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	<title>Marcus Mayer's Blog &#187; Relações Internacionais</title>
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		<title>Obama: o começo da história</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Apr 2009 19:28:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Barack Obama]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes que se definissem nas eleições primárias os nomes dos candidatos que concorreriam por cada um dos dois grandes partidos americanos – o Democrata e o Republicano – à sucessão de George W. Bush, apoiamos o lançamento do nome de Al Gore. O ex-vice-presidente no governo de Bill Clinton, Al Gore, foi aquele que venceu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"><em><span style="font-size: 16pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd"><strong><img class="size-full wp-image-2804  aligncenter" title="Barack Obama" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/04/org_believe.jpg" alt="Barack Obama" width="600" height="131" /></strong></span></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"><em><span style="font-size: 16pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd"><strong>A</strong></span>ntes que se definissem nas eleições primárias os nomes dos candidatos que concorreriam por cada um dos dois grandes partidos americanos – o Democrata e o Republicano – à sucessão de George W. Bush, apoiamos o lançamento do nome de Al Gore. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">O ex-vice-presidente no governo de Bill Clinton, Al Gore, foi aquele que venceu as eleições presidenciais nas urnas, em 2000, contra George Bush, mas perdeu a disputa nos tribunais do estado da Flórida, governado na época por Jeff Bush, irmão do candidato republicano. </span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Gore não entrou na corrida presidencial em 2008. Todavia, apresentaram-se à sucessão em Washington alguns nomes interessantes e de competência reconhecida. </span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Do lado republicano, Rudolph Giulianni, ex-prefeito de Nova York, e John McCain, senador pelo estado do Arizona. Apesar de pertencerem ao mesmo partido do presidente, esses dois nomes expressavam oposição a diversas políticas do governo Bush.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Entre os democratas, Hillary Clinton e Barack Obama travaram uma disputa acirradíssima durante a campanha pelas eleições primárias, encerrada somente no final do processo de escolha do candidato partidário.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">McCain foi o escolhido pelos republicanos. Contra ele, Obama venceu a eleição presidencial de 2008, pelo Partido Democrata.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">No texto a seguir, apresentamos algumas conclusões que já se podem tirar, após decorridos os primeiros meses do mandato do 44º presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em></em><strong></strong></p>
<hr style="width: 640px; color: #ffffff; border: #cccccc 1px solid;" />
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">marcus-mayer.com</span></p>
<p><strong><span style="font-size: 15pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #ffffff;"><img class="alignleft size-full wp-image-1175" title="mm150x187" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/mm150x187.jpg" alt="mm150x187" width="165" height="197" /></span></span></span></strong><strong><span style="font-size: 15pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">O começo de uma nova história</span></strong><strong><br />
</strong><span style="font-size: 100%; font-family: Tahoma; color: #999999">por Marcus Mayer</span><br />
<span style="font-size: 100%; font-family: Tahoma; color: #999999">exclusivo para o</span><span style="font-size: 100%; font-family: Tahoma; color: #999999"><em> Blog</em> | Quinta-feira, 16 de abril de 2009</span><span style="font-size: 100%; font-family: Tahoma"> </span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 16pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">F</span></strong><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">riedrich Hegel, um dos grandes filósofos do século 19, foi o precursor de uma teoria denominada “o fim da história”, que caracterizaria um processo de mudança no qual a humanidade atingiria um equilíbrio, representado pela ascensão do liberalismo e da igualdade jurídica. No final do século XX, Francis Fukuyama resgatou a teoria no contexto de sua obra “O fim da história e o último homem” (1992), na qual retrata, de Platão a Nietzsche, passando por Kant e pelo próprio Hegel, os fundamentos de uma teoria na qual o capitalismo e a democracia liberal constituiriam o ápice final de um processo histórico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Para Fukuyama, após a destruição do fascismo e do socialismo, a humanidade teria atingido o ponto culminante de sua evolução com o triunfo da democracia liberal ocidental sobre todos os demais sistemas e ideologias concorrentes. Restariam apenas vestígios de nacionalismos e o fundamentalismo islâmico ficaria restrito a países periféricos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Sob uma outra óptica, Samuel Huntington propôs em sua obra, “O choque de civilizações e a reconstrução da ordem mundial” (1996), em oposição a Fukuyama, uma teoria segundo a qual as identidades culturais e religiosas dos povos se tornariam a principal fonte de conflito no mundo pós-Guerra Fria. Em sua tese,</span><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"> afirmava que os grandes conflitos no futuro teriam como eixo principal critérios culturais. Para Huntington, a história não teria terminado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">A eleição de Barack Hussein Obama para a presidência dos Estados Unidos, talvez, represente o início de um novo processo histórico. Preceitos políticos e econômicos, que influenciam toda a sociedade mundial, poderão encontrar novos fundamentos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">O primeiro sinal que aponta para o começo de uma “nova história” é a forma pela qual Obama enfrenta a crise econômica. Por maiores que sejam as intervenções governamentais e os aportes de dinheiro público no setor privado, distintamente da estratégia para combater a crise dos anos 1930, o protecionismo de mercado é a arma descartada de antemão. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Durante a recente cúpula do G20, em Londres, democratas americanos, trabalhistas ingleses e liberais, alemães e franceses, representados respectivamente pelos chefes de estado, dos Estados Unidos, Barack Obama, do Reino Unido, Gordon Brown, da França, Nicolas Sarkozy, e da Alemanha, Angela Merkel, concordaram em manter estímulos ao livre comércio. A interferência estatal sobre empresas em dificuldades só deverá ser exercida quando o risco de aprofundamento na crise e o consequente desemprego em massa buscar por esta solução.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"><img class="size-full wp-image-2837  aligncenter" title="obama_g20" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/04/obama_g20.jpg" alt="obama_g20" width="600" height="404" /></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Internamente, por maior que seja a oposição conservadora ao governo de Obama, republicanos e democratas já não discordam radicalmente, como ocorreu em outros tempos. Principalmente, no que concerne ao grau de liberdade econômica que deve ser oferecido ao mercado. Do lado republicano, reconhecem-se alguns exageros na falta de controles e regulamentações, sobretudo, na área do mercado de capitais. Entre os democratas, não há entusiasmo pela criação de reservas de mercado ou qualquer tipo de estatização de empresas privadas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">O liberalismo econômico é reconhecido como meio eficaz e justo para o alcance do desenvolvimento social dos povos. O livre comércio, como uma das principais consequências da globalização, permitiu a um número extraordinário de cidadãos, principalmente nos países menos desenvolvidos, ultrapassar a linha da pobreza. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Contudo, a distribuição de riquezas não tem ocorrido de forma equânime. Enquanto pobres conseguiram avançar modesta e lentamente, ricos se tornaram muito mais ricos, num prazo exíguo. Essas são distorções que competem aos governos resolver. Abrir mão de impostos e reduzir barreiras comerciais são as melhores soluções. Acabar com subsídios agrícolas e todo tipo de protecionismo de mercado também permitirá grandes avanços, sobretudo, para que nações pobres tenham acesso aos mercados dos países mais desenvolvidos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">No cenário internacional, sobretudo, no que concerne às relações entre os Estados Unidos e os governos com os quais existem profundas diferenças, como nos casos de Cuba e do Irã, o presidente Obama acena com nítidas mudanças. Naturalmente, a vontade de melhorar o relacionamento entre os países depende da boa vontade das duas partes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Os primeiros sinais para colocar fim ao embargo econômico imposto à ditadura cubana já foram dados. As viagens para a ilha foram totalmente liberadas, tal qual as remessas de dinheiro enviadas por residentes nos Estados Unidos aos seus parentes em Cuba. Até Fidel Castro já se manifestou favorável ao início de conversações. As chances de cubanos reconquistarem a liberdade e seus direitos democráticos tornam a ser reais.  </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">O caso do Irã é mais difícil. Enquanto os Estados Unidos já não são mais governados por representantes do ultraconservadorismo cristão, o Irã ainda caminha pelos trilhos do fundamentalismo islâmico. Espera-se que as próximas eleições presidenciais iranianas apontem para o abrandamento do regime.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">A estratégia de combate ao terrorismo também mudou de foco. Enquanto o governo anterior desperdiçou recursos de todos os tipos no Iraque, Obama pretende ir atrás de terroristas da Al-Qaeda onde realmente se encontram, ou seja, na divisa entre o Paquistão e o Afeganistão.   </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">O conflito palestino-israelense será, certamente, o maior desafio para a Secretária de estado, Hillary Clinton. A vitória dos conservadores em Israel, liderados por Benjamin Netanyahu e a coligação com o partido de Avigdor Lieberman, que sustentará o seu gabinete, é péssimo indicador para a busca pela paz na região.   </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Nesse curto período sob o governo Obama, foi, todavia, no campo das ciências que ocorreu a mais importante mudança interna, com reflexos para toda a humanidade. A lei que impedia o financiamento público para pesquisas com células-tronco embrionárias foi revogada, já nas primeiras semanas do novo governo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Espera-se que, sob a nova administração democrata em Washington, as crianças americanas resgatem o pleno direito de aprender ciências nas escolas e que o ensino de crenças, sejam elas quais forem, fique restrito às instituições religiosas e às igrejas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">A mesma esperança é depositada em relação à atitude americana frente ao problema do aquecimento global. O liberalismo saberá encontrar regras que permitirão dar continuidade ao desenvolvimento econômico, porém, diminuindo os danos que o progresso imprime ao meio ambiente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Depois dos oito desastrosos anos de unilateralismo, imposto pela doutrina Bush na Casa Branca, os Estados Unidos voltam a ser vistos como parceiros confiáveis e por meio de um olhar de admiração, e não de rejeição. O país de Barack Obama resgata o respeito que sempre mereceu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Os valores democráticos e liberais tornam a servir de exemplo para a humanidade, respeitando-se as culturas e as religiões de outros povos. A preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável retornam à pauta, com mais força que antes. Começa uma nova história.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"><img class="size-full wp-image-2825 aligncenter" title="Clash of Civilizations" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/04/clash-of-civilizations.png" alt="Clash of Civilizations" width="600" height="422" /></span></p>
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		<title>Os primos de Guiné-Bissau</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 21:33:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Africa]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[África]]></category>

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		<description><![CDATA[O fenômeno da globalização transformou os cursos de Relações Internacionais (R.I.) numa opção significativamente atrativa para os estudos de graduação e pós-graduação nas melhores universidades brasileiras e ao redor do mundo. A grande procura transformou a carreira numa das mais disputadas da FUVEST, o exame para ingresso na Universidade de São Paulo (USP).  O profissional [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 15pt; color: #9fb6cd; font-family: Helvetica;"><strong><img class="alignleft size-full wp-image-1616" style="border: 0px;" title="Flag of Guinea-Bissau" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/flag-guinea-bissau.jpg" alt="Flag of Guinea-Bissau" width="170" height="99" />O </strong></span><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">fenômeno da globalização transformou os cursos de Relações Internacionais (R.I.) numa opção significativamente atrativa para os estudos de graduação e pós-graduação nas melhores universidades brasileiras e ao redor do mundo. A grande procura transformou a carreira numa das mais disputadas da FUVEST, o exame para ingresso na Universidade de São Paulo (USP).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;"> </span><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">O profissional de R.I., além de aprofundar seus estudos em geografia e história mundial, recebe boa dose de conhecimentos em sociologia, economia, política, direito internacional, filosofia e línguas estrangeiras.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;"> </span><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">O leque que se apresenta no mercado de trabalho também é bastante amplo. Abrange funções em organizações governamentais e não-governamentais, em organismos internacionais como ONU, OMC, blocos regionais (UE, Mercosul, Nafta), na iniciativa privada etc. Permite também uma excelente base de conhecimentos para eventual ingresso na carreira diplomática (esta depende de aprovação no exame do Instituto Rio Branco, vinculado ao Itamaraty).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;"> </span><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">Os profissionais podem, ao sabor do próprio gosto e do trabalho que executam, escolher as especializações. Contudo, assim como o é para os diplomatas, a tarefa de dominar a grande gama  informações sobre os quase 200 países do mundo, é árdua.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;"> </span><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">&#8220;Quase&#8221; 200 países? Por que não apresentar o número exato? &#8211; Dependendo da fonte de informação esse número é distinto. O Departamento de Estado americano (U.S. Department of State) reconhece 194 países independentes. As Nações Unidas contabilizam 192 membros e mais dois estados independentes (Vaticano e Kosovo). A minha conta monta a 196, pois nela incluo Taiwan e Palestina.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">Toda essa introdução visa somente a demonstrar como é extensa a quantidade de informações com as quais lidam os profissionais de R.I., em geral generalistas. Existem, todavia, aqueles especializados em países específicos ou em determinado grupo (OCDE, América Latina, África, Oriente Médio, Extremo Oriente etc.).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">Hillary Clinton, atual Secretária de Estado (cargo que corresponde aqui ao de Ministro de Relações Exteriores) do governo de Barack Obama, admirada pelo seu conhecimento a respeito da geografia mundial, também terá de enfrentar o problema. Todavia, tem à disposição, como fonte de dados, todo o Departamento de Estado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;"><strong>AFRICA</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">No início do ano, divulgamos notícia a respeito da entrada em vigor do acordo ortográfico assinado pelos 8 estados que compõem a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (Portugal, Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, e, Timor Leste). O grupo é integrado por um país europeu, um americano, um asiático e cinco africanos. Exceção feita para Portugal, que integra a União Européia, e para o Brasil, os demais apresentam as piores posições no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e encontram-se entre as nações mais pobres do planeta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;"><img class="alignleft" title="joao-bernardo-vieira-isabella" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/joao-bernardo-vieira-isabella.jpg" alt="joao-bernardo-vieira-isabella" width="185" height="380" /></span>Ontem fomos surpreendidos com a notícia do assassinato do presidente de Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira. Excetuando-se a barbarie do ato, a notícia não encontra nenhuma grande relevância na comunidade internacional. Isso pode ser constatado facilmente, pois, em seguida ao ocorrido, pouquíssimos sites ou canais de notícias tornaram a abordar as consequencias do fato.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">Quem lê o post talvez se sinta desestimulado em prosseguir, dada a irrelevância da notícia. Pedimos, contudo, que continue a leitura, pois logo atingiremos o objetivo do texto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">Guiné-Bissau precisa da solidariedade dos brasileiros! Primeiramente, porque seu povo é extremamente sofrido, considerando-se sua história – da colonização portuguesa aos dias recentes, nos quais atravessou guerra civil e sofreu golpes de estado. O seu povo enfrenta todos os mais graves problemas originados na pobreza: elevada taxa de mortalidade infantil (102/1000), analfabetismo (57,6%) e infectados pelo vírus HIV (10%). Guiné-Bissau, de acordo com o <a title="Guinea Bissau" href="https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/pu.html">CIA World Factbook</a>, está entre os cinco países mais pobres do mundo; sua renda é de somente US$600 (PPP – Purchasing Power Parity). A politica e a economia do país estão infectadas pelo tráfico internacional de drogas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">O segundo fator pelo qual Guiné-Bissau requer solidariedade é a provável existência de primos – por mais remotos que sejam – de boa parcela de brasileiros, que encontra suas raízes entre os escravos negros que para cá foram trazidos à força durante a colonização.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">Historiadores e geógrafos classificam a origem dos escravos africanos entre bantos e sudaneses. O primeiro grupo corresponde aos originários, principalmente, do Congo, de Angola e de Moçambique. Os chamados sudaneses, grupo ao qual os povos de Guiné-Bissau podem pertencer sob esta classificação, foram trazidos, principalmente, de territórios que correspondem atualmente à Nigéria, à Costa do Marfim e a Benin, região também conhecida como ”Costa do Escravo”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">Enquanto os bantos foram vendidos (que barbaridade!) em maior número para os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco, os sudaneses ingressaram no Brasil, majoritariamente, pela Bahia. Hoje, seus descendentes habitam e se misturam por todo o território brasileiro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">Ao realizar pesquisa na Internet, fiquei impressionado com o fato de encontrar tão poucas informações sobre Guiné-Bissau. O site oficial do governo parece nem existir. A maior parte das informações que possuo estão nos sites de estatísticas, atlas e livros de geografia. Todavia, tenho uma fonte fidedigna para prestar o testemunho do dia-a-dia do país e de seu povo. É meu colega de curso, <strong>Justino Có</strong>, na faculdade de Filosofia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;"><img class="alignright size-full wp-image-3042" style="border: 0px;" title="guine-bissau-pictures" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/guine-bissau-pictures.jpg" alt="guine-bissau-pictures" width="365" height="348" />Na USP, tenho a oportunidade de conversar com Justino sobre qualquer assunto e, primacialmente, a respeito de Guiné-Bissau. Sua trajetória pessoal é das mais admiráveis e estou certo que, depois de anos de estudos universitários no Brasil, quando retornar, contribuirá para o desenvolvimento e para a redução da pobreza em seu país. Detalhe interessante dessa história, e que precisa ser lembrado, é que conversamos em português!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">Nós brasileiros, temos condições de fazer muito mais que quaisquer outras nacionalidades, para contribuir com Guiné-Bissau e com os demais países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa na África e, até mesmo, no Timor Leste.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">Do governo do Brasil, que gosta de afirmar que tem uma diplomacia a qual privilegia as relações com países do continente africano, não podemos esperar nada. O Itamaraty, em toda a sua história, jamais foi conduzido por um time tão incompetente em relações exteriores, como durante o governo atual. Porém, das organizações não-governamentais, das empresas, das escolas, e principalmente dos cidadãos brasileiros, que têm 42,8%* de sua população constituída por descendentes de africanos, conforme dados do IBGE, devemos aguardar muito!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;"><em><span style="color: #999999;">* o percentual corresponde à soma daqueles que se incluem entre “pretos” e “pardos” (terminologia oficial) nas pesquisas do órgão; todavia, o número de descendentes de negros (”esbranquiçados” pela miscigenação, mas que apresentam mais de 10% de contribuição subsaariana no DNA) é consideravelmente maior, e corresponde a 86% da população brasileira, de acordo com estudos de <a title="Estudos Avançados - Sérgio Pena e Maria Cátira Bortolini" href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142004000100004&amp;script=sci_arttext&amp;tlng=en">especialistas</a>.</span></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 80%; font-family: Helvetica;"><em><span style="color: #ffffff;">RECOMENDAÇÃO DE LEITURA </span></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica;"><img class="alignleft" title="muito-longe-de-casa" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/muito-longe-de-casa.jpg" alt="muito-longe-de-casa" width="120" height="185" />Àqueles que se interessam pela África, recomendo a leitura de um ótimo livro, sob o título <strong><a title="Muito longe de casa - Pesquisa de preço" href="http://compare.buscape.com.br/muito-longe-de-casa-ishmael-beah-8500021217.html">Muito longe de casa &#8211; Memórias de um menino-soldado</a></strong>, de <strong>Ishmael Beah</strong>, nascido em Serra Leoa. O relato é autobiográfico. Descreve a matança de sua etnia por rebeldes e seu aliciamento como &#8221;menino-soldado&#8221; durante a guerra civil, aos 12 anos de idade. O mais importante da obra é poder constatar a importância de ações humanitárias que acabaram oferecendo um final surpreendente à trajetória.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica;"><em>Aproveito para deixar registrado aqui no blog um especial agradecimento, a minha querida amiga <strong>Débora Bomventi</strong>, da Universidade de São Paulo, que me presenteou com este livro.</em></span></p>
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		<title>O retorno do multilateralismo</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jan 2009 19:46:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Barack Obama]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>

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		<description><![CDATA[O mundo será diferente a partir de hoje. Com a posse do primeiro presidente americano de origem africana, Barack Hussein Obama, as esperanças por um mundo melhor encontram mais chances de se transformarem em realidade.  A Queda do Muro de Berlim, no final do século passado, abriu caminho para o multilateralismo. A derrota de Al Gore em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-918" title="obama" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/01/obama.jpg" alt="obama" width="435" height="181" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 150%; color: #9fb6cd; font-family: Tahoma;">O</span></strong><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;"> mundo será diferente a partir de hoje. Com a posse do primeiro presidente americano de origem africana, <strong>Barack Hussein Obama</strong>, as esperanças por um mundo melhor encontram mais chances de se transformarem em realidade. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica;">A Queda do Muro de Berlim, no final do século passado, abriu caminho para o multilateralismo. A derrota de Al Gore em 1999 e os atentados do 11 de Setembro imprimiram à humanidade um período nebuloso, durante os oito anos do governo de George W. Bush. O unilateralismo americano colocou as Nações Unidas em segundo plano e a imagem internacional do país chegou ao fundo do poço.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Tahoma;">Não só os Estados Unidos, mas o mundo todo viveu hoje um grande dia. A famosa frase de Martin Luther King, &#8220;I have a dream&#8221;, deixou de representar uma utopia para descrever a realidade do presente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Tahoma;"><span style="color: #ffffff;">&#8230;</span></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Uma análise sóbria sobre o Iraque atual</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Nov 2007 05:58:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Vargas Llosa]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das críticas mais constantes que se ouve a respeito da intervenção americana no Iraque refere-se ao tipo regime que se pretende impor a um povo que não tem qualquer vínculo ou tradição com a democracia ocidental, principalmente, a americana. O ódio aos Estados Unidos, alimentado pela doutrina Bush, tem caracterizado a maioria dos textos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Prospect: Mission accomplished, by Bartle Blum" href="http://www.prospect-magazine.co.uk/article_details.php?id=9804"><img title="prospect.jpg" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/11/prospect.jpg" alt="prospect.jpg" hspace="10" vspace="5" align="right" /></a><em><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Uma das críticas mais constantes que se ouve a respeito da intervenção americana no Iraque refere-se ao tipo regime que se pretende impor a um povo que não tem qualquer vínculo ou tradição com a democracia ocidental, principalmente, a americana. O ódio aos Estados Unidos, alimentado pela doutrina Bush, tem caracterizado a maioria dos textos que se vêem publicados na imprensa latino-americana e européia. </span></em></p>
<p><em><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Por essa razão, a leitura do artigo de Mario Vargas Llosa, que é um resumo &#8211; como ele próprio afirma &#8211; de um ensaio de Bartle Bull, publicado na revista britânica <strong>Prospect</strong> -, é um alento àqueles que desejam informação isenta de demagogia e</span></em><em><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"> propaganda.</span></em></p>
<p><a title="Prospect: Mission accomplished, by Bartle Blum" href="http://www.prospect-magazine.co.uk/article_details.php?id=9804"><em>Caso haja interesse de aprofundamento no assunto, clique aqui para ler o ensaio original, da revista Prospect, sob o título &#8216;Mission accomplished&#8217;, de Bartle Bloom, em inglês.</em></a></p>
<hr id="null" /><a title="vargas-llosa.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/vargas-llosa.jpg"><img title="vargas-llosa.jpg" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/vargas-llosa.jpg" alt="vargas-llosa.jpg" vspace="3" align="left" /></a><strong></strong><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">Terroristas se dão mal no Iraque</span><span style="font-size: 9pt; font-family: Tahoma"><br />
</span></strong><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999">por Mario Vargas Llosa</span><br />
<em></em><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999">para</span><em><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999"> </span></em><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999"><em>O Estado de S.Paulo</em> | Domingo, 11 de novembro de 2007</span><span style="font-size: 100%; font-family: Tahoma"><br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">A</span></strong><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">lguém se atreveria a afirmar, hoje, contra a impressão generalizada, que a intervenção militar no Iraque, em vez de um fracasso catastrófico, vai cumprindo seus objetivos e já alcançou um ponto de não retorno? Bartle Bull, especialista inglês no Oriente Médio, no último número de <em>Prospect</em>, a prestigiosa revista londrina dirigida por David Goodhart, publica um ensaio defendendo essa tese, intitulado “Missão cumprida”. Seus argumentos são polêmicos, mas nada propagandísticos, nem demagógicos.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Bull deixa de lado a questão de se foi errônea ou acertada a decisão de intervir no Iraque &#8211; algo que os historiadores decidirão no futuro &#8211; e limita-se a cotejar a situação atual do país e a que reinava quase quatro anos e meio atrás, quando Estados Unidos, Grã-Bretanha e um grupo de países aliados decidiram acabar com a ditadura de Saddam Hussein. Ele sustenta que, hoje em dia, as forças da coalizão se encontram no Iraque com a anuência de um governo democraticamente eleito e com um mandato que a ONU vem renovando a cada ano desde maio de 2003, a última vez em agosto passado.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">No seu entendimento, as metas estratégicas da intervenção foram alcançadas. O Iraque não se desintegrou e sua unidade territorial e política parece agora mais firme do que outrora, pois o sistema descentralizado em marcha conta até com o apoio dos curdos, cuja vocação separatista diminuiu de maneira radical. Em vez de uma ditadura, o país é uma democracia na qual, em todas as eleições realizadas, a participação popular foi enorme, superior à que caracteriza as sociedades abertas do Ocidente, de modo que seu governo tem uma legitimidade jurídica e política indiscutível. O país já se deu uma Constituição que garante uma independência institucional e liberdades públicas que nem o Iraque nem nenhum de seus vizinhos conheceram em sua história.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Não eclodiu uma guerra civil e o Irã não ocupou o Iraque nem tutela sua vida política. O país deixou de ser um perigo para a paz mundial e, embora muito lentamente, vai se convertendo na primeira sociedade árabe com eleições livres, liberdade de imprensa, partidos políticos diversos e direitos civis reconhecidos.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">A violência, é claro, continua causando sofrimentos terríveis. Mas, embora seja obscena a comparação, o número de mortos dessa guerra e do terrorismo resultante &#8211; os cálculos variam de 80 mil a 200 mil &#8211; está longe de alcançar o 1,5 milhão de mortos resultante das guerras, genocídios e repressões do regime baathista de Saddam Hussein. A imensa maioria dessas mortes foi obra das matanças cegas e indiscriminadas contra a população civil cometidas pelos terroristas estrangeiros da Al-Qaeda ou os de organizações sunitas e xiitas que guerreavam entre si e procuravam neutralizar a população civil pelo pânico.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Embora esse gênero de violência provavelmente se prolongue ainda por muito tempo &#8211; o número de fanáticos capazes de voar em pedaços com um caminhão ou carro carregado de explosivos parece nunca acabar -, ele perdeu toda significação política e, hoje, converteu-se em um problema puramente local e policial. Foi diminuindo aos poucos, e o fato decisivo contra ele foi o distanciamento e a ruptura crescentes entre a Al-Qaeda e a população sunita. Essa aliança aliança foi esfriando à medida que os dirigentes sunitas se convenciam de que, ao contrário do que acreditavam no início, as tropas americanas e britânicas só abandonarão o país quando o governo iraquiano estiver em condições de assegurar a ordem e a paz. Convenciam-se, em outras palavras, de que o Iraque não será um segundo Vietnã.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Bartle Bull assinala que a aliança entre a Al-Qaeda e outras seitas terroristas fundamentalistas (todas mais ou menos identificadas com um wahabismo radical) empenhadas em ressuscitar a pureza de costumes e a ortodoxia doutrinária “do tempo do Profeta”, de um lado, e os sunitas do Baath (um partido inspirado no nacional-socialismo de Hitler, não se deve esquecer) ansiosos para restaurar os privilégios de que gozavam no tempo de Saddam Hussein estava condenada à divisão.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">O mal-estar cresceu quando os fanáticos wahabistas estrangeiros, em sua fúria puritana, começaram a impor sua rígida moral nas zonas por eles dominadas, proibindo o cigarro, assassinando os vendedores de álcool e os xeques das tribos, além de casar jovens à força com os “emires” do grupo denominado “Estado Islâmico do Iraque”.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">A ruptura se consumou quando os sunitas compreenderam que podiam encontrar uma forma de acomodação e convivência no novo Iraque onde a maioria xiita &#8211; três vezes mais numerosa que a minoria sunita &#8211; terá as rédeas do poder.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Bull assinala que a nova política pragmática dos sunitas tornou possível, por exemplo, a notável transformação da Província de Anbar, durante bom tempo uma cidadela da resistência e do terrorismo, e agora a mais pacífica de todo o país. Nas 18 províncias iraquianas, a violência se reduziu a níveis mínimos ou desapareceu na metade delas.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Esse processo deve se acelerar à medida que a população sunita sentir, nos fatos, que sua sobrevivência não está ameaçada no Iraque dominado pelos xiitas e que sua presença, tanto nas instituições como na vida econômica, política e social, está assegurada.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Um passo nessa direção, diz Bull, foi o acordo de princípio entre xiitas, sunitas e curdos sobre a delicada questão da distribuição do faturamento com o petróleo, que deverá ser confirmado em breve com a aprovação de uma lei avalizada pelos Estados Unidos, pela União Européia e pelas Nações Unidas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Bull destaca alguns marcos nesse desenvolvimento. Um deles foi a batalha entre sunitas e xiitas desencadeada com a destruição, por aqueles, da mesquita de Samarra. Foi o momento em que parecia inevitável uma guerra civil generalizada. Mas os sunitas, cedendo ao realismo, recuaram quando se viram derrotados. A partir daí, eles começaram, no início discretamente e agora de maneira explícita, a pactuar com os Estados Unidos e o governo de Nuri al-Maliki.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Um dos efeitos desses acordos foi o número crescente de sunitas incorporados ao Exército e às forças policiais iraquianas nos últimos meses. Nas últimas semanas, foram 5 mil.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>EMPREGO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Ao mesmo tempo, num gesto de reciprocidade, o governo iraquiano deu emprego no serviço público a outros 7 mil sunitas e reconheceu o direito a vencimentos plenos de todos os ex-oficiais e soldados baathistas reformados, com exceção dos 1.500 vinculados a crimes e torturas &#8211; a maioria dos quais, ademais, já está presa, morta ou fugiu para a Síria, a Jordânia e a Arábia Saudita.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Esse é um resumo muito sucinto do ensaio de Bartle Bull. Minha impressão é que, embora possa parecer demasiadamente otimista e ainda não ressalte suficientemente, entre suas considerações, as seqüelas trágicas que certamente terá para a reconstrução do Iraque e a normalização de sua vida social a hemorragia atroz de vidas humanas e bens causada pelo terror, assim como a fuga para o estrangeiro de seus melhores quadros, executivos e profissionais, as perspectivas que o analista britânico assinala para o futuro do Iraque são provavelmente exatas, embora os prazos talvez sejam mais dilatados do que ele acredita.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Somente o ódio tão amplo aos Estados Unidos explica o consenso, entre comentaristas e políticos ocidentais e terceiro-mundistas, de que, assim como no Vietnã, as tropas americanas acabarão partido às pressas, expulsas do Iraque pelos “resistentes” e pela repulsa da opinião pública internacional. Por sangrenta e dolorosa que seja a situação no local, o certo é que agora no Iraque não são os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, mas sim os bandos terroristas que estão levando a pior.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">A última contra-ofensiva dirigida pelo general americano David Petraeus obteve maior sucesso que o esperado e, até agora, não houve o menor retrocesso. E está claro que se iludiam os que achavam que, com um triunfo democrata nas próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos, viria a debandada. Hillary Clinton e Rudolph Giuliani, os dois prováveis candidatos, deixaram bem claro que, a esse respeito, sua posição é semelhante: a retirada das tropas será feita na medida em que o governo iraquiano esteja em condições de substituí-las tanto na batalha contra o terror como na manutenção da ordem pública.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Sendo assim, eu também penso que os enormes sacrifícios do povo iraquiano nesses últimos quatro anos e meio não terão sido em vão.</span> </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Abertura: caminho para a prosperidade</title>
		<link>http://marcus-mayer.com/blog/2007/06/25/abertura-caminho-para-a-prosperidade/</link>
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		<pubDate>Mon, 25 Jun 2007 20:05:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[A semana começou com uma ótima notícia: países emergentes estão acordando para uma realidade muito distinta daquela adotada pelo governo brasileiro. Já está exaustivamente provado que a melhor alternativa para a erradicação da pobreza é a integração comercial. Em nossa mais recente coluna WEEKLY NEWS, em três blocos de notícias, alertamos para o tema. Citamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd"><img class="alignleft size-full wp-image-1864" title="The World Trade Organization" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/06/the-world-trade-organization.png" alt="The World Trade Organization" width="200" height="150" />A</span></strong><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"> semana começou com uma ótima notícia: países emergentes estão acordando para uma realidade muito distinta daquela adotada pelo governo brasileiro. Já está exaustivamente provado que a melhor alternativa para a erradicação da pobreza é a integração comercial.</span><br />
<span style="font-style: italic"><br />
</span><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Em nossa mais recente coluna WEEKLY NEWS, em três blocos de notícias, alertamos para o tema. Citamos o exemplo da Coréia do Sul que, através de maciços investimentos em educação, ciência e tecnologia, conseguiu fazer a transição de uma sociedade agrária para uma rica economia industrial. Através da elevação da competitividade externa, a nação asiática conquistou a riqueza e melhorou a distribuição da renda.</span><br />
<span style="font-style: italic; font-size: 78%">Leia os blocos “Idade Média”, “Na contramão” e “Vergonha” na última coluna WEEKLY NEWS</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">No Brasil, de contrapartida, os interesses político-partidários e a corrupção falam mais alto. Têm tanta importância que, travestidos de ”defesa dos interesses nacionais”, cooptaram a Índia e conseguiram travar o avanço nas negociações da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio.</span><span style="font-style: italic"><br />
<span style="font-size: 78%">Leia o artigo da <span style="font-weight: bold">BBC Brasil</span> abaixo.</span></span><br />
<span style="font-style: italic"><br />
</span><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">O que está em jogo?</span><br />
<span style="font-style: italic"><br />
</span><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">1º.) Alguns grandes empresários – que também são os maiores doadores de campanhas políticas – não desejam a abertura econômica, ou seja, a concorrência externa. Querem aumentar seus lucros e manter os negócios da forma que estão. Que vantagens teriam em vislumbrar as prateleiras do comércio abarrotadas de produtos importados de melhor qualidade e menor preço?</span><br />
<span style="font-style: italic"><br />
</span><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">2º.) Latifundiários, que têm uma enorme bancada de representantes no Parlamento e são doares de altíssimas quantias nas campanhas eleitorais, desejam engordar os seus negócios com o comércio mundial. Exportam &#8216;commodities&#8217; &#8211; produtos de baixo valor agregado -, que empregam cada vez menos, graças à mecanização do agronegócio. A única coisa que interessa a eles é a eliminação de barreiras agrícolas à importação, nos Estados Unidos e na União Européia. </span><br />
<span style="font-style: italic"><br />
</span><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">O governo, para justificar a sua posição, usa argumentos ultrapassados – mas convincentes para a maioria dos mal-informados – dizendo que a concorrência internacional poderia causar desemprego, através do fechamento de empresas brasileiras e colocar em risco os superávits da balança comercial. Essa posição é muito cômoda. E faz sentido em países que não investem em educação e desenvolvimento de tecnologias, através do incentivo à pesquisa científica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">A intransigência e a defesa desses argumentos da esquerda jurássica explica-se por três razões: 1.) não interessa colocar em risco os negócios dos grandes financiadores de campanhas eleitorais; 2.) investir maciçamente em educação, ciência e tecnologia colocaria em risco programas assistencialistas como o Bolsa Família e vultosos projetos estatais como o PAC; 3.) sobrariam menos recursos para empregar funcionários em cargos de confiança. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Assim, apresentam-se duas opções: confiar nas iniciativas do estado ou na liberdade.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><img class="size-full wp-image-1865  aligncenter" title="South Korea" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/06/south_korea.jpg" alt="South Korea" width="445" height="358" /></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Mesmo sob a ótica liberal o estado tem as suas atribuições, mas jamais a de assumir o lugar de empresário. Projetos assistencialistas só sustentam o populismo – jamais eliminam a pobreza! Para distribuir riqueza, criar uma sociedade de elevados índices educacionais e desenvolver ciência e tecnologia é necessário que se tenha uma economia aberta e próspera. Esse nunca foi o desejo dos governos socialistas e corruptos. A História está aí para quem necessita de provas.<br />
</span><span style="font-style: italic"> </span></p>
<hr /><a href="http://bp1.blogger.com/_9koWG4Zbb7s/RoAgacPWIOI/AAAAAAAABI8/wVNOpRP0_Zc/s1600-h/bbcbr.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080096018303164642" style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer" src="http://bp1.blogger.com/_9koWG4Zbb7s/RoAgacPWIOI/AAAAAAAABI8/wVNOpRP0_Zc/s200/bbcbr.jpg" border="0" alt="" /></a><strong></strong></p>
<p> </p>
<p><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">Emergentes propõem abertura maior do que Brasil e Índia na OMC</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: bold; font-family: Helvetica; font-size: 100%">Um grupo de países em desenvolvimento apresentou nesta segunda-feira à Organização Mundial do Comércio (OMC) uma proposta alternativa que oferece uma abertura de mercado maior do que a defendida pelo Brasil para destravar a Rodada Doha.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">O grupo é composto por México, Hong Kong, Tailândia, Peru, Colômbia, Chile, Costa Rica e Cingapura. &#8220;Chegou o momento de todos mostrarem a flexibilidade necessária para concluir as negociações no mais tardar até o início de 2008&#8243;, afirma o documento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><img class="alignleft size-full wp-image-1867" title="lula-da-silva-abdul-kalam-manmoham-singh" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/06/lula-da-silva-abdul-kalam-manmoham-singh.png" alt="lula-da-silva-abdul-kalam-manmoham-singh" width="320" height="253" />A nova proposta é vista como uma espécie de racha entre os países emergentes, já que nem todos estariam adotando a mesma posição do Brasil. O texto indica que os países em desenvolvimento poderiam cortar suas tarifas de importação de bens manufaturados em taxas acima da que Brasil e Índia vinham sugerindo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Nova Déli e Brasília representaram os países em desenvolvimento em uma reunião ministerial na semana passada em Potsdam, na Alemanha. O objetivo do encontro, que também incluiu americanos e europeus, era de tentar desbloquear a Rodada Doha, lançada em 2001 e paralisada desde 2006. Mas sem um acordo, o processo fracassou e agora toda a Rodada poderá entrar em colapso se os 150 países não chegarem a um consenso até o final de julho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">&#8216;Flexibilidade&#8217;</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">O governo brasileiro insiste que aceitaria um coeficiente de corte de no máximo 30. Na prática, isso permitiria um corte de até 50% em suas tarifas de importação. Já os Estados Unidos e a Comissão Européia queriam uma redução das tarifas em pelo menos 58%, o que acabaria afetando setores considerados sensíveis no Mercosul.</span></p>
<p><a href="http://bp3.blogger.com/_9koWG4Zbb7s/RoBVI8PWIVI/AAAAAAAABJ0/VMA33ZMcPIQ/s1600-h/wto_omc2.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080153991771726162" style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer" src="http://bp3.blogger.com/_9koWG4Zbb7s/RoBVI8PWIVI/AAAAAAAABJ0/VMA33ZMcPIQ/s200/wto_omc2.jpg" border="0" alt="" /></a><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Para o novo grupo, o coeficiente de cortes poderia variar entre 17 e 23. Em termos de redução de tarifas, isso significaria um corte de cerca de 55%. &#8220;O tempo está acabando, por isso precisamos encorajar nossos membros a mostrar flexibilidade nos próximos dias&#8221;, aponta a proposta que agora será avaliada pelos 150 membros da OMC. &#8220;Demonstrações de flexibilidade têm sido raras&#8221;, conclui o texto apresentado na OMC.</span><span style="font-family: verdana"><br />
<span style="color: #ffffff">mayer</span><br />
</span></p>
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		<title>Diplomacia medíocre</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jun 2007 01:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Diplomacia]]></category>

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		<description><![CDATA[O desastre da política externa por Marcus Mayer Exclusivo para o Blog Apesar da forma tímida, finalmente, o presidente Lula da Silva defendeu a democracia e a liberdade de expressão, durante cerimônia do 24º Congresso de Radiodifusão, ontem, em Brasília: “Se muitas vezes, depois de uma saraivada de más notícias, eu acho ruim, muito pior [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="linie.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/07/linie.jpg"><br />
</a></p>
<p class="MsoNormal" align="left"><a title="mmayer.JPG" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/mmayer.JPG"><img title="mmayer.JPG" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/mmayer.JPG" alt="mmayer.JPG" align="left" /></a><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">O desastre da política externa</span></strong><strong></strong><strong></strong><br />
<em></em><span style="font-size: 8pt; font-family: Helvetica; color: #999999"><em>por </em><strong>Marcus Mayer</strong></span><br />
<em></em><span style="font-size: 8pt; font-family: Helvetica; color: #999999">Exclusivo<em> </em>para o Blog</span><strong><span style="font-size: 9pt; font-family: Helvetica"><strong><em> </em></strong></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">A</span></strong><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">pesar da forma tímida, finalmente, o presidente Lula da Silva defendeu a democracia e a liberdade de expressão, durante cerimônia do 24º Congresso de Radiodifusão, ontem, em Brasília: <em>“Se muitas vezes, depois de uma saraivada de más notícias, eu acho ruim, muito pior seria se não existisse democracia nesse país, para a imprensa dizer o que bem entende, na hora em que bem entende e ser julgada pelo único julgador, os ouvintes, os telespectadores e os leitores”, </em>afirmou o presidente.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Infelizmente, o fechamento da maior e mais antiga rede de televisão da Venezuela, a RCTV, verdadeiro atentado contra a liberdade de expressão, cometido pelo idiota latino-americano Hugo Chaves, não tem sido tratado de forma responsável pelo ministério das Relações Exteriores.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><a title="mercosur.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/mercosur.jpg"><img title="mercosur.jpg" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/mercosur.jpg" alt="mercosur.jpg" vspace="3" align="left" /></a><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">A Venezuela, país-membro do Mercosul desde julho de 2006 – aceitá-la como sócio-pleno já foi uma decisão desastrosa do bloco –, não atende às mínimas exigências do Protocolo de Ushuaia, de 1998, que prevê, já em seu artigo I, o seguinte: <em>“a plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados-Partes do presente protocolo”.</em><br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">A atual gestão do ministério das Relações Exteriores (MRE) é vergonhosa. Basta lembrar a irresponsabilidade cometida em relação ao patrimônio da refinaria da Petrobrás na Bolívia, a desastrosa empreitada de integrar o Brasil ao Conselho de Segurança da ONU, os retrocessos no Mercosul, o enterro da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), as fracassadas negociações na rodada Doha da OMC, o reconhecimento da China como economia de mercado, o descaso para firmar novos acordos bilaterais de comércio com a União Européia e com os Estados Unidos etc. etc.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><a title="barao_do_rio_branco.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/barao_do_rio_branco.jpg"><img title="Barão do Rio Branco" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/barao_do_rio_branco.jpg" alt="Barão do Rio Branco" vspace="2" align="left" /></a><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Além de tudo isso, até agora o Itamaraty não emitiu nenhuma nota oficial condenando a Venezuela, por enterrar a democracia e, provavelmente, não o fará, sob o atual governo. A razão para esse desastre – o maior da história das relações exteriores – encontra explicação na figura esdrúxula do secretário-geral do Itamaraty, o estafeta stalinista, Samuel Pinheiro Guimarães, artífice da política terceiro-mundista brasileira e destruidor da memória do ícone das relações internacionais no Brasil, o “grande” Barão do Rio Branco.<br />
</span></p>
<p><a title="lula_chaves_amorim.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/lula_chaves_amorim.jpg"><img title="lula_chaves_amorim.jpg" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/lula_chaves_amorim.jpg" alt="lula_chaves_amorim.jpg" hspace="10" vspace="3" align="right" /></a><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"> A atuação de Samuel Pinheiro Guimarães, esse personagem abominável, porém, não exime de responsabilidades o chanceler Celso Amorim, o assessor-especial para assuntos internacionais da presidência da República, Marco Aurélio Garcia (defensor de primeira-hora da ditadura comunista de Fidel Castro), e o próprio presidente Lula da Silva, que sempre adularam o idiota Hugo Chaves.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Para que se conheçam um pouco melhor os horrores que caracterizam o dinossauro do Itamaraty, expoente brasileiro do idiota latino-americano, em seu livro, “Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes”, Samuel Pinheiro Guimarães (foto) critica o país por ter assinado o “Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares”, em 1995, pede a retomada de investimentos em armamentos e maiores gastos no setor militar para garantir maior desenvolvimento. Somente com essas ‘qualidades’, Samuel Pinheiro já se credenciaria para ser chanceler na Coréia do Norte, em Cuba ou no Irã – jamais no Brasil!<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Em fevereiro, quando de sua demissão do posto de embaixador do Brasil em Washington, Roberto Abdenur, um dos mais experientes diplomatas dos quadros do Itamaraty, criticou de forma contundente a política externa e a doutrinação ideológica em curso no MRE, em entrevista à revista <em>Veja</em>.<br />
</span></p>
<p><a title="roberto_abdenur.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/roberto_abdenur.jpg"><img title="Embaixador Roberto Abdenur" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/roberto_abdenur.jpg" alt="Embaixador Roberto Abdenur" hspace="10" vspace="2" align="right" /></a><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"> Perguntado como a doutrinação se manifesta no ministério, Roberto Abdenur respondeu o seguinte: “Há um sentimento generalizado de que os diplomatas hoje são promovidos de acordo com sua afinidade política e ideológica, e não por competência. Eu vi funcionários de competência indiscutível ser passados para trás porque não são alinhados. Há intolerância à pluralidade de opinião.</span></p>
<p><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">O Itamaraty sempre teve um prestígio singular na diplomacia internacional pela continuidade da política externa, pelo equilíbrio, pela excelência de seus quadros e pelo apartidarismo. O Itamaraty precisa resgatar o profissionalismo a salvo de posturas ideológicas, de atitudes intolerantes e de identificação partidária com a força política dominante no momento”. A imposição ideológica, conforme Abdenur, é fato inédito: “nunca, nem na ditadura militar”, foram suas palavras na entrevista.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><a title="samuel_pinheiro_guimaraes.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/samuel_pinheiro_guimaraes.jpg"><img title="O estafeta Samuel Pinheiro Guimarães" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/samuel_pinheiro_guimaraes.jpg" alt="O estafeta Samuel Pinheiro Guimarães" vspace="2" align="left" /></a><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"> Samuel Pinheiro é ridicularizado pelos seus pares. Chegou ao cúmulo de impor a leitura de obras preconceituosas, marxistas e ultrapassadas aos representantes do Itamaraty. A leitura era parte de um cursinho de duas semanas ao qual submetia todos os diplomatas a serem transferidos de posto. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">O viés ideológico das aulas, apelidadas no Itamaraty de “Escolinha do Professor Samuel”, era inequívoco. Um dos livros traz um prefácio no qual o próprio Samuel Pinheiro ofende os Estados Unidos e trata de forma preconceituosa a ALCA.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Responsável por promoções, transferências e pela formulação da política externa do governo petista, o perfeito idiota do MRE professa ideário inútil e ultrapassado do fim do século 19. Odeia a globalização, é contrário à abertura econômica, acredita no “imperialismo ianque” e adota como método de trabalho ampulheta e papel-carbono.<br />
</span></p>
<p><a title="celso_lafer.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/celso_lafer.jpg"><img title="Celso Lafer" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/celso_lafer.jpg" alt="Celso Lafer" hspace="10" align="right" /></a><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"> O embaixador Abdenur deixou claro, em sua entrevista à Veja, considerar “uma coisa vexatória” o fato de diplomatas de categoria serem “forçados a certas leituras quando entram ou saem de Brasília”. Assim, também, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer, chanceler durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, endossa nossas observações. Disse concordar com todas as críticas feitas pelo ex-embaixador Roberto Abdenur ao modo como o governo conduz a política externa: “partilho inteiramente de suas impressões”, disse Lafer. “Coisas como essa indicação de livros a serem lidos, por diplomatas de ótima formação, são simplesmente vexatórias. O que Abdenur quer ressaltar é uma certa lavagem cerebral. Uma coisa muito ruim, que resulta numa diplomacia de qualidade discutível”.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><a title="rctvmanifestacao.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/rctvmanifestacao.jpg"><img class="alignleft" style="margin: 4px 15px;" title="rctvmanifestacao.jpg" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/rctvmanifestacao.jpg" alt="rctvmanifestacao.jpg" hspace="15" vspace="4" align="right" /></a><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"> A repercussão da entrevista de Abdenur à revista Veja alcançou, no mínimo, um objetivo. O ministro Celso Amorim manifestou publicamente a intenção de modificar o sistema de leitura obrigatória de livros, imposta desde o início de 2004, pelo vice-chanceler Samuel Pinheiro.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><em>Os adjetivos utilizados para ‘qualificar’ o secretário-geral do Itamaraty são ‘amenos’, quando confrontados com alguns outros, expressos por diplomatas com quem tive contato recente. Nenhum, porém, pelo fato do</em> <em>exercício das funções realizar-se em embaixadas no exterior, soube precisar se a medida de acabar com a absurda &#8220;Escolinha&#8221; fora colocada em prática. Do jeito como as decisões no MRE têm sido tomadas durante o governo Lula da Silva, não seria de estranhar se o vexame imposto aos diplomatas continuasse, na surdina.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><em><span style="color: #ffffff;">&#8230;</span></em></span></p>
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		<title>Lula e Bush: casamento de incompetentes</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Apr 2007 01:51:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[George Bush]]></category>

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		<description><![CDATA[Observar a foto abaixo nos leva a refletir a respeito do destino ao qual esses dois presidentes conduzem seus respectivos países, e no caso do americano, também o mundo. Uma aliança entre essas duas personalidades, certamente, não é nada promissora. Como dar crédito a dois presidentes com biografia recente tão negativa? Felizmente, as constituições do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 13pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">O</span></strong><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">bservar a foto abaixo nos leva a refletir a respeito do destino ao qual esses dois presidentes conduzem seus respectivos países, e no caso do americano, também o mundo. Uma aliança entre essas duas personalidades, certamente, não é nada promissora. Como dar crédito a dois presidentes com biografia recente tão negativa? Felizmente, as constituições do Brasil e dos EUA, através do instituto da reeleição, só permitem uma recondução seguida ao cargo.</span></p>
<p style="text-align: center;"><a title="lula_bush.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/lula_bush.jpg"><img class="aligncenter" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/lula_bush.jpg" alt="lula_bush.jpg" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">A guerra do Iraque ofereceu demonstrações suficientes de como os interesses pessoais e corporativos estão muito acima dos interesses globais e além do controle das Nações Unidas. Os EUA estavam à beira de uma profunda recessão econômica às vésperas da invasão do Iraque. O crescimento do setor bélico foi tão significativo no período, que afastou qualquer sombra de crise. Além disso, a indústria do petróleo, no Texas, da qual a família Bush é grande acionista, teve ganhos nunca antes contabilizados na história. Até o projeto populista do venezuelano Hugo Chaves colheu frutos provenientes da escalada dos preços do barril de petróleo.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Lula da Silva, no Brasil, conseguiu patrocinar o período de maior corrupção e aparelhamento do estado visto na história brasileira. Isso sem mencionar o retrocesso em todas as áreas da administração pública: educação, saúde, transportes, segurança &#8211; tudo está muito pior sob a administração petista. Alguns poderiam defender a estabilidade econômica como conquista, mas, certamente, as diferenças sociais poderiam ter diminuído, não fossem os projetos populistas patrocinados pelo governo.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Enquanto são desenvolvidas tecnologias para substituição do petróleo como fonte de energia &#8211; a exemplo da utilização do hidrogênio e da energia nuclear &#8211; os presidentes Bush e Lula tratam de incentivar a produção de etanol, extraído da cana-de-açúcar, para mover parte da frota americana de veículos. O projeto pode até ter algum mérito, mas a um custo muito elevado: a expansão da fronteira agrícola que avança sobre as áreas florestais. Os maiores beneficiários da iniciativa serão alguns poucos latifundiários e usineiros que, certamente, já reservaram comissões, pelo lobby executado pelo próprio presidente da República, para financiamento de campanhas eleitorais futuras do Partido dos Trabalhadores e outros da base aliada.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">O que se pode aguardar de positivo da estada de Lula da Silva em Camp David é alguma discussão em torno da redução de subsídios e outras formas de protecionismo, que tanto o Brasil quanto os EUA adotam em larga escala, para proteger setores da economia. Em todo caso, a foto de Lula da Silva com George Bush consegue ser “menos pior” do que as que vemos com maior freqüência com o brasileiro ao lado do venezuelano Hugo Chaves. </span></p>
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