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	<title>Marcus Mayer's Blog &#187; Educação</title>
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		<title>Por que não escrever “portugues”?</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Jan 2009 01:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Reforma Ortográfica]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Idiomas]]></category>
		<category><![CDATA[Língua Portuguesa]]></category>

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		<description><![CDATA[O ano que se inicia vem acompanhado de uma importante mudança para os paises lusofonos: a reforma ortografica. A nova grafia da Lingua Portuguesa entrou em vigor no dia 1º. Num pais como o Brasil, no qual a leitura ainda é habito de poucos, essa alteração na forma de escrever, no primeiro momento, so sera preocupação mesmo entre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3025" title="países lusófonos" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/01/países-lusófonos.jpg" alt="países lusófonos" width="600" height="377" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 160%; color: #9fb6cd; font-family: Helvetia;">O</span></strong><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;"> ano que se inicia vem acompanhado de uma importante mudança para os paises lusofonos: a reforma ortografica. A nova grafia da Lingua Portuguesa entrou em vigor no dia 1º. Num pais como o Brasil, no qual a leitura ainda é habito de poucos, essa alteração na forma de escrever, no primeiro momento, so sera preocupação mesmo entre editores de livros, revistas, jornais e &#8211; tambem entre nós &#8211; redatores de blogs. A partir dos proximos exames vestibulares, os candidatos as universidades tambem terão mais com que se divertir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">No campo economico, os custos serão elevados para aqueles que precisam renovar as bibliotecas, como governos os quais terão de investir na atualização do material didatico. As editoras, por outro lado, ganharão com a venda desse material e de novos manuais e dicionarios. É facil concluir que a conta sera paga, como sempre, pelos contribuintes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">A razão principal que motivou a atual reforma foi a unificação da forma escrita da lingua. Tal qual o espanhol, que usa uma unica regra (apesar das nitidas diferenças na fala), o portugues, a partir de agora, sera grafado “quase” da mesma forma em Portugal, no Brasil e na Africa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">No que se refere ao merito da reforma em si, firmamos uma opinião: essa é mais uma reforma capenga que, certamente, tera de ser retomada, ja nas proximas decadas. Primeiramente, porque a unificação não foi plena; e, segundo, porque é pouco ambiciosa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">Fundamentemos. Giselle, a linda, esta <strong>tranquila</strong>, pois continuara a colocar o trema em seu sobrenome, tal qual o seu primo alemão, o Hans <strong>Müller</strong>. O <strong>voo</strong> do condor sera suavizado, pois não carregara mais o peso do chapeu no primeiro “o”. A <strong>infraestrutura</strong> sera mais leve depois de perder o hifen. As <strong>minissaias</strong> mudaram de tamanho com o “s” a mais; e no estado do Acre agora vivem os <strong>acrianos</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">Tudo isso faz sentido. Mas por que não ir mais adiante e eliminar logo todos os demais acentos superfluos? O leitor mais atento deve ter observado que nós o fizemos ate aqui, procurando justificar essa argumentação. Alguma dificuldade para entender o texto? &#8211; Talvez no que se refira ao tempo verbal futuro, pois “ocorrera” e “ocorrerá” nos remete a momentos diferentes da ação. Quem, contudo, ainda utiliza a primeira forma, ou seja, aquele tal de pretérito mais-que-perfeito do indicativo?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">Deste ponto em diante, tentaremos escrever de acordo com a regra atual, preservando todos os acentos ainda impostos pelo acordo ortográfico, e sobretudo para não confundir ainda mais o leitor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">O assunto, todavia, nos remete para mais algumas reflexões. Por que mudar a grafia de nomes próprios e de pontos geográficos? Considero esse um dos maiores absurdos, não só da Língua Portuguesa, mas de outros idiomas também.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">Jamais entendi o porquê de Martin Luther, o da Reforma, virar Martinho Lutero. Para manter a (in)coerência não seria adequado tratar o outro Martin, o americano, da defesa dos direitos humanos e da igualdade racial, de Martinho Lutero Quingue (ou Rei)?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">Recentemente, estudei a obra de Hugo Grotius. Ao pesquisar referências na Internet, precisei procurar também por Hugo Grócio, Huig de Groot e Huigh Groot. Afinal, qual dos quatro é o autor de <em>Direito da Guerra e da Paz?</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">Outro disparate pode ser notado quando se trata de cidades e países. Será que vale menos a pena viajar para Seychelles que para Seicheles? E entre Hawaii e Havaí, qual seria o melhor destino? Para sermos menos exóticos, observemos a incoerência, em se tratando de New York. Chega-se à irracionalidade de uma tradução pela metade: por que Nova York e não Nova Iorque, já que alguém optou por esse ridículo? Outro exemplo risível do métier geográfico (ou seria melhor <em>metiê?)</em> é que brasileiros viajam para Stuttgart, no sul da Alemanha, enquanto portugueses preferem Estugarda(!).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">Por outro lado, é aceitável que a República dos Camarões seja assim tratada, em português, respeitando-se a origem histórica do nome. Entre 1884 e 1914 a região foi um protetorado alemão, denominado Kamerun. Atualmente, nas duas línguas oficiais, inglês e francês, o país se chama Cameroon ou Cameroun. O nome do país origina-se de 1472, quando o navegador português, Fernando Pó, batizou o principal rio da região de <strong>Rio dos Camarões</strong>, provavelmente, por causa de uma grande incidência desse crustáceo em suas águas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">Uma curiosidade se refere ao dígrafo <strong>ch</strong>. Assim como no espanhol, agora instituiu-se a pronúncia <strong>tchê</strong> também no português, apesar de escrevermos <strong>chê</strong>. Acontece com República Checa, Chad, Chechênia, e com aquele ídolo do “idiota latino-americano”, o Che Guevara.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">Retornando à questão da reforma, não é somente no português que não encontramos consenso. Enquanto na Suíça é possível localizar qualquer rua pelo nome de <strong>Strasse</strong>, na Alemanha ainda roda-se pela <strong>Straße</strong>, com esse estranho <strong>ß</strong>, com som de dois ésses. A última reforma ortográfica da língua alemã, de 1996, poderia ter abolido esse desvario em todas as palavras com o tal <strong>ß</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">Em melhor situação está o espanhol, que mencionamos no início do texto, falado como primeira língua em 20 países e por aproximadamente 500.000 pessoas, segundo o <a title="Instituto Cervantes" href="http://cvc.cervantes.es/portada.htm">Instituto Cervantes</a>. A Associação de Academias da Língua Espanhola conseguiu unificar a escrita desde 1999, por meio de um dicionário pan-hispânico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;">Enquanto isso, <em>nóis</em> aqui, vamos nos acostumando aos novos tempos da complexa Língua Portuguesa. Se algum dia já compramos Coca-Cola na <em><strong>pharmacia</strong></em>, hoje deixaremos de procurar <strong>pelo</strong> em ovo. E talvez, num futuro próximo, passemos a escrever <strong>portugues</strong> – assim, sem acento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetia;"><span style="color: #ffffff;">&#8230;</span></span></p>
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		<title>Quando é merecido, elogiamos também</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Aug 2007 05:29:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Nunca antes neste país se investiu tão pouco em infra-estrutura &#8211; menos de 0,5% do PIB. E nunca houve tanto assistencialismo &#8211; quase um quarto da população brasileira é dependente do programa Bolsa-família. Somos críticos contumazes do governo esquerdizante do presidente Lula da Silva. Todavia, subscrevemos integralmente o artigo de Gilberto Dimenstein, para a Folha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Folha Online" href="http://www.folha.uol.com.br/"><img title="Folha Online" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/08/logo_folha_online.gif" alt="Folha Online" hspace="10" vspace="2" width="100" align="right" /></a><em><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Tahoma; color: #9fb6cd">N</span></strong><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">unca antes neste país se investiu tão pouco em infra-estrutura &#8211; menos de 0,5% do PIB. E nunca houve tanto assistencialismo &#8211; quase um quarto da população brasileira é dependente do programa Bolsa-família. Somos críticos contumazes do governo esquerdizante do presidente Lula da Silva. Todavia, subscrevemos integralmente o artigo de <strong>Gilberto Dimenstein</strong>, para a <a title="Folha Online" href="http://www.folha.uol.com.br/"><strong>Folha de S.Paulo</strong></a>, e a criação do novo programa &#8220;Bolsa Escola&#8221;, que será lançado pelo governo federal, no próximo dia 5 de setembro, observadas as ressalvas feitas pelo jornalista. Leia-se o artigo na íntegra:</span></em><br />
<em></em></p>
<hr /><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong></strong><a title="gilberto_dimenstein.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/08/gilberto_dimenstein.jpg"><img title="gilberto_dimenstein.jpg" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/08/gilberto_dimenstein.jpg" alt="gilberto_dimenstein.jpg" align="left" /></a><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">A melhor bolsa de Lula</span></strong><strong></strong><br />
<span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999">por <em><a title="Folha Online: Pensata - Gilberto Dimenstein" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult508u323484.shtml">Gilberto Dimenstein</a>*</em></span><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999"><br />
</span><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999">para a Folha de S.Paulo | 28 de agosto de 2007</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">A</span></strong><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"> principal marca social do governo Lula é uma obra de Fernando Henrique Cardoso: o Bolsa Família. Nenhum problema nisso. O presidente tratou de aglutinar os vários programas já existentes e ampliá-los. Ficou melhor do que era. Mas até mesmo a idéia de criar um cadastro único com foco na família estava delineada. Existe, agora, a chance de criar a melhor das bolsas.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Está previsto para ser lançada no próximo dia 5 de setembro uma bolsa de R$ 30,00 mensais para os jovens entre 15 e 17 anos, com a condição de que continuem estudando. Calcula-se que a medida beneficie 1,7 milhão de adolescentes, a maioria dos quais, segundo as estatísticas, deixam a escola.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">A vantagem desse estímulo é óbvia. Muitos dos programas de distribuição de renda chegam a adultos danificados pela pobreza e com poucas possibilidades de inserção no mercado de trabalho. Quando se mantém o jovem na escola, além de tirá-lo da rua e reduzir o risco de envolvimento com a violência, pode-se apostar (pelo menos apostar) que ele tenha menos dificuldade de obter um emprego. Isso se o dinheiro for combinado com uma série de ações complementares, como reforço escolar e atividades extracurriculares que levem à profissionalização. Do contrário, serão apenas mais dois anos de educação pública ruim.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Se o ideal dos projetos de renda mínima é gerar indivíduos autônomos (o que é uma deficiência no Bolsa Família), a ajuda ao adolescente é o caminho mais sustentável para que se vire sozinho, sem precisar da assistência pública. É, portanto, a melhor das bolsas. </span></p>
<p align="right"><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999"><strong>*Gilberto Dimenstein</strong>, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Escreve para a Folha Online às terças-feiras.</span><em></em></p>
<p><em></em></p>
<hr />
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><em><strong>NOTA: </strong>Em nossa última coluna WEEKLY NEWS noticiamos que senadores do DEM estariam sendo cooptados por altos dirigentes do governo, visando transferência para a partidos da base aliada do governo. O senador Jayme Campos (MT) negou de forma veemente, em discurso no Senado, ontem, que sederia às ofertas sedutoras do governo. Aguardamos satisfação dos demais senadores nominados: Romeu Tuma (SP), Edison Lobão (MA) e César Borges (BA).</em></span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">Charge</span></p>
<p class="MsoNormal" align="center"><strong></strong><a title="ali_babao.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/08/ali_babao.jpg"><img src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/08/ali_babao.jpg" alt="ali_babao.jpg" /></a></p>
<p align="center"><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999">Crédito: <a title="Sponholz Website" href="http://www.sponholz.arq.br/">Sponholz</a></span></p>
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		<title>Um Brasil que poucos conhecem</title>
		<link>http://marcus-mayer.com/blog/2007/05/26/um-brasil-que-poucos-conhecem/</link>
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		<pubDate>Sat, 26 May 2007 06:32:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[O Brasil é um país de dimensões tão vastas que é quase impossível conhecer todas as suas idiossincrasias. Minha amiga de longa data, a educadora Gláucia Melasso, diretora do Movimento de Educação de Base, relata no artigo abaixo uma insólita experiência pela qual passou numa reserva indígena. A constatação da miséria encontrada é mais um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Helvetica"><em>O Brasil é um país de dimensões tão vastas que é quase impossível conhecer todas as suas idiossincrasias. Minha amiga de longa data, a educadora Gláucia Melasso, diretora do Movimento de Educação de Base, relata no artigo abaixo uma insólita experiência pela qual passou numa reserva indígena.<br />
</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Helvetica"><em>A constatação da miséria encontrada é mais um triste capítulo história da desigualdade social que reina no Brasil. Todavia, o texto expressa claramente o trabalho árduo de educadores que ousam aventurar-se por regiões pobres que ainda necessitam de muitos esforços governamentais e privados para erradicar o analfabetismo:</em></span><em></em></p>
<hr />
<p class="MsoNormal" align="left"><a title="glaucia_melasso.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/08/glaucia_melasso.jpg"><img title="glaucia_melasso.jpg" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/08/glaucia_melasso.jpg" alt="glaucia_melasso.jpg" align="left" /></a><strong><span style="font-size: 13pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">Uma aventura com os Xacriabás</span><span style="font-size: 9pt; font-family: Tahoma"><br />
</span></strong><span style="font-size: 9pt; font-family: Tahoma">por</span><strong><span style="font-size: 9pt; font-family: Tahoma"><strong> <em>Gláucia Melasso* </em></strong></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 13pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">N</span></strong><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">o dia 08 de setembro é comemorado o Dia Internacional da Alfabetização. Entretanto, o MEB (Movimento de Educação de Base), organização que dirijo, só foi se dar conta do significado da data quando o dia quase anunciava seu fim. A nossa equipe pedagógica encontrava-se acampada na Reserva Indígena dos Xacriabás, fazendo visitas a turmas de alfabetização de jovens e adultos, entrevistas e fotografias da realidade local e algumas reuniões com alfabetizadores e supervisores atuantes. Passamos, então, a fazer o relato de nossa experiência nos dias 07 e 08 de sete</span><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">mbro: </span></p>
<p class="MsoNormal" align="center"><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999">&#8220;Guernica&#8221;, de Pablo Picasso, 1937 </span><br />
<a title="guernica_picasso.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/08/guernica_picasso.jpg"><img title="guernica_picasso.jpg" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/08/guernica_picasso.jpg" alt="guernica_picasso.jpg" width="400" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>7 de setembro, 12h30</strong><br />
Crianças e animais correndo pela terra seca e vermelha, sem vegetação, homens e mulheres vestindo calças jeans e camisetas bastante rotas e chinelos de plástico, pequenas construções de alvenaria, alguns barracos, uma pequena escola e duas mercearias, passavam a impressão de que estávamos chegando em mais uma zona pobre de periferia urbana e nunca em uma Reserva Indígena.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">O meio-dia quente e poeirento na sede da Reserva lembrava Guernica de Picasso. Não que o ambiente fosse hostil a ponto de lembrar uma guerra, mas a associação com tristeza, desolação e falta de perspectivas deixava a impressão do dia seguinte de um campo de batalha.</span></p>
<p><em><span style="font-size: 8pt; font-family: Helvetica; color: #999999">Leia a continuação do artigo clicando no link abaixo:</span></em></p>
<blockquote>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 8pt; font-family: Helvetica"><em>* <strong>Gláucia Melasso</strong>, educadora, é diretora do Movimento de Educação de Base e atua como assessora de Planejamento e Rel. Institucionais.</em></span></p>
</blockquote>
<p><em></em><span id="more-76"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>15h30</strong><br />
Foi marcada uma reunião com alfabetizadores. Aos poucos, bastante cansados em função de distâncias percorridas a pé, a cavalo e debaixo de um sol inclemente, foram chegando os jovens alfabetizadores xacriabás. Dos 29 convidados, reunimos cerca de 15 moças e rapazes, com uma média de idade de 18, 20 anos, em um galpão da escola. Alguns jovens denunciavam, por belas pinturas no rosto e no corpo, a etnia indígena, outros jovens usavam bonés e tênis que imitavam grifes vendidas em shopping centers. Na apresentação, nomes curiosos, para jovens representantes de uma nação indígena: havia, no grupo, 3 marias aparecidas, um romeu, um roberto, um william, um wagner&#8230;<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>16h</strong><br />
Entre muita desconfiança – por parte dos alfabetizadores – e muita ansiedade por estabelecer alguma empatia – por parte da equipe do MEB – começamos a reunião, a princípio desastrosa, pois os jovens alfabetizadores olhavam para o chão, se entreolhavam e não queriam muita conversa com as professoras de Brasília.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Uma segunda rodada de apresentações, em que sugerimos falar sobre nossas famílias, filhos, maridos, esposas, namoradas e namorados, mostrou-se mais produtiva do que as apresentações profissionais formais.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Demos início à reunião que acabou se mostrando mais eficiente numa conversa em pequenos grupos, já que o grande grupo parecia intimidar a expressão dos alfabetizadores.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Nossa equipe estimulou que os alfabetizadores refletissem sobre sua caminhada junto aos grupos de jovens e adultos alfabetizandos e expusessem as principais dificuldades que vinham enfrentando no processo, bem como quais seriam sugestões para resolver os problemas identificados.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>17h20</strong><br />
Encerradas as discussões, reunimo-nos, novamente, no grande grupo e solicitamos que os alfabetizadores, agora já mais à vontade, conosco e com o tema da reunião, passassem a relatar, de viva voz, o resultado dos debates estabelecidos.<br />
Neste momento, em função do entardecer e da chegada dos mosquitos, abandonamos o galpão e buscamos abrigo no laboratório de informática. Daí, lembrando Salvador Dali, começamos a nos debruçar sobre mazelas medievais em meio a modernos aparelhos multimídia e conexão de Internet via satélite.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Surrealisticamente, acompanhados de computadores, os alfabetizadores passaram a relatar os principais problemas enfrentados:<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">1º. Muitas das aldeias xacriabás não possuem energia elétrica, o que impede que as aulas aconteçam à noite. Durante o dia, os jovens e adultos têm que trabalhar ou tentar buscar trabalho. Não existem recursos para aquisição do alandinho (lampião a gás) pois as rubricas dos projetos de financiamento para alfabetização não consideram que o alandinho seja material de alfabetização&#8230; Uma alfabetizadora, muito jovem, que trabalha há cinco meses, e que recebeu um mês de ajuda de custo pela ação alfabetizadora comprou, com seu próprio dinheiro, um alandinho usado. Este deu defeito, o gás acabou e outro pagamento não saiu. Moral da história: os poucos alunos que ainda restavam na turma estão com as aulas suspensas&#8230;<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">2º. Outro problema apontado insistentemente pelos alfabetizadores xacriabás é que, mesmo que exista energia elétrica ou alandinho, os alfabetizandos xacriabás – de forma idêntica a quaisquer adultos brancos, negros ou pardos – em sua maioria não consegue aprender a ler se não tiver óculos. Sem óculos, ninguém enxerga. Sem enxergar ninguém lê. Um alfabetizador fez uma pergunta muito simples e impertinente: vocês, de Brasília, não precisam de óculos?<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">3º. Outra questão apontada fica assim resumida – saco vazio não pára em pé e também não aprende a ler. A fome ainda é um grande problema para os xacriabás. Se vai para a escola, tem que ter merenda. Por que jovens e adultos não precisam de merenda escolar? Vários alfabetizadores lembraram do Programa Fome Zero que, no ano anterior, cadastrou todo mundo da reserva&#8230; Cerca de 7.000 cidadãos brasileiros de etnia indígena. Destes, menos de 700 receberam uma ou duas parcelas de R$ 45,00 do “Bolsa-Família” federal&#8230; Depois disso, nenhuma notícia mais&#8230;<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">4º. Todos os alfabetizadores colocaram em uníssono que, sem quadro negro, giz, lápis, borracha e papel é difícil ensinar. No caso dos xacriabás, soaria ridículo sugerir uma campanha comunitária para arrecadação de material. Pedir para quem? Não existe classe média na Reserva e os municípios próximos já têm sua cota de pobreza para administrar e, na pior das hipóteses, nem os políticos de plantão em ano eleitoral têm muito interesse em fazer agrados a uma população que não tem grande expressão numérica ou apelo de mídia.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">5º. Outra questão cruel apontou para o pagamento mensal a que os alfabetizadores têm direito. Muitos não receberam, em vários meses de pagamento, nenhum recurso e os que estão recebendo enfrentam outra dificulidade, como dizem eles. O Banco do Brasil mais próximo da Reserva fica a quase 50 quilômetros de distância. De carro, mesmo em estradas de terra, até parece perto, mas a pé ou no lombo de um burro ou de um cavalo velho e doente&#8230; a conversa é outra. Tem ônibus? Tem, mas quem tem dinheiro para pagar ônibus?!?!?!<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal" align="center"><span style="font-size: 8pt; font-family: Helvetica; color: #999999">&#8220;A persistência da memória&#8221;, de Salvador Dali, 1931</span><br />
<a title="gm_dali_memory.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/08/gm_dali_memory.jpg"><img title="gm_dali_memory.jpg" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/08/gm_dali_memory.jpg" alt="gm_dali_memory.jpg" width="400" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>18h10</strong><br />
Após a exposição dos problemas, por parte dos alfabetizadores, tentamos entabular uma tempestade de idéias sobre alternativas, mas não houve, por parte do grupo, necessidade de muito aprofundamento filosófico. As conclusões da reunião:<br />
onde tem escuridão, tem que botar luz;<br />
onde tem fome, tem que ter comida;<br />
onde não tem visão, tem que arrumar óculos;<br />
onde não tem material, é necessário providenciá-lo;<br />
quem não recebeu pagamento, tem que receber.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Simples assim.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Ainda tentamos – nós, professoras de Brasília – fazer um discurso sobre mobilização da comunidade, políticas públicas, união de forças, pressão política, exercício da cidadania. Não convenceu. Nossa pretensa figura de intelectual orgânico, como definiu Gramsci, não sensibilizou os jovens xacriabás, que, àquela altura do dia, estavam mais preocupados com o retorno às suas casas em meio à escuridão.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Encerramos a reunião com um convite para um lanche regado a Coca-Cola, salgadinhos e biscoitos recheados comprados na mercearia da Reserva. Uma alfabetizadora não quis a Coca – Cola, não era light&#8230;<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>18h30</strong><br />
Os alfabetizadores, apressados, começaram a se dispersar, jogando seus copos descartáveis no chão, o que não fez muita diferença, pois o lixo acumulado em meio às casas, na reserva, é muito grande. O próprio funcionário da FUNASA (Fundação Nacional de Saúde) joga seu lixo no quintal e afirma que – de vez em quando recolhe – e joga pelas estradas.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">O cacique veio até nós dar as boas vindas. Chegou de motocicleta, com aliança de ouro na mão esquerda, denunciando ser casado, apesar de bastante jovem. Chegamos a comentar a respeito de problemas existentes na Reserva e ele também reconhece que é tudo muito difícil, mas aposta que nas próximas eleições municipais seu irmão, candidato a prefeito, será o primeiro xacriabá a assumir o município de São João das Missões e que, a partir daí, tudo vai mudar.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>19h</strong><br />
Acompanhados dos supervisores e da coordenadora local, começamos o percurso de visita a uma turma de alfabetização. Pertinho. Apenas 12 quilômetros separavam a Sede da Reserva da Aldeia Prata. Pertinho, pertinho&#8230; Uma hora de carro por uma picada de terra no meio do cerrado–caatinga de Minas Gerais.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Parecia que o feriado da Independência era um dia com 48 horas. Acompanhadas pelo cansaço e preocupação, além de reflexões sobre o sentido do trabalho com educação de jovens e adultos, sobre a ausência de perspectivas de vida mais digna para os jovens e crianças, os depoimentos sem esperança ainda ressoando, “meu aluno quer aprender só a assinar o nome, para poder ir para São Paulo cortar cana”, relatou um alfabetizador&#8230; “Eu quero é tirar meus meninos desta roça e morar na cidade. Não quero esta minha vida para eles” &#8211; afirmou uma mãe &#8211; chegamos à turma de alfabetização que seria supervisionada.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>20h</strong><br />
Fomos recepcionados pela comunidade da Aldeia Prata, capitaneada pelo chefe da aldeia. Todos com cocares de cartolina e papel crepom, batendo palmas e cantando para recepcionar as professoras de Brasília.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Tanta alegria, calor humano e sorrisos renovaram os ânimos de nossa equipe e entramos na sala de alfabetização. Cerca de 30 homens e mulheres na faixa de seus 40, 50 anos estavam devidamente sentados à frente de uma professora jovem, aproximadamente 18 anos de idade. Nesta turma tinha um quadro negro, alguns cadernos e lápis, iluminação razoável (uma lâmpada), ausência de óculos e merenda e, a despeito de tudo, mais de metade do grupo já estava lendo e escrevendo.<br />
Milagre?!?!? Genialidade!??!! Probabilidade!??! Força de vontade!??! Não conseguimos entender, pois nossa expectativa seria o fracasso total do programa de alfabetização na Reserva Xacriabá, mas o que encontramos foi um sucesso parcial. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Depois soubemos que a alfabetizadora, além de dar suas aulas diariamente, ainda vai à casa dos alunos dar aula particular aos que não enxergam ou que têm mais dificulidade. A alfabetizadora, conforme orientada, também faz seus planos de aula, com muita disciplina e coerência, apesar de grafar metalógica em vez de metodologia. Mas quem se importa? O que importa o pedagogês da nossa equipe se o pessoal está satisfeito ?<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Ao final da visita fizeram uma apresentação ensaiada, com músicas e coreografia regionais. Despedimo-nos, com certa emoção, prometendo um dia voltar.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>22h</strong><br />
A equipe dormiu sem lembrar que o dia seguinte seria o &#8220;Dia Internacional da Alfabetização&#8221;.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>8 de setembro, 6h00</strong><br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Começou mais um dia na Reserva, barulhento, com muita curiosidade da comunidade sobre nossa palhosquinha azul. A barraca plástica de camping gerou algum estranhamento e muito riso: “e não é que tem gente morando dentro disso aí?”<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>8h</strong><br />
Outra reunião. Desta vez com os supervisores pedagógicos e a coordenadora local. Revisamos os problemas, alternativas de solução, encaminhamentos. Nenhuma grande luz no final do túnel, mas quem sabe, uma esperança de sensibilização por parte de autoridades, governos municipal, estadual, federal, organizações não-governamentais&#8230; Quem sabe? Chegamos à conclusão que a pedagogia libertadora, sem a mínima infra-estrutura que dê suporte, não trará grande impacto na vida desta comunidade. Entendemos também, que alfabetização não rima mais com revolução.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>10h</strong><br />
A fotógrafa de nossa equipe, imbuída da missão de registrar cenas peculiares da cultura xacriabá convenceu um grupo a fazer uma dança tradicional. Um grupo de 8 homens – jovens – capitaneados por um mais velho, fez as pinturas no corpo com os símbolos xacriabás, vestiu roupas confeccionadas em palha e fez a dança e as músicas, cantadas na língua xacriabá em meio a uma lagoa seca, no meio do cerrado-caatinga.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Este grupo está tentando resgatar sua cultura, aprender novamente a quase extinta língua xacriabá e o indígena mais velho, analfabeto, diz que não quer se alfabetizar. “Pra que? Vivi até agora, tenho meu saber, fique com o seu. Aprender as letras vai me ajudar na roça de mandioca? Vai fazer o Velho Chico (Rio São Francisco) encher?, perguntou ele. Não tivemos maiores argumentos. Nesse momento tivemos certeza que a pergunta: “para que aprender a ler e a escrever” não era meramente retórica, mas uma profunda dúvida filosófica&#8230;<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">A dança dos xacriabás foi simples e bonita, mas o cenário de nossa guernica indígena pareceu ainda mais melancólico. Depois da dança, para onde vão estes 8 homens? Vão tirar a pintura e continuar na roça até um dia pegar um ônibus e sobreviver como migrantes na periferia de alguma grande cidade.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Ao final, o grupo nos ofereceu alguns artesanatos, nós compramos e o indígena mais velho pediu um pagamento pela dança oferecida a nós, afinal, não podia perder o dia. Nós pagamos.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>15h</strong><br />
De volta ao município de Januária e tentando capturar o sentido de nossa visita à Reserva dos Xacriabás, nossa equipe, composta por três pedagogas e uma jornalista, estava em estado de perplexidade&#8230; De um lado a certeza de que método pedagógico adotado &#8211; ver, julgar e agir – que consiste em conhecimento, crítica e análise da realidade e posterior tomada de decisão em direção à ação coletiva e cidadã faz sentido. De outro lado, a dureza da realidade e, a certeza, também, de que as dificuldades não serão superadas por algumas pessoas de boa vontade.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Entretanto, se alfabetização não rima mais com revolução, a alfabetização, como processo pedagógico é o momento de encontro de seres humanos, de pessoas que, durante seis, oito meses estarão reunidas por um objetivo comum, trocando idéias, queixando-se das dificulidades, tentando perseguir um pequeno ideal.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Será que o fato de criar turmas de alfabetização, por si só, já pode ser considerado algum evento relevante para uma comunidade? Será que a formação de jovens como alfabetizadores pode abrir outras perspectivas de vida para eles? Será que a constatação dos problemas por parte dos jovens xacriabás poderá gerar tomadas de posição cidadãs?<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>18h</strong><br />
Alguém lembrou que era o <strong>Dia Internacional da</strong> <strong>Alfabetização</strong>. Será que era mesmo um bom dia para comemorar o evento? Para nós, da equipe do MEB, foi um bom dia para começar um movimento de re-significação do conceito de alfabetização.<br />
</span></p>
<p><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>Hoje, 19h</strong><br />
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center" align="center"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica;"><span style="color: #c0c0c0;"><em>Vale concluir este relato com uma frase de D. Helder Câmara:</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" align="center"><span style="color: #c0c0c0;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica;"><em>&#8220;<strong>Um dos meus anseios de chegar ao infinito é a esperança de que, ao menos de lá, as paralelas se encontrem!&#8221;</strong></em></span></span></p>
<blockquote>
<p class="MsoNormal" style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: Helvetica"><em>* <strong>Gláucia Melasso</strong>, educadora, é diretora do Movimento de Educação de Base e atua como assessora de Planejamento e Relações Institucionais.</em></span></p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Sobre a crise na USP</title>
		<link>http://marcus-mayer.com/blog/2007/05/24/do-blog-de-reinaldo-de-azevedo/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 May 2007 06:12:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[USP]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue abaixo, na íntegra, texto publicado por Reinaldo de Azevedo (foto) em seu blog, no site da revista VEJA. O blog expõe o debate, desde o dia da invasão do prédio da reitoria da USP, através de diversos textos muito interessantes do articulista, bem como de diálogos que tem mantido com alunos da universidade &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Segue abaixo, na íntegra, texto publicado por Reinaldo de Azevedo (foto) em seu blog, no site da revista VEJA. O blog expõe o debate, desde o dia da invasão do prédio da reitoria da USP, através de diversos textos muito interessantes do articulista, bem como de diálogos que tem mantido com alunos da universidade &#8211; entre eles, aqueles que estão a favor do movimento e outros que são contrários. Vale a pena dar uma lida nos diversos posts, clicando sobre os links dos textos de arquivo do mês de maio. O debate chega a ser muito divertido! </span></em></p>
<hr /><em></em></p>
<p class="MsoNormal" align="left"><a title="reinaldo_azevedo.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/reinaldo_azevedo.jpg"><img title="reinaldo_azevedo.jpg" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/reinaldo_azevedo.jpg" alt="reinaldo_azevedo.jpg" align="left" /></a><strong></strong><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">Por que tantos odeiam a FEA-USP?</span><span style="font-size: 9pt; font-family: Tahoma"><br />
</span></strong><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999"><em>por</em> Reynaldo de Azevedo</span><br />
<em><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999">Extraído de seu blog, no site da revista Veja</span></em><span style="font-size: 100%; font-family: Tahoma"><br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">É</span></strong><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"> fascinante! Vocês não sabem a quantidade de comentários que chegam esculhambando a FEA — a Faculdade de Economia e Administração — da USP. Por quê?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Estive lá dia desses. Com efeito, nem parece a USP — como diria Lula de certo país africano — de tão limpinha. Tive de caminhar de um prédio pra outro, até me encontrar com um professor. Passei antes no banheiro para ajeitar o colarinho, lavar o rosto. Estava tudo muito aceitável. Não reparei, mas acho que havia ar condicionado no saguão. Não me lembro de ter sentido calor. Não há aquele cinza-concreto com pichação — misto de Alemanha Oriental pré-queda do Muro com Paris de 1968 —, que tão bem caracteriza certos prédios da universidade. A FEA excita a imaginação dos que pretendem fazer arranca-rabo de classes entre os estudantes.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">E como é que se chegou àquele estágio. “Ah, esses mercenários recebem dinheiro privado por meio das fundações”.É mesmo, é? Que crime, não? Quer dizer que o “merrrcado” se interessa, por exemplo, pelos números da Fipe? Ainda bem! Mas não só o merrrcado. Também o trabalhadores. Seus índices de inflação já serviram de argumento para muita reivindicação sindical. A Fipe foi uma das primeiras fundações a se interessar por microeconomia no Brasil — ou pela chamada “economia real”. Universidades no MUNDO INTEIRO — anotaram aí a expressão “MUNDO INTEIRO?” — prestam esse tipo de serviço. E são, sim, remuneradas. E aplicam o que recebem na melhoria das condições de ensino e de pesquisa.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Por que é que a Fefeléchi não tem, até hoje, um instituto de pesquisas? O que fazem os seus sociólogos que não se encarregam de criar um? Falta dinheiro? Ora, se há expertise ali, se há competência, o dinheiro aparece: vem da iniciativa privada. O capitalismo se interessa pela ciência. O problema é que boa parte do rebanho da Fefeléchi, liderado por carneiros lesos, está interessada em destruir o capitalismo. Por que não se juntam os sociólogos dali com os especialistas em estatística do IME para criar uma robusta fundação, um DataBrasil, um DataUSP? Ah, e quem vai cuidar do socialismo enquanto essa gente trabalha? Entendo. Com a quantidade de professores versados nas mais diversas línguas que têm as Letras — têm, não têm? —, por que não se cria uma fundação para a edição de livros, oferecendo aos brasileiros traduções ainda fora do alcance dos nativos? Será que isso tudo tem de ser financiado com dinheiro público?<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Acontece que a casta universitária pretende ter criado a Exceção Brasileira. Ela não quer contato com o mundo real. Pior do que isso: censura quem se organiza para enfrentar com competência o mundo moderno. Conheço a FEA. Conheço gente que dá aula ali. Conheço alunos. Meu sobrinho mais velho cursa o segundo ano de Economia. De fato, nem parece a África… E não que faltem esquerdistas. Até sobram. Vi dia destes o material de certa disciplina, que ele me apresentou. É de chorar. Marxismo vagabundo. Mas também há outras influências. Ele não é de esquerda — diriam os comunistas que se trata de um jovem de direita, que até gosta de estudar; um pecado! —, mas não se sente oprimido nem pelo pensamento único nem por tetos que desabam sobre a cabeça.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">E, no entanto, qual é o principal alvo das Mafaldinhas e Remelentos? A FEA, a faculdade dos burgueses — e também a Poli. Tudo porque essas faculdades descobriram que existe o mundo real. O que essa gente quer é dinheiro do estado burguês para que eles possam, na universidade, brincar de revolução; brincar de destruir… o estado burguês. Deve haver muitos defeitos na FEA. Sempre há. Mas ainda é o melhor modelo para a USP. E dona Suely, reitora da universidade, infelizmente, não concorda comigo.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">PS: A propósito: reparem que os “intelequituais” das humanas, que fazem sua carreira pregando a rebelião, escolhem editoras privadas para publicar seus livrinhos — ou livrões, né, Marilena Chaui? —, que ninguém é de ferro. Para os coitadinhos que alisam os bancos, socialismo. Para os mestres do socialismo, o bom e velho capitalismo.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Pode ser cansativo desmoralizar essa gente ainda mais. Mas é necessário. </span></p>
<hr />
<em><strong><span style="font-size: 120%; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">Uma fundação ou um instituto para a FFLCH<br />
</span></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Seguindo sugestão de Reinaldo de Azevedo, colunista de VEJA, a partir dos próximos dias, vamos nos empenhar na criação de um “DataUSP”, uma fundação vinculada à FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), conforme anunciamos em nosso post “A crise na USP”, em 19/05. <a title="A crise na USP" href="http://marcus-mayer.com/blog/2007/05/20/a-crise-na-usp/">Leia o artigo clicando aqui</a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Uma das atividades da Fundação será o acompanhamento constante de todas as atividades parlamentares, com fornecimento das informações para os maiores órgãos da imprensa nacional, além da veiculação dos dados, de forma didática, em site na Internet.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Outra ocupação (o termo está em moda!) do “DataUSP” será a tradução de livros, atividade na qual o Brasil é extremamente carente, considerado o acervo de obras importantes traduzidas para a Língua Portuguesa. A situação é vergonhosa, se comparada com o número de boas traduções para o espanhol.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Naturalmente, já temos um elenco bastante largo de atividades com as quais a Fundação poderá se preocupar (nem todas descritas aqui), bem como as fontes de financiamento, ávidas pelo trabalho que será executado por estudantes e profissionais das áreas de Ciências Sociais, Geografia, História, Filosofia, Letras, Biblioteconomia etc.<br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A sugestão de integrar o IME, Instituto de Matemática e Estatística, bem como a FIPE, Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas &#8211; dois órgãos da Universidade de São Paulo -, como sugere Reinaldo de Azevedo, será estudada com muito carinho, de tal forma que se obtenha total êxito na empreitada.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A crise na USP</title>
		<link>http://marcus-mayer.com/blog/2007/05/20/a-crise-na-usp/</link>
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		<pubDate>Sun, 20 May 2007 00:29:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[USP]]></category>

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		<description><![CDATA[FOTOS: Simone Harnik / G1 Prédio da reitoria da USP ocupado por &#8216;estudantes&#8217; Em recente artigo, tratei do tema da ocupação da reitoria da USP, Universidade de São Paulo, no campus Butantã, por alguns alunos. Mais do que abordar o movimento e a greve que se instalou, descrevi o curioso saudosismo dos tempos da Guerra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong></strong><em>FOTOS: Simone Harnik / G1</em><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><br />
</span><a title="reitoria_usp_ocupacao.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/reitoria_usp_ocupacao.jpg"><img class="aligncenter" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/reitoria_usp_ocupacao.jpg" alt="reitoria_usp_ocupacao.jpg" /></a><em>Prédio da reitoria da USP ocupado por &#8216;estudantes&#8217;</em><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><br />
</span><strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 13pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">E</span></strong><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">m recente artigo, tratei do tema da ocupação da reitoria da USP, Universidade de São Paulo, no campus Butantã, por alguns alunos. Mais do que abordar o movimento e a greve que se instalou, descrevi o curioso saudosismo dos tempos da Guerra Fria e do alinhamento pró-soviético de parcela substantiva do alunado.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Nos dias que se seguiram até a data atual, os principais órgãos de imprensa deram cobertura à evolução dos acontecimentos. Como aluno da universidade, acompanhei de perto a movimentação. O texto a seguir visa a relatar os acontecimentos e a oferecer um diagnóstico da crise que se instalou. Com efeito, procuro também oferecer propostas e soluções.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>HISTÓRICO</strong> &#8211; No mês de janeiro, logo após a posse, o governador José Serra criou medida que visou a exigir mais transparência nos gastos das três universidades estaduais – USP, Unesp e Unicamp, através do qual as contas das instituições de ensino passariam a ser incluídas no Siafem, Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios. “O sistema monitora a movimentação do caixa de órgãos públicos, permitindo aos contribuintes acompanhar o uso de seu dinheiro e, aos administradores, avaliar a eficiência da gestão financeira”, conforme esclareceu a revista Veja, na edição do dia 16 de maio. Aos reitores das universidades não agradou a idéia e, sob o argumento de “perda de autonomia”, fizeram declarações descabidas. “Acabaram insuflando a extrema esquerda estudantil”, escreveu Reinaldo de Azevedo, colunista de Veja, em seu blog.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Desde os primeiros meses do ano letivo já se observavam cartazes e panfletos de autoria de centros acadêmicos, condenando a medida do governador. No período, ocorreram diversas reuniões de estudantes e algumas delas contaram com debate de professores. Destaque-se que os órgãos de ‘representação estudantil’ (CAs e DCEs) são ocupados por ‘estudantes’ que, mais do que essa qualificação, são ativistas militantes de partidos políticos, majoritariamente do PT, PSTU, PSOL, PCO e PC do B. Além desses, também aderiram ao movimento estudantes sem qualquer vínculo partidário, mas que são simpáticos aos ideais da esquerda revolucionária. Outros, bem intencionados, inclusive alguns colegas, desejosos de alcançar seus objetivos acadêmicos, não se dão conta de que sucumbem atuando como massa de manobra dos radicais. Numa assembléia de estudantes, da qual participei como ouvinte fortuito, a forma de tratamento que os oradores destinavam à platéia era &#8211; pasmem(!) &#8211; camaradas.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Os líderes dos movimentos que se opuseram ao decreto do governador solicitaram audiência à reitora da USP, Suely Vilela, e foram informados de que seriam atendidos pelo vice-reitor, pelo fato de a reitora encontrar-se viajando. No dia da audiência os estudantes não quiseram conversa com o vice-reitor e deram início ao quebra-quebra que destruiu as portas da reitoria e invadiram as suas dependências. Um colega que esteve presente disse que “a ocupação foi pacífica”, mas a foto abaixo põe em dúvida a informação.<br />
</span></p>
<p style="text-align: center;"><a title="reitoria_usp_ocupacao_21.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/reitoria_usp_ocupacao_21.jpg"><img class="aligncenter" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/reitoria_usp_ocupacao_21.jpg" alt="reitoria_usp_ocupacao_21.jpg" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">O espantoso é que, mesmo num centro de excelência acadêmica como a Universidade de São Paulo – que exige aprovação na Fuvest, um dos mais difíceis vestibulares do país, acessível somente àqueles que tiveram uma boa base educacional -, haja tanta desinformação por parte do alunado. Nessa análise, porém, é muito importante não generalizar. Toda essa descrição é bastante válida para a FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e para a ECA (Escola de Comunicação e Artes) – exatamente as unidades tiveram maior adesão de alunos à greve que se instalou e que se mostraram favoráveis à ocupação da reitoria.<br />
</span></p>
<p><a title="marilenachaui.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/marilenachaui.jpg"><img title="marilenachaui.jpg" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/marilenachaui.jpg" alt="marilenachaui.jpg" hspace="10" vspace="2" align="right" /></a><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">A FFLCH e a ECA comportam cursos de graduação em Ciências Sociais, História, Geografia e Jornalismo, entre outros, e têm um histórico que se caracteriza pelo combate à ditadura militar, mas também pelo alinhamento pró-soviético, nos tempos da Guerra Fria do século passado, tanto por parte do alunado como de seu corpo docente, diga-se Marilena Chauí (foto) ou Emir Sader, entre muitos outros. Não há mais ditadura militar e a ex-URSS foi esfacelada. Os saudosos da época, porém, ficaram órfãos de modelos e de ideais. Com a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder, uma ala alinha-se a favor do governo Lula da Silva e outra mais radical aderiu aos partidos mais à esquerda, como PSOL, PSTU, PC do B e PCO. Quase todos defendem governos como os de Hugo Chaves, da Venezuela, e de Evo Morales, da Bolívia.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Para esses pseudo-estudantes o que mais importa é a baderna e o quebra-quebra. A utopia ainda é uma revolução nos moldes bolchevistas. E a chance de tomar posse de um espaço como a reitoria da Universidade acaba se transformando numa insólita conquista.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><img class="aligncenter size-full wp-image-2364" title="FEA-USP: um prédio moderno e investimentos privados" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/05/fea.jpg" alt="FEA-USP: um prédio moderno e investimentos privados" width="600" height="410" /></span></p>
<p><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong>O CONTRASTE</strong> – Enquanto certos prédios da universidade são caracterizados pelo “cinza-concreto com pichação — misto de Alemanha Oriental pré-queda do Muro com Paris de 1968”, como os descreve Reinaldo de Azevedo em seu blog, a FEA (Faculdade de Economia e Administração) parece uma ilha de prosperidade, um complexo limpo e organizado. Quando vou tomar café na cantina da FEA, meu amigo Gabriel Souza, estudante do curso de Letras, costuma dizer: “Aqui é a Europa da USP enquanto a FFLCH é a África!”.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">O que distingue a FEA das demais? – Ela recebe dinheiro de fundações como a FIA (Fundação Instituto de Administração), a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e a Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras).<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Para equiparar-se, bastaria à FFLCH criar o seu próprio instituto de pesquisas. E não faltaria dinheiro proveniente da iniciativa privada, que tem interesse por ciência. Basta um pouco de competência para que se crie, como sugere Reinaldo de Azevedo, “uma robusta fundação, um DataBrasil, um DataUSP”, que partiria da união entre os sociólogos, filósofos, historiadores e filólogos dali com os especialistas em estatística do IME. É vergonhoso que não se tenha na FFLCH uma fundação, como em tantas outras universidades, que edite livros e ofereça melhores traduções ao pobre acervo científico disponível em Língua Portuguesa. E isso não precisa ser financiado com dinheiro público. Esse sobraria para pintar paredes e reformar banheiros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><img class="aligncenter size-full wp-image-2366" title="FFLCH-USP: prédios vergonhosos e aversão ao investimento privado" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/05/fflch.jpg" alt="FFLCH-USP: prédios vergonhosos e aversão ao investimento privado" width="600" height="420" /></span></p>
<p align="left"><a title="Fotos da ocupação da reitoria da USP" href="http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL35371-5604,00.html"><em>Para ver mais fotos da ocupação da reitoria da USP clique aqui</em></a></p>
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		<title>Ocupação da reitoria da USP</title>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2007 05:26:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[USP]]></category>

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		<description><![CDATA[FRASE &#8220;Os atos de grupos radicais, cuja violência é condenável, não podem se sobrepor à contribuição inegável da USP ao Estado e ao país.&#8221; Suely Vilela, reitora da Universidade de São Paulo, em artigo para o jornal Folha de S.Paulo, em 17/05/2007 FOTO: Simone Harnik / G1]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">FRASE</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" align="center"><strong><span style="font-size: 120%; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">&#8220;Os atos de grupos radicais, cuja violência é condenável, não podem se sobrepor à contribuição inegável da USP ao Estado e ao país.&#8221;</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: right" align="right"><strong><em></em></strong><em><strong>Suely Vilela</strong>, reitora da Universidade de São Paulo,<br />
em artigo para o jornal Folha de S.Paulo, em 17/05/2007</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="right"><a title="ocupacaoreitoriausp.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/ocupacaoreitoriausp.jpg"><img class="aligncenter" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/ocupacaoreitoriausp.jpg" alt="ocupacaoreitoriausp.jpg" /></a><br />
FOTO: Simone Harnik / G1</p>
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		<title>Trogloditas na universidade</title>
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		<pubDate>Sat, 05 May 2007 20:21:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[El Idiota]]></category>
		<category><![CDATA[USP]]></category>

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		<description><![CDATA[Na última quinta-feira, conforme noticiou a Folha Online (leia o artigo), “estudantes” da USP invadiram a reitoria da universidade e destruíram móveis e portas. As aspas para a palavra estudantes são propositais pois, em realidade, trata-se de trogloditas que desconhecem a civilidade. Quem visitar o campus da universidade não vai se surpreender ao topar com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 140%; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">N</span></strong><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">a última quinta-feira, conforme noticiou a <em>Folha Online </em>(<a title="Folha Online" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u19489.shtml">leia o artigo</a>), “estudantes” da USP invadiram a reitoria da universidade e destruíram móveis e portas. As aspas para a palavra estudantes são propositais pois, em realidade, trata-se de trogloditas que desconhecem a civilidade.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><a title="che-t-shirt.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/che-t-shirt.jpg"><img class="alignleft" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="che-t-shirt.jpg" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/che-t-shirt.jpg" alt="che-t-shirt.jpg" hspace="10" align="right" /></a><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Quem visitar o campus da universidade não vai se surpreender ao topar com uma grande massa de estudantes que adotam uma moda ultrapassada à la Che Guevara, com cabelos e barbas mal aparados e em trajes &#8211; diria &#8211; duvidosos. Camisetas estampando o rosto do idiota latino-americano Hugo Chaves ou do ditador cubano Fidel Castro não são raras. Mas fiquei surpreso, outro dia, ao ver uma garota usando uma blusa com a inscrição Hò Chí-Minh – nome do ditador comunista do Vietnã –, e, pouco adiante, um rapaz com um t-shirt vermelho com a inscrição “CCCP” – que significa URSS, no alfabeto cirílico. Quem sabe, um dia desses, encontro algum troglodita trajando uma camiseta com o nome de Pol Pot*.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Naturalmente, há muito romantismo e idealismo juvenil na cabeça desses estudantes. A maior parte, quando ingressar no mercado de trabalho – e tiver real noção do que foi o comunismo no século passado -, refletirá a respeito da estupidez de um dia. Uns poucos, porém, principalmente aqueles que não forem muito bem sucedidos em suas vidas profissionais, talvez continuem achando que a “saída pela esquerda” seja o melhor caminho para amenizar as dificuldades impostas pelo “malvado mundo da globalização” e militarão em algum MST, PT ou PSOL.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Como estudante da universidade, depois desses comentários, corro risco de ser repudiado por parte daqueles que se identificarem com os perfis descritos acima. Poderei ser estigmatizado como mais um “porco capitalista”.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Minha intenção, contudo, não é ingressar numa batalha ideológica, mas chamar a atenção para a possibilidade democrática que todos têm de expressar-se, seja através das inscrições nas camisetas, seja através da moda – por mais duvidosa que seja. O que não é possível tolerar são manifestações animalescas, com quebra-quebras violentos, tais como ocorreram na reitoria.<br />
</span></p>
<blockquote><p><a title="pol-pot.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/pol-pot.jpg"><img title="pol-pot.jpg" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/pol-pot.jpg" alt="pol-pot.jpg" hspace="10" align="right" /></a><em><strong>* Pol Pot,</strong> líder do Khmer Vermelho, movimento comunista do Cambodja, exterminou entre 1,7 e 2,0 milhões de pessoas (quase ¼ da população de seu país), entre 1975 e 1979. Em números proporcionais, Pol Pot foi responsável pelo maior genocídio da história. As vítimas eram espancadas até a morte ou sufocadas com sacos plásticos para poupar balas de artilharia.</em></p>
<p><em>Dados do <a title="United Human Rights Council" href="http://www.unitedhumanrights.org/">United Human Rights Council </a></em></p></blockquote>
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		<title>Uma breve apresentação do WEF</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Mar 2007 20:12:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Terceiro Setor]]></category>

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		<description><![CDATA[O WEF é uma organização não-governamental, fundada no final de 2006, em São Paulo, no Brasil, e a sigla é abreviatura para World Education Fund, ou Fundo Mundial para a Educação. Sua função básica é o fomento da educação e da cultura, em termos gerais. Com atuação prevista em âmbito global, terá acento mundial em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a title="logowefgr.jpg" href="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/08/logowefgr.jpg"><img title="logowefgr.jpg" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2007/08/logowefgr.jpg" alt="logowefgr.jpg" hspace="10" align="right" /></a><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">O</span></strong><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"> WEF é uma organização não-governamental, fundada no final de 2006, em São Paulo, no Brasil, e a sigla é abreviatura para <strong>World Education Fund</strong>, ou Fundo Mundial para a Educação. Sua função básica é o fomento da educação e da cultura, em termos gerais. Com atuação prevista em âmbito global, terá acento mundial em Genebra, na Suíça, cidade-sede das Nações Unidas e outras organizações governamentais e não-governamentais.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">O objetivo primacial do WEF é a atração de investimentos, por parte de fundações, governos e outras organizações, para projetos de especialização acadêmica. As universidades estão repletas de estudantes talentosos que desejariam complementar seus estudos, através de especializações e pós-graduações, em centros de excelência no próprio país e no exterior. A grande barreira, contudo, é o financiamento desses projetos acadêmicos, aos quais o WEF visa a dar suporte.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">A oferta de bolsas de estudo em universidades americanas e européias é maior do que a demanda, em função do elevado custo de manutenção (residência, alimentação, transporte, vestuário etc.) nesses destinos. Além disso, fundações como a <strong>Konrad Adenauer</strong>, da Alemanha, <strong>Ford</strong> ou <strong>Bill &amp; Melinda Gates</strong>, dos EUA, financiam projetos e oferecem bolsas de estudos em universidades de seus respectivos países, mas carecem da divulgação de suas ofertas. O WEF, além de dar suporte aos candidatos ao aperfeiçoamento acadêmico, através de seus próprios projetos, visa a intermediar negociações entre as instituições que já atuam na área e candidatos às bolsas de estudo oferecidas.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">Como o WEF se encontra em fase de construção e desenvolvimento de projetos, não possui ainda sede própria nem mesmo endereço na Internet. O idealismo e o trabalho de seus membros e dirigentes transformarão, em breve, todos os planos que ainda se encontram no papel em obra concreta e promissora. Em futuro próximo este blog informará, em detalhes, seus leitores dos avanços e conquistas da organização.</span></p>
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