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An accident waiting to happen
Posted by Marcus Mayer in Atualidades, Brasil on July 20th, 2007
A imprensa brasileira está com medo do quê? Os editoriais dos maiores jornais brasileiros, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e O Globo de ontem, trataram, como já se esperava, da tragédia no aeroporto Congonhas. Todos deixaram claro que o governo não está isento de sua co-responsabilidade, qualquer que tenha sido a falha que motivou o acidente, mas nenhum teve coragem de dar nome aos bois, ou melhor, citar claramente os verdadeiros criminosos?
O Ministério Público pede o fechamento do aeroporto e se esquece de pedir o impeachment do responsável pela catástrofe? Que país é esse? Lula da Silva terá o direito de falar em cadeia de rádio e televisão para expressar mais mentiras, na sexta-feira?
Sob o título “An accident waiting to happen?”, a revista britânica The Economist trata do tema e confirma o que escrevemos ontem em nosso blog. Inlusive, repete o título com outras palavras. Leia-se a matéria, que traduzi abaixo, conhecendo a imagem que o governo brasileiro remete ao exterior.
Os editoriais de O Estado e Folha podem ser lidos, na íntegra, no blog Notícias do Planalto, do ótimo articulista Costa Junior. Sugestão: ao acessar a página, acione-se a maravilhosa música de Albinoni, disponibilizada em seu post do dia 18, e leiam-se os textos com esse fundo musical.
O Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro – apesar de sua menor repercussão nacional -, contrariando o que dizíamos a respeito da falta de coragem da imprensa brasileira, está dando nome aos bois(!). Confira-se o seu editorial do dia 18, na íntegra, no ótimo blog Pata Irada, da bem-humorada articulista gaúcha, Silvana.
Aviation in Brazil
Um acidente esperando para acontecer?
Jul 19th 2007 | RIO DE JANEIRO
From Economist.com | Traduzido por Marcus Mayer

O ano passado foi terrível para a aviação do Brasil. Na noite de terça-feira, 17 de julho, um jato Airbus 320 operado pela TAM, principal companhia aérea do país, ultrapassou a pista do aeroporto Congonhas, de São Paulo, atravessou uma movimentada avenida e chocou-se com um prédio próximo, explodindo durante o impacto. As 186 pessoas a bordo do vôo de Porto Alegre morreram numa bola de fogo, bem como outros em terra, fazendo deste o pior desastre na história da aviação civil no Brasil.
As cenas de aeroportos abarrotados de parentes desesperados foram terrivelmente familiares. Em setembro passado, 154 passageiros morreram quando um Boeing 737 da companhia aérea GOL mergulhou na floresta tropical do Amazonas depois de um choque no ar com um jato executivo. Desde então, o setor aéreo do país passa de uma crise à outra, com vôos cronicamente atrasados, controladores de vôo rebelados e um dilúvio de acidentes menores causados por uma série de falhas.
Poucas horas após o choque, começaram as especulações e as acusações. Aconteceu durante chuva e vento. Diz-se que o piloto possa ter aterrissado muito tarde e demasiado rápido, deixando pouco espaço para a frenagem e nenhuma margem para erro. Uma filmagem divulgada no dia 19 de julho mostrou o avião viajando rapidamente ao longo da pista, sugerindo que o piloto tentasse decolar novamente (arremeter).
Alguns peritos argumentam, contudo, que este foi um acidente que já se esperava que acontecesse. As pistas curtas de Congonhas são cunhadas no coração de uma das maiores cidades do mundo. Em fevereiro, um juiz federal baniu o uso de Fokker 100 e Boeing 737 no aeroporto por razões de segurança. Em seguida, a proibição foi derrubada, com o argumento de que seria “demasiado drástica”. O problema é que Congonhas seja o aeroporto mais movimentado do Brasil, e imprescindível aos viajantes. O Aeroporto Internacional de São Paulo está a uma hora de distância da cidade.
Pilotos e engenheiros reagem afirmando que são as condições do aeroporto, e não o tamanho e a localização, que contam. Sobre isso recaem dúvidas. No dia 29 de junho, a Infraero, a agência estatal que controla os aeroportos, reabriu a pista principal em Congonhas – que tinha sido fechada para reforma depois de vários aviões escorregarem enquanto pousavam na chuva – sem que nela fossem feitas ranhuras para ajudar na drenagem, evitando derrapagens de aeronaves.
Em uma conversação gravada, um piloto avisa o outro: “procure não aterrissar demasiado tarde, porque é muito escorregadio”. A Infraero nega que o choque fosse causado pela água na pista. Mas a confiança pública foi quebrada. Toda a administração da aviação brasileira, dividida entre civis e militares, precisa de investigação e reforma.
O texto pode ser lido em inglês, no site da revista The Economist, clicando-se aqui
A tragédia anunciada
Posted by Marcus Mayer in Atualidades, Brasil on July 19th, 2007
Enquanto o governo preferir contratar apaniguados a investir na infra-estrutura aeroportuária, certamente, outras terríveis catástrofes ocorrerão. Após assistir às tristes imagens pela tevê e ler as notícias publicadas na imprensa nacional e internacional, uma certeza é clara: não será preciso aguardar pelos dados da caixa preta do vôo, nem ouvir a opinião dos técnicos franceses da Airbus, para identificar a responsabilidade pela desgraça.
Lamentavelmente, a imprensa brasileira não tem coragem de divulgar a verdade como o estão fazendo algumas publicações estrangeiras. A pista pode ter defeitos, o piloto pode ter errado, a companhia pode ter co-responsabilidade. Mas, a origem dos problemas está na falta de iniciativa governamental e a culpa da tragédia é do ministério da Defesa!
Visão da cidade de São Paulo durante o acidente aéreo / Crédito: Le Figaro
No blog de Ancelmo Góis, de O Globo lia-se o seguinte texto, sob o título Acorda, Lula: “O que ainda faz no cargo o ministro da Defesa Waldir Pires? Por que o presidente da Anac, o aparelhado Milton Zuanazzi, amiguinho sabe-se lá de quem (diz-se que da Dilma), profundo desconhecedor dos assuntos de aviação, ainda não caiu? Quem ainda acredita na Infraero depois de tudo? Ninguém será demitido após a criminosa liberação da pista de Congonhas? Acorda, Lula.”
Eu vou além: acorda Brasil! O que ainda faz no cargo o presidente da República Lula da Silva? Por que esse irresponsável ainda não caiu? Quem ainda acredita no governo depois de tudo? Ninguém sofrerá impeachment após a criminosa desfaçatez do presidente para com a crise aérea? Acorda, Brasil!
Quando em setembro de 2006 ocorreu a tragédia do choque entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, dando início à gravíssima crise do setor, registrava-se o maior acidente aéreo da história brasileira. O governo do presidente Lula da Silva se esforçou ao máximo para que esta marca fosse logo superada. Catástrofe pior ocorreu no aeroporto de Congonhas, o mais importante da América Latina. O acidente com o Airbus da TAM já está entre os 30 piores da história mundial da aviação.
A prova do crime de responsabilidade: Lula da Silva sabe de sua culpa. A revista Veja dessa semana publicou nota (ao lado), em sua coluna Radar, anunciando aquilo que já tínhamos publicado em 31 de março, neste blog: (…) proponho que se realize imediatamente uma licitação para terceirizar os serviços dos aeroportos, entregando toda a administração a empresas privadas. As regras às quais essas empresas se subordinariam seriam definidas por uma Agência Nacional de Transportes e pelo Comando da Aeronáutica. Além disso, sugiro a privatização da administração dos aeroportos. Tudo seria resolvido do dia para a noite e, certamente, alcançaríamos a um padrão de qualidade de serviços de primeiro mundo. Controladores de vôo poderiam ser contratados e demitidos de acordo com as regras do mercado e em função da competência profissional.
E concluía, afirmando: Certamente, essa proposta é absurda, pois impediria a corrupção, extinguiria cargos de apaniguados do governo e as contas pagas pelos contribuintes passariam a ser muito menores. (…)
A ‘contida’ BBC teve coragem e publicou a matéria abaixo em seu site:
Acidente pode ser desastre político para Lula
por Asdrúbal Figueiró
para a BBC Brasil
marcus-mayer.com
O acidente com o Airbus da TAM em São Paulo tem potencial de provocar estragos políticos e de imagem inéditos no governo Lula.
marcus-mayer.com
Desde o choque do Boeing da Gol com o Legacy que deixou 154 mortos na Amazônia em setembro do ano passado, a crise aérea não saiu das manchetes. Nesses nove meses, houve um quase-acidente aqui, uma greve ali, declarações desastradas de autoridades acolá e muitas filas e atrasos.
Até agora, porém, apesar de ter emplacado uma CPI, a oposição parecia não ter conseguido capitalizar e potencializar o desgaste do governo.
Desgaste
Uma das acusações mais fortes que a oposição conseguiu produzir foi que Lula empurrava um problema sério com a barriga. Não é um argumento de tanto peso quando o resultado mais visível da suposta inoperância é fila em aeroporto. Quando o resultado são cerca de 200 mortos e o maior acidente da história da aviação no Brasil, a coisa pode mudar.
É claro que a investigação sobre as causas do acidente ainda está nos estágios inciais. Mas, mesmo que se prove que as condições da pista de Congonhas tenham pouco a ver com o desastre, o governo vai, no mínimo, ter de ir para a defensiva. Vai ter de se explicar e torcer para que sua versão cole.
Se, ao contrário, ficar provado que a pista recém entregue pela estatal federal Infraero não tinha condições ideais e que isso foi crucial, o desgaste pode ser muito mais grave.
Vai ser mais fácil para a oposição usar o argumento da crise anunciada e tentar jogar o custo do desastre no colo do governo, e mais difícil para Lula alegar ignorância, como no início da própria crise aérea ou do escândalo do mensalão.
Serra
Coincidência ou não, Lula colocou para investigar as obras de recuperação da pista a Polícia Federal que, apesar de se envolver em polêmicas, tem conseguido vender a imagem de um dos órgãos mais eficientes do governo. A medida dá aos aliados de Lula um argumento contra a acusação de inação do governo e, no limite, permite que o presidente associe sua imagem aos investigadores, caso se comprovem problemas com a obra da Infraero.
Mas, para além disso, o desastre em Congonhas também coloca no palco outro personagem importante: o governador tucano José Serra, potencial candidato à eleição presidencial de 2010. Nas primeiras horas do acidente, enquanto o presidente se fechava no Palácio com ministros e deixava a tarefa de enfrentar as câmeras para o porta-voz da Presidência, Serra estava na cena do desastre, ao vivo, nas TVs, dizendo que “infelizmente, as chances de sobreviventes” eram quase zero.
Por ora, o governador tem evitado declarações políticas mais fortes – até porque talvez o momento não seja o mais conveniente. Mas ele já deu declarações dizendo que o aeroporto deveria ficar fechado durante as investigações, que cobrou “rigorosas”, e anunciou inquérito da Polícia Civil.
Serra também já se reuniu com familiares das vítimas e não deu nenhum sinal de que deva deixar a cena. É um assunto de repercussão nacional em que, como governador do Estado, Serra pode – até com a justificativa de que deve – tratar. O desgate é todo federal.
Marta Suplicy
O potencial político para Serra só não é maior porque os eventuais dividendos do tucano tendem a se concentrar em uma área geográfica (São Paulo/Sul) e social (classe média) onde o PSDB tem menos problemas. E o efeito no eleitorado de Lula – classes mais baixas no Norte e Nordeste – não é tão fácil medir. Mas é mais improvável que o presidente possa se sair da história melhor do que entrou.
Também é difícil avaliar o impacto do acidente na imagem da ministra Marta Suplicy, arqui-rival de Serra na política paulista e paulistana e possível candidata à Presidência em 2010. Mas a combinação da catástrofe no seu reduto eleitoral com o “relaxa e goza” não deve ajudar a petista.
Solução para o apagão aéreo
Posted by Marcus Mayer in Crise aérea on April 2nd, 2007
Waldir Pires (80), ministro da Defesa / G1
Enquanto o Clube da Aeronáutica deseja punir os controladores de vôo que realizaram greve nos últimos dias, a maioria dos sargentos que trabalham na função deseja a desmilitarização do setor e a transferência para um regime civil, que implicará a perda da patente.
Não defendo nem uma coisa nem outra: proponho que se realize imediatamente uma licitação para terceirizar os serviços dos aeroportos, entregando toda a administração a empresas privadas. As regras às quais essas empresas se subordinariam seriam definidas pela Agência Nacional de Transportes e pelo Comando da Aeronáutica.
Além disso, privatizaria também a administração dos aeroportos. Tudo seria resolvido do dia para a noite e, certamente, alcançaríamos a um padrão de qualidade de serviços de primeiro mundo. Controladores de vôo poderiam ser contratados e demitidos de acordo com as regras do mercado e em função da competência profissional.
Certamente, essa proposta seria absurda, pois impediria a corrupção, extinguiria cargos de apaniguados do governo e as contas pagas pelos contribuintes passariam a ser muito menores.
As empresas aéreas já estão cobrando uma pequena indenização de R$100 milhões do governo, diga-se, do contribuinte, em função dos prejuízos que tiveram nos últimos dias.
E amanhã vence o novo prazo dado pelo presidente Lula ao seu ministro da Defesa, Waldir Pires, para encontrar ‘definitivamente’ soluções para o problema do apagão aéreo. Não acredito que terá êxito. Enquanto o caos for administrado pelo PT, dificilmente será encontrada uma solução definitiva, que permita vislumbrar ‘céu de brigadeiro’ nos aeroportos.
O caos aéreo
Posted by Marcus Mayer in Brasil, Crise aérea on March 31st, 2007
A edição de 28.03.2007 da revista Veja trouxe, como matéria de capa, o tormento sem fim que se tornou o ato de viajar de avião. Como causas principais para o caos, aponta a precária infra-estrutura, o descaso do governo e a ganância das companhias aéreas. Entre esses motivos, a incompetência do governo é, certamente, o pior fator.
Desde a tragédia, no fim de setembro, quando ocorreu o choque entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, nenhuma medida governamental conseguiu amenizar o problema. O ministro da Defesa, Waldir Pires, só conseguir demonstrar irresponsabilidade e incompetência para lidar com o assunto. Enquanto isso, o presidente brasileiro não toma nenhuma atitude além de tentar impedir a instalação da CPI, que pretende apurar as responsabilidades pela crise no setor.
Em janeiro de 2006, 96,5% dos vôos da Gol e da TAM, que representam atualmente 86% do mercado, decolavam e pousavam no horário previsto. Esse índice de pontualidade, que só leva em conta atrasos superiores a quinze minutos, caiu para 45% em dezembro. O Brasil do presidente Lula da Silva conseguiu realizar mais uma grande proeza: de um padrão europeu de pontualidade o país passou para um nível pior do que o de miseráveis países africanos.







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