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O papel dos Estados Unidos
Posted by Marcus Mayer in Mundo on August 11th, 2007
Os Estados Unidos, através de seu poder hegemônico, desempenham um papel nem sempre muito apreciado pelo resto do mundo. Durante os últimos anos do governo Bush, a imagem negativa da grande potência econômica e bélica atingiu o pior patamar. Contudo, outras linhas de pensamento, principalmente aquelas que divergem da doutrina Bush, encontram espaço e estão próximas de assumir o poder novamente.
Para começar a tratar desse assunto, traduzi um artigo de Josef Nye*, um dos expoentes do “multilateralismo” nas relações internacionais. A publicação pertence ao Belfer Center for Science and International Affairs da John F. Kennedy School of Government da Harvard University, e foi escrita para o diário tailandês, “Bangkok Post”, de 25 de março de 2006, mas que permanece totalmente atual.
Realismo Progressivo
por Joseph Nye*| Tradução: Marcus Mayer
para o Bangkok Post | Sábado, 25 de março de 2006
As ambições desenfreadas dos neoconservadores e nacionalistas, assertivos na primeira administração de Presidente George W. Bush, produziram uma política externa semelhante a um carro com acelerador, mas sem freio. Foi conduzido para fora da estrada. Mas como a América deve usar o seu poder sem precedentes, e que papel devem desempenhar os valores? Os realistas previnem contra o uso de valores para a determinação da política, mas democracia e direitos humanos foram parte inerente da política externa americana durante dois séculos. O Partido Democrata pode resolver este problema, seguindo sugestão de Robert Wright e de outros que seguem o realismo progressivo. O que está contido numa política externa de realismo progressivo?
Começaria com a compreensão da força e dos limites do poderio americano. Os Estados Unidos são a única superpotência, mas preponderância não significa império ou hegemonia. A América pode influenciar, mas não controlar outras partes do mundo.
O poder sempre depende do contexto, e o contexto da política mundial, hoje, assemelha-se a um jogo de xadrez tridimensional. No plano mais elevado está o poderio militar, que é unipolar; no nível intermediário, de relações econômicas, o mundo é multipolar; e no plano inferior, das relações transnacionais, que compreendem questões como alterações climáticas, drogas ilegais, gripe aviária e terrorismo, o poder é distribuído de maneira caótica.
O poderio militar é uma pequena parte da solução para responder a essas novas ameaças do plano inferior das relações internacionais. Há necessidade de cooperação entre governos e de instituições internacionais. Mesmo no plano mais elevado (onde os Estados Unidos representam quase a metade dos gastos mundiais em defesa), o militarismo exerce supremacia no espaço aéreo, marítimo e espacial, mas é limitado em sua capacidade de controlar habitantes nacionalistas em áreas ocupadas.
Uma política realista progressiva também realçaria a importância do desenvolvimento de uma grande estratégia integrada que combinasse o pesado poderio militar com um poder atrativo a suave, do tipo que venceu a Guerra Fria. A América tem de usar o poder mais duro contra terroristas, mas não pode esperar vencer essa batalha, a menos que conquiste os corações e as mentes dos moderados. O abuso no uso do poder duro (como em Abu Ghraib ou Haditha) só produz novos terroristas recrutas.
Atualmente, os Estados Unidos não têm nenhuma estratégia integrada que combine hard power (poder duro) com o soft power (poder suave). Muitos instrumentos oficiais de “poder suave” — diplomacia pública, transmissões televisivas e produções cinematográficas, programas de intercâmbio, de assistência ao desenvolvimento, ajuda em situações de catástrofes, contatos militares — se espalham no governo, mas não há nenhuma política estratégica, muito menos um orçamento comum, que tente integrar e combiná-los com o poder duro, em uma estratégia de segurança nacional coerente.
Os Estados Unidos gastam, grosso modo, em torno de 500 vezes mais em militarismo do que em transmissão televisivas, produções cinematográficas e intercâmbios. Esta é a proporção correta? E como o governo deve relacionar-se com os geradores não-oficiais de “poder suave” — tudo, de Hollywood e Harvard à Fundação Bill & Melinda Gates — que emanam da sociedade civil?
Uma política realista progressiva deve promover a defesa da vida, a liberdade e a busca da felicidade, resguardada na tradição americana. Uma estratégia tão grande teria quatro pilares de sustentação: (1) segurança que provém dos Estados Unidos e de seus aliados; (2) manutenção de uma economia doméstica e internacional forte; (3) prevenção de desastres ambientais (como pandemias e desastres globais); e (4) encorajamento da democracia liberal e de direitos humanos, dentro e, onde for factível, fora de casa.
Isto não significa valores americanos impostos pela força. A promoção da democracia é mais bem realizada através da atração do que pela coerção, e demanda tempo e paciência. Os Estados Unidos seriam sábios ao estimular o desenvolvimento gradual da democracia, mas de uma maneira que aceite a realidade da diversidade cultural.
Uma estratégia tão grande se concentraria em quatro ameaças principais. Provavelmente, o maior perigo seria a associação do terrorismo com as armas nucleares. A prevenção disto necessita políticas de combate ao terrorismo e a promoção da não-proliferação – a melhor proteção contra armas nucleares -, estabilidade no Oriente Médio, bem como maior atenção a estados desamparados.
O segundo principal desafio seria a escalada de uma Ásia hegemônica e hostil enquanto, gradualmente, recupera sua parte nos 3/5 da economia mundial e que, gradativamente, vem se coadunando com os seus 3/5 da população do mundo. Isto necessita de uma política que integre a China, como depositária responsável do dinheiro das apostas globais, evitando qualquer possibilidade de hostilidade, ao manter relações estreitas com o Japão, a Índia e outros países na região.
A terceira maior ameaça seria uma depressão econômica provocada por uma crise financeira ou por algum problema que interrompesse o acesso global aos fluxos de petróleo do Golfo Pérsico, onde estão localizadas 2/3 das reservas mundiais. Para isto são necessárias políticas que, gradualmente, reduzam a dependência do petróleo, ao mesmo tempo em que a economia americana não pode se isolar dos mercados energéticos globais.
A quarta grande ameaça é o esgotamento ecológico, como pandemias e alterações climáticas. Isto necessitaria de políticas de consumo de energia racionais bem como maior cooperação com instituições internacionais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Uma política de realismo progressivo deve zelar pelo aperfeiçoamento, no longo prazo, da ordem mundial e assumir suas responsabilidades no cenário internacional, com o objetivo de criar uma sociedade de valores globais.
No século 19, a Grã-Bretanha expandiu os seus interesses nacionais para promover a livre navegação, a economia internacional aberta e a estabilidade no equilíbrio de poder europeu. Tais bens comuns ajudaram a Grã-Bretanha e beneficiaram outros países também.
Os Estados Unidos, que agora ocupam o lugar da Grã-Bretanha, devem desempenhar um papel semelhante, promovendo as nações e uma economia internacional aberta (através dos mares, do espaço e da Internet), mediando disputas internacionais antes que se intensifiquem, e estimular o desenvolvimento de regras e instituições internacionais. Como a globalização estenderá capacidades técnicas, e a tecnologia de informação permitirá a mais larga participação em comunicações globais, a hegemonia americana diminuirá, o mais tardar, neste século.
O realismo progressivo requer que a América se prepare para o futuro, estabelecendo seus interesses nacionais através de um caminho que beneficie a todos.
* Joseph Nye is university distinguished service professor at Harvard and Sultan of Oman professor of international relations at the Kennedy School
O artigo acima foi publicado originalmente no dia 4 de maio de 2007. Atendendo pedido de leitores, o texto foi republicado.
Abertura: caminho para a prosperidade
Posted by Marcus Mayer in Economia, Relações Internacionais on June 25th, 2007
A semana começou com uma ótima notícia: países emergentes estão acordando para uma realidade muito distinta daquela adotada pelo governo brasileiro. Já está exaustivamente provado que a melhor alternativa para a erradicação da pobreza é a integração comercial.
Em nossa mais recente coluna WEEKLY NEWS, em três blocos de notícias, alertamos para o tema. Citamos o exemplo da Coréia do Sul que, através de maciços investimentos em educação, ciência e tecnologia, conseguiu fazer a transição de uma sociedade agrária para uma rica economia industrial. Através da elevação da competitividade externa, a nação asiática conquistou a riqueza e melhorou a distribuição da renda.
Leia os blocos “Idade Média”, “Na contramão” e “Vergonha” na última coluna WEEKLY NEWS
No Brasil, de contrapartida, os interesses político-partidários e a corrupção falam mais alto. Têm tanta importância que, travestidos de ”defesa dos interesses nacionais”, cooptaram a Índia e conseguiram travar o avanço nas negociações da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio.
Leia o artigo da BBC Brasil abaixo.
O que está em jogo?
1º.) Alguns grandes empresários – que também são os maiores doadores de campanhas políticas – não desejam a abertura econômica, ou seja, a concorrência externa. Querem aumentar seus lucros e manter os negócios da forma que estão. Que vantagens teriam em vislumbrar as prateleiras do comércio abarrotadas de produtos importados de melhor qualidade e menor preço?
2º.) Latifundiários, que têm uma enorme bancada de representantes no Parlamento e são doares de altíssimas quantias nas campanhas eleitorais, desejam engordar os seus negócios com o comércio mundial. Exportam ‘commodities’ – produtos de baixo valor agregado -, que empregam cada vez menos, graças à mecanização do agronegócio. A única coisa que interessa a eles é a eliminação de barreiras agrícolas à importação, nos Estados Unidos e na União Européia.
O governo, para justificar a sua posição, usa argumentos ultrapassados – mas convincentes para a maioria dos mal-informados – dizendo que a concorrência internacional poderia causar desemprego, através do fechamento de empresas brasileiras e colocar em risco os superávits da balança comercial. Essa posição é muito cômoda. E faz sentido em países que não investem em educação e desenvolvimento de tecnologias, através do incentivo à pesquisa científica.
A intransigência e a defesa desses argumentos da esquerda jurássica explica-se por três razões: 1.) não interessa colocar em risco os negócios dos grandes financiadores de campanhas eleitorais; 2.) investir maciçamente em educação, ciência e tecnologia colocaria em risco programas assistencialistas como o Bolsa Família e vultosos projetos estatais como o PAC; 3.) sobrariam menos recursos para empregar funcionários em cargos de confiança.
Assim, apresentam-se duas opções: confiar nas iniciativas do estado ou na liberdade.

Mesmo sob a ótica liberal o estado tem as suas atribuições, mas jamais a de assumir o lugar de empresário. Projetos assistencialistas só sustentam o populismo – jamais eliminam a pobreza! Para distribuir riqueza, criar uma sociedade de elevados índices educacionais e desenvolver ciência e tecnologia é necessário que se tenha uma economia aberta e próspera. Esse nunca foi o desejo dos governos socialistas e corruptos. A História está aí para quem necessita de provas.
Emergentes propõem abertura maior do que Brasil e Índia na OMC
Um grupo de países em desenvolvimento apresentou nesta segunda-feira à Organização Mundial do Comércio (OMC) uma proposta alternativa que oferece uma abertura de mercado maior do que a defendida pelo Brasil para destravar a Rodada Doha.
O grupo é composto por México, Hong Kong, Tailândia, Peru, Colômbia, Chile, Costa Rica e Cingapura. “Chegou o momento de todos mostrarem a flexibilidade necessária para concluir as negociações no mais tardar até o início de 2008″, afirma o documento.
A nova proposta é vista como uma espécie de racha entre os países emergentes, já que nem todos estariam adotando a mesma posição do Brasil. O texto indica que os países em desenvolvimento poderiam cortar suas tarifas de importação de bens manufaturados em taxas acima da que Brasil e Índia vinham sugerindo.
Nova Déli e Brasília representaram os países em desenvolvimento em uma reunião ministerial na semana passada em Potsdam, na Alemanha. O objetivo do encontro, que também incluiu americanos e europeus, era de tentar desbloquear a Rodada Doha, lançada em 2001 e paralisada desde 2006. Mas sem um acordo, o processo fracassou e agora toda a Rodada poderá entrar em colapso se os 150 países não chegarem a um consenso até o final de julho.
‘Flexibilidade’
O governo brasileiro insiste que aceitaria um coeficiente de corte de no máximo 30. Na prática, isso permitiria um corte de até 50% em suas tarifas de importação. Já os Estados Unidos e a Comissão Européia queriam uma redução das tarifas em pelo menos 58%, o que acabaria afetando setores considerados sensíveis no Mercosul.
Para o novo grupo, o coeficiente de cortes poderia variar entre 17 e 23. Em termos de redução de tarifas, isso significaria um corte de cerca de 55%. “O tempo está acabando, por isso precisamos encorajar nossos membros a mostrar flexibilidade nos próximos dias”, aponta a proposta que agora será avaliada pelos 150 membros da OMC. “Demonstrações de flexibilidade têm sido raras”, conclui o texto apresentado na OMC.
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Diplomacia medíocre
Posted by Marcus Mayer in Brasil, Relações Internacionais on June 1st, 2007
O desastre da política externa
por Marcus Mayer
Exclusivo para o Blog
Apesar da forma tímida, finalmente, o presidente Lula da Silva defendeu a democracia e a liberdade de expressão, durante cerimônia do 24º Congresso de Radiodifusão, ontem, em Brasília: “Se muitas vezes, depois de uma saraivada de más notícias, eu acho ruim, muito pior seria se não existisse democracia nesse país, para a imprensa dizer o que bem entende, na hora em que bem entende e ser julgada pelo único julgador, os ouvintes, os telespectadores e os leitores”, afirmou o presidente.
Infelizmente, o fechamento da maior e mais antiga rede de televisão da Venezuela, a RCTV, verdadeiro atentado contra a liberdade de expressão, cometido pelo idiota latino-americano Hugo Chaves, não tem sido tratado de forma responsável pelo ministério das Relações Exteriores.
A Venezuela, país-membro do Mercosul desde julho de 2006 – aceitá-la como sócio-pleno já foi uma decisão desastrosa do bloco –, não atende às mínimas exigências do Protocolo de Ushuaia, de 1998, que prevê, já em seu artigo I, o seguinte: “a plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados-Partes do presente protocolo”.
A atual gestão do ministério das Relações Exteriores (MRE) é vergonhosa. Basta lembrar a irresponsabilidade cometida em relação ao patrimônio da refinaria da Petrobrás na Bolívia, a desastrosa empreitada de integrar o Brasil ao Conselho de Segurança da ONU, os retrocessos no Mercosul, o enterro da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), as fracassadas negociações na rodada Doha da OMC, o reconhecimento da China como economia de mercado, o descaso para firmar novos acordos bilaterais de comércio com a União Européia e com os Estados Unidos etc. etc.
Além de tudo isso, até agora o Itamaraty não emitiu nenhuma nota oficial condenando a Venezuela, por enterrar a democracia e, provavelmente, não o fará, sob o atual governo. A razão para esse desastre – o maior da história das relações exteriores – encontra explicação na figura esdrúxula do secretário-geral do Itamaraty, o estafeta stalinista, Samuel Pinheiro Guimarães, artífice da política terceiro-mundista brasileira e destruidor da memória do ícone das relações internacionais no Brasil, o “grande” Barão do Rio Branco.
A atuação de Samuel Pinheiro Guimarães, esse personagem abominável, porém, não exime de responsabilidades o chanceler Celso Amorim, o assessor-especial para assuntos internacionais da presidência da República, Marco Aurélio Garcia (defensor de primeira-hora da ditadura comunista de Fidel Castro), e o próprio presidente Lula da Silva, que sempre adularam o idiota Hugo Chaves.
Para que se conheçam um pouco melhor os horrores que caracterizam o dinossauro do Itamaraty, expoente brasileiro do idiota latino-americano, em seu livro, “Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes”, Samuel Pinheiro Guimarães (foto) critica o país por ter assinado o “Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares”, em 1995, pede a retomada de investimentos em armamentos e maiores gastos no setor militar para garantir maior desenvolvimento. Somente com essas ‘qualidades’, Samuel Pinheiro já se credenciaria para ser chanceler na Coréia do Norte, em Cuba ou no Irã – jamais no Brasil!
Em fevereiro, quando de sua demissão do posto de embaixador do Brasil em Washington, Roberto Abdenur, um dos mais experientes diplomatas dos quadros do Itamaraty, criticou de forma contundente a política externa e a doutrinação ideológica em curso no MRE, em entrevista à revista Veja.
Perguntado como a doutrinação se manifesta no ministério, Roberto Abdenur respondeu o seguinte: “Há um sentimento generalizado de que os diplomatas hoje são promovidos de acordo com sua afinidade política e ideológica, e não por competência. Eu vi funcionários de competência indiscutível ser passados para trás porque não são alinhados. Há intolerância à pluralidade de opinião.
O Itamaraty sempre teve um prestígio singular na diplomacia internacional pela continuidade da política externa, pelo equilíbrio, pela excelência de seus quadros e pelo apartidarismo. O Itamaraty precisa resgatar o profissionalismo a salvo de posturas ideológicas, de atitudes intolerantes e de identificação partidária com a força política dominante no momento”. A imposição ideológica, conforme Abdenur, é fato inédito: “nunca, nem na ditadura militar”, foram suas palavras na entrevista.
Samuel Pinheiro é ridicularizado pelos seus pares. Chegou ao cúmulo de impor a leitura de obras preconceituosas, marxistas e ultrapassadas aos representantes do Itamaraty. A leitura era parte de um cursinho de duas semanas ao qual submetia todos os diplomatas a serem transferidos de posto.
O viés ideológico das aulas, apelidadas no Itamaraty de “Escolinha do Professor Samuel”, era inequívoco. Um dos livros traz um prefácio no qual o próprio Samuel Pinheiro ofende os Estados Unidos e trata de forma preconceituosa a ALCA.
Responsável por promoções, transferências e pela formulação da política externa do governo petista, o perfeito idiota do MRE professa ideário inútil e ultrapassado do fim do século 19. Odeia a globalização, é contrário à abertura econômica, acredita no “imperialismo ianque” e adota como método de trabalho ampulheta e papel-carbono.
O embaixador Abdenur deixou claro, em sua entrevista à Veja, considerar “uma coisa vexatória” o fato de diplomatas de categoria serem “forçados a certas leituras quando entram ou saem de Brasília”. Assim, também, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer, chanceler durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, endossa nossas observações. Disse concordar com todas as críticas feitas pelo ex-embaixador Roberto Abdenur ao modo como o governo conduz a política externa: “partilho inteiramente de suas impressões”, disse Lafer. “Coisas como essa indicação de livros a serem lidos, por diplomatas de ótima formação, são simplesmente vexatórias. O que Abdenur quer ressaltar é uma certa lavagem cerebral. Uma coisa muito ruim, que resulta numa diplomacia de qualidade discutível”.
A repercussão da entrevista de Abdenur à revista Veja alcançou, no mínimo, um objetivo. O ministro Celso Amorim manifestou publicamente a intenção de modificar o sistema de leitura obrigatória de livros, imposta desde o início de 2004, pelo vice-chanceler Samuel Pinheiro.
Os adjetivos utilizados para ‘qualificar’ o secretário-geral do Itamaraty são ‘amenos’, quando confrontados com alguns outros, expressos por diplomatas com quem tive contato recente. Nenhum, porém, pelo fato do exercício das funções realizar-se em embaixadas no exterior, soube precisar se a medida de acabar com a absurda “Escolinha” fora colocada em prática. Do jeito como as decisões no MRE têm sido tomadas durante o governo Lula da Silva, não seria de estranhar se o vexame imposto aos diplomatas continuasse, na surdina.
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Sarkozy é 23º presidente da França
Posted by Marcus Mayer in Mundo on May 6th, 2007
Eleições na Nigéria
Posted by Marcus Mayer in Mundo on April 21st, 2007
Em meio à violência, nigerianos votam em eleição histórica
20 de abril, 2007 – 23h22 GMT (20h22 Brasília)
BBC Brasil
Os 60 milhões de eleitores da Nigéria vão às urnas neste sábado para escolher um novo presidente. É a primeira vez que um presidente eleito pelo povo sucederá outro escolhido democraticamente desde a independência do país, em 1960.
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Vinte e quatro candidatos disputam a sucessão do atual presidente Olusegun Obasanjo, mas apenas três têm chances reais no pleito: o candidato do governo Umaru Yar’Adua, o ex-chefe de Estado Muhammadu Buhari e o vice-presidente do país e oposicionista Atiku Abubakar.
A Nigéria é o país mais populoso da África e um dos maiores produtores mundiais de petróleo. Apesar dessa riqueza, dezenas de milhões de pessoas vivem na pobreza.
Entre os principais temas da campanha estão segurança e pobreza. A situação mais grave é no Delta do Níger, onde ficam 90% das riquezas de petróleo e gás do país. Em fevereiro, o Movimento pela Emancipação do Delta do Níger (Mend) – um movimento ligado a grupos paramilitares – divulgou um comunicado em que ameaça entrar em guerra.
Na questão da pobreza, a Nigéria tem alguns dos piores indicadores sociais do mundo. Uma em cada cinco crianças morre antes de atingir os cinco anos. Há dois milhões de órfãos devido à Aids. Mais de 54% dos nigerianos – ou 77 milhões – vivem abaixo da linha da pobreza, e a expectativa de vida no país é de 47 anos.
Candidatos
O favorito na disputa é o candidato do Partido Democrático do Povo (PDP), Umaru Musa Yar’Adua, que tem o apoio do presidente Obasanjo. O PDP foi o partido vitorioso nas eleições estaduais do último dia 14. Governador do estado de Katsina, Yar’Adua é um dos poucos governadores que não está sendo investigado por corrupção. Se eleito, o político de 56 anos – considerado um esquerdista moderado – se tornará o primeiro presidente nigeriano com diploma universitário.
Outro candidato de Katsina é o ex-chefe de estado nigeriano Muhammadu Buhari, do Partido de Todos os Povos (ANPP). Buhari foi derrotado por Obasanjo nas eleições de 2003 e perdeu espaço em seu partido, mas conseguiu recuperar influência para liderar a chapa do ANPP, o maior partido de oposição da Nigéria. Ele é conhecido por fortes idéias religiosas.
O terceiro candidato com chances é o vice-presidente Atiku Abukakar, do Congresso Ação (AC). Abukakar rompeu com o presidente depois de ter sido acusado de desviar US$ 125 milhões em negócios pessoais.
Para evitar um segundo turno de eleições, o candidato vencedor precisa receber a maioria dos votos e ter pelo menos 25% de aprovação em 24 dos 36 Estados nigerianos.
Legado de Obasanjo
Pela primeira vez, desde 1960, a Nigéria passou por oito anos ininterruptos de regime democrático. Em 1999, quando Obasanjo chegou ao poder, poucos acreditavam que ele completaria seu mandato. Logo na chegada ao poder, o presidente aposentou diversos líderes militares que haviam participado de governos anteriores, dando um claro sinal de que o exército teria pouca chance de derrubar o governo.
Um dos principais temas do governo de Obasanjo foi o combate à corrupção. O governo criou a Comissão de Crimes Econômicos e Financeiros (EFCC), que investigou e indiciou dezenas de figuras públicas e privadas. Na véspera das eleições, a EFCC foi acusada de “investigações seletivas” contra opositores do governo.
As reformas econômicas do governo também foram um dos principais temas da campanha. Apesar de receber elogios fora da Nigéria, o programa é muito criticado no país, devido à altos índices de desemprego e inflação.
The Economist: Land of promise
Posted by Marcus Mayer in Brasil, BRICs, Economia on April 13th, 2007
A respeitada revista britânica The Economist, em sua edição de 12 de abril, traz uma reportagem especial sobre o Brasil, com o título Land of promise, que segue – por mim traduzida – abaixo. A matéria é muito interessante e abrangente. Leve-se em consideração a percepção que o exterior tem do Brasil no momento atual. Vale muito a pena dedicar algum tempo para ler a íntegra do texto. (Clique sobre o logo da revista para ler a matéria em inglês)
ANÁLISE: BRASIL
Terra da promessa
The Economist | 12 de abril de 2007
Tradução: Marcus Mayer
Na costa direita do largo canal que constitui o porto de Santos, o maior do Brasil, o Orange Wave aguarda uma carga de suco de laranja com destino a New Jersey. O North King, de origem panamenha, está sendo carregado da soja cultivada em algum lugar entre o sul temperado do Brasil e as savanas do centro-oeste. Além disso, impressionantes filas de carros aguardam pelo seu navio. Os terminais de carga, antes de propriedade do estado, expõem agora a heráldica corporativa: os logotipos de COSAN, produtor de etanol e açúcar; Bunge, comerciante de comida global; e America’s Dow Chemical. No ano passado, Santos quebrou o seu recorde de exportação de café – a commodity que fez nascer o porto, no século 19 – registrado anteriormente em 1909.
A ‘majestade Vitoriana’ de navios ancorados não permite desconfiar dos problemas que o transporte de carga enfrenta no caminho para e de Santos, responsável por 27% do comércio internacional do Brasil. No caso da soja os problemas começam no campo, onde o armazenamento deficiente força cultivadores a despachá-la diretamente ao porto, apesar do preço. Em seguida, enfrenta uma viagem acidentada em estradas esburacadas – 80% da carga chega a Santos em caminhões e não por estrada de ferro. A privatização e o melhor gerenciamento dos terminais conduziu a uma maior eficiência do porto, mas os navios ainda precisam aguardar em alto mar antes de adentrar o canal, que é 2m mais raso do que o recomendável. Os órgãos estatais reguladores para o meio ambiente estão retendo a permissão para aprofundá-lo. Os custos do transporte consomem quase 13% do PIB brasileiro, cinco pontos percentuais acima dos Estados Unidos, segundo Paulo Fleury da COPPEAD, uma escola de negócios do Rio de Janeiro. Essa é somente uma pequena parte da carga à qual os businessmen se referem desesperadamente como custo Brasil.
A larga capacidade de produção e a frustração se somam no Brasil nesses dias. O país explode em mercadorias cobiçadas pelas economias crescentes da Ásia – da soja ao minério. Nenhum outro país está mais bem qualificado para atender às demandas do entusiasmo global por biocombustíveis. Ainda assim, o Brasil recusa-se a crescer de acordo com as expectativas de sua população de 188 milhões. Desde o fim do “milagre econômico” dos anos 1960 e 70, quando o país foi o segundo a apresentar o mais rápido crescimento do mundo entre as grandes economias, o Brasil estagnou (ver diagrama 1). Durante os últimos quatro anos, enquanto o conjunto de países em desenvolvimento cresceu em média 7.3%, o Brasil estancou em 3.3%.
Em 2003 o banco de investimento Goldman Sachs qualificou o Brasil, ao lado da Rússia, da Índia e da China, como um dos quatro “BRICs” – países em desenvolvimento que compartilhariam o domínio da economia mundial antes de 2050. O Brasil teve um crescimento muito menor que os demais, levando alguns brasileiros a indagarem se o “B” seria excluído do grupo. A Coréia do Sul ultrapassou o Brasil em renda per capita nos anos 1980; pode não demorar muito para que a China e a Índia façam o mesmo.
Os brasileiros também têm problemas “não-econômicos” com os quais se preocuparem. Em sua primeira oportunidade no poder, o Partido dos Trabalhadores (PT) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – de quem se aguardava o combate contra a corrupção – orquestrou um esquema arcaico de suborno de congressistas em troca de votos, conhecido como “mensalão” (pagamento de mesada). O Congresso que encerrou sua legislatura de quatro anos em dezembro é largamente apontado como “o pior da história”. No ano passado as duas maiores cidades do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro, foram aterrorizadas por bandos que atuam do interior do sistema prisional. A educação, possivelmente o pior defeito do Brasil, em vez de melhorar, tem piorado. Desde o ano passado, quando ocorreu o choque no ar entre um avião de passageiros e um jato executivo, as viagens aéreas se tornaram um tormento. O Brasil está “desmoronando em partes”, lamentou-se Lya Luft, colunista de Veja, a maior revista de notícias, no ano passado.
Qual é o problema?
A maioria dos brasileiros parece não ter noção. O presidente Lula ganhou a eleição de outubro passado de forma estrondosa, basicamente em virtude do assistencialismo aos pobres. A qualidade de vida está sendo melhorada, graças em parte às esmolas do governo federal. A desigualdade de renda, da qual o Brasil sofre mais do que a maioria dos países começou, finalmente, a encolher-se.
O mesmo é verdadeiro no que concerne à inflação, mantida às custas de altas taxas de juros. A introdução do real como moeda brasileira em 1994 encerrou décadas de alta inflação. Muitos observadores temeram que Lula a reacendesse quando foi eleito presidente pela primeira vez em 2002. O seu PT fez oposição ao Plano Real e as taxas de risco país dispararam com a perspectiva de eleição de Lula. Mas ele compreendeu que a inflação afetava mais os pobres. Desafiando os seus companheiros, entrincheirou a estabilidade, fielmente apoiada no tripé da política de seu predecessor e inimigo político, Fernando Henrique Cardoso: superávit primário elevado para reduzir a dívida em relação ao PIB, taxa de câmbio flutuante e metas de inflação.
Auxiliado pelo entusiasmo global por produtos brasileiros e pela estabilidade financeira, a dupla Cardoso-Lula conquistou um milagre econômico de tipo diferente. A inflação, no ano passado, foi de somente 3%, abaixo da meta de 4.5% estabelecida pelo Banco Central. Os mercados esperam que ela permaneça abaixo da meta neste ano. As taxas de juros reais estão em seu nível mais baixo desde 2001. O risco de uma crise externa interferir na economia doméstica – o que muitas vezes ocorreu durante os anos de 1990 – diminuiu. As exportações e o superávit da balança comercial dispararam (ver o diagrama 2), empurrando as reservas de divisas acima dos 100 bilhões de dólares. Quando o Brasil ficou independente em 1822 a Grã-Bretanha insistiu que ele assumisse as dívidas da coroa portuguesa. Agora o governo do Brasil é um credor internacional. A conquista de um rating de investment grade é, provavelmente, só uma questão de tempo. Quando Lula terminar o seu segundo mandato em 2010 o Brasil terá gozado “de 16 anos de estabilidade e predição”, diz Mailson da Nóbrega, um ex-ministro da Fazenda que agora dirige a consultoria Tendências. Este é um importante e muitas vezes subestimado desconto sobre o “custo Brasil”.
De algum modo o Brasil é o mais estável dos BRICs. Diferentemente da China e da Rússia ele é uma democracia genuína; e diferentemente da Índia ele não tem nenhum conflito sério com os seus vizinhos. Ele é o único BRIC que não dispõe de uma bomba atômica. O “Índice de Liberdade Econômica” elaborado pela Fundação Heritage, e que inclui fatores como a proteção aos direitos de propriedade e livre comércio, classifica o Brasil como economia “moderadamente aberta”, acima dos outro BRICs, em grande parte “fechados”. Uma das razões principais para que o crescimento do Brasil tenha sido mais lento do que o da China e o da Índia é que o país é mais rico e mais urbanizado.
As expectativas futuras persistem causando descontentamento porque o Brasil está sempre em um campo de batalha entre o avanço e a inércia. Desde a independência, que foi proclamada pelo filho do rei português, o Brasil foi fazendo remendo sobre remendo para modernizar-se em vez de livrar-se de velhos padrões e recomeçar definitivamente do novo. A constituição de 1988, que solidificou a democracia depois de 20 anos de ditadura militar, não aboliu a cultura da “cordialidade”, que em política significa primazia de gentilezas pessoais em contraste com o respeito às regras. “As liberdades e os direitos eleitorais estão consolidados”, diz o antigo presidente Cardoso, “mas falta cidadania, em relação ao respeito à lei. A democracia significa isto, também”.
Muito, demais
A constituição criou direitos em demasia – de estabilidade de servidores públicos, de permitir que governos estaduais criem taxas sobre receitas, de excessivos privilégios aos cidadãos, à transferências do governo – que o Brasil mal pode executar. Esses direitos ajudam a explicar porque as taxas de juros reais permanecem entre as mais altas do mundo, porque o investimento público em estradas, portos e outras áreas da infra-estrutura é lento, e porque a carga tributária é de um Welfare State europeu rico e não de uma economia jovem em desenvolvimento.
Conseqüentemente, o Brasil permanece no meio de uma metamorfose lenta na sua economia, na sua sociedade e no seu sistema de governo. “O Brasil contemporâneo é um híbrido entre duas modalidades: um desigual e hierárquico, outro universal e igualitário”, argumenta Jacqueline Muniz, antropóloga do Rio de Janeiro. O legalismo rígido convive com a ilegalidade exuberante, e um setor privado vibrante coexiste com um estado esclerosado. O presidente Lula, que se apresentou como uma alternativa aos oligarcas antiquados, agora governa com a sua ajuda. Poucos desses modernizadores não são manchados pelo seu passado.
Embora o progresso seja lento, as instituições do Brasil estão bastante firmes agora para deixá-lo razoavelmente seguro. O Goldman Sachs recentemente reafirmou a posição BRIC do país. O crescimento econômico pode superar os 4% neste ano. Quando as estimativas de crescimento do PIB foram revistas em março, o Brasil descobriu que ficou mais rico e menos endividado do que imaginava. Ele ainda pode fazer melhor. Mas isto necessitaria de mais discernimento de Lula, tão importante como a sua conversão à inflação baixa: que o obstáculo principal para progredir é o próprio estado.
Latin Finance: Falling Behind
Posted by Marcus Mayer in BRICs, Economia on April 10th, 2007
Brazil is the only sub-investment grade BRIC country. It risks falling even further behind if the government neglects urgent fiscal reforms required to power economic growth.
Brazil has basked in the glory of its association with Russia, India and China, the fast growing emerging economies that join it in the BRIC bloc. But by many measures it is falling far behind. When Goldman Sachs coined the phrase BRIC in 2003, the idea was that they could outstrip the G6 economies by 2050, both financially and politically. But as other BRICs take off, Brazil is looking increasingly like a low-tech laggard that cannot grow itself out of a debt overhang.
”Brazil has been riding the wave of global growth and a great world environment,” says Edgardo Sternberg, emerging markets debt strategist at Loomis Sayles, which manages $88 billion in equity and debt assets worldwide. “Beyond that, little has been done. When that environment disappears, I want to see how well Brazil does.”
The country is coasting on the commodity rally and its private sector is thriving despite one of the most hostile environments in the world. But Brazil risks squandering a unique opportunity to become a world player if the Lula administration fails to match impressive first term fiscal prudence with equally ambitious fiscal reform and investment in infrastructure and education.
“Macroeconomic and financial instability have been reduced in a very significant and structural way, but the conditions for growth to accelerate to a new plateau have not been created,” says Alberto Ramos, senior Latin America economist at Goldman Sachs.
Ramos flags increased public spending through social transfer projects as a drag on Brazil’s projected 3.5% growth for 2007. China, India and Russia should register 9.8%, 8% and 7% economic growth in 2007, according to Goldman. Brazil has averaged just 2.6% growth since 2000, compared to 9.56% for China, 6.65% for India and 6.77% for Russia, Goldman data shows. And even though Brazil has the third largest economy by GDP, it has the second highest ratio of debt to GDP of the BRIC countries, the bulk of which is short-dated, keeping it at the junk rating.
Lula e Bush: casamento de incompetentes
Posted by Marcus Mayer in Brasil, Relações Internacionais on April 1st, 2007
Observar a foto abaixo nos leva a refletir a respeito do destino ao qual esses dois presidentes conduzem seus respectivos países, e no caso do americano, também o mundo. Uma aliança entre essas duas personalidades, certamente, não é nada promissora. Como dar crédito a dois presidentes com biografia recente tão negativa? Felizmente, as constituições do Brasil e dos EUA, através do instituto da reeleição, só permitem uma recondução seguida ao cargo.
A guerra do Iraque ofereceu demonstrações suficientes de como os interesses pessoais e corporativos estão muito acima dos interesses globais e além do controle das Nações Unidas. Os EUA estavam à beira de uma profunda recessão econômica às vésperas da invasão do Iraque. O crescimento do setor bélico foi tão significativo no período, que afastou qualquer sombra de crise. Além disso, a indústria do petróleo, no Texas, da qual a família Bush é grande acionista, teve ganhos nunca antes contabilizados na história. Até o projeto populista do venezuelano Hugo Chaves colheu frutos provenientes da escalada dos preços do barril de petróleo.
Lula da Silva, no Brasil, conseguiu patrocinar o período de maior corrupção e aparelhamento do estado visto na história brasileira. Isso sem mencionar o retrocesso em todas as áreas da administração pública: educação, saúde, transportes, segurança – tudo está muito pior sob a administração petista. Alguns poderiam defender a estabilidade econômica como conquista, mas, certamente, as diferenças sociais poderiam ter diminuído, não fossem os projetos populistas patrocinados pelo governo.
Enquanto são desenvolvidas tecnologias para substituição do petróleo como fonte de energia – a exemplo da utilização do hidrogênio e da energia nuclear – os presidentes Bush e Lula tratam de incentivar a produção de etanol, extraído da cana-de-açúcar, para mover parte da frota americana de veículos. O projeto pode até ter algum mérito, mas a um custo muito elevado: a expansão da fronteira agrícola que avança sobre as áreas florestais. Os maiores beneficiários da iniciativa serão alguns poucos latifundiários e usineiros que, certamente, já reservaram comissões, pelo lobby executado pelo próprio presidente da República, para financiamento de campanhas eleitorais futuras do Partido dos Trabalhadores e outros da base aliada.
O que se pode aguardar de positivo da estada de Lula da Silva em Camp David é alguma discussão em torno da redução de subsídios e outras formas de protecionismo, que tanto o Brasil quanto os EUA adotam em larga escala, para proteger setores da economia. Em todo caso, a foto de Lula da Silva com George Bush consegue ser “menos pior” do que as que vemos com maior freqüência com o brasileiro ao lado do venezuelano Hugo Chaves.











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