Bate-papo com o Presidente – 2

RICARDO SINISCALCHI

 

Queridos amigos:

 

Quanta inveja ainda perambula por aí. Esse mundo não é mais como era antigamente. Bastou eu comentar com os colegas do escritório que estava armando um piquenique com a turma do primário para ouvir o indefectível comentário: “piquenique?!?! Que coisa brega!” Seguiu-se então um acalorado debate sobre o que é e o que não é brega.

 

Começou com camisa social aberta até o peito e corrente de ouro no pescoço, passou por Wando e as duplas sertanejas e foi parar em laquê no penteado. Depois de um embate exaustivo, consegui convencer meus interlocutores que, sim, um evento como este não só tem sua graça como, do ponto de vista ambiental, tem baixíssima emissão de carbono. E aí, vejam vocês, os meus estimados companheiros, não se dando por vencidos, passaram então a opinar sobre o que levar na ocasião.

 

Ah, esses moços, pobres moços. Ainda têm uma BR-116 para percorrer na vida. Começaram a falar em baguetes de parmesão, croissants rechedas, mousse de chocolate meio amargo (tipo cacau 80%), saladas de folhas lavadas e picadas, queijo brie, frutas secas. Imaginem que chegaram a sugerir um toque high-tech no convescote: levar tudo acondicionado em geladeiras térmicas, dessas de fibra, que a gente vê aos montes nas praias durante o verão. Toalhas? Segundo eles, só se for de algodão egípcio. E, heresia das heresias, talheres. Que é isso minha gente!? Vocês algum dia fizeram um piquenique na vida? Ninguém nunca saboreou uma soneca embaixo da jabuticabeira, numa tarde de domingo?

 

Piquenique de responsa tem cestinha de vime da vovó, fechada, com alça, e a fibra desfiando nos cantinhos. A abertura é por cima, com uma tampa de cada lado. Tem toalha xadrez – pode ser de plástico ou de pano -, mas tem que ser na cor vermelha, cor do amor e da paixão (quer coisa mais brega?), tem o frango assado, já cortado, no potinho de Tupperware, tem milho cozido enrolado no papel alumínio, tem ovo caipira cozido, tem groselha vitaminada Milani, tem mexerica polkan e banana nanica, tem bala juquinha, tem dadinho de amendoim, tem pipoca doce no saquinho cor-de-rosa, tem cocada, tem amendocrem no pão seven boys, tem seven-up e gini e tantas outras delícias proibidas que eu pedirei ajuda de vocês para completar a lista. Gente, algumas tradições têm que ser preservadas. Tem coisas que são boas porque mudam sempre; outras são boas porque não mudam nunca.

 

No fim, não importa muito. Sofisticado ou espartano, moderno ou conservador, o importante é ver todos vocês lá. A Juliana já passou o endereço – anotem aí para ninguém se perder:

 

Rua Itapaiuna 1800 apto 202 Hibiscus

(Perto do Parque Burle Marx/Panamby)

 

Como ela precisa organizar minimamente o local, pedimos àqueles que quiserem participar que respondam esta nota com um “Eu + 01, 02 ou 03”, dependendo do número de pessoas que irão junto. E enviem também suas sugestões sobre o que levar no evento. Alguém aí vai levar uma pipa?

 

Abraços.

 

Ricardo

One Response to “Bate-papo com o Presidente – 2”

  1. Marcus Mayer Says:

    Que ótimo ver um novo post no blog!

    Quando será o evento, presidente?

Leave a Reply