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O menor teste político do mundo
Posted by Marcus Mayer in Filosofia, Política on November 12th, 2008
Como você se classifica politicamente?
para descobrir, responda a essa adaptação do famoso
World’s Smallest Political Quiz
(O menor teste político do mundo)
Durante anos, a ideologia política foi representada por uma escolha entre a esquerda, a direita e o centro. Cada vez mais especialistas consideram essa visão demasiado estreita, pois exclui milhões de pessoas. O diagrama do teste apresenta uma representação muito mais exata do espectro político. Ele mede tendências que não são absolutas. O resultado, todavia, indica a ideologia com a qual você mais se identifica e o quanto você concorda e discorda de outras filosofias políticas. Poderá ter também uma grande surpresa!
INSTRUÇÕES:
Para cada questão, escolha entre C para Concordo, T para Talvez (ou não sei), e D se você Discorda.
C: 20 pontos / T: 10 pontos / D: zero
LOCALIZE-SE NO DIAGRAMA AO LADO
Some os pontos separadamente. Para as questões de ordem pessoal marque a sua posição na pista da esquerda. Para as questões de ordem econômica localize-se na pista da direita. Siga os quadradinhos até a intersecção e encontre a sua posição no diagrama. As distintas áreas mostrarão o grupo político no qual você melhor se enquadra.
O QUE SIGNIFICA O SEU RESULTADO NO DIAGRAMA?
Liberais
Apóiam uma grande gama de liberdades; entre elas, a liberdade de escolha nas matérias de ordem pessoal e nas relações econômicas. Acreditam que a única verdadeira obrigação do estado é a proteção contra a coerção e a violência. Valorizam as responsabilidades individuais e toleram a diversidade econômica e social.
Social-Democratas
Abraçam a liberdade de escolha nas questões pessoais, mas apóiam a centralização das decisões econômicas. Desejam que o governo dê ajuda aos necessitados em nome da justiça social. Toleram a diversidade social, mas lutam pelo que chamam de “igualdade econômica”.
Conservadores
São a favor da liberdade de escolha nas questões econômicas, mas defendem padrões oficiais nas matérias de ordem pessoal. Tendem a apoiar o livre mercado, mas freqüentemente desejam que o estado defenda a comunidade naquilo que vêem como ameaça à moralidade ou à estrutura da família tradicional.
Centristas
Favorecem a intervenção seletiva do estado e enfatizam o que comumente descrevem como “solução prática” para dirimir problemas correntes. Tendem a manter um pensamento aberto em questões políticas. Muitos centristas atribuem ao governo a responsabilidade de impor limites às liberdades excessivas.
Nacional-Estatistas
Defendem uma maior responsabilidade estatal no controle da economia, dos indivíduos e da sociedade. Apóiam um planejamento centralizado, e freqüentemente questionam a liberdade de escolha nas questões individuais. Na parte inferior do diagrama, os autoritários de esquerda são usualmente chamados de socialistas, enquanto que os autoritários de direita são chamados de fascistas.
NOTA DO EDITOR
O teste acima faz jus ao seu nome – é realmente muito breve -, mas o consideramos muito objetivo e relativamente preciso. Registre, se possível, no espaço reservado aos comentários, a sua opinião. As terminologias utilizadas são adequadas ao Brasil. A “Terceira Via” localiza-se próxima à intersecção entre o liberalismo, a social-democracia e o centro. Nos Estados Unidos, os liberais são chamados de “libertários” (libertarians), enquanto os social-democratas também são conhecidos como “liberais de esquerda” (left-liberals).
CREDIT: The “World’s Smallest Political Quiz” is adapted from an original idea by David Nolan. Web: http://www.theadvocates.org/quiz.html
Politicômetro
Posted by Marcus Mayer in Filosofia, Política on May 23rd, 2008
Na edição 2060, de 19 de maio de 2008, a revista Veja publicou um teste sob o nome ‘politicômetro’, visando situar o leitor no espectro político-ideológico. Em seu editorial informou ter se inspirado numa iniciativa americana, porém, sem citar a fonte. Os leitores mais assíduos de nosso blog, todavia, sabem que a autoria é de David Nolan e que o formato do teste foi ligeiramente modificado.
No intuito de nos anteciparmos em relação à revista, republicamos a nossa tradução do “World’s Smallest Political Quiz”, no dia 5. Mantivemos o formato original, permitindo um resultado claro àqueles que se submetessem ao teste. (clique aqui para conferir)
Na semana atual, Veja também confirma o que afirmávamos há um ano, aqui mesmo, no que concerne ao Brasil e a sua caracteristica dúbia de manter um pé no mundo desenvolvido e outro no atraso. Os detalhes constam do texto “Mosquito vence avião”, que publicamos abaixo.
Desejamos uma ótima semana aos nossos visitantes!
Mosquito vence avião
por Marcus Mayer*
exclusivo para o Blog | Sexta-feira, 23 de maio de 2008
Aproximadamente 12 meses atrás, publicamos neste espaço uma série de receitas que acreditávamos urgentes e apropriadas para inserir o Brasil, definitivamente, no rol dos países desenvolvidos (clique aqui para ver o post) . Este não é nenhum grande mérito próprio – apesar dos positivos comentários recebidos na época –, pois os temas são correntes durante uma corrida de táxi ou à mesa de um bar.
Como matéria de capa, a revista Veja desta semana oferece como solução para os problemas do atraso brasileiro, num ótimo texto, uma receita com os mesmos ingredientes e semelhante modo de preparo ao que tínhamos apresentado. Utiliza-se, todavia, de uma terminologia sensivelmente ultrapassada no jargão das Relações Internacionais: ‘primeiro’ e ‘terceiro’ mundos.
Essas referências foram perfeitamente válidas durante o contexto da Guerra Fria, designando os países capitalistas alinhados aos Estados Unidos (primeiro mundo), os ex-socialistas sob influência da antiga União Soviética (segundo mundo) e os não-alinhados (terceiro mundo). A classificação atual, no sentido de qualificar o seu grau de desenvolvimento, agrupa os países do mundo em ‘ricos’, ‘emergentes’ e ‘pobres’. Brasil, Rússia, Índia e China, os chamados BRICs, estão entre os principais emergentes.
CONTRASTE – Com efeito, o Brasil, cujo grau de desenvolvimento permanece como um dos mais desiguais do planeta, apresenta em alguns setores nítidas características de país rico, concomitantemente aos bolsões de extrema pobreza e aos típicos problemas das nações mais miseráveis. Veja destaca muito bem essa idiossincrasia, ao ilustrar sua matéria com um modelo da EMBRAER, exemplo de elevadíssimo grau de tecnologia, e um Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.
Confirmando o que já dizíamos em nosso artigo de junho de 2007, o País necessita urgentemente de maior abertura econômica (observe a tabela comparativa ao lado). Precisa também diminuir drasticamente o tamanho do estado – o aparelhamento da máquina pública é um dos maiores malefícios ao desenvolvimento, aprofundados pelo atual governo petista. Deve retomar as privatizações, investir maciçamente em ciência e tecnologia, preservar o meio ambiente e extirpar a corrupção.
Infelizmente, o que executa o governo de Lula da Silva é justamente o contrário.
* Marcus Mayer é especialista em Relações Internacionais e editor do blog
República Socialista do Brasil
Posted by Marcus Mayer in Atualidades, Política, Weekly News on November 26th, 2007
Censura, desrespeito aos direitos humanos, corrupção, xenofobia, aparelhamento do estado. Isso, para não citar outras atrocidades. Este é o retrato da república democrática de Lula da Silva. A cegueira epidêmica que atingiu as pessoas da obra de ficção de José Saramago é a pura realidade brasileira. Enquanto denunciamos e manifestamos nossa perplexidade diante dos fatos, o País aplaude o perfeito idiota-latino americano e o Parlamento discute a possibilidade de aprovar um terceiro mandato para ele.
Abaixo do editoral, publicamos nossa tradicional coluna WEEKLY NEWS. Aproveitamos para agradecer por todos os recentes comentários e pelas visitas. De acordo com o Site Meter (confira-se no final de cada página), ultrapassamos a marca dos 10.000 visitantes, nesse curto período de existência de nosso blog.
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O Brasil do ‘democrata’ Lula da Silva
por Marcus Mayer
exclusivo para o blog
“Não acredito em democracia, mas em liberdade individual”.
Milton Friedman
Desde a restauração democrática, o Brasil não atravessa um momento tão tenebroso como o atual. O mais grave é que a grande maioria da população não tem a mínima noção do que realmente ocorre na República.
Em 1991, o Senado Federal cassou o mandato de Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente eleito pelo voto direto depois de encerrado o ciclo militar. No ano seguinte, a Câmara dos Deputados expulsou de suas hostes um bando de deputados corruptos, envolvidos no chamado escândalo dos “anões do orçamento”. Imaginou-se então que o Brasil estivesse mesmo “sendo passado a limpo” – na época, esse era um dos famosos bordões do jornalista Boris Casoy.
A realização de eleições diretas em todos os níveis, a concessão de anistia aos políticos cassados pelo regime militar, o pluripartidarismo e o fim da censura aos órgãos de comunicação foram conquistas importantes para a consolidação da democracia brasileira. Também na economia, durante a história recente, ocorreram avanços extraordinários. A reserva de mercado na área da informática foi enterrada, a abertura permitiu ao País a sua inserção no comércio mundial, alguns dinossauros estatais foram privatizados e a hiperinflação foi debelada.
Com a eleição do ex-líder sindical Luis Inácio Lula da Silva à Presidência, pelo Partido dos Trabalhadores, em 2002, festejou-se a alternância no poder. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso soube conduzir espetacularmente a transição de governo, sem mágoas ou rancores pela derrota do então candidato oficial, José Serra. A torcida de todos, vitoriosos e derrotados, era por um Brasil menos desigual. Os discursos do novo presidente, que tinha como principal meta de seu governo erradicar a fome e a pobreza, entusiasmaram o País.
Os partidos derrotados na eleição de 2002, e que conseqüentemente se tornaram oposição, ofereceram crédito ao novo governante e apoiaram as reformas que começavam a ser apresentadas. O apoio foi grande, pois até na área econômica observava-se a manutenção dos principais preceitos do governo anterior, que tinha conseguido controlar a inflação e o déficit público.
O ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, enfrentou dificuldade maior em seu próprio partido, que entre os de oposição, para aplicar o que parecia ser uma responsável gestão da economia. Alguns radicais, da extrema-esquerda do partido do governo, se viram obrigados a fundar uma nova agremiação, o PSOL. Um grupo menos ortodoxo, apesar da vermelhidão de sua ideologia, entretanto, permaneceu, pois o exercício do poder e a escalada social que este lhes proporcionou estava acima de qualquer filosofia.
De uma hora para a outra o governo mostrou sua verdadeira cara. O crédito oferecido pela oposição ao governo foi vertiginosamente extrapolado. A gigantesca incompetência dos incontáveis ministérios, a vasta dimensão da corrupção – jamais observada no país -, o escandaloso aparelhamento do estado, o total desrespeito às instituições democráticas, o explícito fisiologismo dos partidos da base de apoio ao governo e, sobretudo, a mais absurda política externa praticada na história do Itamaraty, apresentaram-se como verdadeiras catástrofes nacionais. Enquanto o mundo aproveitava um ciclo de enorme crescimento econômico e diminuição das diferenças sociais, o País fazia sua opção pelo “avanço do retrocesso”.
A recondução de Lula da Silva ao cargo, na eleição de 2006, se deu exclusivamente como resultado da política assistencialista. Os miseráveis – tristes desaventurados que não tem acesso à informação nem discernimento suficiente para entender o que significam as iniciativas populistas -, foram escancaradamente enganados. Em troca de favores governamentais, órgãos de imprensa, empresários incompetentes e uma multidão de ‘cegos políticos’ ofereceram apoio à reeleição do maior energúmeno que o País já teve na Presidência.
Com efeito, o Brasil perde mais uma década de sua história. Vislumbra o atraso em todos os setores imagináveis e inimagináveis. A receita de Lula da Silva é a repetição do nacional-populismo, tão repudiado nas democracias modernas – sobretudo, na Europa pós-guerra -, mas altamente eficiente em países de maioria mal-alfabetizada – como o próprio presidente – e irresponsável. Note-se que não somente os menos letrados apóiam este governo.
O perfeito idiota latino-americano está fazendo a sua festa: inspira-se em práticas autoritárias, xenófobas e estatistas. Por meio do populismo assistencialista e do fisiologismo, oferecendo cargos e vantagens aos seus seguidores, Lula da Silva garante apoio popular e parlamentar. O empresariado incompetente – que tem na concorrência estrangeira seu grande inimigo -, os bancos, os sindicatos, as organizações não-governamentais corruptas, todos esses aplaudem o poderoso chefão. E boa parte da grande imprensa, corrompida pela troca de favores, cala-se, no intuito de defender os seus próprios interesses.
Que tal perguntar ao sábio povo brasileiro, por meio de um plebiscito “a la idiota latino-americano”, se não deseja um terceiro mandato para o presidente? O “sim” venceria com larga folga. Assim, talvez um dia poderíamos nos tornar uma Venezuela ou, quem sabe, uma Bolívia. Viva o país das maravílhas do grande democrata Lula da Silva!
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WEEKLY NEWS
JÔ INVESTIGADO POR PRECONCEITO
É absurda a investigação do Ministério Público Federal ao programa de Jô Soares. Segundo a procuradoria, houve denúncias sobre uma entrevista que abordava a questão de mulheres submetidas à cirurgia no clitóris na África e que comentários do apresentador podem ter manifestado preconceito em relação a hábitos e costumes culturais daquele continente. Será que o Ministério Público não encontra ocupação mais útil que a defesa de práticas bárbaras? Não seria melhor atentar para a barbaridade que ocorreu no estado do Pará, e afastar a inconseqüente governadora de seu posto?
FORA ANA JÚLIA
Em primeira-mão, nossa colega blogger Letícia Coelho (clique sobre o nome para acessar o blog) noticiou o escândalo do encarceramento da menina de 15 anos, com 20 homens (ou 30?), em uma prisão no Pará. A governadora Ana Júlia Carepa, do PT, deveria ser responsabilizada criminalmente e renunciar imediatamente. Sua cara-de-pau causa perplexidade ao admitir ser comum prender mulheres em celas masculinas, em seu estado. A governadora não se utilizou nem do tradicional “eu não sabia de nada”, tão comum entre os seus correligionários, para justificar o seu descaso diante da barbaridade. A marginalidade no PT já está tão banalizada que esqueceram de pedir a sua renúncia (!!!).
NOSTALGIA
O ex-presidente Cardoso pode não ter deixado saudades – sobretudo, de seu segundo mandato, quando freou as reformas liberalizantes na economia. Entretanto, no que concerne ao desprezo de Lula da Silva em relação à importância da educação formal, as suas declarações recentes foram espetaculares. Disse querer “brasileiros educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria”. Grande, Fernando Henrique!
ELE DE NOVO – 1
Sob o título “DNA do expurgo no IPEA”, Ancelmo Góis, do jornal O Globo, denunciou em seu blog as origens do escândalo no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada: “Se alguém tinha ainda a mais pálida ilusão sobre o que está acontecendo no IPEA, é só ler o comentário do ex-ministro e consultor de empresas José Dirceu, hoje, em seu blog. Dirceu deixou as dez digitais impressas no local do crime.”
ELE DE NOVO – 2
Do blog de José Dirceu: “Os vazamentos de informações, as pesquisas de encomenda, combinadas com a mídia, e a oposição aberta às decisões de política econômica e social do governo são consideradas pela mídia como autonomia de pensamento e a troca dos pesquisadores como arbitrariedade, agora tudo respaldado por importantes entidades representativas dos economistas do Brasil. Lamento que essas entidades nunca tenham criticado o pensamento único que dominou o IPEA e outras instituições, para não falar da PUC do Rio, templo do neoliberalismo e do consenso de Washington e das privatizações, e agora adotam essa postura”. (Reproduzido no blog de Ancelmo Góis e, agora, aqui, para que os nossos leitores conheçam ainda mais os inimigos da República)
CARA DO GOVERNO
“José Múcio, o novo ministro das Relações Institucionais, é o exemplo do político brasileiro oportunista e comprometido apenas com os seus interesses de ocasião. Já presidiu o antigo PFL, de onde pulou para o PSDB e, daí, para o PTB, onde está agora. O novo ministro é a cara deste governo e merecia ter sido descoberto por Lula há mais tempo”. Por Ronaldo Gomes Ferraz, do Rio de Janeiro, para o Painel do Leitor da Folha de S.Paulo.
CONTÁGIO
O apreço que se poderia ter pelo ministro da Educação, Paulo Haddad, foi totalmente esvaído. Sugerimos que ele torne a estudar, principalmente as estatísticas que traçam o perfil das escolas públicas dos países europeus – cujo modelo deveria servir ao Brasil. Ao comentar o resultado do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), afirmou que “as escolas públicas serão sempre piores”. Essa não é a realidade, nem mesmo do Brasil de algumas décadas atrás, quando as escolas públicas eram centros de excelência. Paulo Haddad é mais um a ser contagiado pela incompetência.
PENA DE MORTE
É tentadora a proposta do senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), de obrigar políticos eleitos a matricular seus filhos em escolas públicas. Apesar do respeito que nutrimos pelo digníssimo senador, o projeto não pode ser levado a sério, pois fere radicalmente o princípio das liberdades individuais. Mas bem que seria excitante conviver sob uma lei que obrigasse mães e filhos dos políticos a se tratarem somente em hospitais públicos de suas respectivas regiões.
ANIMAL PERIGOSÍSSIMO
O perfeito idiota latino-americano Hugo Chávez, agradeceu ao seu querido colega Lula da Silva, pela aprovação, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), do ingresso da Venezuela no Mercosul. Especial agradecimento também foi dirigido a uma das mais repugnantes figuras do governo, o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães. O presidente da República, um semi-analfabeto, já fez os seus estragos no País, mas um intelectual do tipo de Guimarães, defensor do pensamento da extrema-esquerda mais radical e ultrapassada, é ainda mais pernicioso para a democracia brasileira.
INTERNACIONAL
DEMISSÃO POR JUSTA CAUSA
Extremamente sóbria foi a decisão do presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, de dispensar definitivamente o idiota Chávez das negociações com as FARC (Forças Revolucionárias da Colômbia). Com isso, o governo Uribe retoma a linha-dura, que se mostrou bastante eficiente, contra a guerrilha. Bogotá, antes uma das cidades mais perigosas do mundo, hoje é um reduto de paz, e serve de exemplo às cidades brasileiras dominadas pelo tráfico de drogas.
¿POR QUE NO TE CALLAS?
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, também tem grandes reservas contra o idiota Hugo Chávez. Desagrada à chilena o fato de o aspirante a ditador haver reclamado do tema da 17ª Cúpula Ibero-Americana – coesão social – e de ter expressado seu apoio ao outro idiota latino-americano Evo Morales, na contenda entre o Chile e a Bolívia, por uma saída do último para o mar, por território chileno.
DO WIDSENJA*, JAROSLAW
A ordem democrática, lentamente, torna a ser estabelecida na Polônia. Desde o fim do comunismo, o país não tinha um governo tão esdrúxulo como o dos irmãos Lech e Jaroslaw Kaczynski, respectivamente, atual presidente e ex-primeiro ministro. Com a queda de Jaroslaw, o liberal Donald Tusk assumiu o cargo de premiê. Pretende retomar as privatizações, cortar impostos e conduzir a Polônia à “adoção rápida” do euro. Além disso, já anunciou que as tropas polonesas deixarão o Iraque em 2008.
* do vidsênia - pronuncía-se assim – significa adeus em polonês
IMPERDÍVEL – 1
O jornal O Estado de S.Paulo publicou um excelente editorial no último domingo, denunciando as atrocidades do governo, sob o título “Entre aloprados e pajés”, revelando detalhes importantes referentes ao aparelhamento do IPEA. Sugerimos a leitura do texto, que publicamos abaixo deste post.
MEIO AMBIENTE
IMPERDÍVEL – 2
Na mesma edição, o Estadão presenteou os seus leitores com uma revista que traz a reportagem especial, Amazônia. O texto está disponível, no portal Estadão.com, sob o link Especiais (clique para acessar). Atente-se para o trecho: “Cana na Amazônia? Sim, e em grande quantidade. A região já produz 20 milhões de toneladas de cana por ano. A indústria sucroalcooleira, que assumiu a tarefa mundial de curar o planeta do ‘vício do petróleo’ avança rumo norte, ameaçando estimular o desmatamento até mesmo no Amazonas.” Recorde-se que o projeto é defendido pelos presidentes Lula da Silva, do Brasil, e George Bush, dos Estados Unidos. Alguém ainda desconfia da perniciosidade da empreitada?
SOCIEDADE
ABOMINÁVEL CENSURA
Na Todos os dias a figura nefasta do idiota Lula da Silva e de seu bando invade as salas de televisão das famílias brasileiras que acompanham os noticiários. Todavia, a pudica Justiça dos patrulheiros e saudosos da censura parece ter mais medo de mulher bonita. Agora essa Justiça do governo petista quer mudar a classificação da novela “Duas Caras”, da tevê Globo, por causa de um show do personagem de Flávia Alessandra, na trama. Eu não acompanho a novela, mas se soubesse teria até assistido à cena. Quem não gosta, que mude de canal, oras!
FRASE
“O Brasil precisa ser liderado por quem fala bom português.”
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República
Partidos políticos e ideologias – última parte
Posted by Marcus Mayer in História, Política, Sociologia on September 26th, 2007
Encerrando a série de ensaios que resume a história dos partidos políticos e suas respectivas ideologias – nas diversas partes do mundo e em distintas épocas -, apresentamos o texto Entre o passado e o futuro. A narrativa apresenta o contexto político da América Latina nos dias atuais, destacando a atuação de alguns líderes regionais e o espectro partidário do subcontinente.
Para melhor compreensão do assunto, recomendamos primeiramente a leitura das partes anteriores da seqüência: 1.) Nuances da política e 2.) Os herdeiros da Convenção – publicados respectivamente nos dias e 10 e 14 de setembro. “Entre o passado e o futuro” oferece duas opções: de um lado, o nacional-estatismo e, de outro, o liberalismo, sob diversas nuances. Incita-se o leitor a classificar, a seu critério, as opções que se apresentam entre o passado e o futuro do pensamento político.
Esperamos, através dos ensaios, ter colaborado para responder às questões anteriormente apresentadas a respeito do quê significam (ou significaram) as expressões “direita” e “esquerda”, no espectro político-partidário. Ao leitor, munido de dados históricos e do relato de resultados originados na aplicação prática das diferentes teorias ideológicas, oferece-se a possibilidade de responder à pergunta primacial que originou este estudo: seria a esquerda jurássica ou progressista? E a moça da foto acima – estaria ela dentro ou fora da moda?
Entre o passado e o futuro
por Marcus Mayer
Exclusivo para o blog
Desde que ficaram independentes de suas metrópoles ibéricas – Espanha e Portugal –, os países da América Latina ensaiam alcançar a prosperidade econômica e, conseqüentemente, a riqueza de seus povos. Entretanto, o baixo alfabetismo, as elevadas taxas de natalidade, a industrialização tardia e, sobretudo, a política que privilegiou a ascensão de caudilhos e de ditaduras – populistas e militares – barraram o desenvolvimento regional.
PROSPERIDADE
Esse panorama lastimável registra, contudo, duas exceções históricas, na Argentina e no Uruguai. No início do século 20 a Argentina¹ era um dos países mais ricos do mundo. Nessa mesma época, o Uruguai² era apelidado de Suíça da América, graças aos elevados índices de desenvolvimento de sua pequena, mas próspera economia.
Atualmente, a Argentina é governada por Néstor Kirchner, um peronista, que tornou a estatizar empresas e a congelar preços para controlar a inflação, após experiências liberalizantes praticadas durante governos anteriores. Como Perón, que depois de sua morte foi sucedido por sua segunda esposa María Estella (a Isabelita), Kirchner deseja tornar sua mulher, Cristina Fernández de Kirchner, por meio do Partido Justicialista (PJ), a sua sucessora.
Despontam como os mais fortes líderes da oposição ao peronismo, e com perfil liberal, o atual prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, do partido Compromíso por el Cambio (CPC) e o ex-ministro da Economia Ricardo López Murphy, do partido Recrear para el Crecimiento. Os chefes das duas legendas liberais, firmaram uma aliança política e criaram a Propuesta Republicana (PRO Recrear).
A cena política do Uruguai, entre 1830 e 2004, foi dividida entre o Partido Colorado (composto por social-democratas a liberais) e o Partido Nacional (ou Blanco, de ideologia conservadora e nacionalista). Pela primeira vez, desde 2005, o país é governado por um socialista. Tabaré Vazquez, o atual presidente uruguaio, foi eleito por uma coalizão de esquerda, a Frente Amplio. As mais impactantes medidas de sua administração foram, até o momento, a valorização do estado e uma reforma tributária que introduziu um progressivo aumento de impostos, implantando o IRPF (Impuesto a la Renta de las Personas Físicas), no sentido de permitir uma maior atuação estatal.
EMERGENTES
O contexto político latino-americano atual aponta para algumas turbulências, mas a globalização da economia mundial favorece a região. Brasil e México são atores que ganharam importância nesse cenário e classificam-se como “economias emergentes”. O produto bruto dos dois países gira em torno de um trilhão de dólares e a relevância internacional dessas duas economias latino-americanas aumenta proporcionalmente as suas participações no comércio mundial.
No Brasil, a expectativa diante da primeira eleição de Luis Inácio Lula da Silva, à presidência da República, em 2002, por uma coligação de partidos políticos que em suas trajetórias defenderam idéias socialistas e marxistas, gerou uma grave crise de confiança nos mercados. A manutenção da política econômica do governo anterior, contudo, acalmou os investidores e a comunidade internacional, incluindo governos e organismos de crédito.
A última eleição presidencial no México colocou frente a frente duas correntes políticas bastante antagônicas: de um lado, o candidato governista, Felipe Calderón, do PAN (Partido Acción Nacional), de perfil conservador em questões sociais e liberal na área econômica; e de outro, Manuel López Obrador, do PRD (Partido de la Revolución Democrática), com ideologia política de esquerda. Durante a campanha, Obrador recebeu efusivo apoio do populista venezuelano, Hugo Chávez.
Do atual governo mexicano não se aguardam grandes mudanças em relação ao do antecessor, Vicente Fox. Católico, Felipe Calderón se opõe ao aborto, à eutanasia, aos métodos anticoncepcionais e à união civil entre homossexuais.
Todavia, Calderón afirma que “o desafio do país não se situa entre a batalha ideológica travada entre esquerda e a direita política, mas entre uma escolha entre o passado e o futuro”. Na sua interpretação, o passado significa a nacionalização, a expropriação, o controle estatal da economia, e o autoritarismo, enquanto futuro representaria o contrário: privatização, liberalização, controle de mercado da economia, e liberdade política.
SOCIALISMO DO SÉCULO 21
O tenente-coronel Hugo Chávez chegou à presidência da República Bolivariana da Venezuela – nome com o qual rebatizou o país -, em 1999, com 56% de votos. De lá para cá tem se empenhado em levar o seu país e outros do continente, com a ajuda dos petrodólares, ao mesmo caminho de Cuba. O lema de Chávez é “quien no está conmigo está contra mí, y paga las consecuencias”.
Pensando desta forma, através de uma Assembléia Constituinte, na qual 120 de um total de 131 deputados constituintes lhe eram favoráveis, transformou as leis do país para permitir-lhe a centralização do poder. Estendeu o mandato presidencial de cinco para seis anos e, através de um novo plebiscito, espera receber o apoio da população para um projeto que permita a reeleição ilimitada para o cargo de presidente.
A ideologia política de Hugo Chávez é um mix de marxismo, nacionalismo, messianismo e populismo. Todos esse “-ismos” traduzem os ideais do “socialismo do século 21”, daquele que se tornou o melhor aprendiz do ditador cubano Fidel Castro. Na mesma via política caminham o líder cocalero Evo Morales, presidente da Bolívia e o intelectual Rafael Correa, presidente do Equador.
TIGRES LATINO-AMERICANOS
Colômbia e Chile são os dois países mais integrados à economia mundial na América Latina. Já na década dos 1980, o Chile apresentava um superávit nas contas públicas e a Colômbia tinha o menor déficit entre as economias da região. A liberalização da economia chilena, iniciada durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) – talvez uma das únicas boas heranças dos anos de exceção -, permanece implicando uma constante melhora nas condições de saúde, educação e renda da população.
Michele Bachelet, presidente do Chile desde 2006, eleita pela Concertación - uma coligação de partidos que reúne socialistas e democratas-cristãos -, mantém a economia do país plenamente aberta ao comércio mundial (veja o tópico “América Latina” no artigo Os herdeiros da Convenção, na segunda parte de “Partidos políticos e ideologias”). Uma das mais importantes medidas, desse período inicial do governo Bachelet na área social, foi a concessão da gratuidade dos serviços de saúde a todos os chilenos maiores de 60 anos. Apesar de não adotar oficialmente o rótulo de Terceira Via, a prática os governos chilenos da Concertación, de centro-esquerda, têm se caracterizado por seguir o típico receituário dessa filosofia política.
Seguindo o bem-sucedido exemplo chileno, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, eleito em 2002 e reeleito em 2006, pelo Partido Liberal, realiza uma política que tem como meta principal a inserção da Colômbia ao rol das economias mais integradas ao comércio mundial e mais abertas ao investimento estrangeiro da região (leia o artigo Colômbia, da revista Veja, publicado na íntegra neste blog). O crescimento econômico do país andino nos últimos cinco anos (4,5%) foi superior à média da América Latina (3,7%). Com apoio dos Estados Unidos, o presidente Uribe tem conquistado grandes avanços no combate às FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia), grupo terrorista de inspiração marxista.
Oferecer o título de “tigres” latino-americanos ao Chile e à Colômbia pode parecer exagerado, mas em comparação aos demais países da região, o desenvolvimento desses países tem sido muito expressivo.
No Peru, Alan García, eleito em 2006 pela APRA - Alianza Popular Revolucionaria Americana – realiza uma administração muito diferente daquela de quando governou o país pela primeira vez (1985-1990). O seu primeiro mandato precedeu a Queda do Muro de Berlim e a experiência de estatizar a economia peruana resultou numa profunda crise e conseqüente empobrecimento da população. Depois de uma disputa eleitoral acirrada com o líder populista Ollanta Humala, do Partido Nacionalista Peruano – aliado de Hugo Chávez e de Evo Morales – Alan García se rendeu à liberdade econômica e espera integrar o futuro “clube de tigres latino-americanos”.
Entre os países da América Latina que merecem destaque em função do desenvolvimento econômico e social encontra-se também a Costa Rica. Governada desde 2006 por Óscar Arias, do Partido de Liberación Nacional, o país encontra-se às vésperas de um referendum popular para aprovação de um Tratado de Livre-Comércio (TLC) com os Estados Unidos. Durante o seu primeiro mandato (1996-1990) Óscar Arias privilegiou a abertura comercial e as privatizações. O pequeno país do istmo americano pode gabar-se, atualmente, por apresentar um sistema de saúde e de educação similar ao de muitos países desenvolvidos.
NACIONAL-ESTATISMO
A coligação de legendas de esquerda, liderada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que conduziu Luis Inácio Lula da Silva à presidência do Brasil em 2002, gerou grande expectativa em relação à condução da economia do País. Para a surpresa de todos os públicos – tanto interno quanto externo, e inclusive de dentro de seu próprio partido -, o presidente brasileiro deu continuidade a diversas políticas de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso.
Conseqüentemente, o Brasil conquistou uma maior credibilidade internacional e está próximo de obter o investment grade, uma classificação oferecida por agências de avaliação de risco aos países com baixa possibilidade de calote (significa que o investimento no Brasil seria seguro e que não haveria risco para os investidores). O controle da inflação – executado por uma rígida política monetária, sustentada por elevadas taxas de juros -, uma tímida reforma previdenciária – que eliminou alguns privilégios do funcionalismo público -, o regime de metas de superávit primário (dívida pública menos juros) e o não rompimento do governo com instituições de crédito internacional – como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial -, ofereceram ao País esse reconhecimento internacional.
Todavia, essas medidas – muitas de caráter conservador -, incentivaram a criação de uma dissidência na extrema-esquerda do PT, que resultou na fundação de um novo partido político de orientação marxista, o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade).
O principal programa de cunho social do governo brasileiro, o Bolsa-Família – que destina à população mais pobre uma renda mensal -, também é herança do governo anterior. Diversos programas assistenciais já existentes foram aglutinados e o universo de beneficiários foi amplamente alargado.
As semelhanças com o antecessor, todavia, cessam nesses dois pontos: na política monetária e nos programas assistenciais. A elevada popularidade do presidente Lula da Silva é diretamente proporcional ao número de beneficiários do programa Bolsa-Família. A oposição acusa o governo de utilizar o assistencialismo em troca de apoio e votos, à semelhança da política praticada pelo líder venezuelano Hugo Chávez.
No contexto econômico, sob o governo de Lula da Silva, as privatizações foram interrompidas e a centralização estatal ganhou força. O principal partido de sustentação ao governo, o PT, defende até mesmo a reestatização de empresas privatizadas em administrações anteriores.
Enquanto o governo social-democrata de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) – sobretudo durante o seu primeiro mandato -, inclinou-se para a Terceira Via, a administração petista adota uma ideologia nacional-estatista com um viés demasiado populista. Uma das principais características do governo Lula da Silva é o aparelhamento e o fortalecimento do poder estatal, abrangendo ministérios, agências reguladoras e empresas estatais. Para bancar esse estado forte e dispendioso a arrecadação de impostos tem batido recordes consecutivos.
Os partidários do governo vislumbram esse modelo como sendo o melhor para diminuir o abismo existente entre ricos e pobres, no Brasil. A elevada tributação garantiria, sob a optica da esquerda que governa o País, uma mais justa divisão da riqueza.
O protecionismo comercial, originado na elevada taxação sobre produtos importados – inclusive intra-Mercosul -, privilegia extraordinariamente a indústria nacional, que apresenta um modesto, mas permanente, crescimento. As altas de juros – praticadas para controlar a inflação – têm permitido, durante o governo petista, elevados lucros ao setor bancário. A estratégia agroexportadora, principal responsável pelos superávits da balança comercial, têm incentivado a criação de novas frentes de produção agrícola e pecuária, ultrapassando inclusive as fronteiras florestais do Brasil.
A base de apoio ao atual governo brasileiro é formada por partidos de esquerda e fisiológicos – sendo esses últimos aqueles que se alinham, independentemente de ideologias, mas em troca de cargos. Sindicatos de trabalhadores dos setores público e privado, centrais sindicais (CUT, Força Sindical, CGT, CONTAG), movimentos revolucionários (MST, MLST, MTL, CPT), setores progressistas da Igreja Católica (Teologia da Libertação, Pastorais) e igrejas neopentecostais também expressam amplo apoio ao governo de Lula da Silva³.
Na oposição encontram-se as legendas de ideologia social-democrata e liberal de um lado e de extrema-esquerda de outro. No primeiro grupo reúnem-se o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), o PPS (Partido Popular Socialista) e o DEM (Democratas). A oposição à esquerda do governo é representada pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), que abriga tendências marxistas, trotskistas e eurocomunistas.
NOTAS
¹ Integrada à globalização liberal do final do século 19, a Argentina colheu os frutos do processo, apresentando um desenvolvimento econômico e social elevado. O crescimento foi estimulado por investimentos estrangeiros, pelo comércio internacional e pela chegada de milhões de europeus. Em 1930 a vida civil, próspera e pacífica até então, foi tragicamente alterada pela crise mundial e por um golpe militar. Com a chegada de Juan Domingo Perón à presidência, em 1946, empresas de comércio exterior, bancos, estradas de ferro, companhias de gás e telefone foram nacionalizadas. Num primeiro momento, as medidas do peronismo elevaram a participação dos trabalhadores na renda nacional e a legislação social contribuiu para a popularidade do líder populista. O carisma de Evita Perón, sua primeira esposa, foi um excepcional elo entre Perón e os trabalhadores, e influiu na conquista do voto feminino. A secularização do estado criaram conflitos com a Igreja Católica e o afastamento dos militares facilitaram a sua derrubad em 1955. Perón chegou uma segunda vez ao poder em 1973, com 62% dos votos. Após a sua morte, assumiu em seu lugar a segunda esposa, María Estella Martínez de Perón (Isabelita), deposta por uma junta militar comandada pelo general Jorge Videla.
² A elevada produtividade da pecuária extensiva gerava um excedente tal que, sem tocar na estrutura do latifúndio, o estado organizou serviços sociais e educacionais paralelamente à proteção da indústria uruguaia nascente e voltada para o consumo interno. O país se urbanizou rapidamente, o comércio e os serviços cresceram de forma significativa, com o estado como principal empregador. Este podia se dar a este luxo graças a um elevado excedente do comércio exterior, conquistado, principalmente, pela exportação de carnes e seus derivados. A igreja e o estado foram separados e o divórcio legalizado. O aborto chegou a ser legalizado e, entre 1933 e 1935, contribuiu para o controle da natalidade. Tornou a ser proibido como resultado de negociações com setores católicos. Em meados da década de 1950, o progresso foi estancado. Todavia, o Uruguai apresenta uma taxa de 97% de alfabetismo e ocupa a 3ª melhor posição entre os países da América Latina no IDH (atrás de Argentina e Chile).
³ CUT: Central Única dos Trabalhadores; CGT: Central Geral dos Trabalhadores; CONTAG: Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura; CPT: Comissão Pastoral da Terra; MST: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra; MLST: Movimento de Libertação dos Sem Terra; MTL: Movimento Terra Trabalho e Liberdade.
Partidos políticos e ideologias – 1ª parte
Posted by Marcus Mayer in História, Política, Sociologia on September 10th, 2007
O ensaio a seguir segue padrões didáticos definidos por Max Weber em suas conferências do início do século passado (1918), na Universidade de Munique, sob o título “Wissenschaft als Beruf” (Ciência como Profissão). Fundador da Sociologia, o alemão Weber, apontava a neutralidade nas paixões políticas, como virtude para o ensino científico.
Somente nesse particular weberiano, teríamos um interessante assunto para tratar, sobretudo, na crítica ao ensino das ciências sociais e políticas, da história, da geografia, da filosofia etc., no País. As universidades brasileiras estão infestadas por “professores” que confundem proselitismo político com pedagogia; mas não desejamos, aqui, tergiversar.
Esperamos, através de um ensaio enxuto, aclarar dúvidas freqüentes, relativas à evolução da terminologia utilizada para caracterizar, histórica- e filosoficamente, as distintas linhas do pensamento político, econômico e social, relacionando-nas com suas respectivas práticas.
Nuances da política
por Marcus Mayer
Exclusivo para o blog
Apresentar os problemas científicos de modo que uma mente receptiva os possa compreender e – o que para nós é decisivo – possa vir a refletir sobre eles de forma independente, talvez seja a tarefa pedagógica mais difícil de todas.
Adaptado, da frase original de Max Weber ¹
O pensamento político ocidental tem origem na Antigüidade, grega e romana. Os seguidores de uma idéia, doutrina ou pessoa se reuniam sob um partido². No entanto, somente na Inglaterra, do século 18, foram criadas as primeiras instituições de direito privado, com o objetivo de congregar partidários de uma ideologia política: o Whig Party e o Tory Party. Este, de linha conservadora, contrapunha-se àquele, de tendências liberais.
Com efeito, a origem das denominações esquerda, direita e centro – que caracterizam a ideologia política, econômica e social de um partido -, remonta à segunda fase da Revolução Francesa (1792-1794), quando foi instituída a Convenção Nacional³, composta – grosso modo – por três grupos principais de deputados: a Gironde, a Montanha e a Planície. Essas agremiações adotaram espaços geográficos específicos em plenário – um costume que se mantém na Assembléia Nacional da França (equivalente à Camara dos Deputados, no Brasil), até os dias atuais.
A Gironde era integrada por provincianos notáveis, que se opunham à centralização. Favorável à democracia e à manutenção da lei e da ordem, defendia o direito à propriedade privada. E era hostil a um sistema de excessiva taxação ou intervenção estatal. Esse grupo de deputados ocupava acento à direita, em relação ao presidente da Convenção.
A Montanha pouco se diferenciava da Gironde, no concernente ao nível social de seus representantes (montagnards), malgrado comungasse dos interesses das classes populares e da média burguesia. Os jacobinos, partidários da Montanha, pertenciam ao grupo que, radicalmente, representava o interesse do povo menos favorecido. Na fase mais aguda da Convenção, os jacobinos adotaram medidas de exceção, tais como a taxação dos alimentos. Com o estabelecimento do Terror, defenderam a guerra contra os monarcas europeus. Esse grupo sentava-se à esquerda, na Convenção.
A Planície (ou Pântano) ocupava o centro dos outros dois grupos. Seus deputados determinavam a maioria dos votos ao se posicionarem favoravelmente, ora à direita ora à esquerda, apesar da oposição que faziam às alas mais radicais do partido da Montanha.
PARÊNTESE HISTÓRICO
Tanto o liberalismo como a democracia tiveram seu annus mirabilis em 1776, quando foi publicado o tratado de Adam Smith sobre o Liberalismo Econômico, e foi lavrada a “Declaração de Philadelphia” (independência dos Estados Unidos), por Thomas Jefferson.
Os ideais da Revolução Francesa, inspirados nos princípios iluministas de Jean-Jacques Rousseau, implicaram maior respeito à liberdade e orientaram a defesa da diminuição das desigualdades sociais.
A república teve como escopo corrigir injustiças do centralismo político do Ancien Régime. A “Declaração dos Direitos do Homem” e o lema revolucionário Liberté, Egalité et Fraternité contagiaram a intelectualidade e outros povos europeus. No século 19, após as guerras napoleônicas, o liberalismo sobrepujou o mercantilismo e começou a prosperar a democracia política.
Os avanços conquistados com o marco da Revolução Francesa, porém, não foram suficientes para eliminar o abismo entre as classes sociais. A explosão populacional na Europa e a queda da fertilidade dos solos causaram escassez de alimentos e migração do campo para as cidades.
Como conseqüência da Revolução Industrial (sécs. 18 – 19), alterou-se o sistema de relações sociais¹¹, envolvendo os donos do capital e os empregados. Em 1848, Karl Marx e Friedrich Engels publicaram o “Manifesto Comunista” e, em 1867, foi editada, pela primeira vez, Das Kapital, obra de Marx, que fundamentou as teses dos movimentos e revoluções socialistas do século 20.
O intuito do teórico do socialismo era o aperfeiçoamento da organização sócio-econômica pós-capitalista. Todavia, para alcançar esse novo estado organizacional, as classes camponesas e operárias teriam de incitar e praticar uma revolução armada para tomar o poder e instalar uma “ditadura socialista do proletariado”. O estado passaria a controlar a economia, extinguindo a propriedade privada e a política seria regida por um partido único, o Partido Comunista.
O início do século 20 apresentou ao mundo um processo de globalização econômica através de práticas liberais. Todavia, essa fase de integração comercial foi brutalmente rompida em função do crescente nacionalismo e da radicalização contra o modelo político marxista.
Entre 1914 e 1918 ocorreu a Grande Guerra, que desafiou a política de equilíbrio de forças no espaço político europeu, determinado por Metternich, no Congresso de Viena (1815). A saída da Rússia da guerra foi causada pela Revolução de Outubro de 1917 (bolchevique), que derrubou as instituições czaristas e instalou o socialismo marxista no país.
PARTIDOS POLÍTICOS
Segundo a famosa definição de Weber, “o Partido é uma associação política que visa a um fim deliberado, seja ele ‘objetivo’ – como a realização de um plano com intuitos materiais ou ideais -, seja ele ‘pessoal’ – destinado a obter benefícios, poder e, conseqüentemente, glória para os chefes e sequazes; ou, então, voltado para todos esses objetivos conjuntamente”.
Na Inglaterra, o país de mais antigas tradições parlamentares, os partidos aparecem com o Reform Act de 1832, o qual, ampliando o sufrágio, permitiu que as camadas industriais e comerciais do país participassem, juntamente com a aristocracia, da gestão dos negócios públicos.
Até aos finais da Primeira Grande Guerra, o partido liberal inglês (Whig Party) foi um dos mais influentes no sistema parlamentar britânico, alternando com os Tories na formação do governo. Depois desse marco, o partido liberal perdeu importância e foi, praticamente, substituído pelo partido trabalhista (Labour Party), na alternância do poder político no Reino Unido, face ao oponente conservador.
Os partidos tradicionalistas da direita ou conservadores, os partidos liberais – democráticos e radicais -, os partidos católicos e democrático-cristãos constituíram um dos componentes do panorama político da Europa, desde o final do século 19. Inspirados na Revolução Russa, surgiram também partidos socialistas e comunistas. Sua influência se estendeu por todos os cantos do mundo, inclusive, pela América Latina, no decorrer do século passado.
Nos Estados Unidos, desde a Guerra Civil (1864), apesar da existência de um sistema político multipartidário, de facto domina a cena política o bipartidarismo. Os atores desse jogo são o Partido Democrata e o Partido Republicano, que se revezam no poder, desde então.
A radicalização da representação partidária tradicional encontrou espaço no período entre-guerras, com a ascenção de regimes totalitários. O fim do czarismo e a derrota dos mencheviques (brancos) pelos bolcheviques (vermelhos) na Rússia, em 1917, consolidou a instalação do regime comunista, com partido único.
Na Europa ocidental, surgiram os partidos nacionalistas, como contraponto ao comunismo soviético. Benito Mussolini, através do Partido Fascista, oriundo do movimento Fasci Italiani di Combattimento, ascendeu na Itália, em 1922. Adolf Hitler, com a vitória do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores da Alemanha, foi conduzido ao posto de chanceler em 1933, tornando-se o Führer do Terceiro Reich no ano seguinte.
Em Portugal, assumiu aquele que se tornaria o mais longevo governo (1932-1968), elevando António de Oliveira Salazar ao poder. A Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, fundamentalmente, em causa da opção por um regime comunista ou por um fascista – vencendo o último -, conduziu ao poder (1939-1975) Francisco Franco.
Esse movimento totalitário europeu contagiou outras partes do globo. No Brasil, de um lado, sob a inspiração soviética, foi fundado o Partido Comunista Brasileiro (1922) e, de outro, criou-se a Ação Integralista Brasileira (1932) de tendência fascista. Em 1937, teve início a ditadura Vargas, através do Estado Novo, que durou até 1945.
Sob o governo autoritário de Getúlio Vargas, a ação governamental foi orientada pela intervenção estatal na economia e direcionada para o nacionalismo econômico, provocando forte impulso na industrialização. Neste período foram criadas a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Companhia Vale do Rio Doce, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco e a Fábrica Nacional de Motores (FNM).
EQUILÍBRIO BIPOLAR
Com a derrota do fascismo italiano e do nazismo alemão na Segunda Guerra Mundial, configurou-se um modelo de forças bipolar. Estados Unidos e União Soviética, como atores hegemônicos no novo cenário das relações internacionais, empenharam-se na tarefa de propagar suas respectivas opções ideológicas através da adoção ou manutenção de estruturas políticas e econômico-sociais homogêneas. (OBSERVE-SE O MAPA ABAIXO)
Entre 1945 (final da Segunda Guerra Mundial) e 1991 (derrocada da ex-União Soviética), o mundo viveu sob a chamada Guerra Fria. Um dos momentos mais conturbados do período ocorreu em 1962: a Crise dos Mísseis, em Cuba. O acontecimento colocou o presidente americano, John Kennedy, e o secretário-geral do Partido Comunista soviético, Nikita Khrushchov, sob o risco de iniciar um conflito atômico. O incidente foi resolvido através dos canais diplomáticos dos dois blocos e de seus respectivos aliados, mas, sobretudo, pelo iminente receio de destruição mútuo.
GUERRA FRIA (1982)
Na China, Mao Tsé-tung, em 1959, deu cabo ao programa estatal “Grande Salto para a Frente”, através de uma ampla reforma agrária, e, em 1966, iniciou a sua Revolução Cultural (Grande Revolução Cultural Proletária). A ideologia maoísta pregava combate ao surgimento de classes sociais privilegiadas. Fábricas e universidades foram fechadas e milhões de jovens e intelectuais se deslocaram para o campo, de forma voluntária ou compulsória. Esse período³³ só foi definitivamente encerrado sob a liderança de Deng Xiaoping, que a partir de 1979 retomou as relações com o Ocidente.
BRASIL – Com o fim do Estado Novo (1945) e a restauração democrática, o Brasil viveu uma fase de pluripartidarismo, na qual as agremiações políticas de maior destaque foram a União Democrática Nacional (UDN), o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Nesse período, o governo de Juscelino Kubitscheck (1956-1961), eleito por uma aliança entre o PSD e o PTB, realizou um governo que associou uma plataforma desenvolvimentista estatal à abertura da economia para o investimento estrangeiro.
O ciclo pluripartidário foi encerrado através do Ato Institucional nº 2, de 1965, que extinguiu os partidos políticos da chamada Terceira República e instituiu o bipartidarismo. O Brasil, sob governo militar desde 1964, estava alinhado aos Estados Unidos. Entre 1968 e 1973, o País experimentou uma fase áurea de crescimento, o chamado Milagre Econômico. Grandes obras de infra-estrutura, como a ponte Rio-Niterói, usinas hidrelétricas, rodovias (incluindo-se a Transamazônica), investimentos na indústria pesada, siderurgia, petroquímica e construção naval foram bancadas pelo estado, inspirado no desenvolvimentismo keynesiano. Esse ciclo de prosperidade econômica foi abreviado pelas crises do petróleo de 1973 e 1979.
Entre 1965 e 1979, durante o período militar, e sob o sistema bipartidário, a ARENA (Assembléia Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) dividiram a cena política – com o primeiro em apoio ao regime e o segundo na oposição. O pluripartidarismo foi restaurado em 1979, ainda sob o comando militar do presidente João Figueiredo.
GLOBALIZAÇÃO
Durante a década de 1980, o Welfare State, europeu e americano, entrou em crise, como conseqüência dos imensos déficits públicos que se acumularam. Amargava-se ainda uma demasiada ressaca oriunda das crises do petróleo da década anterior.
Como conseqüência de um novo período de globalização ensaiado pelos principais atores do comércio mundial, os governos do Reino Unido, sob a administração da primeira-ministra Margareth Thatcher (Partido Conservador), e dos Estados Unidos, sob a presidência de Ronald Reagan (Partido Republicano), realizaram reformas liberalizantes nas economias domésticas, através de privatizações, reduções de impostos e incentivos à concorrência comercial internacional.
A América Latina – com exceção do Chile, que sob a ditadura de Augusto Pinochet [herdou uma inflação de 800%¹¹¹ do governo socialista de Salvador Allende] realizou reformas liberalizantes em sua economia -, viveu crises inflacionárias extremas entre os anos 1980 e o final da década dos 1990. A hiperinflação atingiu 257% na Argentina, 602% na Bolivia, 2.776% no Perú (Alan García) e 3.710% no México (Miguel de la Madrid Hurtado). No Brasil, entre fevereiro de 1989 e março de 1990, sob a administração de José Sarney, a inflação chegou a 2.751%.
Enquanto isso, no oriente distante, emergiram os países chamados Tigres Asiáticos (Hong Kong, Cingapura, Coréia do Sul e Taiwan). A estratégia para o desenvolvimento dessas economias uniu esforços governamentais e especial atenção para o comércio global. Os governos ofereceram incentivos ao setor privado e realizaram largos investimentos em educação, ciência e tecnologia.
COLAPSO DO COMUNISMO
Na ex-União Soviética, Mikhail Gorbachev [grafia adotada pela Gorbachev Foundation] iniciou, em 1985, seu projeto de reformas: a perestroika (reestruturação) e a glasnost (transparência). O enfraquecimento político, econômico e militar da potência do Leste estimulou os países da Europa Oriental a iniciar movimentos pela redemocratização de seus respectivos países. Manifestações populares ocorreram em todos os cantos do lado oriental da antiga Cortina de Ferro, culminando na Queda do Muro de Berlim, em 1989 – o grande símbolo do colapso do comunismo.
Em 1990, Lech Walesa, líder do Sindicato Solidariedade (que se transformou em partido político) – responsável pelos movimentos grevistas contrários ao governo comunista, das décadas anteriores -, tornou-se o primeiro presidente da Polônia, escolhido através de eleições, depois do fim do regime.
A Alemanha foi reunificada em outubro de 1991. Em dezembro do mesmo ano, ocorreu a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, já sob o comando de Boris Ieltsin, primeiro presidente eleito democraticamente na história da Rússia.
A citação de todos esses elementos históricos é salutar para a compreensão da formação ideológica dos herdeiros da Convenção e o significado atual da terminologia – esquerda, direita e centro. Compreende-se, assim a motivação dos distintos grupos ideológicos na adoção de práticas políticas, econômicas e sociais.
Leia a continuação do ensaio, no artigo sob titulo “Os herdeiros da Convenção”, que descreve o espectro político entre 1989 (Queda do Muro de Berlim) e 2007 (Doutrina Bush), publicado em 14.SET.2007.
NOTAS
¹ Max Weber (1864 – 1920), jurista e economista, é considerado um dos fundadores da Sociologia.
² De acordo com o dicionário Houaiss, partido significa associação de pessoas em torno dos mesmos ideais, interesses, objetivos etc; organização social espontânea que se fundamenta numa concepção política ou em interesses políticos e sociais comuns e que se propõe alcançar o poder.
³ A Revolução Francesa pode ser subdividida em quatro grandes períodos: a Assembléia Constituinte, a Assembléia Legislativa, a Convenção e o Diretório. A Convenção perdurou de 1792 até 1795.
¹¹ Em 1833 os trabalhadores ingleses organizaram trade unions (sindicatos) como associações locais ou por ofício, para obter melhores condições de trabalho e de vida. Na França, os sindicatos conquistaram o direito de funcionamento em 1864; nos Estados Unidos em 1866; e na Alemanha em 1869.
²² Nos Estados Unidos, entre a sua independência e a Guerra Civil, participaram da cena política o Partido Federalista (1789-1820) e o Partido Democrático-Republicano (1792-1824). Os atuais Partido Democrata e Partido Republicano foram fundados, respectivamente, em 1820 e 1854.
³³ Estima-se que as iniciativas governamentais do Partido Comunista Chinês tenham implicado a morte de 43 milhões de pessoas – de fome ou, simplesmente assassinadas, por se opôrem ao Partido. No mínimo 50 milhões de vítimas teriam passado pelos campos de concentração chineses.
¹¹¹ Durante o governo socialista de Salvador Allende, o Chile experimentou um período de hiperinflação entre 324% (taxa oficial) e 800% (extra-oficialmente).
Extraordinariamente, a coluna WEEKLY NEWS será publicada somente na terça-feira, 11.SET.
Esquerda progressista ou jurássica?
Posted by Marcus Mayer in Filosofia, Sociedade on September 7th, 2007
Os últimos posts de nosso blog estimularam um espetacular debate a respeito da definição das diversas ideologias políticas e econômicas, do passado e da atualidade. Nada poderia nos honrar mais do que vislumbrar, no espaço reservado aos comentários desses recentes posts, textos tão extraordinários, escritos por espetaculares articulistas da blogosfera, que aqui nos prestigiam.
A questão que se apresenta refere-se, principalmente, à definição de esquerda. Essa ideologia teria tendências “jurássicas” – como costumamos afirmar – ou modernas? A foto que ilustra este post pretende reforçar essa indagação. Caso fossemos argüidos a escolher entre as três mais comuns vertentes do pensamento político – esquerda, direita ou centro -, talvez tivéssemos dúvidas, dada a variedade de interpretações e subclassificações possíveis.
No final de 2006, o presidente da República, Lula da Silva, afirmou ter atingido a “maturidade do centro” e proferiu uma frase que recebeu críticas de alguns e a concordância de outros: “Se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problema; se você conhecer uma pessoa muito nova de direita, é porque ela também está com problema” (sic).
Afinal, o que significam exatamente esses “rótulos”? Estaria certo, o presidente, atribuindo ao centro o ápice do discernimento político? O pensamento de esquerda é reservado ao idealismo juvenil? Aonde se encaixam os liberais – seriam esquerdistas ou direitistas? Social-democratas são neoliberais? O que é terceira via? Ecologistas têm alguma preferência? Nacionalistas são reacionários? Socialistas e comunistas pensam igual?
Desejamos responder a todas essas questões com destacada neutralidade, limitando-nos à doutrina, embasada na história e na filosofia política. Por isso, estamos elaborando um aprofundado ensaio, com referências e conceitos, que permitarão oferecer respostas claras aos questionamentos que se apresentam.
Aguardamos, assim, por suas visitas e comentários a nossa argumentação, a partir das 20 horas – prazo no qual concluiremos a redação do artigo.
Aproveitamos para agradecer pelos últimos comentários que, pelo tempo exíguo, hoje, não pudemos responder, como de praxe. E desejar um ótimo feriado!
Vá pra casa, Renan
Posted by Marcus Mayer in Brasil, Política on September 5th, 2007
O empenho do governo para salvar o mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tem duas explicações: 1.) retribuir o apoio ao fiel aliado; e 2.) desmoralizar a instituição.
O partido de Renan Calheiros, o PMDB, é o mais importante aliado da base de sustentação do governo, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. O Partido dos Trabalhadores não tem, em suas fileiras, nenhum nome com chances para vencer a próxima eleição presidencial em 2010, para suceder o presidente Lula da Silva.
Assim, o ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB-RS), poderia tornar-se o candidato oficial de uma coligação PT-PMDB, conforme noticiamos neste blog, na última coluna WEEKLY NEWS.
Todavia, os interesses autoritários do Partido dos Trabalhadores, permanecem em primeiro lugar. E a novidade aprovada no 3º Congresso do PT foi um projeto que propõe a extinção do Senado, transformando o parlamento brasileiro em unicameral.
Na hipótese de o plenário da Casa rejeitar o relatório elaborado pelos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), da Comissão de Ética, propondo a cassação do senador Renan Calheiros, a instituição estará totalmente desmoralizada diante da opinião pública. O projeto de extinção do Senado receberia, assim, forte apoio popular.
BLOGAGEM COLETIVA – Sugerimos, como uma prestação de serviço ao país e à democracia, que pressionemos os senadores, enviando e-mails, solicitando a cassação do presidente do Senado.
Além disso, que na véspera e no dia da votação da cassação, façamos uma blogagem coletiva, incluindo, no alto do post mais recente, o banner abaixo:
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Senador singular… e decente!
Posted by Marcus Mayer in Atualidades, Brasil on July 21st, 2007
Leia-se e releia-se:
“Foi uma das cenas mais dantescas, mais cruéis que eu já vi. A nação inteira, inteira chorando… o PAN parando para chorar… e o Palácio festejando! O cara levantando as mãos: ‘A culpa não é do governo!’ Em primeiro lugar, a culpa é do governo. Claro que é do governo! O que tem acontecido no aeroporto, não terminar as obras… O que a Infraero está fazendo? Esta série de absurdos… que está acontecendo? A culpa é do governo. Agora, mesmo que não fosse do governo, comemorar é uma bofetada no povo brasileiro!”
Senador Pedro Simon (PMDB-RS), em seu comentário sobre o “vídeo da obscenidade”, para o Jornal da Globo
Já não está bastante claro que é o presidente da República o verdadeiro responsável pela tragédia de Congonhas? Então por que não exigir o seu imediato afastamento do cargo? A lamentável catástrofe se enquadra em um crime de responsabilidade! Além disso, está mais do que provado que Lula da Silva jamais esteve capacitado para o exercício da função. Acorda, Brasil! Impeachment, já!
Obscenidade é a marca
Posted by Marcus Mayer in Atualidades, Brasil on July 20th, 2007
Não bastou a obscenidade da catástrofe aérea. O governo tem mesmo muita munição! Rodrigo Maia fala por nós:
“É estarrecedor e inaceitável que Marco Aurélio Garcia, o assessor mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, falte com o respeito ao povo brasileiro e apareça, de público, fazendo gestos obscenos no interior de uma sala da Presidência da República. Todos fomos atingidos pelos gestos desqualificados. Não é mais possível tolerar tanta indignidade. Não é possível que o assessor do presidente Lula se julgue no direito de atingir as famílias e a memória das quase 200 vítimas do vôo 3054 comemorando a hipótese de o Airbus 320 da TAM ter voado com um defeito no reversor da turbina direita. Não há o que comemorar, Marco Aurélio. Tudo que estamos vivendo é lamentável, deplorável e indesculpável. Em vez de ter preocupação com a dor das pessoas, ou manifestar interesse na busca de saídas para o caos aéreo, o governo, lastimavelmente, só se importa com a popularidade do presidente da República. E a Nação, além da dor, convive com o desamparo. Mas não somos obrigados e nem vamos conviver com a obscenidade. Peça desculpas, Marco Aurélio. E reze para que as pessoas tenham, em relação a você, a tolerância e o respeito que você não teve em relação a elas.”
Dep. Rodrigo Maia, Presidente do Democratas (foto)
















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