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Por que não escrever “portugues”?

países lusófonos

O ano que se inicia vem acompanhado de uma importante mudança para os paises lusofonos: a reforma ortografica. A nova grafia da Lingua Portuguesa entrou em vigor no dia 1º. Num pais como o Brasil, no qual a leitura ainda é habito de poucos, essa alteração na forma de escrever, no primeiro momento, so sera preocupação mesmo entre editores de livros, revistas, jornais e – tambem entre nós – redatores de blogs. A partir dos proximos exames vestibulares, os candidatos as universidades tambem terão mais com que se divertir.

No campo economico, os custos serão elevados para aqueles que precisam renovar as bibliotecas, como governos os quais terão de investir na atualização do material didatico. As editoras, por outro lado, ganharão com a venda desse material e de novos manuais e dicionarios. É facil concluir que a conta sera paga, como sempre, pelos contribuintes.

A razão principal que motivou a atual reforma foi a unificação da forma escrita da lingua. Tal qual o espanhol, que usa uma unica regra (apesar das nitidas diferenças na fala), o portugues, a partir de agora, sera grafado “quase” da mesma forma em Portugal, no Brasil e na Africa.

No que se refere ao merito da reforma em si, firmamos uma opinião: essa é mais uma reforma capenga que, certamente, tera de ser retomada, ja nas proximas decadas. Primeiramente, porque a unificação não foi plena; e, segundo, porque é pouco ambiciosa.

Fundamentemos. Giselle, a linda, esta tranquila, pois continuara a colocar o trema em seu sobrenome, tal qual o seu primo alemão, o Hans Müller. O voo do condor sera suavizado, pois não carregara mais o peso do chapeu no primeiro “o”. A infraestrutura sera mais leve depois de perder o hifen. As minissaias mudaram de tamanho com o “s” a mais; e no estado do Acre agora vivem os acrianos.

Tudo isso faz sentido. Mas por que não ir mais adiante e eliminar logo todos os demais acentos superfluos? O leitor mais atento deve ter observado que nós o fizemos ate aqui, procurando justificar essa argumentação. Alguma dificuldade para entender o texto? – Talvez no que se refira ao tempo verbal futuro, pois “ocorrera” e “ocorrerá” nos remete a momentos diferentes da ação. Quem, contudo, ainda utiliza a primeira forma, ou seja, aquele tal de pretérito mais-que-perfeito do indicativo?

Deste ponto em diante, tentaremos escrever de acordo com a regra atual, preservando todos os acentos ainda impostos pelo acordo ortográfico, e sobretudo para não confundir ainda mais o leitor.

O assunto, todavia, nos remete para mais algumas reflexões. Por que mudar a grafia de nomes próprios e de pontos geográficos? Considero esse um dos maiores absurdos, não só da Língua Portuguesa, mas de outros idiomas também.

Jamais entendi o porquê de Martin Luther, o da Reforma, virar Martinho Lutero. Para manter a (in)coerência não seria adequado tratar o outro Martin, o americano, da defesa dos direitos humanos e da igualdade racial, de Martinho Lutero Quingue (ou Rei)?

Recentemente, estudei a obra de Hugo Grotius. Ao pesquisar referências na Internet, precisei procurar também por Hugo Grócio, Huig de Groot e Huigh Groot. Afinal, qual dos quatro é o autor de Direito da Guerra e da Paz?

Outro disparate pode ser notado quando se trata de cidades e países. Será que vale menos a pena viajar para Seychelles que para Seicheles? E entre Hawaii e Havaí, qual seria o melhor destino? Para sermos menos exóticos, observemos a incoerência, em se tratando de New York. Chega-se à irracionalidade de uma tradução pela metade: por que Nova York e não Nova Iorque, já que alguém optou por esse ridículo? Outro exemplo risível do métier geográfico (ou seria melhor metiê?) é que brasileiros viajam para Stuttgart, no sul da Alemanha, enquanto portugueses preferem Estugarda(!).

Por outro lado, é aceitável que a República dos Camarões seja assim tratada, em português, respeitando-se a origem histórica do nome. Entre 1884 e 1914 a região foi um protetorado alemão, denominado Kamerun. Atualmente, nas duas línguas oficiais, inglês e francês, o país se chama Cameroon ou Cameroun. O nome do país origina-se de 1472, quando o navegador português, Fernando Pó, batizou o principal rio da região de Rio dos Camarões, provavelmente, por causa de uma grande incidência desse crustáceo em suas águas.

Uma curiosidade se refere ao dígrafo ch. Assim como no espanhol, agora instituiu-se a pronúncia tchê também no português, apesar de escrevermos chê. Acontece com República Checa, Chad, Chechênia, e com aquele ídolo do “idiota latino-americano”, o Che Guevara.

Retornando à questão da reforma, não é somente no português que não encontramos consenso. Enquanto na Suíça é possível localizar qualquer rua pelo nome de Strasse, na Alemanha ainda roda-se pela Straße, com esse estranho ß, com som de dois ésses. A última reforma ortográfica da língua alemã, de 1996, poderia ter abolido esse desvario em todas as palavras com o tal ß.

Em melhor situação está o espanhol, que mencionamos no início do texto, falado como primeira língua em 20 países e por aproximadamente 500.000 pessoas, segundo o Instituto Cervantes. A Associação de Academias da Língua Espanhola conseguiu unificar a escrita desde 1999, por meio de um dicionário pan-hispânico.

Enquanto isso, nóis aqui, vamos nos acostumando aos novos tempos da complexa Língua Portuguesa. Se algum dia já compramos Coca-Cola na pharmacia, hoje deixaremos de procurar pelo em ovo. E talvez, num futuro próximo, passemos a escrever portugues – assim, sem acento.

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Quando é merecido, elogiamos também

Folha OnlineNunca antes neste país se investiu tão pouco em infra-estrutura – menos de 0,5% do PIB. E nunca houve tanto assistencialismo – quase um quarto da população brasileira é dependente do programa Bolsa-família. Somos críticos contumazes do governo esquerdizante do presidente Lula da Silva. Todavia, subscrevemos integralmente o artigo de Gilberto Dimenstein, para a Folha de S.Paulo, e a criação do novo programa “Bolsa Escola”, que será lançado pelo governo federal, no próximo dia 5 de setembro, observadas as ressalvas feitas pelo jornalista. Leia-se o artigo na íntegra:


gilberto_dimenstein.jpgA melhor bolsa de Lula
por Gilberto Dimenstein*
para a Folha de S.Paulo | 28 de agosto de 2007

A principal marca social do governo Lula é uma obra de Fernando Henrique Cardoso: o Bolsa Família. Nenhum problema nisso. O presidente tratou de aglutinar os vários programas já existentes e ampliá-los. Ficou melhor do que era. Mas até mesmo a idéia de criar um cadastro único com foco na família estava delineada. Existe, agora, a chance de criar a melhor das bolsas.

Está previsto para ser lançada no próximo dia 5 de setembro uma bolsa de R$ 30,00 mensais para os jovens entre 15 e 17 anos, com a condição de que continuem estudando. Calcula-se que a medida beneficie 1,7 milhão de adolescentes, a maioria dos quais, segundo as estatísticas, deixam a escola.

A vantagem desse estímulo é óbvia. Muitos dos programas de distribuição de renda chegam a adultos danificados pela pobreza e com poucas possibilidades de inserção no mercado de trabalho. Quando se mantém o jovem na escola, além de tirá-lo da rua e reduzir o risco de envolvimento com a violência, pode-se apostar (pelo menos apostar) que ele tenha menos dificuldade de obter um emprego. Isso se o dinheiro for combinado com uma série de ações complementares, como reforço escolar e atividades extracurriculares que levem à profissionalização. Do contrário, serão apenas mais dois anos de educação pública ruim.

Se o ideal dos projetos de renda mínima é gerar indivíduos autônomos (o que é uma deficiência no Bolsa Família), a ajuda ao adolescente é o caminho mais sustentável para que se vire sozinho, sem precisar da assistência pública. É, portanto, a melhor das bolsas.

*Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Escreve para a Folha Online às terças-feiras.


NOTA: Em nossa última coluna WEEKLY NEWS noticiamos que senadores do DEM estariam sendo cooptados por altos dirigentes do governo, visando transferência para a partidos da base aliada do governo. O senador Jayme Campos (MT) negou de forma veemente, em discurso no Senado, ontem, que sederia às ofertas sedutoras do governo. Aguardamos satisfação dos demais senadores nominados: Romeu Tuma (SP), Edison Lobão (MA) e César Borges (BA).

 

Charge

ali_babao.jpg

Crédito: Sponholz

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Um Brasil que poucos conhecem

O Brasil é um país de dimensões tão vastas que é quase impossível conhecer todas as suas idiossincrasias. Minha amiga de longa data, a educadora Gláucia Melasso, diretora do Movimento de Educação de Base, relata no artigo abaixo uma insólita experiência pela qual passou numa reserva indígena.

A constatação da miséria encontrada é mais um triste capítulo história da desigualdade social que reina no Brasil. Todavia, o texto expressa claramente o trabalho árduo de educadores que ousam aventurar-se por regiões pobres que ainda necessitam de muitos esforços governamentais e privados para erradicar o analfabetismo:


glaucia_melasso.jpgUma aventura com os Xacriabás
por Gláucia Melasso*

No dia 08 de setembro é comemorado o Dia Internacional da Alfabetização. Entretanto, o MEB (Movimento de Educação de Base), organização que dirijo, só foi se dar conta do significado da data quando o dia quase anunciava seu fim. A nossa equipe pedagógica encontrava-se acampada na Reserva Indígena dos Xacriabás, fazendo visitas a turmas de alfabetização de jovens e adultos, entrevistas e fotografias da realidade local e algumas reuniões com alfabetizadores e supervisores atuantes. Passamos, então, a fazer o relato de nossa experiência nos dias 07 e 08 de setembro:

“Guernica”, de Pablo Picasso, 1937
guernica_picasso.jpg

7 de setembro, 12h30
Crianças e animais correndo pela terra seca e vermelha, sem vegetação, homens e mulheres vestindo calças jeans e camisetas bastante rotas e chinelos de plástico, pequenas construções de alvenaria, alguns barracos, uma pequena escola e duas mercearias, passavam a impressão de que estávamos chegando em mais uma zona pobre de periferia urbana e nunca em uma Reserva Indígena.

O meio-dia quente e poeirento na sede da Reserva lembrava Guernica de Picasso. Não que o ambiente fosse hostil a ponto de lembrar uma guerra, mas a associação com tristeza, desolação e falta de perspectivas deixava a impressão do dia seguinte de um campo de batalha.

Leia a continuação do artigo clicando no link abaixo:

* Gláucia Melasso, educadora, é diretora do Movimento de Educação de Base e atua como assessora de Planejamento e Rel. Institucionais.

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Sobre a crise na USP

Segue abaixo, na íntegra, texto publicado por Reinaldo de Azevedo (foto) em seu blog, no site da revista VEJA. O blog expõe o debate, desde o dia da invasão do prédio da reitoria da USP, através de diversos textos muito interessantes do articulista, bem como de diálogos que tem mantido com alunos da universidade – entre eles, aqueles que estão a favor do movimento e outros que são contrários. Vale a pena dar uma lida nos diversos posts, clicando sobre os links dos textos de arquivo do mês de maio. O debate chega a ser muito divertido!


reinaldo_azevedo.jpgPor que tantos odeiam a FEA-USP?
por Reynaldo de Azevedo
Extraído de seu blog, no site da revista Veja

É fascinante! Vocês não sabem a quantidade de comentários que chegam esculhambando a FEA — a Faculdade de Economia e Administração — da USP. Por quê?

Estive lá dia desses. Com efeito, nem parece a USP — como diria Lula de certo país africano — de tão limpinha. Tive de caminhar de um prédio pra outro, até me encontrar com um professor. Passei antes no banheiro para ajeitar o colarinho, lavar o rosto. Estava tudo muito aceitável. Não reparei, mas acho que havia ar condicionado no saguão. Não me lembro de ter sentido calor. Não há aquele cinza-concreto com pichação — misto de Alemanha Oriental pré-queda do Muro com Paris de 1968 —, que tão bem caracteriza certos prédios da universidade. A FEA excita a imaginação dos que pretendem fazer arranca-rabo de classes entre os estudantes.

E como é que se chegou àquele estágio. “Ah, esses mercenários recebem dinheiro privado por meio das fundações”.É mesmo, é? Que crime, não? Quer dizer que o “merrrcado” se interessa, por exemplo, pelos números da Fipe? Ainda bem! Mas não só o merrrcado. Também o trabalhadores. Seus índices de inflação já serviram de argumento para muita reivindicação sindical. A Fipe foi uma das primeiras fundações a se interessar por microeconomia no Brasil — ou pela chamada “economia real”. Universidades no MUNDO INTEIRO — anotaram aí a expressão “MUNDO INTEIRO?” — prestam esse tipo de serviço. E são, sim, remuneradas. E aplicam o que recebem na melhoria das condições de ensino e de pesquisa.

Por que é que a Fefeléchi não tem, até hoje, um instituto de pesquisas? O que fazem os seus sociólogos que não se encarregam de criar um? Falta dinheiro? Ora, se há expertise ali, se há competência, o dinheiro aparece: vem da iniciativa privada. O capitalismo se interessa pela ciência. O problema é que boa parte do rebanho da Fefeléchi, liderado por carneiros lesos, está interessada em destruir o capitalismo. Por que não se juntam os sociólogos dali com os especialistas em estatística do IME para criar uma robusta fundação, um DataBrasil, um DataUSP? Ah, e quem vai cuidar do socialismo enquanto essa gente trabalha? Entendo. Com a quantidade de professores versados nas mais diversas línguas que têm as Letras — têm, não têm? —, por que não se cria uma fundação para a edição de livros, oferecendo aos brasileiros traduções ainda fora do alcance dos nativos? Será que isso tudo tem de ser financiado com dinheiro público?

Acontece que a casta universitária pretende ter criado a Exceção Brasileira. Ela não quer contato com o mundo real. Pior do que isso: censura quem se organiza para enfrentar com competência o mundo moderno. Conheço a FEA. Conheço gente que dá aula ali. Conheço alunos. Meu sobrinho mais velho cursa o segundo ano de Economia. De fato, nem parece a África… E não que faltem esquerdistas. Até sobram. Vi dia destes o material de certa disciplina, que ele me apresentou. É de chorar. Marxismo vagabundo. Mas também há outras influências. Ele não é de esquerda — diriam os comunistas que se trata de um jovem de direita, que até gosta de estudar; um pecado! —, mas não se sente oprimido nem pelo pensamento único nem por tetos que desabam sobre a cabeça.

E, no entanto, qual é o principal alvo das Mafaldinhas e Remelentos? A FEA, a faculdade dos burgueses — e também a Poli. Tudo porque essas faculdades descobriram que existe o mundo real. O que essa gente quer é dinheiro do estado burguês para que eles possam, na universidade, brincar de revolução; brincar de destruir… o estado burguês. Deve haver muitos defeitos na FEA. Sempre há. Mas ainda é o melhor modelo para a USP. E dona Suely, reitora da universidade, infelizmente, não concorda comigo.

PS: A propósito: reparem que os “intelequituais” das humanas, que fazem sua carreira pregando a rebelião, escolhem editoras privadas para publicar seus livrinhos — ou livrões, né, Marilena Chaui? —, que ninguém é de ferro. Para os coitadinhos que alisam os bancos, socialismo. Para os mestres do socialismo, o bom e velho capitalismo.

Pode ser cansativo desmoralizar essa gente ainda mais. Mas é necessário.


Uma fundação ou um instituto para a FFLCH

Seguindo sugestão de Reinaldo de Azevedo, colunista de VEJA, a partir dos próximos dias, vamos nos empenhar na criação de um “DataUSP”, uma fundação vinculada à FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), conforme anunciamos em nosso post “A crise na USP”, em 19/05. Leia o artigo clicando aqui

Uma das atividades da Fundação será o acompanhamento constante de todas as atividades parlamentares, com fornecimento das informações para os maiores órgãos da imprensa nacional, além da veiculação dos dados, de forma didática, em site na Internet.

Outra ocupação (o termo está em moda!) do “DataUSP” será a tradução de livros, atividade na qual o Brasil é extremamente carente, considerado o acervo de obras importantes traduzidas para a Língua Portuguesa. A situação é vergonhosa, se comparada com o número de boas traduções para o espanhol.

Naturalmente, já temos um elenco bastante largo de atividades com as quais a Fundação poderá se preocupar (nem todas descritas aqui), bem como as fontes de financiamento, ávidas pelo trabalho que será executado por estudantes e profissionais das áreas de Ciências Sociais, Geografia, História, Filosofia, Letras, Biblioteconomia etc.

A sugestão de integrar o IME, Instituto de Matemática e Estatística, bem como a FIPE, Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – dois órgãos da Universidade de São Paulo -, como sugere Reinaldo de Azevedo, será estudada com muito carinho, de tal forma que se obtenha total êxito na empreitada.

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A crise na USP

FOTOS: Simone Harnik / G1
reitoria_usp_ocupacao.jpgPrédio da reitoria da USP ocupado por ‘estudantes’

Em recente artigo, tratei do tema da ocupação da reitoria da USP, Universidade de São Paulo, no campus Butantã, por alguns alunos. Mais do que abordar o movimento e a greve que se instalou, descrevi o curioso saudosismo dos tempos da Guerra Fria e do alinhamento pró-soviético de parcela substantiva do alunado.

Nos dias que se seguiram até a data atual, os principais órgãos de imprensa deram cobertura à evolução dos acontecimentos. Como aluno da universidade, acompanhei de perto a movimentação. O texto a seguir visa a relatar os acontecimentos e a oferecer um diagnóstico da crise que se instalou. Com efeito, procuro também oferecer propostas e soluções.

HISTÓRICO – No mês de janeiro, logo após a posse, o governador José Serra criou medida que visou a exigir mais transparência nos gastos das três universidades estaduais – USP, Unesp e Unicamp, através do qual as contas das instituições de ensino passariam a ser incluídas no Siafem, Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios. “O sistema monitora a movimentação do caixa de órgãos públicos, permitindo aos contribuintes acompanhar o uso de seu dinheiro e, aos administradores, avaliar a eficiência da gestão financeira”, conforme esclareceu a revista Veja, na edição do dia 16 de maio. Aos reitores das universidades não agradou a idéia e, sob o argumento de “perda de autonomia”, fizeram declarações descabidas. “Acabaram insuflando a extrema esquerda estudantil”, escreveu Reinaldo de Azevedo, colunista de Veja, em seu blog.

Desde os primeiros meses do ano letivo já se observavam cartazes e panfletos de autoria de centros acadêmicos, condenando a medida do governador. No período, ocorreram diversas reuniões de estudantes e algumas delas contaram com debate de professores. Destaque-se que os órgãos de ‘representação estudantil’ (CAs e DCEs) são ocupados por ‘estudantes’ que, mais do que essa qualificação, são ativistas militantes de partidos políticos, majoritariamente do PT, PSTU, PSOL, PCO e PC do B. Além desses, também aderiram ao movimento estudantes sem qualquer vínculo partidário, mas que são simpáticos aos ideais da esquerda revolucionária. Outros, bem intencionados, inclusive alguns colegas, desejosos de alcançar seus objetivos acadêmicos, não se dão conta de que sucumbem atuando como massa de manobra dos radicais. Numa assembléia de estudantes, da qual participei como ouvinte fortuito, a forma de tratamento que os oradores destinavam à platéia era – pasmem(!) – camaradas.

Os líderes dos movimentos que se opuseram ao decreto do governador solicitaram audiência à reitora da USP, Suely Vilela, e foram informados de que seriam atendidos pelo vice-reitor, pelo fato de a reitora encontrar-se viajando. No dia da audiência os estudantes não quiseram conversa com o vice-reitor e deram início ao quebra-quebra que destruiu as portas da reitoria e invadiram as suas dependências. Um colega que esteve presente disse que “a ocupação foi pacífica”, mas a foto abaixo põe em dúvida a informação.

reitoria_usp_ocupacao_21.jpg

O espantoso é que, mesmo num centro de excelência acadêmica como a Universidade de São Paulo – que exige aprovação na Fuvest, um dos mais difíceis vestibulares do país, acessível somente àqueles que tiveram uma boa base educacional -, haja tanta desinformação por parte do alunado. Nessa análise, porém, é muito importante não generalizar. Toda essa descrição é bastante válida para a FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e para a ECA (Escola de Comunicação e Artes) – exatamente as unidades tiveram maior adesão de alunos à greve que se instalou e que se mostraram favoráveis à ocupação da reitoria.

marilenachaui.jpgA FFLCH e a ECA comportam cursos de graduação em Ciências Sociais, História, Geografia e Jornalismo, entre outros, e têm um histórico que se caracteriza pelo combate à ditadura militar, mas também pelo alinhamento pró-soviético, nos tempos da Guerra Fria do século passado, tanto por parte do alunado como de seu corpo docente, diga-se Marilena Chauí (foto) ou Emir Sader, entre muitos outros. Não há mais ditadura militar e a ex-URSS foi esfacelada. Os saudosos da época, porém, ficaram órfãos de modelos e de ideais. Com a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder, uma ala alinha-se a favor do governo Lula da Silva e outra mais radical aderiu aos partidos mais à esquerda, como PSOL, PSTU, PC do B e PCO. Quase todos defendem governos como os de Hugo Chaves, da Venezuela, e de Evo Morales, da Bolívia.

Para esses pseudo-estudantes o que mais importa é a baderna e o quebra-quebra. A utopia ainda é uma revolução nos moldes bolchevistas. E a chance de tomar posse de um espaço como a reitoria da Universidade acaba se transformando numa insólita conquista.

FEA-USP: um prédio moderno e investimentos privados

O CONTRASTE – Enquanto certos prédios da universidade são caracterizados pelo “cinza-concreto com pichação — misto de Alemanha Oriental pré-queda do Muro com Paris de 1968”, como os descreve Reinaldo de Azevedo em seu blog, a FEA (Faculdade de Economia e Administração) parece uma ilha de prosperidade, um complexo limpo e organizado. Quando vou tomar café na cantina da FEA, meu amigo Gabriel Souza, estudante do curso de Letras, costuma dizer: “Aqui é a Europa da USP enquanto a FFLCH é a África!”.

O que distingue a FEA das demais? – Ela recebe dinheiro de fundações como a FIA (Fundação Instituto de Administração), a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e a Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras).

Para equiparar-se, bastaria à FFLCH criar o seu próprio instituto de pesquisas. E não faltaria dinheiro proveniente da iniciativa privada, que tem interesse por ciência. Basta um pouco de competência para que se crie, como sugere Reinaldo de Azevedo, “uma robusta fundação, um DataBrasil, um DataUSP”, que partiria da união entre os sociólogos, filósofos, historiadores e filólogos dali com os especialistas em estatística do IME. É vergonhoso que não se tenha na FFLCH uma fundação, como em tantas outras universidades, que edite livros e ofereça melhores traduções ao pobre acervo científico disponível em Língua Portuguesa. E isso não precisa ser financiado com dinheiro público. Esse sobraria para pintar paredes e reformar banheiros.

FFLCH-USP: prédios vergonhosos e aversão ao investimento privado

Para ver mais fotos da ocupação da reitoria da USP clique aqui

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Ocupação da reitoria da USP

FRASE

“Os atos de grupos radicais, cuja violência é condenável, não podem se sobrepor à contribuição inegável da USP ao Estado e ao país.”

Suely Vilela, reitora da Universidade de São Paulo,
em artigo para o jornal Folha de S.Paulo, em 17/05/2007

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FOTO: Simone Harnik / G1

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Trogloditas na universidade

Na última quinta-feira, conforme noticiou a Folha Online (leia o artigo), “estudantes” da USP invadiram a reitoria da universidade e destruíram móveis e portas. As aspas para a palavra estudantes são propositais pois, em realidade, trata-se de trogloditas que desconhecem a civilidade.

che-t-shirt.jpgQuem visitar o campus da universidade não vai se surpreender ao topar com uma grande massa de estudantes que adotam uma moda ultrapassada à la Che Guevara, com cabelos e barbas mal aparados e em trajes – diria – duvidosos. Camisetas estampando o rosto do idiota latino-americano Hugo Chaves ou do ditador cubano Fidel Castro não são raras. Mas fiquei surpreso, outro dia, ao ver uma garota usando uma blusa com a inscrição Hò Chí-Minh – nome do ditador comunista do Vietnã –, e, pouco adiante, um rapaz com um t-shirt vermelho com a inscrição “CCCP” – que significa URSS, no alfabeto cirílico. Quem sabe, um dia desses, encontro algum troglodita trajando uma camiseta com o nome de Pol Pot*.

Naturalmente, há muito romantismo e idealismo juvenil na cabeça desses estudantes. A maior parte, quando ingressar no mercado de trabalho – e tiver real noção do que foi o comunismo no século passado -, refletirá a respeito da estupidez de um dia. Uns poucos, porém, principalmente aqueles que não forem muito bem sucedidos em suas vidas profissionais, talvez continuem achando que a “saída pela esquerda” seja o melhor caminho para amenizar as dificuldades impostas pelo “malvado mundo da globalização” e militarão em algum MST, PT ou PSOL.

Como estudante da universidade, depois desses comentários, corro risco de ser repudiado por parte daqueles que se identificarem com os perfis descritos acima. Poderei ser estigmatizado como mais um “porco capitalista”.

Minha intenção, contudo, não é ingressar numa batalha ideológica, mas chamar a atenção para a possibilidade democrática que todos têm de expressar-se, seja através das inscrições nas camisetas, seja através da moda – por mais duvidosa que seja. O que não é possível tolerar são manifestações animalescas, com quebra-quebras violentos, tais como ocorreram na reitoria.

pol-pot.jpg* Pol Pot, líder do Khmer Vermelho, movimento comunista do Cambodja, exterminou entre 1,7 e 2,0 milhões de pessoas (quase ¼ da população de seu país), entre 1975 e 1979. Em números proporcionais, Pol Pot foi responsável pelo maior genocídio da história. As vítimas eram espancadas até a morte ou sufocadas com sacos plásticos para poupar balas de artilharia.

Dados do United Human Rights Council

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Uma breve apresentação do WEF

logowefgr.jpgO WEF é uma organização não-governamental, fundada no final de 2006, em São Paulo, no Brasil, e a sigla é abreviatura para World Education Fund, ou Fundo Mundial para a Educação. Sua função básica é o fomento da educação e da cultura, em termos gerais. Com atuação prevista em âmbito global, terá acento mundial em Genebra, na Suíça, cidade-sede das Nações Unidas e outras organizações governamentais e não-governamentais.

O objetivo primacial do WEF é a atração de investimentos, por parte de fundações, governos e outras organizações, para projetos de especialização acadêmica. As universidades estão repletas de estudantes talentosos que desejariam complementar seus estudos, através de especializações e pós-graduações, em centros de excelência no próprio país e no exterior. A grande barreira, contudo, é o financiamento desses projetos acadêmicos, aos quais o WEF visa a dar suporte.

A oferta de bolsas de estudo em universidades americanas e européias é maior do que a demanda, em função do elevado custo de manutenção (residência, alimentação, transporte, vestuário etc.) nesses destinos. Além disso, fundações como a Konrad Adenauer, da Alemanha, Ford ou Bill & Melinda Gates, dos EUA, financiam projetos e oferecem bolsas de estudos em universidades de seus respectivos países, mas carecem da divulgação de suas ofertas. O WEF, além de dar suporte aos candidatos ao aperfeiçoamento acadêmico, através de seus próprios projetos, visa a intermediar negociações entre as instituições que já atuam na área e candidatos às bolsas de estudo oferecidas.

Como o WEF se encontra em fase de construção e desenvolvimento de projetos, não possui ainda sede própria nem mesmo endereço na Internet. O idealismo e o trabalho de seus membros e dirigentes transformarão, em breve, todos os planos que ainda se encontram no papel em obra concreta e promissora. Em futuro próximo este blog informará, em detalhes, seus leitores dos avanços e conquistas da organização.

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