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	<title>Marcus Mayer's Blog &#187; Índia</title>
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		<title>Dalits e preconceito</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 20:43:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Mayer</dc:creator>
				<category><![CDATA[BRICs]]></category>
		<category><![CDATA[Índia]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Dalits]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[  A revista britânica The Economist, por meio de seu breve artigo “Soup, sex and sociology”, que traduzi abaixo, oferece a chance de abordar um assunto sobre o qual há tempos desejava discorrer. Com relativa frequência nos defrontamos com pessoas que se consideram intelectualmente muito superiores às demais (mas certamente não o são). Costumam exteriorizar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"><img class="aligncenter size-full wp-image-2487" title="Beautiful Indian Woman" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/indian-woman.jpg" alt="Beautiful Indian Woman" width="600" height="375" /></span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">A revista britânica <a title="The Economist.com" href="http://www.economist.com/"><strong>The Economist</strong></a>, por meio de seu breve artigo <strong>“Soup, sex and sociology”</strong>, que traduzi abaixo, oferece a chance de abordar um assunto sobre o qual há tempos desejava discorrer. Com relativa frequência nos defrontamos com pessoas que se consideram intelectualmente muito superiores às demais (mas certamente não o são). Costumam exteriorizar um injustificável preconceito em relação àquilo que estranhamente associam a uma cultura dirigida aos menos intelectualizados.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Naturalmente, não pretendo aqui fazer apologia à futilidade nem generalizar. Todavia, gostaria de reduzir um pouco a altura do pedestal ao qual se agarram esses tipos arrogantes. O texto da <strong>Economist</strong> é somente uma isca, pois o “neointelectual” não costuma perder nenhuma de suas edições. </span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Um nicho muito comum para encontrar exemplares dessa espécie é a Universidade de São Paulo. Pelo fato de serem professores ou estudantes dessa renomada instituição, é comum observar em suas falas ou textos um padrão excepcional de prepotência.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Ouse citar, durante conversa com um desses, uma entrevista que tenha lido na revista <strong>Veja</strong>, um editorial do <strong>Estadão</strong> ou um eventual programa transmitido pela <strong>TV Globo</strong>. Irão vislumbrá-lo como tendo confessado plena submissão aos meios de comunicação dirigidos aos ignorantes. Se quiser se dar bem, elogie o último pronunciamento de Hugo Chávez na <strong>TeleSur</strong>.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Mas não é preciso ir à USP para encontrar os tipos. Boa parcela de bloggers também se sente assim, adotando esse jeito, digamos, superior. Leia um blog político no portal <strong>iG </strong>e entenderá do que se trata. </span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">A mesma arrogância poderia ser observada se um aluno de curso pré-vestibular questionasse um professor de literatura sobre uma obra de Paulo Coelho. O coitado seria imediatamente rechaçado pelo “culto mestre”. Também não seria viável recorrer a um texto de autoajuda, sob risco de ser taxado de otário. E gostar de futebol, ou pior, assumir-se flamenguista ou corinthiano? Isso só pode ser mesmo peculiar ao povão ignorante. </span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Por que tanto preconceito? Esses sentimentos formados <strong>a priori</strong>, sem maior fundamento, são típicos do “pseudointelectual”. Que leia a “Fenomenologia do Espírito”, de Hegel, antes de dar palpites toscos.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Pobres mortais</span></em><em><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica">!</span></em> </p>
<hr id="null" /><strong><span style="font-size: 16pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd"><img class="alignleft size-full wp-image-1175" title="mm150x187" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/mm150x187.jpg" alt="mm150x187" width="165" height="197" />Os intocáveis da Índia</span><br />
</strong><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999">por Marcus Mayer*</span><br />
<span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999">exclusivo para o</span><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999"><em> Blog</em> | Sábado, 21 de março de 2009</span><span style="font-size: 110%; font-family: Tahoma"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 15pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd">O</span></strong><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"> preconceito é certamente um dos piores atributos da espécie humana. É uma característica exclusiva encontrada entre aqueles que, no reino animal, são considerados superiores, graças à virtuosa faculdade da razão. Estaria certo Rousseau ao definir o homem no estado de natureza como “bom selvagem” e, consequentemente, mais feliz que vivendo em sociedade?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Por maiores que sejam as críticas que se apresentem diante da baixa qualidade de programas televisivos dirigidos às massas, as novelas da <em>TV Globo</em> têm contribuído para o enfrentamento do preconceito social.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Convívio com portadores do vírus HIV, atenção para com viciados em drogas, relações homossexuais, respeito por mais velhos, casamentos inter-raciais, importância do uso de preservativos, entre tantos outros temas-tabu, quando não vislumbrados com acentuado preconceito, já fizeram parte de muitos enredos dessas telenovelas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Momento no qual tanto se fala sobre os BRICs (sigla que reúne as chamadas economias emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China), a <em>Globo</em> apresenta ao Brasil um tema de relevância internacional, sobretudo por se tratar de um problema atual que ocorre no segundo país mais populoso do mundo, em sua novela “Caminho das Índias”. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"><strong>DALIT</strong> &#8211; Aproximadamente 194 milhões de cidadãos <em>(World Factbook, 2009), </em>número quase equivalente ao da população do Brasil, pertence ao grupo social dos chamados <strong>Intocáveis</strong>, na Índia. São pessoas maculadas pelo nascimento, em um ultrapassado sistema de castas que os considera impuros e inferiores a um ser humano(!). Eles se autodenominam <strong>dalits</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Para entender essa estranha realidade é necessário percorrer um pouco a cultura híndi. O sistema de castas da Índia é uma de suas características mais idiossincráticas. Foi implantado por volta de 1.600 antes da Era Comum, por uma classe de sacerdotes, os <strong>Brahmin</strong> da <strong>Dharma</strong> (conceito utilizado para definir a verdade universal no hinduísmo). Atribui-se a Manu, sobrevivente do mítico dilúvio, a fundação da antiga sociedade híndi sob estes moldes mitológicos.    </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"><img class="alignright size-full wp-image-2586" style="border: 0px;" title="om-mandala" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/om-mandala.jpg" alt="om-mandala" width="120" height="115" />A tradição classifica as pessoas em quatro “varnas” (categorias), conforme as partes do corpo da divindade védica, Purusha, de quem cada um dos grupos foi criado. De acordo com a antiga história hinduísta, <strong>varna</strong> e <strong>sistema de castas</strong> não representam a mesma coisa, embora estejam diretamente relacionados. As partes do corpo de Purusha definem a <em>varna</em>, que determinará a classe social designada para questões como com quem podem se casar e quais profissões podem exercer. Originalmente, o sistema baseava-se nas classes sociais e não na condição determinada pelo nascimento, o que permitia uma certa mobilidade.    </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">O conceito hindu posterior, baseado nos textos denominados <strong>Varnashrama dharma</strong>, fundamentou o sistema de castas determinado pelo nascimento. Não é, de acordo com as crenças, considerado um sistema artificial, mas referente a classificações naturais, aplicáveis a todas as sociedades humanas. Os indivíduos teriam tendências inatas diferentes para a execução de trabalhos que exigissem determinadas qualidades pessoais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Assim também, existiriam fases naturais na vida, “ashrans”, para a execução de certas atividades. O hinduísmo argumenta que os indivíduos melhor explorariam os seus potenciais considerando tais planos naturais. Por essa razão, a sociedade deve ser “estruturada” e “organizada”, fundamentando a tese de que cada <em>varna</em> e o <em>ashram</em> teriam o seu próprio <em>Dharma</em> pré-estabelecido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"><img class="alignleft size-full wp-image-2491" title="Purusha" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/purusha.jpg" alt="Purusha" width="281" height="394" />Os conceitos-chave do sistema de castas indiano, portanto, apresentam-se da seguinte forma: <strong><em><span style="color: #626f9d;">V</span><span style="color: #626f9d;">arnashrama-dharma</span></em></strong><span style="color: #626f9d;"> </span>– deveres a serem executados segundo o sistema de quatro <em>varnas</em> (as divisões sociais) e quatro <em>ashrans</em> (as etapas na vida). Quatro <strong><em><span style="color: #626f9d;">varnas</span></em></strong> – <strong>brâmanes</strong> (sacerdotes, professores e intelectuais), <strong>kshatriyas</strong> (polícia, exército e administração), <strong>vaishyas</strong> (agricultores, comerciantes e pessoas de negócios), <strong>shudras</strong> (artesãos e empregados domésticos). Quatro <strong><em><span style="color: #626f9d;">ashrans</span></em></strong> – vida estudantil, vida doméstica (incluindo o casamento), retiro e renúncia. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">O atento leitor certamente observou que toda esta descrição em momento algum abordou os <strong>dalits</strong>. E é exatamente neste particular que se justifica, de acordo com a tradição hinduísta, a sua inferioridade e a sua exclusão social.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">No mais provável intuito de manter a superioridade, os <em>brâmanes</em> fundamentaram o sistema de castas mais recente, por meio de analogia com o corpo da divindade Purusha.  Eles representariam a cabeça da sociedade (originam-se da boca e dos olhos), fornecendo a visão espiritual da sociedade e a instrução das pessoas. Os braços, utilizados para defender o corpo originaram os <em>kshatriya</em>, cuja função é proteger a sociedade. O dever principal do <em>vaishya</em> é a nutrição material (foram criados do ventre e das coxas de Purusha), e os <em>shudra</em> (parte inferior das pernas) apóiam todas as outras seções sociais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">E, novamente, aonde se encontram os dalits? Não, eles não estão inseridos em nenhuma sub-casta. Pertencem a um grupo que não integra o sistema de <em>varnas</em>, ou seja, não fazem parte da sociedade humana. A melhor analogia para definir o dalit é incansavelmente repetida pelo personagem conservador, Opash Ananda, interpretado pelo ator Tony Ramos, na novela <em>Caminho das Índias:</em> “os dalits são a poeira sob os pés de Brahma”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"><strong>ÍNDIA ATUAL</strong> &#8211; Desde 1950, a Constituição da Índia proibiu a discriminação contra os dalits. Apesar disso, o preconceito está presente, principalmente nas áreas rurais. Por serem considerados “impuros de nascimento”, esses chamados <em>intocáveis</em> executam os trabalhos mais humildes e são pessimamente remunerados. Nas cidades, os dalits trabalham como varredores de rua, limpadores de latrinas e de animais mortos. No interior do país, são empregados agrícolas assolados pela pobreza extrema, pelo analfabetismo e pela opressão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">A Índia, maior democracia do planeta, conta atualmente com 1,17 bilhão de habitantes <em>(World Factbook, 2009)</em>. Os dalits correspondem a 16,6% da população total do país. De acordo com dados oficiais e de organizações não-governamentais, 80% dos dalits vivem nas áreas rurais e 86% não possuem nenhuma propriedade. Do total, 60% executam trabalhos eventuais, ou seja, não têm um emprego fixo. Enquanto a taxa total de analfabetismo na Índia é de 39%, entre os dalits ela atinge 63%. As piores estatísticas, contudo, referem-se à violência: a cada 18 minutos, essa gente é vitimada por um crime. E, diariamente, 3 mulheres dalits são estupradas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"><strong><img class="alignright size-full wp-image-2503" style="border: 0px;" title="Sameera Reddy" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/sameera-reddy.jpg" alt="Sameera Reddy" width="260" height="355" />BOLLYWOOD</strong> &#8211; Apesar das produções da indústria cinematográfica de Mumbay já privilegiarem algumas tramas que denunciam o preconceito de castas na Índia, não há em Bollywood nenhum ator ou atriz dalit. O internacionalmente aclamado diretor Nagesh Kukunoor está produzindo um filme intitulado “Ye Hausla”, no qual são representadas as situações e as aflições de uma mulher dalit no Rajastão (a mesma província na qual é conduzido o enredo de “Caminho das Índias”). A atriz Sameera Reddy (foto) será a protagonista do filme.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Na política, os dalits contam com uma representante de destaque. Em 2007, Kumari Mayawati foi empossada pela quarta vez como governadora da província de Uttar Pradesh, localizada no norte da Índia. Nascida em Nova Delhi, Mayawati é exemplo raro de dalit que conseguiu se formar Bacharel em Direito e em Educação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">A democracia oferece o melhor caminho para que a representação dos dalits na política encontre meios de aperfeiçoamento das leis e da conduta de todos os cidadãos indianos. E a educação é a melhor arma para livrar as populações da ignorância e combater dogmas religiosos tão ultrapassados como os que impuseram o sistema de castas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Esperamos que um dia os dalits possam beber dos mesmos poços, ingressar nos mesmos templos, usar sapatos na presença de uma casta superior e beber das mesmas xícaras nas tradicionais lojas de <em>chai</em> (chá).<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma;"><strong><span style="color: #ffffff;">space</span></strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma;"><strong>NOTA IMPORTANTE:</strong> Alguns representantes da comunidade indiana no Brasil têm manifestado desacordo com o que afirmam ser exageros de Glória Perez, autora de “Caminho das Índias”, no tocante à real situação dos dalits. É verdade que o preconceito tenha diminuído sensivelmente nos centros urbanos mais desenvolvidos. Todavia, as informações constantes deste artigo, colhidas de fontes renomadas e fidedignas, apontam para um abismo de desigualdade entre as regiões indianas. Esse quadro não difere muito do brasileiro. Nos centros mais desenvolvidos, tanto no Brasil quanto na Índia, é possível identificar um padrão de vida quase escandinavo, enquanto que nas regiões mais pobres ainda se convive com tragédias sociais em moldes subsaarianos. A desigualdade, acompanhada de suas nefastas consequências, é a propriedade geográfica que mais aproxima o Brasil da Índia.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma;"><strong>FONTES DE PESQUISA:</strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma;"><strong><a href="http://news.nationalgeographic.com/news/2003/06/0602_030602_untouchables.html"></a>· </strong>NATIONAL GEOGRAPHIC: <a title="India’s “Untouchables” Face Violence Discrimation" href="http://news.nationalgeographic.com/news/2003/06/0602_030602_untouchables.html">India’s “Untouchables” Face Violence, Discrimination</a><br />
<strong><span style="color: #000000;"><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma;"><strong><a href="http://news.nationalgeographic.com/news/2003/06/0602_030602_untouchables.html"><img class="alignright size-full wp-image-2594" style="border: 0px;" title="logo_ng_141x45" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/logo_ng_141x45.gif" alt="logo_ng_141x45" width="141" height="45" /></a></strong></span></span>· </strong>DALIT FREEDOM NETWORK &#8211; <a title="Who are the Dalits?" href="http://www.dalitnetwork.org/go?/dfn/who_are_the_dalit/C64">Who are the Dalits?</a><br />
<strong>· </strong>DALIT INTERNATIONAL FOUNDATION &#8211; <a title="Vital statistics about Dalits" href="http://www.dalitinternational.org/About%20the%20Crusader/Vital%20Statistics%20About%20Dalits%20.html">Vital statistics about Dalits</a><br />
<strong>· </strong>THE WORLD FACTBOOK &#8211; <a title="India" href="https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/in.html">India</a><br />
<strong>· </strong>THE HEART OF HINDUISM &#8211; <a title="Dharma (Part 2): Varnashrama-dharma" href="http://hinduism.iskcon.com/concepts/108a.htm">Dharma: Varnashrama-dharma</a> </span></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<hr />
<div><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Tahoma; color: #9fb6cd"><span style="color: #000000;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Tahoma; color: #9fb6cd"><a title="The Economist: Soups, sex and sociology" href="http://www.economist.com/displayStory.cfm?story_id=13278424"><img class="size-full wp-image-2395 alignright" style="border: 0px;" title="The Economist" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/economist_logo.png" alt="The Economist" width="224" height="60" /></a></span></strong></span></span></strong> <span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma;"><span style="color: #ff0000;">TELEVISION BRAZIL</span></span></div>
<p><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: Tahoma; color: #9fb6cd"><span style="color: #000000;">Novelas, sexo e sociologia</span></span><br />
</strong><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999">Da revista The Economist | 12.MAR.2009</span><br />
<span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999">Tradução: Marcus Mayer</span><span style="font-size: 100%; font-family: Tahoma"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 100%; font-family: Helvetica"><strong><em>Mulheres que assistem às novelas têm menos bebês (porém, mais homens)?</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<div style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"><span style="font-size: 15pt; font-family: Helvetica; color: #9fb6cd"><strong>O </strong></span><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">glamourizado mundo retratado pelas telenovelas brasileiras é tão representativo no país quanto o foi Marie-Antoinette para as suas seguidoras, na França de 1780. Mas tem um alcance muito superior. Aproximadamente 40 milhões de pessoas assistem diariamente às novelas da Globo, principal rede de televisão do Brasil. As tramas, em boa parte das vezes, desenrola-se no Rio de Janeiro, onde a Rede Globo tem sua sede, cidade na qual as famílias são menores, mais brancas e mais ricas do que na média do país. Uma recente pesquisa sugere que a versão de Brasil vendida pela Globo tenha implicado duas tendências sociais importantes: a redução da taxa de natalidade e a aceitação do divórcio.</span></span></div>
<div><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"></span></div>
<p> </p>
<p><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"><span id="more-2391"></span><img class="alignleft size-full wp-image-2550" title="illustration-by-claudio-munoz" src="http://marcus-mayer.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/illustration-by-claudio-munoz.jpg" alt="illustration-by-claudio-munoz" width="240" height="292" />As telenovelas floresceram durante o regime militar, entre 1964 e 1985. Os generais subsidiaram vendas de televisores, com o objetivo de reforçar o sentimento de integração nacional ao grande e, por extensão, iletrado país. O noticiário nacional pretendia realizar esse serviço, mas foram as telenovelas que realmente conquistaram o público. Os roteiristas e diretores, muitos dos quais se alinhavam à esquerda política, vislumbraram um instrumento para alcançar as massas. As tramas das novelas muitas vezes abordam situações de linha progressista: a Aids é discutida, os preservativos são promovidos e são oferecidos exemplos da mobilidade social.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Todavia, qual é o impacto das telenovelas na vida real? De acordo com dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), pesquisadores observaram o alcance do sinal da Rede Globo de Televisão pelo país e o defrontaram com estatísticas sobre fertilidade e divórcio. *</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">O resultado referente à redução da taxa de natalidade é muito expressivo: o índice caiu de 6,3 crianças por mulher em 1960 para 2,3 em 2000, apesar dos esforços oficiais para redução da contracepção alcançar pouca gente naquele tempo. A opção por menos bebês foi tomada em grande parte por mulheres que migraram para as cidades. Os dados do BID sustentam que as pequenas e felizes famílias, retratadas pela televisão, contribuíram para esta tendência. Associada a outros fatores, a chegada da Globo contribuiu com um declínio de 0,6 pontos percentuais na probabilidade de uma mulher dar à luz em determinado ano. Isso equivalente proporcionalmente a dois anos a mais de instrução da mulher, associada à redução da taxa de natalidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">O efeito sobre o divórcio foi menor, mas é evidente. Os pesquisadores constataram que entre 1975, quando o divórcio começou a ser debatido, e 1984, um quinto dos principais personagens das novelas da Globo eram separados ou se divorciaram &#8211; uma porcentagem mais alta do que no Brasil da vida real. Os conflitos entre os casais não foram somente resultado de machismo: de meados da década de 1960 até meados dos anos 1980, aproximadamente 30% dos principais personagens de atrizes das novelas foram infiéis aos seus parceiros. Os pesquisadores constataram que a chegada da Globo a uma determinada região está associada com uma elevação de 0,1 a 0,2% na decisão de mulheres entre 15 e 49 anos se separarem ou se divorciarem. Os autores estimam que as divertidas e “poderosas” mulheres, retratadas principalmente no Rio de Janeiro, tenham influenciado outras a assumirem vidas mais independentes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica">Outra pesquisa aponta que o divórcio e a baixa fertilidade contribuíram para a redução da violência doméstica. Assim, a influência de telenovelas pode ser muito mais positiva do que estimam críticos que as classificam como futilidade. A Globo poderia abordar, por meio da sedução de suas novelas, outros temas importantes como a reforma fiscal, permitindo que a transformação do Brasil seja ainda mais completa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 110%; font-family: Helvetica"><span style="font-size: 8pt; font-family: Tahoma; color: #999999"><span style="color: #000000;">*</span><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;"> “</span>Television and Divorce: Evidence from Brazilian Novelas,” by Alberto Chong and Eliana La Ferrara (January 2009) and “Soap Operas and Fertility: Evidence from Brazil,” by Eliana La Ferrara, Alberto Chong and Suzanne Duryea (October 2008).</span></span><span style="font-size: 100%; font-family: Tahoma;"><span style="color: #000000;"> </span></span></span></p>
<p> </p>
<p></span></p>
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