Bate-papo com o Presidente – 3

 

Queridos amigos:

Diz a lenda que aconteceu numa tarde de outono.
 
O céu, que tinha amanhecido na sua tradicional cor metálica, logo assumiu um tom de azul assombroso, como há muito não se via. A temperatura, que de início não animou muito, depois ficou miseravelmente agradável. O lugar era daqueles que inspiram reflexões: como, no meio de tanta fumaça e concreto, pode existir um verde tão natural e profundo, que parece que sempre esteve ali desde o início dos tempos? Coisas que a nossa inteligência racional muitas vezes ignora.
 
As pessoas foram chegando, inicialmente em silêncio, e acomodando as pequenas cestas nas toalhas estendidas no gramado, interagindo com a exuberante natureza do lugar. E do seu interior foram surgindo pequenas maravilhas, cuidadosamente preparadas e imediatamente compartilhadas entre todos. Uma festa para os sentidos. 
 
Aos poucos o silêncio deu lugar a um som de vozes conhecidas, que se aqueciam à medida que o Sol vazava a trama de folhas. A conversa girou em torno de lembranças de um tempo distante, quase esquecido. Testemunhas disseram que nunca tinham visto nada parecido, tamanha era a harmonia do grupo. Uma pequena menina, de olhos cor de céu, linda na sua inocência, logo quis desbravar o lugar que antes ela só conhecia nos livros. E surpreendeu-se ao contemplar imagens que ficarão para sempre em sua memória.
 
Nada parecia quebrar a magia daquele momento. As pessoas estavam encantadas, conectadas a um mundo invisível, apreciando apenas a beleza da própria vida. E foi neste cenário idílico que o pequeno grupo celebrou sua união, fruto da amizade e da crença que, mesmo em tempos difíceis, a esperança é a nossa maior virtude.
 
O dia foi se apagando aos poucos e, assim que a escuridão chegou definitiva, todos se retiraram.
 
Não há registros do evento e duvida-se mesmo que tenha acontecido. Terá sido apenas um sonho de uma tarde de outono?
 
Ricardo

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