no está conmigo está contra mí, y paga las consecuencias”.

chavez_castro_morales.jpgPensando desta forma, através de uma Assembléia Constituinte, na qual 120 de um total de 131 deputados constituintes lhe eram favoráveis, transformou as leis do país para permitir-lhe a centralização do poder. Estendeu o mandato presidencial de cinco para seis anos e, através de um novo plebiscito, espera receber o apoio da população para um projeto que permita a reeleição ilimitada para o cargo de presidente.

A ideologia política de Hugo Chávez é um mix de marxismo, nacionalismo, messianismo e populismo. Todos esse “-ismos” traduzem os ideais do “socialismo do século 21”, daquele que se tornou o melhor aprendiz do ditador cubano Fidel Castro. Na mesma via política caminham o líder cocalero Evo Morales, presidente da Bolívia e o intelectual Rafael Correa, presidente do Equador.

TIGRES LATINO-AMERICANOS

Colômbia e Chile são os dois países mais integrados à economia mundial na América Latina. Já na década dos 1980, o Chile apresentava um superávit nas contas públicas e a Colômbia tinha o menor déficit entre as economias da região. A liberalização da economia chilena, iniciada durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) - talvez uma das únicas boas heranças dos anos de exceção -, permanece implicando uma constante melhora nas condições de saúde, educação e renda da população.

Michele Bachelet, presidente do Chile desde 2006, eleita pela Concertación - uma coligação de partidos que reúne socialistas e democratas-cristãos -, mantém a economia do país plenamente aberta ao comércio mundial (veja o tópico “América Latina” no artigo Os herdeiros da Convenção, na segunda parte de “Partidos políticos e ideologias”). Uma das mais importantes medidas, desse período inicial do governo Bachelet na área social, foi a concessão da gratuidade dos serviços de saúde a todos os chilenos maiores de 60 anos. Apesar de não adotar oficialmente o rótulo de Terceira Via, a prática os governos chilenos da Concertación, de centro-esquerda, têm se caracterizado por seguir o típico receituário dessa filosofia política.

alvaro-uribe.jpgSeguindo o bem-sucedido exemplo chileno, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, eleito em 2002 e reeleito em 2006, pelo Partido Liberal, realiza uma política que tem como meta principal a inserção da Colômbia ao rol das economias mais integradas ao comércio mundial e mais abertas ao investimento estrangeiro da região (leia o artigo Colômbia, da revista Veja, publicado na íntegra neste blog). O crescimento econômico do país andino nos últimos cinco anos (4,5%) foi superior à média da América Latina (3,7%). Com apoio dos Estados Unidos, o presidente Uribe tem conquistado grandes avanços no combate às FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia), grupo terrorista de inspiração marxista.

Oferecer o título de “tigres” latino-americanos ao Chile e à Colômbia pode parecer exagerado, mas em comparação aos demais países da região, o desenvolvimento desses países tem sido muito expressivo.

No Peru, Alan García, eleito em 2006 pela APRA - Alianza Popular Revolucionaria Americana - realiza uma administração muito diferente daquela de quando governou o país pela primeira vez (1985-1990). O seu primeiro mandato precedeu a Queda do Muro de Berlim e a experiência de estatizar a economia peruana resultou numa profunda crise e conseqüente empobrecimento da população. Depois de uma disputa eleitoral acirrada com o líder populista Ollanta Humala, do Partido Nacionalista Peruano – aliado de Hugo Chávez e de Evo Morales - Alan García se rendeu à liberdade econômica e espera integrar o futuro “clube de tigres latino-americanos”.

Entre os países da América Latina que merecem destaque em função do desenvolvimento econômico e social encontra-se também a Costa Rica. Governada desde 2006 por Óscar Arias, do Partido de Liberación Nacional, o país encontra-se às vésperas de um referendum popular para aprovação de um Tratado de Livre-Comércio (TLC) com os Estados Unidos. Durante o seu primeiro mandato (1996-1990) Óscar Arias privilegiou a abertura comercial e as privatizações. O pequeno país do istmo americano pode gabar-se, atualmente, por apresentar um sistema de saúde e de educação similar ao de muitos países desenvolvidos.

NACIONAL-ESTATISMO

lula_da_silva.jpgA coligação de legendas de esquerda, liderada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que conduziu Luis Inácio Lula da Silva à presidência do Brasil em 2002, gerou grande expectativa em relação à condução da economia do País. Para a surpresa de todos os públicos – tanto interno quanto externo, e inclusive de dentro de seu próprio partido -, o presidente brasileiro deu continuidade a diversas políticas de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso.

Conseqüentemente, o Brasil conquistou uma maior credibilidade internacional e está próximo de obter o investment grade, uma classificação oferecida por agências de avaliação de risco aos países com baixa possibilidade de calote (significa que o investimento no Brasil seria seguro e que não haveria risco para os investidores). O controle da inflação executado por uma rígida política monetária, sustentada por elevadas taxas de juros -, uma tímida reforma previdenciária – que eliminou alguns privilégios do funcionalismo público -, o regime de metas de superávit primário (dívida pública menos juros) e o não rompimento do governo com instituições de crédito internacional como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial -, ofereceram ao País esse reconhecimento internacional.

Todavia, essas medidas muitas de caráter conservador -, incentivaram a criação de uma dissidência na extrema-esquerda do PT, que resultou na fundação de um novo partido político de orientação marxista, o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade).

bolsa_familia.jpgO principal programa de cunho social do governo brasileiro, o Bolsa-Família que destina à população mais pobre uma renda mensal -, também é herança do governo anterior. Diversos programas assistenciais já existentes foram aglutinados e o universo de beneficiários foi amplamente alargado.

As semelhanças com o antecessor, todavia, cessam nesses dois pontos: na política monetária e nos programas assistenciais. A elevada popularidade do presidente Lula da Silva é diretamente proporcional ao número de beneficiários do programa Bolsa-Família. A oposição acusa o governo de utilizar o assistencialismo em troca de apoio e votos, à semelhança da política praticada pelo líder venezuelano Hugo Chávez.

No contexto econômico, sob o governo de Lula da Silva, as privatizações foram interrompidas e a centralização estatal ganhou força. O principal partido de sustentação ao governo, o PT, defende até mesmo a reestatização de empresas privatizadas em administrações anteriores.

Enquanto o governo social-democrata de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) – sobretudo durante o seu primeiro mandato -, inclinou-se para a Terceira Via, a administração petista adota uma ideologia nacional-estatista com um viés demasiado populista. Uma das principais características do governo Lula da Silva é o aparelhamento e o fortalecimento do poder estatal, abrangendo ministérios, agências reguladoras e empresas estatais. Para bancar esse estado forte e dispendioso a arrecadação de impostos tem batido recordes consecutivos.

Os partidários do governo vislumbram esse modelo como sendo o melhor para diminuir o abismo existente entre ricos e pobres, no Brasil. A elevada tributação garantiria, sob a optica da esquerda que governa o País, uma mais justa divisão da riqueza.

O protecionismo comercial, originado na elevada taxação sobre produtos importados – inclusive intra-Mercosul -, privilegia extraordinariamente a indústria nacional, que apresenta um modesto, mas permanente, crescimento. As altas de juros – praticadas para controlar a inflação – têm permitido, durante o governo petista, elevados lucros ao setor bancário. A estratégia agroexportadora, principal responsável pelos superávits da balança comercial, têm incentivado a criação de novas frentes de produção agrícola e pecuária, ultrapassando inclusive as fronteiras florestais do Brasil.

A base de apoio ao atual governo brasileiro é formada por partidos de esquerda e fisiológicos – sendo esses últimos aqueles que se alinham, independentemente de ideologias, mas em troca de cargos. Sindicatos de trabalhadores dos setores público e privado, centrais sindicais (CUT, Força Sindical, CGT, CONTAG), movimentos revolucionários (MST, MLST, MTL, CPT), setores progressistas da Igreja Católica (Teologia da Libertação, Pastorais) e igrejas neopentecostais também expressam amplo apoio ao governo de Lula da Silva³.

Na oposição encontram-se as legendas de ideologia social-democrata e liberal de um lado e de extrema-esquerda de outro. No primeiro grupo reúnem-se o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), o PPS (Partido Popular Socialista) e o DEM (Democratas). A oposição à esquerda do governo é representada pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), que abriga tendências marxistas, trotskistas e eurocomunistas.

espectro-politico-brasil.jpglinie.jpg

NOTAS

¹ Integrada à globalização liberal do final do século 19, a Argentina colheu os frutos do processo, apresentando um desenvolvimento econômico e social elevado. O crescimento foi estimulado por investimentos estrangeiros, pelo comércio internacional e pela chegada de milhões de europeus. Em 1930 a vida civil, próspera e pacífica até então, foi tragicamente alterada pela crise mundial e por um golpe militar. Com a chegada de Juan Domingo Perón à presidência, em 1946, empresas de comércio exterior, bancos, estradas de ferro, companhias de gás e telefone foram nacionalizadas. Num primeiro momento, as medidas do peronismo elevaram a participação dos trabalhadores na renda nacional e a legislação social contribuiu para a popularidade do líder populista. O carisma de Evita Perón, sua primeira esposa, foi um excepcional elo entre Perón e os trabalhadores, e influiu na conquista do voto feminino. A secularização do estado criaram conflitos com a Igreja Católica e o afastamento dos militares facilitaram a sua derrubad em 1955. Perón chegou uma segunda vez ao poder em 1973, com 62% dos votos. Após a sua morte, assumiu em seu lugar a segunda esposa, María Estella Martínez de Perón (Isabelita), deposta por uma junta militar comandada pelo general Jorge Videla.

² A elevada produtividade da pecuária extensiva gerava um excedente tal que, sem tocar na estrutura do latifúndio, o estado organizou serviços sociais e educacionais paralelamente à proteção da indústria uruguaia nascente e voltada para o consumo interno. O país se urbanizou rapidamente, o comércio e os serviços cresceram de forma significativa, com o estado como principal empregador. Este podia se dar a este luxo graças a um elevado excedente do comércio exterior, conquistado, principalmente, pela exportação de carnes e seus derivados.
A igreja e o estado foram separados e o divórcio legalizado. O aborto chegou a ser legalizado e, entre 1933 e 1935, contribuiu para o controle da natalidade. Tornou a ser proibido como resultado de negociações com setores católicos. Em meados da década de 1950, o progresso foi estancado. Todavia, o Uruguai apresenta uma taxa de 97% de alfabetismo e ocupa a 3ª melhor posição entre os países da América Latina no IDH (atrás de Argentina e Chile).

³ CUT: Central Única dos Trabalhadores; CGT: Central Geral dos Trabalhadores; CONTAG: Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura; CPT: Comissão Pastoral da Terra; MST: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra; MLST: Movimento de Libertação dos Sem Terra; MTL: Movimento Terra Trabalho e Liberdade.

Partidos políticos e ideologias - 2ª parte

História, Política, Sociologia 7 Comments »

Na continuação ao artigo “As nuances da política”, publicado no dia 10 de setembro, que relatou o primeiro momento da história dos partidos políticos e as suas respectivas ideologias, apresentamos abaixo o estudo “Os herdeiros da Convenção”.

Na primeira parte, expusemos ‘as origens’, no período da “Convenção”, durante a Revolução Francesa, e do “Reform Act” (1832), na Inglaterra. Atravessamos a fase da globalização do final do século 19, a acenção dos partidos extremistas - comunistas e fascistas -, no seculo 20, o sistema de forças bipolar da Guerra Fria e encerramos diante do Portal de Brandenburgo, em 1989, quando da Queda do Muro de Berlim.

Em “Os herdeiros da Convenção”, analisamos a transição vivida pelo mundo, no período localizado entre o final dos anos 1990, quando colapso do comunismo, e a virada do milênio. O ensaio descreve um primeiro período no qual as esquerdas políticas se aproximaram do centro, através da chamada “Terceira Via” e, num segundo momento, a configuração do sistema de forças unipolar, representado pela hegemonia dos Estados Unidos e a doutrina Bush, depois dos ataques do “11 de setembro”.
linie.jpg

mmayer.JPGOs herdeiros da Convenção
por Marcus Mayer
Exclusivo para o blog

O século 20 vislumbrou a vitória da democracia sobre o totalitarismo. Em 1917, ano marcado pela revolução russa, iniciou-se a era da ditadura do proletariado que, em nome da justiça social, promoveu o maior morticínio da história humana. Em 1989, o mundo assistiu ao colapso do socialismo, seguido da dissolução do último império remanescente, o império soviético.

Nos primeiros tempos após a dissolução da União Soviética (1991), os partidos políticos, de países democráticos, que se alinhavam ao pensamento marxista tiveram de enfrentar uma súbita orfandade.

O PCI, Partido Comunista da Itália - que em seu programa destacava o “objetivo de combater o estado burguês, abolir o capitalismo e realizar o comunismo através da revolução e da ditadura do proletariado” -, no seu 10º Congresso, em fevereiro de 1991, transformou-se no Partido Democrático da Esquerda (Partito Democratico della Sinistra, PDS).

colapso_comunismo.jpgO exemplo italiano foi seguido por diversos partidos comunistas e revolucionários do globo. Apesar de um coeficiente eleitoral muito reduzido, no Brasil, o PCB (Partido Comunista Brasileiro), sob o comando de seu líder, Roberto Freire, transformou-se no Partido Popular Socialista (PPS), em 1992. A mudança não foi somente no nome: ocorreu o rompimento com conceitos de revolução social e foram abraçadas idéias da social-democracia e da chamada “nova esquerda”. Os ideais partidários, afastaram-se, definitivamente, do modelo soviético.

A GRANDE TRANSIÇÃO

Na Alemanha, durante os primeiros anos da década dos 1990, Helmut Kohl, que governava sustentado pela coalizão CDU/CSU-FDP (democratas-cristãos e liberais). Transformou-se no Kanzler der Einheit (chanceler da unidade) - em alusão à reunificação alemã.

Como um dos grandes “arquitetos” da União Européia, Helmut Kohl enfrentou o elevado custo da reunificação das duas Alemanhas durante seus últimos anos à frente da chancelaria. O déficit público crescente (alimentado pelo welfare state) e as elevadas taxas de desemprego (19,3% no antigo lado oriental, em 1998) encerraram a sua longa passagem, de 14 anos, pela chefia do governo da Alemanha.

atomausstieg.jpgGerhard Schröder, líder da social-democracia alemã, entre 1998 e 2005, governou sob uma coalizão com os “verdes” (SPD-Die Grünen). Como condição para compor o gabinete, os ecologistas exigiram incluir no programa de governo a desativação de todas as usinas nucleares em território alemão, num prazo de 32 anos.

Na vizinha França, quem atravessou a fase do desmantelamento do comunismo soviético foi o presidente socialista François Mitterrand. No exercício de seu primeiro mandato (1981-1988), experimentou duas situações bastante distintas: começou governando com maioria na Assembléia, ao lado dos comunistas, e teve Pierre Mauroy no cargo de primeiro-ministro. Esse período foi marcado pela nacionalização dos 36 maiores bancos franceses (incluindo o Paribas e o Suez) e de grandes grupos industriais (CGE, PUK, Rhône-Poulenc, Saint-Gobain, Thomson).

Após dramática derrota do PS, nas eleições legislativas de 1986, para a coalizão de direita (UDF-RPR), Mitterrand teve de formar um governo de ‘coabitação’, com Jacques Chirac no cargo de primeiro-ministro. As nacionalizações executadas pelo gabinete anterior foram revertidas através de um programa de privatizações. Ao presidente socialista sobrou a tarefa de consolidar, ao lado de Helmut Kohl - através do aprofundamentos das relações franco-germânicas -, as instituições da União Européia, preparando-na para o euro e Maastricht.

Em 1995, o próprio Jacques Chirac chegou ao Élysée, através do RPR (Rassemblement pour la République), pondo um fim na trajetória socialista iniciada por François Mitterrand. Apesar de representar a direita francesa, os anos de Jacques Chirac na presidência não apresentaram nenhuma mudança mais nítida nas relações sócio-econômicas do país, diante do welfare state e do sindicalismo.

felipe-gonzalez-1986.jpgA Espanha também viveu o paradoxo entre a adoção de práticas socialistas e liberais sob o governo de Felipe González (1982-1996). Terceiro presidente do Governo (cargo equivalente ao de primeiro-ministro), desde a restauração da democracia na Espanha, González tornou-se ícone da esquerda européia, a partir do PSOE (Partido Socialista Obrebro Español).

Em 1985, a Espanha ingressou na Comunidade Econômica Européia e deu um grande salto de desenvolvimento. Contudo, o maior desafio da administração foi a fracassada batalha pela redução do mais alto índice de desemprego da Europa. González assumiu o primeiro mandato (1982) com uma taxa de desemprego de 24%. Quando deixou o governo o percentual ainda era de 22%.

Apesar de a Espanha ter abandonado seu secular atraso, classificando-se entre os países mais dinâmicos, em termos econômicos e de costumes, no meio europeu, o final do governo de Felipe González foi marcado por escândalos de corrupção no gabinete ministerial e pelo envolvimento de membros do governo em ações de terrorismo de estado¹.

Em 1996, José María Aznar foi conduzido ao cargo de presidente do Governo espanhol, depois da vitória do PP (Partido Popular), de centro-direita. Sob sua administração, a Espanha conheceu a maior projeção internacional de sua história. O taxa de desemprego (22%), herdada do governo anterior, foi reduzida para 9%. Uma reforma administrativa radical diminuiu drasticamente o número de funcionários públicos, e a política de “déficit zero” adaptou o país às exigências do Tratado de Maastricht (adesão da Espanha ao euro).

thatcher.jpgEntre 1979 e 1990, o Reino Unido foi governado por Margareth Thatcher, a “Dama de Ferro”. Através de reformas liberais radicais, reduziu extraordinariamente a interferência do estado na economia. Adotou um amplo programa de privatizações, reduziu impostos, incentivou a integração comercial e executou reformas administrativas e fiscais. Essas medidas se transformaram na receita liberal para impulsionar o crescimento econômico, reduzir o desemprego e ampliar a distribuição da riqueza.

John Major, no cargo de primeiro-ministro britânico, entre 1990 e 1997, deu continuidade à política-econômica liberal de sua antecessora e estreitou as relações do Reino Unido com a União Européia. Após 18 anos do Partido Conservador (Tory) à frente do governo, os britânicos deram vitória aos trabalhistas em 1997, conduzindo Tony Blair ao cargo de primeiro-ministro.

terceira-via.jpgRompendo radicalmente com a tradição trabalhista, Blair apresentou “o modelo para o século 21″, segundo o princípio “trabalho para os que podem trabalhar e assistência para os que não podem trabalhar”. Influenciado pelo pensamento do sociólogo Anthony Giddens, Tony Blair adotou a Terceira Via como filosofia de seu governo. Sem abandonar as causas sociais, o novo trabalhismo britânico reconheceu nas práticas liberais - desregulamentação, descentralização e menor carga de impostos-, o melhor caminho para o desenvolvimento econômico e social.

A Terceira Via foi abraçada pelos contemporâneos de Tony Blair, os presidentes Bill Clinton, dos Estados Unidos, Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, e pelo chanceler Gerhard Schröder, da Alemanha.

AMÉRICA

George Bush sênior, do Partido Republicano, foi o 41º presidente dos Estados Unidos, entre 1989 e 1993. O acontecimento mais marcante de sua passagem pela presidência foi a primeira Guerra do Golfo. Os Estados Unidos expulsaram o ditador Saddam Hussein do Kuwait, país vizinho que havia sido invadido pelo Iraque. Apesar da vitória americana e do apoio internacional, Bush amargou derrota para Bill Clinton em sua tentativa de ser reconduzido à Casa Branca.

clinton-gore-1996.jpegEleito pela primeira vez em novembro de 1992 e reeleito em 1996, pelo Partido Democrata, Clinton cumpriu seus dois mandatos sob a tranqüilidade que lhe ofereceu a condição de potência hegemônica. Adepto da “Terceira Via”, o presidente americano incentivou o multilateralismo nas relações internacionais e desenvolveu o projeto de criação de uma área de livre-comércio para o Hemisfério, a ALCA.

A sucessão de Bill Clinton, com a derrota do então vice-presidente Al Gore no Colégio Eleitoral – apesar da maioria de votos obtidos nas urnas -, conduziu à Casa Branca o republicano George Walker Bush, em 2001.

REDEMOCRATIZAÇÃO

Descendo pelo mapa do Continente, a América Latina viveu um período de redemocratização em diversos países durante a década dos 1980. No Brasil, o presidente José Sarney exerceu seu mandato como ‘presidente da transição’. Foi indicado por um Colégio Eleitoral formado pelo Parlamento, como vice-presidente na chapa de Tancredo Neves, apoiada pelo PMDB e pela Frente Liberal (dissidência do PDS, partido de sustentação ao governo militar e sucessor da ARENA).

collor-juan-carlos.jpgAs primeiras eleições diretas no Brasil ocorreram, todavia, somente em 1989, e conduziram Fernando Collor de Mello ao Palácio do Planalto. Collor implementou medidas liberalizantes na economia – abertura do mercado para investimentos estrangeiros, modernização do parque industrial, reforma administrativa e iníciou do processo de privatização de grandes empresas estatais -, malgrado tenha experimentado um plano heterodoxo para contenção da hiperinflação. Sem gozar de apoio da maioria no Parlamento, o seu mandato foi abreviado por um processo de impeachment, originado na malversação de recursos da campanha eleitoral.

Durante o governo de Itamar Franco - que chegou ao Planalto em decorrência do impedimento imposto a Fernando Collor -, foi dado prosseguimento ao programa de privatizações em curso. Nomeado para o ministério da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso implantou o Plano Real que, depois de diversas tentativas heterodoxas de contenção da inflação, conseguiu manter os preços através da adoção de uma âncora cambial (URV). O Plano Real foi severamente criticado pelos líderes oposicionistas Leonel Brizola, do PDT, e Luis Inácio Lula da Silva, do PT. Durante o período de Ciro Gomes no ministério da Fazenda, as taxas de importação foram reduzidas, como medida preventiva diante da tentativa de elevação desmesurada de preços ensaiada por setores conservadores da indústria nacional.

fhc_clinton.jpgCom o sucesso do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso foi eleito e reeleito para a presidência da República nas eleições de 1994 e 1998, pela coligação PSDB-PFL. Durante o primeiro mandato, o presidente Cardoso prosseguiu com reformas liberalizantes da economia, através das privatizações, iniciadas nos governos anteriores. Na política externa, elevou o conceito do País diante da comunidade internacional, tornando o Brasil um interlocutor de relevância nas cúpulas mundiais.

Após receber continuadas críticas, inclusive de aliados à esquerda no espectro político nacional - que o chamavam, pejorativamente, de “neoliberal” -, Fernando Henrique Cardoso marcou o segundo mandato através da maior valorização das instituições estatais, sobretudo, na área fiscal - através da elevação de de impostos - e brecou o programa de privatizações. Enfrentou diversas crises internacionais que interferiram negativamente na economia doméstica, causando uma uma brutal desvalorização da moeda. O segundo mandato do presidente Cardoso também foi marcado por uma grave crise no setor energético.

carlos-menem-y-domingo-cavallo.jpgNa Argentina, em 1983, foi eleito Raúl Alfonsin, pela UCR (União Cívica Radical), após um ciclo militar que durou dez anos. Cinco meses antes do encerramento de seu mandato, renunciou em decorrência de grave crise hiperinflacionária. Seu sucessor, o justicialista Carlos Saúl Menem, que governou entre 1989 e 1999, empreendeu reformas liberalizantes na economia. O governo Menem foi marcado pelas privatizações de canais televisivos e das maiores empresas nacionais que estavam sob controle do estado, entre elas, a Yacimientos Petrolíferos Fiscales y Gas del Estado. Desregulou a economia e estabeleceu a liberdade de preços. Durante a gestão de Domingo Cavallo no ministério da Economia, criou a Ley de Convertibilidad - um peso um dólar - cuja aplicação se prolongou até a crise de 2001/2002.

No Paraguai, em 1989 encerrou-se o longo ciclo de 35 anos da ditadura de Alfredo Strössner no poder, com a eleição de Andrés Rodríguez. Na Bolívia, em 1982 Siles Zuazo fez a transição do país para a democracia. Em 1984, o líder Colorado, Julio María Sanguinetti ganhou a presidência do Uruguai. Implementou reformas econômicas e consolidou a democracia depois dos anos nos quais o país esteve dominado pela repressão militar.

A redemocratização no Chile ocorreu depois de um plebiscito popular, em 1988, que perguntava ao povo se desejava ou não a continuidade do governo de Augusto Pinochet (1973-1990). Com uma apertada vitória do “não” à consulta (54,6%), em 1989, elegeu-se para o período conhecido como “de transição” Patrício Aylwin, pela coligação entre democratas-cristãos, progressistas e socialistas, chamada de Concertación de Partidos por la Democracia.

ricardo-lagos.jpgA Concertación venceu todas as eleições seguintes: em 1994, com o democrata-cristão Eduardo Frei e, em 2000, com o socialista Ricardo Lagos². Apesar de integrar a ala esquerda da coligação partidária, Lagos ampliou a política econômica liberal herdada do governo Pinochet - mantida pelos governos que o antecederam. Lagos aprofundou o sistema de concessões ao setor privado para a realização de obras públicas (equivalente chileno às PPP – Parcerias Público-Privadas -, brasileiras) e assinou tratados de livre comércio com os Estados Unidos, União Européia, China e Coréia do Sul.

Após 12 anos de governo militar, em 1981, Belaúnde Terry elegeu-se presidente, retornando ao cargo que já tinha exercido durante a década dos 1960, no Peru. Em 1985, passou a presidência ao seu sucessor, Alan García (1985 e 1990), que levou a APRA³ , Alianza Popular Revolucionaria Americana - uma organização de inspiração socialista - pela primeira vez ao poder. A política econômica de García foi caracterizada pela estatização de bancos, moratória da dívida e emissão de moeda para investimento estatal. O resultado da empreitada foi mergulhar o país em uma grave crise.

alberto_fujimori.jpgEm 1990, com a chegada de Alberto Fujimori à presidência, o Peru iniciou uma grande batalha contra a corrupção, eliminou as guerrilhas – Sendero Luminoso (maoísta) e Tupac Amarú (marxista) -, e implementou reformas liberais. Com o sucesso das empreitadas, Fujimori foi reconduzido ao cargo em 1995. Ao tentar um terceiro governo, teve de renunciar quatro meses após a sua posse, devido a escândalos de corrupção, que o levaram a fugir do país. O governo de Alejandro Toledo (2001-2006) se caracterizou pelo retorno à estabilidade política, tendo permitido um razoável crescimento econômico através da manutenção de práticas econômicas liberais.

vicente-fox.jpgO chamado “milagre econômico mexicano” ou desarollo estabilizador ocorreu entre 1958 e 1970, quando o modelo de substituição de importações não mais se adequava às necessidades do país. No período, contudo, também ocorreram protestos e pedidos por liberdade e direitos civis. Somente no ano 2000, o México viveu pela primeira vez, depois de 71 anos, a alternância política quando uma aliança do Partido Acción Nacional e Verde Ecologista d