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Rio 2016: uma chance espetacular e um grande desafio
Posted by Marcus Mayer in Cidades, Esporte, Mundo, Sociedade on October 3rd, 2009

A escolha da Cidade Maravilhosa como sede das Olimpíadas em 2016 é demonstração de grande crédito – não somente do Comitê Olímpico Internacional (COI), mas também da comunidade global – depositado no Rio de Janeiro e no Brasil. Estou extremamente satisfeito com a fantástica chance que se apresenta para o País e seu povo.
Antes de discorrer sobre as razões que tanto nos alegraram nos últimos dias, vale destacar que em cada uma das quatro cidades que se qualificaram como candidatas finalistas do COI – Chicago, Madrid, Rio e Tóquio -, observaram-se, todavia, em maior ou menor número, duas ‘torcidas’ respeitáveis: uma a favor e outra contra a escolha, para sediar os Jogos. Em Chicago, moradores criaram até um site, Chicagoans for Rio 2016 (já fora do ar), para manifestar desagrado com a candidatura americana.
Aqui não chegamos tão longe, mas na véspera da cerimônia do COI em Copenhagen, lia-se no blog do conceituado comentarista esportivo Juca Kfouri que o seu voto, caso fosse eleitor do comitê, seria em favor de Madrid. Mais do que desejar a vitória de Madrid, Juca estava torcendo primeiramente contra o Rio de Janeiro, conforme registrado em diversos de seus textos. Em enquete disponibilizada na mesma página, o resultado apontava para uma maioria de leitores simpáticos à escolha de Chicago (35%) e, se somados todos os votos contrários ao Rio, 74% preferiam as rivais.
Outro bom exemplo é o do colega blogger Fábio Mayer: há longa data, Fábio tem escrito artigos, sempre muito bem fundamentados, com severas críticas à realização de megaeventos esportivos no Brasil. Apresentou-se contrário à escolha da cidade carioca como sede olímpica e tem lamentado profundamente as consequências dos Jogos Pan-americanos de 2007. Também tem criticado a realização em 2014 da Copa do Mundo de Futebol, principalmente em função do dinheiro público que será destinado às reformas dos estádios.
Essa também é a opinião de Hilário Franco Júnior, pesquisador da USP sobre a historia social do esporte, que concedeu uma ótima entrevista ao caderno Aliás, do jornal O Estado de S.Paulo (ed. 4/OUT/09). Em sua avaliação, “o Brasil tem uma série de problemas mais importantes a resolver antes de tratar de uma questão esportiva”.
Àqueles que leem o nosso artigo, sugiro um exercício dialético: quando dispuserem de um tempinho extra, não deixem de visitar os links até aqui sugeridos, que contêm pontos de vista diferentes do nosso. Aqui, neste blog, serão sempre contagiados por um extraordinário entusiasmo a favor da realização de grandes eventos. Consideramos, entretanto, muito importante conhecer os obstáculos e desafios que se apresentam.
Entendemos que o Rio de Janeiro está diante de uma oportunidade histórica única. E esse é um momento muito raro, no qual estamos plenamente de acordo com o opinião expressada pelo presidente Lula da Silva: sim, nós podemos! Podemos realizar os Jogos Olímpicos, assim como a Copa do Mundo. O argumento de que há áreas mais importantes para o investimento de dinheiro público, como saúde ou educação, não nos convence. Muito pelo contrário, acreditamos que os problemas de saúde, educação, transporte, criminalidade, infraestrutura, meio ambiente etc. serão resolvidos mais facilmente com o megainvestimento exigido pelos eventos esportivos. Somos da opinão de que devemos combater a corrupção e a má administração dos eventos – jamais a chance de sediar as competições.
O orçamento inicial previsto para os Jogos, de R$ 28,8 bilhões, certamente será ultrapassado. Isso não quer dizer que as obras de infraestrutura devam ser superfaturadas. Além disso, centenas de milhares de empregos (a mais) serão criados nos próximos anos, só em função desses grandes acontecimentos esportivos.
Por ocasião da Copa do Mundo, as cidades-sede, além de receberem estádios modernos – com assentos, estacionamentos e banheiros adequados -, serão recompensadas com obras de infraestrutura urbana e nacional (ampliação de aeroportos, transporte coletivo, saneamento etc.). Até o projeto do TAV (Trem de Alta Velocidade) parece que sairá mesmo do papel – apesar de o prazo inicial de entrega da obra (2015) ultrapassar a data da Copa. De acordo com os planos do governador de São Paulo, José Serra, e do prefeito paulistano, Gilberto Kassab, o município deverá ter 100% do esgoto tratado até 2014. Somente “esse detalhe” já seria uma vitória extraordinária da metrópole, em termos de saúde pública.
No caso dos Jogos Olímpicos, esses apresentarão reflexo mais acentuado sobre a cidade do Rio de Janeiro e seu entorno. Mesmo assim, contribuirão imensamente com o crescimento econômico brasileiro como um todo. Os investimentos, tanto públicos quanto privados, gerarão centenas de milhares de empregos. O país atrairá turistas e divisas. O comércio e os serviços (sobretudo o setor hoteleiro e de cruzeiros marítimos) serão estimulados. O Rio de Janeiro e o Brasil serão palco das atenções por parte de bilhões de espectadores do mundo todo, durante quase um mês. Será um marketing extraordinário para a Cidade Maravilhosa e os para os brasileiros.
A despoluição da Baía de Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas (prometida desde o Pan) será uma enorme vitória do meio ambiente. A ampliação da rede de metrô e a construção de corredores exclusivos para ônibus contribuirão com o ordenamento do transporte coletivo e com a diminuição dos engarrafamentos. A revitalização da região portuária da cidade permitirá aos cariocas e aos turistas que aportam no Rio, finalmente, vislumbrar uma bela paisagem urbana (as obras programadas inspiram-se no exemplo de Barcelona). Tudo isso será aproveitado, muito além do período de realização dos Jogos.

Também são esperados avanços na desregulamentação administrativa, buscando viabilizar grandes investimentos estrangeiros diretos, como a construção de novos complexos hoteleiros. Grandes grupos estrangeiros poderão investir no Brasil, a partir da reformulação dos trâmites burocráticos para a concessão de licensas ambientais. Isso refletirá também em outras regiões brasileiras, que têm o turismo como maior fomentador econômico.
O desenvolvimento esperado para os próximos anos permitirá avançar na política de combate à criminalidade – um dos mais sérios problemas brasileiros (e não somente dos cariocas e fluminenses). Certamente, não podemos esquecer que as Olimpíadas serão um grande incentivo ao desenvolvimento do esporte nacional. O Brasil acaba de conquistar a chance de se tornar também uma grande potência esportiva.
Sem embargo, depois de tantos argumentos favoráveis, não podemos ser cegos e deixar de observar os imensos desafios que se apresentam. O maior de todos é o combate à corrupção. Muito dinheiro público está em jogo; e se os responsáveis por todas as obras e investimentos públicos não forem devidamente fiscalizados, certamente, muitos grandes projetos serão perdidos. E haverá então uma festa exclusiva de políticos e empreiteiros desonestos.
Sugerimos àqueles que ainda são céticos em relação à Rio 2016 (e também à Copa do Mundo de 2014), que se oponham radicalmente à corrupção. Que ajudem a fiscalizar o destino dos recursos públicos. Se Seul (1988), Sydney (2000), Pequim (2008) realizaram com competência os seus Jogos, por que o Rio de Janeiro não poderia fazê-lo também? Por que estaria a África do Sul preparada para receber os benefícios de uma Copa e o Brasil não? Façamos como Fábio Mayer, que em seu blog denuncia o abandono do complexo esportivo de Deodoro ou do parque aquático Maria Lenk – dois legados dos Jogos Pan-americanos de 2007 -, mas não tenhamos tanto complexo de inferioridade!
Lembremo-nos de que a renda per capita PPP (por poder de compra) brasileira (US$10,466) é quase o dobro da chinesa (US$5,970) e superior à da África do Sul (US$10,136)*.
Sejamos todos favoráveis à realização da Copa e das Olimpíadas no Brasil! E também combativos diante dos maus políticos e dos maus administradores! Afinal, quem pagará a conta somos nós, contribuintes, que desejamos sempre o melhor retorno dos impostos que recolhemos.
* Dados referentes a 2008, Fundo Monetário Internacional
Conversa com bloggers
Posted by Marcus Mayer in América Latina, Do editor, Liberalismo, Sociedade on April 2nd, 2009
Esta página acaba de completar dois anos na Internet. No primeiro comentário conferido, um amigo da USP, médico psiquiatra, registrava votos de “vida longa” ao blog. Permanecemos viventes. Para comemorar o aniversário, iniciei a redação de um post que abordaria temas sobre a conjuntura brasileira e mundial. No último instante, mudei de idéia. Ainda aguardo pelo resultado da reunião do G20 em Londres. Assim, decidi por uma breve conversa com bloggers, além de destacar um tema que está em discussão no STF, a liberdade de imprensa.
mayer
Naturalmente, você já observou que a sidebar dos blogs contém uma lista de páginas afins. Então, nesta nossa conversa, dou partida com uma pergunta: você procura conhecer esses links?
Ontem, navegava pela página de Alvaro Vargas Llosa, do Independent Institut (link que mantenho desde o início), para conhecer o seu ponto de vista em relação às últimas medidas de Barack Obama. Explorando as conexões da página original, acabei por ancorar num texto a respeito da blogger cubana, Yoani Sánchez, na página de Andrés Durán, da República Dominicana.
Você talvez já tenha ouvido falar dela: Yoani foi vencedora, no ano passado, do prêmio Ortega y Gasset, que lhe rendeu 15 mil euros. Os posts de seu blog chegam a registrar em média entre 100 e 150 mil leitores. Ela escreve de Havana, a capital de Cuba, enfrentando a censura da ditadura dos irmãos Castro.
Não pretendo me alongar nos detalhes sobre sua trajetória, para não estragar a surpresa contida no interessante texto de Durán, que consta traduzido, abaixo.
Uma segunda questão que gostaria de incluir em nossa conversa refere-se à tecnologia. Antes de adquirir meu monitor atual, tinha um modelo de 17”. Foi substituído por um de LCD 22” widescreen (1680×1050 pixels), que qualifico como espetacular. Todavia, quando o instalei e visitei meu blog, percebi que a página estava ultrapassada. As fontes, o banner superior, tudo estava muito reduzido. Outros blogs, que antes não cabiam na tela, passaram a ser muito melhor visualizados. Foi quando resolvi trocar o layout. Aproveito o gancho para perguntar: qual é o tipo do seu monitor e que navegador de Internet você usa em seu computador? Você também estranha a diversidade na qualidade do layout dos blogs – alguns com colunas principais muito estreitas e outros extremamente largos?
Nos últimos dias, instalei o recém lançado Internet Explorer 8. Tive uma boa surpresa: o navegador amplia automaticamente a dimensão de algumas páginas. Curiosamente, por meio dessa ferramenta do IE8, fiquei sabendo que a tecnologia deste blog já está novamente ultrapassada.
Não sei se você notou, mas na parte superior da página, à direita, há um recurso que permite ampliar o tamanho das fontes, conferindo maior conforto à leitura. Você utiliza a ferramenta? Eu me habituei a usá-la, não somente na minha, mas em outras páginas que também oferecem o recurso. Interrompa um pouco a leitura e faça o teste.
A comodidade sempre foi uma de minhas prioridades. Prefiro carros confortáveis aos esportivos, mesmo que estes últimos tenham melhor desempenho. Isso também vale para as viagens aéreas. Upgrades na classe executiva sempre fizeram a minha festa. Assim, para navegar calmamente e ler os textos em seus detalhes, a ferramenta que adapta o tamanho das fontes acaba sendo bastante útil para ampliar o prazer da leitura.
Retornando àquela questão inicial, sobre as sugestões de blogs, decidi pela substituição de seus títulos por mini-banners. O que você achou da iniciativa? Se você é o editor de algum deles e não gostou do design, sinta-se à vontade para reclamar.
Permita-me uma breve apresentação de alguns links:
Vou começar pelos blogs do jornalismo profissional, que não exigem nenhuma descrição mais detalhada, pois são conhecidos e reconhecidos em seus trabalhos: Sônia Racy, Lúcia Hippolito, Josias de Souza, Ricardo Noblat são excelentes fontes jornalísticas. Nesse grupo, destacaria o blog de Carlos Alberto Sardenberg, no G1. Estou lendo o seu livro, “Neoliberal, não. Liberal”. Clique na imagem ao lado para ler a resenha e o primeiro capitulo da obra. Certamente, você não se arrependerá!
Como fã da Fórmula 1, tenho duas recomendações interessantes: os blogs de Alessandra Alves, comentarista da Band AM/FM, e de Felipe Maciel, um jovem muito talentoso. Alessandra inclui a graça feminina em seus posts; Felipe escreve diariamente, inclusive durante o recesso das temporadas de F1, sobre tudo o que realmente interessa aos apreciadores do esporte, com notícias de bastidores e opiniões sempre muito coerentes.
E como bom liberal, envolvido nos assuntos de interesse global que tratam da conservação do meio ambiente, tenho acompanhado a ótima coluna de Andréa Vialli, jornalista do Estadão.
No campo das questões nacionais, gostaria de oferecer destaque a mais alguns editores independentes, ou seja, sem vínculo jornalístico profissional:
Neste grupo está um jovem advogado de Curitiba, Fábio Mayer (apesar da coincidência no nome, não somos parentes). No blog que leva seu nome – e admiro isso -, Fábio sabe expor os fatos que interessam ao nosso cotidiano político, com muita consistência argumentativa. Nas entrelinhas de seus textos, não esconde um certo apreço pelo presidente da República, Lula da Silva. Mas é, sobretudo, um fervoroso crítico da corrupção.
Ricardo Rayol é editor do blog “Jus Indignatus”. Seus textos são breves e expostos no formato de pequenos blocos, de leitura agradável e dinâmica. É um “Diogo Mainardi sem censura”. Já disse a ele que mereceria uma cadeira no programa Manhattan Connection, da GNT. Rayol conta em seu blog com a assessoria de alguns personagens imperdíveis: o repórter e analista político Glênio Gangorra, o mago esotérico mais oportunista da atualidade, Heitor Caolho, o especialista em moda Hugo Toso, entre outros, sensacionais!
Outro blog político que costumo visitar é o “Saí-Verde, Saí-Tucano, Tem-Tem” (título curioso!), de Gonçalves. Nesta página você encontrará um verdadeiro opositor ao governo atual, e sem papas no teclado. Falando em oposição, incluí na lista um banner do blog Democratas. Não é somente propaganda partidária que se encontra por lá, mas um meio de acompanhar a atividade política e parlamentar daqueles em quem votamos. Todavia, muito melhor que com palavras, as charges e cartoons de Sponholz expressam com talento e humor, a realidade política brasileira. Não posso deixar de fora desse grupo o jovem e intelectualizado “libertário”, Rodrigo Constantino, membro dos institutos Liberal e Millenium. Seus artigos são primorosos.
Por que incluí todas essas descrições na conversa? Não sei se esta também é a sua impressão, mas a quantidade de blogs brasileiros realmente bons é muito escassa (refiro-me aos não-profissionais), sobretudo no métier político, econômico e internacional. Você concorda com essa opinião? Se puder, sugira algum blog que considere realmente interessante e inteligente.
Mas um ainda está faltando. É o blog do amigo Ron Groo. O tema principal de sua página é a Fórmula 1. Todavia, a característica marcante deste blogger de primeira é o humor e a irreverência, na melhor acepção da palavra. É preciso conhecê-lo para entender o seu estilo simples, porém, extremamente perspicaz ao analisar o cotidiano, e, muito divertido nos contos de sua autoria, publicados no blog.
Para terminar o bate-papo, gostaria de pedir mais um auxílio. Refere-se novamente ao do layout desta página. Você acha que eu deveria incluir ou retirar alguma ferramenta ou informação da coluna direita do blog? E seria adequado alterar o tamanho da fonte (Helvetica) dos textos? Sinta-se a vontade para criticar ou sugerir mudanças que sirvam para aprimorar.
Agora, não desista e continue a leitura pelo artigo de Andrés Durán, que segue. Garanto que valerá a pena.
Tenha um ótimo dia ou uma ótima noite!
NOTA IMPORTANTE: Nem todos os editores de blogs que constam de minha lista de links ou dos mini-banners foram citados neste texto. Estou certo de encontrar oportunidades futuras para destacar seus esforços.
REPÚBLICA DOMINICANA
Blog de Yoani Sánchez sobrevive sem Internet
Por Andrés Durán | Blog Bono Cimarrón
Pensamiento Crítico | Santo Domingo
Traduzido e adaptado por Marcus Mayer
Em março de 2008, ofereci destaque ao blog de Yoani Sánchez, Generación Y, por causa da admiração e do respeito que inspira. Esta é, provavelmente, a mídia alternativa mais importante de Cuba. O blog é “made in Cuba” e apresenta até 5 ou 6 mil comentários em alguns de seus posts – o que reflete algo entre 100 e 150 mil leitores.
Precisamente em 7 de maio de 2008, Yoani recebeu o Prêmio Ortega y Gasset de jornalismo digital, com uma gratificação de 15 mil euros. Isso é muito dinheiro, sobretudo, em se tratando de uma cubana, residente em Havana.
O evento causou tal repercussão em Cuba, que até Fidel Castro referiu-se à Yoani no prefácio de uma nova edição do livro “Fidel, Bolívia e algo mais …”. Todavia, a invejável audiência, o dinheiro e as referências diretas de Fidel não são o mais importante a sustentar Yoani, esse fenômeno da comunicação.
O mais extraordinário é que consiga se sobrepôr com um sucesso sem precedentes contra a propaganda governamental, a burocracia do autoritarismo e a intolerância. O domínio desdecuba.com, onde é hospedado o seu blog, está bloqueado na maioria dos servidores ISP do seu país. Ainda assim, ela consegue atualizá-lo e divulgá-lo de forma eficaz.
Seus posts são enviados via eMail para outra pessoa, com privilégios de administrador do site, para atualizar o seu blog. Por sua vez, essa pessoa lhe envia as centenas de comentários deixados pelos leitores.
A distribuição do conteúdo do blog – suponho que seja feita de forma clandestina –, ocorre por meio da gravação em CD (veja foto) que vai de mão em mão, ou seja, por uma rede de cidadãos que andam pelas ruas de La Habana e outras províncias, e não pela rede que constitui a Internet.
À margem de admirar qualquer aspecto positivo do processo revolucionário cubano, os princípios da democracia e da liberdade de expressão são inegociáveis.
Sou muito sensível em relação à situação de Yoani, pois observo em seu caso uma estreita relação com a situação dos meios de comunicação na República Dominicana. Aqui a coerção é um tanto mais sutil. Falando claramente, acontece por meio da autocensura imposta pela publicidade governamental, pelo aliciamento político na linha editorial, pela troca de favores, todas razões espúrias, que fazem o jogo da propaganda governamental. Além de rentável, este é um caminho fácil para a apropriação de dinheiro do erário.
Apesar disso, nós que moramos aqui na República Dominicana, vivemos uma situação menos dramática que em Cuba, graças a uma parcela de profissionais de emissoras de radio que mantém a ética jornalistica acima de tudo, e, principalmente, por poder dispor da Internet.
Em último caso, se os escritórios oficiais goebbelianos (ou stalinistas: nota do tradutor) interferirem em tudo, até no ar que respiramos, ainda existirá a irredutível alternativa de criar uma rede de cidadãos, como o fez Yoani em Havana.
O bloqueio ao domínio desdecuba.com implicou a greve de fome empreendida em 2006 pelo jornalista Guillermo Fariñas (El Coco), diretor da agência de notícias independente Cubanacan Press. Este ativista político, contrário ao regime cubano, exigiu do governo o mesmo direito que é concedido aos privilegiados pelo regime, de poder ter acesso à Internet em sua casa. “Se meu destino é ser um mártir da liberdade de expressão e conexão à Internet, morrerei tranqüilo”, afirmava Fariñas na época.
Espero que a administração de Raúl Castro seja o início da restauração da liberdade e do respeito aos direitos humanos, sem os quais não adiantam avanços educacionais, culturais, esportivos ou de saúde pública para o povo cubano. Que permita o estabelecimento de um sistema democrático, totalmente independente de interesses externos e da antiga oligarquia que convivia com o regime de Fulgêncio Batista.
Clique aqui para visitar o blog Generación Y, de Yoani Sánchez
Para as mulheres, com carinho
Posted by Marcus Mayer in Legislação, Liberalismo, Sociedade on March 8th, 2009
E para os homens que têm a obrigação de conhecer adequadamente o tema.
O debate acerca da descriminalização do aborto e dos limites que dogmas religiosos devem respeitar no âmbito do estado laico, foi reacendido com o evento da menina brasileira de 9 anos, que se submeteu à interrupção de uma gravidez, e da ingerência de um arcebispo da Igreja Católica no assunto.
Coincidentemente, o fato que se originou em Pernambuco, no nordeste brasileiro, alastrou-se pela mídia mundial, durante a semana que antecedeu o Dia Internacional da Mulher.
O artigo a seguir é uma homenagem às mulheres latino-americanas e àquelas dos países pobres ao redor do mundo, contra as quais ainda é imposta uma lei que as submete a sérios danos à saúde e ao risco de perder a vida.
No Brasil, essa legislação implica a segunda maior ‘causa mortis’ entre mulheres jovens (na faixa dos 14 aos 22 anos de idade) e a terceira entre o total de mulheres, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A democracia e o estado laico
por Marcus Mayer*
exclusivo para o Blog | Domingo, 8 de março de 2009
O aborto aborto não é um assunto agradável e sua ação não entusiasma ninguém. Muito pelo contrário, a circunstância determina uma decisão difícil e quase sempre traumatizante às mulheres que se vêem diante da possibilidade de necessitar do recurso.
Não é absolutamente proveitoso discutir se o embrião de poucas semanas deve ser considerado um ser humano – dotado de alma, segundo os que acreditam – ou um inchaço abdominal que sugere um projeto de vida. Esse debate não encontra respaldo científico definitivo e as crenças religiosas atuam exclusivamente no campo da mitologia.
O que realmente importa é eliminar de antemão a falácia dos argumentos antiaborto que são apresentados como se a sua prática não existisse e só passasse a ocorrer a partir do momento no qual uma lei o aprovasse. Não se pode confundir sob nenhuma hipótese a descriminalização do aborto com o seu estímulo ou a sua promoção.
A realidade demonstra que o aborto existe desde os tempos mais remotos – e continuará ocorrendo independentemente de lei que o tolere ou não. A legislação dos países mais desenvolvidos e laicos permite à mulher interromper a gravidez em condições de segurança, atendendo plenamente aos cuidados e aos requisitos da medicina.
Isso não acontece onde a prática é considerada ilegal, mas atinge exclusivamente as mulheres pobres. Para as demais, àquelas que dispõem de recursos, não existem obstáculos eficientes e a lei também não as impede de viajarem para países nos quais o aborto é permitido. A própria legislação acaba elevando os custos nos melhores consultórios, dados os riscos legais e médicos, de uma intervenção relativamente simples, que poderia ser pouco dispendiosa.
Por outro lado, aos seguidores mais fiéis de dogmas religiosos, uma legislação liberal como a existente na União Européia não obrigaria uma mãe a abortar jamais. Essa determinação ocorre na China e aconteceu durante o governo de Indira Gandhi, na Índia, como estratégia governamental para reduzir o crescimento populacional (os dois países ultrapassam a cifra de 1 bilhão de habitantes cada um).
É muito respeitável a convicção daqueles que sustentam, guiados pela crença, que o nasciturus (termo jurídico que designa o ser, desde a concepção até o nascimento) já seja um ser humano imbuído de direitos, e cuja existência deve ser respeitada, independentemente dos dogmas católicos.
Todavia, o problema que se espera solucionar por meio da legislação que deixe de considerar criminoso o ato de interromper uma gravidez indesejada está diretamente relacionado aos direitos da mulher. A questão está entre aceitar se o direito de decidir se um filho é desejado cabe à mulher ou à autoridade política.
Também não se discute aqui se a consciência preventiva deveria existir antes da concepção, mas a realidade prática de sua consequência. Em nenhuma hipótese uma legislação descriminalizante implicaria a não importância da adoção de métodos anticoncepcionais, naturais ou artificiais, bem como a educação sexual e as campanhas de controle de natalidade.
As leis de países que permitem o aborto estabelecem prazos máximos para praticá-lo (que variam entre a décima segunda e a vigésima quarta semana) e obrigam a um período de reflexão entre a decisão e o próprio ato.
O fato que repercutiu na imprensa mundial, originado na menina de 9 anos, autorizada pelo estado a praticar o aborto dentro dos limites impostos pela lei vigente, que já permite a interrupção da gravidez em casos de estupro e risco de morte da mulher, foi a manifestação de um arcebispo da Igreja Católica, o qual, sustentado pelo Vaticano, sobressaiu a excomunhão da equipe médica e de sua mãe. Seguindo o que está prescrito no Direito Canônico, o representante da Igreja foi coerente e não cabe aqui questionar a sua fé.
De grande relevância, porém, destacamos a relação entre a Igreja e a democracia. A Igreja Católica não é uma instituição democrática e nem poderia sê-lo. Exceto o budismo, que mais se enquadra como uma filosofia, nenhuma religião é democrática. As verdades que defende são absolutas, provêm de um Deus, e, a transcendência e seus valores morais não são objeto de transações nem de concessões em matéria de valores e verdades opostas.
Os tempos da Inquisição e as imposições do Talibã talvez sejam os exemplos de maior visibilidade e os mais radicais da intolerância religiosa. Essa, felizmente, não é mais a preocupação em torno da questão, sobretudo, no mundo desenvolvido dos dias atuais.
A separação entre Igreja e estado foi uma das grandes conquistas da democracia e da república. A ampliação da secularização, cedo ou tarde, permitirá avançar e terminará por se impor na América Latina, incluindo o Brasil, e também em outros recantos menos desenvolvidos do planeta. Uma vez mais, os direitos da mulher dependem das conquistas do desenvolvimento econômico e social das nações.
Reproduzimos abaixo trechos do artigo “Ponto de Vista“, originalmente publicado no dia 25 de abril de 2007, neste blog. Atualizamos as estatísticas, o mapa e as informações do texto original:
Na América Latina, região na qual o aborto continua proibido na grande maioria dos países¹, estima-se que morram, por ano, cerca de 10.000 mulheres em função de complicações causadas pós-aborto, entre as 4 milhões que se submetem ao procedimento, de acordo com estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde). Por tratar-se de prática não autorizada por lei, mulheres recorrem a clínicas clandestinas, em condições precárias e inadequadas, e muitas, entre aquelas que escapam da morte, acabam sofrendo lesões irreversíveis.
Especialistas estimam que somente no Brasil ocorram, anualmente, 1 milhão de casos de interrupção de gravidez. De acordo como o Ministério da Saúde, as complicações pós-aborto são a 4ª causa de morte de mulheres no país e a curetagem (coleta de restos de tecidos do útero) é o segundo procedimento obstétrico mais praticado nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), superado apenas pelos partos. Em 2004, cerca de 244 mil mulheres foram atendidas para fazer curetagem ou tratar infecções pós-aborto no SUS.
Em editorial, o jornal Folha de S.Paulo, em 2005, já destacava: “enquanto mulheres de classes mais favorecidas recorrem a clínicas particulares e podem até mesmo procurar um país onde o aborto seja legalizado, as que pertencem aos setores de baixa renda são submetidas a situações que colocam em risco a sua saúde”.
Na União Européia e nos Estados Unidos, o direito ao aborto legal e seguro foi conquistado na década dos 1970. Já está mais do que na hora de fazermos avançar nossa ultrapassada legislação, da década dos 1940.
¹ Na América Latina, o aborto só é permitido em Cuba, em Porto Rico, na Guiana e na Guiana Francesa (esta última, submetida à legislação da França).
LEGISLAÇÃO SOBRE O ABORTO NO MUNDO

| ?? | Legal |
| ?? | Legal, em caso de estupro, riscos à saúde da mãe (físicos ou psíquicos), indicação social ou deficiência irreversível do feto. |
| ?? | Ilegal com exceções em caso de estupro, risco de morte da mãe ou deficiência irreversível do feto. |
| ?? | Ilegal com exceções em caso de estupro e risco de morte da mãe. |
| ?? | Ilegal com exceção em caso de risco de morte da mãe. |
| ?? | Ilegal sem exceções. |
| ?? | De acordo com distinções religiosas. |
| ?? | Sem informações. |
Por que não escrever “portugues”?
Posted by Marcus Mayer in Educação, Reforma Ortográfica, Sociedade on January 2nd, 2009

O ano que se inicia vem acompanhado de uma importante mudança para os paises lusofonos: a reforma ortografica. A nova grafia da Lingua Portuguesa entrou em vigor no dia 1º. Num pais como o Brasil, no qual a leitura ainda é habito de poucos, essa alteração na forma de escrever, no primeiro momento, so sera preocupação mesmo entre editores de livros, revistas, jornais e – tambem entre nós – redatores de blogs. A partir dos proximos exames vestibulares, os candidatos as universidades tambem terão mais com que se divertir.
No campo economico, os custos serão elevados para aqueles que precisam renovar as bibliotecas, como governos os quais terão de investir na atualização do material didatico. As editoras, por outro lado, ganharão com a venda desse material e de novos manuais e dicionarios. É facil concluir que a conta sera paga, como sempre, pelos contribuintes.
A razão principal que motivou a atual reforma foi a unificação da forma escrita da lingua. Tal qual o espanhol, que usa uma unica regra (apesar das nitidas diferenças na fala), o portugues, a partir de agora, sera grafado “quase” da mesma forma em Portugal, no Brasil e na Africa.
No que se refere ao merito da reforma em si, firmamos uma opinião: essa é mais uma reforma capenga que, certamente, tera de ser retomada, ja nas proximas decadas. Primeiramente, porque a unificação não foi plena; e, segundo, porque é pouco ambiciosa.
Fundamentemos. Giselle, a linda, esta tranquila, pois continuara a colocar o trema em seu sobrenome, tal qual o seu primo alemão, o Hans Müller. O voo do condor sera suavizado, pois não carregara mais o peso do chapeu no primeiro “o”. A infraestrutura sera mais leve depois de perder o hifen. As minissaias mudaram de tamanho com o “s” a mais; e no estado do Acre agora vivem os acrianos.
Tudo isso faz sentido. Mas por que não ir mais adiante e eliminar logo todos os demais acentos superfluos? O leitor mais atento deve ter observado que nós o fizemos ate aqui, procurando justificar essa argumentação. Alguma dificuldade para entender o texto? – Talvez no que se refira ao tempo verbal futuro, pois “ocorrera” e “ocorrerá” nos remete a momentos diferentes da ação. Quem, contudo, ainda utiliza a primeira forma, ou seja, aquele tal de pretérito mais-que-perfeito do indicativo?
Deste ponto em diante, tentaremos escrever de acordo com a regra atual, preservando todos os acentos ainda impostos pelo acordo ortográfico, e sobretudo para não confundir ainda mais o leitor.
O assunto, todavia, nos remete para mais algumas reflexões. Por que mudar a grafia de nomes próprios e de pontos geográficos? Considero esse um dos maiores absurdos, não só da Língua Portuguesa, mas de outros idiomas também.
Jamais entendi o porquê de Martin Luther, o da Reforma, virar Martinho Lutero. Para manter a (in)coerência não seria adequado tratar o outro Martin, o americano, da defesa dos direitos humanos e da igualdade racial, de Martinho Lutero Quingue (ou Rei)?
Recentemente, estudei a obra de Hugo Grotius. Ao pesquisar referências na Internet, precisei procurar também por Hugo Grócio, Huig de Groot e Huigh Groot. Afinal, qual dos quatro é o autor de Direito da Guerra e da Paz?
Outro disparate pode ser notado quando se trata de cidades e países. Será que vale menos a pena viajar para Seychelles que para Seicheles? E entre Hawaii e Havaí, qual seria o melhor destino? Para sermos menos exóticos, observemos a incoerência, em se tratando de New York. Chega-se à irracionalidade de uma tradução pela metade: por que Nova York e não Nova Iorque, já que alguém optou por esse ridículo? Outro exemplo risível do métier geográfico (ou seria melhor metiê?) é que brasileiros viajam para Stuttgart, no sul da Alemanha, enquanto portugueses preferem Estugarda(!).
Por outro lado, é aceitável que a República dos Camarões seja assim tratada, em português, respeitando-se a origem histórica do nome. Entre 1884 e 1914 a região foi um protetorado alemão, denominado Kamerun. Atualmente, nas duas línguas oficiais, inglês e francês, o país se chama Cameroon ou Cameroun. O nome do país origina-se de 1472, quando o navegador português, Fernando Pó, batizou o principal rio da região de Rio dos Camarões, provavelmente, por causa de uma grande incidência desse crustáceo em suas águas.
Uma curiosidade se refere ao dígrafo ch. Assim como no espanhol, agora instituiu-se a pronúncia tchê também no português, apesar de escrevermos chê. Acontece com República Checa, Chad, Chechênia, e com aquele ídolo do “idiota latino-americano”, o Che Guevara.
Retornando à questão da reforma, não é somente no português que não encontramos consenso. Enquanto na Suíça é possível localizar qualquer rua pelo nome de Strasse, na Alemanha ainda roda-se pela Straße, com esse estranho ß, com som de dois ésses. A última reforma ortográfica da língua alemã, de 1996, poderia ter abolido esse desvario em todas as palavras com o tal ß.
Em melhor situação está o espanhol, que mencionamos no início do texto, falado como primeira língua em 20 países e por aproximadamente 500.000 pessoas, segundo o Instituto Cervantes. A Associação de Academias da Língua Espanhola conseguiu unificar a escrita desde 1999, por meio de um dicionário pan-hispânico.
Enquanto isso, nóis aqui, vamos nos acostumando aos novos tempos da complexa Língua Portuguesa. Se algum dia já compramos Coca-Cola na pharmacia, hoje deixaremos de procurar pelo em ovo. E talvez, num futuro próximo, passemos a escrever portugues – assim, sem acento.
…
May Day
Posted by Marcus Mayer in Mundo, Sociedade on May 1st, 2008
A origem do 1º de maio, como “Dia do Trabalho”, remonta o ano de 1886, na industrializada Chicago, Illinois, nos Estados Unidos. Nessa data, iniciou-se um movimento de trabalhadores, organizado pela American Federation of Labour (Federação Americana do Trabalho) que foi às ruas reivindicar a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias.
No dia 4 de maio, na Haymarket Square, uma bomba foi lançada, pelos manifestantes sobre a guarda que tentava controlar o movimento, matando o policial Mathias J. Degan. Pouco tempo depois, os policiais ingressaram num conflito com os manifestantes, resultando na morte de quatro grevistas e num elevado número de oficiais e de civis feridos.
Em lembrança aos que morreram no movimento de Chicago, a Segunda Internacional Socialista, ocorrida em Paris (1889), criou o “Dia Mundial do Trabalho”, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano.
Nos Estados Unidos, celebra-se o Labor Day na primeira segunda-feira de setembro e o May Day, 1º de maio, foi transformado oficialmente no Loyalty Day (Dia da Lealdade), comemorando-se a associação entre loyalty and freedom (lealdade e liberdade).
No Brasil, a data é comemorada desde 1895; porém, em 1925 o feriado tornou-se oficial, por decreto do presidente Artur Bernardes. Está na hora de o Brasil e o mundo também se unirem pela lealdade e pela liberdade.
Escritores da Liberdade
Posted by Marcus Mayer in Atualidades, Oriente Médio, Sociedade on November 13th, 2007
Existe um código de conduta, um tipo de etiqueta, característico entre os bloggers. Conforme se registram novas visitas e se observam comentários deixados nas publicações, cria-se uma espécie de comunidade virtual que compartilha idéias e pontos de vista. Procura-se retribuir a ‘cortesia’ e , gradativamente, amplia-se a lista de blogs amigos. E de vez em quando somos surpreendidos até com prêmios …
Os comentários deixados por alguns leitores mais freqüentes em nossos posts não são simples observações sobre os textos que publicados, mas análises de ótimo conteúdo crítico. Assim, em vez de responder aos recentes comentários no respectivo espaço, decidi hoje manter o debate na primeira página.
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Sobre o Iraque e a invasão americana
Letícia está certíssima ao recordar as justificativas que levaram à invasão americana. O ex-secretário de Estado, Colin Powell, foi desmentido diversas vezes pelos fatos que se sucederam. Primeiramente, o pretexto para a invasão, a existência de armas químicas que estariam sendo desenvolvidas por Saddam Hussein em parceria com a rede terrorista Al-Qaeda, jamais existiram. Segundo, que os Estados Unidos desejavam libertar o povo iraquiano da tirania e implantar uma democracia é um pouco altruísta demais… Ron Groo nos lembrou da verdadeira razão para a iniciativa da invasão, que era o controle americano sobre as reservas de petróleo do Iraque. Acrescento que, às vésperas da guerra, os Estados Unidos aguardavam um crescimento pífio da economia, que, por fim, acabou sendo alavancado pelo extraordinário salto da indústria bélica.
Como nem Jacques Chirac, Vladimir Putin ou Gerhard Schröder conseguiram evitar a iniciativa unilateral americana, resta observamos o saldo da empreitada. Essa foi a motivação de Vargas Llosa em seu artigo: apresentar, sem fazer propaganda e sem demagogia tendenciosa, uma análise do texto “Missão Cumprida”, de Bartle Bull, publicado na revista britânica Prospect. Esperamos que esteja certo! Vale lembrar que Vargas Llosa tem todas as credenciais para comentar a situação iraquiana. Li seu livro – que acredito ter sido publicado somente em espanhol – “Diario de Irak”, no qual relatou a sua experiência ao visitar sua filha, correspondente de guerra, logo depois da queda de Saddam Hussein, viajando por diversas cidades iraquianas. Fantástico! Llosa também escreveu uma coluna no jornal El País, da Espanha, muitas vezes reproduzida em O Estado de S.Paulo, em 2003, sob o mesmo título de seu livro.
Recentemente, li “Mayada, filha do Iraque”, um livro autobiográfico de uma iraquiana xiita, que narrou sua experiência de conhecer, com toda a pompa, o tirano Saddam Hussein e depois ser enviada para uma de suas prisões, sob a falsa acusação de incitar a oposição ao regime. Para quem se interessa pelo assunto, registro aqui a minha recomendação. Clique sobre a imagem ao lado para ler a breve sinopse da obra.
Como estudioso e palestrante na área das Relações Internacionais, destaco minha oposição à doutrina Bush e ao unilateralismo dos Estados Unidos. Atualmente, se fosse cidadão americano, daria meu voto aos Democratas que, desde o governo de Bill Clinton, têm se aproximado da Terceira Via e reconhecido no liberalismo econômico virtudes para a diminuição da pobreza mundial
Tentamos manter uma certa regularidade, tanto nas publicações quanto nas respostas aos comentários, mas as nossas diversas atividades nem sempre o permitem. Aproveito para registrar meu agradecimento também a Fábio Mayer, Beatrice, Lúcio Lopes, Felipe Maciel, Bruno Serafim, Suzy, Otavio Cafundó e todos os demais colegas que nos visitam e registram sempre simpáticos e inteligentes comentários.
Dessa forma, gostaria de passar adiante a tão carinhosa indicação para o prêmio Escritores da Liberdade, a nós conferido, pela querida Letícia Coelho – que escreve um blog delicioso de ser lido e que, certamente, seria uma de minhas indicações -, aos colegas nominados abaixo:
• Beatrice, do Minuto Político
• Ron Groo, do Bliggroo
• Otavio, do Brasil Diverso
• Nemerson, do Resistência
• Fábio Mayer, do blog Fábio Mayer
• Suzy, do Blog da Suzy e
• Vanda Célia, do Democratas
Sugerimos aos agraciados, sem que se estabeleça nenhuma obrigação, levarem a premiação adiante, indicando alguns colegas bloggers para o “prêmio”.
Não deixem de ler o texto de Mario Vargas Llosa, abaixo.
Esquerda progressista ou jurássica?
Posted by Marcus Mayer in Filosofia, Sociedade on September 7th, 2007
Os últimos posts de nosso blog estimularam um espetacular debate a respeito da definição das diversas ideologias políticas e econômicas, do passado e da atualidade. Nada poderia nos honrar mais do que vislumbrar, no espaço reservado aos comentários desses recentes posts, textos tão extraordinários, escritos por espetaculares articulistas da blogosfera, que aqui nos prestigiam.
A questão que se apresenta refere-se, principalmente, à definição de esquerda. Essa ideologia teria tendências “jurássicas” – como costumamos afirmar – ou modernas? A foto que ilustra este post pretende reforçar essa indagação. Caso fossemos argüidos a escolher entre as três mais comuns vertentes do pensamento político – esquerda, direita ou centro -, talvez tivéssemos dúvidas, dada a variedade de interpretações e subclassificações possíveis.
No final de 2006, o presidente da República, Lula da Silva, afirmou ter atingido a “maturidade do centro” e proferiu uma frase que recebeu críticas de alguns e a concordância de outros: “Se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problema; se você conhecer uma pessoa muito nova de direita, é porque ela também está com problema” (sic).
Afinal, o que significam exatamente esses “rótulos”? Estaria certo, o presidente, atribuindo ao centro o ápice do discernimento político? O pensamento de esquerda é reservado ao idealismo juvenil? Aonde se encaixam os liberais – seriam esquerdistas ou direitistas? Social-democratas são neoliberais? O que é terceira via? Ecologistas têm alguma preferência? Nacionalistas são reacionários? Socialistas e comunistas pensam igual?
Desejamos responder a todas essas questões com destacada neutralidade, limitando-nos à doutrina, embasada na história e na filosofia política. Por isso, estamos elaborando um aprofundado ensaio, com referências e conceitos, que permitarão oferecer respostas claras aos questionamentos que se apresentam.
Aguardamos, assim, por suas visitas e comentários a nossa argumentação, a partir das 20 horas – prazo no qual concluiremos a redação do artigo.
Aproveitamos para agradecer pelos últimos comentários que, pelo tempo exíguo, hoje, não pudemos responder, como de praxe. E desejar um ótimo feriado!
Blog Day
Posted by Marcus Mayer in Do editor, Sociedade on August 31st, 2007
Registre-se aqui o agradecimento e o reconhecimento a todos aqueles que nos visitam e, através de simpáticos e inteligentes comentários, prestigiam nosso blog.
Hoje, a tarefa nesse terceiro Blog Day é indicar cinco blogs preferidos, acrescentando um breve comentário aos nominados e orientá-los, para que assim também o façam. Sugere-se oferecer um link para a página do “Blog Day” (clique-se na imagem), de onde podem ser copiados novos banners. A regra principal (lamentável) é o limite de cinco. Portanto, nossa lista dos “top five” vai para:
Minuto Político: um blog com as mais importantes notícias do dia, sempre comentadas pelo excelente jornalista Lúcio Lopes;
Contatos Imediatos: página muito bem escrita por Patrícia M., dos Estados Unidos, que, com muita personalidade, apresenta sua visão a respeito de temas sempre interessantes e variados;
Pata Irada: Silvana é a gauchinha “irada”, responsável por esse blog que não se conforma com a corrupção do governo Lula da Silva, e está sempre muito antenada aos fatos do momento;
BligGroo: Ron Groo, o articulista desse espaço, é um dos mais simpáticos, talentosos e populares bloggers do momento – deve estar na lista dos “5+” de todos que o conhecem!
Blog F-1: deseja ficar a par do que acontece no mundo da Fórmula 1? Então esqueça o Globo, a Folha, o Estadão, o Gomes, o Reginaldo Leme … Felipe Maciel é “o blogger” da F1! Coincidentemente, em nosso post de ontem, manifestamos nossa deferência.
Clique-se sobre o nome dos blogs para acessá-los. Merecem uma visita e um comentário!
Golden key
Posted by Marcus Mayer in Brasil, Filosofia, Sociedade on July 17th, 2007
Nada nos honraria mais neste momento, ao retornamos de nossas breves férias, que uma crônica do reconhecido articulista Ron Groo. No texto, o autor destaca a banalização da catástrofe moral que atinge o Brasil.
Quando convidei Ron para escrever um artigo para o nosso blog não sugeri nenhum tema, procurando deixá-lo à vontade e já sabendo, de antemão, que faria uma ótima escolha. Assim, como fiel leitor de nossos artigos e notícias, resumiu, magistralmente, em uma única crônica o espírito deste espaço. Leia-se abaixo:
A queda dentro de nós
por Ron Groo*
Parece normal quando se apresentam senadores, deputados, vereadores, empreiteiros ou mesmo cidadãos sem cargo, que não conseguem explicar a origem de seus bens.
O que é preciso para que se realizem nossos sonhos de nação? Talvez seja necessário mudar a essência do que se convencionou chamar de “o povo brasileiro”. É preciso mudar, lá nos genes, a nossa visão de Brasil e de seus problemas.
Dizia a antiga piada que, a nossa catástrofe natural é a classe política. Que ela seria tão devastadora quanto os terremotos, os furacões e os maremotos, que atormentam outros países e continentes.
Penso de forma diferente. O mal do país está em nós, naquele gene “mau caráter” que se esconde em nosso DNA e que se desenvolve. Que aparece quando sabemos que estamos errados e, ainda assim, tentamos levar vantagem. Quando, nas pequenas coisas, usamos artifícios para nos darmos bem ou pelo simples fato de sermos malvados gratuitamente. Como aquele motorista de ônibus que, mesmo com o farol fechado, acelera o coletivo e força os pedestres a apressarem o passo para atravessarem a rua.
É esta a nossa singularidade enquanto povo, tal como o “ão” é uma singularidade de nossa língua; e que me faz duvidar daquela história de “o brasileiro ser um povo ordeiro”. É lobo. Infelizmente. É o seu próprio lobo. Se não, pensemos: O político corrupto é, senão espelho de nós mesmos, aquele pequeno gene “mau caráter” de nosso DNA, elevado à enésima potência e embriagado pelo poder. E como nos ensinou Lord Acton, é ele que corrompe.
Melhor pensar direito. Existe uma grande inversão de valores que nos faz ficar admirados quando alguém é tido como ‘honesto’. Como se a honestidade não fosse a nossa primeira obrigação! Agora, já nos parece normal quando se apresentam senadores, deputados, vereadores, empreiteiros e, mesmo cidadãos sem cargo, que não conseguem explicar a origem de seus bens. Não conseguem nem afastar suspeitas que pairem sobre si. Achamos normal, não mais nos chocamos, não mais nos escandalizamos.
Como também não nos chocam os professores que não sabem ensinar, os policiais que se valem do ofício em beneficio próprio, e toda a gente que usa o Estado em benefício próprio…
É necessário que mudemos, dentro de nós, esta visão. Que cobremos, de nós mesmos, mais compromisso com a verdade e com a honestidade. Fazer com que esta particularidade tão nossa, de “querer se dar bem sempre” (sic), seja revertida em “querer o bem coletivo”.
Somos nós que votamos. Somos nós que elegemos. E somos nós que não sabemos escolher. Falta-nos discernimento para analisar nomes, propostas, biografias e perfis. Façamos a nossa parte. Prestemos atenção àquilo que nos rodeia. Existem tragédias que se anunciam: o mar recuando antes do Tsunami, a calmaria antes da tempestade e, também, como é feita a campanha antes de uma eleição.
Mudemos nós. Aproveitemos a liberdade que temos para poder discutir, analisar e escolher. Mas, principalmente, aproveitemos o momento para rever nossos próprios valores. Façamos nós o nosso melhor, para que isso reflita em todos, tornando-se esse um valor comum. Como nosso “ão”.
Mas se nós temos planos e eles são / o fim da fome e da difamação /
porque não pô-los logo em ação? / tal seja agora a inauguração
da nova nossa civilização / tão singular quanto o nosso ao
e sejam belos, livres, luminosos / os nossos sonhos de nação.
Lenine, in ‘Ecos do ão’
* Ron Groo é articulista e escreve regularmente em seu Blog
Fórmula Bus: criativa brincadeira entre bloggers
Posted by Marcus Mayer in Humor, Sociedade on June 25th, 2007
marcus-mayer.com/blog/Uma experiência de ótimo humor e muita criatividade
Ingressamos nesse métier – de bloggers – há pouco mais de 90 dias e estamos conhecendo iniciativas diversas que caracterizam esse universo, na Internet. Os blogs representam praticamente todos os nichos de interesse: basta ingressar com uma palavra qualquer no Google ou outra ferramenta de busca para vislumbrar uma lista enorme de opções de blogs, que conduzirão à resposta e abordarão a demanda sob as mais variadas óticas.
Quem já nos visitou e explorou detalhes de nossa página, deve ter percebido que temas a respeito dos quais discorremos – apesar da predileção por política, economia e relações internacionais – são significativamente variados.
Nosso gosto pelos esportes, principalmente a Fórmula 1, permitiu um contato freqüente com autores de páginas muito interessantes que versam sobre o assunto. Assim, também começamos a interagir e observar iniciativas muito bem humoradas e criativas.
A última, e mais curiosa, foi a que nos levou a participar de uma corrida imaginária de coletivos. O blogger Ron Groo, autor de textos literários e análises de corridas de Fórmula 1 – sempre com um toque de bom humor -, certo dia sugeriu a leitura de um post que narrava essa corrida fantasiosa de ônibus, que seriam “pilotados” pelos autores de outros blogs.
A brincadeira foi tão bem aceita entre os bloggers que, um deles, Mauro César Costa, residente em Teresina, no Piauí, resolveu “levar a corrida para lá”. Já habituado a visitar e ler os artigos publicados pelos diversos competidores da “categoria”, resolvemos nos inscrever também.
Protótipo do SuperBus, da Delft University
Para concluir a inscrição, precisávamos escolher a foto de um ônibus e enviar para o e-mail do blog de Mauro, o “Conto de Vista”, e aguardar a publicação. Escolhemos o protótipo de um projeto de SuperBus, desenvolvido pela Delft Univesity of Technology, de Amsterdam (existe de verdade!). Em nosso blog há um artigo interessantíssimo sobre o SuperBus e sua tecnologia, que, conforme os engenheiros do projeto, será testado durante as Olimpíadas de Beijing, em 2008. Vale a pena a visita ao link de uma reportagem da revista britânica The Economist, que traduzimos para o blog. Leia o artigo clicando aqui
A sofisticação da brincadeira chegou a ponto de contar com vídeos de divulgação, muito bem elaborados, que lembram perfeitamente chamadas televisivas. Clique aqui para assistir à chamada, de 40 segundos.
Outro vídeo (com duração de 1min30) destaca o grid de largada e apresenta os “pilotos” e seus “ônibus”. Muito bem feito e “levado a sério”! Confira.
Naturalmente, a “corrida” transcorreu conforme a criatividade narrativa do autor, expressa nesse divertidíssimo texto. Ao lado, segue a tabela com o resultado da “prova” e a classificação dos “pilotos” no “campeonato”.
Acredito que a “FebrabusCom”, “Federação Brasileira de Ônibus de Competição”, e a “The BAMA – The Bus Administration & Management Association”, aceitarão inscrições de novos “pilotos” e “equipes” para as próximas etapas do campeonato da “FBus”.
Você, leitor de nosso blog, que nunca teve a oportunidade de participar de uma corrida pilotando um ônibus, participe também e divirta-se com ótimo “sense of humour” dos bloggers organizadores!
mayer







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