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A última perversidade do governo brasileiro
Posted by Marcus Mayer in Carga Tributária, Economia on August 31st, 2007
Opinião
Exclusivo para o Blog
Já não bastasse a absurda carga tributária do Brasil, agora o governo quer enviar ao Serasa – órgão responsável pela elaboração de listas negras de devedores – o nome daqueles que não estiverem em dia com o pagamento de impostos. À primeira vista, a medida parece ser justa e legal. Mas não é uma coisa nem outra, como já atestaram tributaristas – entre eles, Ives Gandra Martins. A proposta é, simplesmente, mais uma perversidade do governo esquerdizante do presidente Lula da Silva.
Compare-se a situação com aquela que ocorre no meio privado. Quando alguém realiza uma compra e não paga por aquilo que adquiriu, nada mais justo e legal que se inclua o nome do devedor numa lista negra, impedindo-no de contrair novas dívidas e protegendo credores. No momento de uma compra, estabelece-se um contrato, diante do qual o comprador se compromete a pagar ao vendedor pela aquisição. De contrapartida, o vendedor é obrigado a fornecer o produto ou o serviço ofertado ao comprador.
Na hipótese do imposto nada é comprado nem vendido. O que se imagina como justo é o pagamento universal de impostos que cidadãos pagariam ao tesouro público para receberem, como contrapartida, serviços e obras.
Pergunta-se, aqui, se alguém sabe como é gerido, pelo governo, o dinheiro, pago pelo contribuinte, através dos impostos. Em algumas ocasiões a aplicação do dinheiro é bastante visível, sobretudo, quando um governo realiza obras e presta bons serviços.
Não é absolutamente o caso do Brasil. Serviços públicos imprescindíveis como os da saúde, da educação e da segurança são extremamente precários, salvo algumas raríssimas exceções. Obras públicas como a manutenção de estradas, construção de ferrovias, habitações ou prédios públicos ocorrem em proporção muito inferior à necessidade do país.
Pagam-se impostos porque, como diz o próprio nome, eles são impostos ao cidadão. Ninguém o faz por livre e espontânea vontade.
Especialistas já demonstraram que quanto menor são as alíquotas, maior é o universo abrangido pela cobrança e, o que seria mais importante para o arrecadador, o volume também é maior. Diante de uma política tributária perversa, o governo brasileiro age inversamente. As alíquotas são elevadas, incidem de forma perniciosa sobre a produção e os preços, e, o que é pior, não há nenhum retorno visível.
Trabalha-se, no Brasil, quase cinco meses ao ano, exclusivamente, para pagar impostos ao governo. Esperar-se-ia um retorno espetacular de todo esse esforço. Contudo, o que se pode observar é exatamente o contrário. Boa parte de toda a arrecadação é desviada para pagar pela corrupção e pelo aparelhamento do estado. A arrecadação é européia, mas o retorno é sub-saariano.
Não é necessário explicar o que é a corrupção. Todavia, poucos se dão conta da gravidade perversa do aparelhamento do estado. No atual governo já são mais de 25.000 pessoas contratadas para cargos de confiança. Quando nos referimos, em outros artigos e notícias, aos “amigos do presidente”, tratamos exatamente desses apaniguados que recebem, em troca do apoio político, empregos pagos por todos os contribuintes. A quase totalidade desses cargos e funções é dispensável. Isso, sem falar nos dinossauros estatais e seus milionários fundos de pensão. Desse tema tratamos, em detalhes, no artigo “Escândalo na Petrossauro”, de 15/04/2007. Confira-se clicando aqui
Quanto menor é o estado e mais baixos são os impostos, maiores são as chances para o desenvolvimento de um país. Mas o que o governo do presidente Lula da Silva realiza é exatamente o contrário. O que produz está aí: crescimento pífio, catastrófica distribuição da riqueza e um quarto da população – de miseráveis – dependentes de programas assistencialistas como o “Bolsa-família”.
E agora, os burocratas petistas ainda resolvem inventar mais essa: colocar na lista negra aqueles que, por circunstância ou não, deixaram de pagar algum imposto. O primeiro que deveria ir para uma lista negra é o próprio governo, cujos serviços e obras, financiados por impostos de “todos” os brasileiros, são – quase sempre – de péssima qualidade.
Vocação ou burrice?
Posted by Marcus Mayer in Política, Tecnologia on June 29th, 2007
No campo político, a tragédia brasileira tende a permanecer. O Parlamento está desmoralizado desde a legislatura anterior. Mensaleiros, ladrões e assassinos integram o Congresso Nacional. O ‘chamado’ Conselho de Ética do Senado Federal virou motivo de piada. E o presidente da República, com sua popularidade inabalada, continua prestigiando os corruptos.
O constrangimento imposto ao Procurador Geral da República, Antonio Fernando Barros (aquele que denunciou os 40 ladrões e seu chefe ao STF), durante sua posse para um novo mandato foi absurdo: teve de proferir seu discurso cercado de ‘novos 40 ladrões’ que, provavelmente, lá estavam para mostrar o prestígio que lhes confere o ‘chefe’. O próprio presidente Lula da Silva deixou claro, através de sua fala, que continuará protegendo o corrupto presidente do Senado.
País fica sem novidades internacionaispor Júlio Wiziack*
para a Folha de S.Paulo
Se depender da vontade da Apple, o Brasil não verá o iPhone antes de 2009. A Sony ainda não tem previsão para lançar o PlayStation 3 e não sabe se importará o Blu-ray. A única certeza que os consumidores têm é: vai demorar. Mas por quê?
A explicação das empresas é: falta mercado. De fato, a renda per capita dos brasileiros não é das melhores, mas compradores existem. Basta observar a quantidade de turistas brasileiros que passam pelas barreiras alfandegárias carregados de produtos importados -uma prática que aumenta em tempos de dólar baixo. É o que explica Mauro de Brito, chefe da área de repressão ao contrabando da Receita Federal. “As pessoas costumam trazer mercadorias que custam mais no Brasil”, diz.
Computadores, notebooks, consoles estão entre os produtos mais visados porque a diferença de preço no Brasil e no exterior é maior. O XBox 360 nos EUA é vendido pelo equivalente a R$ 762. Aqui custa R$ 2.999 devido à cobrança em cascata de impostos.
O problema fica mais complicado para as fabricantes porque a pirataria e o contrabando transformam o mercado num campo de guerra desleal. Segundo levantamento da Abes (Associação Brasileira da Empresas de Software), de cada dez consoles (nome técnico dos videogames mais modernos) adquiridos no Brasil, apenas um foi adquirido de forma correta. “O restante entrou no Brasil de forma irregular”, afirma Emílio Munaro, coordenador do grupo Anti-Pirataria da Abes.
Outro aspecto que as empresas levam em conta é a rede de distribuição. Muitas lojas se recusam a vender produtos que os consumidores poderão encontrar em camelôs. A Hi Rappy, maior rede de lojas de brinquedos do país, é uma das varejistas que decidiu não colocar nas prateleiras produtos para o PlayStation ou XBox 360 que podem ser encontrados em lojas da rua Santa Ifigênia, um conhecido endereço no centro da capital paulista para produtos eletroeletrônicos mais baratos, por R$ 1.300, menos da metade do preço oficial. Para as empresas que decidem entrar nessa disputa, o jeito é encolher a margem de lucro e preparar o fôlego.
* Julio Wiziack é jornalista
Leia as reportagens relacionadas na Folha de S.Paulo (para assinantes do jornal e do UOL)
No limiar da inépcia e da esperteza
Posted by Marcus Mayer in Brasil, Carga Tributária on April 26th, 2007
A perniciosidade dos impostos
Uma grande ingenuidade seria achar que a equipe econômica do atual governo fosse burra. Inteligente também não é, certamente. O melhor adjetivo para essa gente ‘esperta’, na acepção menos virtuosa da palavra.
A mais recente – e absurda – medida do ministério da Fazenda foi elevar a tarifa de importação de têxteis e de calçados, de 20% para 35%. A justificativa do ministro Guido Mantega é a proteção que se pretenderia dar à indústria nacional. O ministro e os seus asseclas, certamente, consideram os brasileiros ‘verdadeiros otários’(!), diante de suas explicações.
Não nutrimos simpatias pela administração estatizante do presidente Lula da Silva e, muito menos, pela elevada carga tributária do Brasil: arrecadação de padrão europeu e aplicação dos impostos nos moldes subsaarianos. O aumento na alíquota de qualquer imposto sempre causa enorme repulsa. Recorde após recorde arrecadatório, “jamais na história deste país” – como adora dizer o presidente -, os contribuintes pagaram mais impostos em um mês de março. “Somente no Imposto de Importação houve um crescimento real de 26,9%, decorrente da elevação do valor em dólar dos produtos comprados no exterior”, conforme publicado, no dia 16, na Folha de S.Paulo.
Percebendo isso, o governo resolveu elevar ainda mais as já absurdas taxas, ciente de que as importações continuarão crescendo. Quem pagará por isso serão os consumidores, que vislumbrarão uma fatia maior da renda sendo transferida para o cofre da receita. O que adianta elevar o preço dos produtos importados se o preço dos nacionais continuará sendo mais elevado? – De forma ingênua, poder-se-ia pensar, o governo não tivesse avaliado a sua medida de forma adequada. Mas não é nada disso!
Em um ano e meio, 50 indústrias de calçados gaúchas fecharam. A única forma viável para “salvar” a empresa nacional é dando-lhe condições para que possa concorrer em igualdade de condições com a indústria global. Para isso, só existe um caminho: aquele que conduz para a diminuição da elevadíssima carga tributária, incidente sobre a produção e sobre a folha salarial.
A redução de impostos beneficiaria milhares de trabalhadores dos setores têxtil e de calçados, bem como as empresas e os milhões de consumidores. Todos precisamos de roupas e sapatos. Pagando menos taxas, o ganho da indústria seria mais elevado. Como conseqüência natural, mais trabalhadores seriam empregados e, em resposta à redução de preços, o consumo aumentaria. A própria concorrência estrangeira beneficiaria o consumidor e a indústria, não permitindo que a redução tributária implicasse somente um aumento nos lucros dos empresários: os preços teriam de ser reduzidos e a qualidade dos produtos elevada. Isso é denominado “ganho de produtividade”.
Para incrementar as exportações, prejudicadas pela desvalorização do dólar – que reduziu os ganhos em real -, bastaria reduzir alíquotas de impostos que incidem sobre a folha de pagamentos. Enquanto que a média dos custos patronais nos países chamados Tigres Asiáticos é de 11%, no Brasil a despesa de contratação de um empregado ultrapassa os 100% do salário nominal.
Mesmo o governo poderia ser beneficiado com a redução de alíquotas e a extinção de tributos. De acordo com o economista Marcos Cintra Cavalcanti, defensor do projeto do Imposto Único, em 2003, o estado de São Paulo diminuiu de 25% para 12% a alíquota do ICMS do álcool combustível e obteve um resultado surpreendente. A arrecadação do setor cresceu, de imediato, 7%. O Fisco paulista conseguiu atingir em cheio o seu principal alvo: a sonegação, até então alimentada pela alta alíquota do imposto.
Sob o manto da esperteza, pois alguns ingênuos ainda permanecerão achando que a elevação de taxas protegeria a indústria nacional da concorrência estrangeira, esse governo continuará enganando a população. Afinal, é preciso ter bastante dinheiro em caixa para pagar os funcionários que ocupam os mais de 24.000 cargos comissionados no governo federal. E quanto maior é a burocracia, mais fácil se torna a manutenção da corrupção. Nossa capacidade de discernimento tem sido gravemente subestimada.
O câmbio e a carga tributária
Posted by Marcus Mayer in Brasil, Carga Tributária on April 23rd, 2007
No último dia 11, nosso blog já se adiantava ao abordar a questão da desvalorização do dólar em relação ao real. Os problemas e as soluções apontados em nossa breve análise se reforçam, agora, em editorial do jornal “O Estado de S.Paulo”.
Leia na íntegra o editorial abaixo:
O ESTADO DE S.PAULO – NOTAS & INFORMAÇÕES
DOMINGO, 22 DE ABRIL DE 2007 – PÁGINA A3
O desafio do dólar barato
O governo discute mais um remendo fiscal para socorrer os setores mais prejudicados pela valorização do câmbio. A discussão concentrou-se, nos últimos dias, na idéia de redução de encargos trabalhistas. Num primeiro exame, a proposta parece defensável. As indústrias mais afetadas pelo dólar barato, como as têxteis, de móveis e de calçados, dependem principalmente de insumos nacionais. Algumas importam insumos, mas, de modo geral, são mais dependentes de matérias-primas e bens intermediários produzidos no Brasil.
São geradoras de empregos tanto diretos quanto indiretos. Empresas de outros setores enfrentam o desafio com maior facilidade, aproveitando o real valorizado para importar materiais e componentes. Mantêm, assim, o poder de competição, mas ao custo de substituir empregos no País por empregos no exterior.
Não há nada errado, em princípio, na importação de matérias-primas, bens intermediários e mesmo produtos finais, quando a diferença de custo resulta da maior eficiência do produtor estrangeiro. Mas boa parte da concorrência enfrentada por essas indústrias, em condição de inferioridade, tem origem muito diferente.
Para sobreviver à abertura da economia, nos anos 1990, muitas delas tiveram de investir muito dinheiro e de modernizar equipamentos, processos produtivos e estilos de administração. Dedicaram-se com maior intensidade à exportação e disputaram espaço no mercado internacional, em muitos casos com grande sucesso. Mas começaram a perder fôlego, há algum tempo, em conseqüência da valorização cambial e das condições especiais de competição impostas principalmente pela China.
A valorização do real deixou mais visível uma série de obstáculos que as empresas não podem remover somente com seus meios. Tributos pesados e irracionais, cobrados tanto pela União quanto pelos Estados, são componentes importantes desse conjunto. Além disso, muitas indústrias brasileiras ficam em desvantagem quando se trata do acesso a grandes mercados, como o dos Estados Unidos e o da União Européia. Concorrentes de peso desfrutam de preferências no comércio com as economias mais desenvolvidas.
O governo brasileiro negligenciou a assinatura de acordos com aqueles parceiros e isso faz diferença. O problema de acesso a grandes mercados não é exclusivo do agronegócio. Esse tem sido um dos estímulos para o investimento brasileiro no exterior. Investir fora para ganhar projeção internacional é muito bom. Criar empresas e empregos noutros países porque o governo brasileiro deixou de fazer os acordos necessários é lamentável.
Mas o alívio fiscal para alguns setores e apenas por tempo limitado pode não ser uma boa resposta. Uma pequena desoneração tributária será insuficiente para compensar a desvantagem cambial, mas o governo não pode ir muito longe nessa política. Já se discute uma alteração geral da tributação sobre a folha de salários, defendida pelo ministro do Trabalho. Também não será uma solução simples. Deslocar os tributos da folha de pessoal para o faturamento agravará outro problema: a tributação em cascata.
É difícil conceber uma solução adequada fora de um projeto mais amplo de reforma tributária e, provavelmente, da Previdência. O Brasil tem uma longa experiência de remendos na área de impostos. Cada mudança improvisada tende a resultar em novas distorções.
No entanto, há um problema concreto que o governo não pode, ou pelo menos não deve, menosprezar. A valorização cambial, somada ao contrabando e às dificuldades de acesso aos principais mercados, pode resultar em crises setoriais e no fechamento de milhares de postos de trabalho. Medidas meramente protecionistas também não são a resposta adequada, porque as empresas têm de competir em escala global.
Talvez se encontrem soluções de emergência para alguns setores. Mas será preciso ir muito além. Fala-se muito em políticas de competitividade, mas pouco se tem feito para eliminar as desvantagens que se encontram além dos portões das fábricas e das porteiras das fazendas. Não há outro caminho, quando se pretende manter o câmbio flutuante. Isso é confirmado pela experiência de países muito competitivos.
Menos impostos para melhorar o câmbio
Posted by Marcus Mayer in Carga Tributária, Economia on April 11th, 2007
O mercado passou a experimentar o novo piso do dólar em torno de R$ 2,00. Há diversas razões para a entender a valorização excessiva do real: a mais conhecida é a elevada taxa de juros, que atrai dólares; outra, é o fato de o risco país estar em baixa – apesar de não termos atingido ainda o investment grade. O déficit crescente nas contas externas americanas é mais um componente; em 2006, o déficit em conta-corrente dos Estados Unidos fechou em US$ 900 bilhões.
A notícia da valorização do real frente ao dólar é boa para a parcela de brasileiros que tem condições de viajar para o exterior e realizar compras de produtos importados de qualidade. Também é uma boa oportunidade para a importação de maquinário para o setor industrial de bens de consumo, para o comércio e para os serviços (importadores).

Charge de KASSIO, para o jornal Correio Brasiliense
De compensação, os exportadores de produtos industrializados e manufaturados, estão reclamando de momentos difíceis, tendo de fechar empresas, dependentes do mercado externo. O turismo interno também perde substancialmente.
O melhor cenário seria apresentado com uma moeda nacional menos valorizada mas, sobretudo, com um poder de compra mais elevado por parte da população. O Brasil encontra-se em 72º lugar no ranking do PPP (Purchasing Power Parity) per capita, que define esse poder de compra, de acordo com dados do World Economic Outlook. Para melhorar nesse quesito, o governo teria de rever a escandalosa política de cobrança de impostos.
O apetite do leão é enorme! Somente para citar um exemplo de fácil compreensão, o vencedor da versão brasileira do reality show Big Brother teve de pagar R$ 275 mil de impostos, ficando com R$ 625 mil do prêmio de R$ 1 milhão. Entre os impostos incidentes o ‘menos injusto’ é o imposto de renda. Todavia, o desconto também incorre na CPMF e no IOF.





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