Archive for category Política

Renan, vá pra casa!


 

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Leia as espetaculares análises de Lúcio Lopes sobre o processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, no site MINUTO POLÍTICO

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Partidos políticos e ideologias – 1ª parte

O ensaio a seguir segue padrões didáticos definidos por Max Weber em suas conferências do início do século passado (1918), na Universidade de Munique, sob o título “Wissenschaft als Beruf” (Ciência como Profissão). Fundador da Sociologia, o alemão Weber, apontava a neutralidade nas paixões políticas, como virtude para o ensino científico.

Somente nesse particular weberiano, teríamos um interessante assunto para tratar, sobretudo, na crítica ao ensino das ciências sociais e políticas, da história, da geografia, da filosofia etc., no País. As universidades brasileiras estão infestadas por “professores” que confundem proselitismo político com pedagogia; mas não desejamos, aqui, tergiversar.

Esperamos, através de um ensaio enxuto, aclarar dúvidas freqüentes, relativas à evolução da terminologia utilizada para caracterizar, histórica- e filosoficamente, as distintas linhas do pensamento político, econômico e social, relacionando-nas com suas respectivas práticas.


mmayer.JPGNuances da política
por Marcus Mayer
Exclusivo para o blog

Apresentar os problemas científicos de modo que uma mente receptiva os possa compreender e – o que para nós é decisivo – possa vir a refletir sobre eles de forma independente, talvez seja a tarefa pedagógica mais difícil de todas.

Adaptado, da frase original de Max Weber ¹

O pensamento político ocidental tem origem na Antigüidade, grega e romana. Os seguidores de uma idéia, doutrina ou pessoa se reuniam sob um partido². No entanto, somente na Inglaterra, do século 18, foram criadas as primeiras instituições de direito privado, com o objetivo de congregar partidários de uma ideologia política: o Whig Party e o Tory Party. Este, de linha conservadora, contrapunha-se àquele, de tendências liberais.

drapeaufrance.gifCom efeito, a origem das denominações esquerda, direita e centro – que caracterizam a ideologia política, econômica e social de um partido -, remonta à segunda fase da Revolução Francesa (1792-1794), quando foi instituída a Convenção Nacional³, composta – grosso modo – por três grupos principais de deputados: a Gironde, a Montanha e a Planície. Essas agremiações adotaram espaços geográficos específicos em plenário – um costume que se mantém na Assembléia Nacional da França (equivalente à Camara dos Deputados, no Brasil), até os dias atuais.

A Gironde era integrada por provincianos notáveis, que se opunham à centralização. Favorável à democracia e à manutenção da lei e da ordem, defendia o direito à propriedade privada. E era hostil a um sistema de excessiva taxação ou intervenção estatal. Esse grupo de deputados ocupava acento à direita, em relação ao presidente da Convenção.

A Montanha pouco se diferenciava da Gironde, no concernente ao nível social de seus representantes (montagnards), malgrado comungasse dos interesses das classes populares e da média burguesia. Os jacobinos, partidários da Montanha, pertenciam ao grupo que, radicalmente, representava o interesse do povo menos favorecido. Na fase mais aguda da Convenção, os jacobinos adotaram medidas de exceção, tais como a taxação dos alimentos. Com o estabelecimento do Terror, defenderam a guerra contra os monarcas europeus. Esse grupo sentava-se à esquerda, na Convenção.

A Planície (ou Pântano) ocupava o centro dos outros dois grupos. Seus deputados determinavam a maioria dos votos ao se posicionarem favoravelmente, ora à direita ora à esquerda, apesar da oposição que faziam às alas mais radicais do partido da Montanha.

PARÊNTESE HISTÓRICO

adam_smith_medal.gifTanto o liberalismo como a democracia tiveram seu annus mirabilis em 1776, quando foi publicado o tratado de Adam Smith sobre o Liberalismo Econômico, e foi lavrada a “Declaração de Philadelphia” (independência dos Estados Unidos), por Thomas Jefferson.

Os ideais da Revolução Francesa, inspirados nos princípios iluministas de Jean-Jacques Rousseau, implicaram maior respeito à liberdade e orientaram a defesa da diminuição das desigualdades sociais.

A república teve como escopo corrigir injustiças do centralismo político do Ancien Régime. A “Declaração dos Direitos do Homem” e o lema revolucionário Liberté, Egalité et Fraternité contagiaram a intelectualidade e outros povos europeus. No século 19, após as guerras napoleônicas, o liberalismo sobrepujou o mercantilismo e começou a prosperar a democracia política.

Os avanços conquistados com o marco da Revolução Francesa, porém, não foram suficientes para eliminar o abismo entre as classes sociais. A explosão populacional na Europa e a queda da fertilidade dos solos causaram escassez de alimentos e migração do campo para as cidades.

Como conseqüência da Revolução Industrial (sécs. 18 – 19), alterou-se o sistema de relações sociais¹¹, envolvendo os donos do capital e os empregados. Em 1848, Karl Marx e Friedrich Engels publicaram o “Manifesto Comunista” e, em 1867, foi editada, pela primeira vez, Das Kapital, obra de Marx, que fundamentou as teses dos movimentos e revoluções socialistas do século 20.

cccp.gifO intuito do teórico do socialismo era o aperfeiçoamento da organização sócio-econômica pós-capitalista. Todavia, para alcançar esse novo estado organizacional, as classes camponesas e operárias teriam de incitar e praticar uma revolução armada para tomar o poder e instalar uma “ditadura socialista do proletariado”. O estado passaria a controlar a economia, extinguindo a propriedade privada e a política seria regida por um partido único, o Partido Comunista.

O início do século 20 apresentou ao mundo um processo de globalização econômica através de práticas liberais. Todavia, essa fase de integração comercial foi brutalmente rompida em função do crescente nacionalismo e da radicalização contra o modelo político marxista.

Entre 1914 e 1918 ocorreu a Grande Guerra, que desafiou a política de equilíbrio de forças no espaço político europeu, determinado por Metternich, no Congresso de Viena (1815). A saída da Rússia da guerra foi causada pela Revolução de Outubro de 1917 (bolchevique), que derrubou as instituições czaristas e instalou o socialismo marxista no país.

PARTIDOS POLÍTICOS

Segundo a famosa definição de Weber, “o Partido é uma associação política que visa a um fim deliberado, seja ele ‘objetivo’ – como a realização de um plano com intuitos materiais ou ideais -, seja ele ‘pessoal’ – destinado a obter benefícios, poder e, conseqüentemente, glória para os chefes e sequazes; ou, então, voltado para todos esses objetivos conjuntamente”.

Na Inglaterra, o país de mais antigas tradições parlamentares, os partidos aparecem com o Reform Act de 1832, o qual, ampliando o sufrágio, permitiu que as camadas industriais e comerciais do país participassem, juntamente com a aristocracia, da gestão dos negócios públicos.

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Até aos finais da Primeira Grande Guerra, o partido liberal inglês (Whig Party) foi um dos mais influentes no sistema parlamentar britânico, alternando com os Tories na formação do governo. Depois desse marco, o partido liberal perdeu importância e foi, praticamente, substituído pelo partido trabalhista (Labour Party), na alternância do poder político no Reino Unido, face ao oponente conservador.

Os partidos tradicionalistas da direita ou conservadores, os partidos liberais – democráticos e radicais -, os partidos católicos e democrático-cristãos constituíram um dos componentes do panorama político da Europa, desde o final do século 19. Inspirados na Revolução Russa, surgiram também partidos socialistas e comunistas. Sua influência se estendeu por todos os cantos do mundo, inclusive, pela América Latina, no decorrer do século passado.

Nos Estados Unidos, desde a Guerra Civil (1864), apesar da existência de um sistema político multipartidário, de facto domina a cena política o bipartidarismo. Os atores desse jogo são o Partido Democrata e o Partido Republicano, que se revezam no poder, desde então.

A radicalização da representação partidária tradicional encontrou espaço no período entre-guerras, com a ascenção de regimes totalitários. O fim do czarismo e a derrota dos mencheviques (brancos) pelos bolcheviques (vermelhos) na Rússia, em 1917, consolidou a instalação do regime comunista, com partido único.

Na Europa ocidental, surgiram os partidos nacionalistas, como contraponto ao comunismo soviético. Benito Mussolini, através do Partido Fascista, oriundo do movimento Fasci Italiani di Combattimento, ascendeu na Itália, em 1922. Adolf Hitler, com a vitória do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores da Alemanha, foi conduzido ao posto de chanceler em 1933, tornando-se o Führer do Terceiro Reich no ano seguinte.

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Em Portugal, assumiu aquele que se tornaria o mais longevo governo (1932-1968), elevando António de Oliveira Salazar ao poder. A Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, fundamentalmente, em causa da opção por um regime comunista ou por um fascista – vencendo o último -, conduziu ao poder (1939-1975) Francisco Franco.

Esse movimento totalitário europeu contagiou outras partes do globo. No Brasil, de um lado, sob a inspiração soviética, foi fundado o Partido Comunista Brasileiro (1922) e, de outro, criou-se a Ação Integralista Brasileira (1932) de tendência fascista. Em 1937, teve início a ditadura Vargas, através do Estado Novo, que durou até 1945.

Sob o governo autoritário de Getúlio Vargas, a ação governamental foi orientada pela intervenção estatal na economia e direcionada para o nacionalismo econômico, provocando forte impulso na industrialização. Neste período foram criadas a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Companhia Vale do Rio Doce, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco e a Fábrica Nacional de Motores (FNM).

EQUILÍBRIO BIPOLAR

the_cold_war.jpgCom a derrota do fascismo italiano e do nazismo alemão na Segunda Guerra Mundial, configurou-se um modelo de forças bipolar. Estados Unidos e União Soviética, como atores hegemônicos no novo cenário das relações internacionais, empenharam-se na tarefa de propagar suas respectivas opções ideológicas através da adoção ou manutenção de estruturas políticas e econômico-sociais homogêneas. (OBSERVE-SE O MAPA ABAIXO)

Entre 1945 (final da Segunda Guerra Mundial) e 1991 (derrocada da ex-União Soviética), o mundo viveu sob a chamada Guerra Fria. Um dos momentos mais conturbados do período ocorreu em 1962: a Crise dos Mísseis, em Cuba. O acontecimento colocou o presidente americano, John Kennedy, e o secretário-geral do Partido Comunista soviético, Nikita Khrushchov, sob o risco de iniciar um conflito atômico. O incidente foi resolvido através dos canais diplomáticos dos dois blocos e de seus respectivos aliados, mas, sobretudo, pelo iminente receio de destruição mútuo.

GUERRA FRIA (1982)

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Na China, Mao Tsé-tung, em 1959, deu cabo ao programa estatal “Grande Salto para a Frente”, através de uma ampla reforma agrária, e, em 1966, iniciou a sua Revolução Cultural (Grande Revolução Cultural Proletária). A ideologia maoísta pregava combate ao surgimento de classes sociais privilegiadas. Fábricas e universidades foram fechadas e milhões de jovens e intelectuais se deslocaram para o campo, de forma voluntária ou compulsória. Esse período³³ só foi definitivamente encerrado sob a liderança de Deng Xiaoping, que a partir de 1979 retomou as relações com o Ocidente.

BRASIL – Com o fim do Estado Novo (1945) e a restauração democrática, o Brasil viveu uma fase de pluripartidarismo, na qual as agremiações políticas de maior destaque foram a União Democrática Nacional (UDN), o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Nesse período, o governo de Juscelino Kubitscheck (1956-1961), eleito por uma aliança entre o PSD e o PTB, realizou um governo que associou uma plataforma desenvolvimentista estatal à abertura da economia para o investimento estrangeiro.

O ciclo pluripartidário foi encerrado através do Ato Institucional nº 2, de 1965, que extinguiu os partidos políticos da chamada Terceira República e instituiu o bipartidarismo. O Brasil, sob governo militar desde 1964, estava alinhado aos Estados Unidos. Entre 1968 e 1973, o País experimentou uma fase áurea de crescimento, o chamado Milagre Econômico. Grandes obras de infra-estrutura, como a ponte Rio-Niterói, usinas hidrelétricas, rodovias (incluindo-se a Transamazônica), investimentos na indústria pesada, siderurgia, petroquímica e construção naval foram bancadas pelo estado, inspirado no desenvolvimentismo keynesiano. Esse ciclo de prosperidade econômica foi abreviado pelas crises do petróleo de 1973 e 1979.

Entre 1965 e 1979, durante o período militar, e sob o sistema bipartidário, a ARENA (Assembléia Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) dividiram a cena política – com o primeiro em apoio ao regime e o segundo na oposição. O pluripartidarismo foi restaurado em 1979, ainda sob o comando militar do presidente João Figueiredo.

GLOBALIZAÇÃO

Durante a década de 1980, o Welfare State, europeu e americano, entrou em crise, como conseqüência dos imensos déficits públicos que se acumularam. Amargava-se ainda uma demasiada ressaca oriunda das crises do petróleo da década anterior.

Como conseqüência de um novo período de globalização ensaiado pelos principais atores do comércio mundial, os governos do Reino Unido, sob a administração da primeira-ministra Margareth Thatcher (Partido Conservador), e dos Estados Unidos, sob a presidência de Ronald Reagan (Partido Republicano), realizaram reformas liberalizantes nas economias domésticas, através de privatizações, reduções de impostos e incentivos à concorrência comercial internacional.

A América Latina – com exceção do Chile, que sob a ditadura de Augusto Pinochet [herdou uma inflação de 800%¹¹¹ do governo socialista de Salvador Allende] realizou reformas liberalizantes em sua economia -, viveu crises inflacionárias extremas entre os anos 1980 e o final da década dos 1990. A hiperinflação atingiu 257% na Argentina, 602% na Bolivia, 2.776% no Perú (Alan García) e 3.710% no México (Miguel de la Madrid Hurtado). No Brasil, entre fevereiro de 1989 e março de 1990, sob a administração de José Sarney, a inflação chegou a 2.751%.

Enquanto isso, no oriente distante, emergiram os países chamados Tigres Asiáticos (Hong Kong, Cingapura, Coréia do Sul e Taiwan). A estratégia para o desenvolvimento dessas economias uniu esforços governamentais e especial atenção para o comércio global. Os governos ofereceram incentivos ao setor privado e realizaram largos investimentos em educação, ciência e tecnologia.

COLAPSO DO COMUNISMO

perestroika_detail.jpgNa ex-União Soviética, Mikhail Gorbachev [grafia adotada pela Gorbachev Foundation] iniciou, em 1985, seu projeto de reformas: a perestroika (reestruturação) e a glasnost (transparência). O enfraquecimento político, econômico e militar da potência do Leste estimulou os países da Europa Oriental a iniciar movimentos pela redemocratização de seus respectivos países. Manifestações populares ocorreram em todos os cantos do lado oriental da antiga Cortina de Ferro, culminando na Queda do Muro de Berlim, em 1989 – o grande símbolo do colapso do comunismo.

Em 1990, Lech Walesa, líder do Sindicato Solidariedade (que se transformou em partido político) – responsável pelos movimentos grevistas contrários ao governo comunista, das décadas anteriores -, tornou-se o primeiro presidente da Polônia, escolhido através de eleições, depois do fim do regime.

queda_muro_berlim.jpgA Alemanha foi reunificada em outubro de 1991. Em dezembro do mesmo ano, ocorreu a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, já sob o comando de Boris Ieltsin, primeiro presidente eleito democraticamente na história da Rússia.

A citação de todos esses elementos históricos é salutar para a compreensão da formação ideológica dos herdeiros da Convenção e o significado atual da terminologia – esquerda, direita e centro. Compreende-se, assim a motivação dos distintos grupos ideológicos na adoção de práticas políticas, econômicas e sociais.

Leia a continuação do ensaio, no artigo sob titulo “Os herdeiros da Convenção”, que descreve o espectro político entre 1989 (Queda do Muro de Berlim) e 2007 (Doutrina Bush), publicado em 14.SET.2007.



NOTAS

¹ Max Weber (1864 – 1920), jurista e economista, é considerado um dos fundadores da Sociologia.

² De acordo com o dicionário Houaiss, partido significa associação de pessoas em torno dos mesmos ideais, interesses, objetivos etc; organização social espontânea que se fundamenta numa concepção política ou em interesses políticos e sociais comuns e que se propõe alcançar o poder.

³ A Revolução Francesa pode ser subdividida em quatro grandes períodos: a Assembléia Constituinte, a Assembléia Legislativa, a Convenção e o Diretório. A Convenção perdurou de 1792 até 1795.

¹¹ Em 1833 os trabalhadores ingleses organizaram trade unions (sindicatos) como associações locais ou por ofício, para obter melhores condições de trabalho e de vida. Na França, os sindicatos conquistaram o direito de funcionamento em 1864; nos Estados Unidos em 1866; e na Alemanha em 1869.

²² Nos Estados Unidos, entre a sua independência e a Guerra Civil, participaram da cena política o Partido Federalista (1789-1820) e o Partido Democrático-Republicano (1792-1824). Os atuais Partido Democrata e Partido Republicano foram fundados, respectivamente, em 1820 e 1854.

³³ Estima-se que as iniciativas governamentais do Partido Comunista Chinês tenham implicado a morte de 43 milhões de pessoas – de fome ou, simplesmente assassinadas, por se opôrem ao Partido. No mínimo 50 milhões de vítimas teriam passado pelos campos de concentração chineses.

¹¹¹ Durante o governo socialista de Salvador Allende, o Chile experimentou um período de hiperinflação entre 324% (taxa oficial) e 800% (extra-oficialmente).


weekly_news.jpgExtraordinariamente, a coluna WEEKLY NEWS será publicada somente na terça-feira, 11.SET.

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Vá pra casa, Renan

renan-calheirosO empenho do governo para salvar o mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tem duas explicações: 1.) retribuir o apoio ao fiel aliado; e 2.) desmoralizar a instituição.

O partido de Renan Calheiros, o PMDB, é o mais importante aliado da base de sustentação do governo, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. O Partido dos Trabalhadores não tem, em suas fileiras, nenhum nome com chances para vencer a próxima eleição presidencial em 2010, para suceder o presidente Lula da Silva.

Assim, o ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB-RS), poderia tornar-se o candidato oficial de uma coligação PT-PMDB, conforme noticiamos neste blog, na última coluna WEEKLY NEWS.

Todavia, os interesses autoritários do Partido dos Trabalhadores, permanecem em primeiro lugar. E a novidade aprovada no 3º Congresso do PT foi um projeto que propõe a extinção do Senado, transformando o parlamento brasileiro em unicameral.

Na hipótese de o plenário da Casa rejeitar o relatório elaborado pelos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), da Comissão de Ética, propondo a cassação do senador Renan Calheiros, a instituição estará totalmente desmoralizada diante da opinião pública. O projeto de extinção do Senado receberia, assim, forte apoio popular.

BLOGAGEM COLETIVA – Sugerimos, como uma prestação de serviço ao país e à democracia, que pressionemos os senadores, enviando e-mails, solicitando a cassação do presidente do Senado.

Além disso, que na véspera e no dia da votação da cassação, façamos uma blogagem coletiva, incluindo, no alto do post mais recente, o banner abaixo:

COPIE E COLE EM SEU BLOG

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Clique aqui para acessar a página do Senado Federal e obter os endereços de eMail dos senadores

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Vocação ou burrice?

No campo político, a tragédia brasileira tende a permanecer. O Parlamento está desmoralizado desde a legislatura anterior. Mensaleiros, ladrões e assassinos integram o Congresso Nacional. O ‘chamado’ Conselho de Ética do Senado Federal virou motivo de piada. E o presidente da República, com sua popularidade inabalada, continua prestigiando os corruptos.

Antonio Fernando de BarrosO constrangimento imposto ao Procurador Geral da República, Antonio Fernando Barros (aquele que denunciou os 40 ladrões e seu chefe ao STF), durante sua posse para um novo mandato foi absurdo: teve de proferir seu discurso cercado de ‘novos 40 ladrões’ que, provavelmente, lá estavam para mostrar o prestígio que lhes confere o ‘chefe’. O próprio presidente Lula da Silva deixou claro, através de sua fala, que continuará protegendo o corrupto presidente do Senado.
O mais absurdo no cenário governamental, todavia, é a atuação do Itamaraty – instituição que já foi respeitada pela intelectualidade que a integrou até pouco tempo atrás -, agora tomado de ideologia marxista, caminha totalmente na contramão da história. Depois da ridícula tentativa de afundar a Rodada Doha da OMC, perdeu todo o crédito até entre o grupo de países emergentes que tentava representar.
O resultado de tudo isso será a ampliação da distância entre ricos e pobres. Refiro-me aqui à população brasileira, pois o comércio internacional tem permitido exatamente o contrário, no que tange às nações. Seria essa a vocação do Brasil, caminhar para trás sempre?
Os jornais do mundo todo prestigiaram hoje, o lançamento do iPhone da Apple. Diante da ‘idiota’ política interna e externa do Brasil, o seu resultado está bem relatado nos detalhes da reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, que segue abaixo.
A opção brasileira de manter os impostos nas alturas e o protecionismo imposto a produtos industrializados – justificado pelo ridículo argumento de que os Estados Unidos e a União Européia não derrubariam suas barreiras às ‘commodities’ (produtos de baixo valor agregado) -, condena a economia brasileira ao atraso e a população à absurda pobreza. ‘Nunca antes na história desse país’ se vislumbrou tanta burrice!’

País fica sem novidades internacionais
por Júlio Wiziack*
para a Folha de S.Paulo

Se depender da vontade da Apple, o Brasil não verá o iPhone antes de 2009. A Sony ainda não tem previsão para lançar o PlayStation 3 e não sabe se importará o Blu-ray. A única certeza que os consumidores têm é: vai demorar. Mas por quê?

A explicação das empresas é: falta mercado. De fato, a renda per capita dos brasileiros não é das melhores, mas compradores existem. Basta observar a quantidade de turistas brasileiros que passam pelas barreiras alfandegárias carregados de produtos importados -uma prática que aumenta em tempos de dólar baixo. É o que explica Mauro de Brito, chefe da área de repressão ao contrabando da Receita Federal. “As pessoas costumam trazer mercadorias que custam mais no Brasil”, diz.

Computadores, notebooks, consoles estão entre os produtos mais visados porque a diferença de preço no Brasil e no exterior é maior. O XBox 360 nos EUA é vendido pelo equivalente a R$ 762. Aqui custa R$ 2.999 devido à cobrança em cascata de impostos.

O problema fica mais complicado para as fabricantes porque a pirataria e o contrabando transformam o mercado num campo de guerra desleal. Segundo levantamento da Abes (Associação Brasileira da Empresas de Software), de cada dez consoles (nome técnico dos videogames mais modernos) adquiridos no Brasil, apenas um foi adquirido de forma correta. “O restante entrou no Brasil de forma irregular”, afirma Emílio Munaro, coordenador do grupo Anti-Pirataria da Abes.

Outro aspecto que as empresas levam em conta é a rede de distribuição. Muitas lojas se recusam a vender produtos que os consumidores poderão encontrar em camelôs. A Hi Rappy, maior rede de lojas de brinquedos do país, é uma das varejistas que decidiu não colocar nas prateleiras produtos para o PlayStation ou XBox 360 que podem ser encontrados em lojas da rua Santa Ifigênia, um conhecido endereço no centro da capital paulista para produtos eletroeletrônicos mais baratos, por R$ 1.300, menos da metade do preço oficial. Para as empresas que decidem entrar nessa disputa, o jeito é encolher a margem de lucro e preparar o fôlego.

* Julio Wiziack é jornalista

Leia as reportagens relacionadas na Folha de S.Paulo (para assinantes do jornal e do UOL)

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Decência no Democratas

rodrigo-maiaCalheiros tem de pedir licença já
do Blog do Democratas

Em compasso com a sociedade, que exige ética e moralidade na vida pública, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente do Democratas, reuniu a Executiva do Partido e aprovou, por unanimidade, nota oficial solicitando o afastamento imediato do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado Federal.

Leia aqui a íntegra da nota

Nossa opinião: Essa nota oficial do Democratas deveria ter sido emitida há muito tempo, quando estourou o escândalo, mas, enfim, veio. É vergonhoso que no Brasil os ocupantes de cargos públicos envolvidos em corrupção queiram continuar exercendo suas funções, fazendo todos os brasileiros de otários. O partido deveria ter a mesma coragem exigindo a renúncia do presidente Lula da Silva. E já não tarda a hora de o PSDB descer do muro e também escolher um dos lados: da corrupção ou do Brasil?
mayer

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Dois ótimos projetos

Mais duas excelentes notícias para a economia estrearam a semana. Ganham todos os brasileiros: o governo federal decidiu tornar a investir em energia nuclear – a mais limpa e viável fonte de energia; e um banco estatal será privatizado, por iniciativa do governador José Roberto Arruda (DEM), do Distrito Federal. Abaixo seguem as reportagens:


Governador do Distrito Federal defende privatização do BRB
por Tathiana Barbar
para a Folha Online

Gov. José Roberto Arruda (DEM)Em meio às investigações da Operação Aquarela, que desmontou um esquema de desvios de recursos no BRB (Banco de Brasília), o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), defendeu nesta segunda-feira a privatização da instituição.

“O que me preocupa neste momento é a estabilidade do banco, e todos estes episódios reforçam em mim a certeza de que precisa haver mudanças drásticas. Esta reflexão é inevitável a partir dos fatos. Vamos esperar o resultado da auditoria no BRB e discutir com a sociedade. Será que ainda devemos manter um banco estadual público”, questionou Arruda durante almoço-debate do Lide (Grupo de Líderes Empresariais), no hotel Renaissance, em São Paulo.


Angra 3Governo aprova construção de Angra 3
por Leonardo Goy
para as Agências Estado e Reuters

Dois fatores favoreceram a aprovação: o preço da energia a ser gerada pela usina e as dificuldades para dar início a projetos de energia hidrelétrica

BRASÍLIA – O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a retomada da construção da usina nuclear de Angra 3, no Estado do Rio de Janeiro.Trata-se de um projeto polêmico que deve custar aproximadamente US$ 3,7 bilhões.

A decisão ainda precisa ser ratificada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já se declarou favorável à opção nuclear para geração eletricidade como fonte auxiliar na matriz energética brasileira, fortemente sustentada nas hidrelétricas.

Mas antes disso, o governo precisa conseguir junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a licença ambiental para a obra.

Pelo menos dois fatores favoreceram a aprovação da obra de Angra pelo governo: o preço da energia a ser gerada pela usina, que já estaria competitivo (na casa dos R$ 140 por megawatt/hora), e as dificuldades para dar início a projetos de energia hidrelétrica, como os das duas usinas do Rio Madeira, em Rondônia.

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Procura-se um ‘sarkozy’ brasileiro

On cherche un ‘sarkozy’ brésilien
por Marcus Mayer
para a revista World News Press | ed. JUL.2007

A busca por um messias, com projetos mirabolantes, que se apresente como ’salvador da pátria’, não é a solução. Precisamos ter a audácia de enfrentar a letargia que caracteriza o Brasil e conduzi-lo à modernidade.

A alternativa para os problemas brasileiros não é messiânica, mas seria satisfatório, no contexto do regime presidencialista, que se encontrasse alguém com competência para liderar um movimento reformista no Brasil, como o está fazendo Nicolas Sarkozy, na França. Precisa haver coragem para mostrar aos brasileiros que promessas populistas e eleitoreiras só conduzem ao atraso.

Nicolas Sarkozy - FotomontagemO estado assistencialista há muito deixou de ser capaz de introduzir mudanças que pudessem acabar com a pobreza e melhorar de forma substantiva a vida do cidadão. Muito pelo contrário, onde a presença do estado se faz presente observa-se ineficiência, corrupção e fisiologismo. Muitas atividades submetidas à administração estatal poderiam ser substituídas pela iniciativa privada que, certamente, as executaria com maior competência.

A seguir, tentamos relacionar uma série de medidas que resolveriam, no curto prazo, graves problemas enfrentados pelo Brasil:

REFORMA DO EXECUTIVO

O número de ministérios para atender às necessidades do Executivo poderia ser reduzido para algo em torno de dez. Atualmente, são 36! Os ocupantes das pastas, os ministros, deveriam ser personalidades altamente especializadas em suas respectivas áreas. A indicação de políticos para os ministérios gera um dos maiores males ao governo: o fisiologismo.

• Uma reforma administrativa seria necessária para acabar com o aparelhamento do estado e para elevar o nível técnico dos ocupantes das funções. São mais de 26.000 cargos de confiança distribuídos aos apaniguados, no governo atual. Assim como nas empresas privadas procura-se contratar os mais competentes, somente funcionários concursados e de elevado grau de instrução deveriam ser admitidos em funções executivas. Para evitar qualquer tipo de fraude, os concursos deveriam ser fiscalizados por empresas particulares de auditoria.

• A propaganda do governo deveria ser totalmente extinta, transferindo-se os seus recursos para campanhas de caráter exclusivamente educativo.

Esplanada dos Ministérios, BrasíliaA redução da quantidade de ministérios permitiria uma considerável elevação dos salários dos ministros e dos demais funcionários, equiparando-nos com a remuneração oferecida no setor privado. Técnicos de alta competência deixam atualmente de participar da administração pública por causa dessa defasagem salarial. Além disso, elevando-se o perfil do funcionalismo, a endêmica corrupção tenderia a ser consideravelmente reduzida.

PRIVATIZAÇÃO

• Uma das maiores travas para o verdadeiro desenvolvimento do Brasil é a existência dos dinossauros estatais. Não há justificativa para manter sob a égide estatal empresas que executariam melhor as suas funções em benefício do país se estivessem sob controle privado. Os fundos de pensão desses gigantes da ineficiência são antros de corrupção e não oferecem nenhum benefício aos brasileiros que deles não participam. A retomada de um programa de desestatização é uma das mais importantes medidas que um novo presidente poderia adotar.

BACEN E AGÊNCIAS REGULADORAS

• O Banco Central e as agências reguladoras necessitariam de total autonomia. Os mandatos de seus gerentes deveriam ser fixos. A ingerência política nas decisões do Banco Central ou nas agências reguladoras reduz de forma dramática a credibilidade do país e sua capacidade para atrair investimentos. Para conquistar o investment grade o caminho é longo, mas para perdê-lo basta uma simples crise de confiança.

IMPOSTOS E ENCARGOS

• A carga tributária, que gira atualmente em torno de 38%, teria de ser drasticamente reduzida e os impostos cobrados em cascata totalmente eliminados – de preferência – introduzindo-se um tipo de “imposto único”.

Nesse ‘métier’ tributário, alguns argumentariam que isso implicaria redução de receitas, inviabilizando os compromissos de pagamento do governo. Isso não faz sentido, pois a arrecadação, pelo contrário, tenderia para um crescimento constante, como conseqüência da redução de alíquotas. Com uma economia crescente, as empresas venderiam mais, e muitas outras informais optariam pelo ajuste de suas situações. A máxima “se não sonegar não sobrevive” deixaria de ser verdadeira.

• Os encargos trabalhistas que incidem sobre a folha de pagamentos das empresas também teriam de ser significativamente reduzidos para diminuir a taxa de desemprego. Sem ferir direitos adquiridos, o trabalhador deveria ter a opção de ser admitido através de um contrato de trabalho sem submissão à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Essa ultrapassada legislação, criada na década dos 1940, contribui espetacularmente para o trabalho informal. A flexibilização das leis trabalhistas e a negociação direta entre empregados e empregadores viabilizaria a criação de inumeráveis postos de trabalho.

fila_inss.jpgPREVIDÊNCIA

• A previdência social teria de ser unificada, integrando os trabalhadores dos setores público e privado, visando a reduzir o seu déficit. As pensões e aposentadorias necessitariam ser limitadas a algo em torno de 20 salários mínimos, equivalentes hoje a R$ 7.600,00, para todos os trabalhadores. O próprio presidente da República, os ministros e os demais políticos deveriam se submeter a essa regra de abrangência universal. Além do teto, o complemento das aposentadorias ficaria sob responsabilidade exclusiva de cada contribuinte, que optaria, num sistema privado de previdência, pelo plano que melhor lhe conviesse.

COMÉRCIO INTERNACIONAL

• Com o objetivo de incrementar o comércio com outros países e blocos, a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul necessitaria sofrer uma redução para no máximo 6%. Atualmente, ainda há aliquotas de 30% que incidem sobre as importações, caracterizando uma estúpida reserva de mercado. A redução da TEC inseriria definitivamente o Brasil no comércio mundial. As empresas brasileiras teriam condições de introduzir avanços tecnológicos na produção e reduzir seus preços para, conseqüentemente, exportar e empregar mais. Essa medida liberalizante, que permitiria inclusive um maior equilíbrio na balança comercial, influenciaria na melhora da posição brasileira nas rodadas de negociação da OMC (Organização Mundial do Comércio).

CUSTO BRASIL E BUROCRACIA

• Os transportes – ferrovias, rodovias, portos e aeroportos – deveriam ser entregues à iniciativa privada, submetendo-se todas as modalidades a uma única agência reguladora. As estradas esburacadas e perigosas, os elevados custos do transporte rodoviário, a ineficiência dos portos, as crises do setor aéreo e a falta de investimentos no transporte ferroviário são conseqüência da péssima administração estatal.

• Cartórios deveriam ser extintos, sobretudo, para acabar definitivamente com a burocracia e o absurdo instituto da firma reconhecida.

Na ‘república brasileira de bananas’ uma assinatura não vale nada, a não ser que se pague por ela a um dono de cartório!

• Filas em repartições públicas, como em postos da previdência ou hospitais, deveriam ser proibidas por lei. É inadmissível que idosos precisem esperar em filas intermináveis por causa da incompetência de servidores e do descaso da administração. Para solucionar o problema bastaria investir na informatização e na qualificação do pessoal de atendimento. Enquanto o setor se aperfeiçoa, o sistema de hora marcada poderia acabar de forma instantânea com esse martírio.

Em São Paulo, uma lei estabelece multas para os bancos que obriguem seus clientes a esperar mais de 15 minutos na fila. Na véspera ou no dia seguinte a feriados prolongados, esse limite sobe para 25 minutos e em dias de pagamento de funcionários públicos, o tempo máximo na fila é de 30 minutos.

escolapublica.jpgSAÚDE E EDUCAÇÃO

• Para resolver os crônicos problemas nas áreas de saúde e educação, bastaria a adoção de uma estratégia simples: políticos e seus familiares até segundo grau só poderiam fazer uso dos sistemas estatais. Isso quer dizer: filhos de políticos só estudariam em escolas públicas e suas mães só seriam atendidas em hospitais do governo.

Essa não seria uma medida liberalizante, mas necessária para a dramática diminuição das diferenças sociais. Os problemas nesses dois setores básicos – e em situação tão lastimável no Brasil – seriam resolvidos num prazo jamais visto. Dinheiro para isso certamente existe!

SEGURANÇA

• O problema penitenciário seria solucionado com a transferência dos complexos de cadeias para a administração privada. Empresas especializadas ofereceriam trabalho nas prisões, pelo qual os presos receberiam uma justa remuneração. Além disso, os criminosos pagariam através do seu trabalho pelos custos da cadeia. Teriam assim a chance de desenvolverem profissões que os habilitassem à reinserção no mercado de trabalho, depois de cumprida a pena.

Naturalmente, essa não é a plataforma política de nenhum candidato, mas seria salutar que o fosse. Os problemas brasileiros são complexos e muito mais seria necessário para reduzi-los. O que se deseja provar através desse texto e das propostas que se apresentam é que o Brasil tem jeito. Basta coragem e um pouco de audácia para adotar algumas dessas medidas.

O País poderia se transformar rapidamente em potência, aproveitando o ciclo de crescimento da economia mundial. Lamentavelmente, não existem ’sarkozys’ disponíveis no mercado para serem importados. Sendo assim, que se invente um … made in Brazil.

Durante o mês de maio, quando estávamos engajados na campanha de Nicolas Sarkozy para a presidência da França, nosso amigo e leitor Francisco Guimarães (42) deixou um curto – mas excelente – comentário num post: “Sarkozy para presidente do Brasil”, dizia. Algumas semanas depois, outro leitor, Felipe Maciel (18), se manifestou curioso diante das soluções que poderiam advir para resolver problemas crônicos do Brasil. Após vislumbrar a posição do Brasil no ranking mundial da desigualdade social calculado pela ONU, a sua frustração era nítida. Aproveito a oportunidade para agradecer aos leitores que inspiraram esse artigo.

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A contradição da imprensa

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Nosso blog procura sempre incentivar o contato com outras colunas de elevada qualidade editorial. Num momento tão triste da história brasileira, quando se observam jornalistas renomados defenderem de forma escancarada um governo corrupto como o de Lula da Silva, surge um pequeno alento: há muita gente talentosa, às vezes ainda sem tanta fama, mas que realiza um extraordinário trabalho jornalístico.

É muito contraditório vislumbrar “jornalistas” aprovarem o desrespeito à liberdade de expressão. Pior ainda é observá-los quietos. Em vez de denunciarem fatos criminosos, fecham os olhos para a corrupção e prestam serviços – que não se sabe a troco de quê (?) – ao governo.

Mino Carta, da revista Carta Capital, está pagando a sua dívida com o governo, que injetou dinheiro na publicação através de anúncios milionários do Executivo e de estatais, em momento no qual estava prestes a fechar a sua redação. Carta, jornalista inteligente, até gostaria de estar oposição, mas não pode trair a confiança do governo que o salvou da falência. Mino Carta também escreve um blog no iG.

Luís Nassif, ex-Folha de S.Paulo, ex-UOL, parece ter esquecido todas as lições de economia e de ética em jornalismo. Sua atuação no jornal da Cultura, ao lado de Salete Lemos, visa única e exclusivamente a elogiar todas – todas (!) – as medidas do governo. Nassif transferiu seu blog para o portal iG.

Paulo Henrique Amorim, da Rede Record, é outro que resolveu aderir de corpo e alma ao governo Lula da Silva. PHA escancarou de vez em seu blog, Conversa Afiada, no portal iG. Faz ótima companhia ao “blig” do chefe da quadrilha dos quarenta ladrões, José Dirceu.

Flávio Gomes, o admirado colunista de automobilismo do site Grande Prêmio, decepcionou os seus leitores com o posicionamento em defesa do autoritarismo. Resolveu escrever um artigo elogiando o idiota latino-americano Hugo Chávez e, pior de tudo, aplaudindo o cerceamento à liberdade de imprensa. Inacreditável… Quem denunciou o fato foi o blogger Ron Groo. Melhor teria sido Gomes limitar-se ao esporte. Sua página, Blig do Gomes, está em acordo com a linha editorial dos outros bloggers do iG.

Leia aqui o artigo e as respostas agressivas e mal-educadas deixadas àqueles que manifestavam contrariedade nos comentários desse blog. No texto há um link para outro jornalista do PT, Bob Fernandes.

SAIBA QUEM É O iG: “O proprietário do iG, detentor de 99,99% de seu capital, é uma empresa com sede no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, chamada Internet Group Cayman Ltd. É necessário transpor um complicado emaranhado de sociedades para se chegar a seus controladores, os grupos GP Investimentos, Andrade Gutierrez Telecomunicações e La Fonte. Em suma: todos os acionistas do iG Cayman são controladores da Telemar”, informa o site Mundo Digital, do UOL.

A tropa do portal iG

BAND - RECORDAs tevês também estão infestadas por jornalistas que desrespeitam a imparcialidade. A Record, do ‘bispo’ Edir Macedo, ‘proprietário’ do PRB (Partido Republicano Brasileiro), legenda do vice-Presidente José Alencar, demitiu Boris Casoy pelas suas denúncias contra a ladroagem e contra o governo. A Bandeirantes é sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o ‘Lulinha’, filho do presidente da República. O diretor de jornalismo da emissora, Fernando Mitre, não esconde seu grande amor pelo governo e todos os seus 36 ministros.

TV GloboA Rede Globo também está bastante satisfeita. O ministro das Organizações Globo, aliás, das Comunicações, Hélio Costa, aprovou o sistema de tevê digital escolhido pela emissora. Além disso, recorde-se de todo o empenho do BNDES para auxiliá-la em suas endividadas empresas de tevê a cabo. Felizmente, a rede ainda permite a William Waak, a Alexandre Garcia ou a Arnaldo Jabor falarem, de vez em quando. Afinal, ela não pode se dar ao luxo da desmoralização, pois tem mais a perder do que as suas concorrentes.Tornando àquilo que nos referíamos no início do post, alguns blogs de notícias fornecem muito boa informação. O respeito à liberdade de expressão deveria ser o valor mais caro a qualquer representante da imprensa.

luciolopes.jpgO jornalista Lúcio Lopes (foto), editor do blog Minuto Político, apresenta uma coluna repleta de boas informações a respeito do que se passa no Planalto Central, e tem denunciado, através das notícias publicadas, todas as mazelas do governo e dos políticos. Para quem deseja ficar atualizado sobre o que acontece na politica nacional, num formato de clipping eletrônico, o Minuto Político é uma opção excelente, e que recomendo aos nossos leitores.

Por intermédio do blog de Lúcio Lopes conheci outros espaços de elevado nível editorial, como o da economista Adriana Vandoni, Prosa & Política, de onde o artigo a seguir foi extraído. Boas leituras.


giuliosanmartini.jpgO Presidente não é sério
por Giulio Sanmartini*

O marechal Humberto Castello Branco que foi o primeiro presidente do regime militar, ficou sabendo que seu irmão, chefe em uma grande repartição pública, havia recebido como presente de seus funcionários um automóvel. Mandou chamá-lo e explicou que um fato como aquele era intolerável e não podia acontecer. O irmão disse que não tinha problema, pois ao invés de gravatas, os seus funcionários haviam feito uma coleta e dado o carro, mas que ele devolveria o veículo, ao que Castello retrucou: – Parece que você não está entendo, você já não tem mais o cargo porque já assinei tua demissão, o que estou pensando é como posso mandar te prender.

Pois é, consta que o irmão de Lula, Genivaldo Vavá, está muito mais enrolado do que parecia no início, segundo a Polícia Federal ele estaria recebendo algo com R$ 3 mil do ex-deputado estadual do Paraná Nilton Cezar Servo, acusado de comandar uma organização criminosa para a exploração de caça-níqueis. Há ainda uma gravação de Servo, falando ao telefone com um terceiro e queixando-se que Vavá estava querendo receber mais que o combinado.

* Giulio Sanmartini é jornalista e historiador, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro. Trabalhou com o filólogo Antônio Houaiss e é editor do blog Prosa & Política 

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Contrastes

Brasil: … e o Silas ‘rondou’ a baiana

silasrondeau.jpgE não poderia ser diferente. O escritor Mario Prata definiu a expressão como ‘enfezar-se’ ou ‘dar um escândalo público’. Assim aconteceu com o ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau.

Que falta de vergonha: queria continuar no cargo depois de ser apontado como beneficiário do esquema de fraude em licitações. Conforme noticiado no site Folha Online, o escândalo começou a respingar em Rondeau quando a PF prendeu, durante a Operação Navalha, Ivo Almeida Costa, que era assessor especial de seu gabinete.

Suíça: Uma história exemplar

L'HebdoO parágrafo que acabo de escrever acima, acicatou minha memória para um fato ocorrido na época em que ainda morava em Genebra. Comprei um exemplar da revista quinzenal de política e economia, L’Hebdo, uma espécie de Veja da Suíça francesa. Logo ao folhá-la estranhei a quantidade de páginas (aprox. 30 – quase metade da edição) dedicadas a um único deputado nacional. Ao começar a ler a matéria descobri tratar-se de uma espécie de “direito de resposta”.

Não mais me lembro do nome do parlamentar, mas recordo perfeitamente alguns detalhes do conteúdo da publicação, que muito chamaram a minha atenção. A revista esclarecia ter cometido um grave engano ao divulgar o envolvimento do deputado em um eventual caso de corrupção – até na Suíça acontecem dessas coisas(!). Logo que seu nome fora envolvido no caso, o parlamentar afastou-se da função, como é praxe.

O caso foi levado à Justiça e o deputado reassumiu o cargo após sua absolvição. Alguns poderiam desconfiar que a justiça de lá falhara, mas não foi esse o acontecido. A própria revista reconheceu o erro, desculpou-se publicamente, e o parlamentar teve o direito de expor a defesa, narrando sua história no dobro de páginas que continham as anteriores acusações.

boriscasoy_foto.JPGO que concluo dessa história, em comparação ao que acontece no Brasil, é que o afastamento do cargo é algo natural e óbvio, quando do envolvimento de um servidor público em escândalo de corrupção. Aqui é muito comum apelar para a famosa “suposição de inocência até que se prove o contrário”. Isso é uma vergonha(!), como diria o jornalista Boris Casoy (foto). Na política, essa prerrogativa só estimula o festival de caras-de-pau.

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Al Gore – Brazil

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Al Gore será candidato à presidência dos Estados Unidos em 2008? Por todos os lugares em que passa, essa é a pergunta mais repetida. A sua habitual resposta é de que não tem intenção de concorrer. Mas também não tem intenção de não concorrer. Um grande número de pessoas está convencido de que Gore pode ser persuadido a candidatar-se. Por isso, ingressamos, oficialmente, em uma campanha popular com o objetivo de estimulá-lo a lançar sua candidatura. O movimento chama-se: Al Gore – The 2008 Grassroots Draft Campaign.

Entre 1993 e 2001, Al Gore foi vice-presidente dos Estados Unidos, durante a administração de Bill Clinton, do Partido Democrata. Em 2000 concorreu à presidência e, apesar de ter tido mais votos populares, perdeu a eleição para George Bush, no Colégio Eleitoral.

Em 2006, Gore lançou An Inconvenient Truth, um filme sobre o aquecimento global, que ganhou o Oscar de melhor documentário em 2007. Conjuntamente com o presidente da Virgin, Richard Branson, lançou um concurso que pagará US$ 25 milhões para o cientista que apresentar o melhor projeto para diminuir as emissões de dióxido de carbono na atmosfera. Como ativista ecológico, Gore escreveu dois livros: “A Terra em Balanço: Ecologia e o Espírito Humano”, editado pela Augustus, em 2003 e “Uma Verdade Inconveniente”, pela editora Manole, em 2006.

Visite o site da campanha popular clicando aqui e ingresse na comunidade “Al Gore – Brazil”, que criamos para marcar a presença do Brasil nos assuntos de interesse global

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