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República Socialista do Brasil

Censura, desrespeito aos direitos humanos, corrupção, xenofobia, aparelhamento do estado. Isso, para não citar outras atrocidades. Este é o retrato da república democrática de Lula da Silva. A cegueira epidêmica que atingiu as pessoas da obra de ficção de José Saramago é a pura realidade brasileira. Enquanto denunciamos e manifestamos nossa perplexidade diante dos fatos, o País aplaude o perfeito idiota-latino americano e o Parlamento discute a possibilidade de aprovar um terceiro mandato para ele.

Abaixo do editoral, publicamos nossa tradicional coluna WEEKLY NEWS. Aproveitamos para agradecer por todos os recentes comentários e pelas visitas. De acordo com o Site Meter (confira-se no final de cada página), ultrapassamos a marca dos 10.000 visitantes, nesse curto período de existência de nosso blog.



O Brasil do ‘democrata’ Lula da Silva
por Marcus Mayer
exclusivo para o blog

“Não acredito em democracia, mas em liberdade individual”.

Milton Friedman

Desde a restauração democrática, o Brasil não atravessa um momento tão tenebroso como o atual. O mais grave é que a grande maioria da população não tem a mínima noção do que realmente ocorre na República.

Em 1991, o Senado Federal cassou o mandato de Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente eleito pelo voto direto depois de encerrado o ciclo militar. No ano seguinte, a Câmara dos Deputados expulsou de suas hostes um bando de deputados corruptos, envolvidos no chamado escândalo dos “anões do orçamento”. Imaginou-se então que o Brasil estivesse mesmo “sendo passado a limpo” – na época, esse era um dos famosos bordões do jornalista Boris Casoy.

A realização de eleições diretas em todos os níveis, a concessão de anistia aos políticos cassados pelo regime militar, o pluripartidarismo e o fim da censura aos órgãos de comunicação foram conquistas importantes para a consolidação da democracia brasileira. Também na economia, durante a história recente, ocorreram avanços extraordinários. A reserva de mercado na área da informática foi enterrada, a abertura permitiu ao País a sua inserção no comércio mundial, alguns dinossauros estatais foram privatizados e a hiperinflação foi debelada.

Com a eleição do ex-líder sindical Luis Inácio Lula da Silva à Presidência, pelo Partido dos Trabalhadores, em 2002, festejou-se a alternância no poder. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso soube conduzir espetacularmente a transição de governo, sem mágoas ou rancores pela derrota do então candidato oficial, José Serra. A torcida de todos, vitoriosos e derrotados, era por um Brasil menos desigual. Os discursos do novo presidente, que tinha como principal meta de seu governo erradicar a fome e a pobreza, entusiasmaram o País.

Os partidos derrotados na eleição de 2002, e que conseqüentemente se tornaram oposição, ofereceram crédito ao novo governante e apoiaram as reformas que começavam a ser apresentadas. O apoio foi grande, pois até na área econômica observava-se a manutenção dos principais preceitos do governo anterior, que tinha conseguido controlar a inflação e o déficit público.

O ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, enfrentou dificuldade maior em seu próprio partido, que entre os de oposição, para aplicar o que parecia ser uma responsável gestão da economia. Alguns radicais, da extrema-esquerda do partido do governo, se viram obrigados a fundar uma nova agremiação, o PSOL. Um grupo menos ortodoxo, apesar da vermelhidão de sua ideologia, entretanto, permaneceu, pois o exercício do poder e a escalada social que este lhes proporcionou estava acima de qualquer filosofia.

De uma hora para a outra o governo mostrou sua verdadeira cara. O crédito oferecido pela oposição ao governo foi vertiginosamente extrapolado. A gigantesca incompetência dos incontáveis ministérios, a vasta dimensão da corrupção – jamais observada no país -, o escandaloso aparelhamento do estado, o total desrespeito às instituições democráticas, o explícito fisiologismo dos partidos da base de apoio ao governo e, sobretudo, a mais absurda política externa praticada na história do Itamaraty, apresentaram-se como verdadeiras catástrofes nacionais. Enquanto o mundo aproveitava um ciclo de enorme crescimento econômico e diminuição das diferenças sociais, o País fazia sua opção pelo “avanço do retrocesso”.

A recondução de Lula da Silva ao cargo, na eleição de 2006, se deu exclusivamente como resultado da política assistencialista. Os miseráveis tristes desaventurados que não tem acesso à informação nem discernimento suficiente para entender o que significam as iniciativas populistas -, foram escancaradamente enganados. Em troca de favores governamentais, órgãos de imprensa, empresários incompetentes e uma multidão de ‘cegos políticos’ ofereceram apoio à reeleição do maior energúmeno que o País já teve na Presidência.

Com efeito, o Brasil perde mais uma década de sua história. Vislumbra o atraso em todos os setores imagináveis e inimagináveis. A receita de Lula da Silva é a repetição do nacional-populismo, tão repudiado nas democracias modernas – sobretudo, na Europa pós-guerra -, mas altamente eficiente em países de maioria mal-alfabetizada – como o próprio presidente – e irresponsável. Note-se que não somente os menos letrados apóiam este governo.

O perfeito idiota latino-americano está fazendo a sua festa: inspira-se em práticas autoritárias, xenófobas e estatistas. Por meio do populismo assistencialista e do fisiologismo, oferecendo cargos e vantagens aos seus seguidores, Lula da Silva garante apoio popular e parlamentar. O empresariado incompetente – que tem na concorrência estrangeira seu grande inimigo -, os bancos, os sindicatos, as organizações não-governamentais corruptas, todos esses aplaudem o poderoso chefão. E boa parte da grande imprensa, corrompida pela troca de favores, cala-se, no intuito de defender os seus próprios interesses.

Que tal perguntar ao sábio povo brasileiro, por meio de um plebiscito “a la idiota latino-americano”, se não deseja um terceiro mandato para o presidente? O “sim” venceria com larga folga. Assim, talvez um dia poderíamos nos tornar uma Venezuela ou, quem sabe, uma Bolívia. Viva o país das maravílhas do grande democrata Lula da Silva!


 

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WEEKLY NEWS
JÔ INVESTIGADO POR PRECONCEITO
jo-soares-credito-eduardo-knapp-folha-imagem.jpg É absurda a investigação do Ministério Público Federal ao programa de Jô Soares. Segundo a procuradoria, houve denúncias sobre uma entrevista que abordava a questão de mulheres submetidas à cirurgia no clitóris na África e que comentários do apresentador podem ter manifestado preconceito em relação a hábitos e costumes culturais daquele continente. Será que o Ministério Público não encontra ocupação mais útil que a defesa de práticas bárbaras? Não seria melhor atentar para a barbaridade que ocorreu no estado do Pará, e afastar a inconseqüente governadora de seu posto?

FORA ANA JÚLIA
Em primeira-mão, nossa colega blogger Letícia Coelho (clique sobre o nome para acessar o blog) noticiou o escândalo do encarceramento da menina de 15 anos, com 20 homens (ou 30?), em uma prisão no Pará. A governadora Ana Júlia Carepa, do PT, deveria ser responsabilizada criminalmente e renunciar imediatamente. Sua cara-de-pau causa perplexidade ao admitir ser comum prender mulheres em celas masculinas, em seu estado. A governadora não se utilizou nem do tradicional “eu não sabia de nada”, tão comum entre os seus correligionários, para justificar o seu descaso diante da barbaridade. A marginalidade no PT já está tão banalizada que esqueceram de pedir a sua renúncia (!!!).

fhcportugues.jpgNOSTALGIA
O ex-presidente Cardoso pode não ter deixado saudades – sobretudo, de seu segundo mandato, quando freou as reformas liberalizantes na economia. Entretanto, no que concerne ao desprezo de Lula da Silva em relação à importância da educação formal, as suas declarações recentes foram espetaculares. Disse querer “brasileiros educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria”. Grande, Fernando Henrique!

ELE DE NOVO – 1
Sob o título “DNA do expurgo no IPEA”, Ancelmo Góis, do jornal O Globo, denunciou em seu blog as origens do escândalo no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada: “Se alguém tinha ainda a mais pálida ilusão sobre o que está acontecendo no IPEA, é só ler o comentário do ex-ministro e consultor de empresas José Dirceu, hoje, em seu blog. Dirceu deixou as dez digitais impressas no local do crime.”

ELE DE NOVO – 2
dirceu.jpegDo blog de José Dirceu: “Os vazamentos de informações, as pesquisas de encomenda, combinadas com a mídia, e a oposição aberta às decisões de política econômica e social do governo são consideradas pela mídia como autonomia de pensamento e a troca dos pesquisadores como arbitrariedade, agora tudo respaldado por importantes entidades representativas dos economistas do Brasil. Lamento que essas entidades nunca tenham criticado o pensamento único que dominou o IPEA e outras instituições, para não falar da PUC do Rio, templo do neoliberalismo e do consenso de Washington e das privatizações, e agora adotam essa postura”. (Reproduzido no blog de Ancelmo Góis e, agora, aqui, para que os nossos leitores conheçam ainda mais os inimigos da República)

CARA DO GOVERNO
“José Múcio, o novo ministro das Relações Institucionais, é o exemplo do político brasileiro oportunista e comprometido apenas com os seus interesses de ocasião. Já presidiu o antigo PFL, de onde pulou para o PSDB e, daí, para o PTB, onde está agora. O novo ministro é a cara deste governo e merecia ter sido descoberto por Lula há mais tempo”. Por Ronaldo Gomes Ferraz, do Rio de Janeiro, para o Painel do Leitor da Folha de S.Paulo.

CONTÁGIO
O apreço que se poderia ter pelo ministro da Educação, Paulo Haddad, foi totalmente esvaído. Sugerimos que ele torne a estudar, principalmente as estatísticas que traçam o perfil das escolas públicas dos países europeus – cujo modelo deveria servir ao Brasil. Ao comentar o resultado do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), afirmou que “as escolas públicas serão sempre piores”. Essa não é a realidade, nem mesmo do Brasil de algumas décadas atrás, quando as escolas públicas eram centros de excelência. Paulo Haddad é mais um a ser contagiado pela incompetência.

PENA DE MORTE
fila-hospital.jpgÉ tentadora a proposta do senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), de obrigar políticos eleitos a matricular seus filhos em escolas públicas. Apesar do respeito que nutrimos pelo digníssimo senador, o projeto não pode ser levado a sério, pois fere radicalmente o princípio das liberdades individuais. Mas bem que seria excitante conviver sob uma lei que obrigasse mães e filhos dos políticos a se tratarem somente em hospitais públicos de suas respectivas regiões.

ANIMAL PERIGOSÍSSIMO
O perfeito idiota latino-americano Hugo Chávez, agradeceu ao seu querido colega Lula da Silva, pela aprovação, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), do ingresso da Venezuela no Mercosul. Especial agradecimento também foi dirigido a uma das mais repugnantes figuras do governo, o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães. O presidente da República, um semi-analfabeto, já fez os seus estragos no País, mas um intelectual do tipo de Guimarães, defensor do pensamento da extrema-esquerda mais radical e ultrapassada, é ainda mais pernicioso para a democracia brasileira
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alvaro-uribe.jpgINTERNACIONAL
DEMISSÃO POR JUSTA CAUSA
Extremamente sóbria foi a decisão do presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, de dispensar definitivamente o idiota Chávez das negociações com as FARC (Forças Revolucionárias da Colômbia). Com isso, o governo Uribe retoma a linha-dura, que se mostrou bastante eficiente, contra a guerrilha. Bogotá, antes uma das cidades mais perigosas do mundo, hoje é um reduto de paz, e serve de exemplo às cidades brasileiras dominadas pelo tráfico de drogas.

¿POR QUE NO TE CALLAS?
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, também tem grandes reservas contra o idiota Hugo Chávez. Desagrada à chilena o fato de o aspirante a ditador haver reclamado do tema da 17ª Cúpula Ibero-Americana – coesão social – e de ter expressado seu apoio ao outro idiota latino-americano Evo Morales, na contenda entre o Chile e a Bolívia, por uma saída do último para o mar, por território chileno.

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DO WIDSENJA*, JAROSLAW
A ordem democrática, lentamente, torna a ser estabelecida na Polônia. Desde o fim do comunismo, o país não tinha um governo tão esdrúxulo como o dos irmãos Lech e Jaroslaw Kaczynski, respectivamente, atual presidente e ex-primeiro ministro. Com a queda de Jaroslaw, o liberal Donald Tusk assumiu o cargo de premiê. Pretende retomar as privatizações, cortar impostos e conduzir a Polônia à “adoção rápida” do euro. Além disso, já anunciou que as tropas polonesas deixarão o Iraque em 2008.
* do vidsênia - pronuncía-se assim – significa adeus em polonês

IMPERDÍVEL – 1
O jornal O Estado de S.Paulo publicou um excelente editorial no último domingo, denunciando as atrocidades do governo, sob o título “Entre aloprados e pajés”, revelando detalhes importantes referentes ao aparelhamento do IPEA. Sugerimos a leitura do texto, que publicamos abaixo deste post.

especial-amazonia.jpgMEIO AMBIENTE
IMPERDÍVEL – 2
Na mesma edição, o Estadão presenteou os seus leitores com uma revista que traz a reportagem especial, Amazônia. O texto está disponível, no portal Estadão.com, sob o link Especiais (clique para acessar). Atente-se para o trecho: “Cana na Amazônia? Sim, e em grande quantidade. A região já produz 20 milhões de toneladas de cana por ano. A indústria sucroalcooleira, que assumiu a tarefa mundial de curar o planeta do ‘vício do petróleo’ avança rumo norte, ameaçando estimular o desmatamento até mesmo no Amazonas.” Recorde-se que o projeto é defendido pelos presidentes Lula da Silva, do Brasil, e George Bush, dos Estados Unidos. Alguém ainda desconfia da perniciosidade da empreitada?

SOCIEDADE
flavia_alessandra.jpgABOMINÁVEL CENSURA
Na Todos os dias a figura nefasta do idiota Lula da Silva e de seu bando invade as salas de televisão das famílias brasileiras que acompanham os noticiários. Todavia, a pudica Justiça dos patrulheiros e saudosos da censura parece ter mais medo de mulher bonita. Agora essa Justiça do governo petista quer mudar a classificação da novela “Duas Caras”, da tevê Globo, por causa de um show do personagem de Flávia Alessandra, na trama. Eu não acompanho a novela, mas se soubesse teria até assistido à cena. Quem não gosta, que mude de canal, oras!

 

 

FRASE

O Brasil precisa ser liderado por quem fala bom português.”

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República

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El regreso del ‘idiota latinoamericano’

WEEKLY NEWS

vargas-llosa.jpgA volta do idiota
por Mario Vargas Llosa
para LA NACION | Tradução: O Estado de S.Paulo

Há dez anos surgiu o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano“, no qual Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa arremetiam com tanto humor quanto ferocidade contra os lugares-comuns, o dogmatismo ideológico e a cegueira política por trás do atraso da América Latina. O livro, que golpeava sem misericórdia, mas com sólidos argumentos e provas efetivas, a incapacidade quase genética da direita obstinada e da esquerda boba de aceitar uma evidência histórica – a de que o verdadeiro progresso é indissociável de uma aliança indestrutível entre duas liberdades, a política e a econômica, ou, em outras palavras, entre democracia e mercado -, teve um sucesso inesperado. Além de atingir um vasto público, provocou saudáveis polêmicas e as diatribes inevitáveis num continente ‘idiotizado’ pela pregação ideológica terceiro-mundista, em todas as suas aberrantes variações, do nacionalismo, do estatismo e do populismo até – como não – o ódio aos Estados Unidos e ao ‘neoliberalismo’.

Uma década depois, os três autores voltam a sacar das espadas e investir contra os exércitos de ‘idiotas’ que ultimamente, de um extremo a outro do continente latino-americano, em vez de diminuir, parecem reproduzir-se com a rapidez dos coelhos e baratas, animais de fecundidade proverbial. O humor está sempre presente, assim como a pugnacidade e a defesa em alto e bom som, sem o menor complexo de inferioridade, dessas idéias liberais que, nas atuais circunstâncias, parecem particularmente impopulares no referido continente.

Mas é realmente assim? As melhores páginas de El Regreso del Idiota dedicam-se a demarcar as fronteiras entre o que os autores do livro chamam de ‘esquerda vegetariana’, com a qual quase simpatizam, e ‘esquerda carnívora’, que detestam. A primeira é representada pelos socialistas chilenos – Ricardo Lagos e Michelle Bachelet -, pelo brasileiro Lula da Silva, pelo uruguaio Tabaré Vásquez, pelo peruano Alan García e aparentemente – quem diria! – pelo nicaragüense Ortega, que agora abraça e comunga freqüentemente com seu velho arquiinimigo, o cardeal Obando y Bravo. Esta esquerda já deixou de ser socialista na prática e é hoje a mais firme defensora do capitalismo – mercados livres e empresa privada -, embora seus líderes, em seus discursos, ainda rendam homenagem à velha retórica e, da boca para fora, reverenciem Fidel Castro e o comandante Chávez. Esta esquerda parece ter entendido que as velhas receitas do socialismo jurássico – ditadura política e economia estatizada – só continuariam afundando seus países no atraso e na miséria. E felizmente resignou-se à democracia e ao mercado.

a-volta-do-idiota-latino-americano.jpgJá a ‘esquerda carnívora’, que há alguns anos parecia uma antiqualha em vias de extinção que não sobreviveria ao mais longevo ditador da história da América Latina – Fidel Castro -, renasceu das cinzas com o ‘idiota’ que é a estrela do livro, o comandante Hugo Chávez. Num capítulo muito proveitoso, os autores radiografam Chávez em seu entorno privado e público, com suas desmesuras e palhaçadas, seu delírio messiânico e seu anacronismo, assim como a astuta estratégia totalitária que governa sua política. Discípulo e instrumento de Chávez, o boliviano Evo Morales representa, dentro da ‘esquerda carnívora’, a subespécie ‘indigenista’, que, pretendendo subverter cinco séculos de racismo ‘branco’, prega um racismo quíchua e aimará – idiotice que, embora careça totalmente de solvência conceitual em países como Bolívia, Peru, Equador, Guatemala e México, pois em todas essas sociedades o grosso da população já é mestiça e tanto os índios quanto os brancos ‘puros’ são minorias, causa grande furor entre os ‘idiotas’ europeus e americanos, sempre sensíveis a qualquer estereótipo relacionado à América Latina. Embora na ‘esquerda carnívora’ por enquanto figurem, de modo inequívoco, três trogloditas – Fidel, Chávez e Morales -, El Regreso del Idiota analisa com sutileza o caso do estreante presidente Correa, do Equador, tecnocrata grandiloqüente que poderá engordar suas fileiras.

Os personagens inclassificáveis da lista são o presidente argentino Kirchner e sua bela esposa (e talvez sucessora), a senadora Cristina Fernández, mestres do camaleonismo político, pois podem passar de ‘vegetarianos’ a ‘carnívoros’ e vice-versa em questão de dias ou mesmo horas, embaralhando todos os esquemas racionais possíveis (como fez o peronismo ao longo de sua história).

Uma novidade em El Regreso del Idiota em relação ao livro anterior é que agora o fenômeno da idiotice é examinado pelos autores não só na América Latina, mas também nos Estados Unidos e na Europa, onde, como demonstram estas páginas com exemplos que às vezes produzem gargalhadas, às vezes lágrimas, a idiotice ideológica também é representada por encarnações robustas e epônimas. Os exemplos foram bem escolhidos: a lista é encabeçada pelo inefável Ignacio Ramonet, diretor de Le Monde Diplomatique, tribuna insuperável de toda a espécie no velho continente, e autor do mais dócil e servil livro sobre Fidel Castro – façanha difícil, diga-se de passagem! Ramonet tem a companhia de Noam Chomsky, caso flagrante de esquizofrenia intelectual, que é inspirado e até genial quando limita-se à lingüística transformacional e um ‘idiota’ irredimível quando desata a falar de política. A Mãe Pátria espanhola é representada pelo dramaturgo Alfonso Sastre e suas toscas distinções entre o terrorismo bom e o terrorismo ruim; e os prêmios Nobel, por Harold Pinter, autor de densos dramas experimentais raramente inteligíveis, ao alcance apenas de públicos arquiburgueses e exóticos, e demagogo inapresentável quando vocifera contra a cultura democrática.

No último capítulo, El Regreso del Idiota propõe uma pequena biblioteca para que as pessoas se desidiotizem e alcancem a lucidez política. A seleção é bastante heterogênea, pois inclui desde clássicos do pensamento liberal, como O Caminho da Servidão, de Hayek, A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, de Popper, e A Ação Humana, de Von Mises, até romances como O Zero e o Infinito, de Koestler, e os grandes volumes narrativos de Ayn Rand A Nascente e Quem é John Galt? (a meu ver, teria sido preferível incluir qualquer um dos ensaios ou panfletos de Ayn Rand, cujo individualismo incandescente superava o liberalismo e beirava o anarquismo, em vez de seus romances, que, como toda literatura edificante e de propaganda, são ilegíveis). Por outro lado, não há nada a declarar contra a presença de Gary Becker, Jean François Revel, Milton Friedman e Carlos Rangel, o único autor de língua hispânica da seleção, cujo fantasma deve sofrer o indizível com o que acontece em sua terra, uma Venezuela que ele já não reconheceria.

Apesar do bom humor, da insolência revigorante e da atitude positiva dos autores diante dos ventos ruins que correm pela América Latina, é impossível não perceber, nas páginas deste livro, um ar de desmoralização. Não é por menos. Pois o certo é que, apesar dos casos de modernização bem-sucedida assinalados – o já conhecido do Chile e o promissor de El Salvador, sobre o qual o livro oferece dados muito interessantes, assim como os triunfos eleitorais de Álvaro Uribe na Colômbia, Alan García no Peru e Felipe Calderón no México, que foram claras derrotas para o ‘idiota’ em questão -, o certo é que, em boa parte da América Latina, há um claro retrocesso da democracia liberal e um retorno do populismo, inclusive em sua variante mais cavernal: a do estatismo e do coletivismo comunistas.

Esta é a angustiante conclusão implícita neste livro febril e combativo: na América Latina, pelo menos, existe uma certa forma de idiotice ideológica que parece irredutível. Pode-se derrotá-la em batalhas, mas não na guerra, porque, como a hidra mitológica, ela reproduz seus tentáculos de novo e de novo, imunizada contra os ensinamentos e desmentidos da História, cega, surda e impermeável a tudo que não seja sua própria escuridão.

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Dick Vigarista e o cínico Muttley

mutley.jpgOs leitores mais jovens desse blog talvez não se recordem do desenho animado “Máquinas Voadoras”, (Dastardly & Muttley and Their Flying Machines/1969/Cor/EUA), dos estúdios de Hanna & Barbera.

O desenho mostrava as aventuras da ‘Esquadrilha Abutre’, chefiada por Dick Vigarista, ‘o líder mais incapaz de toda a história da aviação’. A esquadrilha tinha como objetivo capturar um pombo-correio, Doodle, que cruzava os céus levando malotes com missões secretas (sabe-se lá de onde). O braço direito de Dick era Muttley, um cãozinho louco por medalhas e com aquela risada cínica que marcou época. A cada nova tentativa de sucesso, Muttley rangia os dentes e pedia: “Medalha, medalha, medalha”.

O momento político atual não está para piadas, mas o “show de humilhação” realizado pelo Comando da Aeronáutica e patrocinado pelo governo, para conferir medalhas aos vigaristas da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), ontem, em Brasília, foi um verdadeiro escárnio. No blog Notícias do Planalto, o articulista Costa Jr. publicou um artigo sob o título “Um governo de escarnecedores”, e dá detalhes do evento. Tem toda a razão!

A ‘Esquadrilha Abutre’, dessa vez composta pela corja do governo Lula da Silva, conseguiu ser muito mais maldosa que a do Dick Vigarista. Naturalmente, não desejo denegrir a imagem do simpático Muttley. Que prazer macabro tem essa gente do governo ao desrespeitar as famílias que acabam de perder seus entes queridos no terrível acidente aéreo? Que cinismo, escárnio e afronta desse bando de petistas! Aonde chegamos?

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Retrato da América Latina

O texto a seguir é um ensaio de Alvaro Vargas Llosa, B.S.C. em História Internacional pela London School of Economics, Diretor do Centro para Prosperidade Global do “Indepent Institute”, publicado na revista “Veja” de 9/5/2007. O autor é filho do renomado escritor peruano Mario Vargas Llosa.

Com efeito, a razão para a publicação do artigo é o fechamento da rede privada de televisão RCTV da Venezuela – medida autoritária do presidente Hugo Cháves, um “perfeito idiota latino-americano”. Apesar da extensão do texto, o ensaio é de altíssima qualidade e permitirá ao leitor compreender o retrocesso que vive parte da América Latina, com seus governantes autoritários, representantes da esquerda populista. Boa leitura!


alvaro_vargas_llosa.jpgO retorno do idiota
por Alvaro Vargas Llosa*

Durante o século XX, os líderes populistas da América Latina levantaram bandeiras marxistas, praguejaram contra o imperialismo e prometeram tirar seus povos da pobreza. Sem exceção, todas essas políticas e ideologias fracassaram, o que levou ao recuo dos homens fortes. Agora, uma nova geração de revolucionários tenta ressuscitar os métodos ineficazes de seus antecessores.

Na reunião de Los Panchos: Chávez, Morales e o cubano Carlos Lage são expoentes da esquerda ainda presa à mentalidade da Guerra Fria. Outra esquerda, que governa no Chile e no Brasil, tenta evitar os erros do passado.

manual_do_perfeito_idiota.jpgDez anos atrás, o colombiano Plinio Apuleyo Mendoza, o cubano Carlos Alberto Montaner e eu escrevemos o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”, livro que criticava os líderes políticos e formadores de opinião que, apesar de todas as provas em contrário, se apegam a mitos políticos mal concebidos. A espécie “Idiota”, dizíamos então, era responsável pelo subdesenvolvimento da América Latina. Tais crenças – revolução, nacionalismo econômico, ódio aos Estados Unidos, fé no governo como agente da justiça social, paixão pelo regime do homem forte em lugar do regime da lei – tinham origem, em nossa opinião, no complexo de inferioridade. No fim dos anos 1990, parecia que os idiotas estavam finalmente em retirada. Mas o recuo durou pouco.

Hoje, a espécie retornou na forma de chefes de estado populistas empenhados em aplicar as mesmas políticas fracassadas no passado. Em todo o mundo, há formadores de opinião prontos a lhes dar credibilidade e simpatizantes ansiosos por conceder vida nova a idéias que pareciam extintas.

Por causa da inexorável passagem do tempo, os jovens idiotas latino-americanos preferem as baladas pop de Shakira aos mambos do cubano Pérez Prado e não cantam mais hinos da esquerda, como A Internacional e Hasta Siempre, Comandante. Mas eles ainda são os mesmos descendentes de migrantes rurais, de classe média e profundamente ressentidos com a vida fútil dos ricos que vêem nas revistas de fofocas, folheadas discretamente nas bancas. Universidades públicas fornecem a eles uma visão classista da sociedade, baseada na idéia de que a riqueza precisa ser tomada das mãos daqueles que a roubaram.

Para esses jovens idiotas, a situação atual da América Latina é resultado do colonialismo espanhol e português, seguido do imperialismo dos Estados Unidos. Essas crenças básicas fornecem uma válvula de segurança para suas queixas contra uma sociedade que oferece pouca mobilidade social. Freud poderia dizer que eles têm o ego fraco, incapaz de fazer a mediação entre seus instintos e a sua idéia de moralidade. Em lugar disso, suprimem o conceito de que a ação predatória e a vingança são erradas e racionalizam a própria agressividade com noções elementares do marxismo.

Os idiotas latino-americanos tradicionalmente se identificam com os caudilhos, figuras autoritárias quase sobrenaturais que têm dominado a política da região, vociferando contra a influência estrangeira e as instituições republicanas. Dois líderes, particularmente, inspiram o Idiota de hoje: os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia.

Chávez é visto como o perfeito sucessor do cubano Fidel Castro (a quem o Idiota também admira): ele chegou ao poder pelas urnas, o que o libera da necessidade de justificar a luta armada, e tem petróleo em abundância, o que significa que pode bancar suas promessas sociais. O Idiota também credita a Chávez a mais progressista de todas as políticas – ter colocado as Forças Armadas, paradigma do regime oligárquico, para trabalhar em programas sociais.

De sua parte, o boliviano Evo Morales tem um apelo indigenista. Para o Idiota, o antigo plantador de coca é a reencarnação de Tupac Katari, um rebelde aimará do século XVIII que, antes de ser executado pelas autoridades coloniais espanholas, profetizou: “Eu voltarei e serei milhões”. O Idiota acredita em Morales quando ele alega falar pelas massas indígenas, do sul do México aos Andes, que buscam reparação pela exploração sofrida em 300 anos de domínio colonial e outros 200 anos de oligarquia republicana.

Para ler a continuação deste excelente artigo, clique no link abaixo:

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SEALOPRA

lula-e-unger.jpgCombinou perfeitamente, com a circunstância e com o personagem, a alcunha da nova Secretaria de Ações de Longo Prazo, ocupada pelo 36º ministro do governo, Roberto Mangabeira Unger (foto), que registrou por escrito, em artigo na Folha de S.Paulo, que o governo Lula da Silva é o mais corrupto da história.

De acordo com o dicionário Houaiss, aloprar significa “ficar maluco, endoidecer”.

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Trogloditas na universidade

Na última quinta-feira, conforme noticiou a Folha Online (leia o artigo), “estudantes” da USP invadiram a reitoria da universidade e destruíram móveis e portas. As aspas para a palavra estudantes são propositais pois, em realidade, trata-se de trogloditas que desconhecem a civilidade.

che-t-shirt.jpgQuem visitar o campus da universidade não vai se surpreender ao topar com uma grande massa de estudantes que adotam uma moda ultrapassada à la Che Guevara, com cabelos e barbas mal aparados e em trajes – diria – duvidosos. Camisetas estampando o rosto do idiota latino-americano Hugo Chaves ou do ditador cubano Fidel Castro não são raras. Mas fiquei surpreso, outro dia, ao ver uma garota usando uma blusa com a inscrição Hò Chí-Minh – nome do ditador comunista do Vietnã –, e, pouco adiante, um rapaz com um t-shirt vermelho com a inscrição “CCCP” – que significa URSS, no alfabeto cirílico. Quem sabe, um dia desses, encontro algum troglodita trajando uma camiseta com o nome de Pol Pot*.

Naturalmente, há muito romantismo e idealismo juvenil na cabeça desses estudantes. A maior parte, quando ingressar no mercado de trabalho – e tiver real noção do que foi o comunismo no século passado -, refletirá a respeito da estupidez de um dia. Uns poucos, porém, principalmente aqueles que não forem muito bem sucedidos em suas vidas profissionais, talvez continuem achando que a “saída pela esquerda” seja o melhor caminho para amenizar as dificuldades impostas pelo “malvado mundo da globalização” e militarão em algum MST, PT ou PSOL.

Como estudante da universidade, depois desses comentários, corro risco de ser repudiado por parte daqueles que se identificarem com os perfis descritos acima. Poderei ser estigmatizado como mais um “porco capitalista”.

Minha intenção, contudo, não é ingressar numa batalha ideológica, mas chamar a atenção para a possibilidade democrática que todos têm de expressar-se, seja através das inscrições nas camisetas, seja através da moda – por mais duvidosa que seja. O que não é possível tolerar são manifestações animalescas, com quebra-quebras violentos, tais como ocorreram na reitoria.

pol-pot.jpg* Pol Pot, líder do Khmer Vermelho, movimento comunista do Cambodja, exterminou entre 1,7 e 2,0 milhões de pessoas (quase ¼ da população de seu país), entre 1975 e 1979. Em números proporcionais, Pol Pot foi responsável pelo maior genocídio da história. As vítimas eram espancadas até a morte ou sufocadas com sacos plásticos para poupar balas de artilharia.

Dados do United Human Rights Council

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El regreso del Idiota

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vargas-llosa.jpgEl regreso del idiota
por Mario Vargas Llosa
para LA NACION | Sábado 24 de febrero de 2007

Hace diez años apareció el Manual del Perfecto Idiota Latinoamericano, en el que Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner y Alvaro Vargas Llosa arremetían con tanto humor como ferocidad contra los lugares comunes, el dogmatismo ideológico y la ceguera política que están detrás del atraso de América latina.

El libro, que golpeaba sin misericordia, pero con sólidos argumentos y pruebas al canto, la incapacidad casi genética de la derecha cerril y la izquierda boba para aceptar una evidencia histórica -que el verdadero progreso es inseparable de una alianza irrompible de dos libertades, la política y la económica, en otras palabras, de democracia y mercado-, tuvo un éxito inesperado. Además de llegar a un vasto público, provocó saludables polémicas y las inevitables diatribas en un continente “idiotizado” por la prédica ideológica tercermundista, en todas sus aberrantes variaciones, desde el nacionalismo, el estatismo y el populismo hasta, cómo no, el odio a Estados Unidos y al “neoliberalismo”.

Una década después, los tres autores vuelven ahora a sacar las espadas y a cargar contra los ejércitos de “idiotas” que, quién lo duda, en estos últimos tiempos, de un confín al otro del continente latinoamericano, en vez de disminuir parecen reproducirse a la velocidad de los conejos y cucarachas, animales de fecundidad proverbial. El humor está siempre allí, así como la pugnacidad y la defensa a voz en cuello, sin el menor complejo de inferioridad, de esas ideas liberales que, en las circunstancias actuales, parecen particularmente impopulares en el continente de marras.

Pero ¿es realmente así? Las mejores páginas de El Regreso del Idiota están dedicadas a deslindar las fronteras entre lo que los autores del libro llaman la “izquierda vegetariana”, con la que casi simpatizan, y la “izquierda carnívora”, a la que detestan. Representan a la primera los socialistas chilenos -Ricardo Lagos y Michelle Bachelet-, el brasileño Lula da Silva, el uruguayo Tabaré Vázquez, el peruano Alan García y hasta parecería -¡quién lo hubiera dicho!- el nicaragüense Ortega, que ahora se abraza con, y comulga con frecuencia de manos de su viejo archienemigo, el cardenal Obando.

Esta izquierda ya dejó de ser socialista en la práctica y es, en estos momentos, la más firme defensora del capitalismo -mercados libres y empresa privada- aunque sus líderes, en sus discursos, rindan todavía pleitesía a la vieja retórica y de la boca para afuera homenajeen a Fidel Castro y al comandante Chávez.

Esta izquierda parece haber entendido que las viejas recetas del socialismo jurásico -dictadura política y economía estatizada- sólo podían seguir hundiendo a sus países en el atraso y la miseria. Y, felizmente, se han resignado a la democracia y al mercado.

La “izquierda carnívora”, en cambio, que, hace algunos años, parecía una antigualla en vías de extinción que no sobreviviría al más longevo dictador de la historia de América latina -Fidel Castro-, ha renacido de sus cenizas con el “idiota” estrella de este libro, el comandante Hugo Chávez, a quien, en un capítulo que no tiene desperdicio, los autores radiografían en su entorno privado y público con su desmesura y sus payasadas, su delirio mesiánico y su anacronismo, así como la astuta estrategia totalitaria que gobierna su política.

Discípulo e instrumento suyo, el boliviano Evo Morales, representa, dentro de la “izquierda carnívora”, la subespecie “indigenista”, que, pretendiendo subvertir cinco siglos de racismo “blanco”, predica un racismo quechua y aymara, idiotez que, aunque en países como Bolivia, Perú, Ecuador, Guatemala y México carezca por completo de solvencia conceptual, pues en todas esas sociedades el grueso de la población es ya mestiza y tanto los indios como los blancos “puros” son minorías, entre los “idiotas” europeos y norteamericanos, siempre sensibles a cualquier estereotipo relacionado con América latina, ha causado excitado furor.

Aunque en la “izquierda carnívora”, por ahora, sólo figuran, de manera inequívoca, tres trogloditas – Castro, Chávez y Morales – en El regreso del idiota se analiza con sutileza el caso del flamante presidente Correa, de Ecuador, grandilocuente tecnócrata, quien podría venir a engordar sus huestes.

Los personajes inclasificables de esta nomenclatura son el presidente argentino, Kirchner, y su guapa esposa, la senadora Cristina Fernández (y acaso sucesora), maestros del camaleonismo político, pues pueden pasar de “vegetarianos” a “carnívoros” y viceversa en cuestión de días y a veces de horas, embrollando todos los esquemas racionales posibles (como ha hecho el peronismo a lo largo de su historia).

Una novedad en El regreso del idiota sobre el libro anterior es que ahora el fenómeno de la idiotez no lo auscultan los autores sólo en América latina; también en Estados Unidos y en Europa, donde, como demuestran estas páginas con ejemplos que producen a veces carcajadas y a veces llanto, la idiotez ideológica tiene también robustas y epónimas encarnaciones. Los ejemplos están bien escogidos: encabeza el palmarés el inefable Ignacio Ramonet, director de Le Monde Diplomatique , tribuna insuperable de toda la especie en el Viejo Continente y autor del más obsecuente y servil libro sobre Fidel Castro -¡y vaya que era difícil lograrlo!-, y lo escolta Noam Chomsky, caso flagrante de esquizofrenia intelectual, que es inspirado y hasta genial cuando se confina en la lingüística transformacional y un “idiota” irredimible cuando desbarra sobre política.

La Madre Patria está representada por el dramaturgo Alfonso Sastre y sus churriguerescas distinciones entre el terrorismo bueno y el terrorismo malo, y los premios Nobel por Harold Pinter, autor de espesos dramas experimentales raramente comprensibles y sólo al alcance de públicos archiburgueses y exquisitos, y demagogo impresentable cuando vocifera contra la cultura democrática.

En el capítulo final, El regreso del idiota propone una pequeña biblioteca para desidiotizarse y alcanzar la lucidez política. La selección es bastante heterogénea pues figuran en ella desde clásicos del pensamiento liberal, como Camino de servidumbre , de Hayek, La sociedad abierta y sus enemigos, de Popper, y La acción humana, de von Mises, hasta novelas como El cero y el infinito, de Koestler, y los mamotretos narrativos de Ayn Rand - El manantial y La rebelión de Atlas . (A mi juicio, hubiera sido preferible incluir cualquiera de los ensayos o panfletos de Ayn Rand, cuyo incandescente individualismo desbordaba el liberalismo y tocaba el anarquismo, en vez de sus novelas que, como toda literatura edificante y propagandística, son ilegibles.)

Nada que objetar, en cambio, a la presencia en esta lista de Gary Becker, Jean François Revel, Milton Friedman y (el único hispano hablante de la selección) Carlos Rangel, cuyo fantasma debe sufrir lo indecible con lo que está ocurriendo en su tierra, una Venezuela que ya no reconocería.

Pese a su buen humor, a su refrescante insolencia y a la buena cara que sus autores se empeñan en poner ante los malos vientos que corren por América latina, es imposible no advertir en las páginas de este libro un hálito de desmoralización. No es para menos. Porque lo cierto es que, a pesar de los casos exitosos de modernización que señala -el ya conocido de Chile y el promisorio de El Salvador, sobre el que aporta datos muy interesantes, así como los triunfos electorales de Uribe en Colombia, de Alan García en Perú y de Calderón en México, que fueron claras derrotas para el “idiota” en cuestión- lo cierto es que en buena parte de América latina hay un claro retroceso de la democracia liberal y un retorno del populismo, incluso en su variante más cavernaria: la del estatismo y colectivismo comunistas.

Esa es la angustiosa conclusión que subyace a este libro afiebrado y batallador: en América latina, al menos, hay una cierta forma de idiotez ideológica que parece irreductible. Se le puede ganar batallas pero no la guerra, porque, como la hidra mitológica, sus tentáculos se reproducen una y otra vez, inmunizada contra las enseñanzas y desmentidos de la historia, ciega, sorda e impenetrable a todo lo que no sea su propia tiniebla.

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O regresso do idiota

‘El regreso del idiota’
Recomendação de Leitura

manual_perfeito_idiota.jpgNo próximo dia 15 de abril será lançado para toda América Latina “El Regreso del Idiota”, o terceiro livro conjunto de Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa.

Já se passaram dez anos desde que o “Manual do Perfeito Idiota Latino-americano” foi publicado e muito se sucedeu na região desde então. As tímidas reformas econômicas implementadas na década de 1990 não produziram os resultados esperados e a esquerda populista e estatizante, que os autores davam como extinta no primeiro livro, ressurgiu com grande valentia.

Mario Vargas Llosa nos oferece uma boa idéia do que será o “Regresso do Idiota” em artigo publicado no jornal “La Nación”, da Argentina.
Clique aqui para ler o artigo de Vargas Llosa

Esta é uma leitura obrigatória para todos os tipos de personagens com que lidamos no dia-a-dia – descritos no livro – seja no campus universitário, em uma conversa de bar ou qualquer outro momento de debate político e econômico.

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