Posts Tagged Liberalismo
Que prisma é esse?
Posted by Marcus Mayer in Do editor, Filosofia, Liberalismo, Política, Sociologia on August 2nd, 2009
Enquanto na física o prisma é definido como um poliedro de seção triangular, que tem a propriedade de decompor a luz branca em espectro de cores, o nosso prisma é dotado de sentido figurado e representa um ponto de vista, um modo de considerar algo.
O mundo visto por um prisma liberal, nem sempre, é entendido como gostaríamos. E isso é bastante compreensível, sobretudo considerando a conotação errada e negativa que a palavra liberal tem recebido.
Associa-se o liberalismo – de forma incorreta – à defesa dos interesses dos mais ricos, das camadas mais privilegiadas da população, dos empresários. Os liberais costumam ser confundidos com conservadores egoístas, com privatistas sem escrúpulos, com inimigos dos pobres. Observa-se essa óptica na América Latina e na Europa.
Nos Estados Unidos, de contrapartida, os liberais são comumente taxados de socialistas, adversários da iniciativa privada. Seus princípios estariam à serviço de incentivadores do aborto, do livre uso de drogas, do casamento entre gays, dos defensores do modelo de economia planificada, estatal.
Achamos que o momento seja pertinente para esclarecer o significado do “nosso” prisma liberal. A eleição do democrata (ou liberal?) Barack Obama, nos Estados Unidos, e o governo popular (ou antiliberal?) de Lula da Silva, no Brasil, costumam confundir o observador comum. Exceto estudiosos de ciências políticas ou sociais, naturalmente, ninguém é obrigado a conhecer as ideologias em detalhes.rcus-mayer.com
space
Um convite à liberdade
por Marcus Mayer
exclusivo para o Blog | Domingo, 2 de agosto de 2009
Segundo o historiador inglês Eric Hobsbawn, autor de A era dos extremos, o século 20 teria começado com a Grande Guerra, em 1914, e terminado com o colapso da União Soviética em 1991, o último dos grandes impérios a desaparecer. Para outros, o século foi mais curto: teria começado com a Revolução Comunista em 1917, para terminar com a Queda do Muro de Berlim em 1989. Nesse interregno, a democracia liberal enfrentou adversários de peso, representados pelas figuras de três carniceiros: Stalin, Hitler e Mao Tsé-Tung.
Na América Latina, durante o século passado, convivemos com caudilhos e ditadores. De Vargas e Perón a Pinochet e Fidel, para ficar somente em alguns exemplos mais emblemáticos. No Brasil, tivemos ainda duas décadas de repressão comandadas pelos militares, a partir de 1964.
Com a extinção do mundo bipolar da Guerra Fria, o antigo conflito entre capitalismo e comunismo chegou ao fim. Naturalmente, não nos esquecemos do mundo asiático com suas várias modalidades de autoritarismo confuciano; e não queremos descartar o mais grave problema do mundo islâmico, o qual não consegue separar a religião da política.
Felizmente, a era de extremos – entre direitas e esquerdas – está definitivamente encerrada. Já se respiram ares de mais liberdade em torno do globo, apesar dos reconhecidos problemas ainda enfrentados pela humanidade, nesse começo de terceiro milênio da Era Comum.
Mesmo assim, restam ainda alguns saudosistas. São aqueles que insistem na tentativa de reviver teorias políticas ultrapassadas e investem no radicalismo, no belicismo, no choque entre as civilizações – como diria Samuel Huntigton.
Os atentados do 11 de Setembro, nos Estados Unidos, serviram de justificativa para a ascensão da chamada doutrina Bush. Os radicais islâmicos conseguiram aterrorizar o mundo e jogaram combustível no conservadorismo cristão norte-americano e dividiram opiniões na velha Europa. O idealismo multilateral das Nações Unidas, que se esperava vitorioso no final do século 20, foi substituído pelo unilateralismo e pela arrogância do governo republicano de George W. Bush.
Enquanto isso, na América Latina, depois de experiências neoliberais ensaiadas nos anos 1990 – que não conseguiram exterminar a miséria no continente –, o populismo e o autoritarismo retornaram ao poder em diversos cantos, agora sob novo título de socialismo do século 21.
Depois desse brevíssimo giro histórico, gostaríamos de apresentar um pouco da nossa noção de liberdade e liberalismo para o mundo.
Primeiramente, desejamos deixar claro que o liberalismo não deve jamais ser confundido com socialismo. E também não deve ser entendido como ideologia a serviço de grupos privilegiados. O liberalismo desse século 21 se opõe, sim, ao populismo e à tirania.
Para simplificar a compreensão da localização de nosso pensamento no atual espectro ideológico, utilizamos uma vez mais uma adaptação do diagrama de Nolan, na ilustração ao lado. Observe-se que o esquema se divide em cinco campos: no alto o liberal, abaixo o nacional-estatista, à esquerda o social-democrata, à direita o campo conservador, e entre essas quatro tendências, o centro.
O nosso prisma liberal é pacifista e defensor da conservação do meio ambiente. É multilateralista e plenamente laico. É respeitador da total liberdade de expressão e incentivador da integração econômica dos povos. Por outro lado, não tolera ditaduras, xenofobia, populismo, preconceito, estatismo e fanatismo religioso.
No intuito de permitir uma melhor compreensão destas noções teóricas, propomos a análise de alguns temas frequentes e de grande relevo em nosso cotidiano. A abordagem prática possibilitará um entendimento claro dos valores que nos são caros ao defender uma ideologia. Assim, convidamos o leitor a refletir conosco sobre questões interessantes, que interagem em nossas vidas.
Comecemos com assuntos bastante polêmicos:
ABORTO – Acreditamos que a decisão não deva ser do estado, mas exclusivamente da mulher. Não estamos de acordo com a proibição, nem desejamos incentivar mulheres que se opõem ao aborto a praticá-lo. No nosso ponto de vista, deveríamos seguir o exemplo dos países mais desenvolvidos e descriminalizar a prática.
Mais a respeito de nossa opinião sobre este tópico, pode ser encontrado no artigo A democracia e o estado laico, publicado no último ”Dia Internacional da Mulher”.
DROGAS – Distintamente da maioria dos libertários, não acreditamos que o livre uso de drogas esteja incluso no rol dos nobres direitos individuais. No entanto, não consideramos o dependente criminoso. Achamos que o vício deva ser tratado como doença. Na teoria, poderíamos até concordar com o argumento de que cada um é livre para fazer o que desejar com o seu próprio corpo, até mesmo destruí-lo. Receamos, todavia, que as populações mais carentes, principalmente aquelas que se viciam rapidamente no crack pelas ruas das grandes cidades, possam se tornar vítimas do excesso de liberalização. O mesmo se aplica aos jovens endinheirados que, em algumas baladas e raves, se envenenam com drogas sintéticas.
CASAMENTO GAY – Essa é uma questão de âmbito estritamente pessoal e o estado em nada deve se intrometer na orientação sexual do cidadão. Trata-se aqui, da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Achamos que homossexuais devem gozar dos mesmos direitos de qualquer outra pessoa. Naturalmente, o liberal não espera incentivar homens a trajar vestidos de noiva nem mulheres a usar terno e gravata. Isso nada tem a ver com o assunto. Também no que concerne à adoção, achamos que todos têm os mesmos direitos e obrigações. Vale ressaltar uma vez mais que nenhum tipo de preconceito combina com o liberalismo.
LIBERDADE DE EXPRESSÃO – A defesa desse valor é dos mais caros ao liberal. Tanto os cidadãos quanto a imprensa devem ter total liberdade para expressarem opiniões. A censura é antidemocrática e serve somente ao autoritarismo. Todavia, estabeleçamos aqui um único limite: a liberdade de expressão não deve jamais ser utilizada para fazer apologia ao crime, ao racismo ou ao preconceito, até mesmo no “território livre” da Internet.
DEMOCRACIA – É impossível ao liberal identificar-se com qualquer tipo de ditadura ou tirania, seja de direita, de esquerda ou religiosa. Tal qual a liberdade de expressão, a democracia está entre os valores indissociáveis ao liberalismo. Condenamos o uso de instrumentos democráticos, como o plebiscito e o referendum, para justificar a centralização de poderes que, indubitavelmente, remetem a uma ditadura.
MITOLOGIA – O liberal garante a liberdade religiosa, mas a separa plenamente do estado. As religiões podem ser ensinadas nas igrejas, mas não como doutrinação em escolas. Além disso, preferimos que símbolos religiosos fiquem distantes das salas de aulas, respeitando-se a diversidade cultural. O mesmo se refere à frequente imposição de religião aos povos silvícolas.
ARMAS DE FOGO – Nesta questão, nós nos diferenciamos da maioria dos liberais, ou seja, somos uma minoria, que considera o uso de armas de fogo exclusividade do estado. Sob nosso prisma, a segurança dos cidadãos deve ser responsabilidade plena do estado. Não encontramos justificativa para o uso particular, exceto no caso de especialistas, treinados para tal no exercício de suas profissões, e também na prática de esportes. Se quem nos lê não concorda com essa opinião, ao menos aqui, é mais liberal que nós.
SAÚDE E EDUCAÇÃO – Ideal seria se todos tivessem a possibilidade de escolher o hospital e a escola mais adequados as suas necessidades e pudessem remunerar os serviços recebidos. Entendemos, contudo, que essa ainda não é a realidade da maioria das pessoas. Assim, reservamos mais uma atribuição ao estado: garantir saúde e educação para as populações que ainda dependam do auxílio estatal.
GARANTIAS TRABALHISTAS – Na nossa óptica essas garantias deveriam ser estabelecidas exclusivamente em contrato, firmado entre empregado e empresa. A regulamentação pode servir, contudo, àquela faixa de trabalhadores desprotegidos e incapazes de estabelecer garantias que não os tornem reféns dos empregadores. Aqueles que o desejassem, porém, deveriam ter a liberdade de negociar salários, férias, licenças, horas-extras, turnos, bônus, assistência médica etc., como melhor lhes coubesse, sem a interferência estatal.
RENDA MÍNIMA – Para expor de forma simples o nosso ponto de vista, tomamos o exemplo do programa Bolsa Família, do governo brasileiro. Seria desumano criticar um esforço estatal que oferece, em média, 90 reais mensais a famílias miseráveis. Consideramos, entretanto, imprescindível associar ao programa estatal meios para retirar as populações definitivamente da pobreza. Ninguém deveria se tornar refém de “esmolas” de políticos populistas.
Um ótimo exemplo de iniciativa governamental que deu certo foram os esforços da Coréia do Sul: no intervalo de três décadas, o país transformou radicalmente a sua economia. Por meio de maciços investimentos em educação, ciência e tecnologia, retirou a população da pobreza, transformando a pequena península asiática na 15ª economia mundial, com renda per capita acima de 25 mil dólares.

FILANTROPIA – Alguns liberais ortodoxos consideram a filantropia um convite à preguiça. Não comungamos desse pensamento e vislumbramos a generosidade como alternativa à excessiva presença do estado em algumas áreas. Leve-se em conta o exemplo das melhores universidades americanas, que recebem generosas doações de seus ex-alunos. Esse tipo de caridade permite ao estado economizar recursos públicos e destiná-los, por exemplo para a educação de base.
IMPOSTOS – Mesmo os liberais mais acirrados à doutrina sabem que o estado não sobrevive sem arrecadar impostos. Todavia, quanto menor a quantidade de impostos que se pagam ao governo, mais dinâmica se torna a economia. Sobra mais dinheiro em circulação para os cidadãos e para as empresas e seus empregados. Mas para isso, o estado precisa ser enxuto. No nosso ponto de vista, a folha de pagamentos estatal deve servir somente para remunerar atividades nas quais a iniciativa privada não esteja presente.
FUNCIONALISMO PÚBLICO – Pode ser eficiente e bem remunerado, se em número adequado (extraordinariamente reduzido) e atuando somente nos serviços essenciais. Funcionários públicos devem ter os mesmos direitos e obrigações que empregados do setor privado. Não podem ser cidadãos privilegiados nem de segunda classe.
BUROCRACIA – A burocracia é inimiga do liberalismo e do desenvolvimento. Quanto menor a burocracia mais livre é a sociedade e mais eficientemente funciona a economia.
LIVRE CONCORRÊNCIA – O protecionismo e a reserva de mercado – não importando se executados por países ricos ou menos desenvolvidos -, é sempre prejudicial para a economia. Liberais não protegem nem privilegiam determinados setores produtivos. Consideram a concorrência extremamente saudável para a elevação da qualidade e para a redução dos preços.
PRIVATIZAÇÕES – Naturalmente, para contrastar os argumentos pró e contra as privatizações, preferiríamos elaborar um texto mais detalhado. Afinal, trata-se de uma questão que sofre campanhas difamatórias por parte de estatistas mais radicais. Contudo, para resumir nossa óptica liberal, defendemos a privatização em todas as áreas nas quais a iniciativa privada pode ser mais eficiente que o estado. Isso, naturalmente, não se limita aos setores de telefonia ou de mineração, que já comprovaram enorme sucesso ao redor do mundo, e sobretudo no Brasil, mas pode ser adequada aos portos, aeroportos, presídios, estradas, ferrovias, bancos, estádios esportivos etc.
AGÊNCIAS REGULADORAS – O nome pode assustar os liberais, mas reconhecemos a importância de determinados controles. Além da defesa dos consumidores, é necessário garantir a livre concorrência e evitar a criação de monopólios e cartéis. Porém, essas instituições precisam ser totalmente independentes da influência governamental para que cumpram corretamente o papel que lhes é reservado.
RELAÇÕES INTERNACIONAIS – Desejamos a plena integração econômica e comercial, como meio de alcançar a paz e a prosperidade entre os povos. Acreditamos nas instituições multilaterais como as Nações Unidas e a Organização Mundial do Comércio. Não identificamos no embargo imposto a países governados por tiranos (p.ex.: Cuba, Coréia do Norte, Irã) meio eficaz de combate à ditadura. Países que mantém relações comerciais tendem a ser mais contidos, até nos mais tumultuados conflitos diplomáticos, exatamente porque mantém relações comerciais (p.ex.: Venezuela e Estados Unidos). O comércio é um meio eficaz para evitar a guerra.
Certamente, existem muitos outros pontos que poderiam ser considerados, mas acreditamos ter exposto temas de interesse geral que esclarecem bem razoavelmente o nosso prisma liberal.
Nossas prioridades na atuação política são sempre dirigidas aos povos mais necessitados – seja do Brasil, seja do mundo. Não importa se é o estado ou a iniciativa privada que atuarão. Cada um tem a sua atribuição. E um não anula a presença ou a responsabilidade do outro. Combatemos, contudo, os excessos. O radicalismo não é saudável, nem se for sob a óptica dos princípios liberais.
Infelizmente, o liberalismo é uma filosofia, algumas vezes, mal entendida e desvirtuada por seus opositores. Esperamos que, no futuro, quando alguém classificar o liberal como reacionário, elitista, preconceituoso ou, unicamente, defensor dos interesses das classes ricas, você, leitor, tenha argumentos para rebater.
Lembremo-nos também que existem pessoas boas, bem intencionadas, integrando todas as ideologias democráticas. O nosso prisma é constituído de princípios puramente liberais, mas também de pontos que julgamos positivos em outras linhas de pensamento: a social-democracia, a terceira via, o conservadorismo, o ambientalismo etc. O mesmo não se aplica aos aliados e sectários de ditaduras ou tiranias corruptas e racistas.
Àqueles que ainda se debatem radicalmente na defesa de ideologias, seja à direita ou à esquerda, avisamos, simplesmente, que o século 21 já chegou.
Na ilustração: Martin Luther King, Mohandas Gandhi, Roberto Campos, Sérgio Vieira de Mello, Mario Vargas Llosa, Alvaro Vargas Llosa, Al Gore, Konrad Adenauer, Ronald Reagan, Margareth Thatcher, Adam Smith, Alexis de Tocqueville, Jean-Jacques Rousseau, Friedrich Hayek e Ludwig von Mises.
Conversa com bloggers
Posted by Marcus Mayer in América Latina, Do editor, Liberalismo, Sociedade on April 2nd, 2009
Esta página acaba de completar dois anos na Internet. No primeiro comentário conferido, um amigo da USP, médico psiquiatra, registrava votos de “vida longa” ao blog. Permanecemos viventes. Para comemorar o aniversário, iniciei a redação de um post que abordaria temas sobre a conjuntura brasileira e mundial. No último instante, mudei de idéia. Ainda aguardo pelo resultado da reunião do G20 em Londres. Assim, decidi por uma breve conversa com bloggers, além de destacar um tema que está em discussão no STF, a liberdade de imprensa.
mayer
Naturalmente, você já observou que a sidebar dos blogs contém uma lista de páginas afins. Então, nesta nossa conversa, dou partida com uma pergunta: você procura conhecer esses links?
Ontem, navegava pela página de Alvaro Vargas Llosa, do Independent Institut (link que mantenho desde o início), para conhecer o seu ponto de vista em relação às últimas medidas de Barack Obama. Explorando as conexões da página original, acabei por ancorar num texto a respeito da blogger cubana, Yoani Sánchez, na página de Andrés Durán, da República Dominicana.
Você talvez já tenha ouvido falar dela: Yoani foi vencedora, no ano passado, do prêmio Ortega y Gasset, que lhe rendeu 15 mil euros. Os posts de seu blog chegam a registrar em média entre 100 e 150 mil leitores. Ela escreve de Havana, a capital de Cuba, enfrentando a censura da ditadura dos irmãos Castro.
Não pretendo me alongar nos detalhes sobre sua trajetória, para não estragar a surpresa contida no interessante texto de Durán, que consta traduzido, abaixo.
Uma segunda questão que gostaria de incluir em nossa conversa refere-se à tecnologia. Antes de adquirir meu monitor atual, tinha um modelo de 17”. Foi substituído por um de LCD 22” widescreen (1680×1050 pixels), que qualifico como espetacular. Todavia, quando o instalei e visitei meu blog, percebi que a página estava ultrapassada. As fontes, o banner superior, tudo estava muito reduzido. Outros blogs, que antes não cabiam na tela, passaram a ser muito melhor visualizados. Foi quando resolvi trocar o layout. Aproveito o gancho para perguntar: qual é o tipo do seu monitor e que navegador de Internet você usa em seu computador? Você também estranha a diversidade na qualidade do layout dos blogs – alguns com colunas principais muito estreitas e outros extremamente largos?
Nos últimos dias, instalei o recém lançado Internet Explorer 8. Tive uma boa surpresa: o navegador amplia automaticamente a dimensão de algumas páginas. Curiosamente, por meio dessa ferramenta do IE8, fiquei sabendo que a tecnologia deste blog já está novamente ultrapassada.
Não sei se você notou, mas na parte superior da página, à direita, há um recurso que permite ampliar o tamanho das fontes, conferindo maior conforto à leitura. Você utiliza a ferramenta? Eu me habituei a usá-la, não somente na minha, mas em outras páginas que também oferecem o recurso. Interrompa um pouco a leitura e faça o teste.
A comodidade sempre foi uma de minhas prioridades. Prefiro carros confortáveis aos esportivos, mesmo que estes últimos tenham melhor desempenho. Isso também vale para as viagens aéreas. Upgrades na classe executiva sempre fizeram a minha festa. Assim, para navegar calmamente e ler os textos em seus detalhes, a ferramenta que adapta o tamanho das fontes acaba sendo bastante útil para ampliar o prazer da leitura.
Retornando àquela questão inicial, sobre as sugestões de blogs, decidi pela substituição de seus títulos por mini-banners. O que você achou da iniciativa? Se você é o editor de algum deles e não gostou do design, sinta-se à vontade para reclamar.
Permita-me uma breve apresentação de alguns links:
Vou começar pelos blogs do jornalismo profissional, que não exigem nenhuma descrição mais detalhada, pois são conhecidos e reconhecidos em seus trabalhos: Sônia Racy, Lúcia Hippolito, Josias de Souza, Ricardo Noblat são excelentes fontes jornalísticas. Nesse grupo, destacaria o blog de Carlos Alberto Sardenberg, no G1. Estou lendo o seu livro, “Neoliberal, não. Liberal”. Clique na imagem ao lado para ler a resenha e o primeiro capitulo da obra. Certamente, você não se arrependerá!
Como fã da Fórmula 1, tenho duas recomendações interessantes: os blogs de Alessandra Alves, comentarista da Band AM/FM, e de Felipe Maciel, um jovem muito talentoso. Alessandra inclui a graça feminina em seus posts; Felipe escreve diariamente, inclusive durante o recesso das temporadas de F1, sobre tudo o que realmente interessa aos apreciadores do esporte, com notícias de bastidores e opiniões sempre muito coerentes.
E como bom liberal, envolvido nos assuntos de interesse global que tratam da conservação do meio ambiente, tenho acompanhado a ótima coluna de Andréa Vialli, jornalista do Estadão.
No campo das questões nacionais, gostaria de oferecer destaque a mais alguns editores independentes, ou seja, sem vínculo jornalístico profissional:
Neste grupo está um jovem advogado de Curitiba, Fábio Mayer (apesar da coincidência no nome, não somos parentes). No blog que leva seu nome – e admiro isso -, Fábio sabe expor os fatos que interessam ao nosso cotidiano político, com muita consistência argumentativa. Nas entrelinhas de seus textos, não esconde um certo apreço pelo presidente da República, Lula da Silva. Mas é, sobretudo, um fervoroso crítico da corrupção.
Ricardo Rayol é editor do blog “Jus Indignatus”. Seus textos são breves e expostos no formato de pequenos blocos, de leitura agradável e dinâmica. É um “Diogo Mainardi sem censura”. Já disse a ele que mereceria uma cadeira no programa Manhattan Connection, da GNT. Rayol conta em seu blog com a assessoria de alguns personagens imperdíveis: o repórter e analista político Glênio Gangorra, o mago esotérico mais oportunista da atualidade, Heitor Caolho, o especialista em moda Hugo Toso, entre outros, sensacionais!
Outro blog político que costumo visitar é o “Saí-Verde, Saí-Tucano, Tem-Tem” (título curioso!), de Gonçalves. Nesta página você encontrará um verdadeiro opositor ao governo atual, e sem papas no teclado. Falando em oposição, incluí na lista um banner do blog Democratas. Não é somente propaganda partidária que se encontra por lá, mas um meio de acompanhar a atividade política e parlamentar daqueles em quem votamos. Todavia, muito melhor que com palavras, as charges e cartoons de Sponholz expressam com talento e humor, a realidade política brasileira. Não posso deixar de fora desse grupo o jovem e intelectualizado “libertário”, Rodrigo Constantino, membro dos institutos Liberal e Millenium. Seus artigos são primorosos.
Por que incluí todas essas descrições na conversa? Não sei se esta também é a sua impressão, mas a quantidade de blogs brasileiros realmente bons é muito escassa (refiro-me aos não-profissionais), sobretudo no métier político, econômico e internacional. Você concorda com essa opinião? Se puder, sugira algum blog que considere realmente interessante e inteligente.
Mas um ainda está faltando. É o blog do amigo Ron Groo. O tema principal de sua página é a Fórmula 1. Todavia, a característica marcante deste blogger de primeira é o humor e a irreverência, na melhor acepção da palavra. É preciso conhecê-lo para entender o seu estilo simples, porém, extremamente perspicaz ao analisar o cotidiano, e, muito divertido nos contos de sua autoria, publicados no blog.
Para terminar o bate-papo, gostaria de pedir mais um auxílio. Refere-se novamente ao do layout desta página. Você acha que eu deveria incluir ou retirar alguma ferramenta ou informação da coluna direita do blog? E seria adequado alterar o tamanho da fonte (Helvetica) dos textos? Sinta-se a vontade para criticar ou sugerir mudanças que sirvam para aprimorar.
Agora, não desista e continue a leitura pelo artigo de Andrés Durán, que segue. Garanto que valerá a pena.
Tenha um ótimo dia ou uma ótima noite!
NOTA IMPORTANTE: Nem todos os editores de blogs que constam de minha lista de links ou dos mini-banners foram citados neste texto. Estou certo de encontrar oportunidades futuras para destacar seus esforços.
REPÚBLICA DOMINICANA
Blog de Yoani Sánchez sobrevive sem Internet
Por Andrés Durán | Blog Bono Cimarrón
Pensamiento Crítico | Santo Domingo
Traduzido e adaptado por Marcus Mayer
Em março de 2008, ofereci destaque ao blog de Yoani Sánchez, Generación Y, por causa da admiração e do respeito que inspira. Esta é, provavelmente, a mídia alternativa mais importante de Cuba. O blog é “made in Cuba” e apresenta até 5 ou 6 mil comentários em alguns de seus posts – o que reflete algo entre 100 e 150 mil leitores.
Precisamente em 7 de maio de 2008, Yoani recebeu o Prêmio Ortega y Gasset de jornalismo digital, com uma gratificação de 15 mil euros. Isso é muito dinheiro, sobretudo, em se tratando de uma cubana, residente em Havana.
O evento causou tal repercussão em Cuba, que até Fidel Castro referiu-se à Yoani no prefácio de uma nova edição do livro “Fidel, Bolívia e algo mais …”. Todavia, a invejável audiência, o dinheiro e as referências diretas de Fidel não são o mais importante a sustentar Yoani, esse fenômeno da comunicação.
O mais extraordinário é que consiga se sobrepôr com um sucesso sem precedentes contra a propaganda governamental, a burocracia do autoritarismo e a intolerância. O domínio desdecuba.com, onde é hospedado o seu blog, está bloqueado na maioria dos servidores ISP do seu país. Ainda assim, ela consegue atualizá-lo e divulgá-lo de forma eficaz.
Seus posts são enviados via eMail para outra pessoa, com privilégios de administrador do site, para atualizar o seu blog. Por sua vez, essa pessoa lhe envia as centenas de comentários deixados pelos leitores.
A distribuição do conteúdo do blog – suponho que seja feita de forma clandestina –, ocorre por meio da gravação em CD (veja foto) que vai de mão em mão, ou seja, por uma rede de cidadãos que andam pelas ruas de La Habana e outras províncias, e não pela rede que constitui a Internet.
À margem de admirar qualquer aspecto positivo do processo revolucionário cubano, os princípios da democracia e da liberdade de expressão são inegociáveis.
Sou muito sensível em relação à situação de Yoani, pois observo em seu caso uma estreita relação com a situação dos meios de comunicação na República Dominicana. Aqui a coerção é um tanto mais sutil. Falando claramente, acontece por meio da autocensura imposta pela publicidade governamental, pelo aliciamento político na linha editorial, pela troca de favores, todas razões espúrias, que fazem o jogo da propaganda governamental. Além de rentável, este é um caminho fácil para a apropriação de dinheiro do erário.
Apesar disso, nós que moramos aqui na República Dominicana, vivemos uma situação menos dramática que em Cuba, graças a uma parcela de profissionais de emissoras de radio que mantém a ética jornalistica acima de tudo, e, principalmente, por poder dispor da Internet.
Em último caso, se os escritórios oficiais goebbelianos (ou stalinistas: nota do tradutor) interferirem em tudo, até no ar que respiramos, ainda existirá a irredutível alternativa de criar uma rede de cidadãos, como o fez Yoani em Havana.
O bloqueio ao domínio desdecuba.com implicou a greve de fome empreendida em 2006 pelo jornalista Guillermo Fariñas (El Coco), diretor da agência de notícias independente Cubanacan Press. Este ativista político, contrário ao regime cubano, exigiu do governo o mesmo direito que é concedido aos privilegiados pelo regime, de poder ter acesso à Internet em sua casa. “Se meu destino é ser um mártir da liberdade de expressão e conexão à Internet, morrerei tranqüilo”, afirmava Fariñas na época.
Espero que a administração de Raúl Castro seja o início da restauração da liberdade e do respeito aos direitos humanos, sem os quais não adiantam avanços educacionais, culturais, esportivos ou de saúde pública para o povo cubano. Que permita o estabelecimento de um sistema democrático, totalmente independente de interesses externos e da antiga oligarquia que convivia com o regime de Fulgêncio Batista.
Clique aqui para visitar o blog Generación Y, de Yoani Sánchez
Para as mulheres, com carinho
Posted by Marcus Mayer in Legislação, Liberalismo, Sociedade on March 8th, 2009
E para os homens que têm a obrigação de conhecer adequadamente o tema.
O debate acerca da descriminalização do aborto e dos limites que dogmas religiosos devem respeitar no âmbito do estado laico, foi reacendido com o evento da menina brasileira de 9 anos, que se submeteu à interrupção de uma gravidez, e da ingerência de um arcebispo da Igreja Católica no assunto.
Coincidentemente, o fato que se originou em Pernambuco, no nordeste brasileiro, alastrou-se pela mídia mundial, durante a semana que antecedeu o Dia Internacional da Mulher.
O artigo a seguir é uma homenagem às mulheres latino-americanas e àquelas dos países pobres ao redor do mundo, contra as quais ainda é imposta uma lei que as submete a sérios danos à saúde e ao risco de perder a vida.
No Brasil, essa legislação implica a segunda maior ‘causa mortis’ entre mulheres jovens (na faixa dos 14 aos 22 anos de idade) e a terceira entre o total de mulheres, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A democracia e o estado laico
por Marcus Mayer*
exclusivo para o Blog | Domingo, 8 de março de 2009
O aborto aborto não é um assunto agradável e sua ação não entusiasma ninguém. Muito pelo contrário, a circunstância determina uma decisão difícil e quase sempre traumatizante às mulheres que se vêem diante da possibilidade de necessitar do recurso.
Não é absolutamente proveitoso discutir se o embrião de poucas semanas deve ser considerado um ser humano – dotado de alma, segundo os que acreditam – ou um inchaço abdominal que sugere um projeto de vida. Esse debate não encontra respaldo científico definitivo e as crenças religiosas atuam exclusivamente no campo da mitologia.
O que realmente importa é eliminar de antemão a falácia dos argumentos antiaborto que são apresentados como se a sua prática não existisse e só passasse a ocorrer a partir do momento no qual uma lei o aprovasse. Não se pode confundir sob nenhuma hipótese a descriminalização do aborto com o seu estímulo ou a sua promoção.
A realidade demonstra que o aborto existe desde os tempos mais remotos – e continuará ocorrendo independentemente de lei que o tolere ou não. A legislação dos países mais desenvolvidos e laicos permite à mulher interromper a gravidez em condições de segurança, atendendo plenamente aos cuidados e aos requisitos da medicina.
Isso não acontece onde a prática é considerada ilegal, mas atinge exclusivamente as mulheres pobres. Para as demais, àquelas que dispõem de recursos, não existem obstáculos eficientes e a lei também não as impede de viajarem para países nos quais o aborto é permitido. A própria legislação acaba elevando os custos nos melhores consultórios, dados os riscos legais e médicos, de uma intervenção relativamente simples, que poderia ser pouco dispendiosa.
Por outro lado, aos seguidores mais fiéis de dogmas religiosos, uma legislação liberal como a existente na União Européia não obrigaria uma mãe a abortar jamais. Essa determinação ocorre na China e aconteceu durante o governo de Indira Gandhi, na Índia, como estratégia governamental para reduzir o crescimento populacional (os dois países ultrapassam a cifra de 1 bilhão de habitantes cada um).
É muito respeitável a convicção daqueles que sustentam, guiados pela crença, que o nasciturus (termo jurídico que designa o ser, desde a concepção até o nascimento) já seja um ser humano imbuído de direitos, e cuja existência deve ser respeitada, independentemente dos dogmas católicos.
Todavia, o problema que se espera solucionar por meio da legislação que deixe de considerar criminoso o ato de interromper uma gravidez indesejada está diretamente relacionado aos direitos da mulher. A questão está entre aceitar se o direito de decidir se um filho é desejado cabe à mulher ou à autoridade política.
Também não se discute aqui se a consciência preventiva deveria existir antes da concepção, mas a realidade prática de sua consequência. Em nenhuma hipótese uma legislação descriminalizante implicaria a não importância da adoção de métodos anticoncepcionais, naturais ou artificiais, bem como a educação sexual e as campanhas de controle de natalidade.
As leis de países que permitem o aborto estabelecem prazos máximos para praticá-lo (que variam entre a décima segunda e a vigésima quarta semana) e obrigam a um período de reflexão entre a decisão e o próprio ato.
O fato que repercutiu na imprensa mundial, originado na menina de 9 anos, autorizada pelo estado a praticar o aborto dentro dos limites impostos pela lei vigente, que já permite a interrupção da gravidez em casos de estupro e risco de morte da mulher, foi a manifestação de um arcebispo da Igreja Católica, o qual, sustentado pelo Vaticano, sobressaiu a excomunhão da equipe médica e de sua mãe. Seguindo o que está prescrito no Direito Canônico, o representante da Igreja foi coerente e não cabe aqui questionar a sua fé.
De grande relevância, porém, destacamos a relação entre a Igreja e a democracia. A Igreja Católica não é uma instituição democrática e nem poderia sê-lo. Exceto o budismo, que mais se enquadra como uma filosofia, nenhuma religião é democrática. As verdades que defende são absolutas, provêm de um Deus, e, a transcendência e seus valores morais não são objeto de transações nem de concessões em matéria de valores e verdades opostas.
Os tempos da Inquisição e as imposições do Talibã talvez sejam os exemplos de maior visibilidade e os mais radicais da intolerância religiosa. Essa, felizmente, não é mais a preocupação em torno da questão, sobretudo, no mundo desenvolvido dos dias atuais.
A separação entre Igreja e estado foi uma das grandes conquistas da democracia e da república. A ampliação da secularização, cedo ou tarde, permitirá avançar e terminará por se impor na América Latina, incluindo o Brasil, e também em outros recantos menos desenvolvidos do planeta. Uma vez mais, os direitos da mulher dependem das conquistas do desenvolvimento econômico e social das nações.
Reproduzimos abaixo trechos do artigo “Ponto de Vista“, originalmente publicado no dia 25 de abril de 2007, neste blog. Atualizamos as estatísticas, o mapa e as informações do texto original:
Na América Latina, região na qual o aborto continua proibido na grande maioria dos países¹, estima-se que morram, por ano, cerca de 10.000 mulheres em função de complicações causadas pós-aborto, entre as 4 milhões que se submetem ao procedimento, de acordo com estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde). Por tratar-se de prática não autorizada por lei, mulheres recorrem a clínicas clandestinas, em condições precárias e inadequadas, e muitas, entre aquelas que escapam da morte, acabam sofrendo lesões irreversíveis.
Especialistas estimam que somente no Brasil ocorram, anualmente, 1 milhão de casos de interrupção de gravidez. De acordo como o Ministério da Saúde, as complicações pós-aborto são a 4ª causa de morte de mulheres no país e a curetagem (coleta de restos de tecidos do útero) é o segundo procedimento obstétrico mais praticado nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), superado apenas pelos partos. Em 2004, cerca de 244 mil mulheres foram atendidas para fazer curetagem ou tratar infecções pós-aborto no SUS.
Em editorial, o jornal Folha de S.Paulo, em 2005, já destacava: “enquanto mulheres de classes mais favorecidas recorrem a clínicas particulares e podem até mesmo procurar um país onde o aborto seja legalizado, as que pertencem aos setores de baixa renda são submetidas a situações que colocam em risco a sua saúde”.
Na União Européia e nos Estados Unidos, o direito ao aborto legal e seguro foi conquistado na década dos 1970. Já está mais do que na hora de fazermos avançar nossa ultrapassada legislação, da década dos 1940.
¹ Na América Latina, o aborto só é permitido em Cuba, em Porto Rico, na Guiana e na Guiana Francesa (esta última, submetida à legislação da França).
LEGISLAÇÃO SOBRE O ABORTO NO MUNDO

| ?? | Legal |
| ?? | Legal, em caso de estupro, riscos à saúde da mãe (físicos ou psíquicos), indicação social ou deficiência irreversível do feto. |
| ?? | Ilegal com exceções em caso de estupro, risco de morte da mãe ou deficiência irreversível do feto. |
| ?? | Ilegal com exceções em caso de estupro e risco de morte da mãe. |
| ?? | Ilegal com exceção em caso de risco de morte da mãe. |
| ?? | Ilegal sem exceções. |
| ?? | De acordo com distinções religiosas. |
| ?? | Sem informações. |
O menor teste político do mundo
Posted by Marcus Mayer in Filosofia, Política on November 12th, 2008
Como você se classifica politicamente?
para descobrir, responda a essa adaptação do famoso
World’s Smallest Political Quiz
(O menor teste político do mundo)
Durante anos, a ideologia política foi representada por uma escolha entre a esquerda, a direita e o centro. Cada vez mais especialistas consideram essa visão demasiado estreita, pois exclui milhões de pessoas. O diagrama do teste apresenta uma representação muito mais exata do espectro político. Ele mede tendências que não são absolutas. O resultado, todavia, indica a ideologia com a qual você mais se identifica e o quanto você concorda e discorda de outras filosofias políticas. Poderá ter também uma grande surpresa!
INSTRUÇÕES:
Para cada questão, escolha entre C para Concordo, T para Talvez (ou não sei), e D se você Discorda.
C: 20 pontos / T: 10 pontos / D: zero
LOCALIZE-SE NO DIAGRAMA AO LADO
Some os pontos separadamente. Para as questões de ordem pessoal marque a sua posição na pista da esquerda. Para as questões de ordem econômica localize-se na pista da direita. Siga os quadradinhos até a intersecção e encontre a sua posição no diagrama. As distintas áreas mostrarão o grupo político no qual você melhor se enquadra.
O QUE SIGNIFICA O SEU RESULTADO NO DIAGRAMA?
Liberais
Apóiam uma grande gama de liberdades; entre elas, a liberdade de escolha nas matérias de ordem pessoal e nas relações econômicas. Acreditam que a única verdadeira obrigação do estado é a proteção contra a coerção e a violência. Valorizam as responsabilidades individuais e toleram a diversidade econômica e social.
Social-Democratas
Abraçam a liberdade de escolha nas questões pessoais, mas apóiam a centralização das decisões econômicas. Desejam que o governo dê ajuda aos necessitados em nome da justiça social. Toleram a diversidade social, mas lutam pelo que chamam de “igualdade econômica”.
Conservadores
São a favor da liberdade de escolha nas questões econômicas, mas defendem padrões oficiais nas matérias de ordem pessoal. Tendem a apoiar o livre mercado, mas freqüentemente desejam que o estado defenda a comunidade naquilo que vêem como ameaça à moralidade ou à estrutura da família tradicional.
Centristas
Favorecem a intervenção seletiva do estado e enfatizam o que comumente descrevem como “solução prática” para dirimir problemas correntes. Tendem a manter um pensamento aberto em questões políticas. Muitos centristas atribuem ao governo a responsabilidade de impor limites às liberdades excessivas.
Nacional-Estatistas
Defendem uma maior responsabilidade estatal no controle da economia, dos indivíduos e da sociedade. Apóiam um planejamento centralizado, e freqüentemente questionam a liberdade de escolha nas questões individuais. Na parte inferior do diagrama, os autoritários de esquerda são usualmente chamados de socialistas, enquanto que os autoritários de direita são chamados de fascistas.
NOTA DO EDITOR
O teste acima faz jus ao seu nome – é realmente muito breve -, mas o consideramos muito objetivo e relativamente preciso. Registre, se possível, no espaço reservado aos comentários, a sua opinião. As terminologias utilizadas são adequadas ao Brasil. A “Terceira Via” localiza-se próxima à intersecção entre o liberalismo, a social-democracia e o centro. Nos Estados Unidos, os liberais são chamados de “libertários” (libertarians), enquanto os social-democratas também são conhecidos como “liberais de esquerda” (left-liberals).
CREDIT: The “World’s Smallest Political Quiz” is adapted from an original idea by David Nolan. Web: http://www.theadvocates.org/quiz.html
Editorial de “O Estado de S.Paulo”
Posted by Marcus Mayer in Brasil on November 25th, 2007
Os saudosos da inflação podem preparar-se para festejar. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece estar a um passo de abandonar os últimos e precários compromissos com a seriedade fiscal e com a estabilidade de preços. Os defensores da gastança, da irresponsabilidade financeira e da tolerância à inflação ganham espaço em Brasília e intensificam a pressão contra o Banco Central (BC). As escandalosas mudanças no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com expurgo dos pesquisadores não-alinhados, são parte desse processo. Isto não é ilação. A conexão entre os fatos é reconhecida por fontes do governo e até celebrada na vergonhosa moção de apoio à perseguição divulgada pelo Sindicato dos Economistas e pelo Conselho Regional de Economia do Estado do Rio de Janeiro.
Segundo o manifesto, “os quatro economistas desligados do Ipea jamais se colocaram firmemente contra o conservadorismo alienante do Banco Central”. Deixando de lado o besteirol, tão bem expresso em linguagem de boletim de centro acadêmico dos anos 50, vale a pena assinalar o sentido policialesco da mensagem: a direção do Ipea tem mesmo é de afastar funcionário não-alinhado. E por que não adotar a mesma política no Ministério da Fazenda, ou, por falar nisso, também no Ministério da Educação e nas universidades federais?
Em termos econômicos, a direção da mudança também é clara. A nova política, segundo fontes do governo citadas em reportagem publicada sexta-feira no Estado, abandona a pauta de reformas defendidas pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e seu plano de ajuste fiscal de longo prazo com redução de gastos correntes. A ordem, agora, é definir estratégias de desenvolvimento – mas o que significa esta palavra?
Desenvolvimento e crescimento econômico, já se sabe, envolvem maior intervenção estatal, mais contratações e mais gastos públicos, segundo a concepção do novo presidente do Ipea, Márcio Pochmann. É preciso não só empregar mais gente – de preferência, gente alinhada -, mas também ampliar o controle da economia pelo Estado, com intervenção, por exemplo, na produção de etanol.
Nesse “novo cenário”, o ajuste das contas públicas deve ser “mais gradual”, segundo assessor do Ministério da Fazenda citado na reportagem de sexta-feira. “Mais gradual” quer dizer, na prática, nenhum ajuste, pois a política hoje adotada pelo Ministério da Fazenda já é insuficiente para garantir, num prazo razoável, a arrumação das finanças do governo. Ou, em português mais corrente, é hora de avançar com menos timidez pelo caminho da gastança. É esta a mensagem real escondida sob o disfarce da linguagem.
Gastança pode ser qualquer coisa politicamente rentável para o governo e para sua tropa de aloprados. Não se trata apenas de investir em projetos de infra-estrutura e em outras iniciativas úteis ao desenvolvimento econômico e social. Por mera incompetência, o governo tem sido incapaz de realizar os gastos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as obras do Projeto Piloto de Investimento. A mesma incompetência é evidente no planejamento e na execução das políticas necessárias à segurança energética. Pode faltar gás no próximo verão, já admitiu uma autoridade, se a chuva for insuficiente e for preciso acionar as termoelétricas. Para manter as luzes acesas, o governo deixará desabastecida uma importante parcela dos consumidores de gás.
Nenhum desses problemas é conjuntural. Todos demonstram a incapacidade governamental de cuidar de questões estratégicas e até de executar o orçamento do ano. A solução, naturalmente, é contratar mais companheiros, aumentar a gastança e, se possível, mudar a diretoria do Banco Central e relaxar a política monetária, para ver se “um pouco mais de inflação” pode resultar em mais crescimento econômico. Quando os problemas se agravarem, o jeito será retomar o controle de preços e – por que não? – dar um calote na dívida pública. O presidente Lula poderá jogar no lixo os melhores feitos de seu primeiro mandato e dar razão, com alguns anos de atraso, a quem temia sua ascensão ao governo. Não há mágica em economia, disse o presidente muitas vezes. Ele deve provar, agora, se realmente acredita nisso ou se entregará o governo ao domínio dos pajés.”
Notas & Informações, O Estado de S.Paulo, 25.NOV.2007
El regreso del ‘idiota latinoamericano’
Posted by Marcus Mayer in América Latina, Atualidades, Literatura on November 2nd, 2007
A volta do idiota
por Mario Vargas Llosa
para LA NACION | Tradução: O Estado de S.Paulo
Há dez anos surgiu o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano“, no qual Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa arremetiam com tanto humor quanto ferocidade contra os lugares-comuns, o dogmatismo ideológico e a cegueira política por trás do atraso da América Latina. O livro, que golpeava sem misericórdia, mas com sólidos argumentos e provas efetivas, a incapacidade quase genética da direita obstinada e da esquerda boba de aceitar uma evidência histórica – a de que o verdadeiro progresso é indissociável de uma aliança indestrutível entre duas liberdades, a política e a econômica, ou, em outras palavras, entre democracia e mercado -, teve um sucesso inesperado. Além de atingir um vasto público, provocou saudáveis polêmicas e as diatribes inevitáveis num continente ‘idiotizado’ pela pregação ideológica terceiro-mundista, em todas as suas aberrantes variações, do nacionalismo, do estatismo e do populismo até – como não – o ódio aos Estados Unidos e ao ‘neoliberalismo’.
Uma década depois, os três autores voltam a sacar das espadas e investir contra os exércitos de ‘idiotas’ que ultimamente, de um extremo a outro do continente latino-americano, em vez de diminuir, parecem reproduzir-se com a rapidez dos coelhos e baratas, animais de fecundidade proverbial. O humor está sempre presente, assim como a pugnacidade e a defesa em alto e bom som, sem o menor complexo de inferioridade, dessas idéias liberais que, nas atuais circunstâncias, parecem particularmente impopulares no referido continente.
Mas é realmente assim? As melhores páginas de El Regreso del Idiota dedicam-se a demarcar as fronteiras entre o que os autores do livro chamam de ‘esquerda vegetariana’, com a qual quase simpatizam, e ‘esquerda carnívora’, que detestam. A primeira é representada pelos socialistas chilenos – Ricardo Lagos e Michelle Bachelet -, pelo brasileiro Lula da Silva, pelo uruguaio Tabaré Vásquez, pelo peruano Alan García e aparentemente – quem diria! – pelo nicaragüense Ortega, que agora abraça e comunga freqüentemente com seu velho arquiinimigo, o cardeal Obando y Bravo. Esta esquerda já deixou de ser socialista na prática e é hoje a mais firme defensora do capitalismo – mercados livres e empresa privada -, embora seus líderes, em seus discursos, ainda rendam homenagem à velha retórica e, da boca para fora, reverenciem Fidel Castro e o comandante Chávez. Esta esquerda parece ter entendido que as velhas receitas do socialismo jurássico – ditadura política e economia estatizada – só continuariam afundando seus países no atraso e na miséria. E felizmente resignou-se à democracia e ao mercado.
Já a ‘esquerda carnívora’, que há alguns anos parecia uma antiqualha em vias de extinção que não sobreviveria ao mais longevo ditador da história da América Latina – Fidel Castro -, renasceu das cinzas com o ‘idiota’ que é a estrela do livro, o comandante Hugo Chávez. Num capítulo muito proveitoso, os autores radiografam Chávez em seu entorno privado e público, com suas desmesuras e palhaçadas, seu delírio messiânico e seu anacronismo, assim como a astuta estratégia totalitária que governa sua política. Discípulo e instrumento de Chávez, o boliviano Evo Morales representa, dentro da ‘esquerda carnívora’, a subespécie ‘indigenista’, que, pretendendo subverter cinco séculos de racismo ‘branco’, prega um racismo quíchua e aimará – idiotice que, embora careça totalmente de solvência conceitual em países como Bolívia, Peru, Equador, Guatemala e México, pois em todas essas sociedades o grosso da população já é mestiça e tanto os índios quanto os brancos ‘puros’ são minorias, causa grande furor entre os ‘idiotas’ europeus e americanos, sempre sensíveis a qualquer estereótipo relacionado à América Latina. Embora na ‘esquerda carnívora’ por enquanto figurem, de modo inequívoco, três trogloditas – Fidel, Chávez e Morales -, El Regreso del Idiota analisa com sutileza o caso do estreante presidente Correa, do Equador, tecnocrata grandiloqüente que poderá engordar suas fileiras.
Os personagens inclassificáveis da lista são o presidente argentino Kirchner e sua bela esposa (e talvez sucessora), a senadora Cristina Fernández, mestres do camaleonismo político, pois podem passar de ‘vegetarianos’ a ‘carnívoros’ e vice-versa em questão de dias ou mesmo horas, embaralhando todos os esquemas racionais possíveis (como fez o peronismo ao longo de sua história).
Uma novidade em El Regreso del Idiota em relação ao livro anterior é que agora o fenômeno da idiotice é examinado pelos autores não só na América Latina, mas também nos Estados Unidos e na Europa, onde, como demonstram estas páginas com exemplos que às vezes produzem gargalhadas, às vezes lágrimas, a idiotice ideológica também é representada por encarnações robustas e epônimas. Os exemplos foram bem escolhidos: a lista é encabeçada pelo inefável Ignacio Ramonet, diretor de Le Monde Diplomatique, tribuna insuperável de toda a espécie no velho continente, e autor do mais dócil e servil livro sobre Fidel Castro – façanha difícil, diga-se de passagem! Ramonet tem a companhia de Noam Chomsky, caso flagrante de esquizofrenia intelectual, que é inspirado e até genial quando limita-se à lingüística transformacional e um ‘idiota’ irredimível quando desata a falar de política. A Mãe Pátria espanhola é representada pelo dramaturgo Alfonso Sastre e suas toscas distinções entre o terrorismo bom e o terrorismo ruim; e os prêmios Nobel, por Harold Pinter, autor de densos dramas experimentais raramente inteligíveis, ao alcance apenas de públicos arquiburgueses e exóticos, e demagogo inapresentável quando vocifera contra a cultura democrática.
No último capítulo, El Regreso del Idiota propõe uma pequena biblioteca para que as pessoas se desidiotizem e alcancem a lucidez política. A seleção é bastante heterogênea, pois inclui desde clássicos do pensamento liberal, como O Caminho da Servidão, de Hayek, A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, de Popper, e A Ação Humana, de Von Mises, até romances como O Zero e o Infinito, de Koestler, e os grandes volumes narrativos de Ayn Rand A Nascente e Quem é John Galt? (a meu ver, teria sido preferível incluir qualquer um dos ensaios ou panfletos de Ayn Rand, cujo individualismo incandescente superava o liberalismo e beirava o anarquismo, em vez de seus romances, que, como toda literatura edificante e de propaganda, são ilegíveis). Por outro lado, não há nada a declarar contra a presença de Gary Becker, Jean François Revel, Milton Friedman e Carlos Rangel, o único autor de língua hispânica da seleção, cujo fantasma deve sofrer o indizível com o que acontece em sua terra, uma Venezuela que ele já não reconheceria.
Apesar do bom humor, da insolência revigorante e da atitude positiva dos autores diante dos ventos ruins que correm pela América Latina, é impossível não perceber, nas páginas deste livro, um ar de desmoralização. Não é por menos. Pois o certo é que, apesar dos casos de modernização bem-sucedida assinalados – o já conhecido do Chile e o promissor de El Salvador, sobre o qual o livro oferece dados muito interessantes, assim como os triunfos eleitorais de Álvaro Uribe na Colômbia, Alan García no Peru e Felipe Calderón no México, que foram claras derrotas para o ‘idiota’ em questão -, o certo é que, em boa parte da América Latina, há um claro retrocesso da democracia liberal e um retorno do populismo, inclusive em sua variante mais cavernal: a do estatismo e do coletivismo comunistas.
Esta é a angustiante conclusão implícita neste livro febril e combativo: na América Latina, pelo menos, existe uma certa forma de idiotice ideológica que parece irredutível. Pode-se derrotá-la em batalhas, mas não na guerra, porque, como a hidra mitológica, ela reproduz seus tentáculos de novo e de novo, imunizada contra os ensinamentos e desmentidos da História, cega, surda e impermeável a tudo que não seja sua própria escuridão.
Privatizar é melhor!
Posted by Marcus Mayer in Economia on July 27th, 2007
A difusão da propriedade
por Marcus Mayer
para a revista World News Press | ed. AGO.2007
“Não é função do governo fazer um pouco melhor, ou um pouco pior, o que os outros podem fazer, e sim o que ninguém pode fazer”.
Lord John Maynard Keynes
Pedro o Grande, czar da Rússia, foi um dos precursores mais pitorescos da privatização. Passando por Kazan, a caminho do Mar Cáspio, visitou duas fábricas de tecido, uma estatal e outra privada. Esta, limpa e operando a plena carga, e a outra com trabalhadores bêbados e teares quebrados. O autocrata simplesmente doou a fábrica estatal ao empresário privado, antecipando-se em quase três séculos ao programa de privatizações de Mrs. Thatcher, no Reino Unido.
Muitas críticas sem fundamentos se propagaram a respeito das privatizações iniciadas por Collor de Mello e concluídas por Fernando H. Cardoso. Diz-se, de forma leviana, que estatais foram vendidas a “preço de banana” ou trocadas por “moedas podres”, para amortizar a dívida pública. Além disso, é comum ouvir-se a pergunta de “onde foi parar o dinheiro oriundo da venda das estatais?”.
Entenda-se que a privatização é essencial à modernização do estado, sobretudo, para que este possa cumprir suas funções básicas na área social. Com efeito, a demanda por montantes de recursos e a rápida evolução tecnológica reclamam velocidade decisória inatingível nas estatais. Tomem-se os exemplos da Embraer, das siderúrgicas e das prestadoras de serviços em telefonia.
Na contestação político-eleitoral das privatizações, no Brasil, os dois argumentos mais freqüentes são precisamente os menos relevantes: o nível de preço mínimo fixado pelo governo e o caráter “estratégico” das empresas. No sistema de leilões pouco importa o preço mínimo arbitrado pela autoridade: se erra para baixo, haverá ágio; e se erra para cima, não haverá compradores.
Na província de British Columbia, no Canadá, num processo de privatização doaram-se cinco ações de uma holding a cada habitante e, a um preço simbólico, foram postas à venda até 5 mil ações por indivíduo. Pode parecer um paradoxo, mas as privatizações são uma forma liberal de realizar o sonho socialista de “difusão” da propriedade.
Sobre a segunda contestação, do “caráter estratégico’ das estatais, é importante esclarecer que não existem “empresas estratégicas” – o que há são “atividades estratégicas”. Esse valor não depende da natureza pública ou privada do acionista. Depende da eficiência da operação. O maior estímulo à eficiência vem da competição. Preservá-la ou estimulá-la é uma das funções das entidades regulatórias como a Anatel, a ANP ou a Aneel.
As agências regulatórias podem cassar concessões ou impor multas, coisas improváveis em relação às estatais. Ademais, os bens de empresas privadas não são imunes à penhora ou à execução quando processadas por perdas e danos. Empresas privadas não dependem de verbas orçamentárias nem de autoridades monetárias para decidir acelerar investimentos.
Por fim, a satisfação do consumidor é mais importante para a empresa privada, que depende do lucro para subsistir, do que para a empresa pública, cujos déficits costumam ser cobertos pelo governo – diga-se, de passagem, com o dinheiro dos contribuintes.
Liberalismo, segundo Mario Vargas Llosa
Posted by Marcus Mayer in América Latina, Mundo on June 16th, 2007
mayer
Em entrevista a Edney Silvestre, no Jornal da Globo, o escritor Mario Vargas Llosa (foto), uma das grandes vozes críticas na América Latina, falou sobre o liberalismo. “Alguns o chamam de conservador; outros, simplesmente, de reacionário”, instigou o repórter.
”Eu sou um liberal. A extrema esquerda converteu essa palavra em um palavrão, xingamento, mas ela se origina da palavra ‘liberdade’ – a palavra mais bonita do idioma, que trouxe as grandes conquistas: a tolerância, os direitos humanos, a divisão de poderes, o pluralismo político. Todas as grandes conquistas da civilização têm sua origem no progresso da liberdade. O importante do pensamento liberal é que não se trata de um pensamento dogmático, não é fanático e aceita a possibilidade de equivocar-se, de estar errado – e portanto está permanentemente se corrigindo e auto-criticando”, respondeu Vargas Llosa, com muita propriedade.
Por essas razões, destacamos a frase » o mundo visto por um prisma liberal «, no alto deste blog. Estamos plenamente de acordo com a definição apresentada por Vargas Llosa e acreditamos que um “mundo livre e democrático” permitirá que nos livremos mais rapidamente da pobreza, das desigualdades sociais e das guerras entre os povos.
Petrossauro: o monstro estatal
Posted by Marcus Mayer in Economia, Privatização on May 13th, 2007

A paleozóica gigante estatal Petrobrás conseguiu realizar mais uma grande proeza. Numa época de expansão da economia global, apresentou uma redução de 38% no lucro do primeiro trimestre de 2007, em relação ao mesmo período do ano passado. As principais razões para o péssimo resultado foram, entre outras, a queda nos preços do petróleo, a valorização da moeda nacional e a elevação de “custos operacionais”.
A verdade é que a Petrossauro está iniciando um processo de auto-sucateamento. A irresponsável administração do fundo de pensão de seus funcionários, o Petros, recebeu da estatal um escandaloso aporte de R$ 6 bilhões, conforme denunciado nesse blog, no dia 14 de abril. Hoje é possível observar as conseqüências (ou inconseqüências) dessa medida, que é proveniente da irresponsabilidade do governo e da administração corporativista da estatal e do fundo de pensão. Leia o artigo clicando aqui
A partir disso tudo, cabe a pergunta: o que a Petrossauro proporcionou de bom, durante a sua existência como estatal, na vida dos brasileiros? – A não ser que se tenha um vínculo empregatício ou corporativo com a empresa, dificilmente será possível encontrar uma resposta positiva para a indagação. Muito pelo contrário, para os contribuintes, ela só dá despesas e prejuízos. Sim! – prejuízos. Os investimentos que recebe do governo (ressalte-se que o governo é financiado pelos impostos pagos pelos contribuintes) poderiam, muito melhor, ser revertidos para áreas carentes como educação, saúde, saneamento ou transportes, em vez de financiar a estrutura do dinossauro.
O tabu da privatização precisa ser derrubado urgentemente. O argumento contrário mais utilizado pela direita nacionalista ou pela esquerda estatista é de que o patrimônio da Petrossauro pertence a todos os brasileiros. Essa é uma falácia. Se alguém precisar de dinheiro e quiser desfazer-se da parte que lhe pertence não poderá fazê-lo. Os únicos verdadeiros donos da estatal são o governo e seus acionistas em bolsa.
O artigo de hoje não abordará a crise que envolve a estatal e a Bolívia. Contudo, vale lembrar que a filial boliviana da Petrossauro responde por 24% da arrecadação de impostos, 18% do Produto Interno Bruto total e 20% dos investimentos estrangeiros diretos da Bolívia. Além disso, seus investimentos somaram, entre 1994 e 2005, US$ 1,5 bilhão (US$ 1 bilhão de forma direta, e o restante por meio de seus sócios). E a atitude do governo brasileiro diante da apropriação das suas instalações pelo idiota latino-americano Evo Morales continua sendo, simplesmente, ridícula.









Recent Comments